quinta-feira, março 18, 2010

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão

Diabólica, é a ponta ou é a época?

Falar torna-se, às vezes, muito complicado. Principalmente quando se fala pouco é muito difícil fazermo-nos entender. A culpa é dos eloquentes, que são os que falam muito e, embalados pelo som da sua própria voz, dizem a mesma coisa uma dúzia de vezes, sem vírgulas, sem pontos finais. Para sofrer a experiência basta assistir a programas de televisão cujo assunto em debate seja, por exemplo, o futebol.

Qualquer interveniente que comece por dizer «vou ser muito rápido» demora-se, pelo menos, dois minutos a explicar porque é que vai ser muito rápido, mais dois minutos a perder-se em considerações que não vêm para o caso e outros seis, sete minutos a formular por palavras a sua ideia inevitavelmente muito geral. E com tantas explicações e redundâncias é óbvio que, no fim, os telespectadores dando-se por vencidos, por exaustão, conseguem juntar os pedacinhos todos do muito que ouviram e armar, pelo menos, uma frase que faça algum, ainda que pouco, sentido.

Assim sendo, as pessoas desabituaram-se de apreciar os lacónicos. E, sobretudo, desabituaram-se de os perceber. Ouvir falar os outros tornou-se numa espécie de passatempo sem que o móbil seja o da compreensão. E quanto mais falam mais passa o tempo, sucesso garantido. É caso para se dizer que, nesta altura do campeonato, as frases curtas e o poder de síntese estão condenados ao desdém, à obtusidade e à maledicência, como alguns fenómenos recentes bem o explicam.

Comecemos por Jesus, por definição um incompreendido. Ainda hoje, um incompreendido.

No fim do jogo no Funchal, contra o Nacional, Jesus disse:

— Estamos a fazer uma ponta final de época diabólica!

E sobre este tema não disse mais nada. Deixou-o assim, curto e palpitante, como palpitantes eram os peixes nas redes de Pedro. Logo vieram os fariseus, habituados aos seus próprios longos e insignificantes discursos, desdenhar as palavras do treinador do Benfica, acusando-o de ser um convencido, um vaidoso, porque não entenderam a simplicidade da mensagem.

É que Jesus não disse:

— Estamos a fazer uma diabólica ponta final de época!

E se o dissesse, estaria, pois evidente e desnecessariamente, a elogiar a sua equipa e a elogiar-se a si mesmo, considerando como «diabólica» a «ponta» e não o «final de época» que, esse sim, é mesmo muito puxado como Jesus quis dizer e disse, colocando o adjectivo «diabólico», humildemente a preceito, no final da frase.

No futebol falado as regras são todas ao contrário. Há uma altercação táctica permanente entre formas e conteúdos, sem que nenhum dos campos se consiga impor porque os abusos de interpretação são sempre adulterados por factores exteriores à formulação. E quanto mais curta é a formulação da frase, maiores são os abusos e menor é o entendimento.

Tomemos outro exemplo da semana. O exemplo de Deco. O jogador foi entrevistado no Brasil pela TV Globo e disse:

— Eu não sou português.

É uma grande verdade.

Mas, no lugar de ser elogiado por não ter mentido, e bem merecia o elogio, Deco teve de sofrer os remoques ofendidos dos patriotas lusitanos que lhe exigem que, pelo menos, «finja» que é português em nome da boa consciência do futebol nacional e da sua febre de naturalização de estrangeiros residentes e competentes.

Para se safar à crítica, o jogador brasileiro do Chelsea deveria ter produzido um arrazoado de 12 minutos sobre o seu amor à pátria do Santo Condestável, recitando os primeiros versos de Os Lusíadas, descrevendo as maravilhas naturais do torrão que lhe é querido, salientando as características de amabilidade do povo nativo e, muito principalmente, elogiando as delícias da gastronomia portuguesa, apontando a dedo os nomes de uma dúzia de pratos preferidos e de uma meia dúzia de restaurantes de Norte a Sul do país, para que todos ficassem contentes.

E, no meio disto, mas mesmo lá para o meio da conversa, o nosso Deco até podia dizer «eu não sou português» que ninguém lhe levava a mal, por entre tanta estrofe, eloquência, e bacalhau à Gomes de Sá.

O problema de Deco foi, como não podia deixar de ser, o laconismo da sua honestíssima expressão. Na noite de segunda-feira, Ulisses Morais, treinador do Paços de Ferreira, radiante pela difícil vitória da sua equipa sobre o Marítimo, produziu uma curta frase, não menos honestíssima, que resume todas as qualidades necessárias ao sucesso dentro das quatro linhas:

— Fomos cínicos e traiçoeiros!

E, consequentemente, foram felizes.

O futebol tem, neste campo, particularidades únicas. Tomam-se as qualidades por defeitos e vice-versa. E é por isso que dá panos para mangas, tal a riqueza interpretativa que suscita em Portugal.

No estrangeiro, as coisas passam-se de maneira diferente. Sobretudo nos países anglo-saxónicos, há um amor pelo preciso e pelo conciso que nos é de todo alheio.

Para obter a prova basta assistir, por cabo, a programas de debates ou a entrevistas. Ingleses e norte-americanos não demoram mais de 30 segundos a responder ao que quer que seja. E de tal modo são hábeis e qualificados nesta prática que os telespectadores, em casa, conseguem até lembrar-se da pergunta que foi feita, o que raramente acontece entre nós.

Em Inglaterra, são raros os momentos de eloquência na imprensa escrita ou na televisão. Quanto a momentos de humor, benza-os Deus, estamos conversados. Daí o espanto que não podem deixar de causar as invulgares ironia e retórica com que o cronista do conceituado jornal londrino The Times, esse pilar da velha Inglaterra, se referiu à passagem do FC Porto pelo campo do Arsenal:

— O FC Porto foi tão convidativo como adversário que mais parecia o Burnley disfarçado. Não que Fucile, pelo que mostrou, conseguisse sequer fazer um jogo pelo Burnley.

A conclusão a que se chega é que a Inglaterra já não é o que era. Quanto ao Times, perdeu toda a sua credibilidade centenária. A única pessoa que ainda leva a sério o Times é Jesualdo Ferreira. É a única explicação para a diabólica exclusão de Fucile da equipa que, depois de Londres, foi a Coimbra vencer a Académica.

Vítor Pereira anunciou publicamente que a Comissão a que preside está indecisa. Ainda não foi escolhido que árbitro vai dirigir a final da Taça da Liga. Apenas foi escolhida a cidade de proveniência do árbitro. Será do Porto, o que parece coerente. A Comissão está a pensar se será melhor ideia nomear Jorge Sousa, que recebeu a pior nota da corrente época pelo que fez e não fez no último Vitória de Setúbal-Benfica, ou nomear Paulo Costa, que está em fim de carreira e merece uma despedida condigna.

Mas que ponta final diabólica de época diabólica.

quarta-feira, março 17, 2010

Artigo de Opinião de Luís Seara Cardoso

Houve quem temesse que a deslocação do Benfica à Madeira, no passado fim-de-semana, pudesse fazer perigar a trajetória vitoriosa do conjunto.
A excessiva proximidade do embate com o Marselha, mais as suas sequelas físicas e até emocionais, poderiam resultar num desfecho menos favorável. Afinal, o que se viu?
Uma equipa com uma excelente atitude, soberana nos capítulos dominantes do jogo, que arrecadou mais um precioso triunfo, numa altura em que a competição se aproxima da fase conclusiva.
Até poderá acontecer que a receção próxima ao Sporting de Braga se encarregue de encerrar praticamente as contas do Campeonato.
O Benfica, esta temporada, invariavelmente, depois de um resultado menos conseguido (caso recente do despique com o Marselha), tem conseguido reverter a situação a contento. Foi também assim, depois dos empates com o Marítimo, o Olhanense e o Vitória de Setúbal. Foi também assim, depois dos desaires com o Sporting de Braga e o Vitória de Guimarães.
A razão? Estamos perante uma formação sólida, concentrada, desequilibrante. Este Benfica só pode ser campeão nacional, também por amor à justiça competitiva.
E a nível internacional?
Amanhã, em França, ninguém duvide que tudo fará para prosseguir na Liga Europa, ainda que sabidas as dificuldades que a eliminatória encerra. Não há um Benfica para consumo doméstico e outro para estrangeiro ver. Não há nem poderia haver. O Benfica, soberano a nível nacional, tem recursos bastantes para demonstrar, fora do país, todo o seu potencial. Este Benfica, versão 2009/2010, na sua propensão ganhadora, não tem fronteiras.
Por isso é que também não tem limites.

Mimos...

Porradinha e Beijinho...

terça-feira, março 16, 2010

Artigo de Opinião de Luís Avelãs

Analisar, até à data, a boa temporada do Benfica passa, desde logo, por constatar o alto rendimento ofensivo de Cardozo. O paraguaio, ao invés do que sucedia no passado, convenceu técnico, dirigentes e adeptos e, com naturalidade, conquistou o estatuto de titular. Como é que isso foi possível? De forma simples: o avançado desatou a marcar golos com uma regularidade de fazer inveja a muitos "matadores" do futebol europeu.

Mas Cardozo, como qualquer futebolista, podia fazer ainda mais e melhor. E quando digo isto não estou a pensar no domínio da bola, no jogo aéreo, nos livres directos, na entrega às partidas, no auxílio às tarefas defensivas ou sequer nas combinações com Saviola e restantes elementos com características atacantes, embora tudo isso, é certo, possa ser sempre aprimorado. Estou a pensar em algo diferente: o sul-americano seria um jogador consideravelmente mais valioso se, pura e simplesmente, revelasse uma eficiência normal na marcação das grandes penalidades.

Por mais paradoxal que possa parecer... não considero Cardozo um mau marcador de penáltis (também não acho que seja um dos melhores especialistas do planeta, conforme um dia escutei a um "entendido" da Benfica Tv)! Ele tem força no remate, consegue - na maioria das vezes - iludir o posicionamento dos guarda-redes e, por isso mesmo, tecnicamente não pode ser incluído num qualquer lote de jogadores pouco talhados para a cobrança dos castigos máximos. O problema de Cardozo é outro, é psicológico.

