segunda-feira, setembro 13, 2010

Malquerença - Marta Rebelo

O futebol é terreno fértil para pessoas sem pingo de vergonha. Não há nada como a bola para revelar roubalheira, falta de caráter ou intentos dúbios. A primeira é sinónima de Olegário Benquerença. Aliás, as três características puxam para o árbitro internacional português. Ponham a FIFA e a UEFA os olhos no jogo de sexta-feira e este senhor nunca mais ascende a Mundiais e Europeus. Mas também vão bem ali para os lados da FPF: Queiroz, que sem qualquer pudor foi ficando até não poder prejudicar mais; Madaíl, que só in extremis se fez presente e fez o que havia a fazer. E depois vem o argumento da ingerência política. Não fosse Laurentino Dias e o presidente da FPF continuava a assobiar para o lado, com um descaramento do tamanho do nosso falhanço da passada semana.

Eu gosto muito de bola, e ainda mais do meu Glorioso clube. E aquele simulacro de árbitro pode bem ter destruído o bicampeonato benfiquista. Mas a verdade é que o sr. Malquerença só apitou na sexta. E nós andamos desencontrados com a vitória desde a pré-época. Porquê? Em cada adepto há um treinador de bancada, e em mim há dúvidas. Há já um ano era certa a saída de Ramires, chegado à Luz para se ambientar e partir no final da época para um grande da Europa. Em dezembro era claro que Di María queria igual destino. Porquê o desencontro tão vagaroso com soluções para as duas alas? Sem tão prestimosos extremos e substitutos concretos, seguimos para a contratação de Roberto. Um dia alguém me dirá onde está o toque de ouro deste pretenso Midas. O Mundial acontece de 4 em 4 anos. Com uma equipa de génios, o cansaço dos mundialistas era de antecipar. Porque é que parece ter sido ignorado? Estamos sem brilho. Adormeceu-se-nos a garra.

Está na hora de acordar! E de contra-atacar face às nomeações dos mal ou Benquerenças. Um por todos e todos por um! À Catedral, benfiquistas, haja que árbitro houver. Eu sou Benfica. Sempre.

Roberto "Sempre senti confiança"

Andebol: Benfica 47 - 23 Colégio 7 Fontes

Olegário e o ridículo - Bernardo Ribeiro

Olegário Benquerença foi designado pela UEFA para apitar o Manchester United-Rangers.
Patético!

domingo, setembro 12, 2010

Mais uma Verdade Inconveniente - Afonso Melo

«A Federação Portuguesa de Futebol e a Liga de Clubes entenderam que o seu funeral [referindo-se ao funeral do José Torres] não merecia presença.
No mesmo dia, a Liga, juntamente com várias figuras sinistras ligadas de há muito ao FC Porto, preferiu homenagear… um árbitro, Olegário Benquerença.
Percebe-se: ao contrário do que acontecia no tempo de José Torres, agora são os árbitros quem marca golos.
E a canalha perdeu de vez a vergonha!»

O futebol português rejuvenesce - Ricardo Araújo Pereira

Há duas semanas, escrevi aqui que a época 2010/2011 começava naquele dia, quando o Benfica jogasse com o Vitória de Setúbal. O jogo acabou com a vitória do Benfica por 3-0, e eu convenci-me de que tinha razão. Afinal, devo confessar que me enganei. Não estamos a assistir ao início da época 2010/2011. O campeonato que agora começa é o respeitante à época 1996/1997. Aquele ano em que se juntaram, na primeira divisão, árbitros como José Pratas, Augusto Duarte, Soares Dias e Isidoro Rodrigues, entre tantos outros. A arbitragem de ontem, em Guimarães, foi de 96/97. Até quem viu o jogo em casa sentiu o cheiro a naftalina. E os apreciadores de antiguidades terão admirado o rigor com que Olegário Benquerença aplicou as regras daquela altura.
Foi um espectáculo comovente. Quando um jogador vimaranense tentou separar a perna do Aimar do resto do corpo com um pontapé, dentro da área do Vitória. Senti-me 14 anos mais novo. A falta não assinalada que Carlos Martins sofreu, também dentro da área, fez me recuar à juventude. O fora de jogo inexistente que impediu Saviola de ficar isolado à frente de Nilson trouxe me à memória o viço dos meus vinte anos. E, quando Cardozo viu um cartão amarelo por ter marcado um golo limpo, quase chorei de nostalgia. Sou um sentimental, e estes regressos ao passado comovem-me. Só não percebo a razão pela qual este Vitória de Guimarães Benfica foi transmitido pela SportTV, em lugar de ter passado na RTP Memória. Quanto a Olegário Benquerença, já conhecíamos o seu talento como imitador de Quim Barreiros (quem não conhecer, veja o vídeo no YouTube). Mas não sabíamos que ele também tinha jeito para imitar o Martins dos Santos.

