Agarrados à borboleta
Começaram no último fim-de-semana os Jogos Olímpicos de Inverno, na cidade de Vancouver, na costa leste do Canadá.
E perguntarão vocês, caros leitores portugueses, a que propósito é que, nesta altura do campeonato, nos vêm falar dos Jogos Olímpicos de Inverno? O que é que nos pode interessar o esqui alpino, o bobsleigh ou a patinagem em velocidade? O que é que nós, pessoal mais dado à bola, temos a ver com isso?
Por mais surpreendente que possa parecer, a resposta é que sim, que temos muito a ver com isso, como não poderão, certamente, deixar de concordar.
Conhecem, porventura, aquela máxima da Teoria Matemática do Caos: «sempre que uma borboleta bate as asas em Pequim pode vir a provocar um tufão na Califórnia.» Se não conhecem, passam a conhecer. Trata-se de um conceito aplicável às ciências exactas e pretende demonstrar que um acontecimento inócuo, como o bater de asas de uma borboleta, ocorrido numa parte do mundo pode influenciar o curso natural das coisas e provocar um importante acontecimento meteorológico do outro lado do mundo.
Foi justamente o que aconteceu com Carlos Carvalhal e com os tão longínquos Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver, no Canadá.
Na noite de terça-feira da semana passada, assim que terminou o Sporting-Benfica a contar para a Taça da Liga, o treinador do Sporting deslocou-se à sala de imprensa e, durante quatro minutos, perante o pasmo geral, expôs a sua teoria comparativa entre o momento do futebol do Sporting e o clima do Canadá, socorrendo-se de imagens técnicas ilustrativas como «as experiências com balões meteorológicos», «homens com espingardas aos tiros nos balões» e agricultores desesperados com «grandes tempestades» não anunciadas.
A este bater de asas em Lisboa, um pequeno fenómeno para quem teve oportunidade de acompanhar, respondeu, do outro lado do mundo, o citado Canadá, mais propriamente a cidade de Vancouver que, de repente, se viu a braços com uma imprevista crise meteorológica que quase pôs em perigo a realização dos Jogos Olímpicos.
De acordo com a Teoria do Caos, bastou que Carlos Carvalhal, a tantos e tantos milhares de quilómetros, abordasse ligeiramente o tema do inóspito clima canadense para que as estações meteorológicas locais registassem, pela primeira vez em um século, uma média de temperaturas positivas no mês de Fevereiro em Vancouver, obrigando a organização dos Jogos a injectar água nas pistas de gelo, que estavam estaladiças, e a mandar vir das terras altas, a duzentos quilómetros de distância, camiões e camiões com a neve que faltava para que os esquiadores tivessem com que olimpicamente se ocupar.
É esta a prova que quando uma borboleta bate as asas em Pequim pode acontecer um imprevisto climático nos antípodas. Felizmente que as minudências falantes do futebol português não têm grande impacto no mundo sofisticado do desporto, porque, de outra maneira, teríamos agora o Comité Olímpico Internacional e as autoridades canadianas a mover uma aturada perseguição a Carlos Carvalhal, em particular, e ao nosso país, em geral, acusando-o a ele e a nós de termos posto em causa a realização dos Jogos.
No entanto, para a Teoria Matemática do Caos se afirmar na sua plenitude não são precisos milhares e milhares de quilómetros entre a causa e o efeito, não é preciso, de modo nenhum, ir até ao outro lado do mundo para registar as consequência. Na verdade, bastam no mínimo 4 quilómetros, a distância de Alvalade à Luz e, no máximo, 300 e poucos quilómetros, a distância da Luz ao Dragão, para se observar fenómenos idênticos ou, pelo menos, parecidos.
Vejam só como os nossos amigos do Sporting e do FC Porto têm andado, nos últimos tempos, tão agarrados à borboleta, a ver se, do mal o menos, a coisa resulta.
Da estação meteorológica de Alvalade, por exemplo, repetem-se as juras de amor ao Sporting de Braga como legítimo campeão do campeonato sem túneis. O movimento começou em surdina pelos adeptos do clube mas agora o próprio presidente, José Eduardo Bettencourt, já veio clamar publicamente que «gostava que o Braga fosse campeão». É um bater de asas legítimo, sem dúvida, mas profundamente melancólico.
Da estação meteorológica do tetracampeão, o furor tem sido mais intenso, ainda que o FC Porto esteja mais distante do Sporting de Braga do que do Benfica.
Na noite de sábado passado, depois de ter empatado sem golos com o Leixões, em Matosinhos, num jogo que antes considerou ser «determinante» para as «ambições» do emblema que defende, Jesualdo Ferreira, que tem como próximo adversário o Sporting de Braga, entendeu que o melhor que tinha a fazer era juntar portistas e bracarenses no grande saco das vítimas da arbitragem nacional na corrente época.
E, para provar o que lhe é mais conveniente, juntou às suas queixas contra a arbitragem do Leixões-FC Porto as queixas do Sporting de Braga contra o mesmo árbitro, na jornada anterior. «Recordo que este foi o mesmo árbitro que, na semana passada, marcou uma grande penalidade contra o Sporting de Braga e que lhes expulsou um jogador, Moisés, no jogo com o Beleneneses», disse o professor, para quem a possibilidade de ficar a 11 pontos do Sporting de Braga já no próximo domingo não passa de um bater de asas de uma borboleta desde que o Benfica não seja, no final da época, campeão, isto é, desde que não haja tufão em Maio.
Naturalmente, o Sporting de Braga está a gerir em seu favor este apoio moral dos adversários directos e históricos do Benfica. Aliás não há nada de ilegal ou de pecaminoso nos apoios morais. Quanto aos apoios imorais, já é outra história.
E, nesse capítulo, é, jornada a jornada, a própria história que tem vindo a absolver o Benfica das culpas ressabiadas que lhe deitam esta época, em que tem jogado um bocado melhor do que nas anteriores, de manobrar nos bastidores obscuros dos túneis e das arbitragens a troco de favores em fruta, galões claros e escuros e outros populares e imortais géneros de mercearia distribuídos, a granel, por stewards cujo fanatismo os leva à auto-mutilação e por árbitros e observadores que construíram todas as suas longas carreiras a fazer fretes ao Benfica, como tem vindo a ser provado nos tribunais.
O próprio presidente do Sporting de Braga que, pelos vistos, é apenas o segundo ou o terceiro cidadão português mais interessado em que o seu clube seja campeão, também se tem esmerado em porfiar na Teoria do Caos. E, através de comunicados sucessivos, tem vindo a cumprir com o respectivo bater de asas da borboleta, a ver no que dá. No seu último apelo electrónico aos portistas, aos sportinguistas e aos bracarenses, António Salvador insurgiu-se contra «os bastidores» que pretendem afastar o Sporting de Braga do título «com manobras fora das quatro linhas».
Foi em cheio. Uma borboleta bateu as asas no site oficial do clube da Cidade dos Arcebispos e 48 horas depois o Braga ganhava um jogo, ao Marítimo, com uma bola cruzada fora das quatro linhas. São coisas que acontecem, pois com certeza. O papa e os arcebispos ficaram todos calados. E os sacristãos deram a bênção ao lance.
A bem do futebol português, agarram-se à borboleta.
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
terça-feira, fevereiro 16, 2010
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
Memorial Zandinga
Bayern Munich vrs. Fiorentina
Lyon vrs. Real Madrid
FC Porto vrs. Arsenal
Milan vrs. Man. United
Hertha vrs. SLBenfica
Everton vrs. Sporting
Lyon vrs. Real Madrid
FC Porto vrs. Arsenal
Milan vrs. Man. United
Hertha vrs. SLBenfica
Everton vrs. Sporting
Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral
1º Lugar: Vermelho Sempre - 475 pontos
2º Lugar: Jimmy Jump - 470 pontos
3º Lugar: Kaiserlicheagle, Vermelho e JC - 415 pontos
4º Lugar: J. Lobo - 405 pontos
5º Lugar: Fura-Redes - 370 pontos
6º Lugar: Samsalameh - 365 pontos
7º Lugar: Sócio - 345 pontos
8º Lugar: Gui - 315 pontos
9º Lugar. Cuto - 275 pontos
10º Lugar: Chico - 245 pontos
11º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos
12º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
13º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos
14º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
15º Lugar: Pachulico - 35 pontos
2º Lugar: Jimmy Jump - 470 pontos
3º Lugar: Kaiserlicheagle, Vermelho e JC - 415 pontos
4º Lugar: J. Lobo - 405 pontos
5º Lugar: Fura-Redes - 370 pontos
6º Lugar: Samsalameh - 365 pontos
7º Lugar: Sócio - 345 pontos
8º Lugar: Gui - 315 pontos
9º Lugar. Cuto - 275 pontos
10º Lugar: Chico - 245 pontos
11º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos
12º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
13º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos
14º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
15º Lugar: Pachulico - 35 pontos
domingo, fevereiro 14, 2010
A Frase do Ano ou Quando a Boca foge para a Verdade
"As arbitragens não têm favorecido nada" - Bruno Alves na flash-interview do Leixões vrs. Porto
sábado, fevereiro 13, 2010
Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira
A árvore Calabote numa floresta de Guímaros
Por Ricardo Araújo Pereira
"Quero ver o que vale o Benfica quando jogar em Alvalade" - Eduardo Barroso (ou Vitorino), 28 de Outubro de 2009
Acaba de ser publicado um livro que promete animar a época dos portistas (uma vez que a luta pelo segundo lugar não parece constituir animação suficiente). O autor é uma pessoa idónea, sobretudo na medida em que nunca foi levado por Pinto da Costa a conhecer o Papa. Por paradoxal que pareça, os autores de livros mais credíveis são aqueles que o presidente do Porto não apresenta a líderes religiosos. Isto da credibilidade literária tem subtilezas que só estão ao alcance dos críticos mais argutos.
A obra em causa relata acontecimentos passados há mais de 50 anos — que são, em geral, os mais úteis para se compreender o presente. Trata-se de uma investigação sobre Inocêncio Calabote, o árbitro que foi recebido pelo presidente do Benfica em sua casa na véspera de um jogo. Não, desculpem. Enganei-me. É o árbitro a quem o Benfica pagou uma viagem ao Brasil, assim é que é. Peço desculpa, voltei a equivocar-me. O livro é sobre um árbitro que terá recebido quinhentinhos de um vice-presidente do Benfica. Perdão, ainda não é isto. É um árbitro ao qual o presidente do Benfica mandou oferecer fruta para dormir, conforme comprovado por uma escuta. Apre! Não acerto. Bom, parece que se trata de um árbitro ao qual o Benfica não ofereceu nada e que, em troca, terá beneficiado o clube a ponto de fazer com que o Porto ganhasse o campeonato. Enfim, um daqueles escândalos que nem 50 anos de silêncio conseguem apagar. Mas, reconheça-se, um escândalo que se mantém actual: um árbitro que acabou castigado pela justiça desportiva num ano em que o campeonato foi ganho pelo Porto. Realmente, soa-me a familiar.
Os dirigentes do Braga (ou, como lhe chama Augusto Duarte, o árbitro condenado por corrupção passiva, «o meu Braguinha») afirmam que têm sido prejudicados pela arbitragem. Quem beneficia com o prejuízo do Braga? O Benfica, que está em primeiro e só depende de si para continuar em primeiro? Ou o Porto, que está atrás do Braga e depende de terceiros para o ultrapassar? O Benfica, que luta pelo título — ao contrário do Braga, como sempre têm vindo a dizer os seus técnicos e jogadores? Ou o Porto, cujo presidente sempre disse que o seu principal adversário era o Braga? Ora aqui está uma questão difícil.
O Sporting perde em Braga e os sportinguistas: «O Bettencourt não fala?» Depois, o Sporting é goleado pelo Porto e os sportinguistas: «E o Bettencourt, não fala?» A seguir, o Sporting perde em casa com a Académica e os sportinguistas: «Mas o Bettencourt não fala?» Dias depois, o Sporting é goleado pelo Benfica e os sportinguistas: «Mas porque é que o Bettencourt não fala?» É então que Bettencourt regressa do Brasil e diz: «O objectivo do Sporting é o quarto lugar.» E os sportinguistas: «Porque é que o Bettencourt não se cala?» Ainda assim, não sei se a indignação dos sportinguistas é justa. Quando Bettencourt diz que o campeonato do Sporting é o mesmo que o de Marítimo, Leiria e Nacional, está a ofender mais os sportinguistas ou os adeptos de Marítimo, Leiria e Nacional?
Por Ricardo Araújo Pereira
"Quero ver o que vale o Benfica quando jogar em Alvalade" - Eduardo Barroso (ou Vitorino), 28 de Outubro de 2009
Acaba de ser publicado um livro que promete animar a época dos portistas (uma vez que a luta pelo segundo lugar não parece constituir animação suficiente). O autor é uma pessoa idónea, sobretudo na medida em que nunca foi levado por Pinto da Costa a conhecer o Papa. Por paradoxal que pareça, os autores de livros mais credíveis são aqueles que o presidente do Porto não apresenta a líderes religiosos. Isto da credibilidade literária tem subtilezas que só estão ao alcance dos críticos mais argutos.
A obra em causa relata acontecimentos passados há mais de 50 anos — que são, em geral, os mais úteis para se compreender o presente. Trata-se de uma investigação sobre Inocêncio Calabote, o árbitro que foi recebido pelo presidente do Benfica em sua casa na véspera de um jogo. Não, desculpem. Enganei-me. É o árbitro a quem o Benfica pagou uma viagem ao Brasil, assim é que é. Peço desculpa, voltei a equivocar-me. O livro é sobre um árbitro que terá recebido quinhentinhos de um vice-presidente do Benfica. Perdão, ainda não é isto. É um árbitro ao qual o presidente do Benfica mandou oferecer fruta para dormir, conforme comprovado por uma escuta. Apre! Não acerto. Bom, parece que se trata de um árbitro ao qual o Benfica não ofereceu nada e que, em troca, terá beneficiado o clube a ponto de fazer com que o Porto ganhasse o campeonato. Enfim, um daqueles escândalos que nem 50 anos de silêncio conseguem apagar. Mas, reconheça-se, um escândalo que se mantém actual: um árbitro que acabou castigado pela justiça desportiva num ano em que o campeonato foi ganho pelo Porto. Realmente, soa-me a familiar.
Os dirigentes do Braga (ou, como lhe chama Augusto Duarte, o árbitro condenado por corrupção passiva, «o meu Braguinha») afirmam que têm sido prejudicados pela arbitragem. Quem beneficia com o prejuízo do Braga? O Benfica, que está em primeiro e só depende de si para continuar em primeiro? Ou o Porto, que está atrás do Braga e depende de terceiros para o ultrapassar? O Benfica, que luta pelo título — ao contrário do Braga, como sempre têm vindo a dizer os seus técnicos e jogadores? Ou o Porto, cujo presidente sempre disse que o seu principal adversário era o Braga? Ora aqui está uma questão difícil.
O Sporting perde em Braga e os sportinguistas: «O Bettencourt não fala?» Depois, o Sporting é goleado pelo Porto e os sportinguistas: «E o Bettencourt, não fala?» A seguir, o Sporting perde em casa com a Académica e os sportinguistas: «Mas o Bettencourt não fala?» Dias depois, o Sporting é goleado pelo Benfica e os sportinguistas: «Mas porque é que o Bettencourt não fala?» É então que Bettencourt regressa do Brasil e diz: «O objectivo do Sporting é o quarto lugar.» E os sportinguistas: «Porque é que o Bettencourt não se cala?» Ainda assim, não sei se a indignação dos sportinguistas é justa. Quando Bettencourt diz que o campeonato do Sporting é o mesmo que o de Marítimo, Leiria e Nacional, está a ofender mais os sportinguistas ou os adeptos de Marítimo, Leiria e Nacional?
SLBenfica - Belenenses 1-0 Serviços Mínimos Asseguram Vitória
Cardozo
Que mais se podia pedir ao melhor marcador do campeonato? Foi o seu 17ª golo, num total de 23 em todas as provas. É já a época mais produtiva de Cardozo com a camisola encarnada, depois dos 22 marcados no ano de estreia. Um grande cruzamento de Ramires, logo aos dez minutos, terminou na cabeça do internacional paraguaio e coincidiu com o golo que garantiu a vitória da equipa, num jogo aparentemente de fácil resolução. Assim não o foi e Cardozo, uma vez mais, decidiu. Quanto vale um golo de Cardozo?
Coentrão
Na sombra de Di María, encara cada oportunidade como uma confirmação do seu talento. Com a cabeça no Benfica e na Selecção A, junta as forças das duas realidades e arranca, no mínimo, aplausos dos adeptos. Esteve perto de marcar na primeira parte, a cinco minutos do intervalo, quando alinhou a extremo e falhou por centímetros o golo. Na segunda rendeu César Peixoto na esquerda, com Jesus a apostar em mais um avançado. Mesmo mais recuado, ainda tentou assistir Weldon na frente.
Weldon
Começou com um remate torto e o seu trabalho nunca viria a endireitar-se. Não faltaram oportunidades ao avançado brasileiro frente à antiga equipa, que tinha pelo menos a vantagem de conhecer. Mas falhou demasiado, quando era precisamente o contrário que Jorge Jesus esperava. Por duas vezes lançado na frente, uma por Cardozo, outra por Coentrão, em nenhuma conseguiu levar a melhor sobre Bruno Vale. A sete do fim, quando as preocupações da equipa se intensificavam, face à magra vantagem, atirou ao lado um cruzamento de Maxi.