Escrevi aqui, logo após o empate dos encarnados em Setúbal, um texto onde chamava a atenção para o bloqueio que Cardozo demonstra quando, em situações complicadas (com a equipa a precisar de marcar para anular desvantagens ou passar a liderar), está "obrigado" a converter a falta. O tema, pouco tempo depois, volta a suscitar discussão.

Falhar um penálti, seja com Cardozo ou outro qualquer jogador, acontece. E até é normal que suceda de tempos em tempos. No entanto, não deve ser apenas mera coincidência constatar que o avançado desperdiçou quatro penalidades no Campeonato (Marítimo, V. Guimarães, V. Setúbal e Nacional) quando a equipa precisava de marcar. Ao invés, não errou um único sempre que foi chamado a cobrar os castigos com as águias em vantagem.

Tal como defendi no texto anterior, parece-me claro que Jorge Jesus só deveria eleger Cardozo como marcador dos penáltis quando a equipa está na frente. Estatisticamente é essa a decisão lógica. Contudo, já se percebeu que o treinador não está para aí virado. Provavelmente porque pensa que, dessa forma, poderia minar a confiança de um atleta fulcral no conjunto. Compreendo a ideia. No entanto, se seguisse sempre essa linha de raciocínio, o técnico nunca faria uma alteração, pois por mais que ela se justificasse poderia sempre correr o risco de estar a desestabilizar um qualquer futebolista...

A Entrada Assassina da Semana

Uma lesão, no mínimo, Inusitada ou Efeitos Colaterais da Paradinha...

O Regresso aos Golos de Roberto Carlos

segunda-feira, março 15, 2010

A Mística do Benfica segundo Bella Guttman

Video de Opinião de Pedro Ribeiro

Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral

1º Lugar: Jimmy Jump e Vermelho Sempre - 575 pontos

2º Lugar: Kaiserlicheagle - 535 pontos

3º Lugar: JC - 520 pontos

4º Lugar: Vermelho - 500 pontos

5º Lugar: Fura-Redes - 495 pontos

6º Lugar: J. Lobo - 490 pontos

7º Lugar: Sócio - 425 pontos

8º Lugar: Gui e Samsalameh - 405 pontos

9º Lugar: Cuto - 380 pontos

10º Lugar: Chico - 245 pontos

11º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos

12º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos

13º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos

14º Lugar: Lion Heart - 50 pontos

15º Lugar: Pachulico - 35 pontos

domingo, março 14, 2010

Artigo de Opinião de Luís Avelãs

Quando Ben Arfa, já com a partida a caminhar para o final, cabeceou de forma vitoriosa para o fundo da baliza defendida por Júlio César, a Luz gelou. Pouco depois de verem Ramires acertar na trave e, consequentemente, falhar por pouco aquilo que seria um muito agradável 2-0, os adeptos encarnados constataram a complicada realidade: para o Benfica eliminar o Marselha e atingir os quartos-de-final da Liga Europa será preciso, em França, marcar pelo menos uma vez e, ao mesmo tempo, não perder o jogo.

Quem sofre um golo, ainda por cima em casa, nos últimos instantes de um encontro e com isso vê escapar entre os dedos uma previsível vitória... é normal falar em azar. E, objectivamente, faz sentido ter esse sentimento de frustração quando sucede o que se viu na Luz. Porém, se tivermos em conta que, bem antes, com o "placard" ainda a zero, os gauleses (com o ex-portista Lucho em plano de evidência) desaproveitaram várias soberanas ocasiões para facturar, talvez tenhamos de aceitar o empate como um desfecho justo face aos que se passou nos 90 minutos.

O Benfica, ao contrário do que tem sido normal esta época em casa, não foi uma equipa asfixiante desde o apito inicial. É certo que o colectivo foi conseguido levar perigo à baliza marselhesa, mas nunca com aquele ímpeto que tem sido característico. Faltou alegria, criatividade e eficiência (no passe e no remate). Demérito dos pupilos de Jesus? Um pouco (nomeadamente por parte de Aimar, que reapareceu sem o ritmo adequado e com escassa inspiração), mas essencialmente mérito dos gauleses que, pelos vistos, fizeram bem o trabalho de casa e souberam controlar as iniciativas dos principais construtores do futebol atacante das águias.

Agora, em Marselha, o Benfica vai ter um teste "a sério". Se a equipa revelar o arcaboiço que muitos lhe reconhecem, poderá, perfeitamente, eliminar o adversário. Contudo, já se sabe, para o conseguir terá de estar perto do seu melhor nível. Já todos vimos, esta temporada, o que pode fazer a turma de Jesus. No entanto, agora vai ser preciso brilhar exactamente no dia, hora e local agendado. E as distracções, como a do último minuto do jogo da Luz, são proibidas ou poderão ter custo bastante elevado.

Nacional 0 SLBenfica 1 Tudo o que Cardozo Desbaratou, Tudo o que Cardozo Ajudou a Conquistar



Cardozo, pois claro

O melhor marcador do Benfica não teve muitos espaços mas deu que fazer, principalmente, na segunda parte. Após falhar a grande penalidade, Cardozo marcou e viu Bracalli negar-lhe o golo de seguida. O Tacuara desperdiçou mais um penalty, mas também resgatou os três pontos para os encarnados. É o que dá estar no sítio certo.

Coentrão quer ir ao Mundial

Fábio Coentrão surgiu a defesa-esquerdo e mostrou que Carlos Queiroz pode contar com ele nessa posição. Se a defender não teve grandes problemas para resolver, a atacar mostrou grande velocidade e capacidade técnica. Esteve perto de marcar aos 46, mas Bracalli defendeu melhor.

David Luiz a todo terreno

Se no centro da defesa David Luiz não deu hipóteses a Edgar Silva e companhia, o central também mostrou serviço em terrenos mais avançados. E foi sobre si que foi cometida a grande penalidade.

sábado, março 13, 2010

Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira

Misteriosos desaparecimentos

(…) só há duas coisas que eu odeio, quando se referem a mim: que me tirem o Miguel do nome e que me ponham a dizer uma palavra que eu nunca uso: «algo»

(…) reconfortando-se ao encontrarem-se uns aos outros na missa algo despovoada desse domingo na vila

(…) eu atravessaria a rua como se flutuasse dentro de um sonho ou de um pesadelo, algo de irremediável se teria então quebrado para sempre

Miguel Sousa Tavares


E, de repente, deixou de se falar no túnel da Luz. Confesso que estou preocupado. Talvez valesse a pena as autoridades competentes lançarem o alerta do costume: «Desapareceu das colunas de opinião o túnel da Luz. Da última vez que foi visto usava uma estrutura de metal coberta por uma lona branca com a marca dos pitons do Fernando. Se alguém possuir informações que nos possam levar ao seu paradeiro, por favor contacte a Polícia de Segurança Pública.» O mais chocante neste desaparecimento é o facto de serem precisamente as mesmas pessoas que mais lembraram o túnel da Luz aquelas que agora o esquecem. Foram meses de análises, lamentos, acusações, queixinhas, vigílias, comunicados — tudo em nome do túnel. Subitamente, depois de duas goleadas e um empate em casa com o 13º classificado, o túnel desapareceu. De repente, as opções do professor Jesualdo são duvidosas, o plantel é pobre, os reforços são fracos, a estratégia falhou e o modelo de gestão morreu. E o túnel? Com que desumanidade se descarta assim uma infraestrutura que, ao longo de tantas semanas, cumpriu com brilhantismo o seu papel de bode expiatório de todos os fracassos? Houve vigílias contra o modelo de gestão? Não. O plantel uniu-se para emitir um comunicado a condenar a sua própria falta de qualidade? Claro que não. Foi tudo feito sempre a pensar túnel, no mesmo túnel que é agora injustamente esquecido. A ingratidão é muito feia.

Mesmo tendo feito uma época menos boa, o clube da estrutura — ah, a estrutura! — continua a dar lições. No Benfica, onde a organização é fraca e a estrutura inexistente, dirigentes e adeptos têm celebrado o bom futebol, as goleadas e a liderança do campeonato. Um erro, evidentemente. São entusiasmos que não se admitem numa gestão altamente profissionalizada. No Porto, a estrutura — ah, a estrutura! — é sólida e não embarca em euforias. O presidente olhou para a tabela, verificou que se encontrava num prometedor terceiro lugar e, com toda a sensatez e realismo, prometeu o título de campeão a vivos e a defuntos. É assim que se gere um clube. Temos muito a aprender.

À chegada de Londres, Pinto da Costa não aproveitou a presença das câmaras e dos microfones para fazer uma das suas habituais e divertidas ironias, ou para atacar o centralismo, ou para declamar José Régio. Na verdade, Pinto da Costa nem sequer apareceu. O gesto, como sempre, foi mal interpretado. Não há, na atitude de Pinto da Costa, a mais pequena falta de solidariedade nem de coragem. Na verdade, foi um gesto de verdadeiro portista: a equipa tinha acabado de fazer história na Europa, e Pinto da Costa não quis roubar o protagonismo aos jogadores e treinador. Quando os jogadores são contratados, é ele que os descobre, que os negoceia, que tem a argúcia de os roubar ao Benfica. Quando levam cinco de um Arsenal desfalcado de Fabregas, Van Persie, Gallas, Djourou, Ramsey e Gibbs, é altura de se reconhecer o mérito ao professor Jesualdo. Há um tempo para tudo.

quinta-feira, março 11, 2010

SLBenfica 1 Marselha 1 Desconcentração Inadmissível Compromete Eliminatória


Artigo de Opinião de Leonor Pinhão

Genial, presidente, genial!

Na última jornada, no Restelo, Liedson construiu por mérito próprio a bonita proeza que, na penúltima jornada, Di María, em Matosinhos, também tinha conseguido atingir mas que Lucílio Baptista, esse grande benfiquista, não permitiu que fosse para valer. Marcar quatro golos num só jogo é obra!

