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segunda-feira, maio 10, 2010

Artigo de Opinião de António Varela - Javi García colou o campeão

Jorge Jesus conseguiu que todo o Benfica se reunisse em torno de um objetivo único: ganhar. Jogos. O respeito dos adversários. E a qualidade que pode fazer do Benfica uma equipa para vencer mais vezes.

A dupla de centrais Luisão-David Luiz não tem a classe de Mozer-Ricardo, mas é de uma fiabilidade acima de qualquer suspeita. Duvida-se que perca para Lucio-Juan, o duo que é titular da seleção brasileira.

Ramires foi uma contratação oportuníssima - ele correu muitas maratonas, sempre a aliar o esforço à qualidade das decisões quando na posse da bola. E marcou um golo precioso em Guimarães.

Di María foi o grande craque, a esperança finalmente concretizada.

Aimar foi Aimar, quando teve pulmão.

Carlos Martins e Ruben Amorim passaram das marcas, sendo suplentes tiveram estatuto de titulares.

Cardozo goleou com fiabilidade... fora da marca de penálti.

Saviola tornou-se o ídolo da juventude. El Conejo "tem golo" e a aura que encanta os adeptos.

Mas o grande jogador deste Benfica campeão foi Javi García, o médio que colou a equipa. Que foi atrás e à frente, à esquerda e à direita. Que fez desarmes, passes e faltas cirúrgicas. E marcou também golos decisivos. Javi foi grande.

Artigo de Opinião de Luís Óscar - Águia papa tudo

Fechou a época 2009/2010 com o Benfica naturalmente campeão. No jogo da consagração, o Rio Ave deu a réplica possível - com menos um em campo chegou a igualar - mas não resistiu à onda encarnada, onde Cardozo surfou para o ouro, respondendo com a mesma medida aos dois golos apontados na véspera pelo dragão Radamel Falcão: com 26 golos, o paraguaio é o bota-de-ouro. Há 19 anos que o melhor marcador da Liga não era do Benfica.

Como sempre, é inútil discutir a justiça da vitória dos campeões mas esta do Benfica é mesmo inquestionável. Com mais 5 pontos do que o Sp. Braga (2.º), que empatou no Funchal com o Nacional (1-1), a equipa de Jorge Jesus não deixou dúvidas quanto à superioridade até porque, além da mão cheia de pontos à maior, teve (muito) mais golos marcados (78 contra 48) e o mesmo número de sofridos (20) do que o adversário mais direto mas com uma diferença (entre marcados e sofridos) incomparavelmente melhor: 58 contra 28.

Ou seja, não há como esconder: o Benfica de Jesus foi o melhor em quase tudo no campeonato que termina. Foi a equipa mais jornadas consecutivas a marcar (19, da 12.ª à 30.ª); foi a equipa mais eficaz (com cerca de 15% na relação remates/golos), foi a equipa com mais cantos conquistados (duas centenas e meia), mais pontos em casa (43, em igualdade como o Sp. Braga), mais pontos fora (33) e por aí adiante.

Podíamos continuar a desfiar números que, também a nível individual, colocam o Benfica no primeiro lugar do pódio. Parece desnecessário, parante as evidências. A melhor maneira de rematar este momento glorioso para os encarnados é registar um sincero "Parabéns Benfica!"

Artigo de Opinião de Alexandre Pais - Vieira & Costa, o Benfica que sobreviveu às intrigas

É um lugar comum felicitar os vencedores. E o Benfica foi campeão graças ao esforço e qualidade dos seus jogadores, ao conhecimento e sagacidade de Jorge Jesus, à competência do seu departamento de futebol e ao entusiástico apoio dos seus adeptos.

Mas uma palavra é devida às cabecinhas pensadoras. Desde logo ao presidente Vieira, que soube aproveitar a enorme capacidade da marca Benfica para gerar receitas e investiu milhões na equipa de futebol, com a certeza de que teriam retorno... desde que o Benfica fosse campeão.

O Mundo está cheio de ambiciosos, que sonharam, arriscaram e... faliram. Luís Filipe Vieira teve o dom de não engrossar essa legião de falhados, muito por ter feito as apostas certas e, entre estas, a melhor foi seguramente a de Rui Costa. Ambos tiveram depois a inteligência de escolher o treinador que podia fazer a diferença e de construírem o plantel que melhor seria capaz de concretizar o "grande objetivo".

Mas a firma Vieira & Costa cometeu ainda uma proeza suplementar: soube resisistir às intrigas com que os invejosos sempre tentam minar as virtudes do entendimento. E quando as coisas não correram bem, como aconteceu na época passada, foram capazes de ultrapassar as dificuldades sem caírem na tentação fácil de atirarem as culpas um ao outro.

Foi essa persistência na aplicação da fórmula certa, a paciência e a fé inabalável na vitória que levou o Benfica a este triunfo. Sem operários, não há edifícios. Mas sem os arquitetos, os andares que se forem erguendo acabam por cair uns sobre os outros.

Luís Filipe Vieira andou anos a enfiar barretes, a cometer erros e a perder. Quando aprendeu, ganhou. As lições da vida só não aproveitam aos burros.

sábado, maio 08, 2010

Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira - Insultos de consolação

A fazer fé nos jornais desportivos, no fim do jogo de domingo passado o presidente do Porto, provavelmente por naquele momento não dispor de isqueiros, viu-se forçado a lançar sobre os elementos da direcção do Benfica presentes no camarote presidencial uma saraivada de insultos.
Como sempre acontece quando alguém ligado ao Porto se comporta como um energúmeno, o culpado deste incidente foi, uma vez mais, o Benfica.
Os dirigentes benfiquistas sabem perfeitamente que, se querem ser bem recebidos por Pinto da Costa, devem apresentar-se no Dragão com um apito na boca. Augusto Duarte — agraciado, segundo os relatos mais modestos, com um delicioso cafezinho — nunca se queixou das qualidades de Pinto da Costa como anfitrião.
O problema só pode ser dos convidados.
Sem querer branquear actos repugnantes — até porque esse pelouro é dos subcomandantes da PSP do Porto — devo dizer que a ira de Pinto da Costa é compreensível. A posição que o Benfica ocupa no campeonato tem dedo do presidente do Porto. É evidente para todos que Jorge Jesus seguiu as indicações que Pinto da Costa deu a Augusto Duarte naquela notável escuta e, desde a primeira jornada, não tem feito outra coisa senão seguir «sempre em frente! Sempre em frente! Sempre em frente!» É muito desagradável quando os outros se aproveitam das nossas ideias.