Bruno Vale
«Evitou» o segundo golo do Benfica com a sua condenação, a 12 minutos do fim. Defendeu com a mão um remate de Cardozo, lançado no contra-ataque por Carlos Martins, onde não era permitido, e podia ter acabado nesse momento com a ambição da sua equipa em sair da Luz com um resultado positivo. O pouco trabalho que teve até à entrada de Weldon, conheceu nova dimensão com a entrada do brasileiro, mas o desacerto deste foi sempre um bom aliado. Respondeu, ainda assim, com duas defesas oportunas numa altura decisiva.
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Artigo de Opinião de Miguel Góis
Assim se vê a má vontade do Sporting: ao fim de vinte e poucos minutos de jogo, quando o Benfica já ganhava por dois golos, um repórter da SIC informou-nos de que milhares de adeptos leoninos começavam a abandonar o estádio. Era o dado que faltava para ficarmos com a certeza de que o Sporting podia perfeitamente ter dado mais bilhetes ao clube da Luz. Mas, mesmo não lhes fazendo falta, foi essa a decisão do seu presidente, recém-chegado de férias, e chocado por descobrir que nos últimos quinze dias os jogadores do seu clube também não têm estado propriamente a trabalhar. Por exemplo, é escandaloso que durante o jogo de anteontem - e eu consultei as estatísticas - João Pereira só tenha corrido 318 metros.
Outra curiosidade é que o único jogador do Sporting que luta, e que marca, e que defende a camisola seja justamente aquele que há pouco tempo foi descomposto e agredido pelo antigo diretor- desportivo. Consta até, nos corredores de Alvalade, que Sinama-Pongolle está tão desesperado por marcar que já contactou Sá Pinto para este lhe dar um tabefe. Pode ser o início de um novo ciclo. Ontem, dizia Sousa Cintra numa rádio, tentando animar a sua massa associativa: "O Sporting há-de ser sempre o Sporting." É justamente esse o problema, não é? Se o Sporting de quinze em quinze dias fosse o Benfica, não estaria em quarto lugar no campeonato.
Do lado do Benfica, ainda assim há muito a melhorar. Por exemplo, Cardozo tem que pedir aos árbitros se pode passar a marcar as grandes penalidades a trinta metros de distância da baliza.
Outra curiosidade é que o único jogador do Sporting que luta, e que marca, e que defende a camisola seja justamente aquele que há pouco tempo foi descomposto e agredido pelo antigo diretor- desportivo. Consta até, nos corredores de Alvalade, que Sinama-Pongolle está tão desesperado por marcar que já contactou Sá Pinto para este lhe dar um tabefe. Pode ser o início de um novo ciclo. Ontem, dizia Sousa Cintra numa rádio, tentando animar a sua massa associativa: "O Sporting há-de ser sempre o Sporting." É justamente esse o problema, não é? Se o Sporting de quinze em quinze dias fosse o Benfica, não estaria em quarto lugar no campeonato.
Do lado do Benfica, ainda assim há muito a melhorar. Por exemplo, Cardozo tem que pedir aos árbitros se pode passar a marcar as grandes penalidades a trinta metros de distância da baliza.
Artigo de Opinião de Leonor Pinhão
INEVITAVELMENTE, uma pessoa acaba por se deixar contagiar pelo ambiente de indolência moral e de insolvência mental que paira sobre as nossas cabeças como um manto espesso que nos tolhe e encolhe e que, aliás, não vem de agora. É que isto, na verdade, já dura há séculos. Vem este pensamento sombrio a propósito do episódio de violência ocorrido entre o seleccionador nacional de futebol e um jornalista na sala VIP do Aeroporto de Lisboa.
Se é que se pode olhar para estas coisas com bom ânimo, procurando descobrir em cada despautério um aspecto positivo — e essa é a nossa arte nacional —, não haja dúvida que o incidente entre o treinador Carlos Queiroz e o jornalista Jorge Baptista trouxe para a ribalta uma nova realidade, ou seja, uma apetecida transparência no que diz respeito aos conflitos do futebol português que, como é público e notório, sofre de pancada na tola como nunca sofreu.
Basta ouvi-los falar para se confirmar o diagnóstico.
De pancada em pancada, a novidade é que a mais recente cena de trolha, de castanha, com bola ou sem bola, e sem bola neste último caso, primou por escolher um cenário diferente.
Da escuridão dos túneis, quais esconderijos, do defendido anonimato dos intervenientes das ocorrências cavernais, da deficiente qualidade das imagens e das tendenciosas interpretações das mesmas, passou-se, num ápice, para uma sala climatizada do Aeroporto de Lisboa, com sofás estofados e generosa iluminação, com um público tão VIP que nem viaja em classe turística e com acepipes servidos de borla por funcionárias impecavelmente fardadas no lugar dos desmazelados e remediados stewards das situações anteriores.
Inesperadamente, e sem merecimento, a vertente trauliteira do futebol português subiu, de rajada, para aí uns bons cinco ou seis degraus da escalada social e apresentou-se, desta vez, com punhos de renda em ambiente chique. Pois já não era sem tempo.
Deus nos guarde e preserve da verborreia dos moralistas de todas as ocasiões que aproveitam o menor tropeção alheio para clamarem por desinfestações e por despedimentos! São os temíveis legionários por conta própria que zelam pelo bom comportamento de terceiros, senhores de uma vocação ditatorial e que gostam de pregar sermões, não pelos sermões em si, muito menos pela causa ética em discussão, mas porque se comprazem em ouvir-se falar, adoram o som da sua própria voz.
À luz da moral vigente, do histórico pugilístico recente e da cultura de impunidade imperante, continua, portanto, Carlos Queiroz muito bem no sítio onde está, ocupando o cargo de seleccionador nacional de todos nós e da equipa de todos nós, por arrasto de funções.
O facto de ter andado ao soco com um jornalista não lhe diminui em nada o currículo, que aliás é escasso, e a ninguém passaria pela cabeça, tendo em conta a situação geral, que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol forçasse a sua substituição a quatro meses do Mundial da África do Sul.
Há, no entanto, alguns excessos que merecem ser combatidos. O presidente da FPF é, com todo o respeito, um deles.
Ainda Jorge Baptista não começara a acreditar no que lhe tinha acontecido na sala VIP do Aeroporto de Lisboa e já Gilberto Madail vinha explicar ao País que o desacato era de «carácter pessoal» e que não afectava a imagem da Selecção, muito menos a imagem do seleccionador. É que, conclui-se, sendo o seleccionador, em primeiro lugar, uma «pessoa», tem todo o direito ao desdobre em múltiplas personalidades conforme o lugar e a hora onde se encontra.
Vá lá, vá lá, não nos ter vindo dizer Gilberto Madail que foi assim que Fernando Pessoa, que também era uma «pessoa», fez a sua obra, inventando heterónimos para cada impulso criador, já foi uma sorte para o nosso futebol e para a literatura mundial.
De um modo geral, a opinião pública e a comunicação social aceitaram com grande placidez, a justificação do presidente da FPF, a explicação do seleccionador e a descrição dos factos pelo jornalista. Ninguém se esteve para incomodar minimamente com o assunto que, depois de Sá Pinto ter alegadamente agredido Liedson e de Bruno Alves ter alegadamente agredido não se sabe bem quem, não passa de uma perfeita e alegada banalidade sem consequências.
Perante tudo isto, e considerando que as «pessoas» são todas iguais perante a moral comum e independentemente das explosões circunstanciais das suas múltiplas personalidades criativas, é de recear que uma forte e tremenda injustiça esteja prestes a ser cometida no futebol português.
Bastou ler com mediana atenção os jornais de quarta-feira, para se tornar evidente que João Pereira, o azougado lateral-direito do Sporting, não beneficia do mesmo estatuto de redenção concedido a outros agressores nacionais.
Na verdade, com que direito vêm agora os moralistas do costume exigir que João Pereira não possa ser escolhido por Carlos Queiroz para integrar a comitiva portuguesa que vai disputar o Mundial do próximo Verão?
Quando chegou ao Sporting não disse logo o temperamental jogador que estava ali para «morrer em campo»? E se esse foi, objectivamente, um compromisso «pessoal» de Pereira que logo fazia temer o pior, como considerar a sua agressão, a pés juntos, sobre o trinca-espinhas Ramires, sem bola sem nada, como impeditiva de figurar entre os eleitos do seleccionador? Com que moral o querem agora afastar da Selecção?
Enfim, no futebol também há classes.
E uma sala VIP será sempre uma sala VIP, o resto é conversa.
OSporting de Braga, que encanta ver jogar, distanciou-se uma vez mais do Benfica e mantém a mesma diferença de pontos para o FC Porto. O Benfica, que jogou malzinho em Setúbal e um bocadinho menos mal em Alvalade, continua a ter razões de queixa do árbitro portuense Jorge Sousa.
Com a conclusão do inquérito disciplinar aos acontecimentos do túnel de Braga, ficou provado que Cardozo foi mal expulso no intervalo porque só quis apartar as partes em conflito e não agrediu ninguém. Jogando com 10 e vendo um golo injustamente anulado, o Benfica saiu de Braga há três meses tal como saiu de Setúbal, no sábado passado, em perda. O azar foi o mesmo. O azar do Benfica neste campeonato tem-se chamado Jorge Sousa, um árbitro que dá galo ao Benfica. São coisas que acontecem. Como consequência, para se afastar do Benfica, o Sp. Braga tem tido sorte com o mesmo juiz.
Todos sabemos que o futebol é um jogo e que a sorte e o azar fazem parte de qualquer jogo, mas, para tirar as teimas a esta questão, quem é que não gostaria de ver o mesmo Jorge Sousa a apitar o FC Porto-Sporting de Braga que se avizinha? Para vermos quem tem mais azar.
Aterceira edição da Taça da Liga vai ter uma final em grande: Benfica-FC Porto, a 20 de Março, no Estádio do Algarve. Isto, em princípio. Porque vai haver ruído com a data e com o local da festa. É uma previsão, obviamente.
Se é que se pode olhar para estas coisas com bom ânimo, procurando descobrir em cada despautério um aspecto positivo — e essa é a nossa arte nacional —, não haja dúvida que o incidente entre o treinador Carlos Queiroz e o jornalista Jorge Baptista trouxe para a ribalta uma nova realidade, ou seja, uma apetecida transparência no que diz respeito aos conflitos do futebol português que, como é público e notório, sofre de pancada na tola como nunca sofreu.
Basta ouvi-los falar para se confirmar o diagnóstico.
De pancada em pancada, a novidade é que a mais recente cena de trolha, de castanha, com bola ou sem bola, e sem bola neste último caso, primou por escolher um cenário diferente.
Da escuridão dos túneis, quais esconderijos, do defendido anonimato dos intervenientes das ocorrências cavernais, da deficiente qualidade das imagens e das tendenciosas interpretações das mesmas, passou-se, num ápice, para uma sala climatizada do Aeroporto de Lisboa, com sofás estofados e generosa iluminação, com um público tão VIP que nem viaja em classe turística e com acepipes servidos de borla por funcionárias impecavelmente fardadas no lugar dos desmazelados e remediados stewards das situações anteriores.
Inesperadamente, e sem merecimento, a vertente trauliteira do futebol português subiu, de rajada, para aí uns bons cinco ou seis degraus da escalada social e apresentou-se, desta vez, com punhos de renda em ambiente chique. Pois já não era sem tempo.
Deus nos guarde e preserve da verborreia dos moralistas de todas as ocasiões que aproveitam o menor tropeção alheio para clamarem por desinfestações e por despedimentos! São os temíveis legionários por conta própria que zelam pelo bom comportamento de terceiros, senhores de uma vocação ditatorial e que gostam de pregar sermões, não pelos sermões em si, muito menos pela causa ética em discussão, mas porque se comprazem em ouvir-se falar, adoram o som da sua própria voz.
À luz da moral vigente, do histórico pugilístico recente e da cultura de impunidade imperante, continua, portanto, Carlos Queiroz muito bem no sítio onde está, ocupando o cargo de seleccionador nacional de todos nós e da equipa de todos nós, por arrasto de funções.
O facto de ter andado ao soco com um jornalista não lhe diminui em nada o currículo, que aliás é escasso, e a ninguém passaria pela cabeça, tendo em conta a situação geral, que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol forçasse a sua substituição a quatro meses do Mundial da África do Sul.
Há, no entanto, alguns excessos que merecem ser combatidos. O presidente da FPF é, com todo o respeito, um deles.
Ainda Jorge Baptista não começara a acreditar no que lhe tinha acontecido na sala VIP do Aeroporto de Lisboa e já Gilberto Madail vinha explicar ao País que o desacato era de «carácter pessoal» e que não afectava a imagem da Selecção, muito menos a imagem do seleccionador. É que, conclui-se, sendo o seleccionador, em primeiro lugar, uma «pessoa», tem todo o direito ao desdobre em múltiplas personalidades conforme o lugar e a hora onde se encontra.
Vá lá, vá lá, não nos ter vindo dizer Gilberto Madail que foi assim que Fernando Pessoa, que também era uma «pessoa», fez a sua obra, inventando heterónimos para cada impulso criador, já foi uma sorte para o nosso futebol e para a literatura mundial.
De um modo geral, a opinião pública e a comunicação social aceitaram com grande placidez, a justificação do presidente da FPF, a explicação do seleccionador e a descrição dos factos pelo jornalista. Ninguém se esteve para incomodar minimamente com o assunto que, depois de Sá Pinto ter alegadamente agredido Liedson e de Bruno Alves ter alegadamente agredido não se sabe bem quem, não passa de uma perfeita e alegada banalidade sem consequências.
Perante tudo isto, e considerando que as «pessoas» são todas iguais perante a moral comum e independentemente das explosões circunstanciais das suas múltiplas personalidades criativas, é de recear que uma forte e tremenda injustiça esteja prestes a ser cometida no futebol português.
Bastou ler com mediana atenção os jornais de quarta-feira, para se tornar evidente que João Pereira, o azougado lateral-direito do Sporting, não beneficia do mesmo estatuto de redenção concedido a outros agressores nacionais.
Na verdade, com que direito vêm agora os moralistas do costume exigir que João Pereira não possa ser escolhido por Carlos Queiroz para integrar a comitiva portuguesa que vai disputar o Mundial do próximo Verão?
Quando chegou ao Sporting não disse logo o temperamental jogador que estava ali para «morrer em campo»? E se esse foi, objectivamente, um compromisso «pessoal» de Pereira que logo fazia temer o pior, como considerar a sua agressão, a pés juntos, sobre o trinca-espinhas Ramires, sem bola sem nada, como impeditiva de figurar entre os eleitos do seleccionador? Com que moral o querem agora afastar da Selecção?
Enfim, no futebol também há classes.
E uma sala VIP será sempre uma sala VIP, o resto é conversa.
OSporting de Braga, que encanta ver jogar, distanciou-se uma vez mais do Benfica e mantém a mesma diferença de pontos para o FC Porto. O Benfica, que jogou malzinho em Setúbal e um bocadinho menos mal em Alvalade, continua a ter razões de queixa do árbitro portuense Jorge Sousa.
Com a conclusão do inquérito disciplinar aos acontecimentos do túnel de Braga, ficou provado que Cardozo foi mal expulso no intervalo porque só quis apartar as partes em conflito e não agrediu ninguém. Jogando com 10 e vendo um golo injustamente anulado, o Benfica saiu de Braga há três meses tal como saiu de Setúbal, no sábado passado, em perda. O azar foi o mesmo. O azar do Benfica neste campeonato tem-se chamado Jorge Sousa, um árbitro que dá galo ao Benfica. São coisas que acontecem. Como consequência, para se afastar do Benfica, o Sp. Braga tem tido sorte com o mesmo juiz.
Todos sabemos que o futebol é um jogo e que a sorte e o azar fazem parte de qualquer jogo, mas, para tirar as teimas a esta questão, quem é que não gostaria de ver o mesmo Jorge Sousa a apitar o FC Porto-Sporting de Braga que se avizinha? Para vermos quem tem mais azar.
Aterceira edição da Taça da Liga vai ter uma final em grande: Benfica-FC Porto, a 20 de Março, no Estádio do Algarve. Isto, em princípio. Porque vai haver ruído com a data e com o local da festa. É uma previsão, obviamente.
Espaço Prof. Karamba
Benfica - Belenenses
Nacional - Rio Ave
Sp. Braga - Marítimo
Leixões - FC Porto
Académica - Olhanense
P. Ferreira - Sporting
Naval - V. Guimarães
U. Leiria - V. Setúbal
Nacional - Rio Ave
Sp. Braga - Marítimo
Leixões - FC Porto
Académica - Olhanense
P. Ferreira - Sporting
Naval - V. Guimarães
U. Leiria - V. Setúbal
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
terça-feira, fevereiro 09, 2010
Sporting - SLBenfica 1-4 Rotatividade com goleada!
David Luiz
Uma exibição de garra como que a redimir-se do autogolo que obrigou o Benfica a deixar pontos no Bonfim. Abriu o marcador de cabeça, como já (quase) tinha feito em Setúbal, e está na origem do segundo golo, com o passe longo que lançou César Peixoto pelo corredor esquerdo. Com o Benfica balanceado para o ataque, o central mostrou-se mais determinante no meio campo do Sporting, principalmente nos lances de bola parada, do que propriamente a defender.
Di María
Uma permanente dor de cabeça para a defesa do Sporting. O argentino é escorregadio, tem um drible fácil, irrita quem apanha pela frente, obrigando os defesas leoninos a recorrerem muitas vezes à falta para o travar. Assinou o primeiro remate do jogo e esteve nos melhores lances de ataque de bola corrida, quase sempre pelo flanco esquerdo. Só lhe faltou um golo para fechar a noite em grande e na parte final teve, pelo menos, duas oportunidades soberanas, com remates cruzados a rasarem o poste.
