Os 'mind games' do 'clássico'
Por josé manuel delgado
NUMA época em que o Benfica tem vivido praticamente em regime de euforia generalizada — boas exibições e goleadas suplantaram os percalços e nunca retiraram ânimo à afición — quis o destino que o clássico de ontem apanhasse os encarnados fragilizados por uma má prestação em Olhão e ainda por castigos e lesões, circunstâncias que levaram a uma radical inversão do ónus do favoritismo. Quando, se a normalidade reinasse (triunfo no Algarve, disponibilidade durante a semana de Ramires e David Luiz e possibilidade de utilização de Aimar, Di María e Fábio Coentrão), o factor casa catapultaria a equipa de Jorge Jesus para uma vantagem teórica prévia, acabou por verificar-se que a exigência passou a estar focada no labor dos portistas, que nos últimos dois meses mostraram um constante crescendo de forma. Foi esta situação que o Benfica manejou, ao longo da semana, melhor do que o FC Porto, passando para o exterior a ideia de que só através de muita abnegação podia chegar a um resultado positivo, frente a um opositor na plenitude dos recursos.
A apenas um ponto dos encarnados, foi curioso verificar como uma equipa com o traquejo do FC Porto acusou a responsabilidade de ser favorita, entrando de pernas pesadas e até algum conformismo, sendo este sentido especialmente na recta final quando os pupilos de Jorge Jesus jogaram com o relógio, impondo um ritmo tão lento quanto possível e os tetracampeões nacionais não tiveram, então, alma até Almeida.
Ao longo da semana Jesus disse que não contava com Ramires e Aimar; do Dragão vieram respostas sintomaticamente curiosas, que aludiam a um bluff . Afinal, Ramires jogou preso por arames (que rebentaram) e Aimar nem isso. Noutras épocas, nunca o FC Porto se mostraria preocupado com quem jogava ou deixava de jogar pelo adversário. E foi aí que o Benfica começou a ganhar o jogo.
Benfica passou o maior teste
Por santos neves
NA raça! E não só... Desta vez, o Benfica passou o teste. Depois das derrotas em Atenas e Braga, e do empate consentido ao Olhanense, último classificado – mais o KO na Taça de Portugal sofrido na Luz –, o Benfica, numa hora H, passou, convincentemente, teste de superior grau de dificuldade. Aliás, o máximo grau neste momento. Porque perante o FC Porto tetracampeão. Mas também, muitíssimo!, por o Benfica se apresentar fragilizado: à global quebra de rendimento desde o início de Novembro somava as ausências de Di María e Pablo Aimar, de Fábio Coentrão e de Ruben Amorim, mais as dúvidas sobre o estado de Ramires só uma semana após aparatosa lesão. Quiçá acima de tudo – e em condições assim bem adversas –, foi grande teste ao que muito tem falhado no Benfica desde há largos anos e vinha dando sinais de ressurgir: então a capacidade mental, o carácter competitivo nos momentos M? Exactamente aí onde o FC Porto nos habituou a ser... fortíssimo (não ontem). O Benfica teve raça e... qualidade, sendo a melhor equipa em toda a 1.ª parte – e soube manter coesa concentração na meia hora em que o FC Porto quis reagir a sério. Ah!, Jesus apostou, enfim!, no menino Urreta...
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segunda-feira, dezembro 21, 2009
quarta-feira, outubro 28, 2009
Artigo de Opinião de Nuno Madureira
A grande exibição de Di María na goleada ao Everton acabou por ser o aspecto mais saliente de uma tarde/noite que, finalmente, permitiu estender à Europa a euforia doméstica destes dois primeiros meses de Benfica.
Mesmo não marcando, o argentino assinou o jogo mais objectivo e consistente desde que chegou à Luz. Foi como se condensasse em 90 minutos todos os pormenores que, ao longo destes meses, de forma irregular, foram reforçando expectativas em relação ao seu futuro.
Que o tenha feito numa montra privilegiada, e perante um adversário que, apesar de todas as inesperadas limitações, tem nome e audiência global, eis o que revela um «timing» pelo menos oportuno. Uma semana depois de ter garantido o apuramento para o Mundial, o número 20 da Luz continua a bater à porta dos grandes palcos. O mercado não deixará de tomar nota.
P.S.: Nota para o realismo de Jorge Jesus, ao sublinhar que, mesmo sendo o resultado mais retumbante, este não foi o melhor Benfica da temporada. Manter a exigência nos momentos altos é uma boa forma de evitar as vertigens. Resistir aos exageros também.
Mesmo não marcando, o argentino assinou o jogo mais objectivo e consistente desde que chegou à Luz. Foi como se condensasse em 90 minutos todos os pormenores que, ao longo destes meses, de forma irregular, foram reforçando expectativas em relação ao seu futuro.
Que o tenha feito numa montra privilegiada, e perante um adversário que, apesar de todas as inesperadas limitações, tem nome e audiência global, eis o que revela um «timing» pelo menos oportuno. Uma semana depois de ter garantido o apuramento para o Mundial, o número 20 da Luz continua a bater à porta dos grandes palcos. O mercado não deixará de tomar nota.
P.S.: Nota para o realismo de Jorge Jesus, ao sublinhar que, mesmo sendo o resultado mais retumbante, este não foi o melhor Benfica da temporada. Manter a exigência nos momentos altos é uma boa forma de evitar as vertigens. Resistir aos exageros também.
terça-feira, outubro 27, 2009
Uma Opinião Insuspeita...
"E acontece ainda ( a verdade é para ser dita) que o Benfica está a jogar um grande futebol, que dá gosto ver. Não é apenas a impressionante média de 3,5 golos por jogo, ou a cadência de jogo ofensivo do quarteto sul-americano do ataque (Di Maria, Aimar, Saviola, Cardozo).
É também uma coisa que há muito, muito tempo, não se via ao Benfica: o prazer de jogar, o respeito pelo público, a vontade de fazer cada vez mais e melhor e a sensação de que ali está a nascer uma verdadeira equipa e não apenas um lote de jogadores momentâneamente inspirados. Confesso que estava longe de esperar tanto do Benfica de Jorge Jesus. Não sei se isto é para durar e se continuará assim quando chegarem os jogos a doer – já no próximo fim-de-semana, em Braga. Mas, para já e por enquanto, caramba, que diferença para o Benfica dos últimos anos, que tanto reclamava e apregoava e tão pouco jogava!" - MST, in A Bola
É também uma coisa que há muito, muito tempo, não se via ao Benfica: o prazer de jogar, o respeito pelo público, a vontade de fazer cada vez mais e melhor e a sensação de que ali está a nascer uma verdadeira equipa e não apenas um lote de jogadores momentâneamente inspirados. Confesso que estava longe de esperar tanto do Benfica de Jorge Jesus. Não sei se isto é para durar e se continuará assim quando chegarem os jogos a doer – já no próximo fim-de-semana, em Braga. Mas, para já e por enquanto, caramba, que diferença para o Benfica dos últimos anos, que tanto reclamava e apregoava e tão pouco jogava!" - MST, in A Bola
domingo, outubro 25, 2009
Artigo de Opinião de Sérgio Alexandre
Mais de três meses depois de começar a época, o Benfica continua a jogar bem e a marcar golos com grande facilidade.
É essa a principal característica da equipa treinada por Jorge Jesus, que apresenta um futebol de grande profundidade ofensiva, de grande capacidade de fazer pressão alta e, reconheça-se, de grande beleza plástica. Alia o resultado e a exibição e, sobretudo, as exibições têm sido muitas vezes até melhores do que os resultados.
O renascimento de Aimar e de Saviola, mas também de Cardozo, votado a um limbo sem nexo com Quique Flores, a grande época que está a fazer Luisão, o desabrochar de Di Maria, colocam a equipa num patamar superior. Não se ganha 5-0 a uma equipa inglesa na Liga Europa por acaso, apesar de o Everton esta época revelar, de vez em quando, propensão para sofrer muitos golos.
Este Benfica faz-me lembrar o primeiro Milan de Sacchi, dos holandeses Rijkaard, Van Basten e Gullit, que assentava numa defesa colocada muito alta no terreno e que era capaz de jogar um futebol de altíssimo ritmo.
Este Benfica é igualmente coerente e também muito poderoso com as suas várias soluções.
A diferença é que Sacchi teve que, como quase todos os treinadores, ir equilibrando a equipa atrás para ter hipóteses nas grandes competições, sobretudo a então Taça dos Campeões e mesmo para o campeonato italiano, onde muitas equipas corriam tanto como o Milan e defendiam com tanta gente que era muito difícil lá entrar. E por isso a pressão alta às vezes tinha efeitos contrários, porque não deixava as equipas adversárias sair da zona defensiva, mas estavam tão bem treinadas para isso que tinha o efeito de manter sempre os jogadores muito juntos e dificilmente ultrapassáveis.
Estou curioso para ver como evolui esta equipa de Jorge Jesus. E como evoluem estes resultados.
Hoje por hoje, o Benfica joga indiscutivelmente do melhor futebol da Europa.
É essa a principal característica da equipa treinada por Jorge Jesus, que apresenta um futebol de grande profundidade ofensiva, de grande capacidade de fazer pressão alta e, reconheça-se, de grande beleza plástica. Alia o resultado e a exibição e, sobretudo, as exibições têm sido muitas vezes até melhores do que os resultados.
O renascimento de Aimar e de Saviola, mas também de Cardozo, votado a um limbo sem nexo com Quique Flores, a grande época que está a fazer Luisão, o desabrochar de Di Maria, colocam a equipa num patamar superior. Não se ganha 5-0 a uma equipa inglesa na Liga Europa por acaso, apesar de o Everton esta época revelar, de vez em quando, propensão para sofrer muitos golos.
Este Benfica faz-me lembrar o primeiro Milan de Sacchi, dos holandeses Rijkaard, Van Basten e Gullit, que assentava numa defesa colocada muito alta no terreno e que era capaz de jogar um futebol de altíssimo ritmo.
Este Benfica é igualmente coerente e também muito poderoso com as suas várias soluções.
A diferença é que Sacchi teve que, como quase todos os treinadores, ir equilibrando a equipa atrás para ter hipóteses nas grandes competições, sobretudo a então Taça dos Campeões e mesmo para o campeonato italiano, onde muitas equipas corriam tanto como o Milan e defendiam com tanta gente que era muito difícil lá entrar. E por isso a pressão alta às vezes tinha efeitos contrários, porque não deixava as equipas adversárias sair da zona defensiva, mas estavam tão bem treinadas para isso que tinha o efeito de manter sempre os jogadores muito juntos e dificilmente ultrapassáveis.
Estou curioso para ver como evolui esta equipa de Jorge Jesus. E como evoluem estes resultados.
Hoje por hoje, o Benfica joga indiscutivelmente do melhor futebol da Europa.
Artigo de Opinião de Luís Avelãs
Ninguém sabe se no final da temporada o Benfica terá motivos para festejar, pois conforme faz questão de salientar Jorge Jesus, se a equipa não conquistar títulos, tudo o que de positivo for fazendo durante a época valerá... pouco ou quase nada. Mas, se isso é a verdade nua e crua do desporto profissional, parece cada vez mais óbvio que os encarnados estão, nesta fase, a praticar o mulher futebol dos últimos (largos) anos. E isso, por agora, é motivo de satisfação para as hostes benfiquistas que, mais do que ver o conjunto ganhar a maioria dos embates em que participa, festeja golos em doses industriais (média de 3,2 por encontro) e regozija-se com as várias sequências de futebol de alta qualidade com que tem sido regularmente brindada.
Jesus, no final do embate de quinta-feira, disse que esta não tinha sido a melhor exibição da temporada. Discordo. O que o Benfica fez na segunda parte do duelo com o Everton merece todos os elogios. Esta equipa inglesa - não sendo um Mancheser United, Chelsea, Liverpool ou Arsenal e reconhecendo que jogou desfalcada de alguns habituais titulares - não é uma formação qualquer. Com todo o respeito, é bem diferente do Monsanto ou do Vitória de Setúbal, outros emblemas que sofreram as consequências normais da actual vocação ofensiva das águias.
Considerar que uma formação que apresentou jogadores como Tim Howard, Distin, Fellaini, Saha, Yakubu, Bilyaletdinov, Cahill ou Jô é um conjunto menor é, basicamente, faltar à verdade. O que aconteceu é que os ingleses - que sofreram a maior derrota do seu historial nas competições europeias - tiveram muito azar: sofreram um golo logo na segunda oportunidade do opositor, encaixaram mais dois seguidos quando ainda pensavam estar no intervalo, apanharam com um trio argentino em jornada de franca inspiração (Di María continua a exibir-se a um nível que, confesso, jamais considerei possível tendo em conta as prestações confusas, egoístas e ineficientes da época passada) e ainda viram Cardozo dar a ideia de estar distante do jogo para, de repente, bisar.
Mas, sejamos justos: o Benfica não tem culpa nenhuma do azar alheio. Ou até tem! Foi o futebol agressivo, dinâmico, organizado e colectivo das águias que contribuiu, de forma decisiva, para o verdadeiro naufrágio britânico. Como se costuma dizer: uma equipa joga o que a outra deixa. Em traços gerais, os comandados de Jesus não deixaram os forasteiros fazer o que quer que fosse e estes acabaram por ser meros convidados para participar na festa encarnada.
