domingo, fevereiro 21, 2010

Uma Fabulosa Entrevista

Andar atrás de um matulão que mede 1,93 metros, calça 47 e gosta de fazer rir os portugueses não deixa de ser uma aventura enquanto a crise económica e política abala Portugal. Era essa a tarefa e todos os esforços foram feitos para espremer o humorista Ricardo Araújo Pereira de modo a fazer-se, finalmente, um perfil seu mais aproximado da realidade. A dificuldade em retirar o sumo – poucas vezes com sabor a limão – do humorista foi um desafio, nem que para isso se ficasse a saber que as suas filhas pretendiam chamar Brincos de Princesa a uma das cadelas, que não comenta qual a beldade da Playboy que mais apreciou na edição em que foi capa da revista e que faz questão de confessar a ausência de talento para a representação. A situação que ficou mais clara é que a etnia viva com que menos quer conviver é a classe dos jornalistas, mesmo tendo sido um deles, há 15 anos.


A primeira certeza sobre Ricardo Araújo Pereira (a partir de agora referido como R.A.P.) é que é um ser virtual. R.A.P. não existe, não está, não atende, não comenta, não revela, não aparece e é sempre não numa quantidade de situações. Por isso quando se quer marcar um encontro, R.A.P. anuncia que se teletransportou para outros universos e não revela a data de materialização: «Estou em Cabo Verde... Estou em Londres... Estou em Israel... Estou em Roma...» Ou seja, o que ele quer realmente dizer é: Não estou! E, quando está, garante que do que gosta mesmo é de se fechar em casa.


É esta a ideia que a maioria dos portugueses têm de R.A.P.? Não, ninguém acreditará quando diz que não tira prazer de festas, feiras e romarias. Também se desconfiará quando revela que é dominado pelas três mulheres lá de casa ou que desconfia do poder de influência dos Gato Fedorento. Ou seja, para descodificar R.A.P. é preciso uma grande paciência, pois a primeira nega ao escrutínio que lhe queria fazer já veio por msg há mais de dois anos. Depois de várias tentativas, houve uma brecha e iniciaram-se as negociações para a conversa. Entretanto, meteram-se a fazer o programa Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios e o tempo escasseou. Depois, foi a vez de cumprir um exílio sabático enquanto dava mais umas negas. Finalmente, a brecha alargou-se e houve datas marcadas. Acenou com responder por escrito a umas perguntas iniciais enviadas a meio de Dezembro e, por fim, aceitou sentar-se à mesa para almoçar devido à justificação de que era preciso a sua presença física para tirar as fotografias que ilustram a entrevista.


O prato prometido era para ser lagosta mas acabou por ser substituído por um dim-sum num restaurante chinês. A razão era estratégica, encafuar R.A.P. num espaço que não lhe permitisse a fuga. O Mandarim, no rés do chão do Casino Estoril, era o ideal pois tem umas salas reservadas onde se pode ter uma conversa à vontade e evitar que os fãs deste Gato interrompessem a audição. R.A.P. aceitou a troca da ementa mas, quando viu que tinha sido atraído a uma armadilha, suspirou como se fosse um membro de uma triade apanhado num beco e à mercê dos seus carrascos. A sala só tinha uma porta, no meio uma mesa de interrogatório e, se tentasse fugir pela janela, teria que partir cinematograficamente o vidro. A reacção foi rápida, falar ao telemóvel durante 27 minutos e olhar para o relógio repetidamente até informar que tinha de ir buscar as filhas ao colégio às 15h30.

O drama que expôs, de que as filhas quase ficariam numa rua esconsa à sua espera, deu a entender que só teríamos uma hora e 44 minutos para estar no confessionário. Em desespero de causa, usou um último estratagema, o de falar pausadamente e responder a cada pergunta como se fossem as suas últimas palavras. Foram precisas duas cervejas chinesas para o distrair, enquanto o subchefe Ferreira ia trazendo os pratos a conta-gotas, como lhe tinha sido pedido, e explicar-lhe que só iria poder salvar as miúdas de um destino trágico se dissesse algo interessante na confissão que se segue.


Uma coisa ficou esclarecida enquanto a tortura chinesa ia avançando. Que quando se apanha finalmente R.A.P. para uma entrevista, vem-nos à mente aquela frase mítica dos primeiros tempos dos Gato Fedorento: «Quando vejo que há aí palhaços, pá, que falam falam falam falam, pá, e eu não os vejo a fazer nada, com certeza que fico chateado.» R.A.P. fala fala mas diz muito com substância, mesmo que a música lounge chinesa que acompanhou o almoço o pudesse perturbar. Cada resposta é como as crónicas que escreve – com princípio, meio e fim, faz um ar de surpresa (apesar de dizer que não é actor) de quando em vez se não se revê na pergunta, sabe aproveitar as deixas e gosta de controlar a situação. Ou seja, «há por aí palhaços» mas não me incluam no grupo; se não me vêem a «fazer nada» é porque me toparam e, por fim, «fico chateado» se me obrigam a ser o que não pretendo.


R.A.P. é virtual sim, apouca as suas virtudes sempre que pode e aprecia introduzir ironia no que diz. É a resposta para estes tempos de crise, porque, sendo um humorista que fez questão de ficar no desemprego após o último programa na televisão, a sua perfeita imitação de José Sócrates sempre lhe pode garantir uns cobres ao substituir o primeiro-ministro em situações com menos graça. O único embaraço que se pode atravessar à sua frente é Pinto da Costa continuar a fazer aparições públicas onde faz questão de exibir um talento comparável ao dos Gato Fedorento (a partir de agora referidos como os Gato). Entre uns crepes e umas coisas gelatinosas e esbranquiçadas com camarões no interior, pergunta-se-lhe se isso poderá acontecer.

Pinto da Costa ameaçou-o com um processo e fez uma rábula onde imitava os Gato. Pegou num dicionário e leu o significado das palavras fedorento, fétido e pútrido?
Embora ele diga putrido, com acento no i. De facto, a pedido de Miguel Sousa Tavares, Pinto da Costa processou o Zé Diogo Quintela. Já não é a primeira vez que nos processa e, apesar de ter perdido sempre, continua a fazê-lo. É um direito que lhe assiste, mas temo que esteja a gastar dinheiro que seria mais proveitosamente aplicado na compra de um dicionário que acentuasse correctamente as palavras esdrúxulas.

Porquê a pedido de M.S.T.?
Porque M.S.T. pediu, numa crónica, que o FC Porto abandonasse a sua postura pouco litigante e processasse o Zé Diogo. E Pinto da Costa assim fez. Essa declaração pública foi curiosa, porque Pinto da Costa quis inteirar-se do que significava ser um gato fedorento. Foi pesquisar a palavra fedorento, e daí foi para fétido. Viu o significado de fétido e foi para pútrido. E disse que, quando viu que um dos significados de pútrido era corrupto, parou e não pesquisou mais. Quem acompanha o futebol português não deve admirar-se com o facto de Pinto da Costa necessitar de ajuda para saber o que quer dizer a palavra fedorento, mas não precisar de ir ao dicionário para saber o significado da palavra corrupto.

Sentiram-se lesados com a apropriação de um estilo naquele sketch?
Nunca me sinto lesado quando Pinto da Costa afirma que não gosta de mim. Faz-me lembrar aquela tira de banda desenhada da Mafalda, que detesta sopa, e por isso anseia que o Fidel Castro diga que a sopa é óptima para que as pessoas passem a dizer que a sopa é má. É isso que me acontece com Pinto da Costa: quanto mais disser que sou mau, mais o país dirá «se calhar estes gajos até têm graça».

Rapidamente a polémica Pinto da Costa sai de cena quando chega mais um prato chinês à mesa. Afinal, falar de futebol com R.A.P. só tem um sentido: Benfica. Antes de abandonar o tema, é-lhe perguntado se gosta de ouvir os comentários futebolísticos do dr. Rui Santos. R.A.P. não esperava por esta importante questão mas não se desmancha: «Sempre que vejo, divirto-me.» Ver televisão não é importante para ele, que segue o lema do actor Nicolau Breyner quando este diz: «Para fazer televisão é um preço, mas para a ver é mais caro.» Ambos os actores, refere, aplicam essa tese aos programas que fazem na televisão. Antes que o subchefe Ferreira interrompa o lote de perguntas sobre televisão com outra chinesice, tenta-se saber o porquê dos Gato circularem por vários canais.

A SIC não vos larga, mesmo cobrando cachets muito caros. Porquê?
Só pode ser pela mesma razão que a PT nos quer a fazer anúncios: por sermos muito lindos.

A RTP largou. Foi por cobrarem cachets muito caros?
Não. A RTP pagava o mesmo que a SIC. Simplesmente, na hora de escolher, a RTP não tinha director de programas, e a SIC tinha aquele com quem já tínhamos trabalhado na RTP.

A TVI ainda não vos caçou por cobrarem cachets muito caros?
Acho que a TVI nunca mostrou grande interesse em nós. O que só lhe fica bem, aliás.

Depois de uma entrada mais profissional para relaxar o entrevistado, avança-se para áreas de que menos gosta. A vida privada é uma delas, por isso apetitosa para os leitores mais curiosos mas que desagrada a R.A.P.. Garante que não gosta de dar entrevistas porque não é a sua actividade favorita e porque não tem muita coisa para dizer. Acrescenta logo: «Como, aliás, creio que se nota.» R.A.P. desmerece-se frequentemente. À primeira, passa, à segunda, o chá quente queima a língua e diminui a reacção, mas há sempre aquela vez em que não se escapa, como no caso da aversão a entrevistas: «Não faz sentido estar a responder a todos os pedidos.» Mas não é só essa a razão: «Não é muito importante que as minhas palavras apareçam vertidas nos jornais exactamente como foram proferidas, mas aborrece-me quando inventam.» E, face ao rol de queixas, o assunto fica por aqui mesmo ou para a ERC tratar.

Há muita pressão para dar entrevistas?
Não é bem pressão. As pessoas pedem e eu recuso.

Para manter um low profile?
Não, não é uma estratégia. É só uma maneira de ser.

Sabe-se onde a maior parte dos artistas moram, mas no seu caso não. Na Wikipédia ainda está que mora na Margem Sul; não se vêem fotos suas num evento público...
Eu não sou muito dado a festas, feiras e romarias.

E revela também o nome das suas cadelas.
Não sei quem é o inventor desse verbete, mas está cheio de erros. Mas também, se os jornais estão sempre a imprimir informações erradas, porque é que a Wikipédia seria diferente?

São cadelas ou cães?
Cadelas. Chamam-se Lola e Flor, a propósito. Aproveito para fornecer essa interessantíssima informação. O nome da Flor já foi posto pelas minhas filhas. Elas propuseram duas hipóteses de nome: Flor ou Brincos de Princesa. Eu achei que teria alguma dificuldade em estar na rua a chamar Brincos de Princesa a um cão e por isso, apesar de ser um nome um pouco átono, optei por chamar Flor ao bicho.

Há quem não goste de ser fotografado a passear os cães. Isso incomoda-o?
Incomoda-me sempre que vêm emboscar-se para me fotografar quando estou em privado. Ninguém tem nada que ver com o que eu faço quando não estou a trabalhar.

E o que é que faz quando não está a fazer os Gato?
Tenho duas crónicas semanais para escrever – na Visão e n'A Bola –, o programa Governo Sombra, na TSF, e leio. Inscrevi-me num mestrado em Teoria da Literatura, na Faculdade de Letras. Repare que digo «inscrevi-me» e não «frequento», porque entretanto começou o programa e, com muita pena, deixei de conseguir lá ir. Antes, já me tinha inscrito no curso de Estudos Portugueses, na Universidade Nova, e fiz duas cadeiras. Fiz Introdução aos Estudos Literários, com o prof. Gustavo Rubim, e Literatura Portuguesa I, com o professor Fernando Cabral Martins. Tive 19 nas duas, o que significa que tenho média de 19 no curso. O facto de me faltarem umas 83 cadeiras para o acabar é, evidentemente, lateral.

Estudou em vários colégios de padres. Por castigo ou para lhe darem uma educação decente?
A razão deve ter sido a última, mas foi um plano que fracassou clamorosamente mesmo sendo os educadores freiras vicentinas e padres franciscanos e jesuítas. Eu não gosto nada de padrecas, pá. Mas gosto bastante de padres. E tive a sorte de, nesses colégios, ter encontrado sempre mais padres do que padrecas. Eu nem sou baptizado, mas nenhuma dessas pessoas alguma vez disse «o rapaz tem de ser baptizado». Nunca pretenderam converter-me. Claro que há uma perspectiva mais cínica sobre isso: a razão pela qual nunca tentaram converter-me não tem que ver com tolerância, mas com o facto de terem constatado que eu não tinha salvação possível.

Muda de vida quando se torna argumentista das Produções Fícticias. É amor ou humor à primeira vista?
Foi uma sucessão de acasos e de sorte, como quase tudo o que acontece na minha vida. A meio da faculdade fiz um curso de escrita criativa com o Rui Zink, que é amigo do Nuno Artur Silva, dono das Produções Fictícias (PF). Por sugestão do Rui, comecei a escrever, nas PF, textos para o Herman. Hoje, as Produções Fictícias são os nossos agentes e fazem a gestão do orçamento dos nossos programas, que são produzidos e escritos por nós. Mas na altura quis escrever textos humorísticos porque a capacidade de provocar o riso me interessava imenso. É quase absurdo que um ser humano se ria. O único animal que sabe que vai morrer é também o único que ri. Acho, aliás, que é disso que rimos: do facto de estarmos condenados à morte. Cada gargalhada que damos é uma manifestação de superioridade nossa em relação à morte. Provocar o riso é uma tarefa muito nobre. Ah, é verdade, e os textos humorísticos são mais bem pagos que os outros. Caso contrário, mandava a nobreza às malvas.

