sábado, julho 31, 2010

"O FC Porto é bom, joga bem, mas o Benfica é o melhor"

Harry Redknapp conhece bem o adversário do Tottenham no jogo amigável da próxima terça-feira, rendendo-se à dimensão do Benfica. "Sei que é um clube muito grande e que tem uma tradição fantástica", disse o treinador inglês ao sítio oficial das águias na internet, reforçando: "Vejo os jogos e, no Estádio da Luz, a atmosfera é inacreditável. Em Portugal, há grandes equipas. O FC Porto é bom, joga bem, mas o Benfica é o melhor." Antevendo do duelo na Eusébio Cup, o timoneiro dos spurs deixa subentendido que os adeptos vão gostar do espectáculo: "O Benfica joga muito bem, por isso vai ser um jogo muito difícil e interessante."

O técnico britânico elogiou a equipa comandada por Jorge Jesus, mas não se esqueceu da principal figura da história do clube benfiquista: Eusébio. "Era um jogador fantástico! Terminou a carreira nos Estados Unidos da América, em San Jose… Um grande do desporto, um óptimo futebolista que jogou na altura do Pelé", recordou.

quinta-feira, julho 29, 2010

O peso de Cardozo - Luís Pedro Sousa

O Benfica não tem jogadores com características iguais às de Tacuara, o que gera uma relação de dependência

O regresso de Oscar Cardozo ao Benfica coincidiu com a última fase da pré-época, período em que os jogos são levados mais a sério.
Com os campeonatos à porta, as equipas melhoram logicamente os índices físicos e começam a revelar os necessários automatismos, fruto do trabalho desenvolvido pelos treinadores desde o dia da apresentação.
Sem as facilidades conhecidas ou consentidas em termos técnico-táticos nas semanas anteriores, começamos a ter a noção mais exata do que vale um jogador ou mesmo uma equipa.
Em relação ao bota-de-ouro de "Record" 2009/10 os sinais são claros.
O paraguaio promete uma temporada pelo menos ao nível da anterior, com muitos e decisivos golos.
Tal como, por exemplo, Mário Jardel, não tem a velocidade como imagem de marca e nem sempre apresenta um futebol de grandes primores técnicos.
Faz, no entanto, o mais difícil. Ou por estar no sítio certo, ou por adivinhar onde o companheiro lhe colocará a bola, ou por conseguir impor quase invariavelmente a sua estampa atlética, ei-lo a marcar em 2 jogos consecutivos e frente a adversários de valor.
A forma de atuar do Benfica é favorável a Cardozo e como os encarnados não dispõem no plantel de alguém com características iguais, cria-se uma relação de dependência que beneficia o avançado mas não o clube.
Alan Kardec que, para muitos, seria a alternativa, assume-se cada vez mais como um avançado mais móvel do que posicional.
Não é, neste ponto de vista, concorrente de Saviola e Jara, mas talvez o seja de Weldon e Nuno Gomes, jogadores que pouco têm a ver com Tacuara.
Em suma, para colocar as bolas na rede e dar sequência efetiva ao fluxo ofensivo que toda a equipa gera, resta a Jorge Jesus, conforme ele próprio relevou no último defeso, certificar-se da continuidade de Cardozo e organizar o conjunto em função disso.

"David Luiz joga como um inglês"

Pelo segundo ano consecutivo, Steve Bruce saiu derrotado na pré-temporada aos pés do Benfica. O treinador do Sunderland, que os encarnados bateram na terça-feira em Albufeira por 2-0, ainda se recorda do mesmo resultado entre as duas equipas há cerca de um ano, no Torneio de Amesterdão. De quem o técnico inglês não se recordava tão bem era de David Luiz, que desta vez o deixou fascinado. "Qual é a nacionalidade dele?", perguntou, na breve conversa com O JOGO, logo após a partida. "Ah, foi chamado agora à selecção brasileira. Não me surpreende nada. É muito bom. Joga com coragem, determinação e um espírito de luta incrível. É o tipo de jogador que agrada muito em Inglaterra", constatou.

O treinador dos black cats não está surpreendido que o 23 dos encarnados tenha motivado a cobiça de vários endinheirados da Europa, com Chelsea e Manchester City a liderar a lista de interessados. "Ele podia jogar em qualquer liga do mundo. E seria um jogador que se enquadraria muito bem em Inglaterra, devido à forma como lidera a equipa e vai a todos os lances como se fossem os mais importantes da sua carreira. Ele joga como um inglês", elogiou.

