quarta-feira, maio 19, 2010

Um dos Piores Penalty´s de Sempre

Deixem-no partir - João Gobern

Parte substancial da empatia que se cria entre ídolos e massas há de carecer sempre de uma explicação à altura - momentos de empolgamento rendem memórias e estas saltam das molduras sempre que há oportunidade. O caso amoroso entre Pedro Mantorras e o Terceiro Anel da Luz é um paradigma. Há uma crença, desapoiada pelo veredicto das estatísticas, de que o angolano resolve problemas e marca golos. Há uma espécie de delírio coletivo em torno das suas (cada vez mais) esporádicas presenças em campo. Resta saber se isso deve ou não continuar, naquilo que se pretende como um novo ciclo do clube.

Antes de ir direto ao assunto, permitam-me duas considerações: primeiro, sou daqueles que acredita que pouco se alcança sem honrar, por sistema, o património, sem recordar, por método, a História. Percebo o esforço que a atual direção do Benfica tem desenvolvido para trazer "de volta a casa" os seus notáveis - ainda no jogo que confirmou o título anunciado foi belíssima a ideia de encher a tribuna presidencial com antigos campeões encarnados, num quadro que valeu muito mais do que uma simples foto para o álbum de família. Depois, estou entre aqueles que sentem que Mantorras, 28 anos, é um mártir do futebol, um daqueles casos em que se concentrou num só homem tudo o que de mau podia acontecer, com eventuais erros médicos à mistura com precipitações próprias. Nessa medida, ele merecerá sempre o afeto, o carinho, a solidariedade dos adeptos do Benfica. Poderá, com o passar do tempo, ser mais um embaixador do clube. Não me parece, no entanto, que possa e deva continuar como atleta profissional do plantel benfiquista.

Sejamos claros: Mantorras não dispõe de condições físicas (nem psicológicas, que ninguém nas suas circunstâncias consegue ser bom juiz em causa própria) para competir com a concorrência. Isso era esbatido noutras épocas, quando o plantel encarnado não primava pela qualidade que mostra agora, mas é transparente hoje, num Benfica treinado por um homem que corta a direito rumo aos objetivos. Poderia Jorge Jesus ter convocado e utilizado Mantorras no jogo do título? Talvez - mas e se as circunstâncias exigissem a presença em campo de outro atleta, mais esclarecido, mais preparado, mais apto? A questão não vai deixar de se colocar assim, no futuro. Por mais cruel que pareça, uma chamada de Mantorras será sempre uma gracinha, uma jogada sentimental, um favor. É mau para ele. É péssimo para o clube. Por isso, percebo bem a troca das "campanhas". Antes pedia-se: "Deixem jogar o Mantorras". Agora é quase forçoso defender: "Deixem-no partir". Será sempre um mal menor para todos - e evitará conflitos, cujo prolongar levará a um preço pesado e incalculável.

Bruno Alves Brasileiro

Problema chamado Mantorras - Luís Avelãs

Nos últimos dias o nome de Mantorras voltou a ser notícia. Não pelas razões que o transformaram num dos futebolistas mais adorados pelos adeptos encarnados, mas porque, depois de ficar zangado com o facto de ter sido preterido na convocatória para o jogo do título do Benfica (não chegou a ser utilizado na Liga, o que oficialmente o impede de ser contabilizado com campeão), agora resolveu aproveitar uma viagem a Angola para, de forma directa, atirar-se a tudo e a todos.

O avançado africano está tão ressentido que, de enfiada, exigiu mais respeito, criticou o facto de Jorge Jesus só ter falado com ele três vezes em toda a temporada e ameaçou que, se não o quiserem na Luz, terá que receber todo o dinheiro a que tem direito até ao fim do seu contrato.

À primeira vista, a posição de Mantorras é completamente errada. Ao colocar-se em “bicos de pé”, o angolano dá a entender que pensa ser mais importante que o colectivo e nesse aspecto, naturalmente, está equivocado. Nem ele, nem ninguém, no Benfica ou noutro qualquer clube, pode considerar-se acima do todo. De que vale, por exemplo, ter o melhor jogador de um campeonato se, no final, a descida de divisão acontecer?

De resto, se é verdade que no título anterior dos encarnados, Mantorras podia chamar a si uma parte significativa do sucesso, desta vez não lhe cabe grande coisa. Aliás, a sua importância limitou-se ao espírito que transmitiu aos companheiros, ao contributo dado nos treinos, pois não marcou golos, nem foi utilizado um minuto que fosse.

