quinta-feira, maio 13, 2010

Para os Ressabiados...

1º Treino após a Conquista da Liga Sagres

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão - O treinador que não sabia, não via, porque «estava a olhar para o chão»

Utilizando um tom místico só ao alcance de quem tem contactos privilegiados com entidades superiores, Paciência falou na véspera do dia da decisão do título para afirmar que se o Benfica já tinha marcado «mais de cem golos» e ainda não era campeão só poderia significar que «alguma coisa estava para acontecer».

E aconteceu mesmo. No domingo o Benfica conquistou o 32.º título da sua História e na segunda-feira a Bolsa de Lisboa teve o seu máximo histórico, registando a maior valorização de sempre numa só sessão, fechando a ganhar 10,73% com o valor das empresas cotadas a subir 5,5 mil milhões de euros. Só podia ser a esta «desigualdade de orçamentos» que o treinador do Sporting de Braga se referia quando, no final do jogo com o Nacional, lamentou as coisas estranhas que levaram o Benfica ao título.

Tinha razão, pois, Domingos Paciência. Foi um campeonato com muitas coisas estranhas que começaram à entrada do túnel de Braga, à estalada, e acabaram à saída do túnel do Marquês, com fogo-de-artifício. Como ambas as ocasiões foram profusamente documentadas, e em directo, pelas estações de televisão de serviço, não há mais nada a acrescentar.

Aliás, este campeonato de 2009/2010 foi, sobretudo, uma prova marcada por imagens televisivas inesquecíveis. Golos marcados depois de a bola ter andado por fora das quatro linhas, grandes penalidades aos 97 minutos de jogo, túneis para todos os gostos… Curiosamente, quando era treinador da União de Leiria, Domingos ligava pouco ou nada a estes pormenores, dentro ou fora do relvado. Lembram-se? Nos grandes momentos, nos mais emocionantes, Domingos olhava para o chão.

Num célebre jogo com o FC Porto, Quaresma foi expulso depois de uma agressão a Tixier, jogador da União de Leiria que era, recorde-se, a equipa que Domingos treinava. Os técnicos, os dirigentes e os jogadores do FC Porto protestaram com grande veemência a expulsão de Quaresma e, no fim do jogo, uns jornalistas mal-intencionados atreveram-se a perguntar a Domingos a sua opinião sobre o lance. Pois não teve nenhuma opinião. Limitou-se a dizer:

— Não sei, não vi, estava a olhar para o chão.

É este mesmo Domingos Paciência, um modelo de atenção, contabilidade e vigilância, amante da justiça desportiva, que ainda não parou de tentar desmerecer o título merecidamente ganho pelo Benfica, expondo, por entre lágrimas, um relambório de benefícios aos novos campeões que se inicia e culmina, nas suas próprias palavras, naquele momento decisivo em Agosto, quando o Benfica ganhou em Guimarães com um golo no tempo de descontos, nascido de uma falta «que não existiu».

De facto, quando um homem levanta finalmente os olhos do chão, se o dia estiver claro, límpido, transparente, até consegue ver as ilhas Berlengas do alto da Torre dos Clérigos.

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Nós, benfiquistas, vimos no domingo muitas imagens de praças, rotundas, avenidas e túneis. Mas faltou-nos a imagem de um túnel especial. O túnel do estádio dr. Rui Alves, mais conhecido pela Choupana, no final do jogo entre o Nacional e o Sporting de Braga. Gostaríamos de ter visto os cumprimentos trocados entre Manuel Machado e Domingos Paciência, os treinadores que mais embirraram com o nosso Jorge Jesus ao longo do campeonato, e que acabaram a prova em maré de fel. Machado perdendo a qualificação para a Liga Europa por 2 pontos e Paciência perdendo o título para o Benfica por 5 pontos.

Muito aborrecidos deviam estar Paciência e Machado no túnel da Choupana. Enquanto isso, no centro do Funchal, os adeptos do Marítimo, que se qualificou com todo o brilho para a Liga Europa, e os adeptos do Benfica, campeões, festejavam em conjunto os dois sucessos dos seus respectivos emblemas. Mas desta festa houve imagens. E bem bonitas.

Têm toda a razão os adversários do Benfica que não se conformam com este 32.º título conquistado nos «bastidores». O Benfica, dizem eles, não jogou nada ao longo da época, marcou mais de 100 golos em posição de fora-de-jogo, o Benfica manda na Liga e, agora, para cúmulo, até manda na Selecção Nacional.