O antigo capitão do Manchester United, que também jogava como defesa-central, prosseguiu nos elogios a vários futebolistas dos encarnados, mostrando-se surpreendido por o Benfica ter apresentado apenas um reforço de início. "Continuo a achar o Cardozo um goleador temível, um avançado que marca golos de várias formas", sublinhou, deixando também uma palavra para Aimar e Saviola, que "chamam sempre a atenção pela qualidade técnica". Depois "há também o lateral-esquerdo, o miúdo que esteve no Mundial, que é muito bom"; Fábio Coentrão, claro.

Contas feitas, Steve Bruce não tem dúvidas: "O Benfica será a equipa a bater outra vez em Portugal." E na Liga dos Campeões? "Bom, aí será mais difícil. É um clube com um grande nome, um nome histórico, mas há adversários muito fortes e tudo depende de muitos pormenores. Para começar, vai depender do sorteio da fase de grupos. Se tiverem sorte…", previu.

quarta-feira, julho 28, 2010

Fixação por Roberto - Luís Avelãs

Jorge Jesus ficou “enjoado” quando, após o embate em que o Benfica derrotou o Sunderland (2-0), lhe perguntaram sobre a ausência de Roberto. Segundo me recordo, o treinador acusou o jornalista de estar sempre a colocar questões sobre o guardião espanhol.

Não faço ideia se o repórter em causa tem feito muitas perguntas similares. Contudo, tenho a certeza que, após o primeiro embate em que o ex-guarda redes do Saragoça ficou de fora, era imperativo questionar o técnico sobre o porquê da alteração. Em condições normais, concordo, tal não seria um tema pertinente, pois todas as equipas costumam rodar os respectivos plantéis na pré-temporada. No entanto, até este duelo com os britânicos, Jesus tinha explicado ao Mundo que, com ele, era Roberto e mais 10!

Já disse várias vezes que não me pareceu minimamente acertada a decisão do clube da Luz em não renovar contrato com Quim. Também já referi que tenho dificuldades em perceber o que leva um emblema a abdicar de um titular (totalista na Liga) para manter nas suas fileiras os segundo e terceiro guarda-redes da época anterior quando, ainda por cima, o treinador é o mesmo. Depois, constatar que a aposta para a vaga não passa por um nome inquestionável, mas sim por alguém que tem como cartão de visita 19 jogos no campeonato espanhol... é igualmente estranho. Como não é normal saber-se que o negócio custou 8,5 milhões de euros aos cofres benfiquistas. Mas, o mais impressionante é ver a forma completamente descontrolada como Jesus tem tentado atenuar os contínuos deslizes do espanhol.

Com toda a sinceridade, não me parece grave que Roberto tenha sofrido uns frangos. Não há guarda-redes a quem isso não aconteça e, se pudessem, todos escolhiam tropeçar quando ainda nada está em causa. E tendo em conta que mudou de clube, de país, de treinador e de companheiros isso até acaba por ser normal. De resto, ainda não fez nenhuma partida com o esperado quarteto defensivo (Maxi Pereira-Luisão-David Luiz-Fábio Coentrão) à sua frente.

O problema é que se Jesus fez bem em defender o atleta, conferindo-lhe confiança, esteve mal ao conseguir ver boas exibições quando toda a gente observou prestações medíocres. O técnico podia e devia ter desvalorizado os erros, mas ao não reconhece-los, tornou o guardião um alvo ainda mais apetecido. E também ficou mal na fotografia, pois alguém que costuma ser muito directo quando tem de dizer determinadas verdades (incómodas para terceiros em diversas ocasiões), devia saber que há explicações e explicações. E ele tem utilizado algumas sem pés nem cabeça para justificar... o injustificável.

Jesus é o treinador do Benfica e tem toda a legitimidade para dispensar e contratar quem quer, da mesma forma que só a ele compete escolher o onze. Mas, não se pode esquecer que uma equipa não é formada apenas por 11 jogadores. E quando alguém falha, o normal passa por dar oportunidades aos outros. Roberto não pode ter o estatuto de intocável. E muito menos se teimar em falhar quando joga. Júlio César e Moreira não são meros figurantes no plantel, e, coincidência ou não, com o Sunderland não sofreram golos, algo que Roberto ainda não fez uma única vez com excepção do embate com os suíços que ninguém sabe quem são nem em que divisão actuam.

Reafirmo que as partidas de pré-temporada pouco ou nada valem, mas é certo que servem de indicadores. E no caso concreto do Benfica, se se pode dizer que, ofensivamente, a máquina parece continuar oleada, na baliza as coisas têm estado complicadas. E por muito que isso custe a Jesus (e não só), o problema tem sido... Roberto. O tal guarda-redes que foi contratado para valer pontos ainda não garantiu nem perdeu nenhum, mas se já estivéssemos a falar de jogos a sério... tinha oferecido alguns ao Sion e ao Groningen.