Sempre gostei de ver o futebolista Mantorras. E faço parte do extenso lote de pessoas que, sem hesitar, acreditam que ele podia ter sido mesmo um caso sério no desporto-rei. Contudo, como todos sabem, a grave lesão no joelho deitou por terra essa possibilidade. Elogio imenso o esforço que o africano fez, vezes sem conta, para recuperar, para tentar voltar a ser quem era, para ajudar o clube que acreditou no seu potencial, para agradecer o apoio dos sócios e simpatizantes benfiquistas. Mas, sejamos honestos, Mantorras há muito que deixou de poder jogar, com regularidade, futebol ao mais alto nível. Esta é a crua realidade. E por muito que, através de declarações inflamadas, tente recuperar o seu espaço enquanto jogador... ele já não existe. Aliás, a sua recente argumentação só seria devidamente apoiada pelo adepto anónimo caso o Benfica continuasse a não ganhar.

Mantorras, já o disse e repito-o agora, teve muito azar na carreira, mas isso não é a mesma coisa que ter azar na vida. Por isso, de uma vez por todas, deve perceber que a melhor solução é trocar, quanto antes, a pele de futebolista pela de dirigente (embaixador do clube ou algo do género). Sempre ao serviço do Benfica.

Se optar pelo confronto com clube, por tentar manter a actividade enquanto jogador noutro lado, Mantorras corre o sério risco de se lesionar com gravidade outra vez, de ter meses e meses de recuperação pela frente e, pior, ficar sem ocupação a curto prazo. Valerá a pena arriscar tanto? Não me parece.

Cabe aos responsáveis do Benfica, que sempre optaram por esta situação dúbia de considerar Mantorras um jogador como os outros sabendo melhor que ninguém que ele era uma caso especial, sensibilizar o angolano. Explicar-lhe tudo o que está em causa e, de uma vez por todas, oferecer-lhe um cargo que seja adequado à sua condição física actual. E isso deve ser feito sem ser visto como um gesto de caridade, mas sim como uma obrigação moral. É que, independentemente dos seus feitos no relvaldo (e da estreita ligação com os adeptos), continuo a considerar que o processo da primeira operação (e respectiva recuperação) de Mantorras nunca foi devidamente explicado. E, se calhar, é bom que ninguém o queira explicar ao pormenor.

terça-feira, maio 18, 2010

RAP Queirós - João Querido Manha

Hi guys, Olá pessoal!
Eu sou o Carlos Queiroz
Treinador de Portugal
I got a feeling, um pressentimento!
Só nos falta entrosamento
O início foi mau, muito passe errado
Talento não se compra no supermercado
Não posso dizer que jogámos bem
Começámos nervosos, inseguros
Sem pontas-de-lança puros
Mas está tudo programado
Não temos medo de nada
Tivemos os jogos na mão
O árbitro não marcou penálti
Futebol é agonia, há noites assim
Contra a Dinamarca, 37 remates
E no fim só deu empate
Ficámos muito desiludido
No Brasil, golos patéticos
Derrota pesada, frustrações
O Quim não tem futuro, yooooooo
O Quim não tem futuro, yeaaahhh
Trocas de palavras azedas, empurrões
Correr com comentadores e jornalistas
Mas tudo normal com o Baptista
Pois são as más finalizações
Que me fazem cair o cabelo
Não conseguimos ganhar
Não sei como fazê-lo
Marcar golos e vencer
Se não alimentar a vaca
O leite vai secar
Ficaram cinco penáltis por marcar
Mas acredito que podemos lá chegar
Estamos a construir equipa sólida
A estratégia está montada
Para correr muito sem bola
E sentir-me realizado
Bastaram-me 45 minutos
Para ver que o Coentrão
Dava um belo lateral
E, olhem, nem estou a contar
Com o Pepe a defesa-central
Descobri no Simão
Bom intérprete do losango
João Moutinho uma encarnação
De caráter e talento
Sem espaço pelo regulamento
Liedson garante mais competência
Deco é uma referência
Eduardo o número um
Manuel Fernandes o lapso 51
Mas toda a minha esperança
É o Ronaldo fazer a diferença
O Quim não tem futuro, yooooooo
O Quim não tem futuro, yeaaahhh
Ganhámos motivação
Nem queria estar na pele dos albaneses
Olhem nos olhos deles,
Portugueses
Para verem a determinação
Grande coração
E também muita alma
Vitória arrancada a ferros
Cometemos muitos erros
Mas é preciso ter calma
É preciso sofrer
É preciso lutar
Correr com os talibãs
Que criticam a Seleção
Só volto a fazer a barba
Quando dois golos marcar
Nem que seja com ajuda
De Nossa Senhora de Nampula
Na Covilhã em altitude
Jogadores são gigantes
Com raça, entrega e atitude
Nalguns períodos brilhantes
Futebol sempre positivo
Muito consistente
Equipa serena e inteligente
Sabemos que o mais importante
É ganhar sem sofrer golos
Devemos sentir orgulho
Fazer estágio longe do barulho
Sem assobios nem lenços brancos
Quem não acredita fique em casa
Será diferente no Mundial
Vou mudar o chip mental
O Eriksson já comprou
Comprimidos para a dor
No Brasil, cada jogador
Vai ter um Dunga na cabeça
E que ninguém se esqueça
Que a Coreia corre todo o dia,
Nunca se cansa
Estamos no grupo da morte
Mas como nos mostrou a Bósnia
Levar três bolas no poste
Faz parte desta vida
Também é preciso sorte
Obrigado a quem confia
Se não fosse para ser campeão
Ter este sonho, esta ambição
De Manchester não saía
Só o Quim não tem futuro, yooooooo
Só o Quim não tem futuro, yeaaahhh