Que se saiba, ninguém seguiu o conselho de higiene institucional que Carlos Queiroz nos deixou, gratuitamente, em meados da década de 90: não há notícia de alguém ter varrido a porcaria da Federação. Não serei eu a pôr em causa a necessidade de varrer porcaria, seja na Federação ou noutro sítio, mas, não tendo a porcaria sido varrida, foi com porcaria que Humberto Coelho chegou às meias-finais de um Europeu, e foi na companhia da mesma porcaria que Scolari conseguiu ser vice-campeão da Europa e quarto classificado num Campeonato do Mundo. Bem sei, bem sei: o mérito dos feitos de Humberto Coelho e Scolari é todo de Carlos Queiroz. Foi ele quem lançou as bases. Construiu a estrutura. Pensou o edifício das selecções. E a responsabilidade pelo actual momento da Selecção é de todos menos de Queiroz. Por azar, ele tomou conta da Selecção precisamente na altura em que o efeito da sua obra começou a desvanecer-se. Os seus predecessores destruíram as bases, ignoraram a estrutura e borrifaram se no edifício. Curiosamente, Carlos Queiroz tem mais mérito e influência nos resultados da Selecção quando não está a treiná-la do que quando é seleccionador nacional. E, mesmo quando está longe, Queiroz consegue ser autor moral apenas dos êxitos: é ele o responsável pelo sucesso da equipa que fez um brilharete no Euro 2000, mas não tem responsabilidade nenhuma no desastre do Mundial de 2002, sendo que a chegada à final do Euro 2004 volta a ter o seu dedo.
O despedimento de Queiroz deve agradar, por isso, a ambas as partes: à Federação — que, com processos disciplinares consecutivos, fez tudo para o despedir sem nunca dizer que queria despedi-lo; e ao seleccionador — que, insultando os médicos na Covilhã e o vice-presidente da Federação no Expresso, fez tudo para ser demitido sem nunca dizer que queria demitir-se. Por um lado, é uma pena que Queiroz e a Federação se separem. Fazem um lindo par.
No fim, a cabeça do polvo, pelos vistos, conseguiu o que queria — o que significa que este é o segundo octópode a ser bem sucedido no mundo do futebol em meia dúzia de meses. Infelizmente, dizem-me que ficávamos mais bem servidos se o polvo alemão que adivinhava resultados viesse ocupar o cargo de vice-presidente da Federação e Amândio de Carvalho fosse para dentro daquele aquário na Alemanha.

Digno Adversário - Miguel Góis

A euforia da vitória toldou-nos o pensamento. No final da época passada, devíamos ter percebido o que aí vinha. O facto de o Benfica, num ano em que praticou um futebol esmagador, apenas se ter sagrado campeão na última jornada deixava adivinhar o que poderia acontecer se a equipa iniciasse a época só a jogar um futebol muito agradável. Na época passada, o Benfica também atravessou crises gravíssimas, é certo. Lembro-me, por exemplo, de uma jornada em que, já não me lembro porquê, só conseguimos ganhar 3-0. E não foi só dessa vez. A certa altura, comecei a ficar deprimido cada vez que o Benfica goleava pela margem mínima – uma expressão que, por si só, diz tudo sobre o patamar de exigência que se instalou entre os adeptos.

Mas, ontem, enquanto assistia à arbitragem de Olegário, dei por mim a ter saudades de arbitragens habilidosas. Se não, vejamos: como benfiquista, estou psicologicamente preparado para ver a minha equipa ser roubada. Às vezes, penso até que a culpa é nossa. Quem é que manda os atletas do Benfica andarem, sozinhos, num campo de futebol português, à noite? É, no mínimo, imprudente.

Ainda assim, há coisas para as quais, ontem, não estava preparado. Por exemplo, quando um central do Guimarães derruba Pablo Aimar em plena grande área, Olegário dirige-se ao jogador do Benfica e faz o gesto universal de “foi na bola”. E quando Carlos Martins sofre outro penálti, Olegário faz o gesto universal de “levanta-te mas é”. Refiro isto, porque trata-se de mímica vulgarmente praticada por adversários. Mas, vendo bem, foi esse o papel de Olegário ontem: um digno adversário. Resta-nos agora esperar que a equipa reaja nas próximas jornadas, porque até ao fim do campeonato ainda há um complicadíssimo Benfica-Jorge Sousa, e um Pedro Proença-Benfica, que é sempre um jogo de tripla.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Espaço Prof. Karamba

V. Guimarães - Benfica
Sporting - Olhanense
FC Porto - Sp. Braga
Marítimo - P. Ferreira
Portimonense - Rio Ave
U. Leiria - Nacional
Académica - Naval
V. Setúbal - Beira-Mar