Se há que destacar um bom resultado nesta investida à vida mais privada de R.A.P., a resposta do nome não posto à cadela – Brincos de Princesa – é a grande revelação. Mas, para quem não desiste, lá se ouvirão mais meia dúzia delas. Nem mais uma, seis apenas: está casado há 12 anos; as filhas têm 4 e 6 anos e é do signo Touro. Esta não vale muito porque era fácil de saber, mas tem dois picantes: «Não acredito em signos, e seria mau se fosse uma influência, porque Salazar nasceu no mesmo dia e Hitler anda por perto.» As três importantes revelações em falta são: o pai era piloto e a mãe hospedeira – «Na altura era muito bom ser da TAP porque as estadas no estrangeiro duravam uma semana no Rio de Janeiro ou em Nova Iorque» – mas já estão reformados. E a última: «Sou ateu.» Há, no entanto, uma novidade a dar e que não é conhecida de todos os portugueses, que em privado existem poucas diferenças entre R.A.P. e Paul Newman. Já lá chegamos, depois de se saber porque é que usou tantas vezes como desculpa estar em viagem para adiar esta entrevista. A pergunta não é directa, para evitar ferir susceptibilidades…

Gosta de viajar. Portugal é um destino ou opta pelo estrangeiro, onde pode estar mais à vontade?
Gosto de estar à vontade, mas não fico embaraçado com o público que me aborda na rua a pedir autógrafos ou para tirar fotografias. É uma situação que não me causa qualquer espécie de engulho.

Por isso prefere o estrangeiro?
Não, eu gosto de viajar, mas o que gosto mesmo é de estar em casa.

Tem feito imensas viagens. Ninguém viaja tanto se não for por prazer
Sim. Gosto.

Quem prepara as viagens?
Eu não faço nada a esse respeito. O Paul Newman dizia uma coisa engraçada: «Em minha casa, eu decido sobre as grandes questões e a minha mulher sobre as pequenas. Ela decide se vivemos na costa leste ou oeste, que tipo de casa temos, em que colégio é que os filhos andam. E eu sou responsável pelas grandes questões: como é que se resolve o conflito israelo-árabe, qual deve ser a nossa posição sobre energia nuclear…» Comigo, é a mesma coisa. Não mando nada nem tenho responsabilidades práticas.

São as suas mulheres que decidem os destinos?
Escolhem tudo. Eu só mando no destino da viagem quando vou ver o Benfica ao estrangeiro. Pensando bem, quem decide isso é a UEFA. Confirma-se, eu nunca decido nada.

Tem medo de viajar de avião?
Tenho. No princípio dos Versículos Satânicos (de Salman Rushdie) o avião dos protagonistas explode e eles vêm em queda livre a rir à gargalhada. Pelo vistos é muito giro, mas mesmo assim não gostaria de experimentar.

Receia ataques terroristas?
Quando estou em Portugal não, porque os terroristas têm a inteligência de nos ignorar. No avião, também não. O meu terror é mesmo que aquilo caia.

Não há dúvida de que é um verdadeiro actor. R.A.P. adiou esta conversa justificando que estava em Cabo Verde, duas vezes em Londres, Egipto, Israel e Roma e evita falar de qualquer um destes destinos. A única abébia que dá aos leitores é ceder uma foto de uma destas terriolas, para fazer inveja. Castiguemo-lo, então, com questões sobre a profissão, para não o deixar provar os bolinhos de sésamo.

Já representou numa peça.
Não se pode chamar àquilo representar. O Pedro Mexia pensou em pegar nos textos do John Austin do livro Como Fazer Coisas com Palavras e fazer uma peça de teatro. Então, pensámos os dois nisso e achámos que era capaz de dar um espectáculo muito interessante, o que não veio a verificar-se. Foi divertido enquanto o preparámos, mas as actuações foram penosas.

Prefere fazer televisão ou teatro?
Não tenho especial interesse em representar em qualquer desses meios.

Nem pensa em fazer como a Rita Pereira e ir estudar para Nova Iorque ou ter sucesso nos EUA como a Daniela Ruah?
Não. Elas são actrizes e fico mesmo contente que a carreira da Daniela Ruah, por exemplo, esteja a correr bem. Foi muito corajosa, a decisão dela. Mas o meu interesse não é representar, não sou um actor. Recebo muitos convites para entrar em filmes, séries e peças, mas respondo sempre com a verdade: não sou actor. Às vezes dizem: «Mas é um trabalho tão giro!» E é, mas para actores. É a mesma coisa que dizerem que querem dar-me a oportunidade de arranjar a canalização do Taj Mahal. Para um canalizador deve ser óptimo, mas eu não percebo nada de canalização.

Vai continuar a recusar convites?
Sim. Não sou actor.

Mas nos Gato tem de compor personagens e representar!
Ali ninguém é actor, faz-se o melhor que se pode. Do ponto de vista da representação não temos nenhum talento criativo. Se houver alguma coisa é talento imitativo. Quando tenho de imitar uma personalidade pública, esforço-me para ver o que é que ela faz para sair igual, quando é uma personagem qualquer, escolho um tio ao calhas e imito-o.

Mas são imitações perfeitas. Treina muito?
Faço aquilo o maior número de vezes que consigo. Se for o Marcelo, passo a semana toda a falar como ele e a aborrecer toda a gente à minha volta. É uma questão de treino, de repetição. Não é talento.

Mesmo que não queiram, os Gato sucedem a uma linha de humoristas como Vasco Santana, António Silva, Raul Solnado e Herman José.
Gosto muito dos filmes deles, mas não me sinto herdeiro do Vasco Santana ou do António Silva. Nem continuador da sua tradição. Eles são de outro campeonato.

Não é o que os portugueses pensam.
É óbvio que todos vêem que há uma diferença clara entre mim e a Maria Rueff, por exemplo. Ela será a herdeira deles, eu não. Não sinto que esteja a continuar o que fizeram porque não estamos no mesmo ofício. Estarei mais perto de quem escrevia os seus guiões do que deles.

Quando foi a eleição dos grandes portugueses, ficou em 74.º lugar e António Lobo Antunes em 82.º?
A minha coroa de glória é Jorge Sampaio ter ficado atrás de mim.

Mas Eusébio ficou muito à frente.
Se dependesse de mim, o Eusébio teria ficado em primeiro. Mas essa lista era uma palhaçada. Havia dois lugares que eram claramente absurdos: o meu e o de um gajo chamado Oliveira qualquer coisa. Salazar, parece que era.

Temos sempre a ideia de que está ligado ao PCP e que foi membro da JCP...
Na verdade, é mais uma invenção. Nunca militei na JCP. Fiz-me militante do PCP aos 24 anos, após ter acabado a faculdade. Fui um militante muito pouco empenhado – mais uma característica adorável da minha personalidade –, e a minha militância resumiu-se a pagar as quotas durante algum tempo. O Mário Castrim tem um poema em que diz: «Realizo-me quando pago as quotas do partido.» Nunca me aconteceu, devo confessar. Mas paguei-as e, além disso, cheguei a servir sandes de panado e imperiais numa Festa do Avante! – que foi, creio, o ponto mais alto da minha militância. Fiquei colocado no café concerto, um sítio muito giro onde assisti a um espectáculo fabuloso do Manuel Freire. Ele cantou aquelas canções todas – as dele, as do Zeca Afonso, as do padre Fanhais, as do Adriano… Há pessoas que se comovem com histórias de amor, ou perante fotografias de gatinhos. Eu choro quando oiço o Portugal Ressuscitado. A sério. Aquela parte do «Agora, o povo unido nunca mais será vencido» dá sempre cabo de mim. Eu ainda sou do tempo em que o povo existia, sabe? Entretanto, foi extinto. Agora já o expulsaram da Constituição e tudo. Substituíram o povo pela expressão «pessoas». «As pessoas, unidas, jamais serão vencidas» não tem o mesmo encanto. E o Manuel Freire ainda fez aquilo a que poderíamos chamar um stand-up revolucionário. A meio da actuação disse: «O que eu gosto mais na Festa do Avante! é ver estes camaradas que daqui a dois anos vão ser secretários de Estado do PS. Assim, podemos despedir-nos deles já aqui.» Foi muito engraçado. Mas só eu é que achei graça.

Por isso, abandonou a vida partidária?
Já não sou militante do PCP e, na altura em que saí, comecei a escrever uma carta para me desfiliar, mas a carta foi ficando progressivamente mais pequena porque cada vez que voltava a escrevê-la tinha menos coisas para lhes dizer. Eles também devem ter cá um interesse em ouvir-me… Até que não escrevi carta nenhuma.

Não é filiado em algum partido?
Não. Não tenho nenhum interesse na política partidária. Inscrevi-me no PCP dez anos após a queda do Muro de Berlim. O partido vinha de uma derrota autárquica muito forte, e eu achei que era importante inscrever-me porque pensava – e penso ainda – que o Partido Comunista desempenha um papel importante na sociedade. Sou eu e o Melo Antunes. Acreditei mesmo que, naquela altura, o partido já tinha repudiado o regime soviético e o dos países do Leste. Houve dois ou três sinais de que essa crítica tinha sido feita. Mas, de repente, o líder da bancada parlamentar, que é um rapaz da minha idade, disse que não sabia bem se a Coreia do Norte era ou não uma democracia. E o Carlos Brito, o Luís Sá, o João Amaral e outros foram sendo empurrados para fora. E um senhor chamado Manoel de Lencastre escreveu no Avante! um artigo a dizer que o Estaline era um doce de ser humano. E… Portanto eu achei que, se calhar, ia andando. Sou um marxista não-leninista e o PCP nunca deixou de ser um partido marxista-leninista, o que dificulta a minha integração. Se eu pudesse, seria militante do PCP do Mário de Carvalho, do Luís Sá, do João Amaral. O problema é que esse PCP não existe. É uma pena.

Hoje revê-se em algum partido?
Não exactamente, mas isso não me causa transtornos de maior. Isso de uma pessoa ter de se rever inteiramente num partido para votar nele é uma mariquice. Voto em quem tenho de votar e acabou-se. Nunca votei à direita do PC. Ou voto no Bloco ou no PC. E nunca fiz segredo disso. Volta e meia dizem-me que é muito grave eu não ser imparcial. Eu quero que a imparcialidade se foda, sabe? A última foi uma jornalista que concorre a eleições – integrada num partido, obviamente. Acha que eu devia ser imparcial. Uma jornalista, note. Com actividade partidária activa. Nada contra, mas não me venha chatear. Eu não gosto de humoristas imparciais – aliás, tenho até dificuldade de me lembrar de algum. Prefiro pessoas que tenham… como é que se chama aquilo? Opiniões, é isso. O humor parte de um ponto de vista sobre a realidade, e cada humorista tem o seu. Não tem o seu e o dos outros. Quando vou ler o Woody Allen, o que me interessa é saber o que ele pensa sobre as coisas. Não quero que diga que é ateu e depois escreva que é muito religioso porque a ERC o obriga a dar uma no cravo e outra na ferradura.

O Bloco de Esquerda também não é uma opção fácil actualmente! Até Sócrates desmascarou Louçã...
Porque ele diz que os PPR não são vantajosos e tem um, não é? O mais surpreendente nisso é um deputado subscrever um Plano Poupança Reforma. As reformas deles são tão boas…

A nível ideológico, acha que estamos um pouco perdidos em Portugal?
Os partidos que ganham eleições não têm ideologia nenhuma. É por isso, aliás, que ganham as eleições. Os chamados catch-all party captam uma fatia de eleitorado muito larga justamente porque não se comprometem com coisa nenhuma. Curiosamente, nas europeias, o PS fez o contrário: em vez de não defender ideologia nenhuma, defendeu todas – menos a socialista, claro, que tradicionalmente é pouco popular entre os socialistas.

R.A.P. publicou, no fim de 2009, o seu segundo best seller: Novas Crónicas da Boca do Inferno. O índice onomástico revela os protagonistas preferenciais dos textos: José Sócrates e Manuela Ferreira Leite. A razão é simples, um exerce o poder e o outro é «a presidente do outro partido de poder. Em Portugal só há esses dois». Há um texto, A Importância de Ser Alegre, que nos liga às próximas eleições.

O que acha do candidato Manuel Alegre?
Acho que é um candidato que, sendo um socialista, como é óbvio, pode recolher o apoio dos partidos de esquerda. Se conseguir também o apoio do PS, pode ganhar as eleições. O Alexandre O’Neill tinha uma designação divertida para um certo tipo de poeta: o «baladeiro audaz». Confesso que Alegre me parece encaixar no perfil de baladeiro audaz. Mas creio que não terei outro remédio senão votar nele.

Não vai votar em Cavaco Silva porque não aceitou participar no Esmiúça os Sufrágios?
O Alegre também não aceitou...

Quando chega a sobremesa de maçã fá-si e bolinhos de leite, R.A.P. já está à beira de uma apoplexia porque, adverte, a estas horas as filhas já foram postas na rua. É possível acreditar num pai, mas num humorista dificilmente... Mesmo assim, abre-se-lhe a porta do reservado e deixa-se vestir o sobretudo da moda. Coloca os óculos escuros e parte a falar ao telemóvel. Uma funcionária diz para outra: «É muito mais alto do que parece na televisão.» Retém-se uma resposta sua: «Aquilo era televisão, não há nada de espontâneos. Foi surpreendente que aceitassem o convite para o Esmiúça, porque não era evidente que aquelas pessoas lá fossem e quisessem ser vistos na minha companhia.»

Retrato de um Gato
«Já era um arrogantezeco armado em bom antes de ser conhecido»

Ainda se lembra de quando não era um humorista famoso?
Sim. Não foi assim há tanto tempo. Mas posso garantir que a fama não me mudou. Eu já era um arrogantezeco armado em bom antes de ser conhecido.

Tem saudades desses tempos de ignorado?
Nem por isso. Saio pouco à rua, e em casa toda a gente me ignora. Não mudou assim tanto para provocar saudades.

Diz que inventam muito sobre a sua vida privada. Pensa nisso enquanto joga golfe?
Isso. Ponha-se com brincadeiras. A partir de agora, para todos os efeitos, passo a ser jogador de golfe. A imprensa censura a pouca sofisticação dos meus gostos, e por isso entretém-se a inventar outros, mais requintados. Só posso agradecer.