* Co-autoria virtual com o Professor Carlos Queiroz, verdadeiro criador dos versos, ao longo dos últimos dois anos e ao ritmo de altos e baixos como a Seleção que dirige.

Milagre?!

Imaginem o Sofrimento...

Este episódio já tem uns meses mas, sinceramente, só agora tive conhecimento da sua ocorrência e, mesmo não sendo “fresquinho” (o que pode fazer com que não seja novidade para muitos), parece-me suficientemente interessante para merecer alguma atenção.

Em Outubro passado, aquando da realização do embate Real Madrid-AC Milan, respeitante à Liga dos Campeões, a Heineken – um dos patrocinadores oficiais da competição – resolveu levar a efeito uma acção verdadeiramente inovadora. Em traços gerais, a ideia passou por convencer cerca de mil adeptos do clube italiano a não assistir à transmissão da partida. Mas, como fazer isso? Pois, recorrendo ao auxílio de chefes, namoradas e professores que, cada qual inventado a sua desculpa, tratou de empurrar os amantes do futebol para uma entusiasmante sessão de música erudita.

O que os homens em causa não sabiam é que tudo isso não passava de uma armadilha e que, depois de alguns minutos de sofrimento, iriam acabar por ver o encontro.

A ideia, notável, acabou por ser difundida na televisão e apreciada por milhões de pessoas. Se, tal como eu, só agora teve conhecimento desta “novela”, assista ao vídeo porque, sem dúvida, vale mesmo a pena - Luís Avelãs

segunda-feira, maio 17, 2010

Paciência de Jó

Benfica (não) pode perder 9 pontos - Artigo de Opinião de António Magalhães

BENFICA PODE PERDER 9 PONTOS .

Alan Kardec jogou em 3 clubes numa só época!!

Esta notícia tem sido abafada por toda a comunicação social por forma a não tirar ao "melhor Benfica dos últimos 30 anos" o título de campeão nacional.

A verdade é que Alan Kardec, jogador brasileiro de 21 anos contratado pelo Benfica em janeiro, participou ilegalmente em três jogos do campeonato nacional da presente época e por isso o Benfica deverá ser penalizado com a perda de 9 pontos.

O que se passa é simples:

* O último jogo de Alan Kardec pelo Vasco da Gama foi no dia 29-08-2009;
* Alan Kardec fez o seu último jogo pelo Internacional a 01-11-2009;
* Alan Kardec jogou o seu primeiro jogo pelo Benfica no dia 24-01-2010.

O artigo 5º do Estatuto e transferência de Jogadores da FPF é claro no que diz respeito a estes casos e diz:
III. INSCRIÇÃO DE JOGADORES

Artigo 5º Inscrição

1. Um jogador tem de estar inscrito numa Federação para poder jogar por um clube, quer como profissional quer como Amador, de acordo com as disposições do artº 2º. Apenas os jogadores inscritos são qualificáveis para participar no Futebol Federado. Pelo acto de se inscrever, o jogador aceita respeitar os Estatutos e a regulamentação da FIFA, das confederações e das Federações.

2. Um jogador só pode estar inscrito por um clube de cada vez.

3. Os jogadores podem ser inscritos por um máximo de três clubes durante o período compreendido entre 1 de Julho e 30 de Junho do ano seguinte. Durante este período, o jogador só é qualificável para participar em jogos oficiais por dois clubes.»

Casos semelhantes como o de Meyong no Belenenses ou o tão célebre caso Mateus, que levou o Gil Vicente a descer de divisão, tiveram grande impacto mediático e graves consequências para os visados.

Não podemos ficar indiferentes a esta vergonha... Passa a mensagem para que todo o país saiba o que a comunicação social está a abafar.

Fica o esclarecimento:

A comunicação social não está a abafar nada. Acontece que há muito a FIFA fez a distinção entre campeonatos (e épocas) de diferentes confederações o que permite que um jogador que tenha atuado por dois clubes possa ser inscrito e alinhar por um terceiro num campeonato cujo calendário não seja coincidente. É o caso de Kardec e do Brasil. Por isso, nada de ilegal.