Andam por aí os teóricos, muito distraídos, a festejar o facto de o Benfica só ter um elemento seu na equipa de ases escolhida por Carlos Queiroz.

Aparentemente, Fábio Coentrão é o único benfiquista no Mundial da África do Sul.

Como andam enganados… Levantem já os olhos do chão!

Então e o Ricardo Costa, não é nosso?

Estarão, porventura, convencidos de que o Ricardo Costa que o professor Queiroz convocou é aquele rapaz defesa-central que jogou no Wolfsburg e que agora tem jogado no Lille?

Claro que não é. O Ricardo Costa da Selecção é o mesmo dr. Ricardo Costa, presidente da Comissão de Disciplina da Liga, outro grande benfiquista acusado, pelos nossos tristonhos e impolutos adversários, de ter agredido dois stewards no túnel da Luz disfarçado de Hulk e de Sapunaru.

Ele, no fundo, também joga à bola. E é por isso mesmo que vai à África do Sul.

Força Ricardo Costa! Fábio Coentrão, não estás sozinho!

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O maior derrotado da última jornada do campeonato de 2009/2010 foi o Sporting. Como assim, se o Sporting até ganhou ao Leixões, em Matosinhos, garantindo a distância de 28 pontos em relação ao Benfica?

Se há dúvidas sobre o facto de ter sido o Sporting o grande derrotado da última jornada, o melhor é colocar a questão aos sócios e adeptos do valoroso Vitória de Guimarães, emblema que, conduzido por Paulo Sérgio, ia muito bem lançado para a conquista de um lugar na segunda competição de clubes da UEFA, até ao momento em que o mesmo Paulo Sérgio foi contratado para ser o próximo treinador do Sporting.

Veio tudo por água abaixo. E não se pense que Paulo Sérgio se desconcentrou ou que prestou menor atenção ao dia-a-dia vimaranense quando soube que tinha pela frente a missão de treinar o Sporting em 2010/2011.

Nada disso. Paulo Sérgio é um treinador competente e um excelente profissional. Mas, tal como já disse José Eduardo Bettencourt, «este ano, ao Sporting, não houve nada de mau que não acontecesse». E o Vitória de Guimarães, sem ter nada a ver com isso, apanhou por tabela. Foi o efeito dominó.

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A vitória do Atlético de Madrid na Liga Europa é um motivo de satisfação para os benfiquistas. Por Simão Sabrosa, por Reyes e, também, por Quique Flores que saiu no ano passado da Luz debaixo de um tremendo aplauso apesar de não ter sido campeão.

O Atlético de Madrid deve muito este seu triunfo europeu ao facto de ter passado os primeiros cinco meses da época sem jogar rigorosamente nada, num descanso total, o que lhe permitiu reunir as forças necessárias para este sensacional final de temporada.

O Benfica, este Verão, não pode ter um arranque tão poderoso e convincente como o do ano passado. Ainda assim conseguimos ganhar o campeonato e a Taça da Liga, mas já não houve pernas para a Taça de Portugal e para a Liga Europa.

Benfica Campeão - Inferno da Luz

Fantástico

quarta-feira, maio 12, 2010

SLB Making Off Equipamento 2010/11

Artigo de Opinião de Luís Seara Cardoso - Um homem com palavra

As contas estão arrumadas. Sem surpresa, o Benfica sagrou-se campeão. Justo campeão? Justíssimo campeão. De resto, a equipa encarnada bateu o recorde de pontos da prova. Esse facto, só por si, confere razão absoluta ao desfecho da competição. Mas houve mais, muito mais. Houve um conjunto que praticou, no decurso da temporada, o mais entusiasmante futebol que se viu nos recintos nacionais. Mais ainda? Uma qualidade de jogo ofensivo a grande distância daquela que os opositores evidenciaram.

H á quem tente subestimar este título do Benfica? Há, com certeza. São aqueles que de forma arrogante jamais conseguem conviver com o desaire. Campeonato dos túneis? Francamente... A vitória do Benfica, essa sim, foi garantida no túnel imenso da justiça, da seriedade, da competência.