Até onde voará esta águia é a questão que, por agora, todos colocam. Sinceramente, não sei a resposta, pois é preciso ter em conta que a época ainda é criança. Mas que existem razões suficientes para os encarnados sonharem alto... disso não restam dúvidas.
Jesus, no final do embate de quinta-feira, disse que esta não tinha sido a melhor exibição da temporada. Discordo. O que o Benfica fez na segunda parte do duelo com o Everton merece todos os elogios. Esta equipa inglesa - não sendo um Mancheser United, Chelsea, Liverpool ou Arsenal e reconhecendo que jogou desfalcada de alguns habituais titulares - não é uma formação qualquer. Com todo o respeito, é bem diferente do Monsanto ou do Vitória de Setúbal, outros emblemas que sofreram as consequências normais da actual vocação ofensiva das águias.
Considerar que uma formação que apresentou jogadores como Tim Howard, Distin, Fellaini, Saha, Yakubu, Bilyaletdinov, Cahill ou Jô é um conjunto menor é, basicamente, faltar à verdade. O que aconteceu é que os ingleses - que sofreram a maior derrota do seu historial nas competições europeias - tiveram muito azar: sofreram um golo logo na segunda oportunidade do opositor, encaixaram mais dois seguidos quando ainda pensavam estar no intervalo, apanharam com um trio argentino em jornada de franca inspiração (Di María continua a exibir-se a um nível que, confesso, jamais considerei possível tendo em conta as prestações confusas, egoístas e ineficientes da época passada) e ainda viram Cardozo dar a ideia de estar distante do jogo para, de repente, bisar.
Mas, sejamos justos: o Benfica não tem culpa nenhuma do azar alheio. Ou até tem! Foi o futebol agressivo, dinâmico, organizado e colectivo das águias que contribuiu, de forma decisiva, para o verdadeiro naufrágio britânico. Como se costuma dizer: uma equipa joga o que a outra deixa. Em traços gerais, os comandados de Jesus não deixaram os forasteiros fazer o que quer que fosse e estes acabaram por ser meros convidados para participar na festa encarnada.
Até onde voará esta águia é a questão que, por agora, todos colocam. Sinceramente, não sei a resposta, pois é preciso ter em conta que a época ainda é criança. Mas que existem razões suficientes para os encarnados sonharem alto... disso não restam dúvidas.
sábado, outubro 24, 2009
Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira
Lamento muito, mas um adepto não deve apenas dizer bem. Sobretudo quando é fácil. Apesar do bom futebol, das vitórias, do imenso receio que o Benfica inspira aos adversários, da profunda satisfação que todos os benfiquistas sentem quando vêem a equipa jogar, nem tudo corre bem. Um treinador deve exercer um controlo perfeito sobre a equipa e Jorge Jesus, por muito que me custe admiti-lo, não consegue. São já várias as conferências de imprensa em que o treinador do Benfica lembra que a equipa não pode golear sempre. Os jogadores, num acto de indisciplina recorrente, e que mereceria castigo sério, continuam a desmenti-lo. Quando chegou ao Benfica, Jorge Jesus disse que os jogadores iriam jogar o dobro do que haviam jogado no ano passado. Neste momento, os jogadores jogam o quádruplo do que Jorge Jesus pensava que eles iam jogar. É muito feio faltar ao prometido.
As falsas expectativas que o treinador do Benfica lançou no início da época tiveram efeitos muito negativos até na minha vida pessoal. Quando soube que o Benfica jogaria o dobro do que havia jogado no ano passado fiquei contente, mas não demasiado. O Benfica não jogava assim tanto para que a perspectiva de passar a jogar apenas o dobro fosse especialmente apelativa. Por isso, cometi a imprudência de marcar compromissos profissionais para dias de jogo do Benfica. Não pude ver no estádio a goleada ao Everton e fui forçado a acompanhar a goleada ao Belenenses apenas na televisão. Tivesse Jorge Jesus sido rigoroso e eu teria metido licença sem vencimento até ao fim da época.
*******
Muito embora o Benfica seja, neste momento, uma máquina de triturar equipas e fazer golos, muita gente adverte ainda para os perigos que podem resultar do entusiasmo dos benfiquistas. Pelos vistos, o entusiasmo benfiquista é perigoso. Quando as outras equipas perdem, o adversário joga melhor. Quando o Benfica perde, a culpa é do entusiasmo dos sócios. Não se percebe a razão pela qual os outros treinam: segundo esta curiosa teoria, basta entusiasmarem-nos o terceiro anel para estarmos em apuros. O mais interessante é que o mesmo entusiasmo, tão contraproducente, também é apontado como um factor que nos beneficia. Sportinguistas e portistas queixam-se de que a onda de entusiasmo contagia os jornais e empurra o Benfica, o treinador do Braga lamenta que o Benfica seja levado ao colo pela euforia dos seus próprios adeptos. Em Portugal, ser levado ao colo pelo entusiasmo dos adeptos é crime, ser levado ao colo pela arbitragem é dirigismo brilhante. O treinador do Braga, por exemplo, nunca se queixou disso. Calha sempre estar a olhar para o chão.
As falsas expectativas que o treinador do Benfica lançou no início da época tiveram efeitos muito negativos até na minha vida pessoal. Quando soube que o Benfica jogaria o dobro do que havia jogado no ano passado fiquei contente, mas não demasiado. O Benfica não jogava assim tanto para que a perspectiva de passar a jogar apenas o dobro fosse especialmente apelativa. Por isso, cometi a imprudência de marcar compromissos profissionais para dias de jogo do Benfica. Não pude ver no estádio a goleada ao Everton e fui forçado a acompanhar a goleada ao Belenenses apenas na televisão. Tivesse Jorge Jesus sido rigoroso e eu teria metido licença sem vencimento até ao fim da época.
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Muito embora o Benfica seja, neste momento, uma máquina de triturar equipas e fazer golos, muita gente adverte ainda para os perigos que podem resultar do entusiasmo dos benfiquistas. Pelos vistos, o entusiasmo benfiquista é perigoso. Quando as outras equipas perdem, o adversário joga melhor. Quando o Benfica perde, a culpa é do entusiasmo dos sócios. Não se percebe a razão pela qual os outros treinam: segundo esta curiosa teoria, basta entusiasmarem-nos o terceiro anel para estarmos em apuros. O mais interessante é que o mesmo entusiasmo, tão contraproducente, também é apontado como um factor que nos beneficia. Sportinguistas e portistas queixam-se de que a onda de entusiasmo contagia os jornais e empurra o Benfica, o treinador do Braga lamenta que o Benfica seja levado ao colo pela euforia dos seus próprios adeptos. Em Portugal, ser levado ao colo pelo entusiasmo dos adeptos é crime, ser levado ao colo pela arbitragem é dirigismo brilhante. O treinador do Braga, por exemplo, nunca se queixou disso. Calha sempre estar a olhar para o chão.
sábado, outubro 17, 2009
Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira
A minha pátria já está no Mundial
Bom, não estará completamente, mas para lá caminha. Não quero parecer demasiado optimista. É certo que faltam ainda uns dois jogos decisivos mas, em princípio, em breve fica tudo resolvido e a minha nação estará na África do Sul: Luisão e Ramires já se apuraram, Aimar e Di María (e, quem sabe, Saviola) também, Óscar Cardozo está igualmente qualificado, Quim, César Peixoto e Nuno Gomes podem estar quase, assim como Maxi Pereira, e o seleccionador de Javi Garcia já disse que o tem debaixo de olho. Vai ser um Mundial em cheio, talvez como o de 1990, em que também estivemos presentes. Decorria a fase de grupos quando o meu primo me telefonou: «Estás a ver o jogo do Benfica?» Claro que estava. Boa parte das pessoas chamava-lhe Brasil-Suécia, mas era o jogo do Benfica: Ricardo Gomes, Mozer, Valdo, Schwarz, Thern e Magnusson como titulares, e Glenn Stromberg ainda entrou, para dar ao jogo um cheirinho a velhas glórias. Foi um belo desafio dos meus compatriotas. Espero que o próximo Mundial me traga mais desses.
Talvez a maioria dos leitores não compreenda, mas sempre senti que o meu país é o Benfica. Sou português, claro, até porque o Benfica é português. Sou lisboeta, até porque o estádio da Luz fica em Lisboa. Mas a minha pátria é o Benfica. Sempre achei que pertencia mais ao país de Schwartz, Valdo e Filipovic do que ao de Fernando Couto, Jorge Costa e Sá Pinto. Os jogadores do Benfica são meus compatriotas; os da selecção nacional, nem sempre. Muito provavelmente, o leitor considerará que sou estranho, mas eu sinto-me muito mais compatriota de Ruben Amorim ou Fábio Coentrão do que de Liedson ou Pepe. É absurdo, eu sei, mas é assim.
****
Tenho estado a fazer uns tratamentos e aguardo resultados positivos em breve. Todos os dias, escrevo 10 vezes num caderno a frase «O Benfica não é obrigado a golear todos os jogos». E depois leio e finjo que acredito. Tudo isto serve para tentar moderar o entusiasmo, que é injustificado. O calendário tem sido favorável ao Benfica. Ainda não defrontou Porto, ou Sporting, o que já aconteceu com os outros. O Benfica limitou-se a dar três ao facílimo Paços de Ferreira (que empatou com o Porto) e dar quatro ao muito macio Belenenses (que empatou com o Sporting). Tudo jogos fáceis, claro. O avanço do Benfica não significa nada. Basta-me repetir esta frase um bom número de vezes e pode ser que passe a acreditar nisso. Os sportinguistas e portistas já conseguiram. Deve ser uma tarefa simples.
Bom, não estará completamente, mas para lá caminha. Não quero parecer demasiado optimista. É certo que faltam ainda uns dois jogos decisivos mas, em princípio, em breve fica tudo resolvido e a minha nação estará na África do Sul: Luisão e Ramires já se apuraram, Aimar e Di María (e, quem sabe, Saviola) também, Óscar Cardozo está igualmente qualificado, Quim, César Peixoto e Nuno Gomes podem estar quase, assim como Maxi Pereira, e o seleccionador de Javi Garcia já disse que o tem debaixo de olho. Vai ser um Mundial em cheio, talvez como o de 1990, em que também estivemos presentes. Decorria a fase de grupos quando o meu primo me telefonou: «Estás a ver o jogo do Benfica?» Claro que estava. Boa parte das pessoas chamava-lhe Brasil-Suécia, mas era o jogo do Benfica: Ricardo Gomes, Mozer, Valdo, Schwarz, Thern e Magnusson como titulares, e Glenn Stromberg ainda entrou, para dar ao jogo um cheirinho a velhas glórias. Foi um belo desafio dos meus compatriotas. Espero que o próximo Mundial me traga mais desses.
Talvez a maioria dos leitores não compreenda, mas sempre senti que o meu país é o Benfica. Sou português, claro, até porque o Benfica é português. Sou lisboeta, até porque o estádio da Luz fica em Lisboa. Mas a minha pátria é o Benfica. Sempre achei que pertencia mais ao país de Schwartz, Valdo e Filipovic do que ao de Fernando Couto, Jorge Costa e Sá Pinto. Os jogadores do Benfica são meus compatriotas; os da selecção nacional, nem sempre. Muito provavelmente, o leitor considerará que sou estranho, mas eu sinto-me muito mais compatriota de Ruben Amorim ou Fábio Coentrão do que de Liedson ou Pepe. É absurdo, eu sei, mas é assim.
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Tenho estado a fazer uns tratamentos e aguardo resultados positivos em breve. Todos os dias, escrevo 10 vezes num caderno a frase «O Benfica não é obrigado a golear todos os jogos». E depois leio e finjo que acredito. Tudo isto serve para tentar moderar o entusiasmo, que é injustificado. O calendário tem sido favorável ao Benfica. Ainda não defrontou Porto, ou Sporting, o que já aconteceu com os outros. O Benfica limitou-se a dar três ao facílimo Paços de Ferreira (que empatou com o Porto) e dar quatro ao muito macio Belenenses (que empatou com o Sporting). Tudo jogos fáceis, claro. O avanço do Benfica não significa nada. Basta-me repetir esta frase um bom número de vezes e pode ser que passe a acreditar nisso. Os sportinguistas e portistas já conseguiram. Deve ser uma tarefa simples.
quinta-feira, outubro 15, 2009
Artigo de Opinião de Leonor Pinhão
Pedro Mendes devia ter sido 'naturalizado' muito mais cedo
Liedson, o mais recente naturalizado do futebol português, foi ontem substituído a um quarto de hora do fim do jogo de Guimarães e o público que enchia a casa tributou-lhe uma afectuosa salva de palmas. Já tinha acontecido o mesmo no sábado no jogo com a Hungria, tendo Liedson experimentado, pela primeira vez em toda a sua carreira, a sensação de ter o Estádio da Luz a render-lhe homenagem. E parece que gostou.
A naturalização de Liedson, que tanto deu que falar, provou a sua utilidade nestes últimos quatro jogos da Selecção. O brasileiro-português marcou dois golos e, em momentos de aperto, todos os golos são importantes.