Artigo de Opinião de Carlos Daniel - A derrota que dói

Jorge Jesus construiu mesmo o melhor Benfica em mais de 20 anos, com vantagem estatística em todos os itens da Liga Sagres (por exemplo, mais 30 golos marcados que o Sporting de Braga). Luís Filipe Vieira bem pode aplicar todo o engenho em segurar o treinador, que foi de Jesus o toque de Midas que transformou vermelho em ouro.

E esta foi mais que uma vitória para o Benfica, foi mesmo "a" vitória. Porque categórica, ao contrário da de Trapattoni em que houve essencialmente demérito da concorrência, mas também porque indispensável ao projeto de Vieira que tão questionado era no quente momento pré-eleitoral do ano passado. Internamente, a oposição apagou-se ao ver o Benfica vencer (vencer), Rui Costa está regenerado e Vieira surge como o homem que acabou por ter razão. No futebol só se tem razão quando se ganha.

Por isso ninguém tem razão no Sporting e no Porto este ano.
E a análise do fracasso dos rivais tem de ser indexada, a meu ver em primeira lugar, ao sucesso do Benfica. O Sporting, com uma estrutura mais frágil e um plantel de inferiores soluções, foi o primeiro a sofrer com o arranque fulgurante do rival de sempre.

Paulo Bento admitiu-o na hora da saída. Carlos Carvalhal sofreu com isso e nem a grande dignidade demonstrada impediu uma desvantagem histórica de 28 pontos.
OFC Porto demorou a acreditar que este Benfica era diferente. O estado de negação foi evidente e foi fatal. Notou-se no discurso dos jogadores (que diziam não ver os jogos do rival), dos principais comentadores clubistas (que vaticinaram durante largos meses a queda da equipa de Jesus) e até de Pinto da Costa (que identificou o Braga como grande adversário do Porto).

Foi uma sucessão de erros de quem estava habituado a ter razão no fim. Até Jesualdo Ferreira, quando disse que este ano lhe ia dar mais gozo ganhar, alinhou nessa presunção resultante do hábito de que acabaria por ganhar. Que de facto, no futebol, só se tem razão quando se ganha. Quem ganha festeja e quem perda justifica e este ano inverteram-se os papéis. Precisamente no ano em que o Benfica tinha gasto a última reserva dos seus imaginativos financiamentos (com o fundo de jogadores). É isso que mais deve doer a Pinto da Costa. Sentir que falhou a estocada final no adversário de uma vida. Sem esta vitória o Benfica de Vieira poderia estar moribundo. Com ela está forte como nunca.

P.S. Carlos Queiroz escolheu todos os jogadores essenciais - dos que dei aqui como certos não falhei nenhum - mas cometeu erros (Daniel Fernandes é flagrante) nas opções alternativas. Afinal, um pouco como noutros tempos, Quim e Carlos Martins - que deviam estar nos eleitos e nem nos 6 suplentes surgem - estavam mesmo riscados à partida, e o mérito teve menos peso que o anunciado. É o que diz o esquecimento dos dois citados mas também de Daniel Carriço, Ruben Amorim ou Nuno Assis

Artigo de Opinião de Daniel Oliveira

Se eu fosse selecionador de bancada diria que ainda estou aqui às voltas com os guarda-redes escolhidos por Queiroz. Que a falta de Moutinho, Ruben Amorim, Carlos Martins ou Quim me deixam baralhado. Que a presença de Duda, Ricardo Costa e Zé Castro não é muito clara para mim. Que me parece que a lógica de Queiroz desafia a lógica. A ideia parece ser escolher quem tem de provar o que vale para garantir o esforço. Não sei se acredito na estratégia.

Mas não sou selecionador de bancada (OK, acabei de ser um bocadinho). E confesso que neste momento a minha preocupação em relação ao Mundial é outra. E vai parecer um pouco estranho escrever isto num jornal desportivo. O que me assusta é que depois de uma festa (merecida) do Benfica que juntou milhares nas ruas, de uma visita papal que deixou o país sem trabalhar durante um dia e meio, venha, sem pausa, um mês e meio a olhar para África do Sul.

Não sou dos que acha que quando as coisas estão mal temos de nos fechar em casa a curtir a depressão. Por estas alturas precisamos de alegrias. Mas uma coisa é guardar algum tempo para descomprimir, outra é usar o divertimento para não pensar.

Serei o último a tratar o futebol como coisa de alienados. Adoro, como sabem, essa doce alienação. Mas no meio de tanto jogo e missa, seria bom arranjarmos um intervalo para pensar no que nos espera fora dos estádios e das igrejas. E quem veja os telejornais fica a pensar que não vivemos um dos momentos mais importantes das últimas três décadas. Com papas e golos se podem enganar muitos tolos. Por isso, vamos gozar a festa da África do Sul, mas sabendo que só começa no final de junho.

domingo, maio 16, 2010

Entrevista com Luís Filipe Vieira - "Vamos ter Benfica mais forte"

Ui, que Azia ou Recordar é Viver

«A contratação do Saviola é igual à do Aimar no ano passado. Se fossem mesmo bons, se estivessem na parte boa da carreira, não vinham para o Benfica. Quero descobrir novos talentos, jogadores que possam dar tudo pelo Benfica e não acabar a carreira e passar férias. (…) Com estes jogadores, o Benfica vai fazer uma grande figura no Torneio do Guadiana».