No outro dia, uma amiga viu-o no transiberiano.
Também nunca estive no transiberiano. Mas esse não é o único tipo de invenção. Há outros, também giros. Um que tem estado muito na moda tem que ver com os anúncios da PT. Já vi escrito nos jornais que os anúncios são escritos por nós. Pelos vistos, quem faz o anúncio é quem o escreve. Especialistas em publicidade parecem ignorar a existência de uma entidade chamada «agência de publicidade». Mas só funciona connosco. A Bárbara Guimarães não é responsável pelos diálogos daquele jantar sobre contas bancárias. Enfim, o que interessa é andarem entretidos. Tudo o que os afaste da droga…

E um amigo descobriu-o disfarçado a um canto do estádio do Sporting a ver o jogo com o FCP. Gosta de passar despercebido?
Essa, toda a gente vê que é mentira. O estádio de Alvalade tem estado tão vazio que ninguém consegue passar despercebido.

Depois de se ter visto naquele vídeo da RTP quando era novo cortou o cabelo quase à escovinha. Essa história é verdadeira ou foi uma invenção?
Foi invenção. Já rapo o cabelo há muito tempo. Três semanas sem cortar e fico com o penteado que o Pietra tinha nos anos oitenta.

Anda quase sempre de fato porque os Hugo Boss assentam-lhe bem?
A mim tudo me assenta bem. Quando se tem este porte físico tão elegante e proporcionado, até um fato de treino parece um smoking.

Qual foi a modelo ? não vale a pena dizer que nem a leu ? com quem mais gostou de contracenar na revista Playboy?
Eu não contracenei com nenhuma, meu amigo. Fui colocado na capa da Playboy à revelia. Um dia, quando me fui deitar, era um cidadão normal, no dia seguinte, quando acordei, era a Miss Dezembro. Sou uma espécie de Gregor Samsa da pouca-vergonha.

Alguma lhe telefonou a dizer que o queria ver como ela?
Quando a Playboy saiu, fui abordado por senhoras que confessavam alguma frustração por eu não estar nu na revista. Garanti-lhes que, se eu estivesse nu, a sua frustração seria bem maior. Há um passo do Manifesto Anti-Dantas em que o Almada diz que o Dantas, nu, é horroroso. Eu coro sempre que leio essa parte.

As meninas que contracenam com os Gato são normais. Não conseguem miúdas de espantar porquê?
Tem de me mostrar o seu caixote do lixo. As nossas actrizes são sempre muito bonitas. Pois se as mulheres só entram nos nossos sketches para serem objectificadas!...

As suas cadelas devem ser as únicas que gostam de um Gato e, ainda por cima, Fedorento?
Os meus cães nutrem por mim uma admiração extraordinária. Não é por acaso que lhes chamam animais irracionais, sabe?

O Gato literato
«Nenhum farmacêutico é Tolstoi, com excepção do que escreveu a posologia do Ben-U-Ron»

É coordenador de uma colecção de livros. É verdade que gosta mesmo de um triste como Charles Dickens?
É. Uma vez, durante o período em que os Pickwick Papers estavam a ser publicados em fascículos, um padre foi consolar um moribundo e falou-lhe longamente do que o esperava na vida eterna. No fim, o moribundo suspirou e disse: «Bom, o que interessa é que amanhã já sai mais um número dos Pickwick Papers.» Um homem cujos textos são aguardados com mais expectativa do que o paraíso merece a nossa admiração.

Os livros não tinham lombada por originalidade ou porque faltou dinheiro para os encadernar completamente?
A ausência de lombada é, em si, um manifesto, um modo de transmitir a ideia de que a comédia é o género que capta mais profundamente o ser humano, que o apresenta despojado de máscaras, de adereços, de maquilhagens. Estou a gozar, claro. Os livros não têm lombada porque fica bonitinho.

Já apresentou um livro de António Lobo Antunes. Teve paciência para o ler?
Não preciso de paciência para ler o Lobo Antunes. É sempre um prazer. Mas, na apresentação, a professora Maria Alzira Seixo estava mesmo à minha frente, na plateia, claramente a olhar para mim e a pensar: «Quem será este gajo?» Por isso, para mim, aquilo acabou por não ser bem uma apresentação de um livro. Foi uma oral sobre a obra do Lobo Antunes.

Já publicou dois livros de crónicas e vendeu mais do que qualquer jovem esperança da nossa literatura. Tem explicação para esse facto?
Sim. Quando as jovens esperanças da nossa literatura aparecerem na televisão a fazer momices passamos a vender o mesmo.

Escreveu que em grande queria ser escritor e futebolista.
Escritor e futebolista do Benfica. Não tinha interesse em ser futebolista. Descobri isso quando a minha avó morreu e fomos a sua casa arrumar as coisas. Encontrei esse livro guardado, daqueles da escola onde se pergunta o que queres ser quando fores grande e eu escrevi isso. Um facto que revela o discernimento de uma criança porque, como sabe, são duas profissões que normalmente vão a par. Os futebolistas são donos de um domínio da língua muito assinalável. No entanto, falhei nos dois desejos.

Mesmo escrevendo crónicas que o próprio Saramago disse que o obrigavam a começar a ler a Visão pelo fim?
Isso é muito simpático da parte dele, mas não faz de mim um escritor. Todos lêem a bula dos medicamentos mas nenhum farmacêutico é o Tolstoi. Com excepção, talvez, do que escreveu a posologia do Ben-U-Ron. Magistral, aquilo.

Tem vontade de escrever algo com mais fôlego do que a crónica?
Não sinto necessidade nem tenho intenção.

O Gato no futebol
«Meninas, se não forem do Benfica, caem-vos os dentes e o cabelo»

Vale e Azevedo faz-lhe falta para as rábulas?
Não, não. Vale e Azevedo não me faz falta para nada. Há um livro que reúne as crónicas de uma personagem que o Miguel Góis e eu escrevíamos para A Bola e aquilo é quase tudo a fazer pouco do Vale e Azevedo. Deu-nos muito material, mas não lhe agradeço. O que acontece no Benfica é que, quando há um presidente que tem, digamos, uma má relação com a honestidade, boa parte dos benfiquistas critica-o. Quem dera a todos poderem dizer o mesmo, não é? Estive três horas numa fila para votar no Vilarinho, para ver se as rábulas acabavam. Quero lá saber das rábulas.

Escolheu o Benfica porquê?
Essa é que é a grande pergunta. Não posso reclamar os louros dessa decisão porque, apesar de gostar muito de a poder reivindicar – muito embora ela demonstre um discernimento superior às minhas capacidades –, foi o meu primo António que me deu a catequese. Eu era muito pequeno e ele ia buscar-me a casa para me levar ao estádio porque os meus pais não ligavam a futebol. Nos últimos tempos, ele moderou um pouco (coisa que não lhe perdoo, aliás), mas naquela altura o meu primo tinha uma postura admirável, porque via o jogo a fumar um cigarro atrás de outro, a tremer, e torturado por tiques muito estranhos desde o princípio ao fim – coçava a nuca no colarinho, fazia sons com a boca... E eu lembro-me de estar a ver os jogos, observar aquele farrapo humano que era o meu primo durante noventa minutos e pensar: é isto que eu quero ser quando for grande.

Leva as suas filhas ao futebol?
Sim.

Gostam?
Claro. Como são pequeninas, é evidente que não exerço sobre elas uma pressão inadequada e adapto o discurso proselitista. Não me passa pela cabeça oprimi-las com a ideia de que têm de ser benfiquistas. O que lhes digo é: «Meninas, se não forem do Benfica, caem-vos os dentes todos e o cabelo também. E podem mesmo falecer.» Sem pressões.

Vê-se que confiam no pai?
Sim. Porque faço tudo com a maior consideração pela liberdade de escolha delas. Eu só as fiz sócias desde que nasceram e comprei-lhes as camisolas do Benfica para elas vestirem. Mas o número que se estampa nas costas é escolhido por elas. Acima de tudo, a democracia.

E a sua mulher é do Benfica?
Quando nos conhecemos tinha uma simpatia pelo Belenenses. Hoje, o meu sofrimento e o das filhas fazem que deseje ardentemente que o Benfica ganhe sempre.

Esmiuçar os Gato
«Daquela vez não falaram do Mário Crespo»

Os nomes que inventam para os vossos programas são um pouco estúpidos mas pegam. Os portugueses são assim tão fáceis de enganar?
Fico um pouco magoado com a observação de que os nomes são um pouco estúpidos. Tentamos que sejam muito estúpidos. O momento em que comunicamos ao director de programas o nome que escolhemos é sempre divertido. Desta vez, havia duas ou três pessoas da estrutura da SIC (do marketing, ou assim) que diziam que esmiúça era uma escolha trágica porque ninguém sabia o que era esmiuçar. Pumba, hoje esmiúça-se por tudo e por nada. O segredo é nunca supor que o público sabe menos do que nós.

Entrevistar muitos políticos foi fácil?
Foi. Na altura, os jornais disseram que as perguntas eram combinadas com os convidados, o que não faz sentido. Para quê? Seria tempo perdido. Toda a gente sabe que uma pessoa pode perguntar o que quiser a um político, que ele arranja sempre maneira de responder o que lhe apetece.

Qual o que deu mais trabalho?
O professor Marcelo. Senti que devia ter bebido trinta cafés antes do programa para poder rivalizar com a energia do professor.

Quando foi a vez de Mário Soares não lhe conseguiu cortar o pio. Respeitinho?
Nunca cortei a palavra a ninguém. Se eu apressasse as entrevistas, o programa ficaria com menos tempo e nós teríamos de escrever mais texto.

Acha que deixou a Joana Amaral Dias nervosa?
Se há facto da vida de que tenho conhecimento há muito é que um rapaz como eu não deixa nervosa uma rapariga como Joana Amaral Dias.

Foi fácil entrevistar Sócrates no Esmiúça?
A dificuldade principal foi convencê-lo a ir lá. O programa exigiu um esforço criativo maior do que é costume, por ser um programa diário, escrito por quatro gajos entre as 9h00 da manhã e a hora de o apresentar, e que tratava dos assuntos de que se tinha falado no próprio dia. Mas também exigiu um esforço, digamos, diplomático.

Para não espantar a caça?
Isso também. Se tivéssemos sido muito acintosos com o primeiro convidado já não teríamos ninguém a seguir. Mas o esforço diplomático principal foi conseguir convencer o primeiro-ministro e a líder da oposição a irem ao programa, o que ocupou muito tempo em reuniões com assessores para lhes explicar o que não ia acontecer. Foi um processo muito demorado, até porque houve um duelo táctico exasperante entre o primeiro-ministro e a líder da oposição: um só iria se o outro fosse. Esse jogo era muito perigoso para nós porque podia prolongar-se eternamente. Só na véspera da estreia do programa é que o PM confirmou que estaria presente no dia seguinte. E, mesmo assim, não deixava de ser uma promessa do primeiro-ministro, não é? Continuei a não dormir descansado nessa noite.

Como é que o convenceram?
Estávamos os quatro a almoçar com o Nuno Santos e a discutir o que seria o programa, e nisto entram no restaurante José Sócrates, Pedro Silva Pereira e o ministro da Justiça. Era uma boa oportunidade para o abordar e o Nuno Santos tomou a iniciativa de falar com o primeiro-ministro, logo ali. Excepcionalmente, daquela vez não falaram do Mário Crespo.

A Vingança do Barbas, do Gordo e do Shrek

Recordações

sábado, fevereiro 20, 2010

Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira

Vamos contar mentiras


HÁ duas alturas em que uma equipa consegue fazer uma época mítica.
Uma é quando os seus jogadores praticam bom futebol, despacham os adversários com goleadas, enchem os estádios.
Outra é quando os seus adeptos se entretêm a inventar mitos. Na impossibilidade de verem a sua equipa cumprir os requisitos da primeira, há colunistas que se vêem forçados a optar pela segunda. É o caso de Miguel Sousa Tavares. A sua última crónica era um soberbo monumento de mistificação. Dizia ele sobre o Benfica: «[n]o último campeonato ganho, o do Trapattoni, (…) nos últimos dez jogos todos os golos dos encarnados aconteceram de penalty e livres inventados ou duvidosos à entrada da área». Ou seja: no ano em que o Porto teve três treinadores, e na mesma época em que obteve o recorde de maior derrota caseira da liga (os célebres 0-4 frente ao Nacional), como conseguiu o Benfica ganhar o campeonato? Como é óbvio, com o auxílio da arbitragem. De outro modo, não se concebe como teria podido superiorizar-se ao fortíssimo Porto de Del Neri, Fernandez e Couceiro. Não houve presidentes do Benfica a receber árbitros em casa, nem vice-presidentes apanhados a oferecer quinhentinhos, nem viagens pagas ao Brasil — mas foi demasiado evidente que os árbitros beneficiaram o Benfica naqueles «últimos dez jogos», em que «todos os golos dos encarnados aconteceram de penalty e livres inventados ou duvidosos à entrada da área». Só há um pequeníssimo problema. É que isto é mentira (lamento, mas não há outra palavra). Nos últimos dez jogos desse campeonato, o Benfica jogou, por exemplo, com o Gil Vicente. Ganhou por 2-0, com um golo de Mantorras de bola corrida, a passe de Manuel Fernandes, e outro de Miguel, também de bola corrida, a passe de João Pereira. Depois, jogou com o Setúbal. Voltou a ganhar por 2-0, com um golo de Manuel Fernandes de bola corrida (belo remate de fora da área) e outro de Geovanni, também de bola corrida, na sequência de jogada pela direita. A seguir, jogou com o Marítimo. Ganhou por 4-3, com dois belos golos de Nuno Gomes, ambos de bola corrida (um a passe de Miguel e outro após centro de Geovanni), outro de Mantorras, em lance de (talvez o leitor já tenha adivinhado) bola corrida, e ainda um de Miguel, em remate de fora da área, na sequência de livre de Simão. E ainda jogou com o Estoril. Ganhou por 2-1, com um golo de Mantorras, após um canto (não um penalty), e outro de Luisão, depois de um livre junto à bandeirola (não à entrada da área). Claro que houve jogos que o Benfica venceu com um golo de penalty, como o Benfica-Belenenses, curiosamente na mesma jornada em que o Porto ganhou por 1-0 ao Marítimo com um golo de McCarthy em fora-de-jogo. Mas, a menos que dez jogos tenham deixado de ser dez jogos, ou que a expressão «todos os golos dos encarnados» tenha deixado de significar «todos os golos dos encarnados», Sousa Tavares inventou um mito.