E, por isso mesmo, estão os dois, o brasileiro e o argentino, de parabéns.

O ressurgimento efectivo do Sporting neste terço final da época tem suscitado muitas análises e muitas interrogações por parte dos especialistas da matéria. Como é possível que uma equipa que parecia atirada ao tapete consiga sacudir a poeira, levantar-se do chão e, de uma assentada, eliminar o Everton, golear o FC Porto e despachar o Belenenses?

Uns explicam o fenómeno com os dotes reanimadores de Carlos Carvalhal, outros com a entrada de Costinha para um posto directivo e ainda há quem acredite que o anúncio da contratação de um novo treinador para 2010/2011, ao contrário do efeito cientificamente esperado, causou uma positiva onda de choque no balneário, porque o futebol tem destas coisas…

No entanto, perante os factos, é de crer que estão todos errados. O Sporting deve a sua reanimação única e exclusivamente ao Benfica, cuja força anímica está de tal modo em alta que até dá para emprestar as sobras a terceiros. Recordemos, por exemplo, os minutos finais do Sporting-Everton para a Liga Europa. Depois de ter perdido por 2-1, na primeira-mão, em Liverpool, chegou, em Alvalade, aos 2-0 e os ingleses, como lhes competia, e ainda que muito incompetentes, tentaram fazer o golo que lhes permitisse, no mínimo, chegar ao prolongamento.

E isso é que não podia, de maneira nenhuma, acontecer!

Três dias depois de jogar com o Everton, cabia ao Sporting receber o FC Porto e não convinha mesmo nada, ao Benfica, pois claro, que a equipa de Carlos Carvalhal fosse obrigada a cansar-se, a jogar mais meia hora quando tinha, imperiosamente, de se apresentar frente aos tetracampeões fresca e luzidia como uma alface, como veio a acontecer.

É, portanto falso ou, pelo menos, incompleto, afirmar-se que os benfiquistas só torceram pelo Sporting durante o jogo com o FC Porto. Os benfiquistas já tinham sofrido, e muito, pelo Sporting no jogo com o Everton perante a desagradável possibilidade de o jogo seguir para prolongamento.

Esta vaga de simpatia vermelha e interesseira pelas cores verdes emprestou à equipa do Sporting uma dimensão verdadeiramente nacional, raramente experimentada pelos seus jogadores que, pelos vistos, adoraram a novidade da experiência. Por exemplo, Liedson, o herói sportinguista do Restelo, revelou à imprensa no início da semana tudo o que lhe vai na alma sobre o assunto.

Escutemo-lo: «Eu já tinha um respeito grande pelo Benfica e os adeptos do Benfica por mim, porque eles sabem que eu estou no Sporting a fazer o meu trabalho», disse o levezinho com grande desenvoltura e leveza. E foi ainda mais longe: «A maioria dos benfiquistas, quando me encontra diz: 'Você é um grande jogador, mas está na equipa errada.' Mas são todos sempre muito educados comigo.» Pois com certeza que somos, caro Liedson.

Ficaram esclarecidos?

Mais uma vez, Liedson resolveu.

Desta vez resolveu as dúvidas que pairavam sobre as razões da sensacional recuperação do Sporting. Está provado que é o Benfica que lhes anda a dar moral. Os sportinguistas nem sabem a sorte que têm. E Liedson não sabe a sorte que tem por já ter Sá Pinto a uma considerável distância…

É que Sá Pinto não ia achar graça nenhuma a uma coisa destas.

Ia alta a madrugada quando stewards, ao serviço do Benfica, esperaram pelos jogadores do FC Porto no Aeroporto Sá Carneiro no Porto e os provocaram com insultos e ignomínias várias. Enfim, o costume…

Os jogadores do FC Porto, desta vez, não responderam às provocações. Nem sequer Hulk esboçou qualquer tentativa de desagravo.

Não valia a pena. Depois da sua exibição em Londres, ciente de que a sua cláusula de rescisão tinha subido para os 150 milhões de euros, o poderoso avançado brasileiro deitou contas à vida, fez-se egoísta, e chegou à conclusão de que lhe mais valia estar quieto.

Fez muitíssimo bem. À primeira caem todos, à segunda cai quem quer…

A absurda quantidade de túneis cavados pela linha avançada do Arsenal nas linhas defensivas do FC Porto deixaram a comitiva portista sem capacidade de reacção.

Entre todos, foi Raul Meireles, o herói da qualificação portuguesa para o Mundial da África do Sul, quem apelou ao bom senso das massas revoltadas com uma frase pragmática e digna de respeito: «Ainda existem três troféus para ganhar!» E existem mesmo.

Raul Meireles é um excelente profissional e um jogador que todos admiram independentemente das paixões clubistas. Pauta-se, normalmente, por discursos razoáveis, distantes da propaganda oficial. No momento presente, ao serviço do seu clube, o FC Porto, não tem sido especialmente feliz dentro das quatro linhas, mas são coisas que acontecem aos melhores.

E se Raul Meireles pensar que na corrente temporada apenas marcou dois golos nas balizas adversárias, exactamente o mesmo número de golos que o nosso grande David Luiz marcou na sua própria baliza, há-de concluir que muita coisa está explicada.

O presidente do FC Porto não foi visto nem achado no Aeroporto Sá Carneiro quando os stewards contratados pelo Benfica, acentue-se porque é importante, provocaram os seus jogadores com insultos e ignomínias várias. Fez bem em não estar.

Genial, presidente, genial.

O Benfica joga hoje à noite a primeira-mão dos oitavos-de-final da Liga Europa. Ora aqui está um jogo que não tem importância nenhuma. O objectivo desta época é, como diz Jesus, o campeonato nacional e o resto serve apenas para entreter.

Menos importante do que a Liga Europa, só a Taça da Liga nacional. Que sejam dois bons entretenimentos e basta.

Genial, presidente, genial.

quarta-feira, março 10, 2010

Espaço Prof. Karamba

Sporting - V. Guimarães
Nacional - Benfica
Sp. Braga - Rio Ave
Leixões - V. Setúbal
Académica - FC Porto
P. Ferreira - Marítimo
Naval - U. Leiria
Olhanense - Belenenses

Artigo de Opinião de Luís Freitas Lobo

Benfica-Braga: um duelo que brinca com a história do nosso futebol. Os méritos dos campeões podem vir dos locais mais improváveis.
Por cada vez que ele, com as orelhas quase parecendo asas, arranca pelo seu flanco canhoto ou surge, olhos esbugalhados, mais enquadrado com a baliza, o jogo parece torna-se numa cena de "Alice no país das maravilhas". A personagem principal não tem, no entanto, o traço imaginativo de Lewis Carroll. Foi antes inventada por outro criativo, Jorge Jesus, o treinador que resolveu reescrever o futebol táctico de Di María, antes apenas um malabarista que tanto fintava adversários, como a seguir se fintava a si próprio. Agora, até parece que voa. Um 'Dumbo esquelético' que faz a turba benfiquista saltar. O Benfica de Jesus vive actualmente na terra do 'futebol das maravilhas'. Ganha e joga bem. É uma obra com cimento táctico (equilíbrios defensivos, Javi Garcia e a dupla Luisão-David Luís) e técnico (a conexão argentina, Aimar com a batuta, Di María e Saviola a inventar).

Depois da dinastia espanhola Camacho-Quique de futebol 'cinzento', acendeu-se a Luz, o futebol 'a cores' de Jesus. O maior desafio que enfrenta agora (após a queda do FC Porto) parece ser aguentar essa sua própria qualidade futebolística até ao fim. Não se deixar dominar pela chamada 'fadiga táctica'. Quando, apesar de fisicamente os jogadores continuarem bem, os índices de concentração táctico e mental (que influi na eficácia de posicionamento e dinâmica de jogo) já não são os mesmos.

Neste contexto, um ponto parece mais do que realmente é. Distância curta que é a base do 'sonho impossível' do 'pequeno herói' de início de época, o Braga de Domingos, que, insolente, chega a esta recta final como que abrindo uma porta secreta da sua própria existência como clube. O crescimento futebolístico do Braga tem diferentes espelhos. A qualidade das equipas (bons jogadores, bons negócios) e seus treinadores. Poucos terão reparado, mas os actuais treinadores dos grandes (Jesualdo, Jesus e Carvalhal) passaram pelo banco do Braga nos últimos quatro anos. Um simples detalhe que diz muito da avançada visão do futebol bracarense. Um ciclo (2005-2010) onde, claramente, se assumiu como o 'quarto grande' do futebol português. Domingos é o quarto elemento na senda dos seus antepassados tácticos. Não é difícil prever-lhe também o futuro no comando de um grande. Mais do que o título, o Braga pode conquistar algo mais sólido: o futuro entre a 'elite dos grandes' do nosso futebol. Isto porque, entre este Braga e o Boavista campeão em 2001, não existe qualquer ponto de contacto em termos de bases de sucesso. As do Braga são, claramente, mais sustentadas à face da relva (balneário e corredores da sua própria estrutura).

Domingos tem uma ideia de jogo diferente da de Jesus. Este seu Braga, apesar dos jogadores serem quase os mesmos, é, na forma de jogar, muito diferente. No sistema (de 4x1x3x2 para 4x2x3x1) e no modelo (mais jogo apoiado do que saídas rápidas). Por isso, sente mais dificuldades agora por não ter o pilar do seu plano de jogo: o dono da organização defensiva, Vandinho. Na entrada para cada jogo decisivo, o Braga, para além da 'pressão mental', enfrenta agora também a 'pressão táctica'. É o 'futebol de pressão' na sua máxima expressão.

É um duelo (Benfica-Braga) pelo título que brinca com a história do futebol português. Quase que o vira de pernas para o ar. Apontar o final mais lógico - a vitória do grande - tanto pode ser uma conclusão fácil como insensível aos perigos da história. Porque, no futebol, os méritos dos campeões são sempre diferentes e podem vir dos locais (e estilos) mais opostos. Mesmo os mais improváveis.