Bolas paradas do Benfica
Uma máquina de fazer golos com o carimbo de Jesus. O treinador insiste no aperfeiçoamento destes lances até à exaustão, com resultados práticos nos jogos. Esta noite foram mais dois, um de livre (David Luiz), outro num pontapé de canto (Luisão), mas até podiam ter sido mais. Qualquer que seja a situação que permita colocar a bola na área, os jogadores do Benfica já sabem onde posicionar-se e que movimentos devem fazer. Assim, os golos surgem com naturalidade.
Javi Garcia
«No pasa nada» ou quase nada. Mais uma grande exibição do jovem espanhol que construiu uma verdadeira muralha no meio-campo encarnado, travando tudo e todos que lhe surgiram pela frente, ganhando bolas nas alturas ou pelo relvado, quase sempre por antecipação ou recorrendo ao seu forte poderio físico. Liedson que o diga, depois dos muitos choques contra o muro espanhol.
Cardozo
Mais um destaque de última hora, desta feita para o melhor golo da noite a fechar o pano.
Artigo de Opinião de Fernando Guerra
De toda a maneira, não pude deixar de captar o sentido de oportunidade do apresentador da obra, Rui Moreira, prestigiada figura da vida portuense e distinto colunista de A BOLA, a quem leio todas as semanas com atenção. Como o tema central tinha a ver com Inocêncio Calabote aproveitou logo para fazer a ligação ao túnel de Braga, ao Benfica e aos erros que segundo ele beneficiam o clube da Luz... Bom, insisto na minha. Isso foi há mais de 50 anos, e se, desde então, não conseguiram os partidários do dragão, geralmente atentos e sagazes, descortinar segundo caso, susceptível de permitir uma relação entre algum feito desportivo do Benfica e eventuais favores do pessoal do apito, é porque de facto não existe.
Em contrapartida, orientando o azimute para outras direcções, explodem vários, igualmente interessantes, muito mais recentes e de fácil pesquisa: caso Calheiros ou caso Silvano; caso Correia ou caso Gonçalves; caso Silva ou caso Guímaro. É só escolher...
Em contrapartida, orientando o azimute para outras direcções, explodem vários, igualmente interessantes, muito mais recentes e de fácil pesquisa: caso Calheiros ou caso Silvano; caso Correia ou caso Gonçalves; caso Silva ou caso Guímaro. É só escolher...
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral
1º Lugar: Jimmy Jump - 460 pontos
2º Lugar: Vermelho Sempre - 445 pontos
3º Lugar: Kaiserlicheagle - 400 pontos
4º Lugar: Vermelho e JC - 395 pontos
5º Lugar: J. Lobo - 370 pontos
6º Lugar: Samsalameh - 355 pontos
7º Lugar: Sócio - 345 pontos
8º Lugar: Fura-Redes - 320 pontos
9º Lugar: Gui - 315 pontos
10º Lugar. Cuto - 250 pontos
11º Lugar: Chico - 245 pontos
12º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos
13º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
14º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos
15º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
16º Lugar: Pachulico - 35 pontos
2º Lugar: Vermelho Sempre - 445 pontos
3º Lugar: Kaiserlicheagle - 400 pontos
4º Lugar: Vermelho e JC - 395 pontos
5º Lugar: J. Lobo - 370 pontos
6º Lugar: Samsalameh - 355 pontos
7º Lugar: Sócio - 345 pontos
8º Lugar: Fura-Redes - 320 pontos
9º Lugar: Gui - 315 pontos
10º Lugar. Cuto - 250 pontos
11º Lugar: Chico - 245 pontos
12º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos
13º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
14º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos
15º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
16º Lugar: Pachulico - 35 pontos
domingo, fevereiro 07, 2010
Artigo de Opinião de Fernando Guerra
Nada do que está a passar-se no futebol português, à revelia de princípios a que todo e qualquer desiderato desportivo deve subordinar-se, constitui motivo de admiração para quem minimamente se interessa pelo fenómeno.
Já se sabia que muitas situações estranhas emergiriam se o investimento feito pelo Benfica no reforço do seu quadro de profissionais tivesse retorno imediato, através de melhores resultados, de mais pontos e do acesso ao topo da classificação.
Já se sabia que o FC Porto, obstinado na conquista de outro 'penta', iria activar toda a sua oleada máquina de influências e arregimentar os aliados possíveis para manter desimpedido o caminho que eventualmente o conduzirá a esse desígnio supremo.
Só não se sabia que o Braga resistiria tanto tempo no primeiro lugar, proeza que lhe permitiu adquirir o estatuto de intérprete especialmente privilegiado nessa luta titânica entre águia e dragão. Mas era previsível que o FC Porto arrancasse célere à descoberta de conforto em ombro amigo assim que percebesse não dispor, sozinho, de argumentos suficientemente fortes para travar a ascensão do Benfica. Fê-lo, sem mais demoras, desfrutando de esperada e simpática disponibilidade por parte do presidente bracarense, o qual, sem que fosse necessário pedir-lhe, e a propósito de mero folclore, falou em «manobras estranhas e inqualificáveis que estão a ser urdidas nos corredores do poder tendo apenas um objectivo: parar o Sp. Braga». E empurrar o Benfica, deduzo...
Nenhuma surpresa até aqui, portanto. Apenas falta descobrir se Salvador tem a noção de estar a fazer de papel de embrulho: utiliza-se enquanto for preciso e depois... deita-se fora.
Já se sabia que muitas situações estranhas emergiriam se o investimento feito pelo Benfica no reforço do seu quadro de profissionais tivesse retorno imediato, através de melhores resultados, de mais pontos e do acesso ao topo da classificação.
Já se sabia que o FC Porto, obstinado na conquista de outro 'penta', iria activar toda a sua oleada máquina de influências e arregimentar os aliados possíveis para manter desimpedido o caminho que eventualmente o conduzirá a esse desígnio supremo.
Só não se sabia que o Braga resistiria tanto tempo no primeiro lugar, proeza que lhe permitiu adquirir o estatuto de intérprete especialmente privilegiado nessa luta titânica entre águia e dragão. Mas era previsível que o FC Porto arrancasse célere à descoberta de conforto em ombro amigo assim que percebesse não dispor, sozinho, de argumentos suficientemente fortes para travar a ascensão do Benfica. Fê-lo, sem mais demoras, desfrutando de esperada e simpática disponibilidade por parte do presidente bracarense, o qual, sem que fosse necessário pedir-lhe, e a propósito de mero folclore, falou em «manobras estranhas e inqualificáveis que estão a ser urdidas nos corredores do poder tendo apenas um objectivo: parar o Sp. Braga». E empurrar o Benfica, deduzo...
Nenhuma surpresa até aqui, portanto. Apenas falta descobrir se Salvador tem a noção de estar a fazer de papel de embrulho: utiliza-se enquanto for preciso e depois... deita-se fora.
Artigo de Opinião de Domingos Amaral
E-mail aberto
From: Domingos Amaral
To: António Salvador
Caro António Salvador
Esta semana, o senhor declarou que "manobras estranhas e inqualificáveis estão a ser urdidas nos corredores do poder tendo um objetivo: parar o Sp. Braga". Verifico pois, sem surpresa, que aderiu à "Pinto da Costa School" do dirigismo nacional, como aliás quase todos os dirigentes dos clubes portugueses, incluindo Sporting e Benfica. São três os princípios da escola: o primeiro é negar a realidade, o segundo é fazer-se de vítima, e o terceiro é atacar com violência os órgãos decisores que julguem contra o nosso clube, qualquer que seja a situação.
From: Domingos Amaral
To: António Salvador
Caro António Salvador
Esta semana, o senhor declarou que "manobras estranhas e inqualificáveis estão a ser urdidas nos corredores do poder tendo um objetivo: parar o Sp. Braga". Verifico pois, sem surpresa, que aderiu à "Pinto da Costa School" do dirigismo nacional, como aliás quase todos os dirigentes dos clubes portugueses, incluindo Sporting e Benfica. São três os princípios da escola: o primeiro é negar a realidade, o segundo é fazer-se de vítima, e o terceiro é atacar com violência os órgãos decisores que julguem contra o nosso clube, qualquer que seja a situação.
Artigo de Opinião de Luís Avelãs
Faço parte do lote daqueles que, a priori, não acreditavam que o Sp. Braga, já dentro da segunda volta da Liga, estaria em condições de lutar pela conquista do título. A verdade é que, por mérito próprio e não demérito alheio, os arsenalistas seguem na corrida. E só não ocupam, de momento, a liderança da tabela classificativa porque o Benfica conta com uma partida a mais.
Os minhotos, de forma sensacional, despacharam o Sporting fora e em casa e também levaram de vencida FC Porto e Benfica no seu reduto. Tiveram sorte em alguns desses duelos? Tiveram, mas isso não diminui, de forma alguma, a qualidade dos resultados conseguidos. Aliás, não conheço ninguém que ganhe com azar... A formação comandada por Domingos (que cheguei a pensar ser o principal candidato a ser despedido na Liga, após uma pré-época e arranque de temporada "aos soluços") está lá em cima porque, no local correcto (dentro do campo), tem sido melhor que a maioria. Pontualmente - e descontando o jogo a mais das águias - só não possui um registo mais forte que o Benfica, embora também não seja pior e tenha a seu favor o triunfo no confronto directo.
Pouco ou nada habituados a fazer figura de líderes, os bracarenses demoraram a assumir a candidatura ao triunfo final. O treinador, por exemplo, sempre que questionado sobre o tema, não escondia um sorriso traquina, mas fugia à pergunta, adiando uma posição lá mais para a frente.
De repente, Domingos mudou de postura e garantiu que, independentemente das sanções a este ou aquele jogador, a equipa estava preparada para tudo. E logo de seguida foi a vez do director desportivo (Carlos Freitas) se atirar, de peito aberto, a tudo e a todos. Por fim, até o presidente (António Salvador) veio a público denunciar uma campanha orquestrada para derrubar o seu clube, solicitando a união dos sócios e adeptos.
Volto a frisar que o Sp. Braga está a fazer uma temporada notável, mas todo este alarido, de um dia para o outro, só revela nervos. Muitos. E andar com a cabeça longe do essencial não é, seguramente, a melhor estratégia para o clube tentar o que nunca conseguiu. Os minhotos podem perfeitamente alcançar o título. E não serão as ausências de Mossoró (3 jogos) e Vandinho (3 meses) a impedir tal desiderato. Nem tão-pouco a venda de João Pereira, um dos "culpados" pela excelente campanha efectuada. Se a equipa revelar a solidez de quase toda a época, se não tiver receio de jogar "olhos nos jogos" com os opositores, com destaque para os embates com FC Porto e Benfica, o ceptro pode ser mesmo mais que uma miragem.
No entanto, se as forças de responsáveis e equipa se desviar do que realmente importa, se o futebol praticado estiver ao nível do que se viu recentemente nos quartos-de-final da Taça de Portugal (perante o Rio Ave)... chapéu. É que o desaire com os vila-condenses não teve nada a ver com as ausências de Vandinho e Mossoró. Essa explicação não serve.
Os minhotos, de forma sensacional, despacharam o Sporting fora e em casa e também levaram de vencida FC Porto e Benfica no seu reduto. Tiveram sorte em alguns desses duelos? Tiveram, mas isso não diminui, de forma alguma, a qualidade dos resultados conseguidos. Aliás, não conheço ninguém que ganhe com azar... A formação comandada por Domingos (que cheguei a pensar ser o principal candidato a ser despedido na Liga, após uma pré-época e arranque de temporada "aos soluços") está lá em cima porque, no local correcto (dentro do campo), tem sido melhor que a maioria. Pontualmente - e descontando o jogo a mais das águias - só não possui um registo mais forte que o Benfica, embora também não seja pior e tenha a seu favor o triunfo no confronto directo.
Pouco ou nada habituados a fazer figura de líderes, os bracarenses demoraram a assumir a candidatura ao triunfo final. O treinador, por exemplo, sempre que questionado sobre o tema, não escondia um sorriso traquina, mas fugia à pergunta, adiando uma posição lá mais para a frente.
De repente, Domingos mudou de postura e garantiu que, independentemente das sanções a este ou aquele jogador, a equipa estava preparada para tudo. E logo de seguida foi a vez do director desportivo (Carlos Freitas) se atirar, de peito aberto, a tudo e a todos. Por fim, até o presidente (António Salvador) veio a público denunciar uma campanha orquestrada para derrubar o seu clube, solicitando a união dos sócios e adeptos.
Volto a frisar que o Sp. Braga está a fazer uma temporada notável, mas todo este alarido, de um dia para o outro, só revela nervos. Muitos. E andar com a cabeça longe do essencial não é, seguramente, a melhor estratégia para o clube tentar o que nunca conseguiu. Os minhotos podem perfeitamente alcançar o título. E não serão as ausências de Mossoró (3 jogos) e Vandinho (3 meses) a impedir tal desiderato. Nem tão-pouco a venda de João Pereira, um dos "culpados" pela excelente campanha efectuada. Se a equipa revelar a solidez de quase toda a época, se não tiver receio de jogar "olhos nos jogos" com os opositores, com destaque para os embates com FC Porto e Benfica, o ceptro pode ser mesmo mais que uma miragem.
No entanto, se as forças de responsáveis e equipa se desviar do que realmente importa, se o futebol praticado estiver ao nível do que se viu recentemente nos quartos-de-final da Taça de Portugal (perante o Rio Ave)... chapéu. É que o desaire com os vila-condenses não teve nada a ver com as ausências de Vandinho e Mossoró. Essa explicação não serve.
Artigo de Opinião de Luís Óscar
Cinquenta golos em 18 jogos de campeonato (média de 2,77), nos dias que correm, é uma produção a todos os títulos extraordinária. O Benfica cometeu-a, sob a orientação de Jorge Jesus.
A proeza percebe-se melhor se recordarmos que o último Benfica campeão, em 2005, fez 51 golos. Ou se compararmos com as outras equipas do campeonato: excluindo o FC Porto (35), o melhor que a concorrência fez foi metade (só o Marítimo) dos golos dos encarnados.
A explicação para feitos desta grandeza nunca pode ser encontrada apenas num aspeto dos inúmeros que concorrem para o êxito de uma equipa. A produção da dupla Saviola-Cardozo (com 26 golos são a 3.ª "equipa" mais concretizadora da Liga, atrás do Benfica e do FC Porto) está, obviamente, na primeira linha dos motivos. Sobretudo o rendimento do argentino que potenciou o rendimento de toda a manobra ofensiva.
Mas é de elementar justiça destacar o grande arquiteto desta obra: Jorge Jesus. À sua maneira, com um estilo negligé e, até, pouco ortodoxo, Jesus fez renascer o gosto de ver futebol e, por exemplo, levou quase 35 mil espectadores à Luz numa noite fria de 4.ª feira. Impensável há meia dúzia de meses...
A proeza percebe-se melhor se recordarmos que o último Benfica campeão, em 2005, fez 51 golos. Ou se compararmos com as outras equipas do campeonato: excluindo o FC Porto (35), o melhor que a concorrência fez foi metade (só o Marítimo) dos golos dos encarnados.
A explicação para feitos desta grandeza nunca pode ser encontrada apenas num aspeto dos inúmeros que concorrem para o êxito de uma equipa. A produção da dupla Saviola-Cardozo (com 26 golos são a 3.ª "equipa" mais concretizadora da Liga, atrás do Benfica e do FC Porto) está, obviamente, na primeira linha dos motivos. Sobretudo o rendimento do argentino que potenciou o rendimento de toda a manobra ofensiva.
Mas é de elementar justiça destacar o grande arquiteto desta obra: Jorge Jesus. À sua maneira, com um estilo negligé e, até, pouco ortodoxo, Jesus fez renascer o gosto de ver futebol e, por exemplo, levou quase 35 mil espectadores à Luz numa noite fria de 4.ª feira. Impensável há meia dúzia de meses...
sábado, fevereiro 06, 2010
Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira
Se Augusto Duarte ainda apitasse, o seu Braguinha estaria em segundo?
Se o Braga tivesse oferecido um prémio de 50.000 euros aos seus capitães de equipa, teria a equipa conseguido ultrapassar o poderoso Rio Ave em casa? É possível. Como não conseguiu, havia que desviar as atenções do facto de, depois de Domingos ter prometido fazer melhor do que na época passada, o Braga ter saído da Liga Europa ainda na 3.ª pré-eliminatória, ter sido eliminado da Taça da Liga exactamente na mesma fase do ano anterior, e ter caído frente ao Rio Ave em casa na Taça de Portugal, quando na época passada tinha sido eliminado pelo Nacional fora. Como sempre acontece, até porque a eficácia do método é comprovada, as atenções foram desviadas à custa do Benfica. António Salvador disse que o Braga não precisa de antecipar jogos para ser primeiro. Não é exactamente verdade. O Braga não precisa de antecipar jogos porque não joga para as competições europeias desde Agosto.
Primeiro, a Comissão Disciplinar da Liga puniu Cardozo com dois jogos de suspensão por actos que todas as imagens demonstram que ele não cometeu. Tudo normal. Agora, a mesma Comissão resolveu punir alguns jogadores do Braga por agressões que as imagens da Sport TV têm a indelicadeza de documentar. Como é óbvio, houve escândalo. O clube que o árbitro irradiado refere nas escutas como «o meu Braguinha» não aprecia a justiça desportiva. Quem diria?