Bruno Carvalho, candidato à presidência do Benfica, 27 de Junho de 2009.

«A aposta em Saviola faz lembrar a do ano anterior em Aimar: jogadores que já tiveram nome e que por isso são pagos caro e com elevadíssimos ordenados, mas que há vários anos não passam do estatuto de suplentes de luxo em Espanha.»

Miguel Sousa Tavares, 7 de Julho de 2009.

«(…) não vejo ninguém [no plantel do Benfica], nem o Luisão, que desperte o interesse de um clube disposto a pagar dinheiro que se veja (…). Eu, pessoalmente, não quereria, para o plantel do FC Porto, um só dos que constituem o do Benfica. Um só.»

Miguel Sousa Tavares, 30 de Junho de 2009, referindo-se ao plantel do Benfica da época transacta, que incluía nomes como Di Maria, David Luiz ou Cardozo, para dar apenas três exemplos de jogadores sem qualquer valor de mercado.

«O Benfica, quando bem pressionado no meio-campo, torna-se frágil».

António Tavares-Teles, 23 de Setembro de 2009.

«Adivinho, pois, um Benfica crescentemente impaciente, para dentro e para fora, a protestar contra tudo e todos quando as coisas não lhe correrem de feição e convencido, como de costume, que lhe basta alinhar vedetas como Aimar ou Saviola ou outras tidas como tais, para que o mundo lhe caia aos pés e todos se disponham a prestar-lhe vassalagem.»

Miguel Sousa Tavares, 30 de Junho de 2009.

«[Jorge Jesus] (…) estreou-se no comando dos encarnados com um empate frente à modesta equipa do Sion. (…) Relevante não foi (…) o empate frente aos suíços, mas as declarações de Jorge Jesus, após o jogo. Disse ele que vai ser muito difícil «travar este Benfica». Porquê, é que não entendi: por que razão uma equipa que, mesmo com todas as desculpas e atenuantes, tinha acabado de ser travada pelo Sion, há-de ser muito difícil de travar… por um FC Porto, por exemplo?»

Miguel Sousa Tavares, 14 de Julho de 2009. Quem nos dera que o mundo respondesse a todas as nossas inquietações com a mesma eloquência com que se encarregou de responder a esta.

«O Benfica em grande euforia. O novo treinador está satisfeitíssimo e confiante, e garante que ninguém será, doravante, capaz de travar a sua equipa. Os adeptos rejubilam com as boas novas, os jornalistas excitam-se com as exibições e encantam-se com Jesus e com a sua prosápia. Tudo isto é habitual e vulgar. Afinal, é preciso vender jornais, há seis milhões de almas que desesperam por boas notícias e, mais não seja para sairmos da crise, não se lhes pode retirar a esperança durante os meses de verão.»

Rui Moreira, 17 de Julho de 2009.

«(…) há, no mínimo, algum exagero relativamente às conquistas encarnadas.

Uma nota para o Sporting, que tem sido muito desvalorizado mas conseguiu, para já, o seu primeiro objectivo a caminho da Liga dos Campeões. Paulo Bento tem sabido concorrer com menos argumentos e, por isso, tenho a certeza que a sua equipa estará, certamente também, na corrida ao título nacional.»

Rui Moreira, 7 de Agosto de 2009. É incrível que, com esta capacidade para analisar o fenómeno futebolístico, Rui Moreira tenha o seu espaço reduzido a um programa de televisão e a uma coluna de jornal. Para quando uma rubrica na rádio?

«(…) a equipa [do Benfica] parece acusar o esforço prematuro do princípio da época».

Rui Moreira, 18 de Dezembro de 2009.

«Durante muito tempo, achei (…) que, com túnel ou sem túnel, o Benfica merecia ganhar este campeonato, porque era a equipa que melhor jogava (…). Mas a verdade é que um campeonato não são 15, nem 20, nem 25 jornadas: são 30 e o saldo final deve-se fazer às 30. E, no último terço do campeonato, desapareceu aquele Benfica que jogava mais e melhor.»

Miguel Sousa Tavares, 11 de Maio de 2010.

«(…) para grande irritação de alguns portistas, reafirmo, uma vez mais, os elogios que tenho feito, desde o início da época, ao futebol jogado pelo Benfica.»

Miguel Sousa Tavares, 23 de Março de 2010. Ou seja, já durante o último terço do campeonato.

Arquive-se!