O Sporting de Braga acabou por se constituir o mais digno opositor à consecução dos objetivos da equipa de Jorge Jesus. É também um justo vice-campeão. Fez história e deixou a ideia de que pode, no futuro imediato, intrometer-se na crónica discussão dos três principais emblemas da bola portuguesa.

O terceiro lugar do pódio foi para o FC Porto. Tratou-se da maior desilusão da temporada? Tratou-se, certamente. A condição de tetracampeão revelou-se insuficiente, a equipa oscilou em momentos capitais. Pagou essa fatura e fica bem atrás do grande Benfica e do sensacional Sporting de Braga.

Para o ano há mais. Jorge Jesus, no começo desta temporada, prometeu um Benfica a jogar o dobro do habitual. Cumpriu? Cumpriu mesmo. Agora, promete um novo triunfo. Vai cumprir? Vai cumprir mesmo.

SL Benfica - Campeão 2010 - O Gigante está de Volta

Artigo de Opinião de António Pires

Jorge Jesus conseguiu transformar um bom plantel numa excelente equipa. Disso beneficiou o Benfica, que conquistou o campeonato e a Taça da Liga, e os próprios jogadores que saíram quase todos valorizados da temporada que terminou. E seis deles tiveram o prémio mais desejado: a convocatória para as suas selecções que vão estar no Mundial. Sem surpresas, Fábio Coentrão (Portugal), Cardozo (Paraguai), Maxi Pereira (Uruguai), Di María (Argentina), Luisão e Ramires (Brasil) vão estar na África do Sul e todos têm condições para serem titulares. Isto, por si só, atesta a qualidade da equipa comandada por Jorge Jesus, mas a verdade é que muitos outros ficaram à porta do Mundial e alguns até com algum sentimento a injustiça. No caso dos portugueses, Rúben Amorim ainda pode sonhar (está na lista de suplentes de Queiroz), mas Quim e Carlos Martins, pelo que fizeram, mereciam no mínimo estar nos 30. De resto, David Luiz não foi chamado para o Brasil, mas ninguém duvida que a sua estreia na selecção canarinha - cujo grupo Dunga há muito fechara - não vai demorar muito mais tempo.

Artigo de Opinião de Luís Pedro Sousa

Os ousados não temem o ridículo

Chegou à Luz e disse que os jogadores renderiam o dobro. Cumpriu. Afirmou, sem rodeios, que o Benfica ganharia o título. Cumpriu. Após a conquista da Liga, Jorge Jesus elevou ainda mais a fasquia, não colocando de parte a possibilidade de os encarnados lutarem pela Champions na próxima época. Os homens ousados são assim. Não temem o ridículo e ficam sempre mais próximos do sucesso.

Expandir a fé e não a polémica

O êxito potencia o altruismo e até a humildade. Luís Filipe Vieira leu na CM Lisboa um dos discursos mais inteligentes desde que é presidente. Esqueceu os remoques de um punhado de maus perdedores e preferiu sublinhar que a conquista da Liga provocou uma emoção que ultrapassou as fronteiras da capital. O Benfica tem, de facto, grande peso social. Há que tirar partido dele.

Artigo de Opinião de João Rui Rodrigues - Jorge Jesus já ganhou 1 milhão

Jorge Jesus ainda não completou um ano ao serviço do Benfica, mas já viu a conta bancária engordar substancialmente, depois de ter abdicado de mais de 200 mil euros para se conseguir libertar do contrato que tinha com o Sporting de Braga. Com a conquista do campeonato, no domingo, o técnico benfiquista embolsou 500 mil euros relativos ao prémio que tinha estipulado no vínculo contratual celebrado com Luís Filipe Vieira. A juntar a estes 500 mil euros está uma verba idêntica referente ao salário anual do técnico encarnado que assim já amealhou 1 milhão de euros. No entanto, e mesmo com o prémio de campeão, Jesus ganhou menos ao longo deste ano que Jesualdo Ferreira, que apenas conquistou a Supertaça até agora mas que tem um salário anual na ordem dos 1,2 milhões. Com a renovação do contrato em vista, o treinador do Benfica terá um aumento considerável no ordenado que é semelhante ao que auferia em Braga. Na relação resultados/preço, Jesus é, muito provavelmente, o treinador mais barato da história do clube da Luz.