Apareceram finalmente as imagens dos acontecimentos que ocorreram no túnel da Luz — e, como não podia deixar de ser, mostram que a culpa é toda do Benfica. Os jogadores do Porto, depois de, apesar dos três trincos, não terem conseguido suster Urreta, Luís Filipe e seus pares, dirigiram-se para o balneário com uma calma e boa disposição que só as mais infames provocações poderiam abalar. Foi precisamente o que aconteceu. Fernando foi imediatamente provocado pela manga do túnel, e aplicou-lhe um justificadíssimo pontapé. Hulk, que resolveu ficar à espera da equipa de arbitragem, seguramente para a felicitar, foi provocado por Rui Cerqueira, director de comunicação do Porto, que o puxou várias vezes na direcção do balneário, certamente instruído por alguém do Benfica. A seguir começaram as provocações dos stewards, que as imagens não mostram mas constam da nota de culpa da Liga. Em que consistiu a pérfida provocação dos stewards? Fizeram considerações acerca de uma hipotética actividade profissional isenta de impostos levada a cabo pelas mães dos portistas? Levantaram infundadas dúvidas sobre a orientação sexual dos jogadores do Porto ou a honradez das suas esposas? Pior, muito pior. Segundo o documento da Liga, os stewards tiveram a desfaçatez de se dirigirem aos portistas dizendo (e peço desculpa aos leitores mais sensíveis pelo teor dos insultos que reproduzo a seguir): «Vão lá para dentro.» E ainda, como se não bastasse: «Voltem lá para cima.» Estes ordinários, quando toca a ofender, esmeram-se. E depois admiram-se que as pessoas decentes percam a cabeça. Ainda esta semana, segundo o DN, Bruno Alves agrediu Tomás Costa num treino. O Porto não cortou relações com o DN e Jesualdo Ferreira deixou Bruno Alves na bancada, o que parece indicar que o defesa terá mesmo cometido a agressão. Só não se sabe ainda como é que os stewards da Luz se terão infiltrado no treino do Porto, e de que modo conseguiram provocar Bruno Alves a ponto de o fazer descarregar uns bananos no pobre argentino. Mas é óbvio que serão responsabilizados por isso muito em breve.
Na curta visita turística que fez à cidade invicta, o ex-futuro reforço do Porto Kléber terá visto, ainda assim, muita coisa. Se calhar, viu que um administrador da SAD do clube que o queria contratar se demitiu, viu as escutas do presidente do mesmo clube no YouTube, viu um ex-futuro companheiro de equipa a agredir outro no treino e viu as imagens do túnel nos telejornais. Aposto que Kléber decidiu não assinar pelo Porto em cinco minutos.
Pinto da Costa gaba-se de não estender a mão «ao do cabelo branco», mas a equipa «do de cabelo branco» nunca recusa dar uma mãozinha à equipa de Pinto da Costa. Em altura de crise, o Porto sabe que pode contar sempre com o Sporting. E, depois de os sportinguistas terem aplaudido o principal reforço de Inverno do Porto em Alvalade, os portistas retribuíram aplaudindo de pé o golo de Liedson no Dragão. O futebol assim é bonito.
Se o Braga tivesse oferecido um prémio de 50.000 euros aos seus capitães de equipa, teria a equipa conseguido ultrapassar o poderoso Rio Ave em casa? É possível. Como não conseguiu, havia que desviar as atenções do facto de, depois de Domingos ter prometido fazer melhor do que na época passada, o Braga ter saído da Liga Europa ainda na 3.ª pré-eliminatória, ter sido eliminado da Taça da Liga exactamente na mesma fase do ano anterior, e ter caído frente ao Rio Ave em casa na Taça de Portugal, quando na época passada tinha sido eliminado pelo Nacional fora. Como sempre acontece, até porque a eficácia do método é comprovada, as atenções foram desviadas à custa do Benfica. António Salvador disse que o Braga não precisa de antecipar jogos para ser primeiro. Não é exactamente verdade. O Braga não precisa de antecipar jogos porque não joga para as competições europeias desde Agosto.
Primeiro, a Comissão Disciplinar da Liga puniu Cardozo com dois jogos de suspensão por actos que todas as imagens demonstram que ele não cometeu. Tudo normal. Agora, a mesma Comissão resolveu punir alguns jogadores do Braga por agressões que as imagens da Sport TV têm a indelicadeza de documentar. Como é óbvio, houve escândalo. O clube que o árbitro irradiado refere nas escutas como «o meu Braguinha» não aprecia a justiça desportiva. Quem diria?
Apareceram finalmente as imagens dos acontecimentos que ocorreram no túnel da Luz — e, como não podia deixar de ser, mostram que a culpa é toda do Benfica. Os jogadores do Porto, depois de, apesar dos três trincos, não terem conseguido suster Urreta, Luís Filipe e seus pares, dirigiram-se para o balneário com uma calma e boa disposição que só as mais infames provocações poderiam abalar. Foi precisamente o que aconteceu. Fernando foi imediatamente provocado pela manga do túnel, e aplicou-lhe um justificadíssimo pontapé. Hulk, que resolveu ficar à espera da equipa de arbitragem, seguramente para a felicitar, foi provocado por Rui Cerqueira, director de comunicação do Porto, que o puxou várias vezes na direcção do balneário, certamente instruído por alguém do Benfica. A seguir começaram as provocações dos stewards, que as imagens não mostram mas constam da nota de culpa da Liga. Em que consistiu a pérfida provocação dos stewards? Fizeram considerações acerca de uma hipotética actividade profissional isenta de impostos levada a cabo pelas mães dos portistas? Levantaram infundadas dúvidas sobre a orientação sexual dos jogadores do Porto ou a honradez das suas esposas? Pior, muito pior. Segundo o documento da Liga, os stewards tiveram a desfaçatez de se dirigirem aos portistas dizendo (e peço desculpa aos leitores mais sensíveis pelo teor dos insultos que reproduzo a seguir): «Vão lá para dentro.» E ainda, como se não bastasse: «Voltem lá para cima.» Estes ordinários, quando toca a ofender, esmeram-se. E depois admiram-se que as pessoas decentes percam a cabeça. Ainda esta semana, segundo o DN, Bruno Alves agrediu Tomás Costa num treino. O Porto não cortou relações com o DN e Jesualdo Ferreira deixou Bruno Alves na bancada, o que parece indicar que o defesa terá mesmo cometido a agressão. Só não se sabe ainda como é que os stewards da Luz se terão infiltrado no treino do Porto, e de que modo conseguiram provocar Bruno Alves a ponto de o fazer descarregar uns bananos no pobre argentino. Mas é óbvio que serão responsabilizados por isso muito em breve.
Na curta visita turística que fez à cidade invicta, o ex-futuro reforço do Porto Kléber terá visto, ainda assim, muita coisa. Se calhar, viu que um administrador da SAD do clube que o queria contratar se demitiu, viu as escutas do presidente do mesmo clube no YouTube, viu um ex-futuro companheiro de equipa a agredir outro no treino e viu as imagens do túnel nos telejornais. Aposto que Kléber decidiu não assinar pelo Porto em cinco minutos.
Pinto da Costa gaba-se de não estender a mão «ao do cabelo branco», mas a equipa «do de cabelo branco» nunca recusa dar uma mãozinha à equipa de Pinto da Costa. Em altura de crise, o Porto sabe que pode contar sempre com o Sporting. E, depois de os sportinguistas terem aplaudido o principal reforço de Inverno do Porto em Alvalade, os portistas retribuíram aplaudindo de pé o golo de Liedson no Dragão. O futebol assim é bonito.
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
So Far, So Good by Rupert Fryer
On November 5th last year, I stood patiently inside a Merseyside Press Room, awaiting the arrival of a man who had just masterminded his second comprehensive victory over Premier League opponents in less than three weeks. And comprehensive it most certainly was. Benfica absolutely pummelled Everton for 90 minutes that night, dominating possession from the first minute, they were unlucky to only win by two goals.
When we took our first look at Benfica before their season began back in August, I have to admit, I knew little of Jorge Jesus - but as soon as he marched into the Goodison Park press room that night, I knew Benfica had appointed the right man. He didn’t have an air of authority about him as much as one of the dogged obstinance you might expect to find on the face of a totalitarian leader in Communist Russia. It was a look that urged the gentleman standing next to me to turn and proclaim, “Jesus, he looks intense!” I don’t think the pun was intended – but hats off to that man if it was.
Jesus went on to reveal the game plan he had implemented to perfection earlier that evening, dropping classy Pablo Aimar in favour of a more rigid central midfield of Ramires and Javi Garcia; both sitting deep with wide men either side of them, while Oscar Cardozo and Javier Saviola took turns dropping deep into the space Aimar would usually fill. Jesus admitted: “I came here looking for one point.” After an hour of total Benfica dominance, Jesus introduced little Pablo, and Benfica instantly took the lead through Saviola. “Aimar changed the game” said Jesus, and he did. By the time Cardozo added the second 15 minutes before the end, the game was already over.
What was so important about that night is, not only was it Benfica’s biggest test of the season so far, but they came into the game off the back of their first league defeat, suffered at the hands of Jesus’ previous club Braga. It was the first time his side had failed to score a goal in domestic football, ended in a huge dust-up and was against the team who appeared to be their biggest rivals for the Portuguese Liga. With Sporting going through what their fans may call a transitional period and Porto, as ever, introducing numerous replacements for the star players they lost the previous summer, that 2-0 defeat to Braga was a huge blow for Jesus’ disciples. Since that night at Goodison though, As Águias (The Eagles) have been flying.
They’ve already scored 5 goals or more in a single match on no less than five occasions this season and Paraguayan forward Oscar Cardozo is leading Portugal’s scoring charts with 15 goals in 16 games, his striker partner Javier Saviola already has nine. Ramires has settled instantly, forming a formidable partnership with Javi Garcia in the middle of the park and most notably, Angel di Maria (the club's prize possession) seems to finally be maturing into the talent many seem to think he already is.
Joint top of the Portuguese league, losing just once in seventeen outings, they’ve scored a staggering 47 goals, with just ten conceded; they cruised through their Europa League group winning five of their six games, including that comprehensive 7-0 aggregate double over Everton, while conceding just three goals; their prize possession is reported to have just turned down a mega-lucrative transfer to free-spending Manchester City; the fans are happy, the manager’s happy, the players are happy; all-in-all, it hasn’t been a bad few months for Benfica, whose first eleven includes EIGHT South Americans.
Benfica face struggling German outfit Hertha BSC in the next round of the Europa league and with Hertha currently propping up the Bundesliga table with just two wins in 20 league games, The Eagles look set to soar past a struggling Die Alte Dame (The Old Lady). Those odds of 20/1 you could have got on Benfica lifting the Europa crown five months ago have been cut to as low as 11/1 by some bookmakers.
We’re just about half way through the season now and with the transfer window slammed shut, Benfica not only managed to hold on to every single one of their major assets, but actually added another South American in Alan Kardec (wonderfully named after the French spiritualist whose ideas of achieving enlightenment through communication with the souls of the dead went down quite well in Brazil) and while Jesus insists that the “second half of the season is won only with sacrifice and humility,” Benfica will be telling themselves… so far so good.
When we took our first look at Benfica before their season began back in August, I have to admit, I knew little of Jorge Jesus - but as soon as he marched into the Goodison Park press room that night, I knew Benfica had appointed the right man. He didn’t have an air of authority about him as much as one of the dogged obstinance you might expect to find on the face of a totalitarian leader in Communist Russia. It was a look that urged the gentleman standing next to me to turn and proclaim, “Jesus, he looks intense!” I don’t think the pun was intended – but hats off to that man if it was.
Jesus went on to reveal the game plan he had implemented to perfection earlier that evening, dropping classy Pablo Aimar in favour of a more rigid central midfield of Ramires and Javi Garcia; both sitting deep with wide men either side of them, while Oscar Cardozo and Javier Saviola took turns dropping deep into the space Aimar would usually fill. Jesus admitted: “I came here looking for one point.” After an hour of total Benfica dominance, Jesus introduced little Pablo, and Benfica instantly took the lead through Saviola. “Aimar changed the game” said Jesus, and he did. By the time Cardozo added the second 15 minutes before the end, the game was already over.
What was so important about that night is, not only was it Benfica’s biggest test of the season so far, but they came into the game off the back of their first league defeat, suffered at the hands of Jesus’ previous club Braga. It was the first time his side had failed to score a goal in domestic football, ended in a huge dust-up and was against the team who appeared to be their biggest rivals for the Portuguese Liga. With Sporting going through what their fans may call a transitional period and Porto, as ever, introducing numerous replacements for the star players they lost the previous summer, that 2-0 defeat to Braga was a huge blow for Jesus’ disciples. Since that night at Goodison though, As Águias (The Eagles) have been flying.
They’ve already scored 5 goals or more in a single match on no less than five occasions this season and Paraguayan forward Oscar Cardozo is leading Portugal’s scoring charts with 15 goals in 16 games, his striker partner Javier Saviola already has nine. Ramires has settled instantly, forming a formidable partnership with Javi Garcia in the middle of the park and most notably, Angel di Maria (the club's prize possession) seems to finally be maturing into the talent many seem to think he already is.
Joint top of the Portuguese league, losing just once in seventeen outings, they’ve scored a staggering 47 goals, with just ten conceded; they cruised through their Europa League group winning five of their six games, including that comprehensive 7-0 aggregate double over Everton, while conceding just three goals; their prize possession is reported to have just turned down a mega-lucrative transfer to free-spending Manchester City; the fans are happy, the manager’s happy, the players are happy; all-in-all, it hasn’t been a bad few months for Benfica, whose first eleven includes EIGHT South Americans.
Benfica face struggling German outfit Hertha BSC in the next round of the Europa league and with Hertha currently propping up the Bundesliga table with just two wins in 20 league games, The Eagles look set to soar past a struggling Die Alte Dame (The Old Lady). Those odds of 20/1 you could have got on Benfica lifting the Europa crown five months ago have been cut to as low as 11/1 by some bookmakers.
We’re just about half way through the season now and with the transfer window slammed shut, Benfica not only managed to hold on to every single one of their major assets, but actually added another South American in Alan Kardec (wonderfully named after the French spiritualist whose ideas of achieving enlightenment through communication with the souls of the dead went down quite well in Brazil) and while Jesus insists that the “second half of the season is won only with sacrifice and humility,” Benfica will be telling themselves… so far so good.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
A Liderança e Jorge Sousa
O SLBenfica alcançou a liderança da presente edição da Liga Sagres por duas vezes - ontem e após a partida com o Nacional na Luz a contar para a 8ª jornada.
E o que é que este facto tem que ver com Jorge Sousa, perguntam vocês?
Simples - foi o árbitro nomeado para o jogo seguinte do SLBenfica.
Espero e desejo que o seu paupérrimo desempenho em Braga não conheça repitação, este Sábado, em Setúbal.
E o que é que este facto tem que ver com Jorge Sousa, perguntam vocês?
Simples - foi o árbitro nomeado para o jogo seguinte do SLBenfica.
Espero e desejo que o seu paupérrimo desempenho em Braga não conheça repitação, este Sábado, em Setúbal.
Artigo de Opinião de Leonor Pinhão
Prevê-se um 'derby' muito animado
A crueldade é detestável. No futebol há, frequentemente, campo para a crueldade, que é sempre detestável, quer seja para gáudio das nossas cores ou das cores adversárias. Por exemplo, os «olés» cantados das bancadas para uma equipa em colapso são uma manifestação sombria de mau carácter colectivo e de péssimo desportivismo do público em triunfo.
Se as instâncias legisladoras do futebol proíbem e castigam as manifestações racistas do público — excelente pedagogia —, não se entende como é que deixam impunes os cânticos de humilhação que ferem de morte uma equipa inteira no relvado, e não na arena, mais os suplentes sentados e os adeptos coitados.
Na noite de terça-feira, o Sporting teve uma noite muito infeliz no Porto e quando a goleada chegou à mão cheia, lá surgiram das bancadas os detestáveis «olés» que funcionaram como prolongamento do martírio, como se já não bastasse a derrota e a amplitude do resultado.
Tendo assistido ao jogo pela televisão na companhia, entre outros, de um bom amigo sportinguista, e vendo-o tão abatido com a situação, discretamente peguei no comando e fui baixando o som do aparelho para o poupar à crueldade.
— Deixa estar, não vale a pena — disse-me ele sem tirar os olhos do ecrã.
— É que não gosto de touradas — respondi-lhe, tentando expressar uma solidariedade de carácter social.
— Prefiro ouvir — murmurou como se falasse consigo próprio.
Constate-se que há, também, um certo masoquismo do adepto que sofre quando o sofrimento passa todas as marcas, como foi o caso.
Para o animar ainda lhe disse:
— Pronto, não fiques triste, na próxima terça-feira ganhas ao Benfica para a Taça da Liga e salvas a época — e fiz, como me competia, figas atrás das costas.
Mas nem me respondeu.
Limitou-se a encolher os ombros e, depois de um grande suspiro, proferiu:
— Ah, meu querido Paulo Bento! — o que até nem vinha nada a propósito.
Quando a dez minutos do fim do jogo, os comentadores da TVI anunciaram que Carlos Carvalhal se preparava para fazer uma substituição, um conviva benfiquista, com a mania que é treinador, sentenciou do sofá:
— Se fosse eu mandava entrar o Tiago!
— Que disparate! Trocar de guarda-redes à beira do fim, isso serve para quê? — contrariei-o em nome do bom senso e do respeito devido ao nosso amigo sportinguista que, finalmente, nos surpreendeu a todos com uma tirada de inconformismo.