Se Jesus não quer que a imprensa tenha fixação com as perguntas sobre Roberto, deveria começar por não estar fixado em transformá-lo em titular à força.

Quem está a somar pontos no Benfica - António Magalhães

O Benfica fez o primeiro de três jogos em seis dias no Algarve e venceu fácil o Sunderland, adversário generoso mas limitado.

Na 1.ª parte jogou o onze com menos titulares com mais de meia equipa à procura de um lugar ao sol: Júlio César, Sidnei, Javi Garcia, Felipe Menezes, Jara, César Peixoto e Weldon.

Na 2.ª, alinhou a equipa mais rodada, sendo que Moreira, Luis Filipe, Roderick, Fábio Faria e Nuno Gomes não estarão sequer entre as segundas opções de Jesus. Destes, Luis Filipe é o que somou mais pontos no ranking do plantel.

De todos os que não são "intocáveis", os que merecem algumas observações são:

Javi Garcia deu provas de que está pronto para "exigir" o lugar que foi seu na época passada. Airton é que não facilita. O facto do brasileiro ter saído tocado, pode dar agora margem a Javi para voltar a impôr-se.

Jara muito mexido e empenhado mas ainda sem encontrar os caminhos certos. Mas está também claramente a ganhar pontos.

Cardozo é supostamente o titular, mas como chegou mais tarde, foi Kardec quem se tornou primeira opção. A luta promete. O paraguaio (re) entrou da melhor maneira, a fazer golos. Mas Kardec está bem. Motivado e confiante. Ontem, perdeu a oportunidade de fazer golos porque procurou outras soluções. Os golos vão fazer toda a diferença.

Felipe Menezes falhou a oportunidade. É bom jogador, mas o futebol também é um estado de ânimo e Menezes não parece estar confiante nas suas capacidades e possibilidades na equipa.

Weldon será sempre uma "arma secreta".

César Peixoto eleva a êxigência e melhora a qualidade da luta por quem quer ser conquistar um lugar na equipa.

Com as chegadas de Luisão e Ramires, Jesus ficou com o plantel completo. Se eles ficarem, só falta ganhar a dinâmica certa para que o Benfica continue a somar vitórias.

O único problema é Roberto, o homem que veio para dar pontos. Se o guarda-redes não começar rapidamente a justificar a aposta, pode tornar-se um verdadeiro pesadelo para Jesus e para o Benfica.

Telefonema de adepto benfiquista a pedir explicações a SporTV

Steve Bruce sobre o SLBenfica

Steve Bruce was pleased with his team's work rate despite the scoreline against Benfica in Albufeira.

The Portuguese side ran out 2-0 winners but they were matched for effort by a Sunderland team who suffered their first defeat of the pre-season.

The Black Cats will now return to England ahead of Saturday's game against Leicester and Bruce was delighted with the way they battled against a team he considers to be amongst the best on the Continent.

"It was a fabulous run-out and work-out against a really, really top team," he said.

"It's always good to play against these top teams in Europe and you can see why they're Portuguese champions and cup champions. They had a wonderful season last year and they've got some very talented players.

"It was a great workout. I was very, very pleased.

"When you play against the top teams like we've played against, the one thing you have to do is work hard. They did that exceptionally well.

"We were lacking a little bit of cut and thrust up front with Benty not there and Kenwyne having to come off. All in all, a good work-out which will stand us in good stead."

terça-feira, julho 27, 2010

Comentadores da Sportv apanhados em voz-off - Vergonhoso!!!

Rodrigo por Mourinho

Rodrigo no Benfica? «Não sei. Sei que é um bom jogador do Real Madrid, está a jogar no Campeonato da Europa de sub-19. Se fica, óptimo, se sai para um clube como o Benfica e para o campeonato português, óptimo também para a sua carreira»

David Luiz por Mourinho

David Luiz: «É um central que se vai tornar importante a médio prazo no futebol europeu». «Houve pequenas conversações», mas «há preços que são proibitivos e desejos que são de respeitar»

segunda-feira, julho 26, 2010

Rei David Luiz - Rui Dias

A grande montra do Mundial confirmou o domínio de centrais inteligentes, atléticos, autoritários, eficazes, que sabem ocupar o espaço e atacar a bola, pelo chão e pelo ar. São jogadores de catálogo, que cumprem as regras do senso comum mas que, ao contrário dos seus pares de há 10, 20 ou 30 anos, limitam o objetivo de não cometer erros à destruição a qualquer preço. David Luiz ainda não tem tempo de carreira para igualar as doses elevadas de fiabilidade das maiores referências da função, mas assenta em atributo que poucos entre os melhores da atualidade possuem: a classe de se antecipar aos factos, adivinhar as intenções dos adversários e anulá-los com extraordinária limpeza; de sair a jogar com a cabeça levantada e a bola colada aos pés, como se esta obedecesse a todas as suas ordens; de dar brilhantismo e elegância a cada intervenção, criando a imagem de um ser superior, inultrapassável e invencível.