Um Produto Altamente Contagioso - Leonor Pinhão











quarta-feira, setembro 08, 2010

Luís Filipe Vieira em entrevista no Jornal da Noite

O que disse Luís Filipe Vieira

Sobre Simão

"É mais uma notícia sensacionalista, não tem nenhum fundamento"

"Não falámos com o Simão, o Simão não falou connosco, nem dentro da nossa casa falámos sobre o Simão"

"Temos que respeitar o clube onde Simão está"

"O Benfica não tem o pensamento no Simão neste momento"

Mercado de transferências

"Prometemos aos benfiquistas que o núcleo forte do Benfica se iria manter"

Início da época

"Pela nossa grandeza passa-se da euforia para uma desilusão completa"

"Se os critérios na arbitragem fosse iguais, o Benfica teria mais pontos"

"Nós não gostaríamos de estar a falar de arbitragem mas são factos"

"Acho que não há responsáveis, quando perdermos, perdemos todos"

Sobre Roberto

"Não vamos abdicar dele"

"Será o Roberto o nosso guarda-redes, se vai ser titular ou não é decisão do treinador"

"Roberto não é criticado pelo que defende, é criticado pelo preço que custou"

"As pessoas andam a brincar, não sabem quem é o Roberto"

"Normalmente quem critica é quem não toma decisões"

Sobre insinuações quanto ao negócio: "o Benfica não paga em chegues, paga por transferências (...) é fácil seguir o rasto do dinheiro"

"Assumo a responsabilidade (...) dentro de pouco tempo vamos ver quem é que tem razão"

"Até este momento o Jorge Jesus não pode dizer que se enganou"

"Todos os dias vemos frangos, guarda-redes com melhores e piores prestações"

Sobre Eduardo

"Antes do Mundial, pensámos no Eduardo" mas o negócio não foi possível, "passámos à frente"

Sobre a Selecção Nacional

"Não estou preocupado com a selecção"

"Tive todo o prazer em ser testemunha de Carlos Queiroz"

"Se não formos apurados para o Europeu 2012, alguém tem que ser responsabilizado (...) o sr. secretário de Estado (do Desporto) é que inventou isto tudo, ele que assuma"

"Nada se passou com o Nuno Assis (...) nunca esteve dopado, houve ali qualquer confusão"

"Qualquer modalidade nossa foi controlada, qualquer jogador nosso é controlado (...) e o secretário de Estado apareceu"

"Às 7, 8 horas da manhã não são horas para fazer controlo antidoping"

"O objectivo já foi conseguido, os objectivos eram nitidamente afastar Carlos Queiroz"

"Acho que o país todo já está farto do Carlos Queiroz e desta conversa"

"É tão evidente" que Laurentino Dias orquestrou esta polémica

Relações com o Sporting

"Toda a gente sabe a relação que tenho com o Zé Eduardo Bettencourt"

Relações com o FC Porto e Pinto da Costa

"Vamos baixar o nível de conversa"

"Ignoramos, pura e simplesmente"

Interesse no mercado russo

"Não temos um olheiro no mercado russo, temos noutro tipo de mercados"

Confiança no plantel

"Temos plena confiança em todo o plantel e nos profissionais do Benfica"

"Na nossa casa o que ganha é uma harmonia e sintonia grande"

Sobre Mantorras

"O Pedro é hoje um exemplo dentro do Benfica"

"Cabe ao Benfica zelar pelos interesses do Mantorras"

"Vai haver uma reunião bastante importante na sexta-feira sobre o futuro do Mantorras"

"O Pedro é um activo muito importante do Sport Lisboa e Benfica"

"O Benfica saberá tratar o Pedro Mantorras com dignidade"

"O Pedro poderá vir a abandonar o futebol"

terça-feira, setembro 07, 2010

David Luiz e Hulk trocam pequenas provocações sobre FC do Porto e Benfica

Apresentação da equipa de Voleibol 2010/2011

Euro 2011: Resumo Portugal 3-1 Macedónia

Ecce homo - João Querido Manha

É surpreendente o número crescente de críticos de Carlos Queiroz, em contraste com os patéticos acordes de um ou dois violinistas do Titanic que persistem em alapar-se no palco do caricato com uma marcação idêntica à que o selecionador usa para não perder o pé depois de há tanto tempo ter perdido os papéis.

A substância deste reviralho futebolístico que tenta isolar apressadamente o selecionador que prometia ridicularizar os resultados do antecessor radica, porém, na descoberta de um homem desconhecido, que fala vernáculo, porque é africano e filho de um futebolista, assume atitudes de enorme agressividade e intolerância e revela, sem ponta de humildade, que os muitos anos que viveu no estrangeiro o distanciaram tanto do comum dos portugueses que nem sabe o que significa uma expressão tão inócua como “cabeça do polvo”.