— Não, não é trocar de guarda-redes. Se este Carvalhal percebesse alguma coisa de bola tinha mandado entrar o Tiago ao intervalo mas tinha lá deixado ficar também o Rui Patrício! E a jogar com dois guarda-redes na baliza talvez tivéssemos evitado esta coisa toda!
— E qual era o jogador de campo que mandavas sair? — perguntaram-lhe, querendo muito que o absurdo do diálogo lhe atenuasse as penas.
— Saía o João Pereira que não está a jogar nada, ainda nem sequer conseguiu levar com um cartão amarelo!
Fez-se silêncio porque, realmente, o nosso amigo do Sporting até tinha razão.
Numa paragem do jogo, a realização repetiu em câmara lenta o segundo golo de Falcao que foi o terceiro golo do FC Porto.
— Este tipo é um génio, deu cabo de nós na primeira parte — disse o nosso amigo sportinguista em mais um acesso de auto-flagelação.
— É bom, é, sim senhor — respondeu-lhe um coro de benfiquistas em jeito de comiseração.
— Vocês são mesmo incompetentes. Como é que deixaram o Falcao ir para o Porto? — atirou-nos de rajada, subitamente acordado do seu torpor.
E, naquele preciso instante, acabaram-se as tréguas entre os rivais da Capital. Estivemos ali nós a consolá-lo, a mitigar-lhe o sofrimento, a acompanhá-lo respeitosamente no transe e atreve-se agora o nosso amigo sportinguista a atirar-nos com farpas cruéis. Ah, não, basta!
— Preocupa-te com o Varela… — ouviu logo.
— Ouve lá, o que o Falcao fez ao Sporting não tem o menor valor! - ouviu logo a seguir.
— Marcou-nos dois golos, acham pouco?
— Até o chinês do Mafra vos marca três golos…
— O Falcao não chega aos calcanhares do Zhang!
Entretanto, mesmo ao cair do pano, Liedson reduziu de 5-1 para 5-2 e, num derradeiro assomo de crueldade, o Estádio do Dragão tributa ao levezinho um pesadíssima salva de palmas. Mil vezes pior do que os «olés», tal como o nosso amigo sportinguista a sentiu.
— O Liedson se tivesse categoria tinha-se recusado a marcar este golo! Isto é de uma falta de profissionalismo… — protestou.
— Então, agora, o Liedson já não tem categoria? — perguntou-lhe uma criança que pululava entre os presentes e que se começava a sentir bastante confusa com as flutuações de opinião.
Nem lhe respondeu.
Voltou a encolher os ombros. Suspirou e disse muito baixinho:
— Ah, meu querido Sá Pinto!
Foi logo abafado por um coro de protestos cívicos. Mas a realidade tem muita força. Acabara-se a Taça de Portugal como quatro dias antes se tinha acabado o campeonato e o nosso amigo, agora, já só tem um interesse: a Taça da Liga.
— Agora, para o campeonato, sou do Braga! — anunciou com grande solenidade.
— E já perguntaste ao pessoal de Braga se te aceita? Podem não estar interessados…
— Agora, se eu fosse o Carvalhal, metia os juniores a jogar contra a Académica, porque é jogo que não nos interessa nada, para estarmos na máxima força contra vocês, na terça-feira!
E nem nos deixou ouvir as flash-interviews.
Prevê-se um derby muito animado.
Óscar Cardozo e Carlos Martins desentenderam-se no sábado no jogo com o Vitória de Guimarães porque, numa jogada de ataque o paraguaio não passou a bola ao português que estava em melhor posição de marcar. Jorge Jesus, no final do jogo, explicou aos jornalistas que Cardozo estava obcecado por oferecer um golo ao seu compatriota Salvador Cabañas, hospitalizado em estado de coma depois de ter sido vítima de um ataque a tiro. Na segunda-feira, os jornais davam conta de que Cabañas tinha melhorado a sua condição, tinha acordado do coma e até já tinha falado.
— Passa a bola, passa a bola, Óscar! — terão sido as suas primeiras palavras.
Força Cardozo!
E Cardozo inaugurou ontem o marcador, na Luz, e somou mais um golo à sua conta pessoal. Podia ter facturado mais o paraguaio, mas ontem o Benfica defrontou-se com um adversário temível: o fiscal-de-linha que acompanhou o ataque vermelho na segunda parte e que conseguiu descortinar foras-de-jogo espantosos a Di María, a Saviola e ao próprio Cardozo.
De facto, está mais madura esta equipa de Jorge Jesus. Os jogadores já nem protestam, limitam-se a sorrir.
A crueldade é detestável. No futebol há, frequentemente, campo para a crueldade, que é sempre detestável, quer seja para gáudio das nossas cores ou das cores adversárias. Por exemplo, os «olés» cantados das bancadas para uma equipa em colapso são uma manifestação sombria de mau carácter colectivo e de péssimo desportivismo do público em triunfo.
Se as instâncias legisladoras do futebol proíbem e castigam as manifestações racistas do público — excelente pedagogia —, não se entende como é que deixam impunes os cânticos de humilhação que ferem de morte uma equipa inteira no relvado, e não na arena, mais os suplentes sentados e os adeptos coitados.
Na noite de terça-feira, o Sporting teve uma noite muito infeliz no Porto e quando a goleada chegou à mão cheia, lá surgiram das bancadas os detestáveis «olés» que funcionaram como prolongamento do martírio, como se já não bastasse a derrota e a amplitude do resultado.
Tendo assistido ao jogo pela televisão na companhia, entre outros, de um bom amigo sportinguista, e vendo-o tão abatido com a situação, discretamente peguei no comando e fui baixando o som do aparelho para o poupar à crueldade.
— Deixa estar, não vale a pena — disse-me ele sem tirar os olhos do ecrã.
— É que não gosto de touradas — respondi-lhe, tentando expressar uma solidariedade de carácter social.
— Prefiro ouvir — murmurou como se falasse consigo próprio.
Constate-se que há, também, um certo masoquismo do adepto que sofre quando o sofrimento passa todas as marcas, como foi o caso.
Para o animar ainda lhe disse:
— Pronto, não fiques triste, na próxima terça-feira ganhas ao Benfica para a Taça da Liga e salvas a época — e fiz, como me competia, figas atrás das costas.
Mas nem me respondeu.
Limitou-se a encolher os ombros e, depois de um grande suspiro, proferiu:
— Ah, meu querido Paulo Bento! — o que até nem vinha nada a propósito.
Quando a dez minutos do fim do jogo, os comentadores da TVI anunciaram que Carlos Carvalhal se preparava para fazer uma substituição, um conviva benfiquista, com a mania que é treinador, sentenciou do sofá:
— Se fosse eu mandava entrar o Tiago!
— Que disparate! Trocar de guarda-redes à beira do fim, isso serve para quê? — contrariei-o em nome do bom senso e do respeito devido ao nosso amigo sportinguista que, finalmente, nos surpreendeu a todos com uma tirada de inconformismo.
— Não, não é trocar de guarda-redes. Se este Carvalhal percebesse alguma coisa de bola tinha mandado entrar o Tiago ao intervalo mas tinha lá deixado ficar também o Rui Patrício! E a jogar com dois guarda-redes na baliza talvez tivéssemos evitado esta coisa toda!
— E qual era o jogador de campo que mandavas sair? — perguntaram-lhe, querendo muito que o absurdo do diálogo lhe atenuasse as penas.
— Saía o João Pereira que não está a jogar nada, ainda nem sequer conseguiu levar com um cartão amarelo!
Fez-se silêncio porque, realmente, o nosso amigo do Sporting até tinha razão.
Numa paragem do jogo, a realização repetiu em câmara lenta o segundo golo de Falcao que foi o terceiro golo do FC Porto.
— Este tipo é um génio, deu cabo de nós na primeira parte — disse o nosso amigo sportinguista em mais um acesso de auto-flagelação.
— É bom, é, sim senhor — respondeu-lhe um coro de benfiquistas em jeito de comiseração.
— Vocês são mesmo incompetentes. Como é que deixaram o Falcao ir para o Porto? — atirou-nos de rajada, subitamente acordado do seu torpor.
E, naquele preciso instante, acabaram-se as tréguas entre os rivais da Capital. Estivemos ali nós a consolá-lo, a mitigar-lhe o sofrimento, a acompanhá-lo respeitosamente no transe e atreve-se agora o nosso amigo sportinguista a atirar-nos com farpas cruéis. Ah, não, basta!
— Preocupa-te com o Varela… — ouviu logo.
— Ouve lá, o que o Falcao fez ao Sporting não tem o menor valor! - ouviu logo a seguir.
— Marcou-nos dois golos, acham pouco?
— Até o chinês do Mafra vos marca três golos…
— O Falcao não chega aos calcanhares do Zhang!
Entretanto, mesmo ao cair do pano, Liedson reduziu de 5-1 para 5-2 e, num derradeiro assomo de crueldade, o Estádio do Dragão tributa ao levezinho um pesadíssima salva de palmas. Mil vezes pior do que os «olés», tal como o nosso amigo sportinguista a sentiu.
— O Liedson se tivesse categoria tinha-se recusado a marcar este golo! Isto é de uma falta de profissionalismo… — protestou.
— Então, agora, o Liedson já não tem categoria? — perguntou-lhe uma criança que pululava entre os presentes e que se começava a sentir bastante confusa com as flutuações de opinião.
Nem lhe respondeu.
Voltou a encolher os ombros. Suspirou e disse muito baixinho:
— Ah, meu querido Sá Pinto!
Foi logo abafado por um coro de protestos cívicos. Mas a realidade tem muita força. Acabara-se a Taça de Portugal como quatro dias antes se tinha acabado o campeonato e o nosso amigo, agora, já só tem um interesse: a Taça da Liga.
— Agora, para o campeonato, sou do Braga! — anunciou com grande solenidade.
— E já perguntaste ao pessoal de Braga se te aceita? Podem não estar interessados…
— Agora, se eu fosse o Carvalhal, metia os juniores a jogar contra a Académica, porque é jogo que não nos interessa nada, para estarmos na máxima força contra vocês, na terça-feira!
E nem nos deixou ouvir as flash-interviews.
Prevê-se um derby muito animado.
Óscar Cardozo e Carlos Martins desentenderam-se no sábado no jogo com o Vitória de Guimarães porque, numa jogada de ataque o paraguaio não passou a bola ao português que estava em melhor posição de marcar. Jorge Jesus, no final do jogo, explicou aos jornalistas que Cardozo estava obcecado por oferecer um golo ao seu compatriota Salvador Cabañas, hospitalizado em estado de coma depois de ter sido vítima de um ataque a tiro. Na segunda-feira, os jornais davam conta de que Cabañas tinha melhorado a sua condição, tinha acordado do coma e até já tinha falado.
— Passa a bola, passa a bola, Óscar! — terão sido as suas primeiras palavras.
Força Cardozo!
E Cardozo inaugurou ontem o marcador, na Luz, e somou mais um golo à sua conta pessoal. Podia ter facturado mais o paraguaio, mas ontem o Benfica defrontou-se com um adversário temível: o fiscal-de-linha que acompanhou o ataque vermelho na segunda parte e que conseguiu descortinar foras-de-jogo espantosos a Di María, a Saviola e ao próprio Cardozo.
De facto, está mais madura esta equipa de Jorge Jesus. Os jogadores já nem protestam, limitam-se a sorrir.
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Artigo de Opinião de Zé Diogo Quintela
Soube pela imprensa que Pinto da Costa tenciona processar-me. Anunciou-o numa cerimónia do FCP em que também agraciou Bruno Alves com um prémio. Portanto, queixa-se por eu lhe pisar os calos, ao mesmo tempo que louva um jogador que tem por hábito pisar rótulas. Deve ser a isto que chamam a ironia de Pinto da Costa. Segundo os jornais, tem que ver com a minha crónica de há quinze dias, onde ficcionei uma escuta no futuro, entre PC e um árbitro.
Confesso que acho estranho: Pinto da Costa esforçou-se tanto para que as escutas verdadeiras não fossem admitidas em tribunal, mas agora quer que o mesmo tribunal aprecie uma escuta inventada por mim. Realmente, tinha graça que as escutas verdadeiras fossem nulas em tribunal mas as inventadas fossem aceites. Querem ver que a única pessoa condenada por causa de uma escuta relativa ao Apito Dourado ainda vou ser eu?
Diz Pinto da Costa que faltei ao respeito a um clube centenário. O que nem é muito rigoroso: o FCP é um clube bicentenário, já que festejou um centenário em 1993 e outro em 2006. Parece que o mal é eu ter falado na versão da Carolina Salgado. Portanto, se eu me inspirasse antes na versão oficial de Pinto da Costa e de Augusto Duarte, estaria tudo bem.
Para quem não se lembra, essa versão é a seguinte: dois dias antes de um jogo importante para as aspirações do Porto, Pinto da Costa recebe em casa o árbitro que o vai apitar, Augusto Duarte. Diz que a visita é inesperada. As escutas desmentem-no. Diz que a visita não se cruzou com Carolina Salgado.
A visita desmente-o. Árbitro pede a Pinto da Costa favor relativo a seu pai, uma vez que Pinto da Costa tem influência sobre o presidente do Conselho de Arbitragem, superior hierárquico do pai (membro do Conselho de Arbitragem, entretanto condenado noutro processo de corrupção desportiva).
Dois dias depois, o árbitro erra a favor do Porto, não expulsando um jogador aos 15 minutos de jogo. O Porto acaba por se sagrar campeão na jornada seguinte, podendo descansar jogadores para a meia-final da Champions. A justiça desportiva condena o Porto. O Porto não recorre. De facto, esta versão é insuspeita. Só não se sabe é se Pinto da Costa chegou a fazer o tal favor ao árbitro.
Se o processo avançar, fico então à espera que alguém me avise com antecedência, para eu me pisgar para a Galiza. Parece que é assim que se faz nestes casos. No fim, enviarei a conta dos advogados para o FCP. Pode ser que paguem por engano, como pagaram a viagem ao Brasil de José Amorim e família. Aliás, árbitro Carlos Calheiros e família.
Até agora, só por ter trocado alguns mails com os meus advogados, já gastei serviços jurídicos no valor de 2 árbitros e meio. Em preços actuais, não os da tabela antiga, do Juiz Mortágua. Sobre o que disse nestas crónicas, cá estarei para dar a cara. Como o guarda-redes da União de Leiria.
Confesso que acho estranho: Pinto da Costa esforçou-se tanto para que as escutas verdadeiras não fossem admitidas em tribunal, mas agora quer que o mesmo tribunal aprecie uma escuta inventada por mim. Realmente, tinha graça que as escutas verdadeiras fossem nulas em tribunal mas as inventadas fossem aceites. Querem ver que a única pessoa condenada por causa de uma escuta relativa ao Apito Dourado ainda vou ser eu?
Diz Pinto da Costa que faltei ao respeito a um clube centenário. O que nem é muito rigoroso: o FCP é um clube bicentenário, já que festejou um centenário em 1993 e outro em 2006. Parece que o mal é eu ter falado na versão da Carolina Salgado. Portanto, se eu me inspirasse antes na versão oficial de Pinto da Costa e de Augusto Duarte, estaria tudo bem.
Para quem não se lembra, essa versão é a seguinte: dois dias antes de um jogo importante para as aspirações do Porto, Pinto da Costa recebe em casa o árbitro que o vai apitar, Augusto Duarte. Diz que a visita é inesperada. As escutas desmentem-no. Diz que a visita não se cruzou com Carolina Salgado.
A visita desmente-o. Árbitro pede a Pinto da Costa favor relativo a seu pai, uma vez que Pinto da Costa tem influência sobre o presidente do Conselho de Arbitragem, superior hierárquico do pai (membro do Conselho de Arbitragem, entretanto condenado noutro processo de corrupção desportiva).
Dois dias depois, o árbitro erra a favor do Porto, não expulsando um jogador aos 15 minutos de jogo. O Porto acaba por se sagrar campeão na jornada seguinte, podendo descansar jogadores para a meia-final da Champions. A justiça desportiva condena o Porto. O Porto não recorre. De facto, esta versão é insuspeita. Só não se sabe é se Pinto da Costa chegou a fazer o tal favor ao árbitro.
Se o processo avançar, fico então à espera que alguém me avise com antecedência, para eu me pisgar para a Galiza. Parece que é assim que se faz nestes casos. No fim, enviarei a conta dos advogados para o FCP. Pode ser que paguem por engano, como pagaram a viagem ao Brasil de José Amorim e família. Aliás, árbitro Carlos Calheiros e família.
Até agora, só por ter trocado alguns mails com os meus advogados, já gastei serviços jurídicos no valor de 2 árbitros e meio. Em preços actuais, não os da tabela antiga, do Juiz Mortágua. Sobre o que disse nestas crónicas, cá estarei para dar a cara. Como o guarda-redes da União de Leiria.
Para Avin Motevaselzadeh o Fair-Play não é uma treta
O avançado persa Avin Motevaselzadeh foi o protagonista de um episódio pouco habitual, um dos raros casos de «fair-play» levado ao extremo. Aconteceu na liga iraniana de futebol, num encontro entre o Aboomoslem e o Moghavemat.
Os da casa acabariam por vencer por 3-0. O resultado poderia ter sido facilmente atenuado por Motevaselzadeh. Não foi, simplesmente, porque ele não quis. O lance começa quando um companheiro de equipa surge frente ao guardião da casa que não teve pejo em dar o corpo ao manifesto para resolver a situação.