SEGUNDO a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, os amarelos a Di María e Maxi Pereira foram injustos, Fucile devia ter sido expulso ainda na primeira parte, e é discutível que não tenha havido penalties por mão de Hulk e derrube de Álvaro a Maxi. Além disso, de acordo com o mesmo especialista, o Benfica teria sido campeão já no domingo passado se tivesse sido assinalado o fora-de-jogo existente no golo do Braga.
É refrescante poder ler as observações de um perito, sobretudo depois de passarmos uma semana a ouvir opiniões de completos leigos em arbitragem, como um Miguel Sousa Tavares, um Rui Moreira, ou um Olegário Benquerença.

APÓS o Benfica-Porto, segundo foi dado como provado, os jogadores do Porto não foram insultados nem agredidos. Houve, no entender da Comissão Disciplinar da Liga, uma provocação: o já célebre e por demais infame enxovalho «vão lá para dentro e voltem lá para cima».
Os jogadores do Porto reagiram com o natural e amplamente justificado espancamento dos stewards. Já no Porto-Benfica, Jorge Jesus levou com um isqueiro e não reagiu. Luisão levou com outro isqueiro e não o devolveu. Os dirigentes do Benfica foram insultados e não reagiram. Foi, claro, uma vergonha para todos os benfiquistas. Isto é gente que não sabe estar no futebol.

LINDA e comovente, a homenagem que o tribunal obrigou o Sporting a prestar a Iordanov. Eu bem vi as lágrimas a marejarem os olhos do búlgaro quando José Eduardo Bettencourt, obedecendo à ordem judicial, lhe ofereceu uma lembrança.
São sempre emocionantes, estas manifestações de gratidão que os clubes têm para com os seus heróis com o objectivo de evitar punições legais.
Um juiz decretou que houvesse decência em Alvalade, e eles não tiveram outro remédio senão acatar a decisão.
A lei é dura, mas é a lei.

quarta-feira, maio 05, 2010

Di Maria - O Adeus (artigo de opinião de Nuno Martins)

Já não há dúvidas: Angel Di María não será jogador do Benfica na próxima época.
O encaixe que o Benfica vai fazer com a transferência do jovem internacional argentino é proporcional ao talento que aquele expressou em três épocas na Luz, muito embora a despedida não seja a que mais deseja - o cartão amarelo com que foi admoestado no Dragão afasta-o do encontro com o Rio Ave.

Escrevi anteriormente, que a saída de Di María no final da temporada passada seria um desperdício, uma que vez que há muito que o jogador vinha a ser seguido por grandes clubes europeus.
O argentino sempre mostrou qualidades acima da média, mas estas nunca foram verdadeiramente potenciadas e enquadradas com as necessidades do coletivo. Por outras palavras, era um diamante por lapidar.

Jorge Jesus teve esse mérito. Soube aproveitar o potencial do campeão olímpico, algo que se traduziu nas assistências e nos golos marcados. Se o Benfica conquistar o campeonato - e esse objetivo está à distância de 1 ponto -, então poderá dizer que Di María foi, agora sim, uma mais-valia para a equipa lisboeta. Este é, pois, o momento certo para Di María sair. Aliás, nem seria possível ao Benfica protelar este cenário.

PS: A contratação de Nicolás Gaitán revela conhecimento do mercado argentino por parte do Benfica. Aliás, a América do Sul tem sido um campo privilegiado de recrutamento das águias. Mas é também uma jogada de antecipação: com tempo, resolvem a substituição do camisola 20 com um jogador que ainda tem margem de progressão.

terça-feira, maio 04, 2010

Artigo de Opinião de João Querido Manha

Primeiro, o Inter do genialíssimo Mourinho. Depois o Porto, do geniquentíssimo Jesualdo.
E, em poucos dias, com três ou quatro espertos a chancelar a coisa ao melhor nível do nacional-futebolismo correto, parece vingar a ideia de que nada há de melhor do que jogar em inferioridade numérica.

Uma rápida análise da temporada, diz-nos precisamente o contrário. Apenas em oito jogos, dos 68 que tiveram expulsões, a perda de jogadores coincidiu com algum benefício de resultado - incluindo o empate do Porto em Paços de Ferreira, a vitória do Braga em Belém, a recuperação do Marítimo também no Restelo e o triunfo do Nacional no dérbi madeirense. Por vezes acontecem exceções, mas nada supera o ter superioridade e saber usufruí-la.

A insistência de jogadores, responsáveis e dirigentes do Porto (e também do Braga) em ver o plantel do Benfica dizimado por castigos, fazendo regressar à primeira linha de combate, agora sobre Luisão, a perseguição feita a David Luiz nas semanas que precederam o "clássico Hulk", prova que todos igualmente consideram uma vantagem o "casting" total. Aliás, pensando já na próxima época, só falta encontrar o habitual cidadão de Rio Tinto atingido pelo isqueiro, para preservar por uns bons três meses da insuportável combatividade do capitão encarnado o pacífico e muito desportivo "association" nacional.

