Niente di futuribile, questa volta. Nessun prospetto in evoluzione, nessun baby fenomeno destinato a diventare negli anni uno dei protagonisti assoluti del calcio mondiale.
Il profilo di oggi è più un allarme, relativo al talento assolutamente straordinario di un giocatore che tutta Europa apprezza e che l'Italia non può lasciarsi sfuggire senza almeno concedere l'onore delle armi.
Abbiamo imparato da tempo, ormai, a sconfiggere pregiudizi vari riguardanti ruoli associati a nazionalità. Non è raro vedere brasiliani disimpegnarsi alla grande in difesa, piuttosto che in porta, spesso con risultati anche migliori rispetto a quelli dei loro pari ruolo europei. Soprattutto nell'ottica di un calcio votato all'attacco, un calcio totale di cui (lo avrete capito) chi vi scrive è sostenitore accanito, è indispensabile non concedere nessun giocatore in nessuna delle due fasi all'avversario, rendendo dunque assolutamente indispensabile che chiunque possa disimpegnarsi praticamente con la stessa abilità sia nell'atto di offendere che in quello di difendere. Troppo banale, ma sicuramente utile anche ai profani, può essere l'esempio dell'Inter di Mourinho e della rivoluzione che il tecnico portoghese ha apportato allo stile di gioco nerazzurro, in cui i centravanti fungono da primi terzini quando la squadra subisce l'iniziativa avversaria, ed in cui i centrali difensivi (Lucio è un maestro in questo) sono i primi a dare il là alle più ficcanti ripartenze.
Giocatori con questo genere di mentalità risultano assolutamente fondamentali per il successo a grandissimi livelli, ed il protagonista di questo articolo incarna perfettamente quello che chi ama questo tipo di football non può che considerare come il prototipo del difensore del futuro.
David Luiz Moreira Marinho è reduce dallo strepitoso successo in campionato del Benfica. Le aquile di Jorge Jesus, paragonato in patria (frettolosamente, c'è da dire) a Josè Mourinho, sono ritornate al successo dopo l'exploit firmato Giovanni Trapattoni, mettendo però in pratica un calcio molto piacevole ed armonioso, eseguibile solo da interpreti dediti al sacrificio da un lato, e dall'altro dotati di qualità superiori.
David Luiz, come anticipato, è uno degli assoluti protagonisti di questa squadra, è il perno del reparto arretrato delle Aguias, incarnando il suo ruolo in una maniera talmente unica da renderlo quasi indefinibile.
Difficile da decifrare dove finisca lo stopper e dove inizi il playmaker, in virtù di un abbinamento strepitoso di fisicità, tecnica e visione di gioco che, associate ad un atletismo da purosangue, ne fanno uno degli emblemi del calcio moderno.
La sua favola inizia, come spesso accade nei futuri protagonisti della SuperLiga portoghese, dal Brasile. David Luiz nasce infatti a Diadema, nello stato di San Paolo, il 22 aprile del 1987. Inizia presto ad interessarsi di calcio, tanto fin da bambino viene inserito nei quadri giovanili del Vitoria, club di Salvador de Bahia, club con cui a soli 16 anni firma il suo primo contratto da calciatore professionista.
Con la casacca dei Leao da Barra inizia una parabola inarrestabile, lanciato dalla lungimiranza di Renè Simoes, che lo colloca dapprima sulla fascia sinistra della difesa, ruolo in cui vengono affinate le sortite offensive del ragazzo, per poi impiegarlo principalmente come centrale difensivo, posizione in cui il suo talento verrà definitivamente consacrato.
Seguono le prime convocazioni nelle nazionali brasiliane di categoria, in particolare con l'Under 20 verdeoro, che gli consente di partecipare al Sudamericano 2007 in Paraguay, e di dare ampia risonanza alle sue prestazioni anche in Europa.
Il più lesto ad approfittarne è dunque il Benfica che, prima con un prestito semestrale, poi con un acquisto a titolo definitivo, concede la fiducia e le cure necessarie affinche il germoglio possa sbocciare in uno dei più bei fiori del calcio mondiale.
I paragoni illustri non tardano ad arrivare, si va da Lucio a Nesta, scomodando comunque il clichè del difensore moderno e totale. Il suo metro e 89 centimetri, abbinato agli 89 chili di muscoli gli permettono di non sfigurare nemmeno nell'uno contro uno e nella marcatura a uomo (retrò ma sempre necessaria), completando una gamma di caratteristiche impossibile da non notare.
Pensiero peraltro condiviso dai maggiori club europei, Barcellona in testa, che da un paio di stagioni hanno iniziato a bussare con insistenza sempre maggiore alle porte dell'Estadio Da Luz.
Servono soldi, ne servono tanti, ma uno così deve essere preso. Per forza.
quinta-feira, maio 13, 2010
Artigo de Opinião de Leonor Pinhão - O treinador que não sabia, não via, porque «estava a olhar para o chão»
Utilizando um tom místico só ao alcance de quem tem contactos privilegiados com entidades superiores, Paciência falou na véspera do dia da decisão do título para afirmar que se o Benfica já tinha marcado «mais de cem golos» e ainda não era campeão só poderia significar que «alguma coisa estava para acontecer».
E aconteceu mesmo. No domingo o Benfica conquistou o 32.º título da sua História e na segunda-feira a Bolsa de Lisboa teve o seu máximo histórico, registando a maior valorização de sempre numa só sessão, fechando a ganhar 10,73% com o valor das empresas cotadas a subir 5,5 mil milhões de euros. Só podia ser a esta «desigualdade de orçamentos» que o treinador do Sporting de Braga se referia quando, no final do jogo com o Nacional, lamentou as coisas estranhas que levaram o Benfica ao título.
Tinha razão, pois, Domingos Paciência. Foi um campeonato com muitas coisas estranhas que começaram à entrada do túnel de Braga, à estalada, e acabaram à saída do túnel do Marquês, com fogo-de-artifício. Como ambas as ocasiões foram profusamente documentadas, e em directo, pelas estações de televisão de serviço, não há mais nada a acrescentar.
Aliás, este campeonato de 2009/2010 foi, sobretudo, uma prova marcada por imagens televisivas inesquecíveis. Golos marcados depois de a bola ter andado por fora das quatro linhas, grandes penalidades aos 97 minutos de jogo, túneis para todos os gostos… Curiosamente, quando era treinador da União de Leiria, Domingos ligava pouco ou nada a estes pormenores, dentro ou fora do relvado. Lembram-se? Nos grandes momentos, nos mais emocionantes, Domingos olhava para o chão.
Num célebre jogo com o FC Porto, Quaresma foi expulso depois de uma agressão a Tixier, jogador da União de Leiria que era, recorde-se, a equipa que Domingos treinava. Os técnicos, os dirigentes e os jogadores do FC Porto protestaram com grande veemência a expulsão de Quaresma e, no fim do jogo, uns jornalistas mal-intencionados atreveram-se a perguntar a Domingos a sua opinião sobre o lance. Pois não teve nenhuma opinião. Limitou-se a dizer:
— Não sei, não vi, estava a olhar para o chão.
É este mesmo Domingos Paciência, um modelo de atenção, contabilidade e vigilância, amante da justiça desportiva, que ainda não parou de tentar desmerecer o título merecidamente ganho pelo Benfica, expondo, por entre lágrimas, um relambório de benefícios aos novos campeões que se inicia e culmina, nas suas próprias palavras, naquele momento decisivo em Agosto, quando o Benfica ganhou em Guimarães com um golo no tempo de descontos, nascido de uma falta «que não existiu».
De facto, quando um homem levanta finalmente os olhos do chão, se o dia estiver claro, límpido, transparente, até consegue ver as ilhas Berlengas do alto da Torre dos Clérigos.
*****
Nós, benfiquistas, vimos no domingo muitas imagens de praças, rotundas, avenidas e túneis. Mas faltou-nos a imagem de um túnel especial. O túnel do estádio dr. Rui Alves, mais conhecido pela Choupana, no final do jogo entre o Nacional e o Sporting de Braga. Gostaríamos de ter visto os cumprimentos trocados entre Manuel Machado e Domingos Paciência, os treinadores que mais embirraram com o nosso Jorge Jesus ao longo do campeonato, e que acabaram a prova em maré de fel. Machado perdendo a qualificação para a Liga Europa por 2 pontos e Paciência perdendo o título para o Benfica por 5 pontos.
Muito aborrecidos deviam estar Paciência e Machado no túnel da Choupana. Enquanto isso, no centro do Funchal, os adeptos do Marítimo, que se qualificou com todo o brilho para a Liga Europa, e os adeptos do Benfica, campeões, festejavam em conjunto os dois sucessos dos seus respectivos emblemas. Mas desta festa houve imagens. E bem bonitas.
Têm toda a razão os adversários do Benfica que não se conformam com este 32.º título conquistado nos «bastidores». O Benfica, dizem eles, não jogou nada ao longo da época, marcou mais de 100 golos em posição de fora-de-jogo, o Benfica manda na Liga e, agora, para cúmulo, até manda na Selecção Nacional.
Andam por aí os teóricos, muito distraídos, a festejar o facto de o Benfica só ter um elemento seu na equipa de ases escolhida por Carlos Queiroz.
Aparentemente, Fábio Coentrão é o único benfiquista no Mundial da África do Sul.
Como andam enganados… Levantem já os olhos do chão!
Então e o Ricardo Costa, não é nosso?
Estarão, porventura, convencidos de que o Ricardo Costa que o professor Queiroz convocou é aquele rapaz defesa-central que jogou no Wolfsburg e que agora tem jogado no Lille?
Claro que não é. O Ricardo Costa da Selecção é o mesmo dr. Ricardo Costa, presidente da Comissão de Disciplina da Liga, outro grande benfiquista acusado, pelos nossos tristonhos e impolutos adversários, de ter agredido dois stewards no túnel da Luz disfarçado de Hulk e de Sapunaru.
Ele, no fundo, também joga à bola. E é por isso mesmo que vai à África do Sul.
Força Ricardo Costa! Fábio Coentrão, não estás sozinho!
*****
O maior derrotado da última jornada do campeonato de 2009/2010 foi o Sporting. Como assim, se o Sporting até ganhou ao Leixões, em Matosinhos, garantindo a distância de 28 pontos em relação ao Benfica?
Se há dúvidas sobre o facto de ter sido o Sporting o grande derrotado da última jornada, o melhor é colocar a questão aos sócios e adeptos do valoroso Vitória de Guimarães, emblema que, conduzido por Paulo Sérgio, ia muito bem lançado para a conquista de um lugar na segunda competição de clubes da UEFA, até ao momento em que o mesmo Paulo Sérgio foi contratado para ser o próximo treinador do Sporting.
Veio tudo por água abaixo. E não se pense que Paulo Sérgio se desconcentrou ou que prestou menor atenção ao dia-a-dia vimaranense quando soube que tinha pela frente a missão de treinar o Sporting em 2010/2011.
Nada disso. Paulo Sérgio é um treinador competente e um excelente profissional. Mas, tal como já disse José Eduardo Bettencourt, «este ano, ao Sporting, não houve nada de mau que não acontecesse». E o Vitória de Guimarães, sem ter nada a ver com isso, apanhou por tabela. Foi o efeito dominó.
*****
A vitória do Atlético de Madrid na Liga Europa é um motivo de satisfação para os benfiquistas. Por Simão Sabrosa, por Reyes e, também, por Quique Flores que saiu no ano passado da Luz debaixo de um tremendo aplauso apesar de não ter sido campeão.
O Atlético de Madrid deve muito este seu triunfo europeu ao facto de ter passado os primeiros cinco meses da época sem jogar rigorosamente nada, num descanso total, o que lhe permitiu reunir as forças necessárias para este sensacional final de temporada.
O Benfica, este Verão, não pode ter um arranque tão poderoso e convincente como o do ano passado. Ainda assim conseguimos ganhar o campeonato e a Taça da Liga, mas já não houve pernas para a Taça de Portugal e para a Liga Europa.
E aconteceu mesmo. No domingo o Benfica conquistou o 32.º título da sua História e na segunda-feira a Bolsa de Lisboa teve o seu máximo histórico, registando a maior valorização de sempre numa só sessão, fechando a ganhar 10,73% com o valor das empresas cotadas a subir 5,5 mil milhões de euros. Só podia ser a esta «desigualdade de orçamentos» que o treinador do Sporting de Braga se referia quando, no final do jogo com o Nacional, lamentou as coisas estranhas que levaram o Benfica ao título.
Tinha razão, pois, Domingos Paciência. Foi um campeonato com muitas coisas estranhas que começaram à entrada do túnel de Braga, à estalada, e acabaram à saída do túnel do Marquês, com fogo-de-artifício. Como ambas as ocasiões foram profusamente documentadas, e em directo, pelas estações de televisão de serviço, não há mais nada a acrescentar.
Aliás, este campeonato de 2009/2010 foi, sobretudo, uma prova marcada por imagens televisivas inesquecíveis. Golos marcados depois de a bola ter andado por fora das quatro linhas, grandes penalidades aos 97 minutos de jogo, túneis para todos os gostos… Curiosamente, quando era treinador da União de Leiria, Domingos ligava pouco ou nada a estes pormenores, dentro ou fora do relvado. Lembram-se? Nos grandes momentos, nos mais emocionantes, Domingos olhava para o chão.
Num célebre jogo com o FC Porto, Quaresma foi expulso depois de uma agressão a Tixier, jogador da União de Leiria que era, recorde-se, a equipa que Domingos treinava. Os técnicos, os dirigentes e os jogadores do FC Porto protestaram com grande veemência a expulsão de Quaresma e, no fim do jogo, uns jornalistas mal-intencionados atreveram-se a perguntar a Domingos a sua opinião sobre o lance. Pois não teve nenhuma opinião. Limitou-se a dizer:
— Não sei, não vi, estava a olhar para o chão.
