Percebe-se a indignação de André Villas-Boas. Não é justo começar a treinar o Porto e haver um qualquer momento na grande área adversária que possa levantar alguma dúvida e a esse momento não corresponder uma grande penalidade. Quando é convidado para dirigir uma equipa um treinador faz contas. Mede os prós e os contras. E ninguém pode negar que a entrega de tantos árbitros à causa portista é uma vantagem a não negligenciar. É, por assim dizer, um direito adquirido.
Claro que, como foi assinalado por várias pessoas, houve um penálti por marcar em favor do Guimarães. Mas que Diabo, isso já faz parte das regras do futebol português. Penalidade contra o Porto só em casos extremos. Está na lei. O que realmente valoriza um árbitro é a marcação de penalidades inexistentes contra as equipas que têm de passar pelas mãos do Porto. Isso sim, é que é ter brio profissional. Isso sim, distingue os melhores.
Percebe-se a revolta de Villas-Boas: não foi para aquilo que ele assinou um contrato no Dragão. Querem lá ver que agora o Porto tem de começar a época só com 11 jogadores em campo? E a tradição, onde fica? Será que se acabou a fruta? Será que Pinto da Costa já não serve de GPS para árbitros que inadvertidamente passam perto de sua casa? Podem, se faz favor, voltar à normalidade? Villas-Boas é jovem, mas merece tanto respeito como qualquer antigo treinador do Porto. Senhor Pinto da Costa, pode voltar a fazer o que melhor sabe? Ou, se está a perder qualidades, pelo menos avisar o seu treinador que quando se vai destacado no campeonato o árbitro está dispensado das suas tarefas. Um homem, quando chega onde Villas-Boas chegou, tem expectativas que não podem ser defraudadas. E ainda por cima é multado. E tem de pedir desculpas. Está tudo doido?
sexta-feira, outubro 08, 2010
quinta-feira, outubro 07, 2010
Ninguém se demite?! - Rui Santos
Ninguém parece muito preocupado com o estado a que chegou a Federação Portuguesa de Futebol. Estado de ilegalidade, caducidade e vacuidade. Gilberto Madaíl não tem condições para continuar na presidência mas há quem pareça interessado na sua recandidatura. A recandidatura de Madaíl, a acontecer, é uma ofensa a todos aqueles que querem ver mudanças substantivas no paradigma do futebol em Portugal. Porque um presidente não pode ser apenas avaliado pelo número de vitórias, empates e derrotas da Seleção; Porque um presidente deve ser avaliado pelas reformas que consegue realizar no sentido de potenciar o crescimento do futebol nacional, a partir do investimento no “jogador português”; Pela articulação destas duas razões, porque já ninguém sabe o que é “o futebol português”, e porque o presidente da FPF também não deve ser nem uma espécie de espantalho no meio do milheiral nem um boneco articulado nas mais diversas mãos, Madaíl está esgotado.
Bem se sabe que Madaíl, pela longevidade do seu consulado na FPF, conseguiu alguma proximidade efetiva no âmbito da UEFA e da FIFA. Mas também se sabe que, quando se trata de questões mais ponderosas, como a arbitragem ou outras “operações de risco”, como a que envolveu o falhado “empréstimo” de Mourinho a Portugal (ai, santa ingenuidade...), lá vai o eterno “pronto-socorro”, João Rodrigues, em “missão humanitária”...
Quanto aos decantados méritos da atribuição da organização do Euro’2004 a Portugal, a questão é genericamente colocada ao contrário. Em vez de elogios aos cabouqueiros da megalómana cavalgada, deveríamos todos (contribuintes portugueses) pedir responsabilidades a quem nos deixou tão pesada fatura, que ainda estamos a pagar. A menos que muitos não se importem de tirar do seu bolso montantes absurdos para pagar um pedaço (efemeramente continuado) de emoção.
Agora, montados na vertigem propagandeada pela própria FIFA como um dos argumentos mais fortes da candidatura ibérica para o Mundial’2018 – esse mesmo, o TGV... –, todos parecem dispostos a esperar pelo dia 2 de dezembro, o que significa esperar que Madaíl faça o seu “número” de “passe de mágica”.