Artigo de Opinião de Luís Freitas Lobo - A 'estrutura' do treinador

No futebol português, muito se fala da estrutura. Um entorno que emoldura, protege e cria condições para o treinador trabalhar, aplicando as suas ideias, cruzando-as com as do clube. Dizem que é decisivo para (poder) ganhar. É verdade. Mas não é tudo. E, muitas vezes, há casos que parecem inverter esta lógica. Ou seja, é o treinador que condiciona a estrutura. Não é, no entanto, natural (nem saudável) isto suceder.

Jorge Jesus criou um impacto tremendo no mundo benfiquista. Desde o aparecimento de Mourinho no FC Porto que um treinador, por si só, não era tão decisivo para mudar o rumo e a face de um clube. No fundo, a sua influência tornou-se maior do que a estrutura que era a mesma nas épocas anteriores. No caso do FC Porto, porém, tratava-se de uma conjuntura muito concreta. Mourinho tornou-se, pelo seu saber e estilo, maior do que a estrutura mas nunca a absorveu. Isto é, depois dele, ela continuou lá. Granítica. Após o choque inicial da sua saída, outros treinadores vieram, outros treinadores ganharam.

No caso do Benfica, é diferente. O treinador mudou a estrutura. Ou melhor, mudou a visão e imagem da estrutura. Absorveu-a até toda ela se confundir com ele. Até ser impossível imaginá-la sem ele. Só os grandes treinadores conseguem isto: mudar a realidade em vez de se adaptar a ela. Por isso, este título benfiquista de 2010 nada tem a ver com o de 2005. Aquele percebera-se que fora um feito circunstancial. Este pode significar um abrir de um novo ciclo de correlação de poderes no futebol português. Existe, porém, um factor que o pode ameaçar. A dimensão (importância) do treinador em todo este processo. É este o ciclo de Jesus ou é o ciclo do novo Benfica? Resistirá a estrutura sem o treinador que esta época a mudou?

Num mundo futebolisticamente saudável, nenhum treinador pode ser muito maior do que a estrutura até ao ponto de ela não existir (ou perder eficácia) sem ele. Nesta hora de vitória, penso que esta questão é decisiva para projectar o tal novo ciclo que o Benfica quer abrir. Até porque, já se entendeu, Jesus tem ambições (legitimas) de treinar (e ganhar) no estrangeiro.

A próxima época (com Jesus e a Champions) é, por isso, um espaço temporal decisivo para o clube solidificar ideias e personalidade. Cimentar a estrutura para além do treinador, sem prescindir, claro, da sua influência nessa construção. Um processo, nesse aspecto, respeitando as idiossincrasias benfiquistas muito próprias, semelhante ao do FC Porto (seria possível Jesualdo ter ganho três campeonatos consecutivos noutro clube?). É óbvio que, mesmo em clubes com estrutura forte, os treinadores não são todos iguais. Uns são melhores do que outros (umas tácticas dão certo, outras não). Para o treinador, é fantástico sentir que ganhou e fez ganhar a equipa. Para o clube, depois dos festejos, é preocupante perceber que, sem ele, tudo teria sido diferente. É este o grande triunfo de Jesus no Benfica. Mudou-lhe o destino e... ficou com ele nas mãos.

Artigo de Opinião de António Simões - Com bola ou talvez não: SLB e a justiça

O Benfica andara anos a fio a correr atrás de angústias sem perceber que o cerne das mágoas era o brilho de um passado longínquo que lhe iludia os dirigentes em grandezas e glórias presumidas, postiças, autistas. Mas desta vez, eu vi logo: quando Jorge Jesus chegou à Luz levava o futuro na palma da mão – porque nele há duas coisas imprescindíveis num grande treinador: saber muito de futebol e mais ainda de homens. Ah! E uma verdade indiscutível na cabeça: o pessimismo e a cegueira nunca ganharam um jogo. No FC Porto, diferente era a alma de Jesualdo Ferreira, a acanhar-se. Pela sua personalidade, o estilo atrevido, Jorge Jesus foi agitando o inconsciente colectivo dos benfiquistas – num truque capaz de salvar pelo coração o clube da desolação. No FC Porto, Jesualdo Ferreira não – continuou a acreditar que no futebol a paixão ou a ousadia podiam valer menos que o medo ou o calculismo. Decorreu a temporada. Com a sua confiança, Jorge Jesus disparou talentos, soltou pernas, encheu pulmões, empurrou sortes – e pôs o Benfica em linha que nunca perdeu: o grupo era sempre o mais importante – mas importante para exaltar o jogador e nunca deixar esconder o craque. Foi atirando para cima as suas notas artísticas – e para o céu, a avermelhar-se, o sonho, às vezes histérico, dos adeptos. O FC Porto titubeou, as obsessões tácticas de Jesualdo Ferreira roubaram-lhe futebol e boas ideias. Depois? Era tarde – e independentemente do Dr. Ricardo Costa ter transformado o direito em ciência criativa e dos castigos e lesões, aconteceu a justiça no campo. Sim, o melhor FC Porto da época pode ter sido três ou quatro vezes melhor que o melhor Benfica da época, mas o pior FC Porto foi três ou quatro vezes pior que o pior Sporting – e, tão irregular, não podia ser campeão! Por isso não tem direito à vitória moral que tenta arrastar da esquizofrenia do túnel, de lhe terem tirado Hulk de uma ilusão incrível. E como o futebol, cruel, tem fraca memória, se o bode expiatório já tiver o ferrete: JF – a culpa foi de Jesus...