No entanto, o atraso de uma equipa no campeonato é directamente proporcional à capacidade de efabulação dos seus adeptos. Não se estranha, portanto, que Sousa Tavares tenha prosseguido: «lembro-me bem do penalty decisivo, no último jogo no Bessa, que foi dos mais anedóticos que já vi assinalado». Mais uma vez, é mentira (peço desculpa, mas não há mesmo melhor palavra) que o penalty tenha sido decisivo. O Benfica terminou o campeonato três pontos à frente do Porto. Sem o ponto que aquele penalty garantiu, teria sido campeão na mesma. Resumindo: como o Porto (ainda) não consegue vencer campeonatos estando dois pontos atrás do primeiro classificado, aquele penalty não foi, de todo, decisivo.

Finalmente, a propósito do golo do Braga, diz Sousa Tavares que «entre a saída da bola e o golo decorreram uns trinta ou quarenta segundos em que a bola passou por uns seis jogadores e poderia ter sido umas três vezes definitivamente afastada pelos jogadores do Marítimo antes do belíssimo pontapé fatal de Luís Aguiar.» Permitam-me que atalhe para informar que isto é, como dizer?, mentira. Entre a saída da bola e o golo decorreram, não quarenta, não trinta, nem mesmo vinte, mas dez segundos. E a bola passou por dois jogadores do Marítimo que, no meio de sucessivos ressaltos, não conseguiram sequer tirá-la da grande área. A título de exemplo, compare-se com o golo do Benfica ao Porto. Entre o fora-de-jogo de Urreta e o belíssimo pontapé fatal de Saviola decorreram 13 segundos. E a bola é tocada por quatro jogadores do Porto que conseguem afastá-la para bem longe da área. A diferença é que o lance do Braga é uma minudência, mas o do Benfica é uma mancha que ficará para todo o sempre.

É o que costuma acontecer aos moralistas: tanto tempo a acusar o Benfica de querer ganhar fora do campo, e afinal é o Braga que faz jogadas fora das quatro linhas. Domingos Paciência, que tem historial de estar a olhar para o chão e não conseguir ver lances polémicos, compreendeu o fiscal de linha. Disse que, provavelmente, o árbitro auxiliar não viu a bola fora porque «estava muito perto». Trata-se de uma hipótese brilhante. Pessoalmente, sempre achei que isto de colocarem os fiscais de linha junto da linha era uma estupidez. Em todo o caso, quando o Braga visitar o Benfica, talvez seja bom que Jorge Jesus jogue com dois laterais de cada lado. Um do lado de dentro da linha, outro do lado de fora.

Segundo a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, apesar do que por aí se berrou e dos cabelos que se arrancaram, não é certo que tenha havido penalty sobre Ruben Micael no jogo contra o Leixões. Ruben Micael protestou, mas a verdade é que Ruben Micael protesta contra todas as decisões de todos os árbitros. Aparentemente, alguém deve dinheiro a Ruben Micael, ao menos tendo em conta a superioridade chorona que ele exibe em todas as ocasiões. É muito divertida, aquela indolência sobranceira própria de quem parece estar convencido de que é o melhor jogador português. O drama de Ruben Micael é que nem sequer é o melhor jogador madeirense.

Na Luz, embora o futebol tenha sido menos bom do que é costume, o teatro foi de alto coturno. Comovente, o modo como Bruno Vale, depois de cortar a bola com a mão, tentou enganar o árbitro fingindo ter levado com ela na cara. Foi um bom momento, mas é uma estratégia que não resulta em qualquer estádio. No Dragão, por exemplo, os guarda-redes são expulsos mesmo quando levam com a bola na cara.

Hulk incorreu numa infracção punível com uma pena de seis meses a três anos. Em princípio, se houvesse circunstâncias atenuantes, seria punido com um castigo mais próximo dos seis meses. Se houvesse circunstâncias agravantes, seria punido com uma pena mais próxima dos três anos. Apanhou quatro meses. Recordo que a lei previa um mínimo de seis. A Comissão de Disciplina alega a existência de uma forte atenuante: Hulk foi provocado. Ficou provado que os stewards não insultaram nem agrediram (enfim, o equivalente ao Guarda Abel, como muito perspicazmente têm assinalado vários adeptos do quarto classificado). Mas, ainda assim, conseguiram provocar. As piores provocações são, como sabemos, as que não consistem em insultos nem em agressões. Daí constituírem as melhores atenuantes, e contribuírem para uma punição inferior ao que a lei estipula. Vamos supor que, em vez de uma atenuante, a Comissão tinha identificado uma agravante. Alguém acredita que Hulk tivesse sido punido com um castigo superior ao limite máximo

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Artigo de Opinião de Luís Avelãs

Ainda não foi desta que o Benfica conseguiu regressar da Alemanha com uma vitória no bolso em embates referentes às competições europeias. E, bem vistas as coisas, não deve ter tido muitas oportunidades tão claras para, com relativa facilidade, acabar com esta longa série de 18 partidas (6 empates e 12 derrotas) a "jejuar".

É verdade que as águias empataram e que, em relação ao essencial (seguir em frente na Liga Europa), deram um passo importante, até porque marcaram em terreno alheio. No entanto, quem viu o jogo tem perfeita noção que a igualdade não pode ser encarada como um bom resultado. É que o opositor não é o Bayern Munique ou outra qualquer formação do topo da Bundesliga. Estamos a falar do "lanterna vermelha" do campeonato germânico, um conjunto com 2-3 bons elementos mas que, globalmente, é fraquinho. Isso já se tinha constatado nos duelos com o Sporting e ficou comprovado quinta-feira.

Começando o jogo logo a ganhar (Di Maria tem mesmo queda para marcar na Alemanha), o Benfica fez, de seguida, o que lhe competia: segurou a bola e o jogo. E se é verdade que os locais, numa fase de maior atrevimento, até atiraram ao poste, num lance que podia, perfeitamente, ter acabado na baliza à guarda de Júlio César, creio que o Hertha só evitou a derrota porque o Benfica conseguiu marcar na sua própria baliza.

Depois de Setúbal, também na capital alemã, foi a azelhice momentânea dos benfiquistas (desta vez envolvendo o "marcador" e o guardião) a impedir a concretização de um triunfo que, com maior ou menor dificuldade, deveria ter ocorrido. Ainda assim, reafirmo, a eliminatória está inclinada para o lado português. Objectivamente por causa do golo apontado fora e, em teoria, porque este Benfica está a léguas do Hertha no que diz respeito a potencial e qualidade futebolística. Resta, "apenas", confirmar tudo isso na próxima semana, na Luz...

PS - Se é indesmentível a superioridade dos pupilos de Jorge Jesus neste duelo luso-germânico, convém realçar que, tal como sucedeu em alguns dos embates anteriores, o Benfica voltou a não conseguir uma exibição de qualidade. A temperatura, o desgaste acumulado, a ausência de Aimar no onze, etc, etc são factores que ajudam a explicar essa quebra de rendimento, mas a verdade é que a equipa já rendeu mais. A questão é que, nesta fase da época, é preciso ter resultados positivos apesar das prestações menos conseguidas. Na Alemanha, o 1-1 serviu as pretensões, mas em Setúbal não...

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Hertha Berlim 1 SLBenfica 1 Sofrível!!!


Espaço Prof. Karamba

V. Setúbal - Naval
Olhanense - Sporting
Belenenses - Académica
Rio Ave - P. Ferreira
Marítimo - Nacional
V. Guimarães - Leixões
FC Porto - Sp. Braga

David Luiz em discurso directo

Há algo de especial em David Luiz. Chegou a Portugal com apenas 19 anos e não demorou muito tempo a tornar-se num dos símbolos do actual Benfica. A raça, a alegria e o entusiasmo que deixa em campo transformaram o defesa brasileiro num ídolo para os adeptos benfiquistas, num elemento indispensável para uma equipa que entusiasma as bancadas do Estádio da Luz como há muito tempo não se via.

A idade pouco importa. Aos 22 anos, David Luiz demonstra uma maturidade bem acima da média e muita classe em todas as acções de jogo. É defesa central, mas empolga os adeptos cada vez que sobe no terreno com a bola controlada, já jogou a lateral esquerdo mas, se for preciso, está disposto a actuar como guarda-redes ou ponta-de-lança para ajudar a equipa. Sempre com a vitória em mente, o sucesso que tem tido no Benfica não é muito difícil de explicar.

“Não há muitos segredos, apenas temos que respeitar o público e a instituição que representamos para merecer vestir a camisola do Benfica. A idade representa pouco. Podemos ser jovens aos 34 e maduros aos 20. Na minha idade, julgo que cheguei a um bom compromisso. Amadureci muito desde que cheguei à Europa, gosto do que faço e tenho um tremendo respeito pelos sócios e adeptos que nos apoiam a cada fim de semana no estádio”, revela David Luiz ao FIFA.com.

O brasileiro gosta de assumir a responsabilidade. Pelo tal “respeito aos adeptos e ao clube”, pela consciência que é preciso devolver, dentro de campo, o apoio que sente por parte das bancadas do Estádio da Luz. “Um jogador tem de saber que os adeptos devem ‘cobrar’ e que tem de dar tudo o que está ao seu alcance. Sempre”, destaca o atleta que, também por isso, está disposto a todos os sacrifícios para fazer aquilo de que gosta: “A partir daí, então, podemos falar das capacidades individuais. Sou central, é nesse posto que me sinto mais à vontade, mas se for necessário jogo na baliza ou a avançado! Tenho de dar graças de ter o privilégio de fazer aquilo que amo”, afirma.

Futuro a verde e amarelo
Esta época, David Luiz só falhou jogos por castigo ou por lesão. É um indiscutível no centro da defesa, onde faz dupla com o compatriota e internacional brasileiro Luisão. Apesar de ter saído do Brasil muito novo, tem a consciência que as suas exibições não passam despercebidas no outro lado do Oceano Atlântico, como ponto de partida para um sonho que ainda não se tornou numa obsessão. “Os responsáveis da selecção brasileira estão atentos ao trabalho de muitos jogadores que jogam fora do Brasil”, começa por dizer o defensor.

“Representar a selecção brasileira é algo que qualquer jogador deseja. Mas temos de saber que há muitos e bons jogadores para dar o seu contributo à selecção. É claro que trabalho todos os dias para representar o meu clube e, se a oportunidade de vestir a camisola do meu país surgir, vou agarrá-la com toda a força. Mas sendo um sonho não é uma obsessão!”, garante o central, que já foi internacional Sub-20 com a camisola canarinha.

O Mundial de 2014, que vai ser jogado no Brasil, é, assim, um objectivo ainda distante e, para já, David Luiz tem outras prioridades. Dar seguimento à excelente época que o Benfica tem vindo a realizar, uma vez que o clube da Águia está na luta pela conquista de três competições: campeonato português, Taça da Liga e UEFA Europa League.

“Temos de fazer o máximo por conquistar esses três objectivos. Se vai ser difícil conquistar os três? Seguramente que sim, mas temos o dever de dar o nosso melhor”, destaca o central, perfeitamente consciente que os adeptos encarnados estão ávidos por uma grande festa: “Se tivesse de escolher apenas um objectivo, centrava-me na conquista do campeonato. Acho que é uma alegria que estamos a dever aos nossos adeptos”.

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão

Agarrados à borboleta

Começaram no último fim-de-semana os Jogos Olímpicos de Inverno, na cidade de Vancouver, na costa leste do Canadá.

E perguntarão vocês, caros leitores portugueses, a que propósito é que, nesta altura do campeonato, nos vêm falar dos Jogos Olímpicos de Inverno? O que é que nos pode interessar o esqui alpino, o bobsleigh ou a patinagem em velocidade? O que é que nós, pessoal mais dado à bola, temos a ver com isso?

Por mais surpreendente que possa parecer, a resposta é que sim, que temos muito a ver com isso, como não poderão, certamente, deixar de concordar.

Conhecem, porventura, aquela máxima da Teoria Matemática do Caos: «sempre que uma borboleta bate as asas em Pequim pode vir a provocar um tufão na Califórnia.» Se não conhecem, passam a conhecer. Trata-se de um conceito aplicável às ciências exactas e pretende demonstrar que um acontecimento inócuo, como o bater de asas de uma borboleta, ocorrido numa parte do mundo pode influenciar o curso natural das coisas e provocar um importante acontecimento meteorológico do outro lado do mundo.

Foi justamente o que aconteceu com Carlos Carvalhal e com os tão longínquos Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver, no Canadá.

Na noite de terça-feira da semana passada, assim que terminou o Sporting-Benfica a contar para a Taça da Liga, o treinador do Sporting deslocou-se à sala de imprensa e, durante quatro minutos, perante o pasmo geral, expôs a sua teoria comparativa entre o momento do futebol do Sporting e o clima do Canadá, socorrendo-se de imagens técnicas ilustrativas como «as experiências com balões meteorológicos», «homens com espingardas aos tiros nos balões» e agricultores desesperados com «grandes tempestades» não anunciadas.

A este bater de asas em Lisboa, um pequeno fenómeno para quem teve oportunidade de acompanhar, respondeu, do outro lado do mundo, o citado Canadá, mais propriamente a cidade de Vancouver que, de repente, se viu a braços com uma imprevista crise meteorológica que quase pôs em perigo a realização dos Jogos Olímpicos.

De acordo com a Teoria do Caos, bastou que Carlos Carvalhal, a tantos e tantos milhares de quilómetros, abordasse ligeiramente o tema do inóspito clima canadense para que as estações meteorológicas locais registassem, pela primeira vez em um século, uma média de temperaturas positivas no mês de Fevereiro em Vancouver, obrigando a organização dos Jogos a injectar água nas pistas de gelo, que estavam estaladiças, e a mandar vir das terras altas, a duzentos quilómetros de distância, camiões e camiões com a neve que faltava para que os esquiadores tivessem com que olimpicamente se ocupar.

É esta a prova que quando uma borboleta bate as asas em Pequim pode acontecer um imprevisto climático nos antípodas. Felizmente que as minudências falantes do futebol português não têm grande impacto no mundo sofisticado do desporto, porque, de outra maneira, teríamos agora o Comité Olímpico Internacional e as autoridades canadianas a mover uma aturada perseguição a Carlos Carvalhal, em particular, e ao nosso país, em geral, acusando-o a ele e a nós de termos posto em causa a realização dos Jogos.