É este mesmo Domingos Paciência, um modelo de atenção, contabilidade e vigilância, amante da justiça desportiva, que ainda não parou de tentar desmerecer o título merecidamente ganho pelo Benfica, expondo, por entre lágrimas, um relambório de benefícios aos novos campeões que se inicia e culmina, nas suas próprias palavras, naquele momento decisivo em Agosto, quando o Benfica ganhou em Guimarães com um golo no tempo de descontos, nascido de uma falta «que não existiu».
De facto, quando um homem levanta finalmente os olhos do chão, se o dia estiver claro, límpido, transparente, até consegue ver as ilhas Berlengas do alto da Torre dos Clérigos.
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Nós, benfiquistas, vimos no domingo muitas imagens de praças, rotundas, avenidas e túneis. Mas faltou-nos a imagem de um túnel especial. O túnel do estádio dr. Rui Alves, mais conhecido pela Choupana, no final do jogo entre o Nacional e o Sporting de Braga. Gostaríamos de ter visto os cumprimentos trocados entre Manuel Machado e Domingos Paciência, os treinadores que mais embirraram com o nosso Jorge Jesus ao longo do campeonato, e que acabaram a prova em maré de fel. Machado perdendo a qualificação para a Liga Europa por 2 pontos e Paciência perdendo o título para o Benfica por 5 pontos.
Muito aborrecidos deviam estar Paciência e Machado no túnel da Choupana. Enquanto isso, no centro do Funchal, os adeptos do Marítimo, que se qualificou com todo o brilho para a Liga Europa, e os adeptos do Benfica, campeões, festejavam em conjunto os dois sucessos dos seus respectivos emblemas. Mas desta festa houve imagens. E bem bonitas.
Têm toda a razão os adversários do Benfica que não se conformam com este 32.º título conquistado nos «bastidores». O Benfica, dizem eles, não jogou nada ao longo da época, marcou mais de 100 golos em posição de fora-de-jogo, o Benfica manda na Liga e, agora, para cúmulo, até manda na Selecção Nacional.
Andam por aí os teóricos, muito distraídos, a festejar o facto de o Benfica só ter um elemento seu na equipa de ases escolhida por Carlos Queiroz.
Aparentemente, Fábio Coentrão é o único benfiquista no Mundial da África do Sul.
Como andam enganados… Levantem já os olhos do chão!
Então e o Ricardo Costa, não é nosso?
Estarão, porventura, convencidos de que o Ricardo Costa que o professor Queiroz convocou é aquele rapaz defesa-central que jogou no Wolfsburg e que agora tem jogado no Lille?
Claro que não é. O Ricardo Costa da Selecção é o mesmo dr. Ricardo Costa, presidente da Comissão de Disciplina da Liga, outro grande benfiquista acusado, pelos nossos tristonhos e impolutos adversários, de ter agredido dois stewards no túnel da Luz disfarçado de Hulk e de Sapunaru.
Ele, no fundo, também joga à bola. E é por isso mesmo que vai à África do Sul.
Força Ricardo Costa! Fábio Coentrão, não estás sozinho!
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O maior derrotado da última jornada do campeonato de 2009/2010 foi o Sporting. Como assim, se o Sporting até ganhou ao Leixões, em Matosinhos, garantindo a distância de 28 pontos em relação ao Benfica?
Se há dúvidas sobre o facto de ter sido o Sporting o grande derrotado da última jornada, o melhor é colocar a questão aos sócios e adeptos do valoroso Vitória de Guimarães, emblema que, conduzido por Paulo Sérgio, ia muito bem lançado para a conquista de um lugar na segunda competição de clubes da UEFA, até ao momento em que o mesmo Paulo Sérgio foi contratado para ser o próximo treinador do Sporting.
Veio tudo por água abaixo. E não se pense que Paulo Sérgio se desconcentrou ou que prestou menor atenção ao dia-a-dia vimaranense quando soube que tinha pela frente a missão de treinar o Sporting em 2010/2011.
Nada disso. Paulo Sérgio é um treinador competente e um excelente profissional. Mas, tal como já disse José Eduardo Bettencourt, «este ano, ao Sporting, não houve nada de mau que não acontecesse». E o Vitória de Guimarães, sem ter nada a ver com isso, apanhou por tabela. Foi o efeito dominó.
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A vitória do Atlético de Madrid na Liga Europa é um motivo de satisfação para os benfiquistas. Por Simão Sabrosa, por Reyes e, também, por Quique Flores que saiu no ano passado da Luz debaixo de um tremendo aplauso apesar de não ter sido campeão.
O Atlético de Madrid deve muito este seu triunfo europeu ao facto de ter passado os primeiros cinco meses da época sem jogar rigorosamente nada, num descanso total, o que lhe permitiu reunir as forças necessárias para este sensacional final de temporada.
O Benfica, este Verão, não pode ter um arranque tão poderoso e convincente como o do ano passado. Ainda assim conseguimos ganhar o campeonato e a Taça da Liga, mas já não houve pernas para a Taça de Portugal e para a Liga Europa.
quarta-feira, maio 12, 2010
Artigo de Opinião de Luís Seara Cardoso - Um homem com palavra
As contas estão arrumadas. Sem surpresa, o Benfica sagrou-se campeão. Justo campeão? Justíssimo campeão. De resto, a equipa encarnada bateu o recorde de pontos da prova. Esse facto, só por si, confere razão absoluta ao desfecho da competição. Mas houve mais, muito mais. Houve um conjunto que praticou, no decurso da temporada, o mais entusiasmante futebol que se viu nos recintos nacionais. Mais ainda? Uma qualidade de jogo ofensivo a grande distância daquela que os opositores evidenciaram.
H á quem tente subestimar este título do Benfica? Há, com certeza. São aqueles que de forma arrogante jamais conseguem conviver com o desaire. Campeonato dos túneis? Francamente... A vitória do Benfica, essa sim, foi garantida no túnel imenso da justiça, da seriedade, da competência.
O Sporting de Braga acabou por se constituir o mais digno opositor à consecução dos objetivos da equipa de Jorge Jesus. É também um justo vice-campeão. Fez história e deixou a ideia de que pode, no futuro imediato, intrometer-se na crónica discussão dos três principais emblemas da bola portuguesa.
O terceiro lugar do pódio foi para o FC Porto. Tratou-se da maior desilusão da temporada? Tratou-se, certamente. A condição de tetracampeão revelou-se insuficiente, a equipa oscilou em momentos capitais. Pagou essa fatura e fica bem atrás do grande Benfica e do sensacional Sporting de Braga.
Para o ano há mais. Jorge Jesus, no começo desta temporada, prometeu um Benfica a jogar o dobro do habitual. Cumpriu? Cumpriu mesmo. Agora, promete um novo triunfo. Vai cumprir? Vai cumprir mesmo.
H á quem tente subestimar este título do Benfica? Há, com certeza. São aqueles que de forma arrogante jamais conseguem conviver com o desaire. Campeonato dos túneis? Francamente... A vitória do Benfica, essa sim, foi garantida no túnel imenso da justiça, da seriedade, da competência.
O Sporting de Braga acabou por se constituir o mais digno opositor à consecução dos objetivos da equipa de Jorge Jesus. É também um justo vice-campeão. Fez história e deixou a ideia de que pode, no futuro imediato, intrometer-se na crónica discussão dos três principais emblemas da bola portuguesa.
O terceiro lugar do pódio foi para o FC Porto. Tratou-se da maior desilusão da temporada? Tratou-se, certamente. A condição de tetracampeão revelou-se insuficiente, a equipa oscilou em momentos capitais. Pagou essa fatura e fica bem atrás do grande Benfica e do sensacional Sporting de Braga.
Para o ano há mais. Jorge Jesus, no começo desta temporada, prometeu um Benfica a jogar o dobro do habitual. Cumpriu? Cumpriu mesmo. Agora, promete um novo triunfo. Vai cumprir? Vai cumprir mesmo.
Artigo de Opinião de António Pires
Jorge Jesus conseguiu transformar um bom plantel numa excelente equipa. Disso beneficiou o Benfica, que conquistou o campeonato e a Taça da Liga, e os próprios jogadores que saíram quase todos valorizados da temporada que terminou. E seis deles tiveram o prémio mais desejado: a convocatória para as suas selecções que vão estar no Mundial. Sem surpresas, Fábio Coentrão (Portugal), Cardozo (Paraguai), Maxi Pereira (Uruguai), Di María (Argentina), Luisão e Ramires (Brasil) vão estar na África do Sul e todos têm condições para serem titulares. Isto, por si só, atesta a qualidade da equipa comandada por Jorge Jesus, mas a verdade é que muitos outros ficaram à porta do Mundial e alguns até com algum sentimento a injustiça. No caso dos portugueses, Rúben Amorim ainda pode sonhar (está na lista de suplentes de Queiroz), mas Quim e Carlos Martins, pelo que fizeram, mereciam no mínimo estar nos 30. De resto, David Luiz não foi chamado para o Brasil, mas ninguém duvida que a sua estreia na selecção canarinha - cujo grupo Dunga há muito fechara - não vai demorar muito mais tempo.
Artigo de Opinião de Luís Pedro Sousa
Os ousados não temem o ridículo
Chegou à Luz e disse que os jogadores renderiam o dobro. Cumpriu. Afirmou, sem rodeios, que o Benfica ganharia o título. Cumpriu. Após a conquista da Liga, Jorge Jesus elevou ainda mais a fasquia, não colocando de parte a possibilidade de os encarnados lutarem pela Champions na próxima época. Os homens ousados são assim. Não temem o ridículo e ficam sempre mais próximos do sucesso.
Expandir a fé e não a polémica
O êxito potencia o altruismo e até a humildade. Luís Filipe Vieira leu na CM Lisboa um dos discursos mais inteligentes desde que é presidente. Esqueceu os remoques de um punhado de maus perdedores e preferiu sublinhar que a conquista da Liga provocou uma emoção que ultrapassou as fronteiras da capital. O Benfica tem, de facto, grande peso social. Há que tirar partido dele.
Chegou à Luz e disse que os jogadores renderiam o dobro. Cumpriu. Afirmou, sem rodeios, que o Benfica ganharia o título. Cumpriu. Após a conquista da Liga, Jorge Jesus elevou ainda mais a fasquia, não colocando de parte a possibilidade de os encarnados lutarem pela Champions na próxima época. Os homens ousados são assim. Não temem o ridículo e ficam sempre mais próximos do sucesso.
Expandir a fé e não a polémica
O êxito potencia o altruismo e até a humildade. Luís Filipe Vieira leu na CM Lisboa um dos discursos mais inteligentes desde que é presidente. Esqueceu os remoques de um punhado de maus perdedores e preferiu sublinhar que a conquista da Liga provocou uma emoção que ultrapassou as fronteiras da capital. O Benfica tem, de facto, grande peso social. Há que tirar partido dele.
Artigo de Opinião de João Rui Rodrigues - Jorge Jesus já ganhou 1 milhão
Jorge Jesus ainda não completou um ano ao serviço do Benfica, mas já viu a conta bancária engordar substancialmente, depois de ter abdicado de mais de 200 mil euros para se conseguir libertar do contrato que tinha com o Sporting de Braga. Com a conquista do campeonato, no domingo, o técnico benfiquista embolsou 500 mil euros relativos ao prémio que tinha estipulado no vínculo contratual celebrado com Luís Filipe Vieira. A juntar a estes 500 mil euros está uma verba idêntica referente ao salário anual do técnico encarnado que assim já amealhou 1 milhão de euros. No entanto, e mesmo com o prémio de campeão, Jesus ganhou menos ao longo deste ano que Jesualdo Ferreira, que apenas conquistou a Supertaça até agora mas que tem um salário anual na ordem dos 1,2 milhões. Com a renovação do contrato em vista, o treinador do Benfica terá um aumento considerável no ordenado que é semelhante ao que auferia em Braga. Na relação resultados/preço, Jesus é, muito provavelmente, o treinador mais barato da história do clube da Luz.
Artigo de Opinião de Luís Freitas Lobo - A 'estrutura' do treinador
No futebol português, muito se fala da estrutura. Um entorno que emoldura, protege e cria condições para o treinador trabalhar, aplicando as suas ideias, cruzando-as com as do clube. Dizem que é decisivo para (poder) ganhar. É verdade. Mas não é tudo. E, muitas vezes, há casos que parecem inverter esta lógica. Ou seja, é o treinador que condiciona a estrutura. Não é, no entanto, natural (nem saudável) isto suceder.
Jorge Jesus criou um impacto tremendo no mundo benfiquista. Desde o aparecimento de Mourinho no FC Porto que um treinador, por si só, não era tão decisivo para mudar o rumo e a face de um clube. No fundo, a sua influência tornou-se maior do que a estrutura que era a mesma nas épocas anteriores. No caso do FC Porto, porém, tratava-se de uma conjuntura muito concreta. Mourinho tornou-se, pelo seu saber e estilo, maior do que a estrutura mas nunca a absorveu. Isto é, depois dele, ela continuou lá. Granítica. Após o choque inicial da sua saída, outros treinadores vieram, outros treinadores ganharam.
No caso do Benfica, é diferente. O treinador mudou a estrutura. Ou melhor, mudou a visão e imagem da estrutura. Absorveu-a até toda ela se confundir com ele. Até ser impossível imaginá-la sem ele. Só os grandes treinadores conseguem isto: mudar a realidade em vez de se adaptar a ela. Por isso, este título benfiquista de 2010 nada tem a ver com o de 2005. Aquele percebera-se que fora um feito circunstancial. Este pode significar um abrir de um novo ciclo de correlação de poderes no futebol português. Existe, porém, um factor que o pode ameaçar. A dimensão (importância) do treinador em todo este processo. É este o ciclo de Jesus ou é o ciclo do novo Benfica? Resistirá a estrutura sem o treinador que esta época a mudou?