Entretanto, ou paralelamente, há contas para aprovar. E sobre as contas da FPF talvez seja importante responsabilizar quem faz contratos como aquele realizado com Carlos Queiroz (e anteriormente Scolari), e perceber quem vai pagar a (outra) fatura, se o ex-selecionador ganhar a sua causa laboral e, também, no âmbito do TAS... É que não basta despedir, “lavar as mãos” e “reunir as tropas”. É preciso assumir as responsabilidades. E esta FPF, sem rei nem roque, está habituada a disfarçar fraturas com a técnica de, ciclicamente, trocar de selecionador. Não basta! A atual direção da FPF demonstrou, nos últimos tempos, a sua mais profunda incapacidade para lidar com os assuntos do futebol português.
Eo que acontecerá se, a curto-prazo, o Conselho de Justiça apresentar a demissão? E, nesse cenário, qual vai ser a posição do Conselho de Disciplina?! Não há adequação de estatutos à lei, o Estado está num impasse e a FPF em bolandas.
Pois: vamos jogar, amanhã, com a Dinamarca e o importante... é mesmo ganhar!
Bem se sabe que Madaíl, pela longevidade do seu consulado na FPF, conseguiu alguma proximidade efetiva no âmbito da UEFA e da FIFA. Mas também se sabe que, quando se trata de questões mais ponderosas, como a arbitragem ou outras “operações de risco”, como a que envolveu o falhado “empréstimo” de Mourinho a Portugal (ai, santa ingenuidade...), lá vai o eterno “pronto-socorro”, João Rodrigues, em “missão humanitária”...
Quanto aos decantados méritos da atribuição da organização do Euro’2004 a Portugal, a questão é genericamente colocada ao contrário. Em vez de elogios aos cabouqueiros da megalómana cavalgada, deveríamos todos (contribuintes portugueses) pedir responsabilidades a quem nos deixou tão pesada fatura, que ainda estamos a pagar. A menos que muitos não se importem de tirar do seu bolso montantes absurdos para pagar um pedaço (efemeramente continuado) de emoção.
Agora, montados na vertigem propagandeada pela própria FIFA como um dos argumentos mais fortes da candidatura ibérica para o Mundial’2018 – esse mesmo, o TGV... –, todos parecem dispostos a esperar pelo dia 2 de dezembro, o que significa esperar que Madaíl faça o seu “número” de “passe de mágica”.
Entretanto, ou paralelamente, há contas para aprovar. E sobre as contas da FPF talvez seja importante responsabilizar quem faz contratos como aquele realizado com Carlos Queiroz (e anteriormente Scolari), e perceber quem vai pagar a (outra) fatura, se o ex-selecionador ganhar a sua causa laboral e, também, no âmbito do TAS... É que não basta despedir, “lavar as mãos” e “reunir as tropas”. É preciso assumir as responsabilidades. E esta FPF, sem rei nem roque, está habituada a disfarçar fraturas com a técnica de, ciclicamente, trocar de selecionador. Não basta! A atual direção da FPF demonstrou, nos últimos tempos, a sua mais profunda incapacidade para lidar com os assuntos do futebol português.
Eo que acontecerá se, a curto-prazo, o Conselho de Justiça apresentar a demissão? E, nesse cenário, qual vai ser a posição do Conselho de Disciplina?! Não há adequação de estatutos à lei, o Estado está num impasse e a FPF em bolandas.
Pois: vamos jogar, amanhã, com a Dinamarca e o importante... é mesmo ganhar!
quarta-feira, outubro 06, 2010
As dependências - João Gobern
O jogo que levou o líder do campeonato a Guimarães – na semana em que chegaram à Internet novos “capítulos” das escutas do Apito Dourado, que a justiça desportiva optou por desconsiderar, porventura chocada com o estilo do Português que por ali se pratica – chegou para provar várias coisas. Numa vertente exterior à partida, ficou patente a facilidade com que André Villas-Boas muda de tom e de discurso, consoante a sua equipa chega ou não ao triunfo. Acontece que os tiros do treinador do FC Porto foram todos de “pólvora seca” – ele viu (ou diz que os seus jogadores viram) um penálti “claro” contra o Vitória. Azar: foram poucos os comentadores que vieram dar-lhe razão. Ignorou um penálti, quase unanimemente reconhecido, de Fucile sobre Edgar. E lançou-se numa exaltada diatribe contra tudo e contra todos. Ora, se muito nos motiva a todos o direito à indignação, convém que este seja exercido em nome de factos visíveis – e não de fantasias moldadas pela conveniência do momento. Mais pedagógico teria sido ver Villas-Boas ter reconhecido que o FC Porto perdeu os primeiros pontos “por preguiça, por arrogância, por falta de atitude”, expressões escolhidas por Miguel Sousa Tavares para caracterizar a ocorrência. Infelizmente, a cultura de vitória não está, por imaturidade ou deformação, ao alcance de todos. Pena que o técnico portista se reclame discípulo de Sir Bobby Robson, que nunca se prestou a espetáculo semelhante, numa carreira longa e preenchida. Pode ser que aprenda.