Dá para compreender a deceção dos outrora entusiasmados proponentes do “professor”, apresentado messianicamente como “ecce homo”, num âmbito levemente elitista que aproveitava a moda verde-rubra para classes médias-altas pouco atreitas a confundirem-se com as claques de ralé. Ser adepto da Seleção era coisa elegante, permitindo achar graça ao selecionador, por ser estrangeiro e por ter uma expressividade genuína que transformava as asneadas de ocasião em rasgos do mais fino humor gaúcho.

Na boca de Scolari qualquer alarvidade provocava uma gargalhada sadia, na boca de Queiroz qualquer figura de estilo se transforma em abcesso doloroso.

Por causa dos 17 anos que passou a maravilhar públicos de outros campeonatos, este Queiroz era desconhecido dos portugueses, como se tivesse parado no tempo e regressado numa cápsula cósmica. Recordavam-no com um exemplo de profissionalismo, inovação e sabedoria e não estavam preparados para os excessos verbais, as zaragatas em público e a absoluta incapacidade de vencer e convencer, acrescida da desmistificação do empenho na formação e na descoberta de talentos nacionais através da nacionalização maciça de estrangeiros.

Ao longo de dois anos, de choque em choque, deceção em deceção, os portugueses foram conhecendo e renegando o verdadeiro Queiroz e, como quem se afasta de um vizinho inoportuno, viraram-lhe as costas e deixaram-no só, adotando-o agora como herói preferencial de anedotas e ridicularias.

Apesar da música celestial que embalou em fundo o “cumprimento dos objetivos” no Mundial da África do Sul, a Seleção perdeu o seu público e já tem as mais baixas assistências em jogos oficiais desde o pós-Saltillo. Considerando a má imagem geral, o silêncio ameaçador dos patrocinadores e o desequilíbrio das contas federativas, sobrariam justas causas para o afastamento do treinador. Mas só na teoria.

A jurisprudência do caso Manuel José versus Benfica ditou que não seja mensurável a “incompetência” de um treinador de futebol, porque só um pode ganhar e entre os derrotados haverá sempre muitos profissionais competentes. Mas isso não significa que seja difícil distinguir entre um derrotado e um perdedor.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Futsal: Benfica 3-1 Vitória dos Olivais

Dia do Futsal

David Simão: "Todos os jogos são fundamentais"

Basket - Apresentação da equipa 2010/2011

O Tupolev nacional - Marta Rebelo

Confesso que já estou absolutamente farta desta querela interminável em redor da figura de Carlos Queiroz. Mas a prestação da Seleção das quinas contra uns modestos cipriotas torna inevitável o regresso ao tema. A Seleção de todos nós não apareceu em “piloto automático”, antes foi um verdadeiro Tupolev, avião conhecido pelos acidentes e embargos a rotas. E um Tupolev dos modelos não tripulados. Porque lá do alto do camarote de 1.000 euros, não houve chamada de telemóvel ou sms para Agostinho Oliveira que salvasse a Seleção do despiste total.

O comportamento dos intervenientes nesta telenovela venezuelana é deplorável, mas para mim a contratação do Professor já por si tinha sido um tremendo erro. Para treinador de campo, com Sir Ferguson a pensar na estratégia e a desenvolver esquemas táticos, está bem. Para fazer as novas gerações ganharem músculo, fez um bom trabalho nos noventa. E pronto. Coleciona saídas polémicas ou despedidas sem honra nem glória. Tal e qual o jogo de sexta-feira.

Não deixa de ser curioso que Quaresma, no lugar de Cristiano Ronaldo, tenha sido o melhor lutador português em campo. Aquele que o Professor rejeitou para o Mundial. Hugo Almeida, eternamente substituído fora do tempo, quis brilhar mas borrou a pintura. E qualquer benfiquista que andasse a chorar-se por uma hipotética não contratação de Eduardo para as gloriosas malhas, face às desgraçadas defesas e frangos depenados de Roberto, tirou dúvidas: sem defesa, não há Eduardo, não há nada. Há 0-1 aos 3’. E 4 sofridos no final. Quanto aos demais, só mesmo penar pela lesão de Fabito, que nos pode tirar o miúdo de campo contra o Vitória de Guimarães.

Não me venham falar da basculação ofensiva da segunda metade, das oportunidades perdidas e dos remates bonitos. Para a história ficam os que entram e os pontos perdidos na qualificação para o Euro. Uma Seleção sem Rei nem Roque, sem tática que não fosse a de todos para a frente que aqui Del’Rei, mostrou que nem com remoto controlo este Tupolev chegava à pista. E para a Noruega, onde chegámos de Airbus, a tragédia pode bem repetir-se.

Adeusinho, Professor.