Pretendido por algumas das maiores potências futebolísticas do momento, David Luiz optou por manter lealdade ao Benfica. Ao contrário de outros nas suas circunstâncias, recusou ser o profissional que fala apenas a linguagem do futebol e mostrou vínculos mais sólidos aos alicerces do clube que representa. Tendo em conta o crescimento como jogador, fará bem se resistir à tentação. Como disse um dia Manuel Alegre, pensando em coisas muito mais importantes, “por vezes a grande aventura é ficar”.

Um caso desfasado no tempo e na forma de amor à camisola? David Luiz, que já é um dos capitães da equipa, escolheu em função do prazer de jogar onde é feliz, de acordo com as promessas de dirigentes que nunca o enganaram; de um treinador que assumiu o desígnio de o conduzir às portas do paraíso; de adeptos que o amam e de companheiros com quem criou cumplicidades para o resto da vida. Dentro de um ano, quando tiver concentrado todas as armas necessárias ao início de um reinado no futebol, já será titular da seleção do Brasil e sério candidato a melhor central do Planeta. Só precisa que a sorte não lhe vire as costas.

Finalmente, Fez-se Justiça

David Luiz acabou de ver o seu nome incluído na primeira lista de convocados elaborada por Mano Menezes. O defesa do Benfica é chamado pela primeira vez à selecção do Brasil!

Mano Menzes, ex-técnico do Corinthians foi esta segunda-feira oficialmente apresentado como novo treinador da selecção brasileira. O novo comandante do «escrete» divulgou a lista de convocados para o primeiro jogo à frente da canarinha, num amigável contra os Estados Unidos a realizar no dia 10 de Agosto. Ramires também foi convocado.

A missão de Mano Menezes não é fácil. O objectivo é renovar a selecção brasileira que fez um Mundial na África do Sul aquém das expectativas. O novo seleccionador vai construir uma equipa tendo em conta o campeonato do mundo de 2014, que vai ter lugar no Brasil. Para este primeiro teste, decidiu chamar 13 atletas que jogam no Brasileirão e 11 actualmente na Europa.

Os jogadores que se estreiam são os seguintes: Victor, Jefferson, Renan, Rafael, David Luiz, Réver, Ederson, Paulo Henrique Ganso, Henrique, Jucilei, Neymar e André.

LISTA DE CONVOCADOS:

Guarda-redes: Victor (Grémio), Jefferson (Botafogo) e Renan (Avaí);

Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Rafael (Manchester United), André Santos (Fenerbahçe) e Marcelo (Real Madrid);

Centrais: David Luiz (Benfica), Henrique (Racing Santander), Réver (Atlético Mineiro) e Thiago Silva (Milan);

Médios: Ramires (Benfica), Sandro (Internacional), Lucas (Liverpool), Carlos Eduardo (Hoffenheim), Éderson (Lyon), Ganso (Santos), Jucilei (Corinthians) e Hernanes (São Paulo);

Avançados: Pato (Milan), Robinho (Santos), André (Santos), Neymar (Santos) e Diego Tardelli (Atlético Mineiro).

Futebol Nacional - Antigo internacional antevê as hipóteses de Benfica, FC Porto, Sporting e Braga para a nova época - RTP Desporto

Futebol Nacional - Antigo internacional antevê as hipóteses de Benfica, FC Porto, Sporting e Braga para a nova época - RTP Desporto

domingo, julho 25, 2010

Vantagem na Luz - Luís Óscar

O Benfica apresentou-se ontem aos adeptos e o FC Porto mostrará hoje a equipa no Dragão, uma semana depois do Sporting que, no entanto, não retira qualquer vantagem deste avanço. Pelo contrário, os leões partem em desvantagem na corrida ao título 2010/11, como bem se viu na madrugada de ontem, apesar do triunfo nos EUA.

Paulo Sérgio, o novo treinador do Sporting, ainda se debate com problemas de afirmação. O relacionamento com o enorme ego de Liedson precisa de encontrar um patamar aceitável. O Levezinho é agora um dos (quantos?) novos capitães mas isso não lhe dará privilégios na hora de jogar, obviamente, se bem que não esteja em causa a titularidade do homem que marcou na primeira vez que tocou na bola frente à Coreia do Norte, na África do Sul mas ontem nem sequer chegou a entrar. Yannick, por seu turno, continua a aproveitar a montra da pré-época para pôr um pé fora de Alvalade e aumentar os problemas do treinador, que já trabalhou para suprir a falta de Miguel Veloso – o tal que preferia (não) jogar no Sporting a mudar-se para Génova... – e vai desenrascando a baliza com o improvável Tiago. Enfim, muito por fazer, embora os resultados não estejam a desagradar.