Há, no entanto, outro sinal a explorar pelos adversários: a dependência que a equipa vem revelando face a Hulk. É evidente que o brasileiro foi, ao longo deste arranque de época, o jogador mais explosivo e gerador de desequilíbrios a atuar em Portugal. Mas fazer dele o “sentido único” fragiliza o coletivo. Hulk, sendo pontualmente arrasador e brilhante, ainda está longe da consistência – e, insisto, isso também passa pela forma como se desgasta em quezílias e reclamações. Neste jogo em particular, com Varela e Belluschi muitos furos abaixo do que já se lhes viu, com Falcão sem serviço e com Fucile a deixar-se dominar pela tremideira, Hulk ficou com todo o peso sobre os ombros. Respondeu bem na jogada do golo e em mais meia dúzia de lances. Mas desperdiçou muito, errou demais, deixou à mostra o seu exasperante egoísmo. Culpa própria? Claro que sim. Mas também responsabilidade de quem o elevou a herói por causa de duas sentenças distintas – mas ambas condenatórias – à saída… de um túnel.
Já se sabia da perene dependência que o FC Porto mantém relativamente a Jorge Nuno Pinto da Costa e aos seus contactos. Mais uma dependência pode ser perigosa, ou mesmo fatal, para quem quer ganhar tudo.
Há, no entanto, outro sinal a explorar pelos adversários: a dependência que a equipa vem revelando face a Hulk. É evidente que o brasileiro foi, ao longo deste arranque de época, o jogador mais explosivo e gerador de desequilíbrios a atuar em Portugal. Mas fazer dele o “sentido único” fragiliza o coletivo. Hulk, sendo pontualmente arrasador e brilhante, ainda está longe da consistência – e, insisto, isso também passa pela forma como se desgasta em quezílias e reclamações. Neste jogo em particular, com Varela e Belluschi muitos furos abaixo do que já se lhes viu, com Falcão sem serviço e com Fucile a deixar-se dominar pela tremideira, Hulk ficou com todo o peso sobre os ombros. Respondeu bem na jogada do golo e em mais meia dúzia de lances. Mas desperdiçou muito, errou demais, deixou à mostra o seu exasperante egoísmo. Culpa própria? Claro que sim. Mas também responsabilidade de quem o elevou a herói por causa de duas sentenças distintas – mas ambas condenatórias – à saída… de um túnel.
Já se sabia da perene dependência que o FC Porto mantém relativamente a Jorge Nuno Pinto da Costa e aos seus contactos. Mais uma dependência pode ser perigosa, ou mesmo fatal, para quem quer ganhar tudo.
A Liga anima - Octávio Ribeiro
O FC Porto tropeçou finalmente e assim deixa a diferença para o principal rival encurtar para “apenas” sete pontos. Esta equipa que André Villas-Boas montou tem uma excelente dinâmica, agressividade coletiva, e Hulk. Argumentos bastantes para uma caminhada até aqui imaculada na Liga. Porém, no jogo de ontem, em Guimarães, o que sobressaiu foram os defeitos, que até agora tinham estado escondidos.
A dupla de centrais é a primeira em muitos anos que não tem um líder natural. Rolando pode ser um bom central mas não me parece que possa passar do estatuto de muleta eficaz. E na direita da defesa continua a estar Fucile. Um temperamental uruguaio a quem o FC Porto já pode assacar responsabilidade direta num punhado de maus resultados, mesmo além-fronteiras.