Num mundo futebolisticamente saudável, nenhum treinador pode ser muito maior do que a estrutura até ao ponto de ela não existir (ou perder eficácia) sem ele. Nesta hora de vitória, penso que esta questão é decisiva para projectar o tal novo ciclo que o Benfica quer abrir. Até porque, já se entendeu, Jesus tem ambições (legitimas) de treinar (e ganhar) no estrangeiro.
A próxima época (com Jesus e a Champions) é, por isso, um espaço temporal decisivo para o clube solidificar ideias e personalidade. Cimentar a estrutura para além do treinador, sem prescindir, claro, da sua influência nessa construção. Um processo, nesse aspecto, respeitando as idiossincrasias benfiquistas muito próprias, semelhante ao do FC Porto (seria possível Jesualdo ter ganho três campeonatos consecutivos noutro clube?). É óbvio que, mesmo em clubes com estrutura forte, os treinadores não são todos iguais. Uns são melhores do que outros (umas tácticas dão certo, outras não). Para o treinador, é fantástico sentir que ganhou e fez ganhar a equipa. Para o clube, depois dos festejos, é preocupante perceber que, sem ele, tudo teria sido diferente. É este o grande triunfo de Jesus no Benfica. Mudou-lhe o destino e... ficou com ele nas mãos.
Jorge Jesus criou um impacto tremendo no mundo benfiquista. Desde o aparecimento de Mourinho no FC Porto que um treinador, por si só, não era tão decisivo para mudar o rumo e a face de um clube. No fundo, a sua influência tornou-se maior do que a estrutura que era a mesma nas épocas anteriores. No caso do FC Porto, porém, tratava-se de uma conjuntura muito concreta. Mourinho tornou-se, pelo seu saber e estilo, maior do que a estrutura mas nunca a absorveu. Isto é, depois dele, ela continuou lá. Granítica. Após o choque inicial da sua saída, outros treinadores vieram, outros treinadores ganharam.
No caso do Benfica, é diferente. O treinador mudou a estrutura. Ou melhor, mudou a visão e imagem da estrutura. Absorveu-a até toda ela se confundir com ele. Até ser impossível imaginá-la sem ele. Só os grandes treinadores conseguem isto: mudar a realidade em vez de se adaptar a ela. Por isso, este título benfiquista de 2010 nada tem a ver com o de 2005. Aquele percebera-se que fora um feito circunstancial. Este pode significar um abrir de um novo ciclo de correlação de poderes no futebol português. Existe, porém, um factor que o pode ameaçar. A dimensão (importância) do treinador em todo este processo. É este o ciclo de Jesus ou é o ciclo do novo Benfica? Resistirá a estrutura sem o treinador que esta época a mudou?
Num mundo futebolisticamente saudável, nenhum treinador pode ser muito maior do que a estrutura até ao ponto de ela não existir (ou perder eficácia) sem ele. Nesta hora de vitória, penso que esta questão é decisiva para projectar o tal novo ciclo que o Benfica quer abrir. Até porque, já se entendeu, Jesus tem ambições (legitimas) de treinar (e ganhar) no estrangeiro.
A próxima época (com Jesus e a Champions) é, por isso, um espaço temporal decisivo para o clube solidificar ideias e personalidade. Cimentar a estrutura para além do treinador, sem prescindir, claro, da sua influência nessa construção. Um processo, nesse aspecto, respeitando as idiossincrasias benfiquistas muito próprias, semelhante ao do FC Porto (seria possível Jesualdo ter ganho três campeonatos consecutivos noutro clube?). É óbvio que, mesmo em clubes com estrutura forte, os treinadores não são todos iguais. Uns são melhores do que outros (umas tácticas dão certo, outras não). Para o treinador, é fantástico sentir que ganhou e fez ganhar a equipa. Para o clube, depois dos festejos, é preocupante perceber que, sem ele, tudo teria sido diferente. É este o grande triunfo de Jesus no Benfica. Mudou-lhe o destino e... ficou com ele nas mãos.
Artigo de Opinião de António Simões - Com bola ou talvez não: SLB e a justiça
O Benfica andara anos a fio a correr atrás de angústias sem perceber que o cerne das mágoas era o brilho de um passado longínquo que lhe iludia os dirigentes em grandezas e glórias presumidas, postiças, autistas. Mas desta vez, eu vi logo: quando Jorge Jesus chegou à Luz levava o futuro na palma da mão – porque nele há duas coisas imprescindíveis num grande treinador: saber muito de futebol e mais ainda de homens. Ah! E uma verdade indiscutível na cabeça: o pessimismo e a cegueira nunca ganharam um jogo. No FC Porto, diferente era a alma de Jesualdo Ferreira, a acanhar-se. Pela sua personalidade, o estilo atrevido, Jorge Jesus foi agitando o inconsciente colectivo dos benfiquistas – num truque capaz de salvar pelo coração o clube da desolação. No FC Porto, Jesualdo Ferreira não – continuou a acreditar que no futebol a paixão ou a ousadia podiam valer menos que o medo ou o calculismo. Decorreu a temporada. Com a sua confiança, Jorge Jesus disparou talentos, soltou pernas, encheu pulmões, empurrou sortes – e pôs o Benfica em linha que nunca perdeu: o grupo era sempre o mais importante – mas importante para exaltar o jogador e nunca deixar esconder o craque. Foi atirando para cima as suas notas artísticas – e para o céu, a avermelhar-se, o sonho, às vezes histérico, dos adeptos. O FC Porto titubeou, as obsessões tácticas de Jesualdo Ferreira roubaram-lhe futebol e boas ideias. Depois? Era tarde – e independentemente do Dr. Ricardo Costa ter transformado o direito em ciência criativa e dos castigos e lesões, aconteceu a justiça no campo. Sim, o melhor FC Porto da época pode ter sido três ou quatro vezes melhor que o melhor Benfica da época, mas o pior FC Porto foi três ou quatro vezes pior que o pior Sporting – e, tão irregular, não podia ser campeão! Por isso não tem direito à vitória moral que tenta arrastar da esquizofrenia do túnel, de lhe terem tirado Hulk de uma ilusão incrível. E como o futebol, cruel, tem fraca memória, se o bode expiatório já tiver o ferrete: JF – a culpa foi de Jesus...
Artigo de Opinião de Fernando Guerra
O Benfica conquistou o seu 32.º título nacional sem deixar rasto de dúvidas nem pecados. Ganhou porque foi o clube que apresentou em competição o quadro de jogadores mais competente e mais valioso, o que praticou o futebol de mais alta qualidade, o que somou mais pontos e o que marcou mais golos. É avassaladora a superioridade benfiquista dentro do relvado, porque fora dele a estratégia foi diametralmente oposta. Não entrou em polémicas, não promoveu conversas turbulentas, nem discursos irreflectidos. Em nada contribuiu para o ambiente de má vizinhança no futebol.
Jorge Jesus pode ter muitos defeitos, mas adquiriu por direito, neste momento de celebração, o papel de protagonista. Luís Filipe Vieira entregou-lhe um plantel de luxo, vocacionado para o triunfo, mas desarrumado. A precisar de alguém que pudesse retirar de um motor de elevada potência o rendimento máximo, ou próximo, suficiente para sufocar os mais sérios adversários de uma Liga com condições para acelerar o passo, mas teimosamente agarrada aos conceitos gastos do passe curto, do truque, do jeito, da intriga de botequim ou da traição de vão de escada…
Jesus poderá não ser um mestre de cerimónias, nem desfrutar no interior de classe de treinadores de amplas simpatias, mas soube aproveitar o divino convite que Vieira lhe fez. Com trabalho sério, abraçou o principal objectivo, e repetidamente anunciado: o título nacional. Agora, por força das circunstâncias, ele próprio já aumentou o grau de exigência, embora continue a não ser muito explícito quanto às prioridades.
Não sei se Jesus já se deu conta disso, mas não é vergonha ser campeão pela primeira vez aos 55 anos. Jesualdo Ferreira foi-o aos 59 e… nas duas épocas seguintes. O treinador benfiquista, se a humildade nunca o abandonar, reúne, por isso, condições óptimas para o igualar, ou até suplantar, e, porque não, reacender a chama europeia que a maldição Guttmann apagou um dia. Desafio mais entusiasmante que este será difícil…
*****
Jorge Jesus o campeão, mas Domingos Paciência é a revelação, ou confirmação, como se quiser, por ter empreendido, com admirável sucesso, obstinado cerco ao primeiro lugar que durou na prática um campeonato inteiro. No entanto, o treinador do Sporting de Braga talvez não tenha entendido que há vitórias que extravasam em significado e importância a história de um vulgar jogo, de aí não valorizar devidamente o facto do emblema minhoto, mesmo segundo, ter conseguido a sua melhor classificação de sempre e de pela primeira vez ter entrado nas eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões. Em vez de se empenhar na proclamação destas conquistas, que o são, cai no vazio da insinuação pouco clara ou da referência deselegante ao Benfica, transformando intervenções institucionais em amontoado de frases inflamadas, à semelhança das grosserias que tanto gozo parecem divertir os Super Dragões. Falta-lhe moderação no que diz. Pensava que Domingos Paciência se libertara desses tiques tribais. Escrevi-o há uma semana, convencido, pelo mérito do seu trabalho, que abandonara tais preconceitos e reclamara a sua independência intelectual. Talvez me tenha precipitado. A vida de um treinador é ingrata, feita de subidas espectaculares e quedas brutais. Hoje, Domingos opta por uma linguagem de arrogância e cai no despropósito de reivindicar o mesmo estatuto de quem apontou (só!) mais 30 golos do que a sua equipa. Há meia dúzia de meses, porém, estava com um pé fora do Braga, após de ter falhado o apuramento para a Liga Europa. Amanhã, como será? Não sei, mas creio que excelente oportunidade se lhe depara para cativar Pinto da Costa. Basta garantir a participação na Champions e manter-se na frente da classificação da Liga. Como? Convença o seu presidente (ou um deles…) a investir no reforço da equipa. Talvez lhe entreabram então uma porta no Dragão. Não é isso o que mais deseja?...
P. S.: Para mim a Selecção Nacional continua a ser muito importante. Queiroz decidiu e eu aceito, mas vejo mal, por motivos que já aqui expressei, a chamada de Miguel. Ponto final.
Jorge Jesus pode ter muitos defeitos, mas adquiriu por direito, neste momento de celebração, o papel de protagonista. Luís Filipe Vieira entregou-lhe um plantel de luxo, vocacionado para o triunfo, mas desarrumado. A precisar de alguém que pudesse retirar de um motor de elevada potência o rendimento máximo, ou próximo, suficiente para sufocar os mais sérios adversários de uma Liga com condições para acelerar o passo, mas teimosamente agarrada aos conceitos gastos do passe curto, do truque, do jeito, da intriga de botequim ou da traição de vão de escada…
Jesus poderá não ser um mestre de cerimónias, nem desfrutar no interior de classe de treinadores de amplas simpatias, mas soube aproveitar o divino convite que Vieira lhe fez. Com trabalho sério, abraçou o principal objectivo, e repetidamente anunciado: o título nacional. Agora, por força das circunstâncias, ele próprio já aumentou o grau de exigência, embora continue a não ser muito explícito quanto às prioridades.
Não sei se Jesus já se deu conta disso, mas não é vergonha ser campeão pela primeira vez aos 55 anos. Jesualdo Ferreira foi-o aos 59 e… nas duas épocas seguintes. O treinador benfiquista, se a humildade nunca o abandonar, reúne, por isso, condições óptimas para o igualar, ou até suplantar, e, porque não, reacender a chama europeia que a maldição Guttmann apagou um dia. Desafio mais entusiasmante que este será difícil…
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Jorge Jesus o campeão, mas Domingos Paciência é a revelação, ou confirmação, como se quiser, por ter empreendido, com admirável sucesso, obstinado cerco ao primeiro lugar que durou na prática um campeonato inteiro. No entanto, o treinador do Sporting de Braga talvez não tenha entendido que há vitórias que extravasam em significado e importância a história de um vulgar jogo, de aí não valorizar devidamente o facto do emblema minhoto, mesmo segundo, ter conseguido a sua melhor classificação de sempre e de pela primeira vez ter entrado nas eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões. Em vez de se empenhar na proclamação destas conquistas, que o são, cai no vazio da insinuação pouco clara ou da referência deselegante ao Benfica, transformando intervenções institucionais em amontoado de frases inflamadas, à semelhança das grosserias que tanto gozo parecem divertir os Super Dragões. Falta-lhe moderação no que diz. Pensava que Domingos Paciência se libertara desses tiques tribais. Escrevi-o há uma semana, convencido, pelo mérito do seu trabalho, que abandonara tais preconceitos e reclamara a sua independência intelectual. Talvez me tenha precipitado. A vida de um treinador é ingrata, feita de subidas espectaculares e quedas brutais. Hoje, Domingos opta por uma linguagem de arrogância e cai no despropósito de reivindicar o mesmo estatuto de quem apontou (só!) mais 30 golos do que a sua equipa. Há meia dúzia de meses, porém, estava com um pé fora do Braga, após de ter falhado o apuramento para a Liga Europa. Amanhã, como será? Não sei, mas creio que excelente oportunidade se lhe depara para cativar Pinto da Costa. Basta garantir a participação na Champions e manter-se na frente da classificação da Liga. Como? Convença o seu presidente (ou um deles…) a investir no reforço da equipa. Talvez lhe entreabram então uma porta no Dragão. Não é isso o que mais deseja?...