P.S.: Algumas estatísticas curiosas deste campeonato: Weldon termina a prova com cinco golos marcados, exactamente o mesmo número de golos obtidos pelo super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo, embora o super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo tenha jogado mais 1091 minutos que Weldon, ou seja, o equivalente a um pouco mais de 12 jogos.

Nas jornadas em que pôde contar com o super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo, o Porto perdeu três jogos e empatou dois. No período em que o super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo esteve castigado só por ter participado num espancamento, o Porto perdeu apenas um jogo e empatou três. Em resumo, o Porto com Givanildo perdeu 13 pontos; sem Givanildo perdeu apenas 9. Maldita Comissão Disciplinar da Liga!

Jorge Jesus acaba o campeonato na dupla qualidade de campeão e vice-campeão, como autor material do título do Benfica e autor moral do segundo lugar do Braga, clube no qual foi o último treinador a vencer um título, a Taça Intertoto.

Miguel Sousa Tavares, em quem as exibições da equipa de futebol do Porto têm feito despertar um profundo amor pelo ténis, resumiu muito bem o último fim-de-semana desportivo. Fez referência à boa prestação de Frederico Gil no Estoril Open e anunciou a atribuição da Bola de Prata Imaginária a Falcao — cerimónia que não teve a cobertura noticiosa que merecia: uma vez que MST persiste em chamar Radomel a um desgraçado que se chama Radamel (logo ele, que é tão sensível com os nomes próprios), pela primeira vez na história um jogador que não existe venceu um troféu de fantasia, o que coloca dificuldades filosóficas extremamente interessantes. Mas, muito provavelmente por modéstia, MST não incluiu na lista de vitórias do fim-de-semana o troféu que o Porto ganhou: a Taça Rennie. Do ponto de vista digestivo é irónico que um campeonato ganho sem recurso à indigesta mistura de café com leite, rebuçadinhos e fruta tenha, ainda assim, causado tanta azia.

Belo Cartoon

A perdição de Karim Benzema, Frank Ribéry e Sidney Govou...

Artigo de Opinião de João Rui Rodrigues - Jesus ainda ganha menos que Camacho e Quique

Com a renovação contratual que celebrou na noite de quinta-feira, Jorge Jesus passou a ter o ordenado mais elevado desde que começou a carreira de treinador, mas ainda longe de outros técnicos que passaram pela Luz e que não tiveram sucesso.
Com o novo contrato, o treinador do Benfica passará a ganhar cerca de 1 milhão de euros por ano, o dobro dos 500 mil que auferiu no primeiro ano de águia ao peito e também em Braga.
Mesmo assim, Jesus continua a ganhar menos que José Antonio Camacho ou Quique Flores que tinham salários de 1,5 milhões por época, os mais altos já alguma vez pagos no Benfica. E mesmo com “aumento de campeão”, Jesus continua a ganhar menos que Jesualdo Ferreira e pouco mais que aquilo que Paulo Bento no Sporting. E continua também distante de Carlos Queiroz que no comando da Selecção portuguesa recebe o chorudo ordenado de 1,3 milhões por temporada.

Felizmente, Jesus não canta...

Artigo de Opinião de Alexandre Pais - Benfica, o poder da marca encarnada

O que une a TAP, a água do Luso, os CTT, as cervejas Sagres e Super Bock, a RTP, os cafés Delta, a Caixa Geral de Depósitos, o atum Bom Petisco ou o Correio da Manhã ao Benfica? São tudo marcas de grande projecção nacional, talvez as maiores, tão conhecidas dos portugueses como as palmas das suas mãos. Mas há uma, e só uma, capaz de mobilizar clientes, aos milhares, mesmo aos milhões, por todos os cantos do mundo – e essa marca, goste-se ou não, ame-se ou odeie-se o fenómeno desportivo e particularmente o futebolístico, chama-se Sport Lisboa e Benfica.

Estive há dias em Cabo Verde e fui uma vez mais confrontado com uma dura realidade: de um lado, a abastança dos turistas que, tudo tendo, se dão ao luxo de tudo desperdiçar e, do outro, a extrema pobreza dos empregados, que pouco têm. Esse contraste torna-se ainda mais chocante num resort de regime tudo incluído, em que a toda a hora se estraga comida como se de um bem excedentário se tratasse.

Os trabalhadores do hotel, algumas centenas de privilegiados numa ilha pobre e com escasso emprego, moram em casas modestíssimas no interior inóspito e desinfraestruturado. E ao largarem os seus turnos de serviço são rigorosamente revistados, estando impedidos de transportar qualquer alimento para fora das instalações patronais.

Tentei saber as razões de tão absurda proibição e um quadro superior da unidade, a título privado, deu-me uma pequena lição de gestão hoteleira. Quando se deixa o pessoal levar a comida em excesso para casa, a tendência é para ir garantindo sobras cada vez maiores, escondendo-as na cozinha e não as colocando à disposição dos hóspedes. E então lá se vai a fartura e a qualidade de vida, os clientes fogem, o negócio arruina-se e as barrigas, que generosamente se compuseram, ficam desempregadas. Triste lógica, esta.