Para agravar o panorama, André Villas-Boas cedeu aos impulsos da juventude e deixou a equipa sem liderança técnica quando mais precisava dela. O empate de ontem em Guimarães dá um ótimo sinal para uma eventual animação do campeonato que só parece ao alcance do Benfica. Na Luz merece registo especial a ascensão de Carlos Martins: sempre teve tudo para ser um grande craque, agora até já dura os 90 minutos. Mais uma medalha para a lapela de Jesus.
Já o Sporting continua a deixar uma boa impressão nos momentos de ataque – a bola teima ainda em não entrar, está lá tudo menos a sorte –, mas na defesa alguém acaba sempre por comprometer de forma grave. Ontem coube a vez a Rui Patrício com aquele inaceitável frango.
Mão à palmatória – Na passada semana, atribuí erradamente o atraso na subida com a linha de defesa do Sporting, que tornou válido o golo do Nacional, ao trinco André Santos. Quem se atrasou na linha do fora-de-jogo foi o central André Coelho. O que torna o erro ainda mais grave.
A dupla de centrais é a primeira em muitos anos que não tem um líder natural. Rolando pode ser um bom central mas não me parece que possa passar do estatuto de muleta eficaz. E na direita da defesa continua a estar Fucile. Um temperamental uruguaio a quem o FC Porto já pode assacar responsabilidade direta num punhado de maus resultados, mesmo além-fronteiras.
Para agravar o panorama, André Villas-Boas cedeu aos impulsos da juventude e deixou a equipa sem liderança técnica quando mais precisava dela. O empate de ontem em Guimarães dá um ótimo sinal para uma eventual animação do campeonato que só parece ao alcance do Benfica. Na Luz merece registo especial a ascensão de Carlos Martins: sempre teve tudo para ser um grande craque, agora até já dura os 90 minutos. Mais uma medalha para a lapela de Jesus.
Já o Sporting continua a deixar uma boa impressão nos momentos de ataque – a bola teima ainda em não entrar, está lá tudo menos a sorte –, mas na defesa alguém acaba sempre por comprometer de forma grave. Ontem coube a vez a Rui Patrício com aquele inaceitável frango.
Mão à palmatória – Na passada semana, atribuí erradamente o atraso na subida com a linha de defesa do Sporting, que tornou válido o golo do Nacional, ao trinco André Santos. Quem se atrasou na linha do fora-de-jogo foi o central André Coelho. O que torna o erro ainda mais grave.
terça-feira, outubro 05, 2010
Grande bisga - Marta Rebelo
A história faz as pazes com o passado muitas vezes. E Paulo Bento, com a sua convocatória a Carlos Martins, inspirou o número 17 do Benfica. Cabeça fria e coração quente, é a receita do Sr. Tranquilidade para o confronto com a Dinamarca. Ontem à noite, só ligaram os 22 à tomada na segunda parte. Na entrada em campo, viu-se estratégia, manha e muita tática. Servida a frio e com chuva: o Glorioso a jogar avançado no terreno e o Sp. Braga atrasado a apostar no contra-ataque; muita posse de bola para o Benfica, algumas jogadas rápidas e perigosas dos arsenalistas.
Foi um SLB irregular, o mesmo desta época, que jogou a noite passada. Mas com um Senhor Aimar e um Martins endiabrado, que fizeram o jogo e os três pontos. Grandes bisgas de Carlos Martins, na carreira de tiro. Aliás, este na ala direita, em rotação ao centro com Pablito, foi uma boa solução destra para esta partida. Bem dizia eu há uma semana que Coentrão tinha de recuar à defesa com o SCB, que este não era jogo para Peixotos (assobiado na entrada, a 5’ do fim). Mas Fábio ficou cá atrás, com uma parede bracarense a tapar-lhe as subidas. E sem ele, a velocidade ficou-se pelas pernas de Aimar que mete muita mecha nos primeiros 45’. Mas Carlos Martins compensou. É que cá atrás, Maxi continua a pagar a despesa física do Mundial e David Luiz continua muito nervoso. Já estávamos todos muito nervosos, aliás, quando, de pé canhoto, à oitava tentativa, um balázio de Martins dá 3 pontos. Saviola não concretiza, mas assiste como só ele.
Depois veio o turbilhão e 6 minutos de compensações. Quem é que Duarte Gomes queria compensar? Foram 6 para compensar os 5 pontos que Domingos queria levar de avanço, à saída da Luz? Paciência.