Publicidade e da boa...

Vingança Genital

Legal ou talvez não...

Para Descontrair

Entrevista com o Boinas (integral)

terça-feira, março 09, 2010

O Jornalismo que (não) se faz em Portugal...

"Marselha com uma alteração para a Luz
O treinador do Marselha, Didier Deschamps, chamou 20 jogadores para o encontro da primeira "mão" dos oitavos-de-final da Liga Europa com o Benfica, esta quinta-feira, no Estádio da Luz.
Em relação ao jogo deste fim-de-semana com o Lorient (1-1), em casa, para a Liga francesa, o técnico gaulês adicionou o jovem Alexander N´Doumbou à convocatória.
Heinze, Rodriguez, Gnabouyou e Rool, todos lesionados, e Aucun, castigado, não são opção para o embate com os “encarnados”."

in, ABola

Video de Opinião de Pedro Ribeiro

Golão de um Talento que merece regressar à Europa

segunda-feira, março 08, 2010

Artigo de Opinião de Luís Avelãs

FC Porto e Sp. Braga vacilaram no sábado e o Benfica, como lhe competia, aproveitou no domingo. Ao derrotar, em casa, o Paços de Ferreira, por 3-1, a equipa encarnada não só recuperou a liderança isolada da Liga, como viu a sua vantagem aumentar para 3 pontos. Contudo, ao contrário do que se escuta por aí, não se pode dizer, desde já, que o assunto do título esteja resolvido. As águias seguem na frente, possuem mais e melhores soluções que os minhotos (os portistas, como referi pouco depois do empate caseiro com o Olhanense, abdicaram de vez), atravessam um momento de forma notável mas, tudo somado, isso não garante nada, a não ser uma maior percentagem de favoritismo. É que ainda faltam 8 jornadas...
No desporto profissional, quase tudo está bem quando se ganha, da mesma forma que quase tudo está mal quando se perde. Por outras palavras, a eventual coroação da equipa encarnada fará de Jorge Jesus o grande vencedor da temporada futebolística em curso. Contudo, depois do caminho traçado até agora, a não conquista do título será um choque tremendo para toda a "nação encarnada" e, como sempre, deixará o treinador fragilizado perante muitos adeptos. É que independentemente da caminhada na Liga Europa, de um hipotético sucesso na Taça da Liga e do bom futebol apresentado, a temporada só será boa se o principal objectivo for alcançado.

Cada vez são mais as pessoas que dizem ser o Benfica a equipa que melhor futebol pratica em Portugal. Aí estou de acordo. Com algumas excepções pontuais, isso é mesmo verdade. E é exactamente por isso que também é a turma da Luz que mais vence (17 partidas), a que mais golos marca (59) ou, visto de outra forma, a que menos vezes perde (1 jogo) ou a que menos golos sofre (12).

Diante do Paços de Ferreira - que foi "só" das equipas mais positivas e atrevidas que esta época actuou no reduto das águias - o Benfica assinou uma clara demonstração de força. Marcou 2 golos nos primeiros minutos, criou ocasiões para acertar mais vezes na baliza superiormente defendida por Coelho e, tenho a certeza, se o adversário não tivesse revelado capacidade para reagir com classe... teríamos assistido a outra goleada das antigas. E nem o golo dos visitantes quebrou a vontade encarnada. Após o normal abalo, cedo fizeram o 3-1 e, até final, nunca deixaram de tentar mais golos. Com Jesus, outra das virtudes, é que a equipa descansa pouco à sombra das vantagens e que o duelo seguinte só começa a preocupar quando acaba o actual.

Com 8 jogos pela frente, creio que o Benfica será campeão se ganhar os quatro embates que lhe restam em casa, até porque o próximo é precisamente contra o Sp. Braga. E sabendo que na Luz, em 11 jogos, as águias venceram 10 vezes e apresentam um saldo de 36-5 em golos... esta é uma forte possibilidade.

Mas, como já referi, os minhotos também estão na corrida. E convém recordar que foram eles os únicos, em 22 encontros, a conseguir bater o Benfica. Contudo, assumo, já vi a turma de Domingos mais forte. Nos últimos jogos pareceu-me algo permeável. Porém, tenho a certeza que, se vencer o Rio Ave, em casa, na próxima ronda - e independentemente do que suceder com o Benfica, na Madeira, perante o Nacional -, irá à Luz disposta a tudo.

PS - Outra das chaves para o eventual sucesso dos encarnados é chegar ao Dragão, na penúltima jornada, a poder não precisar dos 3 pontos. É que se é verdade que o FC Porto já parece fora deste "filme", jamais estará de fora se puder decidir o final da "película".

Entrevista com o Boinas

Uma Declaração Elucidativa!

"Ao longo dos anos, provámos que vendemos jogadores e temos sempre equipas conscientes e capazes de tornear dificuldades e voltarem aos campeonatos".

De quem são estas palavras?

Lourenço Pinto, actual Presidente da Associação de Futebol do Porto e ex-Presidente do Conselho de Arbitragem

Partiu-o Todo...

Artigo de Opinião de Santos Neves

Benfica: mérito e muito proveito

NADA de decisivo, mas horizonte bem mais radioso para o Benfica, um pouco nublado para o Sp. Braga e muitíssimo escuro para o FC Porto.
Ao mérito benfiquista juntaram-se a escorregadela bracarense em Setúbal (onde também o Benfica empatara – único deslize nos últimos 9 jogos) e o definitivo corte do FC Porto, embora anunciado uma semana antes, com o objectivo de ser pentacampeão.
E até o tudo por tudo pelo 2.º lugar e consequente hipótese de acesso à Champions dos muitos milhões perdeu terreno: mantêm-se os 8 pontos de atraso, mas minguou o espaço para recuperação.
Faltam 8 jornadas, o Benfica deu forte passo em frente, mais vincou ser a melhor (mais espectacular, eficaz e sólida) equipa... até agora.
As próximas duas rondas poderão ser cruciais: Nacional-Benfica e... Benfica-Sp. Braga. Sabendo-se que, depois, continuará a ser do agora mais firme candidato a campeão o mais difícil calendário.
Sporting em espectacular retoma de eficácia: 10-0 nos últimos 3 jogos (Everton, FC Porto e Belenenses, grandes vítimas)!
E, no 4-0 de ontem, impressionante pleno de Liedson. Tantos meses terrivelmente perdidos, senhor leão...

Artigo de Opinião de José Manuel Delgado

JORNADA intensa, no que respeita aos lugares do topo, a que hoje termina com o duelo entre vimaranenses e nacionalistas.
Enquanto o FC Porto mostrou que está em perda, confirmando o flop de Alvalade, o Sp. Braga reafirmou-se, apesar do empate em Setúbal, como um dos dois candidatos ao título nacional.
O outro pretendente à sucessão do FC Porto, o Benfica, tinha um jogo tremendamente difícil, contra o Paços de Ferreira, não só do ponto de vista meramente desportivo mas também psicológico.
Por um lado, os castores, que tiraram, esta época, quatro pontos ao FC Porto, são organizados e duros de roer, pelo que nunca entrariam, como não entraram, na Luz, apenas para cumprir calendário; por outro, porque ao Benfica, vindo de duas exibições fulgurantes (Hertha e Leixões) era pedido, pelos 43 mil adeptos que rumaram à Nova Catedral, não só que mantivesse a alta bitola artística, mas que também não frustrasse a possibilidade de deixar os arsenalistas a três pontos e os dragões a... onze. Respondeu, à altura, a equipa de Jorge Jesus.
Que terá, contudo, num Sp. Braga que abdicou da Europa, um rival temível.
Para já, antes de se saber o que acontecerá na eliminatória entre Benfica e Marselha, uma coisa é certa: os encarnados vão ter de realizar, nos próximos dias, três jogos de tremenda intensidade - dois com os franceses, para a UEFA, e um outro, na final da Carlsberg Cup, contra o FC Porto - enquanto que Domingos Paciência poderá recuperar e reagrupar os efectivos para as batalhas que se seguem.
Assim, há muito ainda a esperar, em incerteza e emoção, desta Liga Sagres.
Mas, esta semana, a Europa também tem FC Porto e Sporting, equipas que vão colocar todos os ovos nos cestos dos embates com Arsenal e Atl. Madrid.
Aliás, para os dragões, com o acesso à Champions de 2010/11 periclitante, aquilo que vão jogar na terça-feira no Millenium Stadium é muito mais do que um mero jogo de futebol.

Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral

1º Lugar: Jimmy Jump - 545 pontos

2º Lugar: Vermelho Sempre - 540 pontos

3º Lugar: Kaiserlicheagle - 495 pontos

4º Lugar: JC - 490 pontos

5º Lugar: Vermelho - 485 pontos

6º Lugar: Fura-Redes e J. Lobo - 450 pontos

7º Lugar: Gui - 405 pontos

8º Lugar: Samsalameh e Sócio - 385 pontos

9º Lugar: Cuto - 350 pontos

10º Lugar: Chico - 245 pontos

11º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos

12º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos

13º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos

14º Lugar: Lion Heart - 50 pontos

15º Lugar: Pachulico - 35 pontos

Ironia mais fina é impossível...