Artigo de Opinião de Fernando Guerra

O Benfica conquistou o seu 32.º título nacional sem deixar rasto de dúvidas nem pecados. Ganhou porque foi o clube que apresentou em competição o quadro de jogadores mais competente e mais valioso, o que praticou o futebol de mais alta qualidade, o que somou mais pontos e o que marcou mais golos. É avassaladora a superioridade benfiquista dentro do relvado, porque fora dele a estratégia foi diametralmente oposta. Não entrou em polémicas, não promoveu conversas turbulentas, nem discursos irreflectidos. Em nada contribuiu para o ambiente de má vizinhança no futebol.

Jorge Jesus pode ter muitos defeitos, mas adquiriu por direito, neste momento de celebração, o papel de protagonista. Luís Filipe Vieira entregou-lhe um plantel de luxo, vocacionado para o triunfo, mas desarrumado. A precisar de alguém que pudesse retirar de um motor de elevada potência o rendimento máximo, ou próximo, suficiente para sufocar os mais sérios adversários de uma Liga com condições para acelerar o passo, mas teimosamente agarrada aos conceitos gastos do passe curto, do truque, do jeito, da intriga de botequim ou da traição de vão de escada…

Jesus poderá não ser um mestre de cerimónias, nem desfrutar no interior de classe de treinadores de amplas simpatias, mas soube aproveitar o divino convite que Vieira lhe fez. Com trabalho sério, abraçou o principal objectivo, e repetidamente anunciado: o título nacional. Agora, por força das circunstâncias, ele próprio já aumentou o grau de exigência, embora continue a não ser muito explícito quanto às prioridades.

Não sei se Jesus já se deu conta disso, mas não é vergonha ser campeão pela primeira vez aos 55 anos. Jesualdo Ferreira foi-o aos 59 e… nas duas épocas seguintes. O treinador benfiquista, se a humildade nunca o abandonar, reúne, por isso, condições óptimas para o igualar, ou até suplantar, e, porque não, reacender a chama europeia que a maldição Guttmann apagou um dia. Desafio mais entusiasmante que este será difícil…

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Jorge Jesus o campeão, mas Domingos Paciência é a revelação, ou confirmação, como se quiser, por ter empreendido, com admirável sucesso, obstinado cerco ao primeiro lugar que durou na prática um campeonato inteiro. No entanto, o treinador do Sporting de Braga talvez não tenha entendido que há vitórias que extravasam em significado e importância a história de um vulgar jogo, de aí não valorizar devidamente o facto do emblema minhoto, mesmo segundo, ter conseguido a sua melhor classificação de sempre e de pela primeira vez ter entrado nas eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões. Em vez de se empenhar na proclamação destas conquistas, que o são, cai no vazio da insinuação pouco clara ou da referência deselegante ao Benfica, transformando intervenções institucionais em amontoado de frases inflamadas, à semelhança das grosserias que tanto gozo parecem divertir os Super Dragões. Falta-lhe moderação no que diz. Pensava que Domingos Paciência se libertara desses tiques tribais. Escrevi-o há uma semana, convencido, pelo mérito do seu trabalho, que abandonara tais preconceitos e reclamara a sua independência intelectual. Talvez me tenha precipitado. A vida de um treinador é ingrata, feita de subidas espectaculares e quedas brutais. Hoje, Domingos opta por uma linguagem de arrogância e cai no despropósito de reivindicar o mesmo estatuto de quem apontou (só!) mais 30 golos do que a sua equipa. Há meia dúzia de meses, porém, estava com um pé fora do Braga, após de ter falhado o apuramento para a Liga Europa. Amanhã, como será? Não sei, mas creio que excelente oportunidade se lhe depara para cativar Pinto da Costa. Basta garantir a participação na Champions e manter-se na frente da classificação da Liga. Como? Convença o seu presidente (ou um deles…) a investir no reforço da equipa. Talvez lhe entreabram então uma porta no Dragão. Não é isso o que mais deseja?...