P. S.: Para mim a Selecção Nacional continua a ser muito importante. Queiroz decidiu e eu aceito, mas vejo mal, por motivos que já aqui expressei, a chamada de Miguel. Ponto final.
terça-feira, maio 11, 2010
Artigo de Opinião de Luís Mateus
Justo! Melhor futebol. Ataque esmagador, com 78 golos. Melhor defesa, a par do Sp. Braga, com 20. Melhor campeão em 15 anos, na percentagem de pontos ganhos. O Benfica confirmou ao longo da temporada tudo o que prenunciou de bom antes do apito inicial. Não se ficou pelo potencial.
A sua voracidade ajudou a provocar instabilidade num Sporting que apostou mais uma vez na receita de sempre: Academia e Paulo Bento para unir as pontas. Depois, aproveitou a sangria que houve no Dragão, já sem grandes figuras de um passado recente como Lisandro e Lucho González, para se chegar à frente e ganhar uma vantagem intocável. Só o Sp. Braga não estava bem nas contas, mas mesmo assim os minhotos sempre pareceram a um passo de distância.
David Luiz, Luisão, Javi García, Fábio Coentrão, Di María, Saviola e Cardozo, mais do que os outros, saem da época como grandes figuras. Sublinhe-se: muito do futuro na Luz passará de quantos destes conseguirá manter para o ano. O número é elevado, mas este Benfica é mesmo assim, o troféu tem muitas assinaturas. E faltam outras, como Quim, Maxi, Rúben Amorim, Carlos Martins, Ramires... Decisivos também.
O futuro do Benfica começa amanhã, depois da festa. Manter o novo ciclo significa segurar muitas das suas estrelas. E saber vender bem, porque terá de vender. Talvez Di María tenha dito adeus à liga portuguesa, só saberão os dirigentes. Mas uma sangria desmedida poderá significar festejos demasiado curtos.
Cardozo termina melhor marcador e merece-o, como mereceria Falcao. Foram sem dúvida figuras do campeonato e fundamentais nas suas equipas, mas o colombiano deixa no ar a questão de como seria se tivesse atrás dele um conjunto moralizado como o rival. Para o paraguaio tem um gosto especial: será que os benfiquistas ainda duvidam dele?
Seja qual for o nome que lhe queiram dar, este é o campeonato do Benfica.
A sua voracidade ajudou a provocar instabilidade num Sporting que apostou mais uma vez na receita de sempre: Academia e Paulo Bento para unir as pontas. Depois, aproveitou a sangria que houve no Dragão, já sem grandes figuras de um passado recente como Lisandro e Lucho González, para se chegar à frente e ganhar uma vantagem intocável. Só o Sp. Braga não estava bem nas contas, mas mesmo assim os minhotos sempre pareceram a um passo de distância.
David Luiz, Luisão, Javi García, Fábio Coentrão, Di María, Saviola e Cardozo, mais do que os outros, saem da época como grandes figuras. Sublinhe-se: muito do futuro na Luz passará de quantos destes conseguirá manter para o ano. O número é elevado, mas este Benfica é mesmo assim, o troféu tem muitas assinaturas. E faltam outras, como Quim, Maxi, Rúben Amorim, Carlos Martins, Ramires... Decisivos também.
O futuro do Benfica começa amanhã, depois da festa. Manter o novo ciclo significa segurar muitas das suas estrelas. E saber vender bem, porque terá de vender. Talvez Di María tenha dito adeus à liga portuguesa, só saberão os dirigentes. Mas uma sangria desmedida poderá significar festejos demasiado curtos.
Cardozo termina melhor marcador e merece-o, como mereceria Falcao. Foram sem dúvida figuras do campeonato e fundamentais nas suas equipas, mas o colombiano deixa no ar a questão de como seria se tivesse atrás dele um conjunto moralizado como o rival. Para o paraguaio tem um gosto especial: será que os benfiquistas ainda duvidam dele?
Seja qual for o nome que lhe queiram dar, este é o campeonato do Benfica.
Artigo de Opinião de Luís Avelãs - Quim é o Baía de Queiroz
Ainda está por acontecer o dia em que, aquando do anúncio de uma lista de eleitos para um Europeu ou Mundial de futebol, os portugueses não tratem, logo de seguida, de discutir os prós e os contras das opções do seleccionador. É normal que assim seja. E nem sequer é um hábito nacional. Pura e simplesmente é assim em todo o lado. E eu, naturalmente, também gosto de fazer essa análise, de escalar os "meus" jogadores e, depois, tentar perceber o que terá levado o treinador a ir por outras opções.
Portugal, ao invés do que sucede com nações com uma base de recrutamento incomparavelmente maior, tem sempre um núcleo de 17-18 futebolistas que, basicamente, estão convocados por antecipação. Para algumas das pedras fulcrais na equipa, só mesmo os problemas físicos os poderão deixar de fora das grandes competições. Contudo, sobram sempre uma meia dúzia de postos que, independentemente do nome do seleccionador, podem ser ocupados por vários atletas. E quando assim é temos de perceber que tão natural vai ser a chamada do A como do B. Tudo depende da abordagem específica do treinador que, claro, socorre-se das suas próprias ideias (não somente na comparação directa dos jogadores, mas também tendo em conta o modelo táctico que pretende utilizar) para optar desta ou daquela forma. Tudo normal...
Mas, se face ao que atrás abordei, entendo (sem concordar em vários pontos) que Queiroz resolva chamar Ricardo Costa e José Castro em detrimento, por exemplo, de Nunes (será que ninguém repara que este jogador "pegou de estaca" no campeonato espanhol, sendo uma das figuras de um Maiorca que, pé ante pé, já conseguiu intrometer-se na luta pelo acesso à Liga dos Campeões numa das ligas mais exigentes no planeta?) ou Carriço (jovem que se impôs facilmente no Sporting); que João Moutinho, Carlos Martins ou Ruben Amorim fiquem em casa ou ainda que Portugal deva ser a única equipa que vai à África do Sul com apenas dois verdadeiros pontas de lança, jamais poderei compreender o critério que presidiu à escolha dos três guarda-redes, até poque nessa posição a polivalência não conta.
Não considero Eduardo um guardião de excelência, mas nem discuto se merece estar entre os três eleitos. Tendo sido aposta séria de Queiroz na qualificação, só algo de muito estranho poderia fazer com que, agora, não fosse ele o titular. Mas, naturalmente, não é o "keeper" do Sporting de Braga que está em causa. As chamadas de Beto e Daniel Fernandes é que são misteriosas. E não estou a colocar em causa o valor dos atletas, tão-somente a sua escassa utilização ao longo da temporada; a tremenda falta de experiência ao mais alto nível e a pouca vivência de Selecção, tanto na equipa principal como nas mais jovens.
Poderia entender estas chamadas se, a exemplo do que se passa noutras posições, Portugal não tivesse soluções mais lógicas. Mas, no caso em concreto, Queiroz "esqueceu-se" só de Quim e Rui Patrício, titulares indiscutíveis de Benfica e Sporting. Estou a falar de dois guarda-redes que, sendo de gerações diferentes, têm cada um deles mais experiência que Beto e Daniel Fernandes juntos. Aliás, se formos avaliar esse critério ao pormenor, até Eduardo perde com os dois. Patrício é jovem mas, só nas competições europeias, já ganhou enorme traquejo.
O caso de Quim é simplesmente aberrante. Jogou todos os jogos do Benfica campeão nacional; foi um dos guardiões menos batidos na prova; tem uma enorme experiência acumulada ao longo dos anos (na Liga nacional, nas competições da UEFA e na Selecção) mas, por alguma razão, não é - no entender de Queiroz - um dos três melhores guarda-redes nacionais do momento. Três? Mais ainda, pois se olharmos para as convocatórias anteriores, facilmente percebemos que, para o técnico, o benfiquista ainda surge atrás de Hilário e Rui Patrício!
Quim - que curiosamente nunca considerei um guarda-redes notável - passou a ser o Baía de Queiroz. Só não faço ideia das razões que estarão por trás disso, sendo que me custa a acreditar que sejam técnicas. Scolari e Queiroz podem ter muitos defeitos, mas sabem o suficiente de futebol para não ter leituras tão distorcidas da realidade, para errar de forma tão evidente a valia de um atleta.
O guarda-redes do Benfica deixou de ir à Selecção depois da goleada (2-6), sofrida no particular com o Brasil, em Brasília, em Novembro de 2008. Será coincidência? Não me parece. Contudo, convém recordar que se ele não esteve bem (e não esteve mesmo), não foi o único. Porém, do 11 escalado para esse duelo, só Quim, Bosingwa e Maniche não vão à África do Sul, sendo de acrescentar que o lateral fica de fora por estar lesionado e médio (que voltou a ser chamado por Queiroz depois) se auto-excluiu após o jogo de qualificação na Hungria. De resto, nesse triste embate na América do Sul, em 20 atletas, estiveram 14 dos que agora foram convocados. E com Bosingwa seriam 15.
Scolari nunca teve coragem para explicar o porquê do veto a Baía; Queiroz não devia fazer o mesmo em relação a Quim. O pior é que tenho a certeza que é exactamente isso que vai suceder. E se suceder algo a Eduardo na África do Sul, Beto e Daniel Fernandes ficarão numa situação complicadíssima. Se falharem... talvez nunca mais voltem a ser chamados.
Portugal, ao invés do que sucede com nações com uma base de recrutamento incomparavelmente maior, tem sempre um núcleo de 17-18 futebolistas que, basicamente, estão convocados por antecipação. Para algumas das pedras fulcrais na equipa, só mesmo os problemas físicos os poderão deixar de fora das grandes competições. Contudo, sobram sempre uma meia dúzia de postos que, independentemente do nome do seleccionador, podem ser ocupados por vários atletas. E quando assim é temos de perceber que tão natural vai ser a chamada do A como do B. Tudo depende da abordagem específica do treinador que, claro, socorre-se das suas próprias ideias (não somente na comparação directa dos jogadores, mas também tendo em conta o modelo táctico que pretende utilizar) para optar desta ou daquela forma. Tudo normal...
Mas, se face ao que atrás abordei, entendo (sem concordar em vários pontos) que Queiroz resolva chamar Ricardo Costa e José Castro em detrimento, por exemplo, de Nunes (será que ninguém repara que este jogador "pegou de estaca" no campeonato espanhol, sendo uma das figuras de um Maiorca que, pé ante pé, já conseguiu intrometer-se na luta pelo acesso à Liga dos Campeões numa das ligas mais exigentes no planeta?) ou Carriço (jovem que se impôs facilmente no Sporting); que João Moutinho, Carlos Martins ou Ruben Amorim fiquem em casa ou ainda que Portugal deva ser a única equipa que vai à África do Sul com apenas dois verdadeiros pontas de lança, jamais poderei compreender o critério que presidiu à escolha dos três guarda-redes, até poque nessa posição a polivalência não conta.
Não considero Eduardo um guardião de excelência, mas nem discuto se merece estar entre os três eleitos. Tendo sido aposta séria de Queiroz na qualificação, só algo de muito estranho poderia fazer com que, agora, não fosse ele o titular. Mas, naturalmente, não é o "keeper" do Sporting de Braga que está em causa. As chamadas de Beto e Daniel Fernandes é que são misteriosas. E não estou a colocar em causa o valor dos atletas, tão-somente a sua escassa utilização ao longo da temporada; a tremenda falta de experiência ao mais alto nível e a pouca vivência de Selecção, tanto na equipa principal como nas mais jovens.
Poderia entender estas chamadas se, a exemplo do que se passa noutras posições, Portugal não tivesse soluções mais lógicas. Mas, no caso em concreto, Queiroz "esqueceu-se" só de Quim e Rui Patrício, titulares indiscutíveis de Benfica e Sporting. Estou a falar de dois guarda-redes que, sendo de gerações diferentes, têm cada um deles mais experiência que Beto e Daniel Fernandes juntos. Aliás, se formos avaliar esse critério ao pormenor, até Eduardo perde com os dois. Patrício é jovem mas, só nas competições europeias, já ganhou enorme traquejo.
O caso de Quim é simplesmente aberrante. Jogou todos os jogos do Benfica campeão nacional; foi um dos guardiões menos batidos na prova; tem uma enorme experiência acumulada ao longo dos anos (na Liga nacional, nas competições da UEFA e na Selecção) mas, por alguma razão, não é - no entender de Queiroz - um dos três melhores guarda-redes nacionais do momento. Três? Mais ainda, pois se olharmos para as convocatórias anteriores, facilmente percebemos que, para o técnico, o benfiquista ainda surge atrás de Hilário e Rui Patrício!
Quim - que curiosamente nunca considerei um guarda-redes notável - passou a ser o Baía de Queiroz. Só não faço ideia das razões que estarão por trás disso, sendo que me custa a acreditar que sejam técnicas. Scolari e Queiroz podem ter muitos defeitos, mas sabem o suficiente de futebol para não ter leituras tão distorcidas da realidade, para errar de forma tão evidente a valia de um atleta.
O guarda-redes do Benfica deixou de ir à Selecção depois da goleada (2-6), sofrida no particular com o Brasil, em Brasília, em Novembro de 2008. Será coincidência? Não me parece. Contudo, convém recordar que se ele não esteve bem (e não esteve mesmo), não foi o único. Porém, do 11 escalado para esse duelo, só Quim, Bosingwa e Maniche não vão à África do Sul, sendo de acrescentar que o lateral fica de fora por estar lesionado e médio (que voltou a ser chamado por Queiroz depois) se auto-excluiu após o jogo de qualificação na Hungria. De resto, nesse triste embate na América do Sul, em 20 atletas, estiveram 14 dos que agora foram convocados. E com Bosingwa seriam 15.