As exceções ocorrem, sobretudo, em ambientes especiais ou momentos de motivação suprema, como a que exacerbou a equipa de Jesualdo Ferreira para um triunfo redentor. E quando, do outro lado, a fortaleza mental abre brechas e deixa penetrar laivos de desconcentração - como os que perturbaram a equipa do Benfica nos momentos decisivos do jogo de domingo.

O Benfica bateu no domingo um recorde, porventura mundial, de tempo de jogo em superioridade numérica ao longo de uma temporada, chegando a 342 minutos (cinco horas e 42 minutos de jogo) com mais um (por vezes, dois) jogador em campo. O que corresponde a 13 por cento do tempo total da competição. E Fucile foi o 17.º jogador adversário a ver o cartão vermelho em partidas do líder.

A grandiosidade da época encarnada justifica estes dois recordes, arrebatados ao Porto (305 minutos na época de 2000/01) e ao Sporting (16 adversários expulsos na Liga de 2004/05).
Semana a semana, o Benfica enfrentou adversários hiper-motivados, nos limites, quase descontrolados, procurando arrastá-lo para jogos de combate e nivelamentos por baixo.

Quase sempre, a força mental dos lisboetas sobrou para as encomendas, mas nos dois jogos mais complexos, em Braga e nas Antas, foi insuficiente.
O trabalho que espera Jorge Jesus nesta semana e no lançamento da próxima temporada, seguramente ainda mais assanhada pelo fanatismo emblemático, a raiar o racismo, que alastra perante a indiferença da Federação e da Liga, é precisamente o de preparar uma equipa (quase)campeã a saber gerir a sua superioridade.
A imagem confrangedora de adversários caindo a pique do pedestal da glória para comportamentos do mais rasteiro e miserável, servir-lhe-á de inspiração.

Video de Opinião de Pedro Ribeiro - Parte II

Artigo de Opinião de António Magalhães

À alta competição estão associados muitos requisitos que implicam ter nervos de aço. Um atleta profissional deve estar preparado para uma prática desportiva intensa e exigente do ponto de vista físico e mental, uma vez que os desafios que lhe são colocados colocam à prova várias capacidades que não se limitam ao talento. Mas não é suposto que um jogador tenha que estar preparado para atuar num cenário de guerra. Foi porém esta atmosfera que se criou para o clássico.

Bolas de golfe, isqueiros, telemóveis. Estes são alguns objetos que ficam para recordação do FC Porto-Benfica. O diretor de comunicação dos encarnados, João Gabriel, levou consigo pelo menos uma bola de golfe, conforme fez questão, aliás, de mostrar na conferência de imprensa após o jogo. O restante material terá sido recolhido para memória futura ou qualquer outra utilidade cujos fins por enquanto se desconhecem.

O FC Porto não apreciou as denúncias benfiquistas (como se o país inteiro não tivesse visto e fosse preciso fazê-lo) e num comunicado ontem emitido recordou tragédias, dramas e agressões para envolver o seu rival. No fundo estava o túnel e as suas queixas de que o campeonato ficou ferido na sua verdade desportiva.

É altamente preocupante a escalada de violência - verbal e física – que envolve os jogos que opõem o FC Porto ao Benfica numa rivalidade que não se confina ao futebol e que há muito deixou de ser saudável. Cada vez que se defrontam, os dois clubes atuam em autênticos estádios de ódio que, afinal, apenas refletem o nível que atingiu a relação entre os dois emblemas e muito particularmente os dois presidentes.

Perante a incapacidade dos dirigentes dos clubes em contrariar a tendência desta espiral de violência e o contributo de certos comentadores que alimentam a fogueira com insinuações em nome dos interesses dos clubes que representam, só há uma saída: introduzir no regulamento disciplinar castigos pesados (e não meras multas) para atos de violência nos estádios. Talvez assim, todos aprendam.

Artigo de Opinião de Cruz dos Santos

Saltava à vista que o FC Porto-Benfica iria ser difícil para o árbitro (sobretudo), qualquer que ele fosse. E a Comissão de Arbitragem da Liga seguiu o caminho lógico, nomeando o trio seleccionado pela FIFA para a já bem próxima fase final do Campeonato do Mundo. Não foi feliz. Claro que não. E já lá vou. Mas, antes disso, pergunto: o Estádio do Dragão foi um campo de futebol ou um campo de batalha? Dentro e fora das quatro linhas, festejou-se cada golo com a saudável alegria de quem ganha a um rival ou com a raiva que só pode existir quando se odeia? Naquelas circunstâncias, teria sido possível arbitrar muito melhor? Faz sentido que um árbitro, em Portugal, para poder ser árbitro, precise de ser herói?

Em termos técnicos. Olegário Benquerença (bem auxiliado por Bertino Miranda e José Cardinal) não cometeu indiscutíveis erros de vulto. Talvez nada a ver, portanto, com o desfecho do jogo. Mas teve diversas falhas no âmbito disciplinar. E há quem diga que começou com rigor excessivo. Discordo. Os excessos estiveram nalguns jogadores (sobretudo, portistas) e não havia outra forma de os travar. Benquerença nem sempre conseguiu ser justo, mas reconheça-se que teve (então) tarefa muito complicada. E, quanto a mim, o seu maior erro veio depois, quando considerou os jogadores controlados e passou a permitir-lhes infracções passíveis de advertência que já teria de dar expulsão. Lesava o jogo, não defendia o espectáculo? Há quem o diga. E eu respondo: o que é isso? A defesa do espectáculo compete mais ao árbitro do que aos jogadores, que até são profissionais? Só o árbitro deve ter calma, ponderação e bom senso? Se houvesse três ou quatro expulsões para cada lado, de quem era a culpa? Do árbitro ou dos prevaricadores? Possivelmente, é o que vem fazendo falta no futebol português. Talvez, até, jogo que não chegue ao fim por falta de jogadores (mínimo de sete) numa das equipas ou em ambas. E o mesmo penso e digo em relação aos «penalties» por agarrões e empurrões dentro da grande área.