Verdadeira obra de arte colectiva

sábado, março 06, 2010

Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira

Os calimeros do túnel

Olhei para o Estádio do Mar, pouco depois do jogo começar: campo pequeno, relvado impróprio para jogar bom futebol e a favorecer quem defende. Público da casa que apenas queria ver a sua equipa bater o pé ao «grande», jogasse como jogasse, equipa disposta a fazer-lhe a vontade, recorrendo a todos os truques do anti-jogo que vêm nos compêndios, árbitro conhecido pela sua paixão benfiquista e pelos danos causados ao FC Porto ao longo dos tempos. Estavam reunidas todas as condições para o F.C.Porto encostar. E encostou

Miguel Sousa Tavares
16 de Fevereiro, 2010

Até prova em contrário, nas últimas duas semanas o campo de Matosinhos não cresceu. O relvado, tendo em conta as condições atmosféricas, estava igual ou pior.
O público, infelizmente, não foi submetido a sessões de reeducação que lhe tirassem aquela vontade malévola e incompreensível de ver a sua equipa ganhar.
A equipa, à medida a que o campeonato se aproxima do fim e ela mesma se aproxima do fim da tabela, estará cada vez mais disposta a fazer a vontade ao público.
O árbitro era, como são todos, conhecido pela sua paixão benfiquista. E foi certamente imbuído do mais profundo benfiquismo que invalidou um golo limpo aos visitantes ainda com o resultado em 0-0.
Estavam reunidas todas as condições para o Benfica encostar. E encostou.
Encostou o Leixões à sua baliza e não saiu de lá enquanto não lhes meteu quatro batatas no bucho.
Mas, claro, para o Benfica é fácil. O Porto tem tudo contra si.
O clima deseja que o Porto perca.
A relva deseja que o Porto perca. O próprio público adepto das equipas adversárias tem a desfaçatez de desejar que o Porto perca. Assim é complicado.

Depois de um pungente comunicado, de uma vigília de protesto e de várias proclamações de união e fervor regionalista, o Porto foi até Lisboa ser goleado. Perder por 3-0 costuma ser doloroso; perder por 3-0 contra este Sporting é especialmente humilhante. O facto mais espantoso da noite, porém, foi outro: José Gomes, adjunto do Porto, foi expulso no intervalo do jogo. Expulso depois do apito, imagine o leitor. Só a custo consegui conter a surpresa. Toda a gente sabe que os elementos da equipa do Porto só reagem mal às derrotas que sofrem em Lisboa se forem fortemente provocados pelos stewards da Luz. Que cabala obscura terá estado na origem da expulsão de mais um anjinho injustiçado? Que agravo ignóbil, que intolerável insulto? Por azar, o caso ocorreu quando ainda se discute o túnel da Luz, e na semana em que se recordou uma agressão antiga, também de um jogador do Porto, e também num estádio da região da Grande Lisboa. Fernando Mendes agrediu, na Amadora, um bombeiro — que a Comissão de Disciplina da Liga e o Conselho de Justiça da Federação consideraram interveniente no jogo. Mas como, se o bombeiro não está sujeito à disciplina desportiva? A questão não se colocou. Mas e se os clubes contratarem bombeiros e os industriarem no sentido de causarem graves danos físicos aos jogadores adversários? Ninguém se lembrou de perguntar. Porquê? Porque o castigo, com a duração dos mesmíssimos três meses aplicados a Hulk, foi decidido 13 meses depois dos acontecimentos, já Fernando Mendes representava o Belenenses. A diferença é que, agora, o castigo foi decidido ao fim de dois meses mas, ao que parece, os portistas vão passar 13 meses a queixar-se.

Receio bem que as constantes referências às toupeiras do túnel remetam para segundo plano os calimeros do túnel, bicharada que merece protagonismo superior. As toupeiras do túnel, pelos vistos, limitaram-se a escavá-lo — o que não constitui grande proeza. Mas a actividade dos calimeros do túnel é bem mais vasta. Os calimeros do túnel carpiram a ausência do Hulk, injustamente castigado só por ter participado num espancamento, fizeram comunicados públicos, e organizaram vigílias que só não foram mais participadas porque manifestantes como Bruno Pidá, por exemplo, tinham outros compromissos. Falta uma greve de fome e uma queixa na ONU, mas acredito que os calimeros do túnel terão o discernimento de diversificar as suas formas de luta pela justa libertação do mártir espancador. Mesmo sendo benfiquista, não posso deixar de apoiar todas estas iniciativas. Eu também não tenho dúvidas de que um dos factores que explicam o terceiro lugar que o Porto ocupa é esse túnel maldito que os privou de dois jogadores: mais precisamente, o túnel do Marselha, por onde costuma entrar em campo Lucho González, e o túnel do Lyon, no qual costuma ser visto Lisandro López. Mais: como benfiquista, eu sei bem o que uma equipa sofre por ficar privada de elementos mais ou menos influentes. Não me esqueço de que, por não poder utilizar Di Maria, Fábio Coentrão e Aimar, o Benfica conseguiu ganhar apenas por magro 1-0 a um Porto na máxima força, com Hulk e tudo. Obter resultados fracos assim custa, bem sei.

quinta-feira, março 04, 2010

Saviola & Cardozo - The unstoppable strikers

Um Grande Golo de Arnautovic

O Brilhante Desempenho de Cardozo no Regresso à Titularidade na Selecção

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão

O capítulo do dinheirinho

Tal como os sportinguistas viveram um grande dilema na semana passada — a hipótese de uma vitória sobre o FC Porto afastava, teoricamente, da discussão pelo título um rival do Benfica —, também os benfiquistas vão viver por este mês de Março um dilema, ainda que bastante mais pequeno.

Sabendo-se que o campeonato é a prova que Jorge Jesus quer mesmo e muito ganhar, e está no seu direito, trata-se de saber qual é a mais importante das outras duas competições em que o Benfica está ainda envolvido. A Liga Europa ou a Taça da Liga? Na Liga Europa, o Benfica tem por adversário na próxima eliminatória o Olympique de Marselha, contra quem joga a 11 e a 18 de Março, quanto à Taça da Liga, o Benfica jogará a final desta competição interna a 21 de Março, no Algarve, apenas três dias depois do encontro da segunda-mão, em França.

É exigir demais ao Benfica e a Jorge Jesus uma abordagem altamente qualificada para estes dois compromissos de diferentes dimensões. Eis o dilema. Os dilemas, enfim, nem são coisas más.

Os responsáveis da Liga que elaboraram o calendário da prova também tiveram certamente um dilema. Tendo à vista, como não podiam deixar de ter, o calendário das competições da UEFA, tiveram de escolher entre marcar a final da Taça da Liga em cima de uma eliminatória da Liga Europa, prejudicando o Benfica ou o Sporting, se tivesse eliminado o Benfica na meia-final da Taça da Liga, ou marcar a final da Taça da Liga em cima de uma eliminatória da Liga dos Campeões, prejudicando o FC Porto.

Optaram por beneficiar o FC Porto por motivos puramente patrióticos. É que a Liga dos Campeões rende mais do que a Liga Europa e o importante é fazer entrar divisas no país para dinamizar a economia nacional. O capítulo do dinheirinho é muito importante.

Também os adeptos portistas, segundo consta, vivem actualmente num dilema. Depois de Alvalade, resolveram todos, por unanimidade, desistir da luta pelo título, o que não deixa de ser estranho. E dividem-se agora entre os que preferem ver o Sporting de Braga campeão e o Benfica em segundo lugar, significando isso que o FC Porto perderia o acesso à próxima Liga dos Campeões, do que se dar ao amargo incómodo de apanhar o Braga e roubar-lhe o segundo lugar, significando isso que o campeão seria o Benfica.

São momentos dramáticos na vida dos adeptos e todos, em circunstâncias diferentes, já passámos por menoridades destas.

No entanto, não são os adeptos do FC Porto que gerem o emblema. São os administradores e executivos da SAD. E, neste capítulo, o dinheirinho é o mais importante, pelo que o dilema portista, actualmente, apresenta contornos bem definidos. Do lado dos que querem ver o Braga campeão, não se importando com a ausência na Liga dos Campeões de 2010/2011 estão, exclusivamente, os adeptos do FC Porto. Do lado dos que querem ver o Benfica campeão e que desejam muito ver o Braga perder pontos, de modo a assegurar a entrada na milionária competição de clubes, está a SAD do FC Porto.

Que não brinca em serviço, naturalmente.

Depois de seis anos e meio no Egipto e de uma mais rápida comissão de serviço em Angola, Manuel José regressou a Portugal carregado de títulos e honrarias e prepara-se, segundo ele, para viver os últimos anos da sua carreira abraçando um projecto ainda sem nome mas que lhe permita «continuar a vencer». Na noite de segunda-feira, Manuel José foi o convidado do programa O Dia Seguinte, na SIC Notícias, e foi aquilo que se pode chamar um excelente entrevistado, falando sempre abertamente, sem medo de penalizações, sobre os altos e baixos da sua carreira, sobre as particularidades imortais e o momento presente do futebol português e sobre o seu futuro incerto como treinador.

Falou também sobre os seus colegas de profissão, traçando a divisória entre os que vêm das universidades e os que, como ele, vêm «do terreno» e elogiou dois companheiros «do terreno», Paulo Bento, por ter feito «um trabalho fantástico sem meios no Sporting», e Jorge Jesus, por um conjunto mais amplo de méritos que lhe atribuiu.

Um desses méritos foi o de ter transformado Angel Di María, que no ano passado «mais parecia um maluquinho a jogar à bola», num grande jogador de futebol com mercado entre os poderosos emblemas da Europa.

Di María, por obra da sua exibição em Matosinhos na última jornada do campeonato, foi, naturalmente, a figura do fim-de-semana futebolístico e, de certo modo, o exemplo prático de como o Benfica começa a saber ultrapassar os escolhos dos adversários ultra-motivados e das más arbitragens, respondendo da única maneira desejável e possível às mais flagrantes injustiças. Ou seja, marcando golos e ganhando jogos e deixando-se de lamechices.

Este espírito competitivo e anti-lamecha demora tempo a construir e com este espírito instalado é de crer que o Benfica teria sabido, na primeira volta do campeonato, não soçobrar mentalmente ao golo limpo e invalidado de Luisão, com que atingiria o empate no jogo com o Sporting de Braga, teria sabido esperar um bocadinho no relvado, ainda em Braga, antes de regressar à cabina ao intervalo, evitando a expulsão de Cardozo e teria sabido, em Olhão, não se espantar com o vendaval dos rivais.