Scolari nunca teve coragem para explicar o porquê do veto a Baía; Queiroz não devia fazer o mesmo em relação a Quim. O pior é que tenho a certeza que é exactamente isso que vai suceder. E se suceder algo a Eduardo na África do Sul, Beto e Daniel Fernandes ficarão numa situação complicadíssima. Se falharem... talvez nunca mais voltem a ser chamados.
segunda-feira, maio 10, 2010
Artigo de Opinião de Luís Avelãs
Mesmo tendo de esperar pela última jornada, o Benfica consumou o que, há mais de 1 mês, parecia inevitável: conquistar o 32.º título nacional do seu historial. E isso só aconteceu, basicamente, porque a equipa encarnada foi a melhor ao longo de toda a temporada. Aliás, se olharmos ao que tem sido normal nas últimas épocas, as águias fizeram o suficiente para resolver o assunto com bastante antecipação. Porém, desta feita, surgiu um inesperado obstáculo que só deixou de lutar aquando do derradeiro apito. O Sporting de Braga fez um trajecto de sonho e, nesta altura, só deve lamentar o facto de tão brilhante registo ter coincidido com, muito provavelmente, o Benfica mais forte dos derradeiros 15 anos.
O ponto final na questão do título, no entanto, acabou por ser algo sofrido. Os minhotos recusaram-se a perder pontos até à deslocação ao terreno do Nacional e os encarnados falharam o "xeque-mate" no Dragão. E mesmo no passado domingo, numa Luz lotada, foi visível o nervoso miudinho a atrapalhar muitas acções. A comprovar isso, diga-se que a equipa não conseguiu embalar para a goleada mesmo tendo marcado logo de entrada. E nem a superioridade numérica, alcançada cedo, contribuiu para serenar os pupilos de Jorge Jesus. Só isso justifica as várias oportunidades desperdiçadas e, pelo meio, o erro colectivo no golo de Ricardo Chaves.
Valeu ao Benfica que, pouco depois do inesperado 1-1, Cardozo serenou as hostes, assegurando também o troféu de melhor marcador, após animado despique com o colombiano Falcão.
Sendo óbvio que todas as análises são subjectivas, não me parece discutível a justiça do título encarnado. O Sporting de Braga foi notável, mas o Benfica foi melhor. Jogou e marcou mais, oferecendo inúmeros espectáculos de elevado nível. Jesus tinha prometido uma equipa a jogar o dobro da época anterior e cumpriu. Visto de outra forma: errou a previsão, pois viu-se quase sempre o triplo (ou mais ainda) do que no consulado do simpático Quique Flores.
Com a excepção (esperada) de Pinto da Costa, só Domingos se lembrou, nos últimos dias, de beliscar o título encarnado. Esteve mal. Perdeu tempo a falar de terceiros em vez de enaltecer o desempenho dos seus homens. E destacar eventuais erros de arbitragem a favor do Benfica soou a desculpa esfarrapada, quando todos sabemos que, se as águias foram auxiliadas algumas vezes, isso também aconteceu com os bracarenses. O treinador que, no passado, só olhava para o campo em determinados momentos, parece que agora vê tudo, nos embates em que participa e não só. O seu problema, por agora, parece ser de memória. Só tem para o que lhe interessa. É pena, pois assim está a ser igual a tantos outros, quando futebolisticamente tem tudo para ser diferente. Para ser melhor...
O ponto final na questão do título, no entanto, acabou por ser algo sofrido. Os minhotos recusaram-se a perder pontos até à deslocação ao terreno do Nacional e os encarnados falharam o "xeque-mate" no Dragão. E mesmo no passado domingo, numa Luz lotada, foi visível o nervoso miudinho a atrapalhar muitas acções. A comprovar isso, diga-se que a equipa não conseguiu embalar para a goleada mesmo tendo marcado logo de entrada. E nem a superioridade numérica, alcançada cedo, contribuiu para serenar os pupilos de Jorge Jesus. Só isso justifica as várias oportunidades desperdiçadas e, pelo meio, o erro colectivo no golo de Ricardo Chaves.
Valeu ao Benfica que, pouco depois do inesperado 1-1, Cardozo serenou as hostes, assegurando também o troféu de melhor marcador, após animado despique com o colombiano Falcão.
Sendo óbvio que todas as análises são subjectivas, não me parece discutível a justiça do título encarnado. O Sporting de Braga foi notável, mas o Benfica foi melhor. Jogou e marcou mais, oferecendo inúmeros espectáculos de elevado nível. Jesus tinha prometido uma equipa a jogar o dobro da época anterior e cumpriu. Visto de outra forma: errou a previsão, pois viu-se quase sempre o triplo (ou mais ainda) do que no consulado do simpático Quique Flores.
Com a excepção (esperada) de Pinto da Costa, só Domingos se lembrou, nos últimos dias, de beliscar o título encarnado. Esteve mal. Perdeu tempo a falar de terceiros em vez de enaltecer o desempenho dos seus homens. E destacar eventuais erros de arbitragem a favor do Benfica soou a desculpa esfarrapada, quando todos sabemos que, se as águias foram auxiliadas algumas vezes, isso também aconteceu com os bracarenses. O treinador que, no passado, só olhava para o campo em determinados momentos, parece que agora vê tudo, nos embates em que participa e não só. O seu problema, por agora, parece ser de memória. Só tem para o que lhe interessa. É pena, pois assim está a ser igual a tantos outros, quando futebolisticamente tem tudo para ser diferente. Para ser melhor...
Artigo de Opinião de António Varela - Javi García colou o campeão
Jorge Jesus conseguiu que todo o Benfica se reunisse em torno de um objetivo único: ganhar. Jogos. O respeito dos adversários. E a qualidade que pode fazer do Benfica uma equipa para vencer mais vezes.
A dupla de centrais Luisão-David Luiz não tem a classe de Mozer-Ricardo, mas é de uma fiabilidade acima de qualquer suspeita. Duvida-se que perca para Lucio-Juan, o duo que é titular da seleção brasileira.
Ramires foi uma contratação oportuníssima - ele correu muitas maratonas, sempre a aliar o esforço à qualidade das decisões quando na posse da bola. E marcou um golo precioso em Guimarães.
Di María foi o grande craque, a esperança finalmente concretizada.
Aimar foi Aimar, quando teve pulmão.
Carlos Martins e Ruben Amorim passaram das marcas, sendo suplentes tiveram estatuto de titulares.
Cardozo goleou com fiabilidade... fora da marca de penálti.
Saviola tornou-se o ídolo da juventude. El Conejo "tem golo" e a aura que encanta os adeptos.
Mas o grande jogador deste Benfica campeão foi Javi García, o médio que colou a equipa. Que foi atrás e à frente, à esquerda e à direita. Que fez desarmes, passes e faltas cirúrgicas. E marcou também golos decisivos. Javi foi grande.
A dupla de centrais Luisão-David Luiz não tem a classe de Mozer-Ricardo, mas é de uma fiabilidade acima de qualquer suspeita. Duvida-se que perca para Lucio-Juan, o duo que é titular da seleção brasileira.
Ramires foi uma contratação oportuníssima - ele correu muitas maratonas, sempre a aliar o esforço à qualidade das decisões quando na posse da bola. E marcou um golo precioso em Guimarães.
Di María foi o grande craque, a esperança finalmente concretizada.
Aimar foi Aimar, quando teve pulmão.
Carlos Martins e Ruben Amorim passaram das marcas, sendo suplentes tiveram estatuto de titulares.
Cardozo goleou com fiabilidade... fora da marca de penálti.
Saviola tornou-se o ídolo da juventude. El Conejo "tem golo" e a aura que encanta os adeptos.
Mas o grande jogador deste Benfica campeão foi Javi García, o médio que colou a equipa. Que foi atrás e à frente, à esquerda e à direita. Que fez desarmes, passes e faltas cirúrgicas. E marcou também golos decisivos. Javi foi grande.
Artigo de Opinião de Luís Óscar - Águia papa tudo
Fechou a época 2009/2010 com o Benfica naturalmente campeão. No jogo da consagração, o Rio Ave deu a réplica possível - com menos um em campo chegou a igualar - mas não resistiu à onda encarnada, onde Cardozo surfou para o ouro, respondendo com a mesma medida aos dois golos apontados na véspera pelo dragão Radamel Falcão: com 26 golos, o paraguaio é o bota-de-ouro. Há 19 anos que o melhor marcador da Liga não era do Benfica.
Como sempre, é inútil discutir a justiça da vitória dos campeões mas esta do Benfica é mesmo inquestionável. Com mais 5 pontos do que o Sp. Braga (2.º), que empatou no Funchal com o Nacional (1-1), a equipa de Jorge Jesus não deixou dúvidas quanto à superioridade até porque, além da mão cheia de pontos à maior, teve (muito) mais golos marcados (78 contra 48) e o mesmo número de sofridos (20) do que o adversário mais direto mas com uma diferença (entre marcados e sofridos) incomparavelmente melhor: 58 contra 28.
Ou seja, não há como esconder: o Benfica de Jesus foi o melhor em quase tudo no campeonato que termina. Foi a equipa mais jornadas consecutivas a marcar (19, da 12.ª à 30.ª); foi a equipa mais eficaz (com cerca de 15% na relação remates/golos), foi a equipa com mais cantos conquistados (duas centenas e meia), mais pontos em casa (43, em igualdade como o Sp. Braga), mais pontos fora (33) e por aí adiante.
Podíamos continuar a desfiar números que, também a nível individual, colocam o Benfica no primeiro lugar do pódio. Parece desnecessário, parante as evidências. A melhor maneira de rematar este momento glorioso para os encarnados é registar um sincero "Parabéns Benfica!"
Como sempre, é inútil discutir a justiça da vitória dos campeões mas esta do Benfica é mesmo inquestionável. Com mais 5 pontos do que o Sp. Braga (2.º), que empatou no Funchal com o Nacional (1-1), a equipa de Jorge Jesus não deixou dúvidas quanto à superioridade até porque, além da mão cheia de pontos à maior, teve (muito) mais golos marcados (78 contra 48) e o mesmo número de sofridos (20) do que o adversário mais direto mas com uma diferença (entre marcados e sofridos) incomparavelmente melhor: 58 contra 28.
Ou seja, não há como esconder: o Benfica de Jesus foi o melhor em quase tudo no campeonato que termina. Foi a equipa mais jornadas consecutivas a marcar (19, da 12.ª à 30.ª); foi a equipa mais eficaz (com cerca de 15% na relação remates/golos), foi a equipa com mais cantos conquistados (duas centenas e meia), mais pontos em casa (43, em igualdade como o Sp. Braga), mais pontos fora (33) e por aí adiante.
Podíamos continuar a desfiar números que, também a nível individual, colocam o Benfica no primeiro lugar do pódio. Parece desnecessário, parante as evidências. A melhor maneira de rematar este momento glorioso para os encarnados é registar um sincero "Parabéns Benfica!"
Artigo de Opinião de Alexandre Pais - Vieira & Costa, o Benfica que sobreviveu às intrigas
É um lugar comum felicitar os vencedores. E o Benfica foi campeão graças ao esforço e qualidade dos seus jogadores, ao conhecimento e sagacidade de Jorge Jesus, à competência do seu departamento de futebol e ao entusiástico apoio dos seus adeptos.
Mas uma palavra é devida às cabecinhas pensadoras. Desde logo ao presidente Vieira, que soube aproveitar a enorme capacidade da marca Benfica para gerar receitas e investiu milhões na equipa de futebol, com a certeza de que teriam retorno... desde que o Benfica fosse campeão.
O Mundo está cheio de ambiciosos, que sonharam, arriscaram e... faliram. Luís Filipe Vieira teve o dom de não engrossar essa legião de falhados, muito por ter feito as apostas certas e, entre estas, a melhor foi seguramente a de Rui Costa. Ambos tiveram depois a inteligência de escolher o treinador que podia fazer a diferença e de construírem o plantel que melhor seria capaz de concretizar o "grande objetivo".
Mas a firma Vieira & Costa cometeu ainda uma proeza suplementar: soube resisistir às intrigas com que os invejosos sempre tentam minar as virtudes do entendimento. E quando as coisas não correram bem, como aconteceu na época passada, foram capazes de ultrapassar as dificuldades sem caírem na tentação fácil de atirarem as culpas um ao outro.
Foi essa persistência na aplicação da fórmula certa, a paciência e a fé inabalável na vitória que levou o Benfica a este triunfo. Sem operários, não há edifícios. Mas sem os arquitetos, os andares que se forem erguendo acabam por cair uns sobre os outros.
Luís Filipe Vieira andou anos a enfiar barretes, a cometer erros e a perder. Quando aprendeu, ganhou. As lições da vida só não aproveitam aos burros.
Mas uma palavra é devida às cabecinhas pensadoras. Desde logo ao presidente Vieira, que soube aproveitar a enorme capacidade da marca Benfica para gerar receitas e investiu milhões na equipa de futebol, com a certeza de que teriam retorno... desde que o Benfica fosse campeão.
O Mundo está cheio de ambiciosos, que sonharam, arriscaram e... faliram. Luís Filipe Vieira teve o dom de não engrossar essa legião de falhados, muito por ter feito as apostas certas e, entre estas, a melhor foi seguramente a de Rui Costa. Ambos tiveram depois a inteligência de escolher o treinador que podia fazer a diferença e de construírem o plantel que melhor seria capaz de concretizar o "grande objetivo".
Mas a firma Vieira & Costa cometeu ainda uma proeza suplementar: soube resisistir às intrigas com que os invejosos sempre tentam minar as virtudes do entendimento. E quando as coisas não correram bem, como aconteceu na época passada, foram capazes de ultrapassar as dificuldades sem caírem na tentação fácil de atirarem as culpas um ao outro.