No entanto, para a Teoria Matemática do Caos se afirmar na sua plenitude não são precisos milhares e milhares de quilómetros entre a causa e o efeito, não é preciso, de modo nenhum, ir até ao outro lado do mundo para registar as consequência. Na verdade, bastam no mínimo 4 quilómetros, a distância de Alvalade à Luz e, no máximo, 300 e poucos quilómetros, a distância da Luz ao Dragão, para se observar fenómenos idênticos ou, pelo menos, parecidos.

Vejam só como os nossos amigos do Sporting e do FC Porto têm andado, nos últimos tempos, tão agarrados à borboleta, a ver se, do mal o menos, a coisa resulta.

Da estação meteorológica de Alvalade, por exemplo, repetem-se as juras de amor ao Sporting de Braga como legítimo campeão do campeonato sem túneis. O movimento começou em surdina pelos adeptos do clube mas agora o próprio presidente, José Eduardo Bettencourt, já veio clamar publicamente que «gostava que o Braga fosse campeão». É um bater de asas legítimo, sem dúvida, mas profundamente melancólico.

Da estação meteorológica do tetracampeão, o furor tem sido mais intenso, ainda que o FC Porto esteja mais distante do Sporting de Braga do que do Benfica.

Na noite de sábado passado, depois de ter empatado sem golos com o Leixões, em Matosinhos, num jogo que antes considerou ser «determinante» para as «ambições» do emblema que defende, Jesualdo Ferreira, que tem como próximo adversário o Sporting de Braga, entendeu que o melhor que tinha a fazer era juntar portistas e bracarenses no grande saco das vítimas da arbitragem nacional na corrente época.

E, para provar o que lhe é mais conveniente, juntou às suas queixas contra a arbitragem do Leixões-FC Porto as queixas do Sporting de Braga contra o mesmo árbitro, na jornada anterior. «Recordo que este foi o mesmo árbitro que, na semana passada, marcou uma grande penalidade contra o Sporting de Braga e que lhes expulsou um jogador, Moisés, no jogo com o Beleneneses», disse o professor, para quem a possibilidade de ficar a 11 pontos do Sporting de Braga já no próximo domingo não passa de um bater de asas de uma borboleta desde que o Benfica não seja, no final da época, campeão, isto é, desde que não haja tufão em Maio.

Naturalmente, o Sporting de Braga está a gerir em seu favor este apoio moral dos adversários directos e históricos do Benfica. Aliás não há nada de ilegal ou de pecaminoso nos apoios morais. Quanto aos apoios imorais, já é outra história.

E, nesse capítulo, é, jornada a jornada, a própria história que tem vindo a absolver o Benfica das culpas ressabiadas que lhe deitam esta época, em que tem jogado um bocado melhor do que nas anteriores, de manobrar nos bastidores obscuros dos túneis e das arbitragens a troco de favores em fruta, galões claros e escuros e outros populares e imortais géneros de mercearia distribuídos, a granel, por stewards cujo fanatismo os leva à auto-mutilação e por árbitros e observadores que construíram todas as suas longas carreiras a fazer fretes ao Benfica, como tem vindo a ser provado nos tribunais.

O próprio presidente do Sporting de Braga que, pelos vistos, é apenas o segundo ou o terceiro cidadão português mais interessado em que o seu clube seja campeão, também se tem esmerado em porfiar na Teoria do Caos. E, através de comunicados sucessivos, tem vindo a cumprir com o respectivo bater de asas da borboleta, a ver no que dá. No seu último apelo electrónico aos portistas, aos sportinguistas e aos bracarenses, António Salvador insurgiu-se contra «os bastidores» que pretendem afastar o Sporting de Braga do título «com manobras fora das quatro linhas».

Foi em cheio. Uma borboleta bateu as asas no site oficial do clube da Cidade dos Arcebispos e 48 horas depois o Braga ganhava um jogo, ao Marítimo, com uma bola cruzada fora das quatro linhas. São coisas que acontecem, pois com certeza. O papa e os arcebispos ficaram todos calados. E os sacristãos deram a bênção ao lance.

A bem do futebol português, agarram-se à borboleta.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Rathinho - Mais um Fenómeno do Futsal


Memorial Zandinga

Bayern Munich vrs. Fiorentina
Lyon vrs. Real Madrid
FC Porto vrs. Arsenal
Milan vrs. Man. United
Hertha vrs. SLBenfica
Everton vrs. Sporting

Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral

1º Lugar: Vermelho Sempre - 475 pontos

2º Lugar: Jimmy Jump - 470 pontos

3º Lugar: Kaiserlicheagle, Vermelho e JC - 415 pontos

4º Lugar: J. Lobo - 405 pontos

5º Lugar: Fura-Redes - 370 pontos

6º Lugar: Samsalameh - 365 pontos

7º Lugar: Sócio - 345 pontos

8º Lugar: Gui - 315 pontos

9º Lugar. Cuto - 275 pontos

10º Lugar: Chico - 245 pontos

11º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos

12º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos

13º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos

14º Lugar: Lion Heart - 50 pontos

15º Lugar: Pachulico - 35 pontos

O Primeiro de Adu

domingo, fevereiro 14, 2010

Dois Erros Inadmissíveis


Um Grande Golo de Caicedo...

A Frase do Ano ou Quando a Boca foge para a Verdade

"As arbitragens não têm favorecido nada" - Bruno Alves na flash-interview do Leixões vrs. Porto

sábado, fevereiro 13, 2010

Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira

A árvore Calabote numa floresta de Guímaros

Por Ricardo Araújo Pereira

"Quero ver o que vale o Benfica quando jogar em Alvalade" - Eduardo Barroso (ou Vitorino), 28 de Outubro de 2009

Acaba de ser publicado um livro que promete animar a época dos portistas (uma vez que a luta pelo segundo lugar não parece constituir animação suficiente). O autor é uma pessoa idónea, sobretudo na medida em que nunca foi levado por Pinto da Costa a conhecer o Papa. Por paradoxal que pareça, os autores de livros mais credíveis são aqueles que o presidente do Porto não apresenta a líderes religiosos. Isto da credibilidade literária tem subtilezas que só estão ao alcance dos críticos mais argutos.

A obra em causa relata acontecimentos passados há mais de 50 anos — que são, em geral, os mais úteis para se compreender o presente. Trata-se de uma investigação sobre Inocêncio Calabote, o árbitro que foi recebido pelo presidente do Benfica em sua casa na véspera de um jogo. Não, desculpem. Enganei-me. É o árbitro a quem o Benfica pagou uma viagem ao Brasil, assim é que é. Peço desculpa, voltei a equivocar-me. O livro é sobre um árbitro que terá recebido quinhentinhos de um vice-presidente do Benfica. Perdão, ainda não é isto. É um árbitro ao qual o presidente do Benfica mandou oferecer fruta para dormir, conforme comprovado por uma escuta. Apre! Não acerto. Bom, parece que se trata de um árbitro ao qual o Benfica não ofereceu nada e que, em troca, terá beneficiado o clube a ponto de fazer com que o Porto ganhasse o campeonato. Enfim, um daqueles escândalos que nem 50 anos de silêncio conseguem apagar. Mas, reconheça-se, um escândalo que se mantém actual: um árbitro que acabou castigado pela justiça desportiva num ano em que o campeonato foi ganho pelo Porto. Realmente, soa-me a familiar.

Os dirigentes do Braga (ou, como lhe chama Augusto Duarte, o árbitro condenado por corrupção passiva, «o meu Braguinha») afirmam que têm sido prejudicados pela arbitragem. Quem beneficia com o prejuízo do Braga? O Benfica, que está em primeiro e só depende de si para continuar em primeiro? Ou o Porto, que está atrás do Braga e depende de terceiros para o ultrapassar? O Benfica, que luta pelo título — ao contrário do Braga, como sempre têm vindo a dizer os seus técnicos e jogadores? Ou o Porto, cujo presidente sempre disse que o seu principal adversário era o Braga? Ora aqui está uma questão difícil.

O Sporting perde em Braga e os sportinguistas: «O Bettencourt não fala?» Depois, o Sporting é goleado pelo Porto e os sportinguistas: «E o Bettencourt, não fala?» A seguir, o Sporting perde em casa com a Académica e os sportinguistas: «Mas o Bettencourt não fala?» Dias depois, o Sporting é goleado pelo Benfica e os sportinguistas: «Mas porque é que o Bettencourt não fala?» É então que Bettencourt regressa do Brasil e diz: «O objectivo do Sporting é o quarto lugar.» E os sportinguistas: «Porque é que o Bettencourt não se cala?» Ainda assim, não sei se a indignação dos sportinguistas é justa. Quando Bettencourt diz que o campeonato do Sporting é o mesmo que o de Marítimo, Leiria e Nacional, está a ofender mais os sportinguistas ou os adeptos de Marítimo, Leiria e Nacional?

SLBenfica - Belenenses 1-0 Serviços Mínimos Asseguram Vitória



Cardozo
Que mais se podia pedir ao melhor marcador do campeonato? Foi o seu 17ª golo, num total de 23 em todas as provas. É já a época mais produtiva de Cardozo com a camisola encarnada, depois dos 22 marcados no ano de estreia. Um grande cruzamento de Ramires, logo aos dez minutos, terminou na cabeça do internacional paraguaio e coincidiu com o golo que garantiu a vitória da equipa, num jogo aparentemente de fácil resolução. Assim não o foi e Cardozo, uma vez mais, decidiu. Quanto vale um golo de Cardozo?

Coentrão
Na sombra de Di María, encara cada oportunidade como uma confirmação do seu talento. Com a cabeça no Benfica e na Selecção A, junta as forças das duas realidades e arranca, no mínimo, aplausos dos adeptos. Esteve perto de marcar na primeira parte, a cinco minutos do intervalo, quando alinhou a extremo e falhou por centímetros o golo. Na segunda rendeu César Peixoto na esquerda, com Jesus a apostar em mais um avançado. Mesmo mais recuado, ainda tentou assistir Weldon na frente.

Weldon
Começou com um remate torto e o seu trabalho nunca viria a endireitar-se. Não faltaram oportunidades ao avançado brasileiro frente à antiga equipa, que tinha pelo menos a vantagem de conhecer. Mas falhou demasiado, quando era precisamente o contrário que Jorge Jesus esperava. Por duas vezes lançado na frente, uma por Cardozo, outra por Coentrão, em nenhuma conseguiu levar a melhor sobre Bruno Vale. A sete do fim, quando as preocupações da equipa se intensificavam, face à magra vantagem, atirou ao lado um cruzamento de Maxi.

Bruno Vale
«Evitou» o segundo golo do Benfica com a sua condenação, a 12 minutos do fim. Defendeu com a mão um remate de Cardozo, lançado no contra-ataque por Carlos Martins, onde não era permitido, e podia ter acabado nesse momento com a ambição da sua equipa em sair da Luz com um resultado positivo. O pouco trabalho que teve até à entrada de Weldon, conheceu nova dimensão com a entrada do brasileiro, mas o desacerto deste foi sempre um bom aliado. Respondeu, ainda assim, com duas defesas oportunas numa altura decisiva.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Artigo de Opinião de Miguel Góis

Assim se vê a má vontade do Sporting: ao fim de vinte e poucos minutos de jogo, quando o Benfica já ganhava por dois golos, um repórter da SIC informou-nos de que milhares de adeptos leoninos começavam a abandonar o estádio. Era o dado que faltava para ficarmos com a certeza de que o Sporting podia perfeitamente ter dado mais bilhetes ao clube da Luz. Mas, mesmo não lhes fazendo falta, foi essa a decisão do seu presidente, recém-chegado de férias, e chocado por descobrir que nos últimos quinze dias os jogadores do seu clube também não têm estado propriamente a trabalhar. Por exemplo, é escandaloso que durante o jogo de anteontem - e eu consultei as estatísticas - João Pereira só tenha corrido 318 metros.

Outra curiosidade é que o único jogador do Sporting que luta, e que marca, e que defende a camisola seja justamente aquele que há pouco tempo foi descomposto e agredido pelo antigo diretor- desportivo. Consta até, nos corredores de Alvalade, que Sinama-Pongolle está tão desesperado por marcar que já contactou Sá Pinto para este lhe dar um tabefe. Pode ser o início de um novo ciclo. Ontem, dizia Sousa Cintra numa rádio, tentando animar a sua massa associativa: "O Sporting há-de ser sempre o Sporting." É justamente esse o problema, não é? Se o Sporting de quinze em quinze dias fosse o Benfica, não estaria em quarto lugar no campeonato.

Do lado do Benfica, ainda assim há muito a melhorar. Por exemplo, Cardozo tem que pedir aos árbitros se pode passar a marcar as grandes penalidades a trinta metros de distância da baliza.

Lembram-se dele? Que grande Golo!

Uma Bofetada que não me importava de dar a muita gente...

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão

INEVITAVELMENTE, uma pessoa acaba por se deixar contagiar pelo ambiente de indolência moral e de insolvência mental que paira sobre as nossas cabeças como um manto espesso que nos tolhe e encolhe e que, aliás, não vem de agora. É que isto, na verdade, já dura há séculos. Vem este pensamento sombrio a propósito do episódio de violência ocorrido entre o seleccionador nacional de futebol e um jornalista na sala VIP do Aeroporto de Lisboa.

Se é que se pode olhar para estas coisas com bom ânimo, procurando descobrir em cada despautério um aspecto positivo — e essa é a nossa arte nacional —, não haja dúvida que o incidente entre o treinador Carlos Queiroz e o jornalista Jorge Baptista trouxe para a ribalta uma nova realidade, ou seja, uma apetecida transparência no que diz respeito aos conflitos do futebol português que, como é público e notório, sofre de pancada na tola como nunca sofreu.

Basta ouvi-los falar para se confirmar o diagnóstico.

De pancada em pancada, a novidade é que a mais recente cena de trolha, de castanha, com bola ou sem bola, e sem bola neste último caso, primou por escolher um cenário diferente.