Para evitar tanto sofrimento e tantas contas, outro jogador houve que devia ter sido naturalizado mais cedo. Muito mais cedo. Trata-se de Pedro Mendes, um escocês nascido e criado em Guimarães e que joga no Glasgow Rangers, campeonato que não desperta grande atenção em Portugal, o que só por si explica a ignorância lusa no que diz respeito às capacidades deste escocês que tanto jeito nos deu nos dois únicos jogos que fez, precisamente os dois últimos.
Pedro Mendes foi naturalizado à pressa, em coisa de meia hora, quando foi preciso ir repescar um jogador para substituir Pepe, impedido de jogar contra a Hungria. Foi uma grande surpresa para a generalidade do público e da crítica o valioso nível de empenho e de talento sem arrebiques que o escocês emprestou à Selecção Nacional. Ontem, contra Malta, só conseguiu errar um primeiro passe aos 71 minutos do jogo.
A naturalização-relâmpago de Pedro Mendes foi uma decisão brilhante. Mérito para quem a tomou.
****
De um modo peculiar e mal compreendido, provocando um efeito cuja visibilidade não é de imediata apreensão para os sofredores nacionais, o Real Madrid deu um muito precioso contributo para o bom nome da Selecção Nacional ao impedir que Cristiano Ronaldo se prestasse ao papel de Santa Mascote e que o sentassem, porventura, nalgum nicho de flores improvisado no estádio de Guimarães para que do seu lugar benzido por tanto fervor patriótico pudesse ele benzer, só com os olhos, as exibições dos companheiros que tinham de levar de vencida os pobres malteses.
O jogo era importante, era. Decisivo, sim. No intuito de mobilizar os adeptos em nome de uma supostamente indispensável belicosidade que há-de atemorizar a outra equipa, ao ponto de não a deixar dormir, é uma tradição do futebol-baixeza , inventar guerras extra-bola com os adversários nas vésperas de jogos importantes e decisivos. Mas ontem o adversário era Malta. Que espécie de guerra poderíamos ter com os malteses? Nenhuma.
Resolveu-se, então, que o melhor era declarar guerra ao Real Madrid.
Muito amavelmente, o Real Madrid consentiu que Cristiano Ronaldo, lesionado no tornozelo direito, se juntasse aos seus compatriotas na preparação para o jogo com a Hungria. E se foi com espanto e preocupação que os espanhóis viram o seu investimento de 94 milhões de euros entrar em campo, na Luz, foi com indescritível horror que o viram sair de campo, aos 27 minutos do jogo, a coxear.
O resto é óbvio. O Real Madrid quer Cristiano Ronaldo em Madrid entregue aos médicos sabendo-se já, em Chamartin, que o seu camisa n.º 9 vai falhar os dois jogos com AC Milan, para a Liga dos Campeões, mais outros quatro jogos na Liga espanhola e dois na Taça do Rei. Se o Real Madrid não deixou, felizmente, Cristiano Ronaldo estar em Guimarães é porque não brinca com coisas sérias.
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Na temporada passada, o Benfica de Quique Flores produziu um jogo de grande categoria contra o Nápoles, no Estádio da Luz. E fez também um belíssimo jogo contra o Sporting, no Estádio da Luz. Foram prometedores esses fogachos que, ainda que muito precocemente, alumiaram a esperança benfiquista.
Era, portanto, muito cedo.
Corria o mês de Setembro de 2008 quando Nápoles e Sporting se vergaram ao bonito e eficaz futebol benfiquista e, depois disso, o que se viu foi um Benfica igual ao Benfica dos últimos anos no campeonato nacional, perdendo em casa todos os pontos que não podia perder, um Benfica medíocre na Taça de Portugal, não sabendo nem podendo fazer melhor do que o Leixões no Estádio do Mar e, finalmente, um Benfica francamente lamentável na extinta Taça UEFA.
E tão lamentável foi esse percurso europeu de 2008/2009 que, fanatismos à parte, há quem, entre nós, considere que a própria Taça UEFA exigiu mudar de nome por causa do mau aspecto que lhe foi outorgado pela incrível série de exibições e de resultados da equipa de Quique Flores.
No entanto, o treinador espanhol não voltou ao seu país de mãos a abanar. Poderá sempre dizer e pôr no currículo que venceu uma competição interna, a Taça da Liga, o que não deixa de ser verdade.
Dirão os nossos adversários vencidos nessa final que quem ganhou a Taça da Liga não foi nada Quique Flores mas sim Lucílio Baptista, por ter assinalado uma grande penalidade de origem duvidosa e que permitiu ao Benfica disputar a decisão no desempate por grandes penalidades.
Ripostarão os pragmáticos, mais ou menos benfiquistas, garantindo que quem ganhou a Taça da Liga para o Benfica foi o seu guarda-redes, Quim, que defendeu quatro chutos de onze metros pelo que Quique Flores, o treinador, nada teve a ver com aquele brilhantíssimo sucesso.
Posto isto, nas últimas semanas da época passada foi sendo óbvio que Quique Flores não era mais o treinador pretendido pelos responsáveis da Luz e que os seus dias, em Lisboa, estavam contados. Não foi Quique o primeiro treinador a sair do Benfica antes de terminar o contrato mas, pelo menos, conseguiu cumprir até ao fim o seu primeiro e único ano, e, coisa rara de se ver, sempre com o apoio dos adeptos, que o estimavam, e que lhe proporcionaram uma emotiva despedida no último jogo em que se sentou no banco no Estádio da Luz.
Em Maio, Quique, sabendo já que era pela derradeira vez que ocupava o assento, primou em dar uma volta ao campo e em receber palmadinhas nas costas, abraços e outros cumprimentos afectuosos da afición que se mostrava contrária à sua partida. Conhecendo o grau de exigência — frequentemente absurda — da massa adepta do Benfica, a situação foi, no mínimo, misteriosa. Difícil de explicar.
Tivemos de esperar cinco meses pela explicação devida. E foi o próprio Quique Flores a dá-la. Esta semana, numa entrevista ao jornal desportivo espanhol Superdeporte, o treinador fez, em curtas palavras, o seu balanço pessoal da passagem pela Luz. «No Benfica, centrei-me no meu trabalho e em fazer com que os adeptos gostassem do treinador», disse. E conseguiu, sim senhor. À campeão.
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Campeão, mas campeão a sério, de futebol, é Giovanni Trapattoni, como sabemos por experiência própria. Trapattoni é o treinador da selecção da República da Irlanda que poderá ser nossa adversária nos play-offs de qualificação para o Mundial. De um modo geral, convencionou-se que a Ucrânia seria o adversário mais difícil para Portugal. Há quem discorde. Eu, por exemplo. E já que Portugal tem a sorte de escapar à França e à Grécia, que tenha mais um bocadinho de sorte e que consiga fugir ao temível sortilégio de Trapattoni, sempre a velha raposa, com irlandeses e tudo…
Liedson, o mais recente naturalizado do futebol português, foi ontem substituído a um quarto de hora do fim do jogo de Guimarães e o público que enchia a casa tributou-lhe uma afectuosa salva de palmas. Já tinha acontecido o mesmo no sábado no jogo com a Hungria, tendo Liedson experimentado, pela primeira vez em toda a sua carreira, a sensação de ter o Estádio da Luz a render-lhe homenagem. E parece que gostou.
A naturalização de Liedson, que tanto deu que falar, provou a sua utilidade nestes últimos quatro jogos da Selecção. O brasileiro-português marcou dois golos e, em momentos de aperto, todos os golos são importantes.
Para evitar tanto sofrimento e tantas contas, outro jogador houve que devia ter sido naturalizado mais cedo. Muito mais cedo. Trata-se de Pedro Mendes, um escocês nascido e criado em Guimarães e que joga no Glasgow Rangers, campeonato que não desperta grande atenção em Portugal, o que só por si explica a ignorância lusa no que diz respeito às capacidades deste escocês que tanto jeito nos deu nos dois únicos jogos que fez, precisamente os dois últimos.
Pedro Mendes foi naturalizado à pressa, em coisa de meia hora, quando foi preciso ir repescar um jogador para substituir Pepe, impedido de jogar contra a Hungria. Foi uma grande surpresa para a generalidade do público e da crítica o valioso nível de empenho e de talento sem arrebiques que o escocês emprestou à Selecção Nacional. Ontem, contra Malta, só conseguiu errar um primeiro passe aos 71 minutos do jogo.
A naturalização-relâmpago de Pedro Mendes foi uma decisão brilhante. Mérito para quem a tomou.
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De um modo peculiar e mal compreendido, provocando um efeito cuja visibilidade não é de imediata apreensão para os sofredores nacionais, o Real Madrid deu um muito precioso contributo para o bom nome da Selecção Nacional ao impedir que Cristiano Ronaldo se prestasse ao papel de Santa Mascote e que o sentassem, porventura, nalgum nicho de flores improvisado no estádio de Guimarães para que do seu lugar benzido por tanto fervor patriótico pudesse ele benzer, só com os olhos, as exibições dos companheiros que tinham de levar de vencida os pobres malteses.
O jogo era importante, era. Decisivo, sim. No intuito de mobilizar os adeptos em nome de uma supostamente indispensável belicosidade que há-de atemorizar a outra equipa, ao ponto de não a deixar dormir, é uma tradição do futebol-baixeza , inventar guerras extra-bola com os adversários nas vésperas de jogos importantes e decisivos. Mas ontem o adversário era Malta. Que espécie de guerra poderíamos ter com os malteses? Nenhuma.
Resolveu-se, então, que o melhor era declarar guerra ao Real Madrid.
Muito amavelmente, o Real Madrid consentiu que Cristiano Ronaldo, lesionado no tornozelo direito, se juntasse aos seus compatriotas na preparação para o jogo com a Hungria. E se foi com espanto e preocupação que os espanhóis viram o seu investimento de 94 milhões de euros entrar em campo, na Luz, foi com indescritível horror que o viram sair de campo, aos 27 minutos do jogo, a coxear.
O resto é óbvio. O Real Madrid quer Cristiano Ronaldo em Madrid entregue aos médicos sabendo-se já, em Chamartin, que o seu camisa n.º 9 vai falhar os dois jogos com AC Milan, para a Liga dos Campeões, mais outros quatro jogos na Liga espanhola e dois na Taça do Rei. Se o Real Madrid não deixou, felizmente, Cristiano Ronaldo estar em Guimarães é porque não brinca com coisas sérias.
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Na temporada passada, o Benfica de Quique Flores produziu um jogo de grande categoria contra o Nápoles, no Estádio da Luz. E fez também um belíssimo jogo contra o Sporting, no Estádio da Luz. Foram prometedores esses fogachos que, ainda que muito precocemente, alumiaram a esperança benfiquista.
Era, portanto, muito cedo.
Corria o mês de Setembro de 2008 quando Nápoles e Sporting se vergaram ao bonito e eficaz futebol benfiquista e, depois disso, o que se viu foi um Benfica igual ao Benfica dos últimos anos no campeonato nacional, perdendo em casa todos os pontos que não podia perder, um Benfica medíocre na Taça de Portugal, não sabendo nem podendo fazer melhor do que o Leixões no Estádio do Mar e, finalmente, um Benfica francamente lamentável na extinta Taça UEFA.
E tão lamentável foi esse percurso europeu de 2008/2009 que, fanatismos à parte, há quem, entre nós, considere que a própria Taça UEFA exigiu mudar de nome por causa do mau aspecto que lhe foi outorgado pela incrível série de exibições e de resultados da equipa de Quique Flores.
No entanto, o treinador espanhol não voltou ao seu país de mãos a abanar. Poderá sempre dizer e pôr no currículo que venceu uma competição interna, a Taça da Liga, o que não deixa de ser verdade.
Dirão os nossos adversários vencidos nessa final que quem ganhou a Taça da Liga não foi nada Quique Flores mas sim Lucílio Baptista, por ter assinalado uma grande penalidade de origem duvidosa e que permitiu ao Benfica disputar a decisão no desempate por grandes penalidades.
Ripostarão os pragmáticos, mais ou menos benfiquistas, garantindo que quem ganhou a Taça da Liga para o Benfica foi o seu guarda-redes, Quim, que defendeu quatro chutos de onze metros pelo que Quique Flores, o treinador, nada teve a ver com aquele brilhantíssimo sucesso.
Posto isto, nas últimas semanas da época passada foi sendo óbvio que Quique Flores não era mais o treinador pretendido pelos responsáveis da Luz e que os seus dias, em Lisboa, estavam contados. Não foi Quique o primeiro treinador a sair do Benfica antes de terminar o contrato mas, pelo menos, conseguiu cumprir até ao fim o seu primeiro e único ano, e, coisa rara de se ver, sempre com o apoio dos adeptos, que o estimavam, e que lhe proporcionaram uma emotiva despedida no último jogo em que se sentou no banco no Estádio da Luz.
Em Maio, Quique, sabendo já que era pela derradeira vez que ocupava o assento, primou em dar uma volta ao campo e em receber palmadinhas nas costas, abraços e outros cumprimentos afectuosos da afición que se mostrava contrária à sua partida. Conhecendo o grau de exigência — frequentemente absurda — da massa adepta do Benfica, a situação foi, no mínimo, misteriosa. Difícil de explicar.