Foi essa persistência na aplicação da fórmula certa, a paciência e a fé inabalável na vitória que levou o Benfica a este triunfo. Sem operários, não há edifícios. Mas sem os arquitetos, os andares que se forem erguendo acabam por cair uns sobre os outros.
Luís Filipe Vieira andou anos a enfiar barretes, a cometer erros e a perder. Quando aprendeu, ganhou. As lições da vida só não aproveitam aos burros.
Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral
1º Lugar: Jimmy Jump - 800 pontos
2º Lugar: Vermelho Sempre - 795 pontos
3º Lugar: Kaiserlicheagle - 720 pontos
4º Lugar: JC - 705 pontos
5º Lugar: Vermelho - 665 pontos
6º Lugar: Cuto e Sócio - 545 pontos
7º Lugar: Fura-Redes - 520 pontos
8º Lugar: J. Lobo - 490 pontos
9º Lugar: Gui - 485 pontos
10º Lugar: Samsalameh - 405 pontos
11º Lugar: Chico - 245 pontos
12º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos
13º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
14º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos
15º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
16º Lugar: Pachulico - 35 pontos
2º Lugar: Vermelho Sempre - 795 pontos
3º Lugar: Kaiserlicheagle - 720 pontos
4º Lugar: JC - 705 pontos
5º Lugar: Vermelho - 665 pontos
6º Lugar: Cuto e Sócio - 545 pontos
7º Lugar: Fura-Redes - 520 pontos
8º Lugar: J. Lobo - 490 pontos
9º Lugar: Gui - 485 pontos
10º Lugar: Samsalameh - 405 pontos
11º Lugar: Chico - 245 pontos
12º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos
13º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
14º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos
15º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
16º Lugar: Pachulico - 35 pontos
domingo, maio 09, 2010
sábado, maio 08, 2010
Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira - Insultos de consolação
A fazer fé nos jornais desportivos, no fim do jogo de domingo passado o presidente do Porto, provavelmente por naquele momento não dispor de isqueiros, viu-se forçado a lançar sobre os elementos da direcção do Benfica presentes no camarote presidencial uma saraivada de insultos.
Como sempre acontece quando alguém ligado ao Porto se comporta como um energúmeno, o culpado deste incidente foi, uma vez mais, o Benfica.
Os dirigentes benfiquistas sabem perfeitamente que, se querem ser bem recebidos por Pinto da Costa, devem apresentar-se no Dragão com um apito na boca. Augusto Duarte — agraciado, segundo os relatos mais modestos, com um delicioso cafezinho — nunca se queixou das qualidades de Pinto da Costa como anfitrião.
O problema só pode ser dos convidados.
Sem querer branquear actos repugnantes — até porque esse pelouro é dos subcomandantes da PSP do Porto — devo dizer que a ira de Pinto da Costa é compreensível. A posição que o Benfica ocupa no campeonato tem dedo do presidente do Porto. É evidente para todos que Jorge Jesus seguiu as indicações que Pinto da Costa deu a Augusto Duarte naquela notável escuta e, desde a primeira jornada, não tem feito outra coisa senão seguir «sempre em frente! Sempre em frente! Sempre em frente!» É muito desagradável quando os outros se aproveitam das nossas ideias.
SEGUNDO a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, os amarelos a Di María e Maxi Pereira foram injustos, Fucile devia ter sido expulso ainda na primeira parte, e é discutível que não tenha havido penalties por mão de Hulk e derrube de Álvaro a Maxi. Além disso, de acordo com o mesmo especialista, o Benfica teria sido campeão já no domingo passado se tivesse sido assinalado o fora-de-jogo existente no golo do Braga.
É refrescante poder ler as observações de um perito, sobretudo depois de passarmos uma semana a ouvir opiniões de completos leigos em arbitragem, como um Miguel Sousa Tavares, um Rui Moreira, ou um Olegário Benquerença.
APÓS o Benfica-Porto, segundo foi dado como provado, os jogadores do Porto não foram insultados nem agredidos. Houve, no entender da Comissão Disciplinar da Liga, uma provocação: o já célebre e por demais infame enxovalho «vão lá para dentro e voltem lá para cima».
Os jogadores do Porto reagiram com o natural e amplamente justificado espancamento dos stewards. Já no Porto-Benfica, Jorge Jesus levou com um isqueiro e não reagiu. Luisão levou com outro isqueiro e não o devolveu. Os dirigentes do Benfica foram insultados e não reagiram. Foi, claro, uma vergonha para todos os benfiquistas. Isto é gente que não sabe estar no futebol.
LINDA e comovente, a homenagem que o tribunal obrigou o Sporting a prestar a Iordanov. Eu bem vi as lágrimas a marejarem os olhos do búlgaro quando José Eduardo Bettencourt, obedecendo à ordem judicial, lhe ofereceu uma lembrança.
São sempre emocionantes, estas manifestações de gratidão que os clubes têm para com os seus heróis com o objectivo de evitar punições legais.
Um juiz decretou que houvesse decência em Alvalade, e eles não tiveram outro remédio senão acatar a decisão.
A lei é dura, mas é a lei.
Como sempre acontece quando alguém ligado ao Porto se comporta como um energúmeno, o culpado deste incidente foi, uma vez mais, o Benfica.
Os dirigentes benfiquistas sabem perfeitamente que, se querem ser bem recebidos por Pinto da Costa, devem apresentar-se no Dragão com um apito na boca. Augusto Duarte — agraciado, segundo os relatos mais modestos, com um delicioso cafezinho — nunca se queixou das qualidades de Pinto da Costa como anfitrião.
O problema só pode ser dos convidados.
Sem querer branquear actos repugnantes — até porque esse pelouro é dos subcomandantes da PSP do Porto — devo dizer que a ira de Pinto da Costa é compreensível. A posição que o Benfica ocupa no campeonato tem dedo do presidente do Porto. É evidente para todos que Jorge Jesus seguiu as indicações que Pinto da Costa deu a Augusto Duarte naquela notável escuta e, desde a primeira jornada, não tem feito outra coisa senão seguir «sempre em frente! Sempre em frente! Sempre em frente!» É muito desagradável quando os outros se aproveitam das nossas ideias.
SEGUNDO a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, os amarelos a Di María e Maxi Pereira foram injustos, Fucile devia ter sido expulso ainda na primeira parte, e é discutível que não tenha havido penalties por mão de Hulk e derrube de Álvaro a Maxi. Além disso, de acordo com o mesmo especialista, o Benfica teria sido campeão já no domingo passado se tivesse sido assinalado o fora-de-jogo existente no golo do Braga.
É refrescante poder ler as observações de um perito, sobretudo depois de passarmos uma semana a ouvir opiniões de completos leigos em arbitragem, como um Miguel Sousa Tavares, um Rui Moreira, ou um Olegário Benquerença.
APÓS o Benfica-Porto, segundo foi dado como provado, os jogadores do Porto não foram insultados nem agredidos. Houve, no entender da Comissão Disciplinar da Liga, uma provocação: o já célebre e por demais infame enxovalho «vão lá para dentro e voltem lá para cima».
Os jogadores do Porto reagiram com o natural e amplamente justificado espancamento dos stewards. Já no Porto-Benfica, Jorge Jesus levou com um isqueiro e não reagiu. Luisão levou com outro isqueiro e não o devolveu. Os dirigentes do Benfica foram insultados e não reagiram. Foi, claro, uma vergonha para todos os benfiquistas. Isto é gente que não sabe estar no futebol.
LINDA e comovente, a homenagem que o tribunal obrigou o Sporting a prestar a Iordanov. Eu bem vi as lágrimas a marejarem os olhos do búlgaro quando José Eduardo Bettencourt, obedecendo à ordem judicial, lhe ofereceu uma lembrança.
São sempre emocionantes, estas manifestações de gratidão que os clubes têm para com os seus heróis com o objectivo de evitar punições legais.
Um juiz decretou que houvesse decência em Alvalade, e eles não tiveram outro remédio senão acatar a decisão.
A lei é dura, mas é a lei.
sexta-feira, maio 07, 2010
quinta-feira, maio 06, 2010
Artigo de Opinião de Miguel Góis
A pergunta impõe-se: quem tem uma maior esperança média de vida? Um indivíduo que fuma um maço de tabaco por dia, ou um jogador do Benfica que leva com um isqueiro nas Antas? Não sei porquê, mas tenho a sensação de que a medicina dedica muito tempo de pesquisa ao primeiro caso, e continua a desprezar olimpicamente o segundo.
Por outro lado, não compreendo como é que só os maços de tabaco contêm avisos.
Porque não passar a colar nos isqueiros mensagens com, por exemplo, o seguinte teor pedagógico: "Deixar de atirar isqueiros para o relvado reduz o número de escoriações"? Dito isto, se há local em que faz sentido que haja muita gente a deitar isqueiros fora, esse local é as Antas: há lá algumas pessoas que, se dependesse do Ministério Público, estavam hoje num sítio onde é muito complicado arranjar cigarros.
Entretanto, alguns jornais revelaram que, enquanto voavam objetos para o relvado, se jogava uma partida de futebol. Respeitosamente, duvido. Até porque, em vez de futebol, o mais recente FC Porto-Benfica parecia uma prova dos Jogos Sem Fronteiras: a certa altura, o objetivo era ver qual o jogador do Benfica que conseguiria inserir a bola dentro da baliza adversária, tendo para isso que evitar os jogadores do FC Porto que se lançavam ao chão sem que alguém lhes tocasse, e ao mesmo tempo contornar as dezenas de isqueiros, telemóveis e tochas que caíam no relvado. Da próxima vez, desconfio que o Aimar vai entrar no relvado das Antas com um saco de batatas nos pés e a segurar uma colher com um ovo na boca.
No meio de tudo isto, estiveram os heroicos jogadores do Benfica, que foram alvo de projetos diametralmente opostos. De um lado, havia os adeptos do FC Porto, que os queriam pôr negros; do outro, o árbitro da partida, que os queria amarelar.
Por outro lado, não compreendo como é que só os maços de tabaco contêm avisos.
Porque não passar a colar nos isqueiros mensagens com, por exemplo, o seguinte teor pedagógico: "Deixar de atirar isqueiros para o relvado reduz o número de escoriações"? Dito isto, se há local em que faz sentido que haja muita gente a deitar isqueiros fora, esse local é as Antas: há lá algumas pessoas que, se dependesse do Ministério Público, estavam hoje num sítio onde é muito complicado arranjar cigarros.
Entretanto, alguns jornais revelaram que, enquanto voavam objetos para o relvado, se jogava uma partida de futebol. Respeitosamente, duvido. Até porque, em vez de futebol, o mais recente FC Porto-Benfica parecia uma prova dos Jogos Sem Fronteiras: a certa altura, o objetivo era ver qual o jogador do Benfica que conseguiria inserir a bola dentro da baliza adversária, tendo para isso que evitar os jogadores do FC Porto que se lançavam ao chão sem que alguém lhes tocasse, e ao mesmo tempo contornar as dezenas de isqueiros, telemóveis e tochas que caíam no relvado. Da próxima vez, desconfio que o Aimar vai entrar no relvado das Antas com um saco de batatas nos pés e a segurar uma colher com um ovo na boca.
No meio de tudo isto, estiveram os heroicos jogadores do Benfica, que foram alvo de projetos diametralmente opostos. De um lado, havia os adeptos do FC Porto, que os queriam pôr negros; do outro, o árbitro da partida, que os queria amarelar.
Artigo de Opinião de Rui Santos
Bocados e Pecados
As telenovelas e o futebol têm grande peso nas opções de grelha da programação televisiva. São os dois produtos que, genericamente, pulverizam as audiências nos canais generalistas e, também, no "universo cabo". Nos primeiros três lugares dos programas mais vistos desta temporada acham-se três transmissões de jogos de futebol - Taça da Liga e Liga Europa, na SIC - e, se considerarmos o top 10, achamos esses três jogos, mais dois emitidos pela TVI (5.º e 6.º lugares) e outro pela RTP (9.º), mais três telenovelas (TVI, 4.º, 7.º e 10.º lugares) e um telejornal (SIC, 8.º).
É, pois, natural que, na "guerra pelas audiências", os "programadores" disputem o (melhor) bocado. O que resulta nada natural é a forma como se vem estabelecendo a relação entre quem vende os direitos (Olivedesportos) e quem os compra (operadores televisivos), sendo que a televisão pública não pode deixar de atender a um conjunto de condicionantes, que não são as mesmas que se colocam às privadas.
Joaquim Oliveira conseguiu uma posição de grande privilégio neste sector. Criou um monopólio e múltiplas dependências. A crise e o facto de se ter tornado proprietário de um conjunto de órgãos de comunicação social contribuíram para que, sobre esta matéria, prevalecessem o silêncio, o medo (de represálias, já para não falar de um conceito muito limitativo de empregabilidade) e, até, a chantagem.
Os clubes, interessados em receber adiantadamente a parte que lhes vem cabendo para fazer face à pressão da tesouraria, não estão em condições de dizer um "ai", exceto agora o Benfica que, em razão de um ano bem mais conseguido do ponto de vista desportivo, propício para conclusões ao nível das assistências e das audiências, está agora em condições de melhor rentabilizar a força da sua "marca".
As televisões também não têm conseguido contornar a ditadura da Olivedesportos/Controlinveste e da Sport TV (canal temático do desporto criado em 1998 em parceria com a PT e a RTP), fazendo acordos temporais num ambiente concorrencial pouco genuíno e nada saudável.
A entrada em campo da Lusomundo Serviços (2005) criou, em redor de Joaquim Oliveira, uma situação concentracionária de "controlo dos media", pouco recomendável num país democrático e difícil de entender num sector muito sensível como é o da comunicação social, cuja relação com o poder político-partidário está na ordem do dia, atirando-se para a inexpugnabilidade de uma espécie de "bolha" (inatingível) a relação que se estabelece entre os meios informativos e o "poder futebolístico".