Falando de casos concretos, injustas as advertências a Di Maria e a Maxi Pereira e a expulsão de Fucile. Mas este devia ter sido expulso pouco antes, quando pontapeou e derrubou Di Maria. Não houve fora-de-jogo no segundo golo portista (Farias), mas é discutível que não tenha havido razão para «penalty» no livre cortado por Hulk com um braço e no lance em que Álvaro Pereira atingiu as pernas de Maxi Pereira (derrubando-o) antes de pontapear a bola. Correcto o facto de FC Porto e Benfica terem perdido um lançamento lateral (mérito de Bertino Miranda), pois Fucile e David Luiz executaram-nos levantando do solo um dos pés.

Caso curioso: mesmo perdendo no Dragão (com justiça indiscutível), o Benfica teria sido campeão nacional, anteontem, se fosse assinalado o fora-de-jogo existente no golo da tangencial vitória (1-0) do notável. Sp. Braga sobre o Paços de Ferreira.

Nova modalidade olímpica no Dragão: lançamento da bola de golfe - Artigo de Opinião de António Varela

A informação correu de blogue para blogue na semana que antecedeu o clássico FC Porto-Benfica: claques simpatizantes dos dragões tinham adquirido 3.500 bolas de golfe. Para quê? – perguntava-se. Uma vez que não havia notícia de uma corrida massiva à aquisição de tacos ou mesmo do aluguer de “sets” de iniciação, nem de inscrições em escolas da modalidade, a curiosidade cresceu, cresceu... até que muitas bolas de golfe começaram a andar de mão em mão, no Estádio do Dragão, até uma delas se ter transformado em estrela de conferência de imprensa.


Passe a tentativa de fazer ironia barata, pergunta-se: para que serve a lição do Euro’2004, qual a utilidade dos “stewards” que tudo ou quase tudo deixam passar nas revistas à entrada dos estádios? Quando alguém voltar a morrer, a polícia levará o assunto a sério. Até lá limitar-se-á a fingir operações de segurança.

Artigo de Opinião de Luís Avelãs

O Benfica perdeu no Porto e o Sp. Braga, em casa, levou de vencida o P. Ferreira. Em traços gerais isso significa que as águias continuam sem poder festejar o que há várias semanas parece óbvio, ao passo que a sensacional formação minhota - já com presença na "Champions" assegurada - não desiste de pensar no título. Quem diria que tal seria possível quando, há uns meses, a temporada arrancou? Provavelmente ninguém! E se alguém acrescentasse à previsão correcta que o FC Porto, a uma ronda do fim (mesmo derrotando os encarnados), já não passaria do terceiro posto e que o Sporting estaria quase a 30 pontos da liderança... então o melhor seria preencher um boletim do euromilhões.

No Dragão, o Benfica sofreu a segunda derrota da época na Liga. E perdeu bem. É verdade que até entrou disposto a lutar pela vitória, quando o empate chegava para garantir o 32.º campeonato da sua história, mas depois falhou, com a particularidade de ter sido completamente dominado quando jogava com um homem a mais. Lembro-me de ouvir Jesualdo Ferreira, então sentado noutro banco, dizer que, por vezes, era mais difícil jogar contra 10 do que contra 11. Foi o que aconteceu...

Quando Luisão, a pouco mais de meia-hora do final, fez o 1-1, tudo indiciava que as águias estariam mesmo em condições de alcançar o objectivo. Contudo, o que se passou depois foi surpreendente. O Benfica quase não teve tempo de respirar empatado, pois num lance em que foram várias as oportunidades de recuperar (ou pelo menos afastar) a bola, sofreu o golo de Farias e voltou a ficar em desvantagem.

Depois, quando a superioridade numérica mandava os pupilos de Jorge Jesus voltar a pressionar em busca do 2-2, a equipa só uma vez (por Aimar, proporcionando óptima defesa a Beto) esteve perto de marcar. Bom, podia ter acertado mais uma vez na baliza, mas o juiz (mal) iria invalidar o lance em que Weldon foi protagonista. De resto, basicamente, só deu FC Porto que, com total justiça, fez o 3-1 (um golaço) e "matou" o jogo. Mas não o Campeonato. E evitou a primeira festa benfiquista em solo azul e branco.

Agora, ao Benfica resta a derradeira jornada para poder carimbar a conquista do título. Jogando em casa com o Rio Ave, as águias só precisam de fazer o que sempre têm conseguido esta temporada nos embates na Luz (13 vitórias e 1 empate) para, independentemente do resultado do Sp. Braga na Choupana, rematar o Campeonato. Contudo, aquilo que noutro contexto pareceria uma situação mais que favorável, surge agora algo complicada face à ansiedade que a equipa e os adeptos revelam já há 15 dias.

Domingo, na Luz, teremos, garantidamente, uma grande festa ou, ao invés, uma enorme desilusão.

PS - Não gostei do trabalho de Olegário Benquerença no Dragão. Os erros foram vários, assim como as interpretações dúbias. E se olhar para a questão disciplinar... foi demasiado mau.