Tivemos de esperar cinco meses pela explicação devida. E foi o próprio Quique Flores a dá-la. Esta semana, numa entrevista ao jornal desportivo espanhol Superdeporte, o treinador fez, em curtas palavras, o seu balanço pessoal da passagem pela Luz. «No Benfica, centrei-me no meu trabalho e em fazer com que os adeptos gostassem do treinador», disse. E conseguiu, sim senhor. À campeão.
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Campeão, mas campeão a sério, de futebol, é Giovanni Trapattoni, como sabemos por experiência própria. Trapattoni é o treinador da selecção da República da Irlanda que poderá ser nossa adversária nos play-offs de qualificação para o Mundial. De um modo geral, convencionou-se que a Ucrânia seria o adversário mais difícil para Portugal. Há quem discorde. Eu, por exemplo. E já que Portugal tem a sorte de escapar à França e à Grécia, que tenha mais um bocadinho de sorte e que consiga fugir ao temível sortilégio de Trapattoni, sempre a velha raposa, com irlandeses e tudo…
quarta-feira, outubro 14, 2009
Artigo de Opinião de Fernando Guerra
É o Sporting de Braga o dono do primeiro lugar da classificação, dois pontos acima do Benfica e cinco do FC Porto. Há um ano, também com sete jornadas cumpridas, o panorama apresentava duas diferenças: era o Leixões quem liderava, com o Benfica a um ponto e o FC Porto a cinco. Portanto, além de outro comandante provisório, a única variação prende-se com o encurtamento em um ponto na desvantagem da equipa de Jesualdo Ferreira em relação à de Jorge Jesus.
Não será possível, por isso, através deste breve exercício, descortinar explicação razoável para a inesperada alteração comportamental do presidente portista.
Do ano passado, em situação ligeiramente mais problemática (quatro pontos de atraso), não há sinal de comentários com direito a registo nas nossas memórias, mas agora, por motivos que escapam, parece ter tido um despertar agitado vai para duas semanas.
Misteriosa reacção esta, por certo causada por medonho pesadelo, ainda por cima vermelho, que desde então tem subordinado o sentido das suas intervenções, como a que protagonizou no último fim-de-semana em que, num quadro de absoluto despropósito, e quando pretendia assinalar uma data de referência para o emblema do dragão, precisou de se pendurar nas asas da águia, adversário de estimação, para descarregar a inconveniência do discurso, no estilo e no conteúdo, gasto de tanto repetido, onde a ironia se disfarçou de piada fácil, apenas para consumo em inaugurações, festas e jantares.
Resquícios da pequenez que sempre caracterizou a sua política de conflitualidade, avessa à serenidade, à sensatez e à clareza, que tanto se reclamam para o futebol português, e ao mesmo tempo castradora do reforço da expansão portista. É notável o sucesso desportivo durante o seu magistério, mas tudo começa e acaba. Ora, como se adivinha a iminência de transição de ciclos a dúvida é saber como será quando abrandar a chama aglutinadora dos títulos. Quem vier a seguir que se amanhe...
Pinto da Costa deu muitas vitórias ao FC Porto mas não autorizou que ele crescesse quanto podia ou não considerou suficientemente relevante essa evolução; isto é, a de transformar um grande clube de implantação regional num outro de dimensão verdadeiramente nacional. Este salto teve condições favoráveis para ser dado, ou tentado, pelo menos, imediatamente a seguir à vaga de simpatia azul e branca que alastrou um pouco por todo o País em 2003, quando da conquista da Taça UEFA, em Sevilha. A ordem foi para travar, contudo, em obediência ao canhestro pensamento de «todos contra nós»...
Aliás, o FC Porto deve ser o único clube que ganha uma Liga dos Campeões e, em vez de festejar com a exuberância que o feito justifica, opta por destapar desavenças internas com o objectivo de desvalorizar o trabalho do treinador José Mourinho, o qual, recordam-se?, no regresso da Alemanha, abandonou o aeroporto pela porta do lado por forma a evitar encontros indesejáveis com a facção mais descontrolada de obediente claque. E quando se privilegia o choque de protagonismos e se diminui o significado do triunfo na mais destacada prova do continente europeu, chega-se à conclusão que o problema reside nas mentalidades, luminosas mas curtas. Engolidas pela eficácia da máquina futebolística por elas gerada...
Continua por decifrar o enigma que envolve esta súbita obcecação de Pinto da Costa pelo que se passa trezentos quilómetros a sul. Será por o Benfica estar mais forte e a jogar bem? Será por Jorge se chamar Jesus e não Flores? Provavelmente, mas não é só. Às preocupações de fora acrescentam-se as de dentro trazidas pelo advento do processo de sucessão.
Talvez ele sinta a necessidade de fazer ou dizer qualquer coisa para fixar a confiança dos que ainda o seguem até de olhos fechados. Cada vez em menor número, porém, de que o resultado da eleição autárquica no concelho do Porto constitui a prova mais recente...
Não será possível, por isso, através deste breve exercício, descortinar explicação razoável para a inesperada alteração comportamental do presidente portista.
Do ano passado, em situação ligeiramente mais problemática (quatro pontos de atraso), não há sinal de comentários com direito a registo nas nossas memórias, mas agora, por motivos que escapam, parece ter tido um despertar agitado vai para duas semanas.
Misteriosa reacção esta, por certo causada por medonho pesadelo, ainda por cima vermelho, que desde então tem subordinado o sentido das suas intervenções, como a que protagonizou no último fim-de-semana em que, num quadro de absoluto despropósito, e quando pretendia assinalar uma data de referência para o emblema do dragão, precisou de se pendurar nas asas da águia, adversário de estimação, para descarregar a inconveniência do discurso, no estilo e no conteúdo, gasto de tanto repetido, onde a ironia se disfarçou de piada fácil, apenas para consumo em inaugurações, festas e jantares.
Resquícios da pequenez que sempre caracterizou a sua política de conflitualidade, avessa à serenidade, à sensatez e à clareza, que tanto se reclamam para o futebol português, e ao mesmo tempo castradora do reforço da expansão portista. É notável o sucesso desportivo durante o seu magistério, mas tudo começa e acaba. Ora, como se adivinha a iminência de transição de ciclos a dúvida é saber como será quando abrandar a chama aglutinadora dos títulos. Quem vier a seguir que se amanhe...
Pinto da Costa deu muitas vitórias ao FC Porto mas não autorizou que ele crescesse quanto podia ou não considerou suficientemente relevante essa evolução; isto é, a de transformar um grande clube de implantação regional num outro de dimensão verdadeiramente nacional. Este salto teve condições favoráveis para ser dado, ou tentado, pelo menos, imediatamente a seguir à vaga de simpatia azul e branca que alastrou um pouco por todo o País em 2003, quando da conquista da Taça UEFA, em Sevilha. A ordem foi para travar, contudo, em obediência ao canhestro pensamento de «todos contra nós»...
Aliás, o FC Porto deve ser o único clube que ganha uma Liga dos Campeões e, em vez de festejar com a exuberância que o feito justifica, opta por destapar desavenças internas com o objectivo de desvalorizar o trabalho do treinador José Mourinho, o qual, recordam-se?, no regresso da Alemanha, abandonou o aeroporto pela porta do lado por forma a evitar encontros indesejáveis com a facção mais descontrolada de obediente claque. E quando se privilegia o choque de protagonismos e se diminui o significado do triunfo na mais destacada prova do continente europeu, chega-se à conclusão que o problema reside nas mentalidades, luminosas mas curtas. Engolidas pela eficácia da máquina futebolística por elas gerada...
Continua por decifrar o enigma que envolve esta súbita obcecação de Pinto da Costa pelo que se passa trezentos quilómetros a sul. Será por o Benfica estar mais forte e a jogar bem? Será por Jorge se chamar Jesus e não Flores? Provavelmente, mas não é só. Às preocupações de fora acrescentam-se as de dentro trazidas pelo advento do processo de sucessão.
Talvez ele sinta a necessidade de fazer ou dizer qualquer coisa para fixar a confiança dos que ainda o seguem até de olhos fechados. Cada vez em menor número, porém, de que o resultado da eleição autárquica no concelho do Porto constitui a prova mais recente...
domingo, outubro 11, 2009
Artigo de Opinião de Luís Avelãs
Bettencourt e a conversa da treta
O presidente leonino já tinha avisado - depois de ter elogiado o Benfica durante a pré-temporada, o que não caiu bem em muitos associados e adeptos do Sporting - que iria continuar a dizer o que pensava, pouco ou nada preocupado com a interpretação dada às suas palavras. Cumpriu. Em Vendas Novas, no fim-de-semana, resolveu atirar-se com tudo ao rival da Segunda Circular, criticando o recente Fundo de Investimentos, os valores atribuídos aos passes de alguns futebolistas encarnados, etc, etc.
Por outras palavras, José Eduardo Bettencourt fez aquilo que é típico em Portugal: entreteve-se a falar da casa alheia, esquecendo-se que a sua principal preocupação devia ser tratar dos (muitos) problemas do clube que dirige. Mas, já se sabe, falar (e opinar) sobre a vida dos outros é, em qualquer situação, sempre mais fácil e apetecível.
Não interessa para o caso se o que Luís Filipe Vieira faz na Luz está certo ou errado. Isso é algo que, em princípio, não deveria ser questão importante para Bettencourt. Se o líder leonino considera que o tal Fundo de Investimento "é uma vergonha" tem bom remédio: não o subscreve, nem decide imitar o modelo no seu clube.
Bettencourt parecia ser um dirigente diferente. Chegou a Alvalade cheio de energia e desejoso de restituir aos leões um passado mais popular. O "show" dado no momento da eleição - ladeado de outros membros dos órgão sociais que mais pareciam a cúpula da Juventude Leonina - prometia, de facto, um Sporting mais próximo das bases. No entanto, ao optar por este tipo de declarações e postura, perfeitamente fora do contexto, parece ser igual a tantos outros. Com a agravante de que, desportivamente, o clube tarda em acertar o passo.
Quem tem como desígnio (e actualmente como profissão, pois convém recordar que é pago para exercer estas funções) comandar os destinos do Sporting, não devia perder tanto tempo a olhar para o que se passa na Luz ou no Dragão. Em Alvalade (e na Academia), pelo que todos sabemos e temos visto, há assuntos de sobra para o preocupar.
A conversa de que os rivais possuem orçamentos mais elevados está gasta, assim como a da aposta na juventude (que Paulo Bento já justificou com a falta de recursos financeiros). É evidente que quem tem maior desafogo pode contratar melhores futebolistas. Mas, historicamente, isso sempre foi assim. Em Portugal e lá fora. Será que Bettencourt só repara que dragões e águias gastam mais dinheiro? Será que ainda não descobriu que, por exemplo, Nacional, Sp. Braga ou Belenenses gastam menos que o Sporting e nem por isso foram derrotados pelos leões nos recentes duelos?
Os sócios e adeptos do clube de Alvalade não querem saber o que se passa na gestão dos rivais. Gostavam era de perceber a razão porque o futebol da sua equipa parece uma manta de retalhos, inclusive nos (poucos) jogos em que até conseguem vencer. E se num passado recente, o conjunto já rendeu mais, porque razão exibe uma confrangedora apatia nos últimos tempos. Mas sobre isso, o presidente parece não ter nada a dizer. Nem sobre isso, nem sobre os constantes assobios que se escutam em Alvalade, nem tão-pouco sobre as críticas a Paulo Bento que não param de aumentar.
Bettencourt tem de olhar mais para dentro e menos para fora. Por muito que se esforce a tentar esconder o óbvio, não são os adversários, nem os árbitros, os culpados das contínuas más prestações leoninas.
E já agora deixo aqui um conselho: em momentos de crise, o clube precisa de unir esforços e não de criar clivagens. Criticar de forma tão dura aqueles que, sendo sportinguistas, não pensam como ele não é a melhor estratégia. E, se como diz, "salvadores são aqueles que de forma silenciosa e invisível dão o apoio ao clube", talvez fosse boa ideia pensar duas vezes antes... de falar! É que assim está a ser exactamente igual a outros dirigentes que também pensam ser os únicos donos da verdade e da razão. E não há ninguém assim!
PS - Tinha algumas dúvidas em relação à capacidade do Benfica reagir, em Paços de Ferreira, à derrota averbada em Atenas. Fiquei esclarecido. Mesmo abdicando de jogar na segunda parte, a verdade é que as águias nem deixaram os locais acreditar num bom resultado. E ninguém se lembrou das ausências de Maxi Pereira, Aimar ou Di Maria.
O presidente leonino já tinha avisado - depois de ter elogiado o Benfica durante a pré-temporada, o que não caiu bem em muitos associados e adeptos do Sporting - que iria continuar a dizer o que pensava, pouco ou nada preocupado com a interpretação dada às suas palavras. Cumpriu. Em Vendas Novas, no fim-de-semana, resolveu atirar-se com tudo ao rival da Segunda Circular, criticando o recente Fundo de Investimentos, os valores atribuídos aos passes de alguns futebolistas encarnados, etc, etc.