Não deixa de ser por isso curiosa, em tempo de crise, a proposta de cerca de 19 milhões de euros feita pela RTP por dois anos de transmissão dos jogos da Liga. Dá jeito a Oliveira (entalado entre a Zon e a Meo) e a muitos dos seus "boys" - e o "Zé Povinho" é quem paga...
Um servicinho bem feito. Público, claro. Mas um pecado que nem a visita do Papa conseguirá expiar. Quem é mais importante: Oliveira (e as suas dívidas) ou os contribuintes?!...
As telenovelas e o futebol têm grande peso nas opções de grelha da programação televisiva. São os dois produtos que, genericamente, pulverizam as audiências nos canais generalistas e, também, no "universo cabo". Nos primeiros três lugares dos programas mais vistos desta temporada acham-se três transmissões de jogos de futebol - Taça da Liga e Liga Europa, na SIC - e, se considerarmos o top 10, achamos esses três jogos, mais dois emitidos pela TVI (5.º e 6.º lugares) e outro pela RTP (9.º), mais três telenovelas (TVI, 4.º, 7.º e 10.º lugares) e um telejornal (SIC, 8.º).
É, pois, natural que, na "guerra pelas audiências", os "programadores" disputem o (melhor) bocado. O que resulta nada natural é a forma como se vem estabelecendo a relação entre quem vende os direitos (Olivedesportos) e quem os compra (operadores televisivos), sendo que a televisão pública não pode deixar de atender a um conjunto de condicionantes, que não são as mesmas que se colocam às privadas.
Joaquim Oliveira conseguiu uma posição de grande privilégio neste sector. Criou um monopólio e múltiplas dependências. A crise e o facto de se ter tornado proprietário de um conjunto de órgãos de comunicação social contribuíram para que, sobre esta matéria, prevalecessem o silêncio, o medo (de represálias, já para não falar de um conceito muito limitativo de empregabilidade) e, até, a chantagem.
Os clubes, interessados em receber adiantadamente a parte que lhes vem cabendo para fazer face à pressão da tesouraria, não estão em condições de dizer um "ai", exceto agora o Benfica que, em razão de um ano bem mais conseguido do ponto de vista desportivo, propício para conclusões ao nível das assistências e das audiências, está agora em condições de melhor rentabilizar a força da sua "marca".
As televisões também não têm conseguido contornar a ditadura da Olivedesportos/Controlinveste e da Sport TV (canal temático do desporto criado em 1998 em parceria com a PT e a RTP), fazendo acordos temporais num ambiente concorrencial pouco genuíno e nada saudável.
A entrada em campo da Lusomundo Serviços (2005) criou, em redor de Joaquim Oliveira, uma situação concentracionária de "controlo dos media", pouco recomendável num país democrático e difícil de entender num sector muito sensível como é o da comunicação social, cuja relação com o poder político-partidário está na ordem do dia, atirando-se para a inexpugnabilidade de uma espécie de "bolha" (inatingível) a relação que se estabelece entre os meios informativos e o "poder futebolístico".
Não deixa de ser por isso curiosa, em tempo de crise, a proposta de cerca de 19 milhões de euros feita pela RTP por dois anos de transmissão dos jogos da Liga. Dá jeito a Oliveira (entalado entre a Zon e a Meo) e a muitos dos seus "boys" - e o "Zé Povinho" é quem paga...
Um servicinho bem feito. Público, claro. Mas um pecado que nem a visita do Papa conseguirá expiar. Quem é mais importante: Oliveira (e as suas dívidas) ou os contribuintes?!...
Um Fantástico Jogo de Futebol
"Espantoso desfecho no Motherwell-Hibernian, na quinta-feira. A equipa da casa perdia por 2-6 e dezenas de adeptos abandonavam o estádio. E do meio de nada, com uma fífia, um penalty falhado e um golaço à mistura, assistiu à recuperação mais extraordinária do passado recente. 6-6, 12 golos em jogo da Premier League da Escócia.” – Maisfutebol
Artigo de Opinião de João Gobern - Golfe, isqueirada e misérias
As circunstâncias que rodearam o clássico do Dragão são motivo de orgulho para todos os desportistas nacionais. Ficámos a saber da existência de mais duas secções no FC Porto: uma de golfe, com a particularidade de estar na moda uma variante que dispensa os tacos, o equipamento tradicional e até os "greens"; outra, muito mais certeira, que se dedica à isqueirada, modalidade com todos os condimentos para se tornar um fenómeno de popularidade. Claro que o isqueiro pode ser aperfeiçoado, uma vez que não serve para acender ou alumiar, mas apenas como arma de arremesso.
Percebemos que os respetivos praticantes não gostam de dar a cara, preferindo fazer lançamentos furtivos e assobiando para o lado quando pressentem a proximidade de uma câmara de televisão. Por exemplo: nas imagens da Sport TV viu-se bem o homem que fez de Jorge Jesus o seu alvo particular. Aposto que já passou a gravação para DVD, com o objetivo de a mostrar à família e aos amigos. Pena que as "implacáveis" forças de segurança não tenham tido oportunidade de ver o que o país viu. Percebeu-se, enfim, que não é uma modalidade ao alcance de todos, depois de presenciarmos o "falhanço" de Luisão, depois de alvejado à entrada do túnel. Não dá para aquilo...
Houve outras inoperâncias, dentro e fora de campo. Fora, avulta o momento da declaração categórica de um responsável policial, garantindo não ter havido pedradas ou similares ao autocarro do Benfica, desde o hotel ao estádio. Teve azar: o repórter televisivo de serviço desmentiu-o de imediato, com o argumento irrefutável: "Eu vi...". Olegário Benquerença, apesar do olho de lince que lhe permitiu oferecer por três vezes o cartão amarelo a jogadores do Benfica nos primeiros quinze minutos (dois deles absurdos, os de Di María e Fábio Coentrão, um terceiro duvidoso, o de David Luiz), não conseguiu ver dois ataques (falhados, é certo, mas bem percetíveis) de Raul Meireles a pernas adversárias nem dois penáltis (carga sobre Maxi Pereira, mão na bola em livre marcado por Di María) que seriam claríssimos, noutro estádio e noutro ambiente.
Razão teve Jesualdo Ferreira: a expulsão de Fucile é ridícula. Sobretudo por ser tardia - com igualdade de critérios, teria deixado o terreno de jogo logo aos 17 minutos. Feitas as contas, pouco importa: o FC Porto julga ter salvo a honra, o Benfica conseguiu salvar jogadores suficientes para entrar em campo no próximo domingo. E até os distantes adeptos do Sporting, apesar da oitava derrota e de somarem 42 pontos perdidos para os 45 conquistados, puderam festejar os golos do FC Porto. E talvez o do Braga, mesmo marcado em fora-de-jogo. É bom que todos descubram motivos para celebrar - sempre se evitam as depressões.
Percebemos que os respetivos praticantes não gostam de dar a cara, preferindo fazer lançamentos furtivos e assobiando para o lado quando pressentem a proximidade de uma câmara de televisão. Por exemplo: nas imagens da Sport TV viu-se bem o homem que fez de Jorge Jesus o seu alvo particular. Aposto que já passou a gravação para DVD, com o objetivo de a mostrar à família e aos amigos. Pena que as "implacáveis" forças de segurança não tenham tido oportunidade de ver o que o país viu. Percebeu-se, enfim, que não é uma modalidade ao alcance de todos, depois de presenciarmos o "falhanço" de Luisão, depois de alvejado à entrada do túnel. Não dá para aquilo...
Houve outras inoperâncias, dentro e fora de campo. Fora, avulta o momento da declaração categórica de um responsável policial, garantindo não ter havido pedradas ou similares ao autocarro do Benfica, desde o hotel ao estádio. Teve azar: o repórter televisivo de serviço desmentiu-o de imediato, com o argumento irrefutável: "Eu vi...". Olegário Benquerença, apesar do olho de lince que lhe permitiu oferecer por três vezes o cartão amarelo a jogadores do Benfica nos primeiros quinze minutos (dois deles absurdos, os de Di María e Fábio Coentrão, um terceiro duvidoso, o de David Luiz), não conseguiu ver dois ataques (falhados, é certo, mas bem percetíveis) de Raul Meireles a pernas adversárias nem dois penáltis (carga sobre Maxi Pereira, mão na bola em livre marcado por Di María) que seriam claríssimos, noutro estádio e noutro ambiente.
Razão teve Jesualdo Ferreira: a expulsão de Fucile é ridícula. Sobretudo por ser tardia - com igualdade de critérios, teria deixado o terreno de jogo logo aos 17 minutos. Feitas as contas, pouco importa: o FC Porto julga ter salvo a honra, o Benfica conseguiu salvar jogadores suficientes para entrar em campo no próximo domingo. E até os distantes adeptos do Sporting, apesar da oitava derrota e de somarem 42 pontos perdidos para os 45 conquistados, puderam festejar os golos do FC Porto. E talvez o do Braga, mesmo marcado em fora-de-jogo. É bom que todos descubram motivos para celebrar - sempre se evitam as depressões.
Artigo de Opinião de Santos Neves - Pode o Rio Ave arrasar a Luz?
NÃO passa pela cabeça de alguém — creio que nem pela do mais entusiasta adepto bracarense — o Benfica falhar a conquista do título nacional no derradeiro jogo e em sua casa... O estádio da Luz terá lotação esgotada e a ferver de paixão vermelha, o Benfica tem sido a mais espectacular equipa — que gigantesca diferença de qualidade face ao último Benfica campeão, já lá vão cinco anos... —, o Rio Ave, apenas 11.º, à distância de 42 pontos (!), nada tem de papão, e, caramba, empate basta. A frio, é assim: nenhuma hipótese de haver escândalo.
Há, claro, uns ses e uns mas...:
1- O sortilégio do futebol, amiúde tão cheio de surpresas que chegam a atingir o incrível (Domingos Paciência, alimentando a crença da sua equipa e mantendo muito legítima estratégia de pressão, já lembrou como o Corunha perdeu título espanhol: no último dia, no seu terreno e falhando penalty no derradeiro minuto!).
2- O brio do Rio Ave e a sua interessante capacidade de resistência fora de casa: em 14 jogos, teve menos derrotas (5) do que resultados positivos (6 empates, 3 vitórias). Ainda assim, o mais frequente resultado do Rio Ave nesta Liga (13 empates) não será suficiente para a corrida ao título ter desfecho qual filme de Hitchcok...
3- Benfica sem Javier García e, sobretudo, sem Fábio Coentrão e Dí Maria, a diabólica asa esquerda que habitualmente lhe dá superdinâmica. A estas importantes ausências poderá juntar-se confirmação de Cardozo, Saviola, Ramires andarem presos por arames...
4- Acima de tudo: Benfica em descendente gráfico de forma... Nos últimos jogos, teve dificuldade em camuflar cansaço de jogadores chaves e... muito nervosismo. Ansiedade por a meta do grande êxito estar mesmo, mesmo ali... mas tardar a ser cortada (ai a admirável persistência do Sp. Braga!) tem vindo a emperrar a esfusiante máquina montada por Jorge Jesus. Cansaço e desconcentração competitiva foram superevidentes em Liverpool. Ansiedade tocando a zona vermelha do conta-rotações já se notara, quanto a mim, na vitória em Coimbra, qual paradoxo até no 5-0 ao Olhanense...; e tornou-se flagrante no Dragão: para além do grande mérito portista e das tais unidades em perda de rendimento, o Benfica perdeu-se no descontrolo do seu estado emocional (gritante quando, após conseguir 1-1 e ficar em superioridade numérica, de todo avariou a bússola de objectivos...).
Nada disto tira brilho à espectacular ressurreição do Benfica. Foi, sem dúvida, a melhor equipa portuguesa do campeonato e no todo da época. Futebol de ataque a toda a brida, pura fúria de vencer. Bem compreensíveis os sinais de desgaste na ponta final; o Benfica arrancou a todo o gás logo na pré-época (ror de troféus conquistados, nem um falhando), já lá vão quase 10 meses...
Há espaço para o Rio Ave arrasar o estádio da Luz e a nação benfiquista? Tanto como o meu para ganhar o euromilhões... Verdade que ainda não desisti...
SP. BRAGA: a impressionante proeza de já ter garantido, como mínimo, ser vice-campeão, quiçá com atraso de tão-só 3 pontos e com 5 de vantagem sobre o FC Porto (vida bem difícil no último dia, em casa do Nacional que sonha ir à Liga Europa por via da 5.ª posição). Em simultâneo, o mais importante para o futuro do Sp. Braga: acordou a sua cidade!; tem hoje entusiastas adeptos como não tinha, passou a encher o seu estádio e, nas últimas semanas, até os alheios, como nunca fizera. De forma um pouco artificial (milhares de bilhetes oferecidos pela Direcção)? Sim, mas isso faz parte do crucial lançamento para o futuro.
MOURINHO: o 1.º troféu da época já é do seu Inter. Roma, actual rival n.º 1, disputou em sua casa a final da Taça de Itália, mas o Inter conquistou-a. Que louco final de temporada!: Mourinho bicampeão de Itália está à distância de 2 jogos. Para Mourinho de novo campeão da Europa, o grande Barça já vergado, a distância é de 90 minutos. Se tudo isto der certo, ai do presidente do Real Madrid se não for buscá-lo!
Há, claro, uns ses e uns mas...:
1- O sortilégio do futebol, amiúde tão cheio de surpresas que chegam a atingir o incrível (Domingos Paciência, alimentando a crença da sua equipa e mantendo muito legítima estratégia de pressão, já lembrou como o Corunha perdeu título espanhol: no último dia, no seu terreno e falhando penalty no derradeiro minuto!).