Mas a emenda foi de pouca dura e a bola foi parar a Motevaselzadeh. Este, com o guarda-redes caído, a contorcer-se, e enquanto vários defensores da casa tentavam tapar os caminhos da baliza, resolveu atirar a bola propositadamente para fora, para ser prestada assistência ao guarda-redes.
Não fez golo, não ganhou o jogo, mas levou para casa um prémio maior. O respeito de todos os que viram o seu gesto.
Os da casa acabariam por vencer por 3-0. O resultado poderia ter sido facilmente atenuado por Motevaselzadeh. Não foi, simplesmente, porque ele não quis. O lance começa quando um companheiro de equipa surge frente ao guardião da casa que não teve pejo em dar o corpo ao manifesto para resolver a situação.
Mas a emenda foi de pouca dura e a bola foi parar a Motevaselzadeh. Este, com o guarda-redes caído, a contorcer-se, e enquanto vários defensores da casa tentavam tapar os caminhos da baliza, resolveu atirar a bola propositadamente para fora, para ser prestada assistência ao guarda-redes.
Não fez golo, não ganhou o jogo, mas levou para casa um prémio maior. O respeito de todos os que viram o seu gesto.
Espaço Prof. Karamba
FC Porto - Naval
Sporting - Académica
V. Guimarães - P. Ferreira
Marítimo - U. Leiria
Rio Ave - Leixões
V. Setúbal - Benfica
Belenenses - Sp. Braga
Olhanense - Nacional
Sporting - Académica
V. Guimarães - P. Ferreira
Marítimo - U. Leiria
Rio Ave - Leixões
V. Setúbal - Benfica
Belenenses - Sp. Braga
Olhanense - Nacional
SLBenfica - União de Leiria 3-0 Líderes... com Tranquilidade!
Saviola
Esteve «endiabrado». Jogou na direita e na esquerda, sem se fixar num dos flancos (ou mesmo no centro). Foi um quebra-cabeças para os defesas contrários. O 30 encarnado encarou os adversários e conseguiu, muitas vezes, levar a melhor. A jogada com Aimar, que termina com o golo de Cardozo, aos dez minutos, foi «deliciosa». Saviola lutou, correu, deu a marcar e marcou. O golo, apontado aos 60 minutos, serviu para premiar uma noite em que o argentino conseguiu mostrar que alia qualidade a raça.
Aimar
O argentino voltou a fazer uma boa exibição, mostrando que atravessa um bom momento físico, mas também psicológico. O camisola 10 está confiante e isso nota-se no seu futebol. Depois do jogo com o V. Guimarães, questionado sobre o que achava de Jara, que será reforço encarnado, Aimar brincou: «Lamentavelmente é mais jovem que eu!» Mas, quando vemos o camisola 10 dos encarnados a jogar, os seus 30 anos parecem ser irrelevantes. Esta noite não se notou que Pablo Aimar já pertence ao clube dos trintões, quanto mais não seja porque correu quilómetros e voltou a fazer as delícias dos adeptos. Jogou solto e tentou surpreender o adversário, ao não se «colar» a uma zona do terreno. Esteve na jogada do primeiro golo. Um toque (de classe) bastou para fazer a diferença.
Coentrão
Fez um bom passe para Saviola, que aproveitou bem a oferta para fazer o segundo golo do Benfica. Para além disso, começou nele a jogada do primeiro golo - o lateral serviu Saviola. Fez uma boa exibição. O jovem jogador tem garra e não desiste. Perde a bola, mas logo se levanta para voltar a resgatá-la. Pelo menos, esta quarta-feira, foi isso que transpareceu da sua prestação. É rápido e tenta usar a velocidade sempre que pode.
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Uma Questão de Carácter ou da sua Falta...
(Vandinho) «Aduziu ainda que desconhecia até quem era o treinador-adjunto da SL Benfica SAD, uma vez que (entende) não tem obrigação de saber, isto apesar de na época transacta ter sido treinado pelo actual técnico da SL Benfica SAD, Jorge Jesus (e, acrescentamos nós, por Raúl José - v. depoimento deste técnico a fls. 99-102 do Inquérito
Muito mais do que um Almoço...
"Carlos Freitas, Director Desportivo dos "arsenalistas", terá almoçado ontem num Restaurante da Curia com Carlão e Elias, jogadores da U. Leiria, que amanhã defrontam o Benfica, no Estádio da Luz, em jogo antecipado da 20ª Jornada da Liga Sagres." in RR
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Artigo de Opinião de José Manuel Delgado
Rivalidades baralhadas...
VIVEU-SE, este fim-de-semana, uma jornada para mais tarde recordar: nunca tantos benfiquistas terão torcido pelo Sporting; nunca tantos bracarenses terão desejado um triunfo do V. Guimarães. Quando faltam 13 jogos para terminar a Liga Sagres, as contas, no que respeita aos dois da frente, estão apertadas e nenhum dos candidatos revela sinais de desgaste. No que toca aos minhotos, merece realce a força mental da equipa de Domingos Paciência, sólida, competente e consistente, jogando um futebol cerebral, baseado na convicção de que os ataques ganham jogos mas são as defesas a ganhar os campeonatos. Pelo lado dos benfiquistas, exuberância, em muitas circunstâncias gosto pelo risco, mas também cabeça: a partir do momento em que Carlos Martins foi expulso, os encarnados mostraram uma cultura táctica muito apreciável, que chegou para conter o derradeiro ímpeto da excelente equipa que é o V. Guimarães. Esta é uma dimensão que a turma da Luz conheceu com Giovanni Trapattoni e que agora foi recuperada por Jorge Jesus.
Mas a ronda 17 da Liga Sagres não se ficou pela manifestação atípica de fervor sportinguista do Benfica e de amor vimaranense do Sp.Braga. Na Choupana e na Luz tornou-se particularmente evidente como é desequilibrado o plantel à disposição de Vítor Pereira, um presidente, ao contrário de outros, sem hipótese de recorrer ao petróleo para reforçar os quadros no mercado de Inverno.
Más decisões, falta de capacidade para perceber o jogo, pecados, enfim, que provavelmente nem com muito treino serão corrigidos. Faz falta, de facto, a aprovação de outros critérios de nomeação que possam permitir a Vítor Pereira um melhor (e menos corporativo) aproveitamento do recursos.
Amanhã, há Taça grande. O FC Porto joga muito; o Sporting joga ainda mais. Um clássico que vai marcar, seguramente, a época.
VIVEU-SE, este fim-de-semana, uma jornada para mais tarde recordar: nunca tantos benfiquistas terão torcido pelo Sporting; nunca tantos bracarenses terão desejado um triunfo do V. Guimarães. Quando faltam 13 jogos para terminar a Liga Sagres, as contas, no que respeita aos dois da frente, estão apertadas e nenhum dos candidatos revela sinais de desgaste. No que toca aos minhotos, merece realce a força mental da equipa de Domingos Paciência, sólida, competente e consistente, jogando um futebol cerebral, baseado na convicção de que os ataques ganham jogos mas são as defesas a ganhar os campeonatos. Pelo lado dos benfiquistas, exuberância, em muitas circunstâncias gosto pelo risco, mas também cabeça: a partir do momento em que Carlos Martins foi expulso, os encarnados mostraram uma cultura táctica muito apreciável, que chegou para conter o derradeiro ímpeto da excelente equipa que é o V. Guimarães. Esta é uma dimensão que a turma da Luz conheceu com Giovanni Trapattoni e que agora foi recuperada por Jorge Jesus.
Mas a ronda 17 da Liga Sagres não se ficou pela manifestação atípica de fervor sportinguista do Benfica e de amor vimaranense do Sp.Braga. Na Choupana e na Luz tornou-se particularmente evidente como é desequilibrado o plantel à disposição de Vítor Pereira, um presidente, ao contrário de outros, sem hipótese de recorrer ao petróleo para reforçar os quadros no mercado de Inverno.
Más decisões, falta de capacidade para perceber o jogo, pecados, enfim, que provavelmente nem com muito treino serão corrigidos. Faz falta, de facto, a aprovação de outros critérios de nomeação que possam permitir a Vítor Pereira um melhor (e menos corporativo) aproveitamento do recursos.
Amanhã, há Taça grande. O FC Porto joga muito; o Sporting joga ainda mais. Um clássico que vai marcar, seguramente, a época.
Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral
1º Lugar: Jimmy Jump - 430 pontos
2º Lugar: Vermelho Sempre - 405 pontos
3º Lugar: Kaiserlicheagle - 375 pontos
4º Lugar: Vermelho - 370 pontos
5º Lugar: J. Lobo e JC - 355 pontos
6º Lugar: Samsalameh - 320 pontos
7º Lugar: Gui e Sócio - 315 pontos
8º Lugar: Fura-Redes - 305 pontos
9º Lugar: Chico - 245 pontos
10º Lugar: Vermelho Nunca e Cuto - 225 pontos
11º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
12º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
13º Lugar: Pachulico - 35 pontos
14º Lugar: Luís Rosário - 25 pontos
2º Lugar: Vermelho Sempre - 405 pontos
3º Lugar: Kaiserlicheagle - 375 pontos
4º Lugar: Vermelho - 370 pontos
5º Lugar: J. Lobo e JC - 355 pontos
6º Lugar: Samsalameh - 320 pontos
7º Lugar: Gui e Sócio - 315 pontos
8º Lugar: Fura-Redes - 305 pontos
9º Lugar: Chico - 245 pontos
10º Lugar: Vermelho Nunca e Cuto - 225 pontos
11º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
12º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
13º Lugar: Pachulico - 35 pontos
14º Lugar: Luís Rosário - 25 pontos
domingo, janeiro 31, 2010
Mais um golo para Queirós continuar a ignorar...
"Makulula continua imparável, na Liga turca. Neste domingo o internacional português apontou o 15º golo da temporada, garantindo a vitória do Kayserispor no reduto do Gaziantepspor (0-1), equipa orientada por José Couceiro.
O golo de Makukula foi apontado no início do segundo tempo (49m). O jogador que pertence aos quadros do Benfica é o melhor marcador da Liga turca, e tem quase o dobro dos golos do segundo classificado. De referir ainda que nenhum dos tentos foi de grande penalidade."
Artigo de Opinião de Sérgio Krithinas
O verdadeiro craque estava nas bancadas
Razão tem Jorge Jesus, que não se cansa de elogiar os adeptos. Ontem, os mais de 50 mil que estiveram na Luz funcionaram como um craque que empurrou a equipa para o triunfo sobre o Guimarães, mesmo quando algumas pedras foram surgindo no caminho. A massa humana que embala este Benfica é algo que dá aos encarnados uma confiança extrema, atemoriza os adversários e condiciona algumas decisões das equipas de arbitragem. A equipa de Jorge Jesus - com todo o mérito - sabe aproveitar a embalagem do Inferno da Luz e não treme em situações de grande pressão, o que acontecia depois da vitória do líder Braga sobre o Sporting. Basta ver o que aconteceu na época passada perante o mesmo adversário para se perceber as diferenças: um ambiente parecido acabou por ser mais um adversário da equipa orientada por Quique Flores, que saiu derrotada por 1-0 e disse definitivamente adeus ao título.
Com o 3-1 de ontem, o Benfica respondeu da melhor forma aos triunfos de Sporting de Braga e FC Porto, mantendo-se na pole position pela conquista do título nacional, uma luta agora reduzida a estes três emblemas. A 13 jornadas do final, a equipa da Luz continua a parecer a mais forte candidata a vencer esta maratona, tanto mais que os dois adversários directos se irão defrontar dentro de três jornadas. Mas a linha que separa o sucesso do fracasso no futebol é demasiado ténue para que alguém possa cantar vitória antes de tempo.
O Guimarães, diga-se a verdade, foi das equipas mais competentes que defrontaram o Benfica esta época - os resultados dos três jogos anteriores entre os dois clubes (uma vitória para cada lado e um empate) provam-no. Paulo Sérgio não trouxe o 3x5x2 previsto por Jorge Jesus e manteve-se fiel ao seu habitual 4x3x3, com Targino e Desmarets bem abertos nas alas. Nos primeiros minutos, o esquema até resultou, reduzindo os ataques do Benfica aos sempre perigosos lances de bola parada.
O golo de Aimar, obtido praticamente no primeiro lance de perigo criado pelos encarnados e com muita felicidade (a bola ressaltou em Moreno e isolou o argentino), levou os minhotos a mostrarem todo o seu carácter. Não tiveram medo e justificaram o empate, apontado por Nuno Assis, cujas boas exibições frente ao Benfica começam a tornar-se um clássico. A equipa da casa manteve-se naturalmente por cima do jogo e só não chegou ao intervalo em vantagem devido ao desacerto de Cardozo, que continua a jogar bem para a equipa mas parece ter entrado em conflito com as balizas contrárias.
Aimar, que andava arredado das boas exibições, voltou a espalhar classe no maltratado relvado da Luz, aliando um toque de bola único a uma agressividade que raramente lhe é vista. Mas o grande motor do triunfo dos encarnados foi Carlos Martins, surpreendentemente titular devido a uma pequena lesão de Ramires, que apontou dois belos golos que decidiram tudo nos primeiros minutos da segunda parte. Depois, e em mais uma demonstração de instabilidade, o médio fez-se expulsar, deixando a equipa a jogar com 10 nos últimos 20 minutos. O Vitória tentou, cruzou, rematou, mas foi o Benfica que perdeu mais algumas chances para trazer as goleadas de volta ao Estádio da Luz. Não foi preciso: a formação orientada por Jorge Jesus chega ao fim de Janeiro com mais dois golos apontados do que a equipa de Quique Flores em toda a temporada passada. É obra.
Razão tem Jorge Jesus, que não se cansa de elogiar os adeptos. Ontem, os mais de 50 mil que estiveram na Luz funcionaram como um craque que empurrou a equipa para o triunfo sobre o Guimarães, mesmo quando algumas pedras foram surgindo no caminho. A massa humana que embala este Benfica é algo que dá aos encarnados uma confiança extrema, atemoriza os adversários e condiciona algumas decisões das equipas de arbitragem. A equipa de Jorge Jesus - com todo o mérito - sabe aproveitar a embalagem do Inferno da Luz e não treme em situações de grande pressão, o que acontecia depois da vitória do líder Braga sobre o Sporting. Basta ver o que aconteceu na época passada perante o mesmo adversário para se perceber as diferenças: um ambiente parecido acabou por ser mais um adversário da equipa orientada por Quique Flores, que saiu derrotada por 1-0 e disse definitivamente adeus ao título.
Com o 3-1 de ontem, o Benfica respondeu da melhor forma aos triunfos de Sporting de Braga e FC Porto, mantendo-se na pole position pela conquista do título nacional, uma luta agora reduzida a estes três emblemas. A 13 jornadas do final, a equipa da Luz continua a parecer a mais forte candidata a vencer esta maratona, tanto mais que os dois adversários directos se irão defrontar dentro de três jornadas. Mas a linha que separa o sucesso do fracasso no futebol é demasiado ténue para que alguém possa cantar vitória antes de tempo.
O Guimarães, diga-se a verdade, foi das equipas mais competentes que defrontaram o Benfica esta época - os resultados dos três jogos anteriores entre os dois clubes (uma vitória para cada lado e um empate) provam-no. Paulo Sérgio não trouxe o 3x5x2 previsto por Jorge Jesus e manteve-se fiel ao seu habitual 4x3x3, com Targino e Desmarets bem abertos nas alas. Nos primeiros minutos, o esquema até resultou, reduzindo os ataques do Benfica aos sempre perigosos lances de bola parada.
O golo de Aimar, obtido praticamente no primeiro lance de perigo criado pelos encarnados e com muita felicidade (a bola ressaltou em Moreno e isolou o argentino), levou os minhotos a mostrarem todo o seu carácter. Não tiveram medo e justificaram o empate, apontado por Nuno Assis, cujas boas exibições frente ao Benfica começam a tornar-se um clássico. A equipa da casa manteve-se naturalmente por cima do jogo e só não chegou ao intervalo em vantagem devido ao desacerto de Cardozo, que continua a jogar bem para a equipa mas parece ter entrado em conflito com as balizas contrárias.
Aimar, que andava arredado das boas exibições, voltou a espalhar classe no maltratado relvado da Luz, aliando um toque de bola único a uma agressividade que raramente lhe é vista. Mas o grande motor do triunfo dos encarnados foi Carlos Martins, surpreendentemente titular devido a uma pequena lesão de Ramires, que apontou dois belos golos que decidiram tudo nos primeiros minutos da segunda parte. Depois, e em mais uma demonstração de instabilidade, o médio fez-se expulsar, deixando a equipa a jogar com 10 nos últimos 20 minutos. O Vitória tentou, cruzou, rematou, mas foi o Benfica que perdeu mais algumas chances para trazer as goleadas de volta ao Estádio da Luz. Não foi preciso: a formação orientada por Jorge Jesus chega ao fim de Janeiro com mais dois golos apontados do que a equipa de Quique Flores em toda a temporada passada. É obra.
sábado, janeiro 30, 2010
Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira
A geografia do desespero
IMAGINE o leitor que um ataque semelhante ao que atingiu esta semana o autocarro portista tinha sucedido no Porto. Não faltaria certamente quem garantisse que o Porto era mais perigoso que Palermo. E com razão, porque de facto o ataque é infame e perigoso. Mas agora imagine que o Benfica tinha ido jogar a Seroa, uma freguesia do concelho de Paços de Ferreira que fica a cerca de 30 quilómetros do Porto. Perto do destino, o autocarro da equipa e o carro do presidente eram atingidos por pedras. Algum benfiquista teria a desonestidade intelectual de afirmar que o sucedido indicava que o Porto estava cada vez mais parecido com Palermo? Talvez. Infelizmente, há gente desonesta em todo o lado. Mas, com franqueza, parece-me improvável. No entanto, o Porto foi jogar ao Estoril, uma freguesia do concelho de Cascais que fica a cerca de 30 quilómetros de Lisboa. Perto do destino, o autocarro da equipa e o carro do presidente foram atingidos por pedras. Quem terá cometido o crime? Um estorilista? Um benfiquista? Um sportinguista? Um portista que reprova o que ouviu nas escutas (que diabo, há-de haver um)? Ou o jornalista do JN que foi atropelado por aquele mesmo veículo? Enfim, os suspeitos serão muitos, mas uma coisa é certa: a culpa é da cidade de Lisboa. Cascais continua a ser Cascais. Oeiras, que separa Cascais de Lisboa, continua a ser Oeiras. Mas ou o presidente da câmara de Lisboa começa a preocupar-se com a criminalidade de Cascais ou a capital fica muito parecida com Palermo.