Sem se colocar a questão da autoridade, embora André Villas-Boas ainda seja mais novo do que Paulo Sérgio, o FC Porto estreia um técnico que, no entanto, precisa de ganhar algo para poder ser encarado como uma ameaça real ao reinado que a águia iniciou na última época. A Supertaça é o troféu ideal para o dragão lançar o desafio.

Tal como sucede com Jorge Jesus no Benfica, Villas-Boas está bastante dependente dos nomes que lhe falta... perder. Bruno Alves e Raul Meireles são pilares que não podem entrar nas certezas do treinador, da mesma maneira que David Luiz e Ramires são joias que Jesus não tem garantias de poder continuar a ostentar. Mas com uma grande diferença: há muito que o timoneiro dos encarnados se prepara para estas eventuais perdas. É esta a principal vantagem do Benfica, inerente ao facto de (man)ter o experiente treinador do título.

Um Benfica a recuperar identidade - Luís Mateus

A comparação será certamente feita pelos adeptos. Os do Sporting vêem a sua equipa muito mais consistente depois da vitória frente ao City, sobretudo no controlo que sempre tiveram da partida, os do Benfica sustêm a esperança num ataque que continua entusiasmante, apesar dos (muitos) golos sofridos em toda a pré-época. Todos têm razão, embora não o vejam. A diferença está no ponto de partida. O Benfica, com quase os mesmos ingredientes, já deu certo; o Sporting vem de um passado recente angustiante. E as comparações, por agora, devem ficar por aí. Porque não é possível fazê-las em profundidade.

Depois do jogo de apresentação dos encarnados, continuo a achar o mesmo de há algum tempo. Na hora de atacar, a essência das grandes exibições da última temporada está lá. O perfume de Saviola e Aimar, e a irreverência de Carlos Martins continuam a manter o sector em alta rotação. E agora chegam Coentrão e Cardozo, que fizeram questão de redesenhar aquele movimento que tantos golos deu na última temporada. Por aí, Jesus tem razões suficiente para ficar descansado. Gaitán, o substituto de Di María, já mostrou talento e o cinzento desta última exibição foi anulado pela subida de Coentrão para o ataque, para já o plano B para injectar energia à ala esquerda. O único senão é que a época é longa, e faria todo o sentido ter outra opção para o corredor. Lesões, castigos, estou certo que os responsáveis do Benfica conhecem a lengalenga.

No plano oposto, as coisas não têm corrido bem. Dois golos sofridos com o Sion, um com o Aris, três com o Groningen, três com o V. Guimarães e dois com o Mónaco. Onze! Alguns tiveram «carimbo» de Roberto e podem ser considerados acidentes, outros resultaram de movimentos de contra-ataque, acções em que o Benfica raramente foi surpreendido na última temporada. Atenuantes foram as ausências na defesa: Luisão, Maxi Pereira e Fábio Coentrão, três titulares do onze campeão. Outro tema poderá ser o início de época hesitante de Javi García (hoje já melhor), que Jesus percebeu rapidamente, com a recente aposta em Airton.

Um parêntesis aqui. Javi García e Airton são dois bons jogadores, mas funcionam de maneira diferente para a equipa. Compreendo que o brasileiro seja mais enérgico, mas a inteligência do espanhol é bem mais útil na hora de reequilibrar a defesa. Esta aparente fragilidade momentânea do ex-jogador do Real Madrid poderá explicar também parte dos problemas que os homens mais recuados têm sentido. E também falta Ramires, e tudo leva a crer que faltará no resto da temporada face às notícias do assédio dos grandes da Europa. O brasileiro é todo ele feito de equilíbrios e fundamental nos dois processos da equipa: o atacante e o defensivo. Todos estes factores, mais o desgaste do início de temporada, podem explicar como a melhor defesa do último campeonato sofre agora tantos golos. Jesus tem 15 dias até à Supertaça para corrigir alguns movimentos (que também não estão a funcionar tão bem como no passado) e contou hoje, para já, com uma excelente notícia: Sidnei fez o melhor jogo da pré-época.

Outra boa notícia, se for lida dessa forma, é que a equipa tem conseguido reagir ao mau karma de Roberto (sem culpa nos golos sofridos perante os franceses), nunca se perdendo em campo. É sinal que todos sabem o que têm a fazer.