P. S.: Para mim a Selecção Nacional continua a ser muito importante. Queiroz decidiu e eu aceito, mas vejo mal, por motivos que já aqui expressei, a chamada de Miguel. Ponto final.

terça-feira, maio 11, 2010

Javi Garcia - Te amo Benfica!

A Festa no Autocarro







A Festa no Balneário

Artigo de Opinião de Luís Mateus

Justo! Melhor futebol. Ataque esmagador, com 78 golos. Melhor defesa, a par do Sp. Braga, com 20. Melhor campeão em 15 anos, na percentagem de pontos ganhos. O Benfica confirmou ao longo da temporada tudo o que prenunciou de bom antes do apito inicial. Não se ficou pelo potencial.

A sua voracidade ajudou a provocar instabilidade num Sporting que apostou mais uma vez na receita de sempre: Academia e Paulo Bento para unir as pontas. Depois, aproveitou a sangria que houve no Dragão, já sem grandes figuras de um passado recente como Lisandro e Lucho González, para se chegar à frente e ganhar uma vantagem intocável. Só o Sp. Braga não estava bem nas contas, mas mesmo assim os minhotos sempre pareceram a um passo de distância.

David Luiz, Luisão, Javi García, Fábio Coentrão, Di María, Saviola e Cardozo, mais do que os outros, saem da época como grandes figuras. Sublinhe-se: muito do futuro na Luz passará de quantos destes conseguirá manter para o ano. O número é elevado, mas este Benfica é mesmo assim, o troféu tem muitas assinaturas. E faltam outras, como Quim, Maxi, Rúben Amorim, Carlos Martins, Ramires... Decisivos também.

O futuro do Benfica começa amanhã, depois da festa. Manter o novo ciclo significa segurar muitas das suas estrelas. E saber vender bem, porque terá de vender. Talvez Di María tenha dito adeus à liga portuguesa, só saberão os dirigentes. Mas uma sangria desmedida poderá significar festejos demasiado curtos.

Cardozo termina melhor marcador e merece-o, como mereceria Falcao. Foram sem dúvida figuras do campeonato e fundamentais nas suas equipas, mas o colombiano deixa no ar a questão de como seria se tivesse atrás dele um conjunto moralizado como o rival. Para o paraguaio tem um gosto especial: será que os benfiquistas ainda duvidam dele?

Seja qual for o nome que lhe queiram dar, este é o campeonato do Benfica.

Artigo de Opinião de Luís Avelãs - Quim é o Baía de Queiroz

Ainda está por acontecer o dia em que, aquando do anúncio de uma lista de eleitos para um Europeu ou Mundial de futebol, os portugueses não tratem, logo de seguida, de discutir os prós e os contras das opções do seleccionador. É normal que assim seja. E nem sequer é um hábito nacional. Pura e simplesmente é assim em todo o lado. E eu, naturalmente, também gosto de fazer essa análise, de escalar os "meus" jogadores e, depois, tentar perceber o que terá levado o treinador a ir por outras opções.

Portugal, ao invés do que sucede com nações com uma base de recrutamento incomparavelmente maior, tem sempre um núcleo de 17-18 futebolistas que, basicamente, estão convocados por antecipação. Para algumas das pedras fulcrais na equipa, só mesmo os problemas físicos os poderão deixar de fora das grandes competições. Contudo, sobram sempre uma meia dúzia de postos que, independentemente do nome do seleccionador, podem ser ocupados por vários atletas. E quando assim é temos de perceber que tão natural vai ser a chamada do A como do B. Tudo depende da abordagem específica do treinador que, claro, socorre-se das suas próprias ideias (não somente na comparação directa dos jogadores, mas também tendo em conta o modelo táctico que pretende utilizar) para optar desta ou daquela forma. Tudo normal...