Os contactos com os turistas estão também condicionados. Simpatia, respostas afáveis, mas inexistência de iniciativa dos locais para iniciar uma conversa. Assim, só por acaso a minha filha conseguiu falar com uma jovem cabo-verdiana, que trabalhava nos quartos e que aproveitou a ausência da supervisora para pedir: “Tu é que me podias mandar, de Lisboa, umas roupas para o meu filho, que tem 5 anos. Ele anda bem arranjado, mas eu queria umas coisas mais bonitas, que tu tens lá em Portugal. Amanhã, dou-te euros...”

O pedido foi imediatamente aceite: “OK, mas guarda o teu dinheiro.” Faltava um pormenor: “Compra-me ainda, para o miúdo, uma camisola do Benfica, em casa somos todos Benfica.” E desabotoou a farda, exibindo uma camisola encarnada com a marca registada que desconhece fronteiras.

Artigo de Opinião de Luís Avelãs - Quim: problema é o futuro...

Estava disposto a não "mexer" mais na questão da lista de convocados para o Mundial, até porque, como já referi, só um caso me parece verdadeiramente incompreensível, embora não subscreva mais duas-três opções. De resto, estejamos de acordo ou não, o seleccionador fez as escolhas e será com os seus eleitos que Portugal irá tentar brilhar na África do Sul. Eu, mais uma vez, quero acreditar que é possível conseguir algo de significativo. Aliás, mesmo olhando com tremenda desconfiança para o "ranking" da FIFA (tenho dificuldade em entender a lógica de funcionamento), seria irracional não considerar a terceira colocada uma das candidatas a fazer boa figura na prova.

Volto, então, ao tema da convocatória, porque Carlos Queiroz, durante a conferência de imprensa que marcou o arranque do estágio na Covilhã, fez questão de explicar as razões da ausência de Quim. E depois de ouvir as suas palavras fiquei ainda mais atónito por o guarda-redes do Benfica não constar na lista dos três melhores do país, nem na dos quatro, pois convém não esquecer que depois de Eduardo, Beto e Daniel Fernandes, o treinador escalou ainda como suplente Rui Patrício.

Queiroz disse que "Quim é um excelente profissional". Ao afirmar isto deitou por terra a tese de que o afastamento poderia estar relacionado com algo que se passou fora do campo. Assim, e sabendo que foi a partir da goleada sofrida no particular no Brasil que o titular benfiquista deixou de ser eleito, o técnico dá a entender que a decisão é meramente técnica. Ainda bem. Todavia, nem por isso concordo. Longe disso.

"O Quim tem presente pelas qualidades e tudo o que fez no Campeonato, mas tem menos futuro. Por isso fiz esta opção. Na área dos guarda-redes, os que escolhi dão-me garantias de que no presente são excelentes profissionais e jogadores com competência para estar na Selecção e reconheço em todos grande margem de manobra para o futuro", comentou Queiroz.

Não coloco em causa o valor dos eleitos e aceito que possuem todos margem de progressão. Todavia, não posso concordar que seja uma previsão de futuro a deixar Quim de fora no presente. Sempre pensei (e com Queiroz ainda mais) que à Selecção iriam os melhores em cada momento e em relação a isso, dando de barato que Eduardo possa ser melhor (não me parece), recuso ver Beto e Daniel Fernandes como valores mais seguros nesta altura. Não jogaram tanto esta época, não estiveram expostos a tanta pressão, não possuem uma experiência acumulada similar (na Selecção, nos clubes ou nas competições internacionais) e não têm um passado parecido nas equipas nacionais.

Ao agarrar-se a este estranho argumento, Queiroz deixa espaço para ser ainda mais criticado. Por exemplo, não estando em causa o valor (e a importância na equipa) de Deco, a verdade é que o seu presente não é famoso e o futuro depois do Mundial, independentemente de onde jogar e da sua forma, já não estará ligado à Selecção. Contudo, nem por isso (e bem, pois não se vislumbram alternativas tão sólidas) ficou de fora. O mesmo também se poderá aplicar a Liedson, pois custa admitir que o avançado leonino (que fez uma temporada sofrível, talvez a menos exuberante desde que chegou a Portugal) esteja nas devidas condições para, em caso de qualificação, marcar presença no Europeu de 2012, quando estiver a caminho dos 35 anos. Mesmo assim (e novamente bem), o avançado está nos eleitos. E está porque, hoje em dia, tem valor para isso. Amanhã logo se vê, pois a convocatória para o primeiro jogo pós-Mundial ainda não deve estar feita, embora se saiba que Quim não irá fazer parte dela...

quinta-feira, maio 13, 2010

David Luiz, comprate questo fenomeno!