Kardec, tiveste a tua oportunidade de fazer de Tacuara. Continua à escuta e manda postais. Ai, escutas é que não.
Foi um SLB irregular, o mesmo desta época, que jogou a noite passada. Mas com um Senhor Aimar e um Martins endiabrado, que fizeram o jogo e os três pontos. Grandes bisgas de Carlos Martins, na carreira de tiro. Aliás, este na ala direita, em rotação ao centro com Pablito, foi uma boa solução destra para esta partida. Bem dizia eu há uma semana que Coentrão tinha de recuar à defesa com o SCB, que este não era jogo para Peixotos (assobiado na entrada, a 5’ do fim). Mas Fábio ficou cá atrás, com uma parede bracarense a tapar-lhe as subidas. E sem ele, a velocidade ficou-se pelas pernas de Aimar que mete muita mecha nos primeiros 45’. Mas Carlos Martins compensou. É que cá atrás, Maxi continua a pagar a despesa física do Mundial e David Luiz continua muito nervoso. Já estávamos todos muito nervosos, aliás, quando, de pé canhoto, à oitava tentativa, um balázio de Martins dá 3 pontos. Saviola não concretiza, mas assiste como só ele.
Depois veio o turbilhão e 6 minutos de compensações. Quem é que Duarte Gomes queria compensar? Foram 6 para compensar os 5 pontos que Domingos queria levar de avanço, à saída da Luz? Paciência.
Kardec, tiveste a tua oportunidade de fazer de Tacuara. Continua à escuta e manda postais. Ai, escutas é que não.
Villas-Boas: faltou saber perder pontos - Luís Sobral
O primeiro ensaio de André Villas-Boas como treinador durão que não tem medo de ninguém saiu mal.
O treinador do F.C. Porto foi expulso, viu um seu jogador sair mais cedo (e muito bem) e perdeu pela primeira vez pontos, num jogo difícil que não saiu bem à equipa.
No dia em que pela primeira vez não ganhou, interrompendo um ciclo muito bom de vitórias, que demonstrou Villas-Boas? Algo simples: não estava preparado para a coisa.
E no entanto era evidente que um dia o F.C. Porto chegaria ao fim de um jogo sem vencer. Aliás, como disse na sala de imprensa, sete pontos de avanço à sétima jornada é uma vantagem muito boa. Qualquer treinador a desejaria.
Porém, o discurso na entrevista rápida e a insistência mais tarde, na conferência de imprensa, num lance sem relevância na área do Vitória de Guimarães, mais as referências pouco subtis a Vítor Pereira, demonstram que André Villas-Boas presta muita atenção às arbitragens.
Demasiada atenção? Parece.
Que um dirigente dispare sobre uma equipa de arbitragem é apenas lamentável. Que um treinador o faça soa quase sempre a desculpa fácil para esconder as falhas próprias da equipa que comanda.
Desta vez, vistas as coisas, Villas-Boas não tem qualquer razão de queixa e deveria ter sido capaz de demonstrar maturidade e encaixar com bom senso os primeiros pontos perdidos. Não foi capaz e passou uma imagem pouco própria de alguém que acha sete pontos uma boa vantagem à sétima jornada. Nem parecia.
Conclusão: a expulsão foi má, a flash-interview excessiva e a conferência de imprensa um ensaio tosco de pressão sobre arbitragem e media.
O treinador do F.C. Porto foi expulso, viu um seu jogador sair mais cedo (e muito bem) e perdeu pela primeira vez pontos, num jogo difícil que não saiu bem à equipa.
No dia em que pela primeira vez não ganhou, interrompendo um ciclo muito bom de vitórias, que demonstrou Villas-Boas? Algo simples: não estava preparado para a coisa.
E no entanto era evidente que um dia o F.C. Porto chegaria ao fim de um jogo sem vencer. Aliás, como disse na sala de imprensa, sete pontos de avanço à sétima jornada é uma vantagem muito boa. Qualquer treinador a desejaria.
Porém, o discurso na entrevista rápida e a insistência mais tarde, na conferência de imprensa, num lance sem relevância na área do Vitória de Guimarães, mais as referências pouco subtis a Vítor Pereira, demonstram que André Villas-Boas presta muita atenção às arbitragens.