Por outras palavras, José Eduardo Bettencourt fez aquilo que é típico em Portugal: entreteve-se a falar da casa alheia, esquecendo-se que a sua principal preocupação devia ser tratar dos (muitos) problemas do clube que dirige. Mas, já se sabe, falar (e opinar) sobre a vida dos outros é, em qualquer situação, sempre mais fácil e apetecível.
Não interessa para o caso se o que Luís Filipe Vieira faz na Luz está certo ou errado. Isso é algo que, em princípio, não deveria ser questão importante para Bettencourt. Se o líder leonino considera que o tal Fundo de Investimento "é uma vergonha" tem bom remédio: não o subscreve, nem decide imitar o modelo no seu clube.
Bettencourt parecia ser um dirigente diferente. Chegou a Alvalade cheio de energia e desejoso de restituir aos leões um passado mais popular. O "show" dado no momento da eleição - ladeado de outros membros dos órgão sociais que mais pareciam a cúpula da Juventude Leonina - prometia, de facto, um Sporting mais próximo das bases. No entanto, ao optar por este tipo de declarações e postura, perfeitamente fora do contexto, parece ser igual a tantos outros. Com a agravante de que, desportivamente, o clube tarda em acertar o passo.
Quem tem como desígnio (e actualmente como profissão, pois convém recordar que é pago para exercer estas funções) comandar os destinos do Sporting, não devia perder tanto tempo a olhar para o que se passa na Luz ou no Dragão. Em Alvalade (e na Academia), pelo que todos sabemos e temos visto, há assuntos de sobra para o preocupar.
A conversa de que os rivais possuem orçamentos mais elevados está gasta, assim como a da aposta na juventude (que Paulo Bento já justificou com a falta de recursos financeiros). É evidente que quem tem maior desafogo pode contratar melhores futebolistas. Mas, historicamente, isso sempre foi assim. Em Portugal e lá fora. Será que Bettencourt só repara que dragões e águias gastam mais dinheiro? Será que ainda não descobriu que, por exemplo, Nacional, Sp. Braga ou Belenenses gastam menos que o Sporting e nem por isso foram derrotados pelos leões nos recentes duelos?
Os sócios e adeptos do clube de Alvalade não querem saber o que se passa na gestão dos rivais. Gostavam era de perceber a razão porque o futebol da sua equipa parece uma manta de retalhos, inclusive nos (poucos) jogos em que até conseguem vencer. E se num passado recente, o conjunto já rendeu mais, porque razão exibe uma confrangedora apatia nos últimos tempos. Mas sobre isso, o presidente parece não ter nada a dizer. Nem sobre isso, nem sobre os constantes assobios que se escutam em Alvalade, nem tão-pouco sobre as críticas a Paulo Bento que não param de aumentar.
Bettencourt tem de olhar mais para dentro e menos para fora. Por muito que se esforce a tentar esconder o óbvio, não são os adversários, nem os árbitros, os culpados das contínuas más prestações leoninas.
E já agora deixo aqui um conselho: em momentos de crise, o clube precisa de unir esforços e não de criar clivagens. Criticar de forma tão dura aqueles que, sendo sportinguistas, não pensam como ele não é a melhor estratégia. E, se como diz, "salvadores são aqueles que de forma silenciosa e invisível dão o apoio ao clube", talvez fosse boa ideia pensar duas vezes antes... de falar! É que assim está a ser exactamente igual a outros dirigentes que também pensam ser os únicos donos da verdade e da razão. E não há ninguém assim!
PS - Tinha algumas dúvidas em relação à capacidade do Benfica reagir, em Paços de Ferreira, à derrota averbada em Atenas. Fiquei esclarecido. Mesmo abdicando de jogar na segunda parte, a verdade é que as águias nem deixaram os locais acreditar num bom resultado. E ninguém se lembrou das ausências de Maxi Pereira, Aimar ou Di Maria.
sábado, outubro 10, 2009
Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira
Desta vez Pinto da Costa tem razão
É muito raro, e portanto trata-se de um facto que merece ser celebrado: Pinto da Costa tem razão.
Nos intervalos de receber árbitros em casa para fornecer aconselhamento matrimonial aos seus paizinhos e de atropelar fotógrafos do JN, Pinto da Costa consegue além disso tirar algum tempo a esta vida preenchida para enriquecer o País com declarações.
As declarações costumam ser de dois tipos: ou são declarações de José Régio que chegam ao domínio público em segunda mão, habitualmente em cerimónias especiais, através daquilo que Pinto da Costa julga ser declamar (um castigo que nem os versos de Nel Monteiro mereciam, quanto mais os do pobre Régio), ou são declarações da lavra do próprio Pinto da Costa — que são frequentemente mais poéticas. As últimas, pelo menos, soaram-me a poesia.
No aniversário do Futebol Clube de Infesta, o presidente do Porto tomou a palavra para falar, evidentemente, do Benfica.
É o tema que vem mais a propósito, até porque, para dizer a verdade, o Benfica vem sempre a propósito.
E foi nessa altura que Pinto da Costa proferiu as palavras a que qualquer pessoa de bom senso, não sendo sectária, deve dar razão: «Ao contrário do que alguns dão a entender, o grande adversário do Porto no campeonato é o Braga, e não o Benfica».
Há muito tempo que venho dizendo o mesmo: é com o Braga que o Porto vai ter de discutir o segundo lugar do campeonato.
Com cuidado, porque o Nacional (e até, quem sabe, o Sporting) pode intrometer-se nesse interessante combate, mas sobretudo será uma luta a dois entre o Braga e o Porto. Que isto seja óbvio apenas para mim e para Pinto da Costa é que eu acho estranho. Em abono da verdade, devo dizer que Pinto da Costa percebeu tudo isto primeiro do que eu.
Quando, por exemplo, agradeceu Falcao ao Benfica, estava já a planear esta estratégia de confronto com o Braga: recrutar um reforço que estaria bem no banco do Benfica (marca quase tantos golos como o Cardozo!) é o modo ideal de atacar o Braga. Para se superiorizar ao Benfica, teria de contratar um ponta-de-lança que marcasse mais do que o titular do Glorioso, claro.
A aposta de Pinto da Costa no segundo lugar é, portanto, correctíssima, e comprova-se a toda a hora: a notícia segundo a qual o presidente do Porto vendeu mais de 15.000 acções da SAD do Porto indica justamente que o futuro não é tão risonho como nos anos anteriores.
É melhor vender tudo enquanto ainda vale alguma coisa e, quem sabe, investir em títulos que valham mais que os do Sporting e Porto juntos.
Eu sei de uns que correspondem à descrição, e até tenho alguns. Mas não estou vendedor.
É muito raro, e portanto trata-se de um facto que merece ser celebrado: Pinto da Costa tem razão.
Nos intervalos de receber árbitros em casa para fornecer aconselhamento matrimonial aos seus paizinhos e de atropelar fotógrafos do JN, Pinto da Costa consegue além disso tirar algum tempo a esta vida preenchida para enriquecer o País com declarações.
As declarações costumam ser de dois tipos: ou são declarações de José Régio que chegam ao domínio público em segunda mão, habitualmente em cerimónias especiais, através daquilo que Pinto da Costa julga ser declamar (um castigo que nem os versos de Nel Monteiro mereciam, quanto mais os do pobre Régio), ou são declarações da lavra do próprio Pinto da Costa — que são frequentemente mais poéticas. As últimas, pelo menos, soaram-me a poesia.
No aniversário do Futebol Clube de Infesta, o presidente do Porto tomou a palavra para falar, evidentemente, do Benfica.
É o tema que vem mais a propósito, até porque, para dizer a verdade, o Benfica vem sempre a propósito.
E foi nessa altura que Pinto da Costa proferiu as palavras a que qualquer pessoa de bom senso, não sendo sectária, deve dar razão: «Ao contrário do que alguns dão a entender, o grande adversário do Porto no campeonato é o Braga, e não o Benfica».
Há muito tempo que venho dizendo o mesmo: é com o Braga que o Porto vai ter de discutir o segundo lugar do campeonato.
Com cuidado, porque o Nacional (e até, quem sabe, o Sporting) pode intrometer-se nesse interessante combate, mas sobretudo será uma luta a dois entre o Braga e o Porto. Que isto seja óbvio apenas para mim e para Pinto da Costa é que eu acho estranho. Em abono da verdade, devo dizer que Pinto da Costa percebeu tudo isto primeiro do que eu.
Quando, por exemplo, agradeceu Falcao ao Benfica, estava já a planear esta estratégia de confronto com o Braga: recrutar um reforço que estaria bem no banco do Benfica (marca quase tantos golos como o Cardozo!) é o modo ideal de atacar o Braga. Para se superiorizar ao Benfica, teria de contratar um ponta-de-lança que marcasse mais do que o titular do Glorioso, claro.
A aposta de Pinto da Costa no segundo lugar é, portanto, correctíssima, e comprova-se a toda a hora: a notícia segundo a qual o presidente do Porto vendeu mais de 15.000 acções da SAD do Porto indica justamente que o futuro não é tão risonho como nos anos anteriores.
É melhor vender tudo enquanto ainda vale alguma coisa e, quem sabe, investir em títulos que valham mais que os do Sporting e Porto juntos.
Eu sei de uns que correspondem à descrição, e até tenho alguns. Mas não estou vendedor.
quarta-feira, outubro 07, 2009
Artigo de Opinião de Luís Freitas Lobo
Carlos Martins: o limite
Começou no espaço que é habitual Aimar ocupar. Depois, com a bola a rolar, é outro jogador. Menos cerebral, mais impulsivo, distintas acções e reacções ao jogo. Tudo isso, claro, leva a equipa por outros caminhos na última fase de construção.
A maior força emocional do seu jogo é também a razão da sua maior instabilidade (táctica e emocional).
Uma boa equipa, isto é, com o colectivo e seus elos de ligação (emoção e táctica) bem ligados, consegue, porém, absorver um jogador assim mais difícil. Noutra situação, sem essa moldura colectiva forte é diferente.
A carreira de Carlos Martins tem sido feita nessa dicotomia.
Mantêm o jogo sempre em sobressalto. O adversário e a…própria equipa.
É uma segunda velocidade, um estado de espírito alternativo.
Mais do que jogar bem, faz boas jogadas/movimentos.
Um futebol específico para um jogador particular.
Como o centro para o 0-1. Ou o remate para o 0-2.
Porque quando a equipa joga bem, qualquer estado de ânimo (a tal «atitude») ocupa o lugar secundário que lhe corresponde na análise futebolística.
Começou no espaço que é habitual Aimar ocupar. Depois, com a bola a rolar, é outro jogador. Menos cerebral, mais impulsivo, distintas acções e reacções ao jogo. Tudo isso, claro, leva a equipa por outros caminhos na última fase de construção.
A maior força emocional do seu jogo é também a razão da sua maior instabilidade (táctica e emocional).
Uma boa equipa, isto é, com o colectivo e seus elos de ligação (emoção e táctica) bem ligados, consegue, porém, absorver um jogador assim mais difícil. Noutra situação, sem essa moldura colectiva forte é diferente.
A carreira de Carlos Martins tem sido feita nessa dicotomia.
Mantêm o jogo sempre em sobressalto. O adversário e a…própria equipa.
É uma segunda velocidade, um estado de espírito alternativo.
Mais do que jogar bem, faz boas jogadas/movimentos.
Um futebol específico para um jogador particular.
Como o centro para o 0-1. Ou o remate para o 0-2.
Porque quando a equipa joga bem, qualquer estado de ânimo (a tal «atitude») ocupa o lugar secundário que lhe corresponde na análise futebolística.
sábado, setembro 26, 2009
Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira
Se alguma vez eu for, em tribunal, acusado de algum crime por uma testemunha ocular, espero sinceramente que essa testemunha seja o árbitro Pedro Proença. Aquilo que Pedro Proença presencia é sempre o rigoroso oposto daquilo que ele pensa que presenciou – o que é extremamente curioso. As coisas acontecem de pernas para o ar à frente de Pedro Proença. O mundo, que está direito para nós, apresenta-se-lhe do avesso. Repare o leitor: no ano passado, no estádio do Dragão, Yebda não cometeu qualquer falta sobre Lisandro López. Pedro Proença assinalou a respectiva grande penalidade. Na semana passada, Alvaro Pereira cometeu penalty sobre Alan. Pedro Proença, como é evidente, mandou seguir. Ambas as situações foram avaliadas ao contrário, e foi isso que me permitiu detectar aqui um padrão interessante. Só há uma coisa que nunca se inverte: quem está de azul e branco, sai beneficiado; quem está de vermelho, sai prejudicado.
O lagarto e o dragão são dois bichos escamosos que largam gosma. Este é um primeiro ponto. O segundo ponto é este: Pinto da Costa e José Eduardo Bettencourt vão assistir ao FC Porto-Sporting juntos, na tribuna presidencial do estádio do Dragão. Depois de ter assistido ao Nacional-Sporting junto do homem que prometeu ao seu clube o Paulo Assunção e, à última hora, o levou para o FC Porto, Bettencourt prepara-se agora para assistir ao FC Porto-Sporting junto do homem que recebeu o jogador que o seu clube estava quase a contratar. Os sportinguistas, que se saiba, não dizem nada. A única vez que censuraram uma atitude do presidente do Sporting foi quando ele cometeu o gravíssimo delito de dizer que o plantel do Benfica era bom. Mas hoje, Bettencourt terá, enquanto estiver sentado ao lado do dirigente que está a cumprir pena de suspensão de dois anos por tentativa de corrupção, a admiração dos sócios do Sporting. A menos que elogie o Benfica, claro.