Em Matosinhos, o golo incrivelmente anulado a Di María teve o condão de não abrir o marcador, como seria legítimo, mas teve também o condão de lançar o jovem argentino e a equipa para um repor da verdade desportiva que só pecou por exagero. E, este ano, sempre que o Benfica se deixa de lamentações e resolver embalar, não há árbitros, nem fiscais-de-linhas, nem adversários que o parem.

De tal modo que, terminado o jogo, nem Jorge Jesus, nem os jogadores perderam tempo a falar do árbitro que, por acaso, era esse grande benfiquista chamado Lucílio Baptista. E falar para quê? O Benfica ganhou bem e limpo, soube resistir à imediatamente anterior pressão causada pela vitória do Braga sobre o Olhanense, soube resistir à tempestade e a um erro fulcral da arbitragem…

Compreenda-se o silêncio benfiquista. No entanto, Lucílio Baptista, cujo erro não prejudicou a vitória do Benfica sobre o Leixões, acabou por prejudicar seriamente o Benfica noutro capítulo menos importante: o capítulo do dinheirinho.

Muito zangado com o árbitro e com o fiscal-de-linha deve estar o empresário de Di María. É que, em termos de projecção internacional, há toda uma diferença de mercado entre marcar três golos num jogo ou marcar quatro golos num jogo, como realmente sucedeu.

Com arbitragens destas nunca mais atingimos a cláusula dos 40 milhões!

Espaço Prof. Karamba

U. Leiria - Leixões
Rio Ave - Naval
V. Setúbal - Sp. Braga
Belenenses - Sporting
Marítimo - Académica
V. Guimarães - Nacional
FC Porto - Olhanense
Benfica - P. Ferreira

Genial, Presidente! Genial!

Uma fatia maior do dinheiro gerado pela Liga dos Campeões deverá ser atribuído a clubes que não participam na competição. É esta a perspectiva de Fernando Gomes, dirigente do FC Porto presente no encontro da Soccerex, que decorreu hoje em Manchester. "Creio que a forma como as verbas da Champions League são distribuídas tem de ser analisada e alterada, por forma a dar mais dinheiro aos clubes e a equilibrar as competições domésticas", alertou.

"Se os clubes que não estão presentes na Liga dos Campeões receberem mais dinheiro, podem comprar melhores jogadores e aumentar a qualidade da competição. Se não conseguirem fazer isso, a qualidade decresce e o fooso interno aumenta", continua o vice-presidente dos "dragões".

A UEFA distribui cerca de 6,5 por cento das receitas anuais da Champions pelas 53 associações, num pacote que designa por "pagamentos de solidariedade", reservando um mínimo de 413 milhões de euros para as 32 equipas que entram na Liga dos Campeões. No melhor dos cenários, as equipas com mais sucesso na Champions podem encaixar um máximo de 40 milhões de euros por época.

Fernando Gomes entende que este desnível na repartição das verbas prejudica os países mais pequenos. "Por exemplo, o Debrecen, da Hungria, obteve 50 por cento das suas receitas totais pelo simples facto de chegar à fase de grupos. E há exemplos semelhantes no APOEL (Chipre) e no Unirea (Roménia). Este dinheiro desequilibra seriamente os campeonatos", alerta.

No seu primeiro ano de existência, em 1992-93, a Liga dos Campeões gerou 45 milhões de euros de receita. Actualmente, movimenta 1,15 mil milhões de euros. Guillaume Sabran, director de marketing da UEFA, sublinhou no fórum que este valor é susceptível de continuar a subir. "Estamos sempre à procura de formas de maximizar receitas para os clubes dentro e fora da competição, mas cabe aos decisores determinar como esse dinheiro é atribuído".

terça-feira, março 02, 2010

Manuel José - Exemplo de Independência!

Artigo de Opinião de Nuno Farinha

Estranha falha de memória

Ricardo Costa, o presidente da comissão disciplinar(CD) da Liga, tem estado permanentemente debaixo de fogo e pior ficou com o famigerado caso do "Túnel da Luz".
A onda de contestação tem chegado, sobretudo, do Dragão e de fazedores de opinião mais próximos do FC Porto.
Entre outras criticas imputadas a Ricardo Costa no processo de Hulk e Sapunaru por agressões a um Steward(quatro e seis meses de respetivamente), reclama-se do tempo que correu entre os factos e a decisão. Esse Benfica-Porto jogou-se a 20 de Dezembro, o presidente da CD comunicou a 19 de Fevereiro. Passaram praticamente dois meses.
Ora, num Estrela da Amadora-FC Porto realizado a 28 de Fevereiro de 1997, Fernando Mendes agrediu um bombeiro de serviço no Estádio José Gomes.
A agressão do defesa dos dragões ficou provada e a Liga puniu o jogador com três meses de suspensão e 310 mil escudos de multa ao abrigo da mesma norma pela qual este ano foram sancionados Hulk e Sapunaru(art. 115º do Regulamento Disciplinar).
A questão é que, no caso de Fernando Mendes, a CD decidiu a...3 de Abril de 1998: 13 meses depois. A recuperação deste episódio será, por si só, o maior elogio que é possível fazer ao desempenho de Ricardo Costa.
Mais: um processo que demorou 13 meses a concluir resultou, então, num acórdão com sete páginas, contra as cento e vinte e duas no caso mais recente, tratado-relembre-se-em menos de dois meses e com férias natalícias no meio.
Por fim: o bombeiro da Amadora (Joaquim Grilo) foi considerado "interveniente do jogo com direito a acesso e permanência no recinto desportivo" e o tal artigo-115.º-que serviu para castigar Fernando Mendes nasceu num tempo em que o presidente da comissão Executiva da Liga era o José Guilherme de Aguiar.
E como pode agora um Steward (que, por força da lei, passou a ser obrigatório nos estádios) ser visto de forma diferente?

Artigo de Opinião de Nuno Madureira

A noite em que Di María marcou mais golos do que em dois anos e meio de presenças na Liga pode valer por um momento de viragem na carreira do argentino. Desde a sua chegada a Portugal, não foi difícil perceber-lhe o potencial: fantasista, criativo, enérgico, Angelito começou cedo a semear promessas pelos relvados portugueses.

O problema, durante muito tempo, foi que as promessas se traduziam em escassos resultados práticos. De golos, nem era bom falar: apenas um no primeiro ano e quatro no segundo, dos quais somente dois na Liga. Nas assistências, o panorama não era muito melhor: quatro no primeiro ano, apenas duas no segundo.

O talento continuava lá, bem visível em momentos avulsos. E o estatuto de internacional reforçava-se, com chamadas constantes à selecção. Mas por cada instante mágico, quantos dribles em excesso, quantas bolas perdidas para o adversário?

A diferença entre o exibicionista inconsequente do passado e o desequilibrador temível da época em curso está bem vincada nos números. Oito golos em jogos oficiais e seis assistências na Liga tornam o rendimento de Di María digno do jogador de elite que há tanto tempo se espera ver confirmado. Mesmo que a euforia goleadora no Mar seja difícil de repetir, Angelito, que já tinha assinado um dos momentos mais espectaculares da temporada, está cada vez mais perto de deixar de ser apenas um menino bonito das bancadas. Este Di Maria é um valor acrescentado para qualquer equipa.

Filho de Castro "Asterix" Santos à Panenka...

Porradinha aos Molhos...

segunda-feira, março 01, 2010

Gala do 106º Aniversário do SLBenfica

Brilhante

Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral

1º Lugar: Jimmy Jump - 520 pontos

2º Lugar: Vermelho Sempre - 515 pontos

3º Lugar: Kaiserlicheagle - 465 pontos

4º Lugar: JC - 455 pontos

5º Lugar: Vermelho - 450 pontos

6º Lugar: Fura-Redes - 445 pontos

7º Lugar: J. Lobo - 430 pontos

8º Lugar: Samsalameh e Sócio - 385 pontos

9º Lugar: Gui - 380 pontos

10º Lugar. Cuto - 330 pontos

11º Lugar: Chico - 245 pontos

12º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos

13º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos

14º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos

15º Lugar: Lion Heart - 50 pontos

16º Lugar: Pachulico - 35 pontos

2 Golos e 1a Assistência de Urreta

domingo, fevereiro 28, 2010

Artigo de Opinião de Pacman

Esta enorme dor de corno, espalhada por muitos mais clubes, será uma motivação extra para a rapaziada que apoia o Benfica


O que há de comum nas bancadas dos estádios do Sporting de Braga, Sporting Clube de Portugal e Futebol Clube do Porto? Há que, nas bancadas dos mesmos, é possível ouvir cânticos anti-Benfica em todo e qualquer jogo que se dispute nos seus relvados.

O Braga pode estar a jogar contra o Belenenses, mas aquilo que os adeptos cantam várias vezes durante os noventa minutos é a versão ressabiada e hardcore 1º escalão do "glorioso SLB", onde a palavra "glorioso" é substituída por um adjectivo muito pouco abonatório para as mamãs dos benfiquistas. Esta enorme dor de corno, espalhada por muito mais clubes do que aqueles acima referidos, será uma motivação extra para a rapaziada que apoia o Benfica, reafirmando inequivocamente aquilo que todos nós já sabemos: que o Glorioso é grande como nenhum outro será neste país.

A situação está longe de ser pacífica e quando este estranho fenómeno acontece fico chateado e feliz a um tempo. Chateado porque obviamente não gosto que chamem nomes à minha querida mãe, e feliz porque não posso deixar de me regozijar com a tacanhez medíocre de muitos daqueles que mais que apoiar outros emblemas, odeiam o benfas. Já os benfiquistas são um pouco diferentes e no dia em que nas bancadas do Estádio da Luz se passar uma quantidade absurda de tempo a difamar uma equipa que nem sequer por ali anda vai ser o dia em que não há corrupção na política, por exemplo.

Claro que as claques terão algumas palavras para os adversários, mas quer-me parecer que a malta guarda isso para as ocasiões em que com eles se confronta. A verdade disto tudo é que nós somos muitos e indefectíveis no amor que dedicamos ao nosso clube, maior do que quaisquer ódios de estimação que possamos ter.