Demasiada atenção? Parece.
Que um dirigente dispare sobre uma equipa de arbitragem é apenas lamentável. Que um treinador o faça soa quase sempre a desculpa fácil para esconder as falhas próprias da equipa que comanda.
Desta vez, vistas as coisas, Villas-Boas não tem qualquer razão de queixa e deveria ter sido capaz de demonstrar maturidade e encaixar com bom senso os primeiros pontos perdidos. Não foi capaz e passou uma imagem pouco própria de alguém que acha sete pontos uma boa vantagem à sétima jornada. Nem parecia.
Conclusão: a expulsão foi má, a flash-interview excessiva e a conferência de imprensa um ensaio tosco de pressão sobre arbitragem e media.
domingo, outubro 03, 2010
O Totobola da Opinião - Ricardo Araújo Pereira
«A Bola tem três cronistas portistas — o Francisco José Viegas, o Rui Moreira e eu próprio. E, fora os da casa, tem três benfiquistas: o RAP, o Sílvio Cervan e a Leonor Pinhão. Nós, os três portistas, todos aqui escrevemos que (apesar do túnel da verdade, de quase metade dos jogos terminados com superioridade numérica e tudo o resto), o campeonato do ano passado ganho pelo Benfica foi inteiramente justo, porque jogou o melhor futebol. (...) Mas alguém já viu algum dos cronistas benfiquistas reconhecer mérito (...) a uma vitória do FC Porto (...)? »
Miguel Sousa Tavares, 28 de Setembro de 2010
«Durante muito tempo, achei (…) que, com túnel ou sem túnel, o Benfica merecia ganhar este campeonato, porque era a equipa que melhor jogava (...). Mas a verdade é que um campeonato não são 15, nem 20, nem 25 jornadas: são 30 e o saldo final deve-se fazer às 30. E, no último terço do campeonato, desapareceu aquele Benfica que jogava mais e melhor»
Miguel Sousa Tavares, 11 de Maio de 2010
«O Fernando Guerra pode, pois, tomar nota desde já: dificilmente os portistas e os bracarenses irão reconhecer o mérito de um campeonato ganho pelo Benfica nestas circunstancias»
Miguel Sousa Tavares, 16 de Fevereiro de 2010
Não tenho outro remédio senão admitir que Miguel Sousa Tavares tem sempre razão. Ter sempre razão não é fácil, e MST consegue-o da maneira mais trabalhosa. MST não tem sempre razão por conseguir exprimir constantemente a opinião mais correcta, mas sim por exprimir uma grande variedade de opiniões sobre o mesmo assunto. Nisto das convicções, MST joga com múltiplas. Acerca do último campeonato, às segundas, quartas e sextas reconhece o mérito do Benfica; às terças, quintas e sábados assegura que o Benfica não teve mérito nenhum. Aos domingos, provavelmente, descansa a espinha dorsal, que deve chegar dorida ao fim-de-semana. No entanto, mais notável do que a capacidade para estar sempre certo é o talento para manter a mesma superioridade moral quando diz uma coisa e o seu rigoroso inverso. É muito raro uma trampolinice ser eticamente irrepreensível, mas para MST não há impossíveis. Nos dias em que garante que os portistas são os únicos que reconhecem o mérito dos adversários, MST tem a superioridade moral dos que aceitam a derrota com desportivismo; nos dias em que exige que fique registado que os portistas nunca reconhecerão o mérito dos adversários, tem a superioridade moral dos que não pactuam com fraudes. Quanto a mim, é evidente que não possuo arcaboiço para competir neste campeonato de moralidade com MST — quer com o que tem a nobreza de reconhecer méritos, quer com o que tem a dignidade de não reconhecer méritos nenhuns. Só posso prometer que, se o presidente do Benfica for apanhado em escutas a indicar o caminho para sua casa a um árbitro nas vésperas de um jogo, a Leonor Pinhão, o Sílvio Cervan e eu viremos aqui escrever que esse tipo de conduta nos envergonha. E daremos razão a todos os adversários que não reconhecerem mérito a títulos conquistados à custa desse modelo de dirigismo desportivo. É pouco, mas é o que tenho para oferecer.