Da escuridão dos túneis, quais esconderijos, do defendido anonimato dos intervenientes das ocorrências cavernais, da deficiente qualidade das imagens e das tendenciosas interpretações das mesmas, passou-se, num ápice, para uma sala climatizada do Aeroporto de Lisboa, com sofás estofados e generosa iluminação, com um público tão VIP que nem viaja em classe turística e com acepipes servidos de borla por funcionárias impecavelmente fardadas no lugar dos desmazelados e remediados stewards das situações anteriores.

Inesperadamente, e sem merecimento, a vertente trauliteira do futebol português subiu, de rajada, para aí uns bons cinco ou seis degraus da escalada social e apresentou-se, desta vez, com punhos de renda em ambiente chique. Pois já não era sem tempo.

Deus nos guarde e preserve da verborreia dos moralistas de todas as ocasiões que aproveitam o menor tropeção alheio para clamarem por desinfestações e por despedimentos! São os temíveis legionários por conta própria que zelam pelo bom comportamento de terceiros, senhores de uma vocação ditatorial e que gostam de pregar sermões, não pelos sermões em si, muito menos pela causa ética em discussão, mas porque se comprazem em ouvir-se falar, adoram o som da sua própria voz.

À luz da moral vigente, do histórico pugilístico recente e da cultura de impunidade imperante, continua, portanto, Carlos Queiroz muito bem no sítio onde está, ocupando o cargo de seleccionador nacional de todos nós e da equipa de todos nós, por arrasto de funções.

O facto de ter andado ao soco com um jornalista não lhe diminui em nada o currículo, que aliás é escasso, e a ninguém passaria pela cabeça, tendo em conta a situação geral, que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol forçasse a sua substituição a quatro meses do Mundial da África do Sul.

Há, no entanto, alguns excessos que merecem ser combatidos. O presidente da FPF é, com todo o respeito, um deles.

Ainda Jorge Baptista não começara a acreditar no que lhe tinha acontecido na sala VIP do Aeroporto de Lisboa e já Gilberto Madail vinha explicar ao País que o desacato era de «carácter pessoal» e que não afectava a imagem da Selecção, muito menos a imagem do seleccionador. É que, conclui-se, sendo o seleccionador, em primeiro lugar, uma «pessoa», tem todo o direito ao desdobre em múltiplas personalidades conforme o lugar e a hora onde se encontra.

Vá lá, vá lá, não nos ter vindo dizer Gilberto Madail que foi assim que Fernando Pessoa, que também era uma «pessoa», fez a sua obra, inventando heterónimos para cada impulso criador, já foi uma sorte para o nosso futebol e para a literatura mundial.

De um modo geral, a opinião pública e a comunicação social aceitaram com grande placidez, a justificação do presidente da FPF, a explicação do seleccionador e a descrição dos factos pelo jornalista. Ninguém se esteve para incomodar minimamente com o assunto que, depois de Sá Pinto ter alegadamente agredido Liedson e de Bruno Alves ter alegadamente agredido não se sabe bem quem, não passa de uma perfeita e alegada banalidade sem consequências.

Perante tudo isto, e considerando que as «pessoas» são todas iguais perante a moral comum e independentemente das explosões circunstanciais das suas múltiplas personalidades criativas, é de recear que uma forte e tremenda injustiça esteja prestes a ser cometida no futebol português.

Bastou ler com mediana atenção os jornais de quarta-feira, para se tornar evidente que João Pereira, o azougado lateral-direito do Sporting, não beneficia do mesmo estatuto de redenção concedido a outros agressores nacionais.

Na verdade, com que direito vêm agora os moralistas do costume exigir que João Pereira não possa ser escolhido por Carlos Queiroz para integrar a comitiva portuguesa que vai disputar o Mundial do próximo Verão?

Quando chegou ao Sporting não disse logo o temperamental jogador que estava ali para «morrer em campo»? E se esse foi, objectivamente, um compromisso «pessoal» de Pereira que logo fazia temer o pior, como considerar a sua agressão, a pés juntos, sobre o trinca-espinhas Ramires, sem bola sem nada, como impeditiva de figurar entre os eleitos do seleccionador? Com que moral o querem agora afastar da Selecção?

Enfim, no futebol também há classes.

E uma sala VIP será sempre uma sala VIP, o resto é conversa.

OSporting de Braga, que encanta ver jogar, distanciou-se uma vez mais do Benfica e mantém a mesma diferença de pontos para o FC Porto. O Benfica, que jogou malzinho em Setúbal e um bocadinho menos mal em Alvalade, continua a ter razões de queixa do árbitro portuense Jorge Sousa.

Com a conclusão do inquérito disciplinar aos acontecimentos do túnel de Braga, ficou provado que Cardozo foi mal expulso no intervalo porque só quis apartar as partes em conflito e não agrediu ninguém. Jogando com 10 e vendo um golo injustamente anulado, o Benfica saiu de Braga há três meses tal como saiu de Setúbal, no sábado passado, em perda. O azar foi o mesmo. O azar do Benfica neste campeonato tem-se chamado Jorge Sousa, um árbitro que dá galo ao Benfica. São coisas que acontecem. Como consequência, para se afastar do Benfica, o Sp. Braga tem tido sorte com o mesmo juiz.

Todos sabemos que o futebol é um jogo e que a sorte e o azar fazem parte de qualquer jogo, mas, para tirar as teimas a esta questão, quem é que não gostaria de ver o mesmo Jorge Sousa a apitar o FC Porto-Sporting de Braga que se avizinha? Para vermos quem tem mais azar.

Aterceira edição da Taça da Liga vai ter uma final em grande: Benfica-FC Porto, a 20 de Março, no Estádio do Algarve. Isto, em princípio. Porque vai haver ruído com a data e com o local da festa. É uma previsão, obviamente.

Mais uma Oportunidade para Observar Jara

Espaço Prof. Karamba

Benfica - Belenenses
Nacional - Rio Ave
Sp. Braga - Marítimo
Leixões - FC Porto
Académica - Olhanense
P. Ferreira - Sporting
Naval - V. Guimarães
U. Leiria - V. Setúbal

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Sporting - SLBenfica 1-4 Rotatividade com goleada!







David Luiz
Uma exibição de garra como que a redimir-se do autogolo que obrigou o Benfica a deixar pontos no Bonfim. Abriu o marcador de cabeça, como já (quase) tinha feito em Setúbal, e está na origem do segundo golo, com o passe longo que lançou César Peixoto pelo corredor esquerdo. Com o Benfica balanceado para o ataque, o central mostrou-se mais determinante no meio campo do Sporting, principalmente nos lances de bola parada, do que propriamente a defender.

Di María
Uma permanente dor de cabeça para a defesa do Sporting. O argentino é escorregadio, tem um drible fácil, irrita quem apanha pela frente, obrigando os defesas leoninos a recorrerem muitas vezes à falta para o travar. Assinou o primeiro remate do jogo e esteve nos melhores lances de ataque de bola corrida, quase sempre pelo flanco esquerdo. Só lhe faltou um golo para fechar a noite em grande e na parte final teve, pelo menos, duas oportunidades soberanas, com remates cruzados a rasarem o poste.

Bolas paradas do Benfica
Uma máquina de fazer golos com o carimbo de Jesus. O treinador insiste no aperfeiçoamento destes lances até à exaustão, com resultados práticos nos jogos. Esta noite foram mais dois, um de livre (David Luiz), outro num pontapé de canto (Luisão), mas até podiam ter sido mais. Qualquer que seja a situação que permita colocar a bola na área, os jogadores do Benfica já sabem onde posicionar-se e que movimentos devem fazer. Assim, os golos surgem com naturalidade.

Javi Garcia
«No pasa nada» ou quase nada. Mais uma grande exibição do jovem espanhol que construiu uma verdadeira muralha no meio-campo encarnado, travando tudo e todos que lhe surgiram pela frente, ganhando bolas nas alturas ou pelo relvado, quase sempre por antecipação ou recorrendo ao seu forte poderio físico. Liedson que o diga, depois dos muitos choques contra o muro espanhol.

Cardozo
Mais um destaque de última hora, desta feita para o melhor golo da noite a fechar o pano.

O Homem do Cabelo Branco...

Artigo de Opinião de Fernando Guerra

De toda a maneira, não pude deixar de captar o sentido de oportunidade do apresentador da obra, Rui Moreira, prestigiada figura da vida portuense e distinto colunista de A BOLA, a quem leio todas as semanas com atenção. Como o tema central tinha a ver com Inocêncio Calabote aproveitou logo para fazer a ligação ao túnel de Braga, ao Benfica e aos erros que segundo ele beneficiam o clube da Luz... Bom, insisto na minha. Isso foi há mais de 50 anos, e se, desde então, não conseguiram os partidários do dragão, geralmente atentos e sagazes, descortinar segundo caso, susceptível de permitir uma relação entre algum feito desportivo do Benfica e eventuais favores do pessoal do apito, é porque de facto não existe.

Em contrapartida, orientando o azimute para outras direcções, explodem vários, igualmente interessantes, muito mais recentes e de fácil pesquisa: caso Calheiros ou caso Silvano; caso Correia ou caso Gonçalves; caso Silva ou caso Guímaro. É só escolher...

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Desperdício de Talento...

O Frango da Semana

Gozação muito pouco profissional...

Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral

1º Lugar: Jimmy Jump - 460 pontos

2º Lugar: Vermelho Sempre - 445 pontos

3º Lugar: Kaiserlicheagle - 400 pontos

4º Lugar: Vermelho e JC - 395 pontos

5º Lugar: J. Lobo - 370 pontos

6º Lugar: Samsalameh - 355 pontos

7º Lugar: Sócio - 345 pontos

8º Lugar: Fura-Redes - 320 pontos

9º Lugar: Gui - 315 pontos

10º Lugar. Cuto - 250 pontos

11º Lugar: Chico - 245 pontos

12º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos

13º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos

14º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos

15º Lugar: Lion Heart - 50 pontos

16º Lugar: Pachulico - 35 pontos

Mais um de Franco Jara

domingo, fevereiro 07, 2010

Artigo de Opinião de Fernando Guerra

Nada do que está a passar-se no futebol português, à revelia de princípios a que todo e qualquer desiderato desportivo deve subordinar-se, constitui motivo de admiração para quem minimamente se interessa pelo fenómeno.

Já se sabia que muitas situações estranhas emergiriam se o investimento feito pelo Benfica no reforço do seu quadro de profissionais tivesse retorno imediato, através de melhores resultados, de mais pontos e do acesso ao topo da classificação.

Já se sabia que o FC Porto, obstinado na conquista de outro 'penta', iria activar toda a sua oleada máquina de influências e arregimentar os aliados possíveis para manter desimpedido o caminho que eventualmente o conduzirá a esse desígnio supremo.

Só não se sabia que o Braga resistiria tanto tempo no primeiro lugar, proeza que lhe permitiu adquirir o estatuto de intérprete especialmente privilegiado nessa luta titânica entre águia e dragão. Mas era previsível que o FC Porto arrancasse célere à descoberta de conforto em ombro amigo assim que percebesse não dispor, sozinho, de argumentos suficientemente fortes para travar a ascensão do Benfica. Fê-lo, sem mais demoras, desfrutando de esperada e simpática disponibilidade por parte do presidente bracarense, o qual, sem que fosse necessário pedir-lhe, e a propósito de mero folclore, falou em «manobras estranhas e inqualificáveis que estão a ser urdidas nos corredores do poder tendo apenas um objectivo: parar o Sp. Braga». E empurrar o Benfica, deduzo...

Nenhuma surpresa até aqui, portanto. Apenas falta descobrir se Salvador tem a noção de estar a fazer de papel de embrulho: utiliza-se enquanto for preciso e depois... deita-se fora.

Artigo de Opinião de Domingos Amaral

E-mail aberto

From: Domingos Amaral

To: António Salvador

Caro António Salvador

Esta semana, o senhor declarou que "manobras estranhas e inqualificáveis estão a ser urdidas nos corredores do poder tendo um objetivo: parar o Sp. Braga". Verifico pois, sem surpresa, que aderiu à "Pinto da Costa School" do dirigismo nacional, como aliás quase todos os dirigentes dos clubes portugueses, incluindo Sporting e Benfica. São três os princípios da escola: o primeiro é negar a realidade, o segundo é fazer-se de vítima, e o terceiro é atacar com violência os órgãos decisores que julguem contra o nosso clube, qualquer que seja a situação.

Artigo de Opinião de Luís Avelãs

Faço parte do lote daqueles que, a priori, não acreditavam que o Sp. Braga, já dentro da segunda volta da Liga, estaria em condições de lutar pela conquista do título. A verdade é que, por mérito próprio e não demérito alheio, os arsenalistas seguem na corrida. E só não ocupam, de momento, a liderança da tabela classificativa porque o Benfica conta com uma partida a mais.

Os minhotos, de forma sensacional, despacharam o Sporting fora e em casa e também levaram de vencida FC Porto e Benfica no seu reduto. Tiveram sorte em alguns desses duelos? Tiveram, mas isso não diminui, de forma alguma, a qualidade dos resultados conseguidos. Aliás, não conheço ninguém que ganhe com azar... A formação comandada por Domingos (que cheguei a pensar ser o principal candidato a ser despedido na Liga, após uma pré-época e arranque de temporada "aos soluços") está lá em cima porque, no local correcto (dentro do campo), tem sido melhor que a maioria. Pontualmente - e descontando o jogo a mais das águias - só não possui um registo mais forte que o Benfica, embora também não seja pior e tenha a seu favor o triunfo no confronto directo.

Pouco ou nada habituados a fazer figura de líderes, os bracarenses demoraram a assumir a candidatura ao triunfo final. O treinador, por exemplo, sempre que questionado sobre o tema, não escondia um sorriso traquina, mas fugia à pergunta, adiando uma posição lá mais para a frente.

De repente, Domingos mudou de postura e garantiu que, independentemente das sanções a este ou aquele jogador, a equipa estava preparada para tudo. E logo de seguida foi a vez do director desportivo (Carlos Freitas) se atirar, de peito aberto, a tudo e a todos. Por fim, até o presidente (António Salvador) veio a público denunciar uma campanha orquestrada para derrubar o seu clube, solicitando a união dos sócios e adeptos.