segunda-feira, maio 03, 2010

sábado, maio 01, 2010

Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira

Uma errata da choradeira

ONDE se lia «o pobre injustiçado Hulk» deve agora ler-se «o pobre injustiçado Falcao».
Onde se lia «o maléfico Ricardo Costa» deve agora ler-se «o maléfico Pedro Henriques».
Onde se lia «o inocente Hulk espancou mesmo o steward mas não merecia o castigo» deve agora ler-se «o inocente Falcao acertou mesmo com a mão na cara do adversário mas não merecia o castigo».
No mais, a choradeira mantém-se igual. Compreende-se.
O Benfica vai à frente no campeonato, o que é muito estranho: o presidente do clube não convidou qualquer árbitro para sua casa na véspera de um jogo, não foi escutado a oferecer fruta e rebuçadinhos ao telefone, não pagou facturas de viagens ao Brasil, não prometeu quinhentinhos a ninguém.
Além disso, parece consensual que o Benfica joga o melhor futebol. Quem não suspeitaria deste primeiro lugar?
Há cerca de três semanas, Maxi Pereira viu o quinto cartão amarelo por ter jogado a bola com a mão depois de, na verdade, não ter jogado a bola com a mão.
Falhou o jogo com o Sporting. Não se verteu uma lágrima.
Na última jornada, Falcao viu o quinto cartão amarelo por ter acertado com a mão na cara de um adversário depois de ter, de facto, acertado com a mão na cara de um adversário. Vai falhar o jogo com o Benfica.
As carpideiras decretaram três dias de luto e ainda não pararam de chorar.
Não admira: esta época, Falcao já jogou duas vezes com o Benfica e, ao longo desses 180 minutos, marcou um impressionante total de 0 (zero) golos. Mas era agora. Era agora!
E, no entanto, segundo a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, a decisão do árbitro deve ser respeitada porque ninguém pode saber se o chapadão foi propositado ou acidental.
Mais: segundo o especialista, trata-se de uma decisão bem mais defensável do que a opção de não assinalar os dois penalties contra o Porto. Mas o clamor da berraria raramente deixa ouvir a voz do bom senso.
A grande sorte do Benfica na jornada passada não foi o castigo do Falcao, foi a circunstância de o Braga ter ganho.
Se o Benfica fosse jogar ao Porto na qualidade de campeão, os jogadores podiam ter a tentação de entrar em campo com o cabelo pintado de vermelho, o que dificultaria a percepção do sangue a jorrar das cabeças.
Se os jogadores do Porto entrassem em campo com a mesma disposição com que entraram na final da Taça da Liga, as mais que prováveis lesões passariam despercebidas. Há males que vêm por bem.
NÃO me custa reconhecer que talvez me tenha precipitado quando, na semana passada, evidenciei aqui, com o auxílio de divertidas citações, a euforia injustificada de pré-época manifestada pelos fiscais da euforia injustificada de pré-época.
Afirmei que o Porto estava definitivamente afastado do título, mas posso ter-me enganado.
De facto, neste momento o Porto segue no terceiro lugar, mas tenho a certeza de que, se recorrer para o Conselho de Justiça (CJ) da Federação, pode ainda vencer o campeonato.
É uma pena que o CJ não tenha poderes nas competições da UEFA, caso contrário acredito que teria reduzido o castigo que o Arsenal aplicou ao Porto.
Em vez de 5-0, reduzia para 2-0, por exemplo.
A fundamentação seria a do costume: naquele jogo, os jogadores do Porto não tinham sido agentes desportivos mas espectadores.
De facto, estiveram uma boa hora e meia a ver o Arsenal jogar.

P.S.: O vigilante Rui Moreira (e uso aqui a palavra «vigilante» na dupla acepção de «pessoa atenta» e de «cidadão que participa em vigílias») resolveu assinalar o erro que cometi quando disse que o Benfica nunca tinha perdido uma final com o Porto, mesmo sabendo que, logo no dia seguinte, A BOLA publicou, a meu pedido, a frase que tinha saído truncada por lapso: «O Benfica, que tirando uma solitária vez em 1958 nunca perdeu uma final com o Porto…» Mas enfim, com o Porto no terceiro lugar, é normal que até os lapsos já corrigidos mereçam destaque.
Quanto às Supertaças, como é evidente, foram propositadamente deixadas de fora desta contabilidade.
Talvez eu devesse ter sido mais claro mas, quando me referi a finais, curiosamente estava mesmo a falar de finais, que são aqueles jogos que ocorrem no fim de uma competição a eliminar, tipicamente após umas meias-finais. Não é o caso do jogo da Supertaça.
Fica a nota para o futuro: as rectificações têm bastante mais credibilidade quando rectificam.

quinta-feira, abril 29, 2010

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão

Deixem lá jogar o Falcao! (ou «admito que levei uma palmada, mas até gostei…»)