«Realmente. Luis Filipe Vieira e Ricardo Araújo Pereira têm razão: o Hulk é uma banalidade. Deve ser por isso que tão empenhadamente manobraram para o tirar de jogo»
Miguel Sousa Tavares, 28 de Setembro de 2010
Como se não fizesse já demasiado, MST ainda tem a simpatia de ser meu arquivista. E dos mais competentes: tanto colecciona o que vou dizendo, como também arquiva o que nunca disse. Na verdade, eu nunca disse que o Givanildo era banal. Posso ter tido o atrevimento de pensar, como o seleccionador do Brasil, que não é inigualável. Talvez tenha a insolência de acreditar como, aparentemente, a generalidade do mercado —, que não vale 100 milhões de euros. Mas, no que diz respeito a críticas, nunca fui tão violento como o vigilante Rui Moreira, que ainda há um ano escrevia: «Hulk (...) não sabe jogar de costas para a área (...). Além disso, parece ter entendido mal os recados do treinador e o mais que dele se viu foi que se entreteve a adornar as jogadas, a tentar “quaresmices” e a simular faltas.» Nunca fui tão acintoso como o mesmo Rui Moreira, que dois meses depois acrescentou: «Gostei de ver Hulk sentado no banco. (...) talvez lhe devessem ter explicado que fora preterido por causa dos seus tiques e individualismo, das suas inócuas simulações. Talvez assim tivesse optado por uma outra atitude, logo que surgisse a oportunidade de jogar. Em vez disso, e como tem sido costume, Hulk foi de pequena utilidade quando entrou.» E nunca disse que, na época passada, as prestações do Givanildo estavam «a léguas do desempenho do ano anterior», como escreveu aqui MST escassos 40 dias antes de o jogador, talvez por causa do fraco desempenho futebolístico, ter resolvido dedicar-se ao pugilismo.
Por outro lado, sou dolorosamente forçado a reconhecer que MST me desmascarou quando revela que, em conluio com o presidente do Benfica, eu «manobrei empenhadamente para tirar o Givanildo de jogo». Normalmente, as teorias da conspiração consistem em palermices mais ou menos lunáticas, sem qualquer sustentação em provas. Não é o caso desta. A pujança da minha influência no futebol português é bem conhecida. As conversas conspiratórias que mantenho com Luís Filipe Vieira estão amplamente documentadas no You-Tube.
MST e Rui Moreira ainda tentaram enganar-me, escrevendo várias vezes que o rendimento do Givanildo era pobre, para que eu fosse levado a pensar que o jogador não era assim tão fundamental na manobra da equipa do Porto, na época transacta. Mas a mim ninguém passa a perna, e foi precisamente o Givanildo que eu escolhi para tirar de jogo através das minhas maquinações. Confesso: o castigo do Givanildo foi ideia minha. Por absoluta falta de espaço, deixo para a semana a confissão do meu envolvimento na morte do Kennedy.
Miguel Sousa Tavares, 28 de Setembro de 2010
«Durante muito tempo, achei (…) que, com túnel ou sem túnel, o Benfica merecia ganhar este campeonato, porque era a equipa que melhor jogava (...). Mas a verdade é que um campeonato não são 15, nem 20, nem 25 jornadas: são 30 e o saldo final deve-se fazer às 30. E, no último terço do campeonato, desapareceu aquele Benfica que jogava mais e melhor»
Miguel Sousa Tavares, 11 de Maio de 2010
«O Fernando Guerra pode, pois, tomar nota desde já: dificilmente os portistas e os bracarenses irão reconhecer o mérito de um campeonato ganho pelo Benfica nestas circunstancias»
Miguel Sousa Tavares, 16 de Fevereiro de 2010
Não tenho outro remédio senão admitir que Miguel Sousa Tavares tem sempre razão. Ter sempre razão não é fácil, e MST consegue-o da maneira mais trabalhosa. MST não tem sempre razão por conseguir exprimir constantemente a opinião mais correcta, mas sim por exprimir uma grande variedade de opiniões sobre o mesmo assunto. Nisto das convicções, MST joga com múltiplas. Acerca do último campeonato, às segundas, quartas e sextas reconhece o mérito do Benfica; às terças, quintas e sábados assegura que o Benfica não teve mérito nenhum. Aos domingos, provavelmente, descansa a espinha dorsal, que deve chegar dorida ao fim-de-semana. No