Neste momento, vale tudo. Os jogadores do Porto agridem gente no túnel? A culpa é do Benfica. Alguém atira pedras aos carros em Cascais? A culpa é de Lisboa. O país inteiro ouve o presidente do Porto a combinar encontros com árbitros? A culpa é do país inteiro, que não tem nada que ir ouvir. Se o meu clube vendesse os seus melhores jogadores, fosse à Argentina abastecer-se de refugo e estivesse arredado dos primeiros lugares, eu também estaria interessado em reflectir sobre autocarros, teorizar acerca de túneis, meditar profundamente nas rivalidades doentias entre cidades. Todos os temas seriam bons, desde que não me falassem de futebol.
Tenho pensado muito em Vale e Azevedo, o ex-presidente do Benfica injustamente preso só porque foi apanhado a cometer ilegalidades. Um escândalo, aquela prisão. Sabem quem é que também prendia pessoas? A PIDE. Além de escutar pessoas, como agora vergonhosamente se escutou Pinto da Costa, também prendia. Vale e Azevedo e Pinto da Costa são, portanto, vítimas da polícia política do Estado Novo. Tantos anos a homenagear antifascistas e nunca ninguém se lembrou destes dois mártires. Até esta semana. A justiça chega tarde mas chega, felizmente.
Segundo a Rádio Renascença, o Porto acaba de contratar Kléber por 8,5 milhões de euros. Da forma de pagamento não se sabe muito, mas uma coisa é certa: o passe do jogador não será pago em petróleo. Kléber é conhecido no Brasil como o novo Animal por ter problemas de comportamento semelhantes aos do encantador Edmundo. Na época 2008/2009 foi o jogador do campeonato brasileiro que viu mais vezes o cartão vermelho: seis. A sua especialidade é pisar adversários, mas também os pontapeia e acotovela com categoria. Ou muito me engano ou vai ser mais uma vítima de infames provocações.
IMAGINE o leitor que um ataque semelhante ao que atingiu esta semana o autocarro portista tinha sucedido no Porto. Não faltaria certamente quem garantisse que o Porto era mais perigoso que Palermo. E com razão, porque de facto o ataque é infame e perigoso. Mas agora imagine que o Benfica tinha ido jogar a Seroa, uma freguesia do concelho de Paços de Ferreira que fica a cerca de 30 quilómetros do Porto. Perto do destino, o autocarro da equipa e o carro do presidente eram atingidos por pedras. Algum benfiquista teria a desonestidade intelectual de afirmar que o sucedido indicava que o Porto estava cada vez mais parecido com Palermo? Talvez. Infelizmente, há gente desonesta em todo o lado. Mas, com franqueza, parece-me improvável. No entanto, o Porto foi jogar ao Estoril, uma freguesia do concelho de Cascais que fica a cerca de 30 quilómetros de Lisboa. Perto do destino, o autocarro da equipa e o carro do presidente foram atingidos por pedras. Quem terá cometido o crime? Um estorilista? Um benfiquista? Um sportinguista? Um portista que reprova o que ouviu nas escutas (que diabo, há-de haver um)? Ou o jornalista do JN que foi atropelado por aquele mesmo veículo? Enfim, os suspeitos serão muitos, mas uma coisa é certa: a culpa é da cidade de Lisboa. Cascais continua a ser Cascais. Oeiras, que separa Cascais de Lisboa, continua a ser Oeiras. Mas ou o presidente da câmara de Lisboa começa a preocupar-se com a criminalidade de Cascais ou a capital fica muito parecida com Palermo.
Neste momento, vale tudo. Os jogadores do Porto agridem gente no túnel? A culpa é do Benfica. Alguém atira pedras aos carros em Cascais? A culpa é de Lisboa. O país inteiro ouve o presidente do Porto a combinar encontros com árbitros? A culpa é do país inteiro, que não tem nada que ir ouvir. Se o meu clube vendesse os seus melhores jogadores, fosse à Argentina abastecer-se de refugo e estivesse arredado dos primeiros lugares, eu também estaria interessado em reflectir sobre autocarros, teorizar acerca de túneis, meditar profundamente nas rivalidades doentias entre cidades. Todos os temas seriam bons, desde que não me falassem de futebol.
Tenho pensado muito em Vale e Azevedo, o ex-presidente do Benfica injustamente preso só porque foi apanhado a cometer ilegalidades. Um escândalo, aquela prisão. Sabem quem é que também prendia pessoas? A PIDE. Além de escutar pessoas, como agora vergonhosamente se escutou Pinto da Costa, também prendia. Vale e Azevedo e Pinto da Costa são, portanto, vítimas da polícia política do Estado Novo. Tantos anos a homenagear antifascistas e nunca ninguém se lembrou destes dois mártires. Até esta semana. A justiça chega tarde mas chega, felizmente.
Segundo a Rádio Renascença, o Porto acaba de contratar Kléber por 8,5 milhões de euros. Da forma de pagamento não se sabe muito, mas uma coisa é certa: o passe do jogador não será pago em petróleo. Kléber é conhecido no Brasil como o novo Animal por ter problemas de comportamento semelhantes aos do encantador Edmundo. Na época 2008/2009 foi o jogador do campeonato brasileiro que viu mais vezes o cartão vermelho: seis. A sua especialidade é pisar adversários, mas também os pontapeia e acotovela com categoria. Ou muito me engano ou vai ser mais uma vítima de infames provocações.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
Uma das denúncias que conseguiram branquear
"Entre as polémicas protagonizadas por D'Onofrio no nosso país, o destaque vai provavelmente para a acusação de corrupção e suborno subscrita por outro belga, o jogador Cadorin.
Em 1986, o avançado do Portimonense revelou que D'Onofrio lhe prometera 500 contos e uma transferência para o FC Porto ou um clube da Itália ou da Suíça se Cadorin provocasse um penálti no início do jogo Portimonense-FC Porto."
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Artigo de Opinião de Miguel Góis
Amiguinhos
Antes de mais, peço antecipadamente desculpa pelo tipo de linguagem que utilizarei nesta coluna. É que passei os últimos dias a ouvir as escutas do Apito Dourado no YouTube, e agora estou com alguma dificuldade em, portanto - como dizer? -, coiso e tal sobre o dito cujo, no que diz respeito, claro está, àquela problemática. Como se vê, fiquei viciado. Por um lado, parecem cenas retiradas de um filme de espionagem passado durante a guerra fria, mas se tanto os espiões ingleses como os russos não tivessem conseguido completar a quarta classe. Só por nítida falta de talento dos intervenientes é que se explica, aliás, que o significado do que está a ser dito nas escutas seja muito mais claro do que muitas conferências de imprensa ao longo da história do futebol português. Respeito para Octávio Machado.
De qualquer forma, tem sido muito comentado o facto de ler a transcrição das escutas ser muito diferente de as ouvir - tudo porque as gravações permitem perceber o tom autoritário e paternalista de uns intervenientes, e o tom justificativo e subserviente de outros. É, por essa razão, irónico que a absolvição de Pinto da Costa tenha surgido pelas mãos de uma juíza - são as mulheres que têm mais tendência para se queixarem no seio conjugal, não do que é dito, mas do tom com que é dito.
Mas como até das situações mais escabrosas surgem ideias luminosas, ocorreu-me a seguinte hipótese enquanto ouvia a escuta do Pinto da Costa a dar indicações sobre o caminho até sua casa: porque não aproveitar esta gravação para lançar no mercado um GPS com a voz do presidente do FC Porto, especialmente dirigido ao segmento dos árbitros de futebol? "Sempre em frente!" De futuro, poupar-se-ia muito em telefonemas dispendiosos e desnecessários.
Antes de mais, peço antecipadamente desculpa pelo tipo de linguagem que utilizarei nesta coluna. É que passei os últimos dias a ouvir as escutas do Apito Dourado no YouTube, e agora estou com alguma dificuldade em, portanto - como dizer? -, coiso e tal sobre o dito cujo, no que diz respeito, claro está, àquela problemática. Como se vê, fiquei viciado. Por um lado, parecem cenas retiradas de um filme de espionagem passado durante a guerra fria, mas se tanto os espiões ingleses como os russos não tivessem conseguido completar a quarta classe. Só por nítida falta de talento dos intervenientes é que se explica, aliás, que o significado do que está a ser dito nas escutas seja muito mais claro do que muitas conferências de imprensa ao longo da história do futebol português. Respeito para Octávio Machado.
De qualquer forma, tem sido muito comentado o facto de ler a transcrição das escutas ser muito diferente de as ouvir - tudo porque as gravações permitem perceber o tom autoritário e paternalista de uns intervenientes, e o tom justificativo e subserviente de outros. É, por essa razão, irónico que a absolvição de Pinto da Costa tenha surgido pelas mãos de uma juíza - são as mulheres que têm mais tendência para se queixarem no seio conjugal, não do que é dito, mas do tom com que é dito.
Mas como até das situações mais escabrosas surgem ideias luminosas, ocorreu-me a seguinte hipótese enquanto ouvia a escuta do Pinto da Costa a dar indicações sobre o caminho até sua casa: porque não aproveitar esta gravação para lançar no mercado um GPS com a voz do presidente do FC Porto, especialmente dirigido ao segmento dos árbitros de futebol? "Sempre em frente!" De futuro, poupar-se-ia muito em telefonemas dispendiosos e desnecessários.
Artigo de Opinião de Santos Neves
Começa o sim ou sopas...
TODOS a postos. Aí está o tiro de partida para diabólico mês em que FC Porto, Sporting e Benfica andarão no frenesi de sucessivos e altamente desgastantes sprints à cata de Campeonato Nacional, Taça de Portugal (nesta, não o Benfica), Taça da Liga e Europa. Num mês, 9 jogos para Sporting, 8 para FC Porto e Benfica. Incluindo confrontos de gigantes em bota fora das Taças lusitanas (FC Porto-Sporting e Sporting-Benfica) e fechando com Sporting-FC Porto para o campeonato (curioso: o Sporting está em todas...; será mesmo o seu tudo ou nada para ainda se redimir de confrangedora meia temporada!). Eis um mês de várias decisões; e até no que não ficará decidido (campeão nacional, segunda hipótese de acesso aos milhões e ao prestígio da Champions, entrada na Liga Europa como proeza ou muito escasso consolo) veremos quem suportou melhor ou pior altíssimo ritmo em enfiada de testes, também anímicos, ganhando avanço ou recuando... Sim, sem tempo para respirar, 5 semanas de gritos!
Então e o Sp. Braga, sensacional líder do campeonato, firme como as belíssimas rochas que emolduram o seu estádio? Face às duras refregas que esperam os três gigantes (Sp. Braga sem Europa e Taça da Liga), oportunidade de ouro para mais se vincar na frente do campeonato. Apetece dizer que tem tudo na sua mão. Por aí, pouco menos que sim ou sopas. A equipa que, na 1.ª volta, se deu ao exuberante luxo de derrotar Sporting, FC Porto e Benfica (!!!) vai agora enfrentar a ânsia/premente necessidade de desforra dos não adormecidos Golias. Já amanhã, Sporting em Braga; na 3.ª semana de Fevereiro, Sp. Braga no Dragão... – directíssima discussão por acesso ao título. Vamos por partes: OK, o Sporting já não tem na mira ser campeão esta época, mas anda com ganas de ressuscitar e fazer mossas em quem lhe aparecer pela frente (boa questão: que Sporting amanhã em Braga?; a dar o litro, ou não tanto assim, já concentrado no próximo meio de semana, quando visitará o FC Porto em dita final antecipada da Taça de Portugal?). Mais importante para o Sp. Braga: que resposta a si próprio, num confronto que, nesse sentido, iniciará o tal sim ou sopas?
Nacional-FC Porto, ambos querendo reagir contra quebra de rendimento. Flagrante no Nacional: 3 derrotas nas últimas 4 jornadas tiraram-lhe o 4.º lugar (regresso do treinador Manuel Machado poderá ser doping psicológico, inclusive face à perda do tão importante Rúben Micael para este adversário?). O FC Porto anda engasgadinho...; e não terá Bruno Alves, Raul Meireles, Hulk, Sapuranu, veremos se Fernando. Com 3 ou 4 baixas de peso, outro sim ou sopas à ambição de ser pentacampeão.
Benfica-V.Guimarães: potencialmente mais quente do que a classificação indica. Ressaca da Ta- ça de Portugal (Vitória tomba-gigante na Luz!) e até da Taça da Liga (empate em Guimarães). Amigos, amigos (os clubes), muito acesa discussão no campo. Não há duas sem três, ou à terceira é de vez?
ESCUTAS... Pois é, divulgá-las foi infringir a lei... (o costume...; ou como o dito segredo de Justiça é das maiores anedotas em Portugal!). Pois é, o que nelas se ouve é mesmo verídico, deplorável e... objectiva confirmação do que há muito se sabe serem certos bastidores do futebol português. É por estas e por outras que sempre escrevi ter a Justiça desportiva de actuar, independentemente de tribunais civis. Actuou e bem. É obrigação do desporto assumir específicos códigos de ética, estando a violação deles sujeita a também específica acção disciplinar. Defender não punição de árbitro e dirigente que se encontram em casa deste (tratando-se ou não de "o sr. engenheiro máximo", ou do "gerente de caixa") dois dias antes de um arbitrar jogo com equipa do outro... não é só defender o indefensável, pura e simplesmente brada aos céus!
TÚNEIS... Já escrevi e repito: têm velha e bem escura história no nosso futebol, com claríssima res- ponsabilidade de quase todos os dirigentes. Também nos ditos seguranças civis que lá colocam. E tudo o resto é blá-blá-blá...
TODOS a postos. Aí está o tiro de partida para diabólico mês em que FC Porto, Sporting e Benfica andarão no frenesi de sucessivos e altamente desgastantes sprints à cata de Campeonato Nacional, Taça de Portugal (nesta, não o Benfica), Taça da Liga e Europa. Num mês, 9 jogos para Sporting, 8 para FC Porto e Benfica. Incluindo confrontos de gigantes em bota fora das Taças lusitanas (FC Porto-Sporting e Sporting-Benfica) e fechando com Sporting-FC Porto para o campeonato (curioso: o Sporting está em todas...; será mesmo o seu tudo ou nada para ainda se redimir de confrangedora meia temporada!). Eis um mês de várias decisões; e até no que não ficará decidido (campeão nacional, segunda hipótese de acesso aos milhões e ao prestígio da Champions, entrada na Liga Europa como proeza ou muito escasso consolo) veremos quem suportou melhor ou pior altíssimo ritmo em enfiada de testes, também anímicos, ganhando avanço ou recuando... Sim, sem tempo para respirar, 5 semanas de gritos!
Então e o Sp. Braga, sensacional líder do campeonato, firme como as belíssimas rochas que emolduram o seu estádio? Face às duras refregas que esperam os três gigantes (Sp. Braga sem Europa e Taça da Liga), oportunidade de ouro para mais se vincar na frente do campeonato. Apetece dizer que tem tudo na sua mão. Por aí, pouco menos que sim ou sopas. A equipa que, na 1.ª volta, se deu ao exuberante luxo de derrotar Sporting, FC Porto e Benfica (!!!) vai agora enfrentar a ânsia/premente necessidade de desforra dos não adormecidos Golias. Já amanhã, Sporting em Braga; na 3.ª semana de Fevereiro, Sp. Braga no Dragão... – directíssima discussão por acesso ao título. Vamos por partes: OK, o Sporting já não tem na mira ser campeão esta época, mas anda com ganas de ressuscitar e fazer mossas em quem lhe aparecer pela frente (boa questão: que Sporting amanhã em Braga?; a dar o litro, ou não tanto assim, já concentrado no próximo meio de semana, quando visitará o FC Porto em dita final antecipada da Taça de Portugal?). Mais importante para o Sp. Braga: que resposta a si próprio, num confronto que, nesse sentido, iniciará o tal sim ou sopas?
Nacional-FC Porto, ambos querendo reagir contra quebra de rendimento. Flagrante no Nacional: 3 derrotas nas últimas 4 jornadas tiraram-lhe o 4.º lugar (regresso do treinador Manuel Machado poderá ser doping psicológico, inclusive face à perda do tão importante Rúben Micael para este adversário?). O FC Porto anda engasgadinho...; e não terá Bruno Alves, Raul Meireles, Hulk, Sapuranu, veremos se Fernando. Com 3 ou 4 baixas de peso, outro sim ou sopas à ambição de ser pentacampeão.
Benfica-V.Guimarães: potencialmente mais quente do que a classificação indica. Ressaca da Ta- ça de Portugal (Vitória tomba-gigante na Luz!) e até da Taça da Liga (empate em Guimarães). Amigos, amigos (os clubes), muito acesa discussão no campo. Não há duas sem três, ou à terceira é de vez?