O FC Porto-Sporting de hoje é, não me custa reconhecê-lo, um duelo de titãs. A equipa à qual foi perdoado o penalty de Alvaro Pereira sobre Alan, em Braga, defronta a equipa à qual foi perdoado um penalty de Miguel Veloso sobre Toy, em Alvalade, e a favor da qual se marcou um penalty inexistente. Prevejo, portanto, um jogo com muito futebol por alto. Quando duas equipas estão a ser levadas ao colo, não faz sentido jogar a bola pela relva. Ao colo do árbitro, os jogadores têm alguma dificuldade de chegar com os pés ao chão.
O lagarto e o dragão são dois bichos escamosos que largam gosma. Este é um primeiro ponto. O segundo ponto é este: Pinto da Costa e José Eduardo Bettencourt vão assistir ao FC Porto-Sporting juntos, na tribuna presidencial do estádio do Dragão. Depois de ter assistido ao Nacional-Sporting junto do homem que prometeu ao seu clube o Paulo Assunção e, à última hora, o levou para o FC Porto, Bettencourt prepara-se agora para assistir ao FC Porto-Sporting junto do homem que recebeu o jogador que o seu clube estava quase a contratar. Os sportinguistas, que se saiba, não dizem nada. A única vez que censuraram uma atitude do presidente do Sporting foi quando ele cometeu o gravíssimo delito de dizer que o plantel do Benfica era bom. Mas hoje, Bettencourt terá, enquanto estiver sentado ao lado do dirigente que está a cumprir pena de suspensão de dois anos por tentativa de corrupção, a admiração dos sócios do Sporting. A menos que elogie o Benfica, claro.
O FC Porto-Sporting de hoje é, não me custa reconhecê-lo, um duelo de titãs. A equipa à qual foi perdoado o penalty de Alvaro Pereira sobre Alan, em Braga, defronta a equipa à qual foi perdoado um penalty de Miguel Veloso sobre Toy, em Alvalade, e a favor da qual se marcou um penalty inexistente. Prevejo, portanto, um jogo com muito futebol por alto. Quando duas equipas estão a ser levadas ao colo, não faz sentido jogar a bola pela relva. Ao colo do árbitro, os jogadores têm alguma dificuldade de chegar com os pés ao chão.
quarta-feira, setembro 23, 2009
Artigo de Opinião de João Gobern
Pode parecer uma mania da política transferida para o futebol, esta necessidade de fazer balanços ao fim de 100 dias (pouco mais de três meses). Acontece que, nos tempos que correm e apesar da presença perene de agentes provocadores e de demagogos profissionais, parece ter sido o universo da política a deixar-se contagiar pelos podres do futebol, tantas são as jogadas de bastidores, os tráficos de influências, as pequenas ou médias corrupções, tantos são os casos em que até os poderes e os "árbitros" se deixam enlamear. Aproveite-se, então, esse tique dos 100 dias (a completar amanhã) para julgar o "governo" de Jorge Jesus no Benfica.
Sobre a pré-época - precipitadamente desvalorizada pelos que não entendem a sua importância - estamos conversados: quatro troféus, de desigual importância mas todos eles indicativos de triunfos, para começar a perceber como iria jogar o Benfica. Algo que, por exemplo na época passada, nunca se chegou a entender.
No campeonato, depois de um percalço inicial (Marítimo), veio a deslocação a Guimarães. Nesse encontro, mais do que a sabedoria técnica, valeu o pulmão. Com riscos, que se intuem inerentes ao estilo de jogo, o Benfica lutou até ao golo. Depois, duas goleadas (Setúbal e Belenenses), sempre menosprezadas pelos adversários facciosos mas seguidas e registadas com atenção por quem já ganhou consciência de que a onda é efetivamente forte. Com a Europa pelo meio - e sem desvalorizar os ultrapassados, o primeiro grande teste será mesmo a viagem a Atenas -, chegou Leiria. Importante, para se ver um Benfica "operário", batalhador, longe da apatia fatalista das últimas temporadas. Fundamental, para baixar a fervura na euforia e para se perceber que o caminho será longo e que os oponentes vão mudar em função do poder encarnado.
Jorge Jesus, capaz de perceber a vaga de fundo que o seu Benfica está a motivar (enchentes no Restelo e em Leiria, média categórica nas assistências na Luz), aproveita a maré mas não embarca em bravatas. Recuperou artistas (Aimar, Saviola), fez crescer talentos (Di María, Coentrão), rejeitou favoritismos (Ruben Amorim e César Peixoto lutam por lugares), aproveitou estatutos (Luisão, Nuno Gomes), capitalizou reforços (Ramires, Javi García), rentabiliza eficácias (Cardozo, David Luiz). E quer rodar o plantel (Keirrison, Felipe Menezes) porque sabe como a época é longa e dura. Corrige sempre. Aplaude muito. Repreende q.b..
Estamos em setembro, é certo. Mas os dias de fé que se vivem, com entusiasmo renovado, devem - em grande parte - ser-lhe creditados. Na chegada a um grande, até como gestor de recursos humanos, Jorge Jesus está a ganhar as batalhas. Talvez por ser autêntico e apaixonado. Como deve ser.
Sobre a pré-época - precipitadamente desvalorizada pelos que não entendem a sua importância - estamos conversados: quatro troféus, de desigual importância mas todos eles indicativos de triunfos, para começar a perceber como iria jogar o Benfica. Algo que, por exemplo na época passada, nunca se chegou a entender.
No campeonato, depois de um percalço inicial (Marítimo), veio a deslocação a Guimarães. Nesse encontro, mais do que a sabedoria técnica, valeu o pulmão. Com riscos, que se intuem inerentes ao estilo de jogo, o Benfica lutou até ao golo. Depois, duas goleadas (Setúbal e Belenenses), sempre menosprezadas pelos adversários facciosos mas seguidas e registadas com atenção por quem já ganhou consciência de que a onda é efetivamente forte. Com a Europa pelo meio - e sem desvalorizar os ultrapassados, o primeiro grande teste será mesmo a viagem a Atenas -, chegou Leiria. Importante, para se ver um Benfica "operário", batalhador, longe da apatia fatalista das últimas temporadas. Fundamental, para baixar a fervura na euforia e para se perceber que o caminho será longo e que os oponentes vão mudar em função do poder encarnado.
Jorge Jesus, capaz de perceber a vaga de fundo que o seu Benfica está a motivar (enchentes no Restelo e em Leiria, média categórica nas assistências na Luz), aproveita a maré mas não embarca em bravatas. Recuperou artistas (Aimar, Saviola), fez crescer talentos (Di María, Coentrão), rejeitou favoritismos (Ruben Amorim e César Peixoto lutam por lugares), aproveitou estatutos (Luisão, Nuno Gomes), capitalizou reforços (Ramires, Javi García), rentabiliza eficácias (Cardozo, David Luiz). E quer rodar o plantel (Keirrison, Felipe Menezes) porque sabe como a época é longa e dura. Corrige sempre. Aplaude muito. Repreende q.b..
Estamos em setembro, é certo. Mas os dias de fé que se vivem, com entusiasmo renovado, devem - em grande parte - ser-lhe creditados. Na chegada a um grande, até como gestor de recursos humanos, Jorge Jesus está a ganhar as batalhas. Talvez por ser autêntico e apaixonado. Como deve ser.
terça-feira, setembro 22, 2009
Artigo de Opinião de Cruz dos Santos
O penalty que, anteontem, deu a vitória ao Benfica, em Leiria, gerou polémica.
E, tirando os casos de fanatismo, a divergência de opiniões compreende-se, porque o lance é controverso, não tem uma leitura indiscutível — vá lá saber-se, até, se Jorge Sousa, justíssimo melhor árbitro português nas duas últimas temporadas, teria decidido da mesma forma se pudesse ver as imagens da TV dentro do campo.
Mas, se outra decisão tomasse, também seria discutida, tal como agora.
Indiscutível é que Mamadou levantou os dois pés, com um deles chutou a bola e só depois se deu o choque e a queda de Aimar.
Pé alto, jogo perigoso e, portanto, livre indirecto, conforme defendem os discordantes do penalty. E esse raciocínio, normalmente, estaria certo.
Só falta o detalhe de o jogo perigoso ter atingido o adversário. E esses casos são punidos com livre directo — portanto, penalty quando cometidos dentro da respectiva grande área. E assim decidiu Jorge de Sousa, apesar de ver o lance nas costas de Aimar. Apercebeu-se de que ele foi atingido.
E só fica a dúvida (face à TV), de Aimar ter podido evitar o contacto com os pés do adversário.
E, tirando os casos de fanatismo, a divergência de opiniões compreende-se, porque o lance é controverso, não tem uma leitura indiscutível — vá lá saber-se, até, se Jorge Sousa, justíssimo melhor árbitro português nas duas últimas temporadas, teria decidido da mesma forma se pudesse ver as imagens da TV dentro do campo.
Mas, se outra decisão tomasse, também seria discutida, tal como agora.
Indiscutível é que Mamadou levantou os dois pés, com um deles chutou a bola e só depois se deu o choque e a queda de Aimar.
Pé alto, jogo perigoso e, portanto, livre indirecto, conforme defendem os discordantes do penalty. E esse raciocínio, normalmente, estaria certo.
Só falta o detalhe de o jogo perigoso ter atingido o adversário. E esses casos são punidos com livre directo — portanto, penalty quando cometidos dentro da respectiva grande área. E assim decidiu Jorge de Sousa, apesar de ver o lance nas costas de Aimar. Apercebeu-se de que ele foi atingido.
E só fica a dúvida (face à TV), de Aimar ter podido evitar o contacto com os pés do adversário.
segunda-feira, setembro 21, 2009
Artigo de Opinião de João Vieira Pinto
1
Benfica repete Guimarães: ganha sem jogar bem
Apesar de ter sido a equipa que mais quis mandar no jogo, que assumiu a iniciativa e nunca deixou de procurar a vitória, o Benfica conseguiu o segundo triunfo fora sem jogar bem. É a vencer jogos em circunstâncias como estas que, muitas vezes, se entra no caminho do êxito. De resto, o Benfica, mesmo marcando cedo e de bola parada, o que já começa a ser um hábito, não conseguiu impor a dinâmica de outros jogos e o que pareciam ser facilidades iniciais tornaram-se dificuldades muito sérias. É certo que o relvado não ajudou, mas o Benfica afunilou demasiado o jogo, fazendo exactamente o que menos lhe interessava, frente a um adversário que jogou com três centrais e dois pivôs defensivos. Faltou ao Benfica jogo pelas alas e qualidade no último passe, em algumas situações. Independentemente disso nota-se que é uma equipa guerreira, com uma cultura de vitória melhor do que a da época passada. E tem a tal vantagem de estar a conseguir ganhar mesmo quando não joga bem, o que é fundamental para quem quer ser campeão.
2
Keirrison continua inadaptado
Tendo deixado Cardozo no banco, Jorge Jesus voltou a apostar em Keirrison no ataque, mas este brasileiro continua a ser, claramente, um jogador inadaptado. Está a complicar a sua própria acção e quem sabe se até o futuro no clube, pois não tem conseguido aproveitar as oportunidades que tem tido - e já são algumas… - e está a lutar com uma concorrência muito forte. Sabe-se que é um jogador com talento, mas a verdade é que não o tem demonstrado e, nesta altura, arrisca-se a ir para o fim da linha, pois para o mesmo lugar o Benfica também tem Cardozo, Saviola, Nuno Gomes e Weldon. Quando me refiro aos problemas que o Benfica teve ontem no último passe não posso esquecer que se é verdade que os avançados não estavam a ser bem servidos, não o é menos que Keirrison não conseguia criar espaços para receber a bola.
3
Leiria foi adversário perigoso
O Leiria, utilizando muitos jogadores na faixa central, beneficiou do facto de ter conseguido empatar cedo, o que lhe permitiu manter a estrutura inicial, que apontava para uma grande concentração defensiva e transições rápidas, confiando na qualidade de jogadores como Carlão, Silas e Ricardo Pateiro, e mais tarde na velocidade de Kalaba. A postura leiriense fez deste um jogo perigoso para o Benfica, que apesar de dominar não conseguia fazer fluir o seu futebol e mais do que uma vez permitia à equipa da casa sair da zona de pressão e de criar lances de perigo. Aliás, pertenceu ao Leiria a grande oportunidade da segunda parte.
4
Contra três centrais os laterais têm que subir
À semelhança do que aconteceu em Guimarães, o Benfica em Leiria voltou a ver-se atrapalhado ao jogar contra três centrais. Isto aconteceu porque a equipa não percebeu que o espaço estava nas alas e insistiu em jogar pelo centro. Nas poucas vezes que a equipa procurou as alas criou lances de perigo. No actual esquema do Benfica, é preciso ter laterais que subam e saibam aproveitar os corredores. Maxi Pereira sabe fazê-lo mas ainda não está no seu melhor e Shaffer raramente subiu. O único que percebeu que era por ali que havia caminho aberto foi Aimar, mas mesmo assim insistiu poucas vezes em cair nas linhas.