entanto, mais notável do que a capacidade para estar sempre certo é o talento para manter a mesma superioridade moral quando diz uma coisa e o seu rigoroso inverso. É muito raro uma trampolinice ser eticamente irrepreensível, mas para MST não há impossíveis. Nos dias em que garante que os portistas são os únicos que reconhecem o mérito dos adversários, MST tem a superioridade moral dos que aceitam a derrota com desportivismo; nos dias em que exige que fique registado que os portistas nunca reconhecerão o mérito dos adversários, tem a superioridade moral dos que não pactuam com fraudes. Quanto a mim, é evidente que não possuo arcaboiço para competir neste campeonato de moralidade com MST — quer com o que tem a nobreza de reconhecer méritos, quer com o que tem a dignidade de não reconhecer méritos nenhuns. Só posso prometer que, se o presidente do Benfica for apanhado em escutas a indicar o caminho para sua casa a um árbitro nas vésperas de um jogo, a Leonor Pinhão, o Sílvio Cervan e eu viremos aqui escrever que esse tipo de conduta nos envergonha. E daremos razão a todos os adversários que não reconhecerem mérito a títulos conquistados à custa desse modelo de dirigismo desportivo. É pouco, mas é o que tenho para oferecer.
«Realmente. Luis Filipe Vieira e Ricardo Araújo Pereira têm razão: o Hulk é uma banalidade. Deve ser por isso que tão empenhadamente manobraram para o tirar de jogo»
Miguel Sousa Tavares, 28 de Setembro de 2010
Como se não fizesse já demasiado, MST ainda tem a simpatia de ser meu arquivista. E dos mais competentes: tanto colecciona o que vou dizendo, como também arquiva o que nunca disse. Na verdade, eu nunca disse que o Givanildo era banal. Posso ter tido o atrevimento de pensar, como o seleccionador do Brasil, que não é inigualável. Talvez tenha a insolência de acreditar como, aparentemente, a generalidade do mercado —, que não vale 100 milhões de euros. Mas, no que diz respeito a críticas, nunca fui tão violento como o vigilante Rui Moreira, que ainda há um ano escrevia: «Hulk (...) não sabe jogar de costas para a área (...). Além disso, parece ter entendido mal os recados do treinador e o mais que dele se viu foi que se entreteve a adornar as jogadas, a tentar “quaresmices” e a simular faltas.» Nunca fui tão acintoso como o mesmo Rui Moreira, que dois meses depois acrescentou: «Gostei de ver Hulk sentado no banco. (...) talvez lhe devessem ter explicado que fora preterido por causa dos seus tiques e individualismo, das suas inócuas simulações. Talvez assim tivesse optado por uma outra atitude, logo que surgisse a oportunidade de jogar. Em vez disso, e como tem sido costume, Hulk foi de pequena utilidade quando entrou.» E nunca disse que, na época passada, as prestações do Givanildo estavam «a léguas do desempenho do ano anterior», como escreveu aqui MST escassos 40 dias antes de o jogador, talvez por causa do fraco desempenho futebolístico, ter resolvido dedicar-se ao pugilismo.
Por outro lado, sou dolorosamente forçado a reconhecer que MST me desmascarou quando revela que, em conluio com o presidente do Benfica, eu «manobrei empenhadamente para tirar o Givanildo de jogo». Normalmente, as teorias da conspiração consistem em palermices mais ou menos lunáticas, sem qualquer sustentação em provas. Não é o caso desta. A pujança da minha influência no futebol português é bem conhecida. As conversas conspiratórias que mantenho com Luís Filipe Vieira estão amplamente documentadas no You-Tube.
MST e Rui Moreira ainda tentaram enganar-me, escrevendo várias vezes que o rendimento do Givanildo era pobre, para que eu fosse levado a pensar que o jogador não era assim tão fundamental na manobra da equipa do Porto, na época transacta. Mas a mim ninguém passa a perna, e foi precisamente o Givanildo que eu escolhi para tirar de jogo através das minhas maquinações. Confesso: o castigo do Givanildo foi ideia minha. Por absoluta falta de espaço, deixo para a semana a confissão do meu envolvimento na morte do Kennedy.
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