No último jogo, para a Liga Europa, tivemos mais de trinta mil na Luz, numa terça às cinco da tarde. Muitos há que, mesmo que escancarassem as portas sem cobrar entradas, nem um terço deste número alcançariam em tal dia. Por isso, cantem à vontade.

sábado, fevereiro 27, 2010

Mais um de Makukula...

O 1º de Keirrisson

Leixões 0 SLBenfica 4 Di Magia Show!






Di María

Noite de sonho para o internacional argentino. Realizou a melhor exibição desde que está em Portugal, justificando o louco cerco que lhe montam no estrangeiro. A jogar assim, definitivamente, será complicado ao Benfica segurá-lo, ainda por cima em ano de Mundial. Fez o primeiro «hat-trick» com a camisola encarnada e ainda viu um golo mal anulado, num lance em que apareceu rapidíssimo nas costas da defesa do Leixões. Mais rápido que a própria sombra. Tão rápido que até enganou o auxiliar. O que se pode pedir mais? Para quem ainda tem dúvidas pode-se sempre auxiliar dos dois últimos golos na partida, duas autênticas obras de arte. Roubou o protagonismo esta noite. Todos os outros destaques parecerão efémeros, comparados à noite de Di María.

Eder Luis

Estreia a marcar na Liga, num lance em que gozou de alguma sorte, mas teve o mérito de arriscar, quando os caminhos pareciam tapados. Em abono da verdade, não fez muito mais que isso, ressalvando-se que estava a jogar numa posição que não costuma ser a sua.

Airton

Na estreia na Liga deu para notar que ainda não tem o desembaraço e dinamismo de Javi García, mas sai do encontro com nota positiva. Não parece ser exímio na arte de construir jogo, mas compensou com disciplina táctica e abnegação. Um caso a rever em jogos de maior grau de dificuldade. Saiu lesionado, num lance em que caiu mal após uma bola dividida nas alturas.

Carlos Martins

Mostra vontade a cada toque na bola. Entrou apenas no segundo tempo, ainda muito a tempo de participar na festa. Primeiro, num remate potente que passou junto ao poste. Depois com a assistência para o golaço de Di María. Um dos principais rostos da avalanche ofensiva que foi o futebol do Benfica no segundo tempo.

Jean Sony

Algumas iniciativas com moderado sucesso animaram as hostes da casa. Pela primeira vez titular com Castro Santos, o haitiano colou-se à linha na direita e deu que fazer a Fábio Coentrão. O mais agitado do Leixões, apesar da segunda parte mais comedida.

Pouga

Se bater a defesa encarnada não é tarefa fácil, fazê-lo sozinho é hercúleo. O Leixões foi sempre uma equipa mais preocupada em fechar os caminhos para a sua baliza do que em tentar marcar, mesmo depois de se apanhar em desvantagem. E, por isso, Pouga ficou sozinho no ataque a maior parte do tempo, à frente de duas linhas bem definidas. Lutou muito, mas só isso não chega. Com João Paulo ao lado, o rendimento não subiu muito. A culpa não será dele, mas fica como o símbolo na impotência do Leixões.

Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira

Deus os livre dos castigos, que do ridículo é mais difícil

INDIGNADO com certas falcatruas, Rui Moreira deu o braço a Fernando Madureira, dos Super-Dragões, e foi manifestar-se para a sede da Liga de Clubes com o intuito de moralizar o futebol português. Os dois adeptos do clube cujo presidente cumpre neste momento uma pena de suspensão de dois anos por tentativa de corrupção estão compreensivelmente preocupados com determinadas injustiças. Sabemos todos que os sócios do clube que pagou uma viagem ao Brasil a Carlos José Amorim Calheiros são particularmente sensíveis aos atentados à verdade desportiva. Não admira: os adeptos do clube cujos dirigentes foram escutados a providenciar o fornecimento de rebuçadinhos, café com leite e fruta para dormir a certas equipas de arbitragem sempre foram extremamente exigentes no que toca à lisura e à honradez. Por isso, Rui Moreira não podia ter deixado de fazer ouvir a sua voz em uníssono com a de Fernando Madureira, protagonista do livro O Líder, obra na qual relata alguns episódios curiosos ocorridos com a claque que dirige. Sobre o modo como os Super Dragões adquiriram ingressos para um Braga-Porto de 1995, por exemplo, diz Madureira, e cito: «Pelo que se comentava, muito do pessoal tinha notas falsas para comprar os bilhetes e ainda trazer troco.» A propósito de uma paragem dos Super Dragões na auto-estrada, a caminho de um Setúbal-Porto de 2002, Madureira revela: «Foi o caos! Entraram cem gajos pela área de serviço e roubaram tudo o que lhes apareceu à frente.» Foi esta mesma claque que se manifestou na companhia de Rui Moreira, e que afixou nas bancadas, no dia do Porto-Braga, uma faixa com os dizeres: «Contra… falsidade e roubalheira». Ou seja, a claque que, segundo o seu líder, pagava com notas falsas e roubava tudo o que lhe aparecia à frente, está agora precisamente contra a falsidade e a roubalheira. Enfim, toda a gente tem o direito de mudar de opinião.
No jogo contra o Braga, o Porto beneficiou da exclusão de Vandinho pela Comissão Disciplinar da Liga, e também da exclusão de Meyong por Domingos Paciência, e obteve um resultado bastante desnivelado. Na véspera, o plantel do Porto reuniu-se em torno do seu líder, o terceiro guarda-redes, para o ouvir expressar, e cito, «a indignação de que somos vítimas». O orador foi bem escolhido, na medida em que não há ninguém que compreenda melhor a situação de Hulk do que Nuno: ele também fica sempre fora dos convocados. Este é o ano em que todos os azares batem à porta da equipa portista: primeiro, Hulk e Sapunaru foram suspensos só porque espancaram quem, segundo ficou provado, não os insultou nem agrediu; agora, os portistas são, creio que em estreia mundial, «vítimas de indignação». A dura realidade é esta: sem Hulk, a equipa do Porto vê-se condenada a alinhar apenas com jogadores que trocam mesmo a bola uns com os outros, o que prejudica qualquer sistema táctico. Não são só os portistas que reclamam o regresso de Hulk. Eu, como adepto do Benfica, também. Recordo com saudade a última exibição de Hulk antes do castigo, no estádio da Luz, em que o único remate à baliza que fez saiu pela linha lateral.

Entretanto, os jogadores do Benfica, que até hoje não apareceram envolvidos em agressões em quaisquer imagens de quaisquer túneis, continuam empenhados em levar a cabo uma actividade que parece ter caído em desuso: jogar futebol. Mas, nos últimos 30 minutos do jogo contra o Hertha, o Benfica não acrescentou qualquer golo aos quatro que marcou na primeira hora — o que parece indicar que, como dizem os críticos, a equipa está cansada. Às goleadas exuberantes do início da época, sucedem-se agora vitórias tangenciais por magros 4-0. A gestão que Jorge Jesus fez do plantel produziu esta triste equipa exausta que lidera o campeonato isolada com o melhor ataque e a melhor defesa. É triste, este cansaço. Quem me dera estar em terceiro, cheio de força, com o plantel correctamente gerido, a seis pontos do primeiro e a cinco do segundo. Mas não se pode ter tudo.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

O Renascer de um Colosso

Quem Sabe nunca Esquece...

Entradas Assassinas

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão

Seguiu-se a vigília do Sport Lisboa e PJ

Menos de 24 horas depois da vigília pela verdade desportiva encabeçada por Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, e por Fernando Madureira, presidente dos Super Dragões, a brigada de crimes económicos da Polícia Judiciária iniciou, de forma bem mais discreta, uma vigília por uma outra verdade qualquer nos gabinetes da SAD portista, nas instalações do Estádio do Dragão.

De acordo com as primeiras informações sobre as referidas buscas, esta operação foi executada a pedido da Interpol e da polícia belga, isto é, da Bélgica, e os agentes portugueses que a efectuaram pertencem aos quadros da PJ da cidade do Porto. Será, portanto, relativamente difícil para os lamentáveis ideólogos da teoria dos «túneis» e das «toupeiras» acusar o Benfica de estar por trás de mais esta manobra conspirativa para impedir o FC Porto de se sagrar pela quinta vez consecutiva campeão nacional.

A não ser que a conspiração tenha atingido um nível internacional, o que já parece grande exagero. Mas, mesmo assim, nunca fiando…

Na tarde de terça-feira, à mesma hora que o Benfica, no Estádio da Luz, jogava bom futebol e despachava os alemães do Hertha com uma goleada limpa, o presidente da Associação Comercial do Porto, em boa ainda que diminuta companhia, manifestava-se à porta da Liga de Clubes contra a Comissão Disciplinar da Liga em função da «injustiça» dos castigos a Hulk e a Sapunaru. «O que estão a fazer ao FC Porto é indigno», concluiu Rui Moreira. E, neste ponto, tem muita razão. A começar por ele próprio, se quiser reflectir melhor sobre o assunto.

Tal como muitos que sempre se recusaram a escrever ou a falar objectivamente sobre o conteúdo das escutas do processo Apito Dourado, optando pela fácil e pouco corajosa solução «técnica» de considerar as mesmas escutas ilegais, os mesmos, e outros mais, vêm agora considerar que a suspensão dos dois jogadores do FC Porto é uma grande injustiça porque, tecnicamente, os funcionários das empresas de segurança não são «agentes desportivos», portanto podem levar pancada à vontade como, no passado, já levaram jornalistas e outros miseráveis afins.

É de facto indigno do FC Porto ter pessoal que, desta maneira, o pretende estar a defender, lavando com uma esponja notórios pecadilhos e óbvios pecados que já nem constituem escândalo, antes fazem parte do anedotário nacional.

Passa-se no FC Porto um problema que, com o andar do tempo, teria inevitavelmente de surgir.

Trata-se, porque ninguém vai para novo, da questão da sucessão de Pinto da Costa. Acrescente-se a este facto outro facto importante: o presidente do FC Porto foi sujeito a uma levíssima pena disciplinar, uma suspensão, que, no entanto, o impede de entrar em acção através dos jornais e das televisões com o ênfase e o sentido de oportunidade que sempre o caracterizaram.