O Sporting de Braga está a um ponto de garantir o apuramento para a fase de qualificação da Liga dos Campeões de 2010/2011 e o Benfica está a um ponto de conseguir ganhar o campeonato nacional de 2009/2010. Tudo isto a duas jornadas do fim da prova quando os exercícios de aritmética vão apertando, apertando… Se quisermos analisar o assunto através do cálculo das probabilidades, conclui-se que é tão difícil para o FC Porto chegar à Liga dos Campeões como é difícil para o Sporting de Braga chegar ao título. No entanto, tratando-se de futebol, tudo é possível. O próprio Domingos Paciência, competente treinador do superBraga, fez questão de recordar há poucos dias que se lembra muito bem de já ter visto o Desportivo da Corunha perder um título nacional espanhol no último minuto do último jogo.
E quem é que não se lembra de um fenómeno como aquele que deixou em lágrimas os nossos irmão galegos? Na temporada de 1993/1994, o Desportivo da Corunha liderou o campeonato de Espanha desde a 14.ª jornada até à penúltima ronda, entrou em campo para o derradeiro jogo, contra o Valência, com uma margem mínima de avanço sobre o Barcelona, segundo classificado, e não só não conseguiu ganhar aos valencianos, jogando em casa, como ainda teve de suportar o inferno de ver o seu avançado sérvio Djukic falhar uma grande penalidade nos momentos finais do jogo.
Longe vá o agouro, não é Domingos?
De qualquer modo, para quem tem vindo a assistir com imparcialidade ao corrente campeonato português poucas dúvidas restam sobre os méritos atribuíveis ao Benfica, que jogou sempre mais e melhor futebol do que um Braga sensacional e que, por isso mesmo, merecerá ganhar a prova e nenhumas dúvidas restam sobre os méritos atribuíveis ao Sporting de Braga que, ao longo da época, foi sempre muito melhor e mais consistente equipa do que a equipa do FC Porto, com excepção daquela sua visita ao Estádio do Dragão onde sofreu um inexplicável ataque de nervos e de lassidão e acabou por sair goleado.
Assim sendo, o Sporting de Braga merece muito mais ir à Liga dos Campeões do que o FC Porto. Embora não precise da Liga dos Campeões porque é um clube que está a nadar em dinheiro, ao contrário do FC Porto que vem apresentando passivos que preocupam alguns dos seus associados mais ilustres que nem se coíbem de discutir o assunto pelos tribunais, discutindo, com a intermediação de um juiz, honorários e prémios dos administradores do seu emblema. Como todos sabemos, a Liga dos Campeões tem dois tipos de atractivos: o desportivo, pelo prestígio que confere, e o financeiro, pela riqueza que proporciona e que sempre constitui motivo de alegria.
Ao contrário do tesoureiro do FC Porto, o tesoureiro do Sporting de Braga está-se positivamente nas tintas para o dinheiro. Porque não precisa, como vem sendo provado há meses e com exemplos práticos. E vêm aí novas provas, para que não restem dúvidas sobre o assunto.
Já foi anunciado, em comunicado oficial, que «a Direcção do Sporting de Braga decidiu abrir as portas gratuitamente do Estádio Municipal, desta feita para a recepção ao Paços de Ferreira, no próximo domingo», tal como já tinha acontecido por ocasião da visita do Marítimo à cidade dos arcebispos, que produziu uma assistência de 30 mil espectadores, e por ocasião da visita do Olhanense ao mesmo estádio. Ou seja, o Sporting de Braga não vive da bilheteira, dá-se ao luxo de não vender ingressos, não precisa do dinheiro dos seus adeptos, não precisa sequer de ir à Liga dos Campeões.
Isto não é concorrência desleal. Isto é o triunfo de uma gestão económica que faz inveja a muita gente. A muito boa gente, evidentemente.
Apresença de Jesualdo Ferreira no banco no jogo com o Benfica esteve em dúvida. Em Setúbal, foi a primeira vez que o professor foi expulso em toda a sua carreira. E logo numa semana em que também foi a primeira vez em toda a sua carreira que Jorge Jesus afirmou preferir «festejar o título no relvado» do que saboreá-lo em casa a ouvir o relato de jogos de terceiros. Esta ausência de Jesualdo Ferreira encerraria em si uma grande incerteza e uma grande certeza.
A grande incerteza era saber-se quando é que o treinador que conduziu o FC Porto ao tetra se voltaria a sentar no banco do FC Porto no Estádio do Dragão.
A grande certeza seria esta: no domingo, Jesualdo Ferreira não estaria no relvado se, por acaso, Jorge Jesus conseguir mesmo festejar o título na casa do grande rival.
Há expulsões que vinham mesmo a calhar. Mas a Comissão Disciplinar da Liga não deixou. Jesualdo vai orientar o FC Porto desde o relvado. Digam lá que isto não é uma cambada de benfiquistas…

OS jornais continuam a atirar nomes de possíveis sucessores de Jesualdo Ferreira quando não é sequer certo que o professor não seja reconduzido na posição que vem ocupando. Acaba por se tornar um exercício interessante tentar descortinar o que pode vir a ser verdade e o que é, declaradamente, uma mentira impossível no que diz respeito ao perfil do eventual futuro treinador dos ex-campeões nacionais.
Enquanto o mistério André Villas Boas prossegue, outros treinadores há que estão completamente fora de hipótese de vir a suceder a Jesualdo Ferreira num futuro imediato. Aparentemente até reuniam grandes qualificações para o cargo mas desgraçaram todas as suas hipóteses com declarações insuportáveis de ouvir no Estádio do Dragão.
Nesta situação estão, por exemplo, Jorge Costa, autor da frase «o Benfica merece ganhar o campeonato» e Paulo Bento, autor da frase «o Benfica será um justo campeão». Francamente, isto é perder o perfil de rajada.

QUEM está com o perfil em alta para rumar brevemente para o FC Porto é o jovem Bruno Ribeiro, do Vitória de Setúbal, que disputou com Falcao o lance que originaria o cartão amarelo fatal. Ribeiro sente «por empatia, o desgosto de Radomel» e pede a sua despenalização em nome da verdade desportiva: «É verdade que levei uma palmada, mas admito que não foi intencional», tem vindo a repetir contristado. Vá lá, sempre é melhor dizer isto do que dizer qualquer coisa como: «… é verdade, levei uma palmada, mas até gostei…»
Curiosamente, o caso de Bruno Ribeiro tem, por portas travessas, paralelo com um outro que ocorreu na já distante época de 1992/1993, quando um repórter da RTP, em serviço no Estádio das Antas, levou uma palmada em directo. Melhor dito, levou uma série de palmadas em directo. O jornalista tecia sobre o relvado os comentários finais a um jogo entre o FC Porto e o Famalicão, que o Famalicão acabava de vencer por 1-0, quando um elemento não identificado do público, provavelmente um steward, entrou pelo campo dentro e despachou à palmada a equipa da reportagem da RTP. O espectáculo foi transmitido em directo, toda a gente viu, mas nem o jornalista da RTP nem a própria RTP se deram à valentia de apresentar queixa à Justiça.
Ficou tudo em família.
Por todo este histórico, resta aos benfiquistas unirem as suas vozes à voz de Bruno Ribeiro e clamar:
— Deixem lá jogar o Falcao!

quarta-feira, abril 28, 2010

Artigo de Opiniãom de João Querido Manha

Suprema ironia

Benfica e Sporting declaram apoio entusiástico à candidatura de um vice-presidente do FC Porto à liderança da Liga de Clubes, que o próprio FC Porto não subscreve. Se faltava alguma originalidade ao futebol português e aos seus fantásticos esquemas de organização e interdependências, o processo de avanço de Fernando Gomes para o lugar de Hermínio Loureiro ultrapassa toda a imaginação e, evidentemente, tem de colocar sérias reservas a quem realizar o mais singelo exercício de projeção do futuro.