O argumento de não valorizar em excesso o que se passa na pré-época vale também para as coisas negativas. O Benfica está muito longe de ser uma equipa perfeita, mas parece claro que os problemas estão identificados e há a confiança cega de que, mais cedo ou mais tarde, tudo funcionará em bloco. É verdade que parte mais acima do que os outros, mas muito mais importante é em que degrau se chega. E isso está longe de estar decidido. Muito longe.

sábado, julho 24, 2010

Fabuloso El Mago

SLBenfica 3 Mónaco 2 Assustar e Deslumbrar

Jorge Jesus teve a prenda da vitória no dia do seu 56º aniversário, mas os adeptos não saíram totalmente contentes neste sábado do Estádio da Luz. Os campeões nacionais apresentaram-se em festa, perante 40.777 espectadores, mas o desempenho da equipa revelou que há mais trabalho a fazer para acertar de vez o jogo.

Num esquema de 4x4x2, o Benfica mostrou algumas dificuldades em organizar-se. Pablo Aimar e Carlos Martins trabalharam bem na recuperação de bolas a meio-campo, com o internacional português a tentar por várias vezes a sua sorte com remates de fora da área. Porém, a distribuição de jogo não correu da melhor forma e contaram-se passes a mais falhados pelos encarnados no miolo do terreno. O reforço Gaitán também não brilhou.

Na frente, Saviola foi superior a Kardec. O argentino fez levantar o estádio e esteve perto de marcar por duas vezes: primeiro, com um remate da zona frontal, após passe de Aimar, depois, dentro da área com um chapéu que Ruffier acabou por sacudir a tempo.

Não marcou Saviola, acertou Airton. À meia hora de jogo, o médio respondeu a um canto de Aimar com um cabeceamento certeiro ao segundo poste. Mas o desacerto encarnado não mostrou grandes melhoras e, aos 42 minutos, após um mau atraso de Carlos Martins, o avançado Sagbo aproveitou para passar pelo central Sidnei e fazer o empate com facilidade. Já nos descontos, uma falta de César Peixoto sobre Niculae na grande-área resultou num penalty para os franceses, que saíram a ganhar para o intervalo.

A segunda parte começou a todo o gás para o Benfica, que acalmou um pouco os adeptos descontentes, e logo com dois golos. Numa jogada individual, Aimar rasgou pelo meio-campo e assinou o segundo da noite com um belo remate de meia distância. O terceiro golo encarnado teve a assinatura de dois «mundialistas»: assistência de Fábio Coentrão na esquerda da área para remate de Cardozo.

Jorge Jesus aproveitou para rodar a equipa, mas os adeptos despediram-se da Luz sem ver o reforço Jara. Matorras e o guarda-redes Oblek também ficaram no banco.

Ficha de Jogo:

Estádio: da Luz, em Lisboa
Árbitro: Bruno Paixão

BENFICA: Roberto; Ruben Amorim, Sidnei, David Luiz, César Peixoto; Carlos Martins, Airton, Aimar, Gaitán; Kardec, Saviola.

Jogaram ainda: Moreira, Júlio César, Javi Garcia, Cardozo, Felipe Menezes, Fábio Coentrão, Weldon, Nuno Gomes, Luís Filipe, Fábio Faria.

MÓNACO: Ruffier; Adriano, Mongongu, Hansson, Bulot; Coutadeur, Mangani; Aubameyang, Niculae, Malcuit; Sagbo.

Jogaram ainda: Lolo, Nkoulou, Alonso, Chu Young Park, Gosso, Dennis Appiah, Gakpe.

Ao intervalo: 1-2.
Golos: 1-0, Saviola (30m); 1-1, Sagbo (42m); 1-2, Mongongu (g.p., 45m); 2-2, Aimar (49m); 2-3, Cardozo (60m).
Disciplina: cartão amarelo a Coutadeur (45m), Adriano (45m); César Peixoto (45m).

Penalty à Ezequiel Calvente

Cerco a Queiroz - Luís Avelãs

Por razões várias – e sem esquecer alguns erros que podia e devia ter evitado antes e durante o Mundial – já defendi a continuidade de Carlos Queiroz à frente da Seleção Nacional na fase de qualificação para o Campeonato da Europa de 2012. No entanto, perante a chuva de casos envolvendo o técnico, tenho de admitir que começa a ser bastante difícil a Gilberto Madaíl ignorar a pressão (interna e externa) no sentido de dispensar, quanto antes, os seus serviços.