ESCUTAS... Pois é, divulgá-las foi infringir a lei... (o costume...; ou como o dito segredo de Justiça é das maiores anedotas em Portugal!). Pois é, o que nelas se ouve é mesmo verídico, deplorável e... objectiva confirmação do que há muito se sabe serem certos bastidores do futebol português. É por estas e por outras que sempre escrevi ter a Justiça desportiva de actuar, independentemente de tribunais civis. Actuou e bem. É obrigação do desporto assumir específicos códigos de ética, estando a violação deles sujeita a também específica acção disciplinar. Defender não punição de árbitro e dirigente que se encontram em casa deste (tratando-se ou não de "o sr. engenheiro máximo", ou do "gerente de caixa") dois dias antes de um arbitrar jogo com equipa do outro... não é só defender o indefensável, pura e simplesmente brada aos céus!
TÚNEIS... Já escrevi e repito: têm velha e bem escura história no nosso futebol, com claríssima res- ponsabilidade de quase todos os dirigentes. Também nos ditos seguranças civis que lá colocam. E tudo o resto é blá-blá-blá...
Artigo de Opinião de Leonor Pinhão
O jogo contra a pobreza moral
NÃO, não é verdade que o Apito Dourado tenha resultado em nada, como vem sendo defendido por muita gente, uns sentindo grande alívio por não haver condenações em tribunal, outros, mais ingenuamente, por se espantarem com esse mesmo facto.
O Apito Dourado resultou num grande desvendar público de uma realidade peculiar e, só isso, é um factor de progresso porque uma sociedade informada reúne meios de análise que a tornam mais apta a pensar e a agir e, por essa mesma razão, está uns bons passos à frente de uma sociedade ignorante que, por deficiência de saber, acalenta no seu seio a perpetuação dos sistemas vigentes, por mais lamentáveis e contrários aos interesses comuns que sejam.
Voltando ao futebol, como experiência sociológica, é curioso observar como muitos a quem a ideia de perpetuação do sistema agrada profundamente, porque se sentem confortáveis todos os dias e campeões todos os anos, fazem questão de afirmar com grande firmeza que nunca tomaram conhecimento das particularidades do processo Apito Dourado, que nunca leram as transcrições das escutas na imprensa e que, mais recentemente, se recusam a ouvir a respectiva banda sonora disponível on-line, facto que consideram um escândalo.
Note-se que não consideram escandaloso o conteúdo das escutas. Consideram escandaloso a sua disponibilização áudio que as torna acessíveis ao país inteiro e até às crianças em idade escolar através dos computadorzinhos Magalhães.
Os argumentos avançados por estes cidadãos que se recusam a tomar conhecimento são sempre de alta índole «moral». Ou é porque é feio escutar conversas alheias, ou é porque, em nome do bom funcionamento da Justiça, as escutas não são «válidas», ou é porque não se deve perseguir ninguém, ou é porque é muito mais cómodo não ter de ter opinião porque nunca se sabe como é que estas coisas vão acabar um dia.
No entanto, no jogo contra esta moral, o mundo avança. É essa a boa notícia.
Não haverá grandes dúvidas de que o Apito Dourado serve como instrumento dissuasor de práticas que terão sido correntes num passado muito recente. É de duvidar que, no presente ou no futuro, algum árbitro se atreva a deslocar--se a casa de um presidente de um clube para pedir conselhos matrimoniais para o seu próprio pai, ou que algum árbitro receba benefícios em forma de «fruta de dormir» ou de «café com leite», ou que algum presidente dos árbitros conferencie com presidentes de clubes sobre as promoções e as despromoções dos seus rapazes.
O mundo avança devagarinho, mas avança. E avança sempre com novos protagonistas. E com novidades que substituam as antiguidades.
Mas há esperança.
É de duvidar, por exemplo, que sem a existência do processo Apito Dourado, os três jogadores do Leixões que foram contactados por um empresário com intuitos ilícitos nas vésperas do jogo com o Benfica, tivessem alguma vez a coragem de denunciar o facto ao seu treinador.
Não porque esses três jogadores do Leixões se prestassem alegremente e sem rebates de consciência à tramóia, mas porque, antes de haver um Apito Dourado e a respectiva exposição pública das práticas investigadas, e a vergonha resultante, é bem provável que os ditos jogadores pensassem que mais lhes valia estar calados, sossegadinhos, não fossem arranjar sarilhos para si próprios e não fossem pôr em risco as suas carreiras profissionais, sabendo eles muito bem que «as coisas são como são» e não vale a pena lutar.
Só que as coisas já não são como eram, depois do Apito Dourado.
E, por isso, os três jogadores do Leixões optaram pela decência e informaram o seu treinador que optou pela coragem e informou o seu presidente que optou pelo bom senso e informou o presidente do clube que, segundo o empresário, fez a oferta. E, por fim, o presidente do Sporting de Braga, em nome de quem o dito empresário terá oferecido 50 mil euros aos jogadores do Leixões para ganharem ao Benfica, optou pela única solução que lhe restava. E fez uma queixa-crime no Ministério Público contra o empresário que «usou o nome desta Instituição numa suposta tentativa de aliciamento», conforme se pode ler no comunicado emitido pelo Sporting de Braga.
Não digam que o Apito Dourado foi um tiro de pólvora seca.
Foi antes o início do grande jogo contra a pobreza moral.
Finalmente, a propósito do Jogo Contra a Pobreza que aconteceu, sob o alto patrocínio da Organização das Nações Unidas, na última segunda-feira, no Estádio da Luz… como se sabe, a ONU é uma organização centralista pejada de benfiquistas fanáticos dos cinco continentes, é uma espécie de braço internacional do Ministério Público português e da Polícia Judiciária portuguesa, e de todas essas organizações fundamentalistas, que perseguem por pura inveja os «engenheiros-chefes», os «chefes da caixa» e os «absolutamente geniais» do nosso querido futebol.
Só assim se explica que tenha sido o Benfica o clube escolhido e convidado para organizar o espectáculo, naquilo que foi uma acintosa demonstração do seu alto crédito enquanto instituição de dimensão mundial e centralista, ora aí está.
Como se não bastasse a provocação, o jogo até teve árbitros!
Teve um árbitro estrangeiro, o praticamente desconhecido italiano Pierluigi Collina, e alguns árbitros portugueses, que se foram revezando na função de dirigir a partida de beneficência. Os árbitros portugueses conseguiram chegar ao Estádio da Luz ao seguirem, diligentemente, as instruções de trânsito que lhes foram sussurradas pelo GPS da Benfica TV que é precisamente o mesmo GPS do secretário-geral da ONU, o senhor Ban Ki-moon que é de nacionalidade sul-coreana.
Enfim, ONU, Benfica e um… sul-coreano, como não podia deixar de ser. Para a tramóia ficar completa só podia mesmo ser um tipo do «sul» porque a guerra, como salta aos olhos, é contra os grandes timoneiros do alegado «norte».
Portanto, estão tramados, e muito bem tramados, os árbitros portugueses que se atreveram a aceitar o convite da centralista ONU, através do nome de código Águia Vitória, para se apresentarem no Estádio da Luz para um jogo em que «o resultado não tinha importância nenhuma», curiosa expressão que já ouvimos em qualquer lado. Estão tramados os árbitros portugueses porque o impoluto anticentralismo jamais lhes perdoará o pecaminoso convívio da noite de segunda-feira. E hão-de ver como isto é verdade.
Prepare-se, também, o senhor Vítor Pereira, presidente da organização dos árbitros portugueses, para passar um mau bocado. Não sabe ele que «manda quem pode e obedece quem tem juízo», esse grande ditame que fez jurisprudência nas duas últimas décadas e meia dentro e fora das quatro linhas? Então, que raio foi ele também fazer ao Estádio da Luz? Ainda por cima viu o jogo sentado, bem sentado numa cadeira estofada, e não «de cócoras» como lhe «fica bem», apesar de tudo.
São coisas bastante difíceis de explicar aos leigos na matéria.
Mas, falando agora daqueles que são os verdadeiros absolutamente geniais do futebol, os jogadores, houve uma explicação que ficou muito bem dada na noite de segunda-feira no relvado da Luz. Trata-se de Fernando Chalana.
Durante anos, tive grande dificuldade em explicar a benfiquistas mais jovens, que nunca o viram jogar, como Chalana foi único e absolutamente genial. Compreenda-se que se o seu poder de drible era indescritível, e era, torna-se obviamente impossível de descrever. Daí que alguns benfiquistas mais novos, que conheço desde o berço, achassem que tudo não passava de um grande exagero meu.
Agradeço, portanto, a Luís Figo a grande ajuda prestada nesta causa. Quando Fernando Chalana entrou em campo no Jogo Contra a Pobreza, Luís Figo recebeu o «pequeno genial» — expressão inventada pelo jornalista Neves de Sousa — com um sorriso largo e erguendo as mãos ao céu, saudou-o numa série de vénias de veneração e de inspiração muçulmana. «Chalana foi o meu ídolo», disse Figo, que já foi o melhor do mundo, no final do jogo.
«Cambada de mouros», terão dito os apaniguados do anticentralismo.
«Estão a ver? Estão a ver?», disse eu a alguns benfiquistas mais jovens.
Foi uma grande explicação.
NÃO, não é verdade que o Apito Dourado tenha resultado em nada, como vem sendo defendido por muita gente, uns sentindo grande alívio por não haver condenações em tribunal, outros, mais ingenuamente, por se espantarem com esse mesmo facto.
O Apito Dourado resultou num grande desvendar público de uma realidade peculiar e, só isso, é um factor de progresso porque uma sociedade informada reúne meios de análise que a tornam mais apta a pensar e a agir e, por essa mesma razão, está uns bons passos à frente de uma sociedade ignorante que, por deficiência de saber, acalenta no seu seio a perpetuação dos sistemas vigentes, por mais lamentáveis e contrários aos interesses comuns que sejam.
Voltando ao futebol, como experiência sociológica, é curioso observar como muitos a quem a ideia de perpetuação do sistema agrada profundamente, porque se sentem confortáveis todos os dias e campeões todos os anos, fazem questão de afirmar com grande firmeza que nunca tomaram conhecimento das particularidades do processo Apito Dourado, que nunca leram as transcrições das escutas na imprensa e que, mais recentemente, se recusam a ouvir a respectiva banda sonora disponível on-line, facto que consideram um escândalo.
Note-se que não consideram escandaloso o conteúdo das escutas. Consideram escandaloso a sua disponibilização áudio que as torna acessíveis ao país inteiro e até às crianças em idade escolar através dos computadorzinhos Magalhães.
Os argumentos avançados por estes cidadãos que se recusam a tomar conhecimento são sempre de alta índole «moral». Ou é porque é feio escutar conversas alheias, ou é porque, em nome do bom funcionamento da Justiça, as escutas não são «válidas», ou é porque não se deve perseguir ninguém, ou é porque é muito mais cómodo não ter de ter opinião porque nunca se sabe como é que estas coisas vão acabar um dia.
No entanto, no jogo contra esta moral, o mundo avança. É essa a boa notícia.
Não haverá grandes dúvidas de que o Apito Dourado serve como instrumento dissuasor de práticas que terão sido correntes num passado muito recente. É de duvidar que, no presente ou no futuro, algum árbitro se atreva a deslocar--se a casa de um presidente de um clube para pedir conselhos matrimoniais para o seu próprio pai, ou que algum árbitro receba benefícios em forma de «fruta de dormir» ou de «café com leite», ou que algum presidente dos árbitros conferencie com presidentes de clubes sobre as promoções e as despromoções dos seus rapazes.
O mundo avança devagarinho, mas avança. E avança sempre com novos protagonistas. E com novidades que substituam as antiguidades.
Mas há esperança.
É de duvidar, por exemplo, que sem a existência do processo Apito Dourado, os três jogadores do Leixões que foram contactados por um empresário com intuitos ilícitos nas vésperas do jogo com o Benfica, tivessem alguma vez a coragem de denunciar o facto ao seu treinador.
Não porque esses três jogadores do Leixões se prestassem alegremente e sem rebates de consciência à tramóia, mas porque, antes de haver um Apito Dourado e a respectiva exposição pública das práticas investigadas, e a vergonha resultante, é bem provável que os ditos jogadores pensassem que mais lhes valia estar calados, sossegadinhos, não fossem arranjar sarilhos para si próprios e não fossem pôr em risco as suas carreiras profissionais, sabendo eles muito bem que «as coisas são como são» e não vale a pena lutar.
Só que as coisas já não são como eram, depois do Apito Dourado.
E, por isso, os três jogadores do Leixões optaram pela decência e informaram o seu treinador que optou pela coragem e informou o seu presidente que optou pelo bom senso e informou o presidente do clube que, segundo o empresário, fez a oferta. E, por fim, o presidente do Sporting de Braga, em nome de quem o dito empresário terá oferecido 50 mil euros aos jogadores do Leixões para ganharem ao Benfica, optou pela única solução que lhe restava. E fez uma queixa-crime no Ministério Público contra o empresário que «usou o nome desta Instituição numa suposta tentativa de aliciamento», conforme se pode ler no comunicado emitido pelo Sporting de Braga.
Não digam que o Apito Dourado foi um tiro de pólvora seca.
Foi antes o início do grande jogo contra a pobreza moral.
Finalmente, a propósito do Jogo Contra a Pobreza que aconteceu, sob o alto patrocínio da Organização das Nações Unidas, na última segunda-feira, no Estádio da Luz… como se sabe, a ONU é uma organização centralista pejada de benfiquistas fanáticos dos cinco continentes, é uma espécie de braço internacional do Ministério Público português e da Polícia Judiciária portuguesa, e de todas essas organizações fundamentalistas, que perseguem por pura inveja os «engenheiros-chefes», os «chefes da caixa» e os «absolutamente geniais» do nosso querido futebol.
Só assim se explica que tenha sido o Benfica o clube escolhido e convidado para organizar o espectáculo, naquilo que foi uma acintosa demonstração do seu alto crédito enquanto instituição de dimensão mundial e centralista, ora aí está.
Como se não bastasse a provocação, o jogo até teve árbitros!
Teve um árbitro estrangeiro, o praticamente desconhecido italiano Pierluigi Collina, e alguns árbitros portugueses, que se foram revezando na função de dirigir a partida de beneficência. Os árbitros portugueses conseguiram chegar ao Estádio da Luz ao seguirem, diligentemente, as instruções de trânsito que lhes foram sussurradas pelo GPS da Benfica TV que é precisamente o mesmo GPS do secretário-geral da ONU, o senhor Ban Ki-moon que é de nacionalidade sul-coreana.
Enfim, ONU, Benfica e um… sul-coreano, como não podia deixar de ser. Para a tramóia ficar completa só podia mesmo ser um tipo do «sul» porque a guerra, como salta aos olhos, é contra os grandes timoneiros do alegado «norte».
Portanto, estão tramados, e muito bem tramados, os árbitros portugueses que se atreveram a aceitar o convite da centralista ONU, através do nome de código Águia Vitória, para se apresentarem no Estádio da Luz para um jogo em que «o resultado não tinha importância nenhuma», curiosa expressão que já ouvimos em qualquer lado. Estão tramados os árbitros portugueses porque o impoluto anticentralismo jamais lhes perdoará o pecaminoso convívio da noite de segunda-feira. E hão-de ver como isto é verdade.
Prepare-se, também, o senhor Vítor Pereira, presidente da organização dos árbitros portugueses, para passar um mau bocado. Não sabe ele que «manda quem pode e obedece quem tem juízo», esse grande ditame que fez jurisprudência nas duas últimas décadas e meia dentro e fora das quatro linhas? Então, que raio foi ele também fazer ao Estádio da Luz? Ainda por cima viu o jogo sentado, bem sentado numa cadeira estofada, e não «de cócoras» como lhe «fica bem», apesar de tudo.
São coisas bastante difíceis de explicar aos leigos na matéria.
Mas, falando agora daqueles que são os verdadeiros absolutamente geniais do futebol, os jogadores, houve uma explicação que ficou muito bem dada na noite de segunda-feira no relvado da Luz. Trata-se de Fernando Chalana.
Durante anos, tive grande dificuldade em explicar a benfiquistas mais jovens, que nunca o viram jogar, como Chalana foi único e absolutamente genial. Compreenda-se que se o seu poder de drible era indescritível, e era, torna-se obviamente impossível de descrever. Daí que alguns benfiquistas mais novos, que conheço desde o berço, achassem que tudo não passava de um grande exagero meu.
Agradeço, portanto, a Luís Figo a grande ajuda prestada nesta causa. Quando Fernando Chalana entrou em campo no Jogo Contra a Pobreza, Luís Figo recebeu o «pequeno genial» — expressão inventada pelo jornalista Neves de Sousa — com um sorriso largo e erguendo as mãos ao céu, saudou-o numa série de vénias de veneração e de inspiração muçulmana. «Chalana foi o meu ídolo», disse Figo, que já foi o melhor do mundo, no final do jogo.
«Cambada de mouros», terão dito os apaniguados do anticentralismo.
«Estão a ver? Estão a ver?», disse eu a alguns benfiquistas mais jovens.
Foi uma grande explicação.
Espaço Prof. Karamba
Benfica - V. Guimarães
Nacional - FC Porto
Sp. Braga - Sporting
Leixões - Marítimo
P. Ferreira - Académica
Naval - Belenenses
V. Setúbal - Rio Ave
U. Leiria - Olhanense
Nacional - FC Porto
Sp. Braga - Sporting
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