A Liga de Clubes, tendo em andamento um processo de credibilização e fortalecimento, pode melhorar com um ex-administrador de uma SAD que fez tudo para a descredibilizar e enfraquecer ao longo dos últimos oito anos? Como é que pode?

Nos rodapés do nome de Fernando Gomes, um desportista de craveira com um conjunto significativo de velhos amigos em meios de comunicação, têm surgido os mais encaracolados encómios, incluindo o de ser o dirigente português que participou em mais jantares e workshops da UEFA ao longo deste século - não tendo, provavelmente por isso, subscrito a célebre petição pela verdade desportiva.

Em matéria de seriedade, Fernando Gomes não será melhor nem pior que os seus antecessores, antes de assumirem o cargo, constatação que diminui bastante esta qualidade, exceto num ponto: como bem considerou o imperador romano a respeito de Pompeia, à mulher de César não basta ser séria. E, realmente, Fernando Gomes seria credor de maior confiança se, no devido tempo, tivesse deixado de ser, voluntariamente, responsável pelas finanças de uma SAD condenada pela Liga que deseja agora dirigir e tivesse acompanhado a candidatura de uma separação nítida e inequívoca da direção do FC Porto. Mas não só não o fez, como ainda lhe falta explicar por que razão não recebe apoio público do seu líder e inspirador nos últimos 28 anos, o supremo mestre das ironias.

É frequente em Portugal dar-se mais valor a quem consegue cair em graça, do que a tantos que desgraçadamente nascem engraçados e insistem em ter razão antes de tempo. Provavelmente, o futebol português necessita de passar por mais esta provação, porque não conseguiu sublimar nenhum outro candidato credível, nem despertar o interesse a algum desses geniais gestores profissionais que demonstram tanta competência nas empresas protegidas pelo Estado. O que me leva a desconfiar que a Liga, apesar de suportada financeiramente por alguns baluartes do tecido financeiro e empresarial, vai continuar incapaz de se sobrepor à importância e aos interesses dos principais clubes, nomeadamente na negociação dos direitos de televisão.

Nesta semana em que, tal como Olegário Benquerença confessou num "tesourinho" televisivo, (quase) todos os portugueses admitem ser de Milão e italianos de gema, o genial Fernando Gomes está para a classe dirigente como o genial José Mourinho para a classe dos treinadores.
Fosse outro a usar a "tática dos dez atrás e um à pesca", não faltariam críticas e deboche sobre o tamanho do autocarro do Inter.
Fosse Adelino Caldeira ou Reinaldo Teles o dirigente do FC Porto candidato à presidência da Liga, estaria agora o país em estado cataléptico.

terça-feira, abril 27, 2010

Artigo de Opinião de Luís Mateus

Di María, porque não há Deus sem o Diabo!

Vejo-o a dar uns toques, de AllStar nos pés e suspensórios atirados sobre as pernas, bola sem cair no asfalto e sorriso a levantar o lábio junto ao canto da boca, como o vento sob um lençol a secar no arame. Aquele riso vem com um dedo esticado na direcção dos adversários e a outra mão sobre o estômago segurando a gargalhada para que não rebente em úlcera. Demasiado? Atira-se de corpo esticado em descanso, na horizontal, sobre os 90 graus da cadeira, lápis-com-ponta-de-borracha mordido no canto da boca e o olhar sobre o horizonte, a driblar papelinhos argentinos e festejos em azul-celeste.

Há sempre aqueles momentos na vida em que não queremos meias-medidas. Não gostamos de meios-termos. Nada de nins, só sim ou sopas. Nada de morno. Tem de escaldar ou queimar, de tão gelado. Ou ser picante como o raio, deixem-se de paladares insossos. Di María! Grita o speaker... É daqueles jogadores que se sustentam nos excessos, prego a fundo com travões de 11 anos, estrada encharcada e sem protecção nas bermas. É dos que inventam mil «oitos» numa recta só porque nada na vida tem de ser simples e, se for, deixa de ter piada. Gosto de jogadores que são assim, capazes de arriscar mais um ponto e vírgula numa frase de três linhas.

Também percebo os outros. Os que são tão bons quando são simples que seriam terrivelmente maus se quisessem complicar. Di María só resulta porque há Cardozo e Saviola e não mais dez como ele. Porque Aimar se faz de simplicidade e Carlos Martins de vontade. Hulk também precisa de Falcao, de um Meireles, de um Micael ou Guarín. De um Rodríguez. Já Liedson deveria ter a companhia de mais dez levezinhos neste Sporting. Ou nove e um Nani chico-esperto. Ou oito, Nani e o agora estupidamente mal-amado (ou quase) Izmailov.

Entendo a obsessão de qualquer argentino em ser Maradona ou Messi, o único que já não aspira a tal. Entendo que um passe-de-letra intensifique um golo de Cardozo e valha o risco só por si. Tal como percebo que Madjer tenha sido bem mais do que um golo de calcanhar ou Maradona, já que falámos nele, tenha acrescentado a cada momento mágico em Nápoles mais um inglês prostrado no Golo do Século. Di María é assim e, mesmo sendo assim, ninguém tem sido como ele. Está a pouco de ser coroado rei das assistências. E continua a ter falhas, defeitos, momentos em que nos queima com gelo sobre a pele e nos faz duvidar da verdade de Jacques de La Palice, seja ou não erro de interpretação. S`il n`était pas mort il serait en vie!