Volto a frisar que o Sp. Braga está a fazer uma temporada notável, mas todo este alarido, de um dia para o outro, só revela nervos. Muitos. E andar com a cabeça longe do essencial não é, seguramente, a melhor estratégia para o clube tentar o que nunca conseguiu. Os minhotos podem perfeitamente alcançar o título. E não serão as ausências de Mossoró (3 jogos) e Vandinho (3 meses) a impedir tal desiderato. Nem tão-pouco a venda de João Pereira, um dos "culpados" pela excelente campanha efectuada. Se a equipa revelar a solidez de quase toda a época, se não tiver receio de jogar "olhos nos jogos" com os opositores, com destaque para os embates com FC Porto e Benfica, o ceptro pode ser mesmo mais que uma miragem.

No entanto, se as forças de responsáveis e equipa se desviar do que realmente importa, se o futebol praticado estiver ao nível do que se viu recentemente nos quartos-de-final da Taça de Portugal (perante o Rio Ave)... chapéu. É que o desaire com os vila-condenses não teve nada a ver com as ausências de Vandinho e Mossoró. Essa explicação não serve.

Artigo de Opinião de Luís Óscar

Cinquenta golos em 18 jogos de campeonato (média de 2,77), nos dias que correm, é uma produção a todos os títulos extraordinária. O Benfica cometeu-a, sob a orientação de Jorge Jesus.

A proeza percebe-se melhor se recordarmos que o último Benfica campeão, em 2005, fez 51 golos. Ou se compararmos com as outras equipas do campeonato: excluindo o FC Porto (35), o melhor que a concorrência fez foi metade (só o Marítimo) dos golos dos encarnados.

A explicação para feitos desta grandeza nunca pode ser encontrada apenas num aspeto dos inúmeros que concorrem para o êxito de uma equipa. A produção da dupla Saviola-Cardozo (com 26 golos são a 3.ª "equipa" mais concretizadora da Liga, atrás do Benfica e do FC Porto) está, obviamente, na primeira linha dos motivos. Sobretudo o rendimento do argentino que potenciou o rendimento de toda a manobra ofensiva.

Mas é de elementar justiça destacar o grande arquiteto desta obra: Jorge Jesus. À sua maneira, com um estilo negligé e, até, pouco ortodoxo, Jesus fez renascer o gosto de ver futebol e, por exemplo, levou quase 35 mil espectadores à Luz numa noite fria de 4.ª feira. Impensável há meia dúzia de meses...

Em fim de semana de auto-golos, aqui fica mais um...

Fabuloso!

V. Setúbal - SLBenfica 1-1 Noite de Bruxas

sábado, fevereiro 06, 2010

Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira

Se Augusto Duarte ainda apitasse, o seu Braguinha estaria em segundo?

Se o Braga tivesse oferecido um prémio de 50.000 euros aos seus capitães de equipa, teria a equipa conseguido ultrapassar o poderoso Rio Ave em casa? É possível. Como não conseguiu, havia que desviar as atenções do facto de, depois de Domingos ter prometido fazer melhor do que na época passada, o Braga ter saído da Liga Europa ainda na 3.ª pré-eliminatória, ter sido eliminado da Taça da Liga exactamente na mesma fase do ano anterior, e ter caído frente ao Rio Ave em casa na Taça de Portugal, quando na época passada tinha sido eliminado pelo Nacional fora. Como sempre acontece, até porque a eficácia do método é comprovada, as atenções foram desviadas à custa do Benfica. António Salvador disse que o Braga não precisa de antecipar jogos para ser primeiro. Não é exactamente verdade. O Braga não precisa de antecipar jogos porque não joga para as competições europeias desde Agosto.

Primeiro, a Comissão Disciplinar da Liga puniu Cardozo com dois jogos de suspensão por actos que todas as imagens demonstram que ele não cometeu. Tudo normal. Agora, a mesma Comissão resolveu punir alguns jogadores do Braga por agressões que as imagens da Sport TV têm a indelicadeza de documentar. Como é óbvio, houve escândalo. O clube que o árbitro irradiado refere nas escutas como «o meu Braguinha» não aprecia a justiça desportiva. Quem diria?

Apareceram finalmente as imagens dos acontecimentos que ocorreram no túnel da Luz — e, como não podia deixar de ser, mostram que a culpa é toda do Benfica. Os jogadores do Porto, depois de, apesar dos três trincos, não terem conseguido suster Urreta, Luís Filipe e seus pares, dirigiram-se para o balneário com uma calma e boa disposição que só as mais infames provocações poderiam abalar. Foi precisamente o que aconteceu. Fernando foi imediatamente provocado pela manga do túnel, e aplicou-lhe um justificadíssimo pontapé. Hulk, que resolveu ficar à espera da equipa de arbitragem, seguramente para a felicitar, foi provocado por Rui Cerqueira, director de comunicação do Porto, que o puxou várias vezes na direcção do balneário, certamente instruído por alguém do Benfica. A seguir começaram as provocações dos stewards, que as imagens não mostram mas constam da nota de culpa da Liga. Em que consistiu a pérfida provocação dos stewards? Fizeram considerações acerca de uma hipotética actividade profissional isenta de impostos levada a cabo pelas mães dos portistas? Levantaram infundadas dúvidas sobre a orientação sexual dos jogadores do Porto ou a honradez das suas esposas? Pior, muito pior. Segundo o documento da Liga, os stewards tiveram a desfaçatez de se dirigirem aos portistas dizendo (e peço desculpa aos leitores mais sensíveis pelo teor dos insultos que reproduzo a seguir): «Vão lá para dentro.» E ainda, como se não bastasse: «Voltem lá para cima.» Estes ordinários, quando toca a ofender, esmeram-se. E depois admiram-se que as pessoas decentes percam a cabeça. Ainda esta semana, segundo o DN, Bruno Alves agrediu Tomás Costa num treino. O Porto não cortou relações com o DN e Jesualdo Ferreira deixou Bruno Alves na bancada, o que parece indicar que o defesa terá mesmo cometido a agressão. Só não se sabe ainda como é que os stewards da Luz se terão infiltrado no treino do Porto, e de que modo conseguiram provocar Bruno Alves a ponto de o fazer descarregar uns bananos no pobre argentino. Mas é óbvio que serão responsabilizados por isso muito em breve.

Na curta visita turística que fez à cidade invicta, o ex-futuro reforço do Porto Kléber terá visto, ainda assim, muita coisa. Se calhar, viu que um administrador da SAD do clube que o queria contratar se demitiu, viu as escutas do presidente do mesmo clube no YouTube, viu um ex-futuro companheiro de equipa a agredir outro no treino e viu as imagens do túnel nos telejornais. Aposto que Kléber decidiu não assinar pelo Porto em cinco minutos.

Pinto da Costa gaba-se de não estender a mão «ao do cabelo branco», mas a equipa «do de cabelo branco» nunca recusa dar uma mãozinha à equipa de Pinto da Costa. Em altura de crise, o Porto sabe que pode contar sempre com o Sporting. E, depois de os sportinguistas terem aplaudido o principal reforço de Inverno do Porto em Alvalade, os portistas retribuíram aplaudindo de pé o golo de Liedson no Dragão. O futebol assim é bonito.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

So Far, So Good by Rupert Fryer

On November 5th last year, I stood patiently inside a Merseyside Press Room, awaiting the arrival of a man who had just masterminded his second comprehensive victory over Premier League opponents in less than three weeks. And comprehensive it most certainly was. Benfica absolutely pummelled Everton for 90 minutes that night, dominating possession from the first minute, they were unlucky to only win by two goals.

When we took our first look at Benfica before their season began back in August, I have to admit, I knew little of Jorge Jesus - but as soon as he marched into the Goodison Park press room that night, I knew Benfica had appointed the right man. He didn’t have an air of authority about him as much as one of the dogged obstinance you might expect to find on the face of a totalitarian leader in Communist Russia. It was a look that urged the gentleman standing next to me to turn and proclaim, “Jesus, he looks intense!” I don’t think the pun was intended – but hats off to that man if it was.

Jesus went on to reveal the game plan he had implemented to perfection earlier that evening, dropping classy Pablo Aimar in favour of a more rigid central midfield of Ramires and Javi Garcia; both sitting deep with wide men either side of them, while Oscar Cardozo and Javier Saviola took turns dropping deep into the space Aimar would usually fill. Jesus admitted: “I came here looking for one point.” After an hour of total Benfica dominance, Jesus introduced little Pablo, and Benfica instantly took the lead through Saviola. “Aimar changed the game” said Jesus, and he did. By the time Cardozo added the second 15 minutes before the end, the game was already over.

What was so important about that night is, not only was it Benfica’s biggest test of the season so far, but they came into the game off the back of their first league defeat, suffered at the hands of Jesus’ previous club Braga. It was the first time his side had failed to score a goal in domestic football, ended in a huge dust-up and was against the team who appeared to be their biggest rivals for the Portuguese Liga. With Sporting going through what their fans may call a transitional period and Porto, as ever, introducing numerous replacements for the star players they lost the previous summer, that 2-0 defeat to Braga was a huge blow for Jesus’ disciples. Since that night at Goodison though, As Águias (The Eagles) have been flying.

They’ve already scored 5 goals or more in a single match on no less than five occasions this season and Paraguayan forward Oscar Cardozo is leading Portugal’s scoring charts with 15 goals in 16 games, his striker partner Javier Saviola already has nine. Ramires has settled instantly, forming a formidable partnership with Javi Garcia in the middle of the park and most notably, Angel di Maria (the club's prize possession) seems to finally be maturing into the talent many seem to think he already is.

Joint top of the Portuguese league, losing just once in seventeen outings, they’ve scored a staggering 47 goals, with just ten conceded; they cruised through their Europa League group winning five of their six games, including that comprehensive 7-0 aggregate double over Everton, while conceding just three goals; their prize possession is reported to have just turned down a mega-lucrative transfer to free-spending Manchester City; the fans are happy, the manager’s happy, the players are happy; all-in-all, it hasn’t been a bad few months for Benfica, whose first eleven includes EIGHT South Americans.

Benfica face struggling German outfit Hertha BSC in the next round of the Europa league and with Hertha currently propping up the Bundesliga table with just two wins in 20 league games, The Eagles look set to soar past a struggling Die Alte Dame (The Old Lady). Those odds of 20/1 you could have got on Benfica lifting the Europa crown five months ago have been cut to as low as 11/1 by some bookmakers.

We’re just about half way through the season now and with the transfer window slammed shut, Benfica not only managed to hold on to every single one of their major assets, but actually added another South American in Alan Kardec (wonderfully named after the French spiritualist whose ideas of achieving enlightenment through communication with the souls of the dead went down quite well in Brazil) and while Jesus insists that the “second half of the season is won only with sacrifice and humility,” Benfica will be telling themselves… so far so good.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

10 Melhores Golos do Benfica na Liga

Porque uma Imagem Vale Mais do que Mil Palavras...

Um Grande Golo ou um Grande Frango? Vocês Decidem

A Liderança e Jorge Sousa

O SLBenfica alcançou a liderança da presente edição da Liga Sagres por duas vezes - ontem e após a partida com o Nacional na Luz a contar para a 8ª jornada.
E o que é que este facto tem que ver com Jorge Sousa, perguntam vocês?
Simples - foi o árbitro nomeado para o jogo seguinte do SLBenfica.
Espero e desejo que o seu paupérrimo desempenho em Braga não conheça repitação, este Sábado, em Setúbal.

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão

Prevê-se um 'derby' muito animado

A crueldade é detestável. No futebol há, frequentemente, campo para a crueldade, que é sempre detestável, quer seja para gáudio das nossas cores ou das cores adversárias. Por exemplo, os «olés» cantados das bancadas para uma equipa em colapso são uma manifestação sombria de mau carácter colectivo e de péssimo desportivismo do público em triunfo.

Se as instâncias legisladoras do futebol proíbem e castigam as manifestações racistas do público — excelente pedagogia —, não se entende como é que deixam impunes os cânticos de humilhação que ferem de morte uma equipa inteira no relvado, e não na arena, mais os suplentes sentados e os adeptos coitados.

Na noite de terça-feira, o Sporting teve uma noite muito infeliz no Porto e quando a goleada chegou à mão cheia, lá surgiram das bancadas os detestáveis «olés» que funcionaram como prolongamento do martírio, como se já não bastasse a derrota e a amplitude do resultado.

Tendo assistido ao jogo pela televisão na companhia, entre outros, de um bom amigo sportinguista, e vendo-o tão abatido com a situação, discretamente peguei no comando e fui baixando o som do aparelho para o poupar à crueldade.

— Deixa estar, não vale a pena — disse-me ele sem tirar os olhos do ecrã.

— É que não gosto de touradas — respondi-lhe, tentando expressar uma solidariedade de carácter social.

— Prefiro ouvir — murmurou como se falasse consigo próprio.

Constate-se que há, também, um certo masoquismo do adepto que sofre quando o sofrimento passa todas as marcas, como foi o caso.

Para o animar ainda lhe disse:

— Pronto, não fiques triste, na próxima terça-feira ganhas ao Benfica para a Taça da Liga e salvas a época — e fiz, como me competia, figas atrás das costas.

Mas nem me respondeu.

Limitou-se a encolher os ombros e, depois de um grande suspiro, proferiu:

— Ah, meu querido Paulo Bento! — o que até nem vinha nada a propósito.

Quando a dez minutos do fim do jogo, os comentadores da TVI anunciaram que Carlos Carvalhal se preparava para fazer uma substituição, um conviva benfiquista, com a mania que é treinador, sentenciou do sofá:

— Se fosse eu mandava entrar o Tiago!

— Que disparate! Trocar de guarda-redes à beira do fim, isso serve para quê? — contrariei-o em nome do bom senso e do respeito devido ao nosso amigo sportinguista que, finalmente, nos surpreendeu a todos com uma tirada de inconformismo.

— Não, não é trocar de guarda-redes. Se este Carvalhal percebesse alguma coisa de bola tinha mandado entrar o Tiago ao intervalo mas tinha lá deixado ficar também o Rui Patrício! E a jogar com dois guarda-redes na baliza talvez tivéssemos evitado esta coisa toda!

— E qual era o jogador de campo que mandavas sair? — perguntaram-lhe, querendo muito que o absurdo do diálogo lhe atenuasse as penas.