Queiroz, como qualquer cidadão, tem direito aos seus momentos menos bons. Aliás, por mais que tenhamos sempre a intenção de ser cordatos no relacionamento com os outros, por vezes isso torna-se impossível. Mas, convenhamos, não é normal que num curto período uma figura pública seja notícia por estar envolvida em tantas situações dúbias que, claro, só contribuem para o fragilizar. E isto quando os resultados desportivos também não o ajudam. Bem pelo contrário...

A cena de pugilato com o jornalista Jorge Baptista no aeroporto da Portela; a polémica entrevista ao “Sol” e os inúmeros casos com futebolistas na África do Sul (de Nani a Deco, passando pelo capitão Cristiano Ronaldo) provam, de forma clara, que o Carlos tranquilo, discreto e metódico do passado deu lugar a um Queiroz beligerante, polémico e nervoso no presente.

Não faço ideia do que estará na origem desta metamorfose que, mais tarde ou mais cedo, terá de ter consequências. Contudo, desconfio que é a pressão provocada pela responsabilidade de apresentar resultados de excelência que o tem atrapalhado. Continuando a considerar que estamos na presença de um treinador capaz, mestre no planeamento e organização, a verdade é que os seus desempenhos enquanto líder em conjuntos seniores nunca foram brilhantes. Provavelmente, acreditou que a sorte iria mudar ao regressar à Federação Portuguesa de Futebol. Só que, até à data, a missão não tem passado de “Satisfaz”. A um professor, claro, exige-se mais, muito mais. E esse é que é o problema.

Gilberto Madaíl, dentro da sua tradicional linha de ação, não ousou fazer estalar o chicote depois do Mundial. Optou, de forma pouco percetível, por mandar elaborar um comunicado em que ficámos a saber que existiram falhas na equipa técnica, mas que as mesmas não passaram pelo responsável do “staff”, situação que, por si só, é estranha. Mas se o assunto parecia (por agora) resolvido, o anúncio do envolvimento de Queiroz numa querela com os médicos da Autoridade Antidopagem de Portugal voltou a trazer para a praça pública o tema do seu eventual despedimento.

Em condições normais, acredito que Madaíl seria capaz de abordar o assunto e, no final, deixar tudo na mesma, pese alguma contestação interna.
Contudo, desta feita, as palavras do secretário de Estado Laurentino Dias indiciam que algo de diferente pode acontecer. O político – que já tinha mostrado uns “amarelos” durante o Mundial – não foi nada meigo na forma como confirmou e comentou o último caso envolvendo o selecionador.
Ao qualificar como “grave” a questão, acrescentando que os factos obrigam a que a Federação “pondere”, fez com que o cerco a Queiroz aumentasse de forma evidente. Perante este novo cenário, Madaíl terá, rapidamente, de conseguir arquitetar uma defesa consistente para segurar o treinador. Mas será capaz?

Ligas invisíveis e jogadores também - Leonor Pinhão

A contratação de Eduardo pelo Génova e o interesse em Fucile por parte de um conjunto de emblemas importantes da Europa fazem prova de que as incidências do campeonato português não têm grande expressão nem marcam pontos no mercado internacional ao mais alto nível.
Eduardo fez uma época excelente na defesa das redes do Sporting de Braga e foi, sem dúvida, um dos maiores responsáveis pela inusitada classificação final da equipa de Domingos Paciência, vice-campeão nacional. Mas teve de esperar por outros palcos mais espampanantes, como os da África do Sul, com o mundo todo a ver, para se afirmar como um guarda-redes com valor no mercado e para poder dar o merecido salto para uma Liga com outro tipo de prestígio, andamento e exposição.

Fucile sendo um caso parecido é, no entanto, um caso inverso. Foi o belíssimo Mundial que fez ao serviço da selecção do seu país, o Uruguai, que chamou para si a atenção dos empresários e «despertou a cobiça pelo lateral-esquerdo do FC Porto de vários clubes europeus, como o Schalke 04», tal como referia ontem A BOLA. Que sorte teve Fucile em jogar numa liga invisível, como é a portuguesa!

Na última temporada, o uruguaio não foi particularmente feliz ao serviço do FC Porto e as suas prestações no jogo com o Arsenal, em Londres, para a Liga dos Campeões, e com o Benfica, no Algarve, na final da Taça da Liga, foram de tal modo desastradas que o próprio Jesualdo Ferreira se viu na obrigação de dar a Fucile um descanso forçado pelo bom senso para poupar ao julgamento impiedoso das bancadas do Dragão.
E assim se explica, também, a dificuldade que os clubes portugueses têm vindo a encontrar para colocar os seus mais valiosos activos nas grandes Ligas europeias e em fazer bater as respectivas cláusulas de rescisão. No caso de Di María, por exemplo, valeu ao Benfica o treinador do Real Madrid ser português e, nessa condição, ter sido um espectador relativamente atento da Liga interna de 2009/2010 onde o jovem orelhitas encantou desmedidamente a espaços.