Mas, se face ao que atrás abordei, entendo (sem concordar em vários pontos) que Queiroz resolva chamar Ricardo Costa e José Castro em detrimento, por exemplo, de Nunes (será que ninguém repara que este jogador "pegou de estaca" no campeonato espanhol, sendo uma das figuras de um Maiorca que, pé ante pé, já conseguiu intrometer-se na luta pelo acesso à Liga dos Campeões numa das ligas mais exigentes no planeta?) ou Carriço (jovem que se impôs facilmente no Sporting); que João Moutinho, Carlos Martins ou Ruben Amorim fiquem em casa ou ainda que Portugal deva ser a única equipa que vai à África do Sul com apenas dois verdadeiros pontas de lança, jamais poderei compreender o critério que presidiu à escolha dos três guarda-redes, até poque nessa posição a polivalência não conta.

Não considero Eduardo um guardião de excelência, mas nem discuto se merece estar entre os três eleitos. Tendo sido aposta séria de Queiroz na qualificação, só algo de muito estranho poderia fazer com que, agora, não fosse ele o titular. Mas, naturalmente, não é o "keeper" do Sporting de Braga que está em causa. As chamadas de Beto e Daniel Fernandes é que são misteriosas. E não estou a colocar em causa o valor dos atletas, tão-somente a sua escassa utilização ao longo da temporada; a tremenda falta de experiência ao mais alto nível e a pouca vivência de Selecção, tanto na equipa principal como nas mais jovens.

Poderia entender estas chamadas se, a exemplo do que se passa noutras posições, Portugal não tivesse soluções mais lógicas. Mas, no caso em concreto, Queiroz "esqueceu-se" só de Quim e Rui Patrício, titulares indiscutíveis de Benfica e Sporting. Estou a falar de dois guarda-redes que, sendo de gerações diferentes, têm cada um deles mais experiência que Beto e Daniel Fernandes juntos. Aliás, se formos avaliar esse critério ao pormenor, até Eduardo perde com os dois. Patrício é jovem mas, só nas competições europeias, já ganhou enorme traquejo.

O caso de Quim é simplesmente aberrante. Jogou todos os jogos do Benfica campeão nacional; foi um dos guardiões menos batidos na prova; tem uma enorme experiência acumulada ao longo dos anos (na Liga nacional, nas competições da UEFA e na Selecção) mas, por alguma razão, não é - no entender de Queiroz - um dos três melhores guarda-redes nacionais do momento. Três? Mais ainda, pois se olharmos para as convocatórias anteriores, facilmente percebemos que, para o técnico, o benfiquista ainda surge atrás de Hilário e Rui Patrício!

Quim - que curiosamente nunca considerei um guarda-redes notável - passou a ser o Baía de Queiroz. Só não faço ideia das razões que estarão por trás disso, sendo que me custa a acreditar que sejam técnicas. Scolari e Queiroz podem ter muitos defeitos, mas sabem o suficiente de futebol para não ter leituras tão distorcidas da realidade, para errar de forma tão evidente a valia de um atleta.

O guarda-redes do Benfica deixou de ir à Selecção depois da goleada (2-6), sofrida no particular com o Brasil, em Brasília, em Novembro de 2008. Será coincidência? Não me parece. Contudo, convém recordar que se ele não esteve bem (e não esteve mesmo), não foi o único. Porém, do 11 escalado para esse duelo, só Quim, Bosingwa e Maniche não vão à África do Sul, sendo de acrescentar que o lateral fica de fora por estar lesionado e médio (que voltou a ser chamado por Queiroz depois) se auto-excluiu após o jogo de qualificação na Hungria. De resto, nesse triste embate na América do Sul, em 20 atletas, estiveram 14 dos que agora foram convocados. E com Bosingwa seriam 15.

Scolari nunca teve coragem para explicar o porquê do veto a Baía; Queiroz não devia fazer o mesmo em relação a Quim. O pior é que tenho a certeza que é exactamente isso que vai suceder. E se suceder algo a Eduardo na África do Sul, Beto e Daniel Fernandes ficarão numa situação complicadíssima. Se falharem... talvez nunca mais voltem a ser chamados.

Benfica Campeão 2009-2010 by Johnny Cash