— Saía o João Pereira que não está a jogar nada, ainda nem sequer conseguiu levar com um cartão amarelo!

Fez-se silêncio porque, realmente, o nosso amigo do Sporting até tinha razão.

Numa paragem do jogo, a realização repetiu em câmara lenta o segundo golo de Falcao que foi o terceiro golo do FC Porto.

— Este tipo é um génio, deu cabo de nós na primeira parte — disse o nosso amigo sportinguista em mais um acesso de auto-flagelação.

— É bom, é, sim senhor — respondeu-lhe um coro de benfiquistas em jeito de comiseração.

— Vocês são mesmo incompetentes. Como é que deixaram o Falcao ir para o Porto? — atirou-nos de rajada, subitamente acordado do seu torpor.

E, naquele preciso instante, acabaram-se as tréguas entre os rivais da Capital. Estivemos ali nós a consolá-lo, a mitigar-lhe o sofrimento, a acompanhá-lo respeitosamente no transe e atreve-se agora o nosso amigo sportinguista a atirar-nos com farpas cruéis. Ah, não, basta!

— Preocupa-te com o Varela… — ouviu logo.

— Ouve lá, o que o Falcao fez ao Sporting não tem o menor valor! - ouviu logo a seguir.

— Marcou-nos dois golos, acham pouco?

— Até o chinês do Mafra vos marca três golos…

— O Falcao não chega aos calcanhares do Zhang!

Entretanto, mesmo ao cair do pano, Liedson reduziu de 5-1 para 5-2 e, num derradeiro assomo de crueldade, o Estádio do Dragão tributa ao levezinho um pesadíssima salva de palmas. Mil vezes pior do que os «olés», tal como o nosso amigo sportinguista a sentiu.

— O Liedson se tivesse categoria tinha-se recusado a marcar este golo! Isto é de uma falta de profissionalismo… — protestou.

— Então, agora, o Liedson já não tem categoria? — perguntou-lhe uma criança que pululava entre os presentes e que se começava a sentir bastante confusa com as flutuações de opinião.

Nem lhe respondeu.

Voltou a encolher os ombros. Suspirou e disse muito baixinho:

— Ah, meu querido Sá Pinto!

Foi logo abafado por um coro de protestos cívicos. Mas a realidade tem muita força. Acabara-se a Taça de Portugal como quatro dias antes se tinha acabado o campeonato e o nosso amigo, agora, já só tem um interesse: a Taça da Liga.

— Agora, para o campeonato, sou do Braga! — anunciou com grande solenidade.

— E já perguntaste ao pessoal de Braga se te aceita? Podem não estar interessados…

— Agora, se eu fosse o Carvalhal, metia os juniores a jogar contra a Académica, porque é jogo que não nos interessa nada, para estarmos na máxima força contra vocês, na terça-feira!

E nem nos deixou ouvir as flash-interviews.

Prevê-se um derby muito animado.

Óscar Cardozo e Carlos Martins desentenderam-se no sábado no jogo com o Vitória de Guimarães porque, numa jogada de ataque o paraguaio não passou a bola ao português que estava em melhor posição de marcar. Jorge Jesus, no final do jogo, explicou aos jornalistas que Cardozo estava obcecado por oferecer um golo ao seu compatriota Salvador Cabañas, hospitalizado em estado de coma depois de ter sido vítima de um ataque a tiro. Na segunda-feira, os jornais davam conta de que Cabañas tinha melhorado a sua condição, tinha acordado do coma e até já tinha falado.

— Passa a bola, passa a bola, Óscar! — terão sido as suas primeiras palavras.

Força Cardozo!

E Cardozo inaugurou ontem o marcador, na Luz, e somou mais um golo à sua conta pessoal. Podia ter facturado mais o paraguaio, mas ontem o Benfica defrontou-se com um adversário temível: o fiscal-de-linha que acompanhou o ataque vermelho na segunda parte e que conseguiu descortinar foras-de-jogo espantosos a Di María, a Saviola e ao próprio Cardozo.

De facto, está mais madura esta equipa de Jorge Jesus. Os jogadores já nem protestam, limitam-se a sorrir.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Artigo de Opinião de Zé Diogo Quintela

Soube pela imprensa que Pinto da Costa tenciona processar-me. Anunciou-o numa cerimónia do FCP em que também agraciou Bruno Alves com um prémio. Portanto, queixa-se por eu lhe pisar os calos, ao mesmo tempo que louva um jogador que tem por hábito pisar rótulas. Deve ser a isto que chamam a ironia de Pinto da Costa. Segundo os jornais, tem que ver com a minha crónica de há quinze dias, onde ficcionei uma escuta no futuro, entre PC e um árbitro.
Confesso que acho estranho: Pinto da Costa esforçou-se tanto para que as escutas verdadeiras não fossem admitidas em tribunal, mas agora quer que o mesmo tribunal aprecie uma escuta inventada por mim. Realmente, tinha graça que as escutas verdadeiras fossem nulas em tribunal mas as inventadas fossem aceites. Querem ver que a única pessoa condenada por causa de uma escuta relativa ao Apito Dourado ainda vou ser eu?
Diz Pinto da Costa que faltei ao respeito a um clube centenário. O que nem é muito rigoroso: o FCP é um clube bicentenário, já que festejou um centenário em 1993 e outro em 2006. Parece que o mal é eu ter falado na versão da Carolina Salgado. Portanto, se eu me inspirasse antes na versão oficial de Pinto da Costa e de Augusto Duarte, estaria tudo bem.
Para quem não se lembra, essa versão é a seguinte: dois dias antes de um jogo importante para as aspirações do Porto, Pinto da Costa recebe em casa o árbitro que o vai apitar, Augusto Duarte. Diz que a visita é inesperada. As escutas desmentem-no. Diz que a visita não se cruzou com Carolina Salgado.
A visita desmente-o. Árbitro pede a Pinto da Costa favor relativo a seu pai, uma vez que Pinto da Costa tem influência sobre o presidente do Conselho de Arbitragem, superior hierárquico do pai (membro do Conselho de Arbitragem, entretanto condenado noutro processo de corrupção desportiva).
Dois dias depois, o árbitro erra a favor do Porto, não expulsando um jogador aos 15 minutos de jogo. O Porto acaba por se sagrar campeão na jornada seguinte, podendo descansar jogadores para a meia-final da Champions. A justiça desportiva condena o Porto. O Porto não recorre. De facto, esta versão é insuspeita. Só não se sabe é se Pinto da Costa chegou a fazer o tal favor ao árbitro.
Se o processo avançar, fico então à espera que alguém me avise com antecedência, para eu me pisgar para a Galiza. Parece que é assim que se faz nestes casos. No fim, enviarei a conta dos advogados para o FCP. Pode ser que paguem por engano, como pagaram a viagem ao Brasil de José Amorim e família. Aliás, árbitro Carlos Calheiros e família.
Até agora, só por ter trocado alguns mails com os meus advogados, já gastei serviços jurídicos no valor de 2 árbitros e meio. Em preços actuais, não os da tabela antiga, do Juiz Mortágua. Sobre o que disse nestas crónicas, cá estarei para dar a cara. Como o guarda-redes da União de Leiria.

Oh Sport Lisboa, e O Benfica... O Campeão!

Stoichkov o mais Improvável fenómeno musical...

Para Avin Motevaselzadeh o Fair-Play não é uma treta

O avançado persa Avin Motevaselzadeh foi o protagonista de um episódio pouco habitual, um dos raros casos de «fair-play» levado ao extremo. Aconteceu na liga iraniana de futebol, num encontro entre o Aboomoslem e o Moghavemat.

Os da casa acabariam por vencer por 3-0. O resultado poderia ter sido facilmente atenuado por Motevaselzadeh. Não foi, simplesmente, porque ele não quis. O lance começa quando um companheiro de equipa surge frente ao guardião da casa que não teve pejo em dar o corpo ao manifesto para resolver a situação.

Mas a emenda foi de pouca dura e a bola foi parar a Motevaselzadeh. Este, com o guarda-redes caído, a contorcer-se, e enquanto vários defensores da casa tentavam tapar os caminhos da baliza, resolveu atirar a bola propositadamente para fora, para ser prestada assistência ao guarda-redes.

Não fez golo, não ganhou o jogo, mas levou para casa um prémio maior. O respeito de todos os que viram o seu gesto.

Espaço Prof. Karamba

FC Porto - Naval
Sporting - Académica
V. Guimarães - P. Ferreira
Marítimo - U. Leiria
Rio Ave - Leixões
V. Setúbal - Benfica
Belenenses - Sp. Braga
Olhanense - Nacional

SLBenfica - União de Leiria 3-0 Líderes... com Tranquilidade!





Saviola
Esteve «endiabrado». Jogou na direita e na esquerda, sem se fixar num dos flancos (ou mesmo no centro). Foi um quebra-cabeças para os defesas contrários. O 30 encarnado encarou os adversários e conseguiu, muitas vezes, levar a melhor. A jogada com Aimar, que termina com o golo de Cardozo, aos dez minutos, foi «deliciosa». Saviola lutou, correu, deu a marcar e marcou. O golo, apontado aos 60 minutos, serviu para premiar uma noite em que o argentino conseguiu mostrar que alia qualidade a raça.

Aimar
O argentino voltou a fazer uma boa exibição, mostrando que atravessa um bom momento físico, mas também psicológico. O camisola 10 está confiante e isso nota-se no seu futebol. Depois do jogo com o V. Guimarães, questionado sobre o que achava de Jara, que será reforço encarnado, Aimar brincou: «Lamentavelmente é mais jovem que eu!» Mas, quando vemos o camisola 10 dos encarnados a jogar, os seus 30 anos parecem ser irrelevantes. Esta noite não se notou que Pablo Aimar já pertence ao clube dos trintões, quanto mais não seja porque correu quilómetros e voltou a fazer as delícias dos adeptos. Jogou solto e tentou surpreender o adversário, ao não se «colar» a uma zona do terreno. Esteve na jogada do primeiro golo. Um toque (de classe) bastou para fazer a diferença.

Coentrão
Fez um bom passe para Saviola, que aproveitou bem a oferta para fazer o segundo golo do Benfica. Para além disso, começou nele a jogada do primeiro golo - o lateral serviu Saviola. Fez uma boa exibição. O jovem jogador tem garra e não desiste. Perde a bola, mas logo se levanta para voltar a resgatá-la. Pelo menos, esta quarta-feira, foi isso que transpareceu da sua prestação. É rápido e tenta usar a velocidade sempre que pode.

As Imagens do Túnel by João Gabriel

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Uma Questão de Carácter ou da sua Falta...

(Vandinho) «Aduziu ainda que desconhecia até quem era o treinador-adjunto da SL Benfica SAD, uma vez que (entende) não tem obrigação de saber, isto apesar de na época transacta ter sido treinado pelo actual técnico da SL Benfica SAD, Jorge Jesus (e, acrescentamos nós, por Raúl José - v. depoimento deste técnico a fls. 99-102 do Inquérito

Muito mais do que um Almoço...

"Carlos Freitas, Director Desportivo dos "arsenalistas", terá almoçado ontem num Restaurante da Curia com Carlão e Elias, jogadores da U. Leiria, que amanhã defrontam o Benfica, no Estádio da Luz, em jogo antecipado da 20ª Jornada da Liga Sagres." in RR

Bruno Alves Encarnou em Palop...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Artigo de Opinião de José Manuel Delgado

Rivalidades baralhadas...

VIVEU-SE, este fim-de-semana, uma jornada para mais tarde recordar: nunca tantos benfiquistas terão torcido pelo Sporting; nunca tantos bracarenses terão desejado um triunfo do V. Guimarães. Quando faltam 13 jogos para terminar a Liga Sagres, as contas, no que respeita aos dois da frente, estão apertadas e nenhum dos candidatos revela sinais de desgaste. No que toca aos minhotos, merece realce a força mental da equipa de Domingos Paciência, sólida, competente e consistente, jogando um futebol cerebral, baseado na convicção de que os ataques ganham jogos mas são as defesas a ganhar os campeonatos. Pelo lado dos benfiquistas, exuberância, em muitas circunstâncias gosto pelo risco, mas também cabeça: a partir do momento em que Carlos Martins foi expulso, os encarnados mostraram uma cultura táctica muito apreciável, que chegou para conter o derradeiro ímpeto da excelente equipa que é o V. Guimarães. Esta é uma dimensão que a turma da Luz conheceu com Giovanni Trapattoni e que agora foi recuperada por Jorge Jesus.

Mas a ronda 17 da Liga Sagres não se ficou pela manifestação atípica de fervor sportinguista do Benfica e de amor vimaranense do Sp.Braga. Na Choupana e na Luz tornou-se particularmente evidente como é desequilibrado o plantel à disposição de Vítor Pereira, um presidente, ao contrário de outros, sem hipótese de recorrer ao petróleo para reforçar os quadros no mercado de Inverno.

Más decisões, falta de capacidade para perceber o jogo, pecados, enfim, que provavelmente nem com muito treino serão corrigidos. Faz falta, de facto, a aprovação de outros critérios de nomeação que possam permitir a Vítor Pereira um melhor (e menos corporativo) aproveitamento do recursos.

Amanhã, há Taça grande. O FC Porto joga muito; o Sporting joga ainda mais. Um clássico que vai marcar, seguramente, a época.

O Poder da Publicidade

Video de Opinião de Pedro Ribeiro

Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral

1º Lugar: Jimmy Jump - 430 pontos

2º Lugar: Vermelho Sempre - 405 pontos

3º Lugar: Kaiserlicheagle - 375 pontos

4º Lugar: Vermelho - 370 pontos

5º Lugar: J. Lobo e JC - 355 pontos

6º Lugar: Samsalameh - 320 pontos

7º Lugar: Gui e Sócio - 315 pontos

8º Lugar: Fura-Redes - 305 pontos

9º Lugar: Chico - 245 pontos

10º Lugar: Vermelho Nunca e Cuto - 225 pontos

11º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos

12º Lugar: Lion Heart - 50 pontos

13º Lugar: Pachulico - 35 pontos


14º Lugar: Luís Rosário - 25 pontos

As Imagens do Túnel