5
Javi García é quem equilibra a equipa
Num jogo em que não acho que haja alguém a merecer o título de melhor em campo, prefiro realçar a importância de Javi García no meio-campo do Benfica. Muito forte fisicamente e muito bom em termos tácticos, é ele quem permite aos outros médios saírem para o ataque de forma despreocupada, porque sabem que contam sempre com ele para o que der e vier. Sem Javi García em campo o caudal ofensivo não poderia ser o mesmo. Para além de equilibrar a equipa e ser fundamental no sistema defensivo, é também o espanhol quem protege e compensa as subidas de David Luiz.
6
Substituições meteram medo
As substituições do Benfica tiveram um papel importante no desfecho da partida. Não por aquilo que Cardozo e Nuno Gomes acrescentaram em termos de futebol jogado, mas sim pelo respeito que impuseram ao adversário. A entrada dos dois goleadores numa equipa que já tinha bons avançados em campo meteu medo e condicionou o jogo.
Benfica repete Guimarães: ganha sem jogar bem
Apesar de ter sido a equipa que mais quis mandar no jogo, que assumiu a iniciativa e nunca deixou de procurar a vitória, o Benfica conseguiu o segundo triunfo fora sem jogar bem. É a vencer jogos em circunstâncias como estas que, muitas vezes, se entra no caminho do êxito. De resto, o Benfica, mesmo marcando cedo e de bola parada, o que já começa a ser um hábito, não conseguiu impor a dinâmica de outros jogos e o que pareciam ser facilidades iniciais tornaram-se dificuldades muito sérias. É certo que o relvado não ajudou, mas o Benfica afunilou demasiado o jogo, fazendo exactamente o que menos lhe interessava, frente a um adversário que jogou com três centrais e dois pivôs defensivos. Faltou ao Benfica jogo pelas alas e qualidade no último passe, em algumas situações. Independentemente disso nota-se que é uma equipa guerreira, com uma cultura de vitória melhor do que a da época passada. E tem a tal vantagem de estar a conseguir ganhar mesmo quando não joga bem, o que é fundamental para quem quer ser campeão.
2
Keirrison continua inadaptado
Tendo deixado Cardozo no banco, Jorge Jesus voltou a apostar em Keirrison no ataque, mas este brasileiro continua a ser, claramente, um jogador inadaptado. Está a complicar a sua própria acção e quem sabe se até o futuro no clube, pois não tem conseguido aproveitar as oportunidades que tem tido - e já são algumas… - e está a lutar com uma concorrência muito forte. Sabe-se que é um jogador com talento, mas a verdade é que não o tem demonstrado e, nesta altura, arrisca-se a ir para o fim da linha, pois para o mesmo lugar o Benfica também tem Cardozo, Saviola, Nuno Gomes e Weldon. Quando me refiro aos problemas que o Benfica teve ontem no último passe não posso esquecer que se é verdade que os avançados não estavam a ser bem servidos, não o é menos que Keirrison não conseguia criar espaços para receber a bola.
3
Leiria foi adversário perigoso
O Leiria, utilizando muitos jogadores na faixa central, beneficiou do facto de ter conseguido empatar cedo, o que lhe permitiu manter a estrutura inicial, que apontava para uma grande concentração defensiva e transições rápidas, confiando na qualidade de jogadores como Carlão, Silas e Ricardo Pateiro, e mais tarde na velocidade de Kalaba. A postura leiriense fez deste um jogo perigoso para o Benfica, que apesar de dominar não conseguia fazer fluir o seu futebol e mais do que uma vez permitia à equipa da casa sair da zona de pressão e de criar lances de perigo. Aliás, pertenceu ao Leiria a grande oportunidade da segunda parte.
4
Contra três centrais os laterais têm que subir
À semelhança do que aconteceu em Guimarães, o Benfica em Leiria voltou a ver-se atrapalhado ao jogar contra três centrais. Isto aconteceu porque a equipa não percebeu que o espaço estava nas alas e insistiu em jogar pelo centro. Nas poucas vezes que a equipa procurou as alas criou lances de perigo. No actual esquema do Benfica, é preciso ter laterais que subam e saibam aproveitar os corredores. Maxi Pereira sabe fazê-lo mas ainda não está no seu melhor e Shaffer raramente subiu. O único que percebeu que era por ali que havia caminho aberto foi Aimar, mas mesmo assim insistiu poucas vezes em cair nas linhas.
5
Javi García é quem equilibra a equipa
Num jogo em que não acho que haja alguém a merecer o título de melhor em campo, prefiro realçar a importância de Javi García no meio-campo do Benfica. Muito forte fisicamente e muito bom em termos tácticos, é ele quem permite aos outros médios saírem para o ataque de forma despreocupada, porque sabem que contam sempre com ele para o que der e vier. Sem Javi García em campo o caudal ofensivo não poderia ser o mesmo. Para além de equilibrar a equipa e ser fundamental no sistema defensivo, é também o espanhol quem protege e compensa as subidas de David Luiz.
6
Substituições meteram medo
As substituições do Benfica tiveram um papel importante no desfecho da partida. Não por aquilo que Cardozo e Nuno Gomes acrescentaram em termos de futebol jogado, mas sim pelo respeito que impuseram ao adversário. A entrada dos dois goleadores numa equipa que já tinha bons avançados em campo meteu medo e condicionou o jogo.
sexta-feira, setembro 18, 2009
Artigo de Opinião de Luís Mateus
O Benfica entrou bem na Liga Europa e saiu do primeiro jogo da fase de grupos, frente ao BATE, com todos os objectivos cumpridos. Jorge Jesus deu a Maxi os minutos que o uruguaio precisava para recuperar em breve o lugar que lhe pertence, mostrou que há em Júlio César uma alternativa válida a Quim, estreou um jovem prometedor no meio-campo e encontrou em Nuno Gomes sobretudo um exemplo. Um exemplo de que como se deve encarar uma oportunidade de jogar aos 33 anos, depois de um início de temporada passada no banco.
O Benfica parece saudável e faz descansar unidades importantes como Pablo Aimar. Jorge Jesus tem conseguido comunicar correctamente com os jogadores, ele que por vezes não é tão fluente assim na mensagem para o exterior. A equipa parece organizada, sabe o que tem de fazer em campo e sente que, mais cedo ou mais tarde, as coisas acabam por acontecer. Os que saem do banco têm consciência de que a melhor forma de se mostrar é trabalhar em conjunto. Isso é mérito do treinador.
O Benfica parece aqueles aviões em que os passageiros aplaudem quando se aterra em aeroporto particularmente difícil e em condições atmosféricas adversas. Mas, como em todos os voos, deve continuar com os alertas de cintos de segurança ligados e os passageiros sentados até ser possível estacionar.
Nota: Ramires está a mostrar ser um dos melhores reforços do Benfica dos últimos anos. Está lá tudo, é preciso que o deixem crescer em Portugal.
O Benfica parece saudável e faz descansar unidades importantes como Pablo Aimar. Jorge Jesus tem conseguido comunicar correctamente com os jogadores, ele que por vezes não é tão fluente assim na mensagem para o exterior. A equipa parece organizada, sabe o que tem de fazer em campo e sente que, mais cedo ou mais tarde, as coisas acabam por acontecer. Os que saem do banco têm consciência de que a melhor forma de se mostrar é trabalhar em conjunto. Isso é mérito do treinador.
O Benfica parece aqueles aviões em que os passageiros aplaudem quando se aterra em aeroporto particularmente difícil e em condições atmosféricas adversas. Mas, como em todos os voos, deve continuar com os alertas de cintos de segurança ligados e os passageiros sentados até ser possível estacionar.
Nota: Ramires está a mostrar ser um dos melhores reforços do Benfica dos últimos anos. Está lá tudo, é preciso que o deixem crescer em Portugal.
Artigo de Opinião de Leonor Pinhão
Quanto tempo de jogo é preciso para mostrar um cartão amarelo?
Falou muito sensatamente o treinador do Benfica sobre o arranque do campeonato, desalinhando prontamente do coro de louvores à produção da sua equipa. Para Jorge Jesus, a melhor equipa do momento é o Sporting de Braga «porque vai à frente de todos com quatro jogos e quatro vitórias», disse e disse muito bem.
O pragmatismo de Jorge Jesus tem sido o mais positivo dos seus atributos nestes escassos meses que leva no comando técnico do Benfica. É de crer que os benfiquistas têm apreciado o pragmatismo do seu treinador, pouco dado às minúsculas satisfações e ao embevecimento com o praticamente pouca coisa já atingido esta época.
O comportamento de Jorge Jesus, no banco, nos jogos com o Vitória de Setúbal, na Luz, e com o Belenenses, no Restelo é um exemplo disso mesmo. Nos dois casos, bem recentes, já o Benfica somava expressivas goleadas e ainda era possível ver o treinador com cara de poucos amigos, insatisfeito com o rumo dos acontecimentos — um passe falhado aqui, uma desatenção ali —, de olhos fixos nos seus jogadores exigindo-lhes que cumprissem os noventa minutos sem se encostarem à folga do folgado resultado entretanto obtido.
Não será disparatada especulação tentar interpretar a mensagem que o treinador, nessas ocasiões, passava para dentro do campo aos seus jogadores. E que deve ser, mais ou menos, esta:
— Filhos, olhem que a folga é só amanhã!
E é e tem toda a razão. Os jogos de futebol têm noventa minutos e os objectivos de uma equipa são exactamente os mesmos do primeiro ao nonagésimo minuto: não sofrer golos, marcar golos na baliza adversária, satisfazer o público afecto, impressionar o público adversário, conquistar o respeito da crítica.
Tal como os objectivos de uma equipa são os mesmos do princípio ao fim de uma partida, também se suponha, do mesmo ponto de vista pragmático, que as Leis do Jogo, que ainda por cima são poucas e fáceis de entender até por crianças — e por isso é que o futebol é um desporto tão popular —… também se suponha que as Leis do Jogo, dizíamos, eram precisamente as mesmas do minuto 1 ao minuto 90.
No nosso futebol, no entanto, parece que não são, como nos tem sido dado observar nestes primeiros jogos do campeonato de 2009/2010.
O Benfica tem sido muito prejudicado com esta particularidade portuguesa da observação das Leis do Jogo por parte dos seus agentes licenciados, ou seja, os árbitros.
No último jogo, no Restelo, nos primeiros 5 minutos que se seguiram ao apito inicial do árbitro, o nosso bem conhecido Olegário Benquerença, o jovem argentino Di María foi por duas vezes ceifado por um jogador adversário sem que o juiz da partida fosse ao bolso buscar o mais do que justamente aplicável cartão amarelo. Os comentadores, de um modo geral, aceitaram a decisão de Benquerença com base no pressuposto que o jogo ainda mal tinha começado e que era muito cedo para acções disciplinares, como se as Leis fossem explícitas a declarar que os primeiros minutos do jogo beneficiam de uma amnistia própria e que, a sério, a sério, a coisa só começa lá para meio da primeira parte.
E vai ser este o principal adversário interno do Benfica nesta época.
Não vai ser o anti-jogo dos adversários, defendendo-se como puderem, com autocarro ou sem autocarro. O principal adversário do Benfica, na época corrente, vai ser o anti-Leis do Jogo, que permite que assim que o árbitro dá por aberta a contenda a consequente abertura de um inconcebível período de caça às pernas dos talentosos e franzinos artistas argentinos, sendo certo e sabido que não haverá sanções porque, caramba, «ainda é muito cedo» para cartões.
Se é verdade que os árbitros portugueses não são pragmáticos com a observação das suas competências, não é menos verdade que, por enquanto, a equipa do Benfica tem sabido resolver bem a desagradável situação. E da única maneira possível.
No Restelo, foi Saviola, logo aos 6 minutos, quem deu por encerrado o período de impunidade da caça às pernas pegando na bola ainda no seu meio-campo e percorrendo cinquenta metros, passando por tudo e por todos, até por Olegário Benquerença, lá fez com toda a banalidade que se lhe reconhece o primeiro golo do Benfica.
E vai ser sempre assim. Quanto mais cedo o Benfica, marcar mais cedo os árbitros — Benquerenças, Sousas, Costas e companhia —, vão ser obrigados a perceber que, afinal, o jogo já começou a sério e que está na altura de aplicar as Leis.
Tudo isto vai ser muito difícil.
Regressando ao pragmatismo de Jorge Jesus, ao considerar que o Sporting de Braga, o seu anterior emblema, é a melhor equipa portuguesa do momento porque lidera isolada a tabela, devemos acreditar que o treinador do Benfica tem todas as razões pragmáticas para desejar manter o seu discurso, pelo menos, por mais uma semana.
O Sporting de Braga recebe no sábado o FC Porto e se o Benfica tem um interesse no resultado também é certo que este confronto no Minho reveste-se de um outro tipo de curiosidade.
Esta:
Até que ponto a inabalável amizade entre os presidentes do Sporting de Braga e do FC Porto poderá ser abalada pelas incidências do jogo, pelas marginalidades do jogo, pelo resultado do jogo?