Órfãos dos discurso presidencial, logo se perfilaram os seus pretensos substitutos para preencher o vazio, dar uma satisfação aos caríssimos ouvintes e marcar pontos na corrida que, mais cedo ou mais tarde, se avizinhará.

E é nisto que estamos.

Quanto à Liga, pois continua a trabalhar em prol do Benfica a todo o vapor.

Basta atentar no calendário das provas nacionais desenhado na sua sede, palco de vigílias, para se concluir como é manobra de mais uma «toupeira» vermelhusca o facto de o Benfica ter de jogar a final da Taça da Liga com o FC Porto dois dias depois de jogar com o Marselha a primeira-eliminatória dos oitavos-de-final da Liga Europa.

De acordo com os jornais, os organizadores da vigília à porta da Liga convocaram também, por via postal e electrónica, os adeptos do Sporting de Braga a comparecer a manifestação de revolta e desagrado pelo facto de andar o Benfica a ser levado ao colo.

Aparentemente, os adeptos do Sporting de Braga não compareceram. Viu-se um cachecol do Beira-Mar e uns quantos adeptos do Boavista, um histórico do futebol português que foi relegado para divisões secundárias na sequência do processo Apito Dourado em benefício directo do Benfica, como entra pelos olhos dentro. Aliás, sempre que os sócios e adeptos do Boavista dizem - e dizem-no tantas vezes - que foram «os bodes expiatórios» do Apito Dourado, é, precisamente, ao Benfica que se estão a referir porque é pelo Benfica e no lugar do Benfica que estão a expiar culpas.

Voltemos aos adeptos do Sporting de Braga que não compareceram à vigília. Fizeram bem.

Em primeiro lugar, porque, por mais que terceiros tentem, o seu emblema não é sucursal de ninguém.

Em segundo lugar porque ainda devem estar indignados com o tom paternalista dos elogios que a exibição da sua equipa no Dragão mereceu do aliviadíssimo treinador do FC Porto - «o Braga provou aqui a razão de ser líder» - e mesmo de adeptos do FC Porto, como Manuela Aguiar que até imaginou «o que seria este FC Porto a jogar numa Liga a sério contra equipas que jogassem de igual para igual como o Braga fez».

Isto não se diz de ninguém.

Contam os jornais que o Chelsea abandonou Lisboa de mãos a abanar. Os ingleses vieram à Luz para negociar a transferência de Angel Di María e não terão tido sucesso. Talvez tenha sido apenas um primeiro passo falhado porque não é de prever que o Chelsea, que José Mourinho transformou num dos grandes da Europa, desista facilmente do jovem extremo argentino.

Também o Manchester United já se mostrou interessado no jogador. E o Manchester City também, para não ficar atrás. É normal. Para muitos especialistas, o futebol inglês, por ser limpo e directo, seria o palco ideal para o talentoso jogador. Já para os benfiquistas que são especialistas em futebol internacional e que viram, em duas épocas seguidas, como Di María joga sempre incrivelmente bem contra o Hertha de Berlim, o melhor campeonato para o argentino brilhar seria o campeonato alemão.

Mas para os benfiquistas, que não são nem querem ser especialistas em assuntos externos, o palco ideal para Di María só pode continuar ser o do Estádio da Luz.

E, de um ponto de vista egoísta, têm toda a razão.

Espaço Prof. Karamba

Sporting - FC Porto
Leixões - Benfica
Sp. Braga - Olhanense
Nacional - Belenenses
Académica - Rio Ave
P. Ferreira - V. Setúbal
Naval - Marítimo
U. Leiria - V. Guimarães

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Criminoso!

Triplo KO

Mais um de Costa a Costa

Ui!

Um Golo Fantástico

Frase da Semana

“Não quero que os lagartos desçam de divisão porque depois eles ganhavam a 2ª liga e vinham dizer que tinham mais um titulo que Nós!”

Jorge Máximo

terça-feira, fevereiro 23, 2010

O Escândalo da Falsificação de Idades no Futebol Nigeriano

A idade oficial de Nwankwo Kanu é de 33 anos, mas a sua idade real é 42. Obafemi Martins não tem 25 anos mas sim 32. Jay-Jay Okocha era dez anos mais velho que a sua idade "oficial" ao longo da carreira. E Taribo West, que terminou a carreira há dois anos, está na casa dos 50 anos. Quem o diz? Uma corrente de bloggers em alguns dos mais famosos sites da Nigéria, em resposta aos comentários feitos depois do esforço tímido da selecção na última Taça das Nações Africanas.

Falhar na tentativa de ganhar a competição é sempre considerado um escândalo na nação mais populosa do continente, mas o último fracasso da Nigéria no torneio fez com que acontecesse uma condenação explosiva no regresso a casa.

Tudo começou quando um antigo treinador de um clube nigeriano disse: "o que aconteceu em Angola é a confirmação do que tem acontecido no passado, onde a maioria dos nossos jogadores falsificaram a idade durante a competição. A maioria dos jogadores estão para lá da idade que garantem ter, e isso tornou impossível para eles contrariar a velocidade de equipas como a Zâmbia ou o Benin".

Isso também conduziu a uma entretida discussão que não mostrou sinal de ter abatido os nigerianos, que têm apenas três meses para preparar o Campeonato do Mundo, e reagiram às criticas com um despedimento do treinador. "Os nossos rapazes são velhos, estamos a pagar o preço de alterar as idades", disse Ken Anugweje, um antigo médico e membro da direcção da Federação Nigeriana de Futebol.

Suspeitas acerca das idades reais dos futebolistas nigerianos vem de há 20 anos. FIFA baniu a Nigéria de todos os jogos internacionais por dois anos, depois de descobrir que três dos seus jogadores nos Jogos Olímpicos de 1988 tinham idades diferentes das usadas pelos mesmos jogadores em torneios anteriores.

Um ano depois, Pelé proclamou ao Mundo que "uma equipa africana vai ganhar um Campeonato do Mundo no virar do século" depois de observar a prometedora Nigéria a levantar a Taça do Mundo de Sub-17 e chegar à final do Campeonato de Sub-20. Como poderia Pelé prever que os então chamados Sub-20 de 1989 era tão velhos que, nas palavras de George Onmonya, "a maioria dos nossos jogadores estão agora retirados ou são avôs"?

A Nigéria tem uma tradição rica de jogadores promissores que misteriosamente falharam ao provar o seu potencial. Phillip Osondu foi o melhor jogador no Campeonato do Mundo de Sub-17 de 1987, a seguir ao qual foi contratado pelo Anderlecht, apenas para sair do jogo e fazer trabalho de porteiro depois de serem levantadas questões acerca da sua idade real.

A estrela dos finalistas da Nigéria na competição de Sub-17 em 2001 tornou-se oficialmente o terceiro jogador mais jovem de sempre a marcar presença num Campeonato do Mundo sénior em 2002, no empate inicial com a Inglaterra em 2002. Mas isso foi o máximo que Femi Opabunmi conseguiu, e em 2005 jogava futebol em part-time nas divisões mais baixas do campeonato francês.

Uma viajem pela blogosfera faz com que haja leituras intrigantes. "Um amigo meu, que jogou na liga nigeriana disse-me que a sua idade real era 34 mas no futebol tinha 21", escreveu Onmonya. "Podes entrar em qualquer escritório de imigração na Nigéria hoje, e falsificar documentos, mudar o nome, local de nascimento, data de nascimento, pagar sete a dez mil naira em vez dos habituais 5500 por um passaporte internacional, e em poucas horas completa-se o processo". Um novo passaporte, uma nova pessoa - e se for um futebolista, um mais novo.

Um antigo trabalhador da embaixada britânica na Nigéria, disse ao que quando os candidatos a um visto protestavam acerca dos seus processos rejeitados, ele sempre respondia: "Não me falem a mim acerca disso, estou morto". Ele respondia para as pessoas olharem para um papel nas suas costas, onde estava pendurado um certificado de óbito, comprado por uma quantia insignificante em Lagos. A FIFA reconhece reconheceu que finalmente conseguiu um sistema de determinar a idade sem falhas. Antes do Campeonato do Mundo de Sub-17 do ano passado, na Nigéria, o corpo governativo anunciou que os jogadores estiveram sujeitos a exames ao pulso, através de ressonâncias magnéticas , e que isto ia determinar as suas reais idades.

Isso levou alguns países a fazer exames de prevenção antes da prova. Os resultados nunca foram anunciados, mas a Nigéria misteriosamente descartou 15 jogadores, enquanto o Gâmbia escondeu 11 dos 18 atletas que os ajudaram a vencer o Campeonato Africano de Sub-17 poucos meses antes. Relatórios dizem que análises retrospectivas dos anteriores três Campeonatos do Mundo de Sub-17, mostraram que mais de um terço dos jogadores eram mais velhos.

Texto: Redacção Academia de Talentos.
Fonte: www.guardian.co.uk

O Acto Falhado da Semana

SLBenfica 4 Hertha 0 Recital de Di Magia




segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Video de Opinião de Pedro Ribeiro

Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral

1º Lugar: Vermelho Sempre - 490 pontos

2º Lugar: Jimmy Jump - 485 pontos

3º Lugar: Kaiserlicheagle - 440 pontos

4º Lugar: JC - 435 pontos

5º Lugar: Vermelho - 425 pontos

6º Lugar: J. Lobo e Fura-Redes - 405 pontos

7º Lugar: Samsalameh e Sócio - 385 pontos

8º Lugar: Gui - 355 pontos

9º Lugar. Cuto - 315 pontos

10º Lugar: Chico - 245 pontos

11º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos

12º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos

13º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos

14º Lugar: Lion Heart - 50 pontos

15º Lugar: Pachulico - 35 pontos

Um Golo e um Galo do Caraças

O Bom, O Mau e o Vilão

domingo, fevereiro 21, 2010