Ainda que o brilho de Di María tenha sido intenso no percurso do Benfica até ao título, também não deixa de ser verdade que a sua produção não foi um exemplo de regularidade. E, também no seu caso, foi necessária a prova dos nove do Mundial da África do Sul, onde Di María foi cem por cento regular em termos de mediania, para o Real Madrid lutar pelo preço certo e não embarcar nos valores inicialmente pretendidos pelo Benfica.

Em termos de mercado, o Mundial funcionou como um palco regulador dos preços. Perante plateias de biliões de espectadores - … ou biliões de olheiros por conta própria – seria praticamente impossível vender gato por lebre ou comprar lebre por gato.
Faça-se justiça ao FC Porto que, com mérito e visão estratégica, assinou, em proveito próprio, o melhor negócio europeu deste defeso. E nem sequer precisou do Mundial para o fazer.

Incluído no negócio Moutinho, que tinha uma cláusula de rescisão de 40 milhões de euros, o FC Porto conseguiu levar o ex-capitão do Sporting por 11 milhões, pagando os restantes 29 milhões devidos com a venda de Nuno André Coelho à equipa de Costinha e de Bettencourt.
E não digam que não é obra vender Nuno André Coelho, um jogador invisível de um campeonato invisível, por 29 milhões de euros!

Segundo o seu treinador, o Benfica ainda está «a quilómetros» do verdadeiro Benfica projectado por Jorge Jesus. Esse facto, aliás bastante visível do meio campo para trás, não impediu os campeões nacionais de conquistarem o primeiro troféu em que se viram envolvidos nesta pré-temporada.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Benfica ganhou o Torneio de Guimarães e, como toda a gente sabe, nesta fase de preparação, ganhar é sempre muito melhor do que perder, pelo ânimo que fornece internamente e pelo desânimo que pode provocar nos rivais directos. Ainda no ano passado, Paulo Bento explicou muito claramente, quando saiu do Sporting, que uma das maiores contrariedades com que se deparou na pré-temporada foi ter de gerir em Alvalade, perante os seus jogadores e perante os adeptos do clube, os efeitos psicologicamente devastadores da empolgante pré-temporada do Benfica.
Mas o que lá vai, lá vai, e este ano, para já, a música é outra. Os rivais do Benfica estão animados com as exibições de Roberto, guarda-redes do Benfica, do que estão desanimados com a conquista do primeiro troféu pelos encarnados e com as provas superiormente dadas em campo por Kardec, Gaitán, Airton e Jara.

No jogo de apresentação aos sócios, em Alvalade, contra o Lyon, tendo por referência o estado psicológico do espanhol Roberto nas redes do Benfica e para, por contraste, dar moral aos seus guarda-redes e satisfação aos adeptos, Paulo Sérgio confiou a baliza do Sporting aos três guarda-redes do plantel, dando a cada um a oportunidade de jogar 30 minutos.

Foi feliz Paulo Sérgio nesta sua decisão, porque o Sporting não sofreu golos e, assim, Rui Patrício, Tiago e o jovem brasileiro Victor Golas saíram com entraram, isto é, sem mancha!

Fosse Paulo Sérgio um treinador mais ousado e teria, certamente, colocado também em campo no jogo com o Lyon os três guarda-redes da equipa de juniores e outros quatro guarda-redes das equipas de juvenis. Num total de dez guarda-redes a dividir por 90 minutos, caberia a cada um jogar 9 minutos e as hipóteses de moralizar um vasto conjunto de guardiões seria, sem dúvida, muito maior.

Os dois argentinos que o Benfica foi buscar lá longe têm vindo a dar boas provas nesta fase da preparação. O que é, sem dúvida, uma boa notícia. Gaitán é um virtuoso com a bola e quando se adaptar à rispidez e à alta voltagem europeia poderá ser um elemento importante na equipa. Jara marca golos e enquanto o futebol se decidir com golos, a valia de um concretizador nunca será desvalorizada.

Em Guimarães, Jara foi o autor do quarto golo do Benfica, por sinal bem bonito e de difícil execução. Mas o que mais impressionou no quarto golo do Benfica de Jorge Jesus ao Vitória de Guimarães de Manuel Machado não foi, propriamente, a beleza artística do lance.

Foi o facto de, desta vez, Jorge Jesus, que nutre por Machado um desamor correspondido, ter-se coibido de mostrar os quatro dedos ao treinador que estava sentado, ou de pé, no banco do adversário. Fez bem Jorge Jesus em ter-se aguentado.
E que se guarde para a próxima.