O Braga recebe o FC Porto na condição de líder e, a fazer fé nas crónicas do último Marítimo-Braga, a equipa de Domingos Paciência é líder porque beneficiou de dois favores grosseiros da arbitragem, no Funchal. Portanto, tendo em conta o pragmatismo da nossa arbitragem, no próximo sábado será a vez de o Sporting de Braga ser prejudicado.
Ou não será assim?
No domingo, o Benfica vai a Leiria e Diego Gaúcho, defesa-central da União de Leiria, explicou durante esta semana que a maneira de fazer para o Benfica «é não deixar jogar o Aimar», o que é uma opinião tão válida como outra qualquer e que só carece de prova.
Jorge Jesus delicia-se, certamente, com estas provocações tácticas e decidiu não convocar Aimar para o jogo desta noite com o BATE Borisov. Não se sabe ao certo se para fazer descansar o argentino se para provar a Diego Gaúcho e à opinião pública em geral que, sem Aimar, o Benfica não se banaliza.
Veremos.
Falou muito sensatamente o treinador do Benfica sobre o arranque do campeonato, desalinhando prontamente do coro de louvores à produção da sua equipa. Para Jorge Jesus, a melhor equipa do momento é o Sporting de Braga «porque vai à frente de todos com quatro jogos e quatro vitórias», disse e disse muito bem.
O pragmatismo de Jorge Jesus tem sido o mais positivo dos seus atributos nestes escassos meses que leva no comando técnico do Benfica. É de crer que os benfiquistas têm apreciado o pragmatismo do seu treinador, pouco dado às minúsculas satisfações e ao embevecimento com o praticamente pouca coisa já atingido esta época.
O comportamento de Jorge Jesus, no banco, nos jogos com o Vitória de Setúbal, na Luz, e com o Belenenses, no Restelo é um exemplo disso mesmo. Nos dois casos, bem recentes, já o Benfica somava expressivas goleadas e ainda era possível ver o treinador com cara de poucos amigos, insatisfeito com o rumo dos acontecimentos — um passe falhado aqui, uma desatenção ali —, de olhos fixos nos seus jogadores exigindo-lhes que cumprissem os noventa minutos sem se encostarem à folga do folgado resultado entretanto obtido.
Não será disparatada especulação tentar interpretar a mensagem que o treinador, nessas ocasiões, passava para dentro do campo aos seus jogadores. E que deve ser, mais ou menos, esta:
— Filhos, olhem que a folga é só amanhã!
E é e tem toda a razão. Os jogos de futebol têm noventa minutos e os objectivos de uma equipa são exactamente os mesmos do primeiro ao nonagésimo minuto: não sofrer golos, marcar golos na baliza adversária, satisfazer o público afecto, impressionar o público adversário, conquistar o respeito da crítica.
Tal como os objectivos de uma equipa são os mesmos do princípio ao fim de uma partida, também se suponha, do mesmo ponto de vista pragmático, que as Leis do Jogo, que ainda por cima são poucas e fáceis de entender até por crianças — e por isso é que o futebol é um desporto tão popular —… também se suponha que as Leis do Jogo, dizíamos, eram precisamente as mesmas do minuto 1 ao minuto 90.
No nosso futebol, no entanto, parece que não são, como nos tem sido dado observar nestes primeiros jogos do campeonato de 2009/2010.
O Benfica tem sido muito prejudicado com esta particularidade portuguesa da observação das Leis do Jogo por parte dos seus agentes licenciados, ou seja, os árbitros.
No último jogo, no Restelo, nos primeiros 5 minutos que se seguiram ao apito inicial do árbitro, o nosso bem conhecido Olegário Benquerença, o jovem argentino Di María foi por duas vezes ceifado por um jogador adversário sem que o juiz da partida fosse ao bolso buscar o mais do que justamente aplicável cartão amarelo. Os comentadores, de um modo geral, aceitaram a decisão de Benquerença com base no pressuposto que o jogo ainda mal tinha começado e que era muito cedo para acções disciplinares, como se as Leis fossem explícitas a declarar que os primeiros minutos do jogo beneficiam de uma amnistia própria e que, a sério, a sério, a coisa só começa lá para meio da primeira parte.
E vai ser este o principal adversário interno do Benfica nesta época.
Não vai ser o anti-jogo dos adversários, defendendo-se como puderem, com autocarro ou sem autocarro. O principal adversário do Benfica, na época corrente, vai ser o anti-Leis do Jogo, que permite que assim que o árbitro dá por aberta a contenda a consequente abertura de um inconcebível período de caça às pernas dos talentosos e franzinos artistas argentinos, sendo certo e sabido que não haverá sanções porque, caramba, «ainda é muito cedo» para cartões.
Se é verdade que os árbitros portugueses não são pragmáticos com a observação das suas competências, não é menos verdade que, por enquanto, a equipa do Benfica tem sabido resolver bem a desagradável situação. E da única maneira possível.
No Restelo, foi Saviola, logo aos 6 minutos, quem deu por encerrado o período de impunidade da caça às pernas pegando na bola ainda no seu meio-campo e percorrendo cinquenta metros, passando por tudo e por todos, até por Olegário Benquerença, lá fez com toda a banalidade que se lhe reconhece o primeiro golo do Benfica.
E vai ser sempre assim. Quanto mais cedo o Benfica, marcar mais cedo os árbitros — Benquerenças, Sousas, Costas e companhia —, vão ser obrigados a perceber que, afinal, o jogo já começou a sério e que está na altura de aplicar as Leis.
Tudo isto vai ser muito difícil.
Regressando ao pragmatismo de Jorge Jesus, ao considerar que o Sporting de Braga, o seu anterior emblema, é a melhor equipa portuguesa do momento porque lidera isolada a tabela, devemos acreditar que o treinador do Benfica tem todas as razões pragmáticas para desejar manter o seu discurso, pelo menos, por mais uma semana.
O Sporting de Braga recebe no sábado o FC Porto e se o Benfica tem um interesse no resultado também é certo que este confronto no Minho reveste-se de um outro tipo de curiosidade.
Esta:
Até que ponto a inabalável amizade entre os presidentes do Sporting de Braga e do FC Porto poderá ser abalada pelas incidências do jogo, pelas marginalidades do jogo, pelo resultado do jogo?
O Braga recebe o FC Porto na condição de líder e, a fazer fé nas crónicas do último Marítimo-Braga, a equipa de Domingos Paciência é líder porque beneficiou de dois favores grosseiros da arbitragem, no Funchal. Portanto, tendo em conta o pragmatismo da nossa arbitragem, no próximo sábado será a vez de o Sporting de Braga ser prejudicado.
Ou não será assim?
No domingo, o Benfica vai a Leiria e Diego Gaúcho, defesa-central da União de Leiria, explicou durante esta semana que a maneira de fazer para o Benfica «é não deixar jogar o Aimar», o que é uma opinião tão válida como outra qualquer e que só carece de prova.
Jorge Jesus delicia-se, certamente, com estas provocações tácticas e decidiu não convocar Aimar para o jogo desta noite com o BATE Borisov. Não se sabe ao certo se para fazer descansar o argentino se para provar a Diego Gaúcho e à opinião pública em geral que, sem Aimar, o Benfica não se banaliza.
Veremos.
terça-feira, setembro 15, 2009
Artigo de Opinião de João Querido Manha: Os Putativos Fora de Jogo de Belém e Meios Tecnológicos na Arbitragem
Uma leitura estranha da regra do fora-de-jogo, agravada pela exibição de um gráfico falso de imagens virtuais, transportou um lance banal de futebol, o golo de Cardozo no Restelo, para discussões frenéticas em meios de comunicação e redes sociais, a evidenciar um conhecimento das leis ao nível do baixo índice europeu de prática desportiva.
A FIFA reconhece que a Lei 11, embora das mais curtas, tem o rótulo de ser das mais complicadas e controversas. Mas, pode ler-se no site da FIFA, "isso não corresponde à realidade: a Lei 11 é muito fácil de perceber, tão fácil como 1, 2, 3 - 1 de posição, 2 de interferência na jogada, 3 de infração".
O ponto 3 não chegou a verificar-se nos golos de Cardozo e Ramires, embora no último caso se observasse o ponto 1, de fora-de-jogo posicional. O primeiro lance é de cabo de esquadra: Cardozo estava atrás da linha da bola e não era preciso ter olho de falcão para o perceber. O último era mais complexo e admitiria a invalidação se o cruzamento de Fábio Coentrão se dirigisse a Ramires (interferência), o que não foi o caso, antes de o brasileiro ser recolocado em jogo pelo desvio deliberado do defesa do Belenenses.
Em conclusão, duas excelentes decisões do árbitro auxiliar transformaram-se, injustamente, em censuras ácidas e notas negativas à equipa de arbitragem. Bastaria que os responsáveis da transmissão televisiva, conhecendo bem a regra, soubessem interpretá-la em tempo real - como se exige ao fiscal-de-linha - para nos poupar a discussões absurdas. Como a meteórica passagem de Carlos Azenha pelo futebol real novamente confirma, este desporto simples é muito mais do que cultura genérica "enriquecida" com terminologia da moda: a televisão tem responsabilidades especiais relativamente a um bom conhecimento das regras do jogo e há muitos anos presta esse serviço em outras modalidades, através de comentadores de elite que nunca ficam fora-de-jogo.
A propósito, a contestação de Roger Federer às decisões do "olho de Falcão" no Open dos Estados Unidos ajuda a perceber a resistência da FIFA a um mecanismo que, ao revelar imprecisões na leitura do contacto de uma bola pequena com uma linha no solo, torna-se absolutamente falível quando aplicado a um desporto em que a bola está sempre em suspensão. E de utilização altamente perigosa, a julgar por este episódio do Belenenses-Benfica, que nos transporta a episódios dos primeiros tempos das "imagens virtuais" no final do século passado: elas são muito fáceis de manipular e condicionar, ficando à mercê de analistas incompetentes ou desonestos.
Apesar de a arbitragem ser tema central da maior parte dos debates televisivos, nunca despertou nos meios o interesse de realizar um programa dedicado às regras que ajudasse a desanuviar a tensão sobre sector tão sensível e dotasse os adeptos de melhor entendimento. Aliás, o interesse pelos desportos e pela arbitragem aumentaria entre as crianças portuguesas se lhes fosse dada mais informação específica sobre cada desporto, alguns bem interessantes enquanto exercícios de administração regulamentar. Sempre seriam menos adultos fora-de-jogo no futuro.
A FIFA reconhece que a Lei 11, embora das mais curtas, tem o rótulo de ser das mais complicadas e controversas. Mas, pode ler-se no site da FIFA, "isso não corresponde à realidade: a Lei 11 é muito fácil de perceber, tão fácil como 1, 2, 3 - 1 de posição, 2 de interferência na jogada, 3 de infração".
O ponto 3 não chegou a verificar-se nos golos de Cardozo e Ramires, embora no último caso se observasse o ponto 1, de fora-de-jogo posicional. O primeiro lance é de cabo de esquadra: Cardozo estava atrás da linha da bola e não era preciso ter olho de falcão para o perceber. O último era mais complexo e admitiria a invalidação se o cruzamento de Fábio Coentrão se dirigisse a Ramires (interferência), o que não foi o caso, antes de o brasileiro ser recolocado em jogo pelo desvio deliberado do defesa do Belenenses.
Em conclusão, duas excelentes decisões do árbitro auxiliar transformaram-se, injustamente, em censuras ácidas e notas negativas à equipa de arbitragem. Bastaria que os responsáveis da transmissão televisiva, conhecendo bem a regra, soubessem interpretá-la em tempo real - como se exige ao fiscal-de-linha - para nos poupar a discussões absurdas. Como a meteórica passagem de Carlos Azenha pelo futebol real novamente confirma, este desporto simples é muito mais do que cultura genérica "enriquecida" com terminologia da moda: a televisão tem responsabilidades especiais relativamente a um bom conhecimento das regras do jogo e há muitos anos presta esse serviço em outras modalidades, através de comentadores de elite que nunca ficam fora-de-jogo.
A propósito, a contestação de Roger Federer às decisões do "olho de Falcão" no Open dos Estados Unidos ajuda a perceber a resistência da FIFA a um mecanismo que, ao revelar imprecisões na leitura do contacto de uma bola pequena com uma linha no solo, torna-se absolutamente falível quando aplicado a um desporto em que a bola está sempre em suspensão. E de utilização altamente perigosa, a julgar por este episódio do Belenenses-Benfica, que nos transporta a episódios dos primeiros tempos das "imagens virtuais" no final do século passado: elas são muito fáceis de manipular e condicionar, ficando à mercê de analistas incompetentes ou desonestos.
Apesar de a arbitragem ser tema central da maior parte dos debates televisivos, nunca despertou nos meios o interesse de realizar um programa dedicado às regras que ajudasse a desanuviar a tensão sobre sector tão sensível e dotasse os adeptos de melhor entendimento. Aliás, o interesse pelos desportos e pela arbitragem aumentaria entre as crianças portuguesas se lhes fosse dada mais informação específica sobre cada desporto, alguns bem interessantes enquanto exercícios de administração regulamentar. Sempre seriam menos adultos fora-de-jogo no futuro.
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