Um artista como Di María faz-nos valorizar também os que não o são. Os Ramires, os Amorins, os Pedros Mendes deste mundo. Deus não existia sem o Diabo! Mas há momentos que nunca esquecemos e procuramos lembrar entre cada tremoço e golo de cerveja, e esses são dos outros. O rapaz não inventou a letra nem reclamou a patente, mas poucos esquecerão o golo ao AEK ou o passe para Cardozo. Porque não faziam sentido e fizeram todo o sentido. Porque a verdade quase sempre é relativa e, no futebol, não há uma única absoluta. Porque o futebol pode decidir-se numa jogada, num único minuto em 90. E todos os outros 89 podiam ser usados para a Meia-Maratona. S`il n`était pas mort il serait en vie!!!!!!! Lapaliçada!

Artigo de Opinião de Luís Sobral

Cardozo é um daqueles jogadores que facilmente dividem opiniões.

E não estou a falar de adeptos e jornalistas. Mesmo entre os treinadores.

Por exemplo Quique. Por exemplo Jorge Jesus. O espanhol assim que teve alternativa, colocou o paraguaio no banco. O português deu-lhe sempre todo o apoio, mesmo quando Cardozo oscilou e pareceu incapaz até de fazer golos a partir de grandes penalidades. Por exemplo, para finalizar, o seleccionador paraguaio que já elegeu o benfiquista como referência de ataque no Mundial.

Cardozo fez três golos frente ao Olhanense e isso bastou para ultrapassar Falcao na corrida ao título de goleador da Liga. Mas provavelmente não chegará para colocar ponto final na discussão entre os que o adoram e os que lhe torcem o nariz. Porque Cardozo oferece poucas soluções quando é preciso correr e driblar, mas é espantoso sempre que a bola tomba para o pé esquerdo.

Bem servido, como este ano, o paraguaio arriscar-se-á sempre a chegar perto dos 30 golos na Liga. Pode não ser suficiente para fazer dele o melhor avançado do campeonato, mas torna indisfarçável a sua utilidade.

Ou seja, Cardozo é um jogador que se pode discutir, mas no final a sua titularidade é sempre indiscutível.

P.S.: Claro que o sucesso de Cardozo não apaga a grande época de Falcao, até por estar numa equipa com muito maiores dificuldades.

Artigo de Opinião de Bernardo Ribeiro

A forma espantosa como o Sp. Braga reagiu à pressão imposta pela vitória do Benfica é novamente digna do maior elogio. A equipa de Domingos, aconteça o que acontecer, deixou já marca indelével na Liga. Ir à Figueira dar 4-0 onde, por exemplo, os encarnados tiveram de recorrer a todas as forças para virar o resultado, diz muito da confiança e competência minhota. Isto em equipa onde faltavam ontem o capitão Vandinho, o criativo Mossoró e o líder Moisés. É quase impossível serem campeões, mas não deixarão de olhar de frente quem os venceu.

Com este resultado transfere-se para o Dragão a decisão do título. Pode não ser ali, é um facto, mas o Benfica dificilmente quererá adiar para a última ronda a consumação de uma vitória que os encarnados esperavam ter ontem saboreado. Com o ódio que vem sendo destilado por ambas as partes, em constantes agressões verbais entre presidentes e físicas entre adeptos, o melhor que se pode desejar, sem fazer qualquer futurologia em relação ao resultado, é que tudo corra bem. É importante que os defensores das duas cores se lembrem que o futebol não é mais do que um jogo e que agressões e pedras a voar podem um dia causar tragédias que ninguém com mais do que um neurónio pretenderá.

Se a polémica do túnel da luz já apimentava o clássico, a carga dramática trazida pela decisão do título só poderá lançar ainda mais achas para a fogueira. Pedro Henriques em Setúbal deu um jeitinho e afastou do clássico o melhor ponta-de-lança a jogar em Portugal. Mais indignação no Dragão. Fernando Gomes, candidato a presidente da Liga com apoio de todos os quadrantes, podia começar já a pacificar...

Se a vitória no futebol ainda não chegou, ontem foi dia de festa rija para os que seguem o futsal. O Benfica conquistou a UEFA Cup frente aos antes imbatíveis espanhóis do Interviú. Um marco na história da modalidade e que serviu de aperitivo para os adeptos encarnados. Falta... a outra.

Artigo de Opinião de Luís Seara Cardoso

A festa foi adiada? O Benfica até fez e bem a sua parte. Parte da parte foi Cardozo, com três golos no bornal, frente a um impotente Olhanense, registo suscetível de o guindar ao triunfo na lista dos melhores finalizadores da Liga. O Sporting de Braga também venceu? Venceu e bem, bem se pode dizer que é a segunda equipa mais competente do Campeonato.

A festa foi adiada? "Preferimos ser campeões no campo", avançou Jorge Jesus. Avançou e bem. Antes no campo do que no sofá. É bem mais genuíno, é bem mais divertido. Por falar em Jorge Jesus, grande responsável, tecnicamente, pela temporada vermelha, jamais pensei estar na barricada oposta. Então não é que os nossos filhos têm um embate de râguebi aprazado da final-four, no escalão de Sub-18, na defesa do Belenenses e do Direito? Claro que vou torcer pelo Belenenses. Por direito (e dever) de paternidade..., e claro gostaria de ter Jorge Jesus a assistir ao meu lado ao jogo.

A festa foi adiada? Num sensacional clube como o Benfica, não é só o futebol de onze que propicia grandes alegrias. No transato domingo, garantido foi o título europeu de Futsal. Brilhante? Brilhante e comovente. Uma bela equipa foi empurrada para a vitória por um público entusiástico. Houve lugar, muito legitimamente, a festejo rijo e participado

A festa foi adiada? Não por muito tempo. O benficómetro está ao rubro. Já falta pouco para que os novos campeões sejam consagrados. A presente temporada vai ter um vencedor justo. Trata-se da melhor equipa da competição. A que melhor ataca, a que melhor defende. A que melhor joga, a que melhor deslumbra. O Benfica fez uma época carregada de charme competitivo, merece sem reservas o charme das faixas.

segunda-feira, abril 26, 2010