Niente di futuribile, questa volta. Nessun prospetto in evoluzione, nessun baby fenomeno destinato a diventare negli anni uno dei protagonisti assoluti del calcio mondiale.
Il profilo di oggi è più un allarme, relativo al talento assolutamente straordinario di un giocatore che tutta Europa apprezza e che l'Italia non può lasciarsi sfuggire senza almeno concedere l'onore delle armi.
Abbiamo imparato da tempo, ormai, a sconfiggere pregiudizi vari riguardanti ruoli associati a nazionalità. Non è raro vedere brasiliani disimpegnarsi alla grande in difesa, piuttosto che in porta, spesso con risultati anche migliori rispetto a quelli dei loro pari ruolo europei. Soprattutto nell'ottica di un calcio votato all'attacco, un calcio totale di cui (lo avrete capito) chi vi scrive è sostenitore accanito, è indispensabile non concedere nessun giocatore in nessuna delle due fasi all'avversario, rendendo dunque assolutamente indispensabile che chiunque possa disimpegnarsi praticamente con la stessa abilità sia nell'atto di offendere che in quello di difendere. Troppo banale, ma sicuramente utile anche ai profani, può essere l'esempio dell'Inter di Mourinho e della rivoluzione che il tecnico portoghese ha apportato allo stile di gioco nerazzurro, in cui i centravanti fungono da primi terzini quando la squadra subisce l'iniziativa avversaria, ed in cui i centrali difensivi (Lucio è un maestro in questo) sono i primi a dare il là alle più ficcanti ripartenze.
Giocatori con questo genere di mentalità risultano assolutamente fondamentali per il successo a grandissimi livelli, ed il protagonista di questo articolo incarna perfettamente quello che chi ama questo tipo di football non può che considerare come il prototipo del difensore del futuro.
David Luiz Moreira Marinho è reduce dallo strepitoso successo in campionato del Benfica. Le aquile di Jorge Jesus, paragonato in patria (frettolosamente, c'è da dire) a Josè Mourinho, sono ritornate al successo dopo l'exploit firmato Giovanni Trapattoni, mettendo però in pratica un calcio molto piacevole ed armonioso, eseguibile solo da interpreti dediti al sacrificio da un lato, e dall'altro dotati di qualità superiori.
David Luiz, come anticipato, è uno degli assoluti protagonisti di questa squadra, è il perno del reparto arretrato delle Aguias, incarnando il suo ruolo in una maniera talmente unica da renderlo quasi indefinibile.
Difficile da decifrare dove finisca lo stopper e dove inizi il playmaker, in virtù di un abbinamento strepitoso di fisicità, tecnica e visione di gioco che, associate ad un atletismo da purosangue, ne fanno uno degli emblemi del calcio moderno.
La sua favola inizia, come spesso accade nei futuri protagonisti della SuperLiga portoghese, dal Brasile. David Luiz nasce infatti a Diadema, nello stato di San Paolo, il 22 aprile del 1987. Inizia presto ad interessarsi di calcio, tanto fin da bambino viene inserito nei quadri giovanili del Vitoria, club di Salvador de Bahia, club con cui a soli 16 anni firma il suo primo contratto da calciatore professionista.
Con la casacca dei Leao da Barra inizia una parabola inarrestabile, lanciato dalla lungimiranza di Renè Simoes, che lo colloca dapprima sulla fascia sinistra della difesa, ruolo in cui vengono affinate le sortite offensive del ragazzo, per poi impiegarlo principalmente come centrale difensivo, posizione in cui il suo talento verrà definitivamente consacrato.
Seguono le prime convocazioni nelle nazionali brasiliane di categoria, in particolare con l'Under 20 verdeoro, che gli consente di partecipare al Sudamericano 2007 in Paraguay, e di dare ampia risonanza alle sue prestazioni anche in Europa.
Il più lesto ad approfittarne è dunque il Benfica che, prima con un prestito semestrale, poi con un acquisto a titolo definitivo, concede la fiducia e le cure necessarie affinche il germoglio possa sbocciare in uno dei più bei fiori del calcio mondiale.
I paragoni illustri non tardano ad arrivare, si va da Lucio a Nesta, scomodando comunque il clichè del difensore moderno e totale. Il suo metro e 89 centimetri, abbinato agli 89 chili di muscoli gli permettono di non sfigurare nemmeno nell'uno contro uno e nella marcatura a uomo (retrò ma sempre necessaria), completando una gamma di caratteristiche impossibile da non notare.
Pensiero peraltro condiviso dai maggiori club europei, Barcellona in testa, che da un paio di stagioni hanno iniziato a bussare con insistenza sempre maggiore alle porte dell'Estadio Da Luz.
Servono soldi, ne servono tanti, ma uno così deve essere preso. Per forza.