2- O brio do Rio Ave e a sua interessante capacidade de resistência fora de casa: em 14 jogos, teve menos derrotas (5) do que resultados positivos (6 empates, 3 vitórias). Ainda assim, o mais frequente resultado do Rio Ave nesta Liga (13 empates) não será suficiente para a corrida ao título ter desfecho qual filme de Hitchcok...
3- Benfica sem Javier García e, sobretudo, sem Fábio Coentrão e Dí Maria, a diabólica asa esquerda que habitualmente lhe dá superdinâmica. A estas importantes ausências poderá juntar-se confirmação de Cardozo, Saviola, Ramires andarem presos por arames...
4- Acima de tudo: Benfica em descendente gráfico de forma... Nos últimos jogos, teve dificuldade em camuflar cansaço de jogadores chaves e... muito nervosismo. Ansiedade por a meta do grande êxito estar mesmo, mesmo ali... mas tardar a ser cortada (ai a admirável persistência do Sp. Braga!) tem vindo a emperrar a esfusiante máquina montada por Jorge Jesus. Cansaço e desconcentração competitiva foram superevidentes em Liverpool. Ansiedade tocando a zona vermelha do conta-rotações já se notara, quanto a mim, na vitória em Coimbra, qual paradoxo até no 5-0 ao Olhanense...; e tornou-se flagrante no Dragão: para além do grande mérito portista e das tais unidades em perda de rendimento, o Benfica perdeu-se no descontrolo do seu estado emocional (gritante quando, após conseguir 1-1 e ficar em superioridade numérica, de todo avariou a bússola de objectivos...).
Nada disto tira brilho à espectacular ressurreição do Benfica. Foi, sem dúvida, a melhor equipa portuguesa do campeonato e no todo da época. Futebol de ataque a toda a brida, pura fúria de vencer. Bem compreensíveis os sinais de desgaste na ponta final; o Benfica arrancou a todo o gás logo na pré-época (ror de troféus conquistados, nem um falhando), já lá vão quase 10 meses...
Há espaço para o Rio Ave arrasar o estádio da Luz e a nação benfiquista? Tanto como o meu para ganhar o euromilhões... Verdade que ainda não desisti...
SP. BRAGA: a impressionante proeza de já ter garantido, como mínimo, ser vice-campeão, quiçá com atraso de tão-só 3 pontos e com 5 de vantagem sobre o FC Porto (vida bem difícil no último dia, em casa do Nacional que sonha ir à Liga Europa por via da 5.ª posição). Em simultâneo, o mais importante para o futuro do Sp. Braga: acordou a sua cidade!; tem hoje entusiastas adeptos como não tinha, passou a encher o seu estádio e, nas últimas semanas, até os alheios, como nunca fizera. De forma um pouco artificial (milhares de bilhetes oferecidos pela Direcção)? Sim, mas isso faz parte do crucial lançamento para o futuro.
MOURINHO: o 1.º troféu da época já é do seu Inter. Roma, actual rival n.º 1, disputou em sua casa a final da Taça de Itália, mas o Inter conquistou-a. Que louco final de temporada!: Mourinho bicampeão de Itália está à distância de 2 jogos. Para Mourinho de novo campeão da Europa, o grande Barça já vergado, a distância é de 90 minutos. Se tudo isto der certo, ai do presidente do Real Madrid se não for buscá-lo!
Espaço Prof. Karamba
P. Ferreira - Olhanense
Benfica - Rio Ave
V. Setúbal - Belenenses
V. Guimarães - Marítimo
Naval - Académica
Nacional - Sp. Braga
Leixões - Sporting
U. Leiria - FC Porto
Benfica - Rio Ave
V. Setúbal - Belenenses
V. Guimarães - Marítimo
Naval - Académica
Nacional - Sp. Braga
Leixões - Sporting
U. Leiria - FC Porto
quarta-feira, maio 05, 2010
Mais um passo na estratégia de desestabilização
Carlos Martins está definitivamente fora do Mundial da África do Sul. O jogador não faz parte, do lote de atletas pré-convocados para o campeonato do mundo sabe a Antena 1
Carlos Martins está fora dos planos de Carlos Queiroz. Mas o seleccionador inclui na lista os benfiquistas: Quim, César Peixoto, Fábio Coentrão, Rúben Amorim e Nuno Gomes.
Parece-me uma extraordinária coincidência que a Antena 1 apenas conheça os pré-convocados do SLBenfica!
Parece-me uma extraordinária coincidência o timing da sua divulgação pública!
Parece-me uma extraordinária coincidência que o enfoque da notícia recaia sobre o jogador emocionalmente mais instável do plantel!
Parece-me uma extraordinária evidência o propósito que subjaz à notícia!
Carlos Martins está fora dos planos de Carlos Queiroz. Mas o seleccionador inclui na lista os benfiquistas: Quim, César Peixoto, Fábio Coentrão, Rúben Amorim e Nuno Gomes.
Parece-me uma extraordinária coincidência que a Antena 1 apenas conheça os pré-convocados do SLBenfica!
Parece-me uma extraordinária coincidência o timing da sua divulgação pública!
Parece-me uma extraordinária coincidência que o enfoque da notícia recaia sobre o jogador emocionalmente mais instável do plantel!
Parece-me uma extraordinária evidência o propósito que subjaz à notícia!
Di Maria - O Adeus (artigo de opinião de Nuno Martins)
Já não há dúvidas: Angel Di María não será jogador do Benfica na próxima época.
O encaixe que o Benfica vai fazer com a transferência do jovem internacional argentino é proporcional ao talento que aquele expressou em três épocas na Luz, muito embora a despedida não seja a que mais deseja - o cartão amarelo com que foi admoestado no Dragão afasta-o do encontro com o Rio Ave.
Escrevi anteriormente, que a saída de Di María no final da temporada passada seria um desperdício, uma que vez que há muito que o jogador vinha a ser seguido por grandes clubes europeus.
O argentino sempre mostrou qualidades acima da média, mas estas nunca foram verdadeiramente potenciadas e enquadradas com as necessidades do coletivo. Por outras palavras, era um diamante por lapidar.
Jorge Jesus teve esse mérito. Soube aproveitar o potencial do campeão olímpico, algo que se traduziu nas assistências e nos golos marcados. Se o Benfica conquistar o campeonato - e esse objetivo está à distância de 1 ponto -, então poderá dizer que Di María foi, agora sim, uma mais-valia para a equipa lisboeta. Este é, pois, o momento certo para Di María sair. Aliás, nem seria possível ao Benfica protelar este cenário.
PS: A contratação de Nicolás Gaitán revela conhecimento do mercado argentino por parte do Benfica. Aliás, a América do Sul tem sido um campo privilegiado de recrutamento das águias. Mas é também uma jogada de antecipação: com tempo, resolvem a substituição do camisola 20 com um jogador que ainda tem margem de progressão.
O encaixe que o Benfica vai fazer com a transferência do jovem internacional argentino é proporcional ao talento que aquele expressou em três épocas na Luz, muito embora a despedida não seja a que mais deseja - o cartão amarelo com que foi admoestado no Dragão afasta-o do encontro com o Rio Ave.
Escrevi anteriormente, que a saída de Di María no final da temporada passada seria um desperdício, uma que vez que há muito que o jogador vinha a ser seguido por grandes clubes europeus.
O argentino sempre mostrou qualidades acima da média, mas estas nunca foram verdadeiramente potenciadas e enquadradas com as necessidades do coletivo. Por outras palavras, era um diamante por lapidar.
Jorge Jesus teve esse mérito. Soube aproveitar o potencial do campeão olímpico, algo que se traduziu nas assistências e nos golos marcados. Se o Benfica conquistar o campeonato - e esse objetivo está à distância de 1 ponto -, então poderá dizer que Di María foi, agora sim, uma mais-valia para a equipa lisboeta. Este é, pois, o momento certo para Di María sair. Aliás, nem seria possível ao Benfica protelar este cenário.
PS: A contratação de Nicolás Gaitán revela conhecimento do mercado argentino por parte do Benfica. Aliás, a América do Sul tem sido um campo privilegiado de recrutamento das águias. Mas é também uma jogada de antecipação: com tempo, resolvem a substituição do camisola 20 com um jogador que ainda tem margem de progressão.
terça-feira, maio 04, 2010
Artigo de Opinião de João Querido Manha
Primeiro, o Inter do genialíssimo Mourinho. Depois o Porto, do geniquentíssimo Jesualdo.
E, em poucos dias, com três ou quatro espertos a chancelar a coisa ao melhor nível do nacional-futebolismo correto, parece vingar a ideia de que nada há de melhor do que jogar em inferioridade numérica.
Uma rápida análise da temporada, diz-nos precisamente o contrário. Apenas em oito jogos, dos 68 que tiveram expulsões, a perda de jogadores coincidiu com algum benefício de resultado - incluindo o empate do Porto em Paços de Ferreira, a vitória do Braga em Belém, a recuperação do Marítimo também no Restelo e o triunfo do Nacional no dérbi madeirense. Por vezes acontecem exceções, mas nada supera o ter superioridade e saber usufruí-la.
A insistência de jogadores, responsáveis e dirigentes do Porto (e também do Braga) em ver o plantel do Benfica dizimado por castigos, fazendo regressar à primeira linha de combate, agora sobre Luisão, a perseguição feita a David Luiz nas semanas que precederam o "clássico Hulk", prova que todos igualmente consideram uma vantagem o "casting" total. Aliás, pensando já na próxima época, só falta encontrar o habitual cidadão de Rio Tinto atingido pelo isqueiro, para preservar por uns bons três meses da insuportável combatividade do capitão encarnado o pacífico e muito desportivo "association" nacional.
As exceções ocorrem, sobretudo, em ambientes especiais ou momentos de motivação suprema, como a que exacerbou a equipa de Jesualdo Ferreira para um triunfo redentor. E quando, do outro lado, a fortaleza mental abre brechas e deixa penetrar laivos de desconcentração - como os que perturbaram a equipa do Benfica nos momentos decisivos do jogo de domingo.
O Benfica bateu no domingo um recorde, porventura mundial, de tempo de jogo em superioridade numérica ao longo de uma temporada, chegando a 342 minutos (cinco horas e 42 minutos de jogo) com mais um (por vezes, dois) jogador em campo. O que corresponde a 13 por cento do tempo total da competição. E Fucile foi o 17.º jogador adversário a ver o cartão vermelho em partidas do líder.
A grandiosidade da época encarnada justifica estes dois recordes, arrebatados ao Porto (305 minutos na época de 2000/01) e ao Sporting (16 adversários expulsos na Liga de 2004/05).
Semana a semana, o Benfica enfrentou adversários hiper-motivados, nos limites, quase descontrolados, procurando arrastá-lo para jogos de combate e nivelamentos por baixo.
Quase sempre, a força mental dos lisboetas sobrou para as encomendas, mas nos dois jogos mais complexos, em Braga e nas Antas, foi insuficiente.
O trabalho que espera Jorge Jesus nesta semana e no lançamento da próxima temporada, seguramente ainda mais assanhada pelo fanatismo emblemático, a raiar o racismo, que alastra perante a indiferença da Federação e da Liga, é precisamente o de preparar uma equipa (quase)campeã a saber gerir a sua superioridade.
A imagem confrangedora de adversários caindo a pique do pedestal da glória para comportamentos do mais rasteiro e miserável, servir-lhe-á de inspiração.
E, em poucos dias, com três ou quatro espertos a chancelar a coisa ao melhor nível do nacional-futebolismo correto, parece vingar a ideia de que nada há de melhor do que jogar em inferioridade numérica.
Uma rápida análise da temporada, diz-nos precisamente o contrário. Apenas em oito jogos, dos 68 que tiveram expulsões, a perda de jogadores coincidiu com algum benefício de resultado - incluindo o empate do Porto em Paços de Ferreira, a vitória do Braga em Belém, a recuperação do Marítimo também no Restelo e o triunfo do Nacional no dérbi madeirense. Por vezes acontecem exceções, mas nada supera o ter superioridade e saber usufruí-la.
A insistência de jogadores, responsáveis e dirigentes do Porto (e também do Braga) em ver o plantel do Benfica dizimado por castigos, fazendo regressar à primeira linha de combate, agora sobre Luisão, a perseguição feita a David Luiz nas semanas que precederam o "clássico Hulk", prova que todos igualmente consideram uma vantagem o "casting" total. Aliás, pensando já na próxima época, só falta encontrar o habitual cidadão de Rio Tinto atingido pelo isqueiro, para preservar por uns bons três meses da insuportável combatividade do capitão encarnado o pacífico e muito desportivo "association" nacional.
As exceções ocorrem, sobretudo, em ambientes especiais ou momentos de motivação suprema, como a que exacerbou a equipa de Jesualdo Ferreira para um triunfo redentor. E quando, do outro lado, a fortaleza mental abre brechas e deixa penetrar laivos de desconcentração - como os que perturbaram a equipa do Benfica nos momentos decisivos do jogo de domingo.
O Benfica bateu no domingo um recorde, porventura mundial, de tempo de jogo em superioridade numérica ao longo de uma temporada, chegando a 342 minutos (cinco horas e 42 minutos de jogo) com mais um (por vezes, dois) jogador em campo. O que corresponde a 13 por cento do tempo total da competição. E Fucile foi o 17.º jogador adversário a ver o cartão vermelho em partidas do líder.
A grandiosidade da época encarnada justifica estes dois recordes, arrebatados ao Porto (305 minutos na época de 2000/01) e ao Sporting (16 adversários expulsos na Liga de 2004/05).
Semana a semana, o Benfica enfrentou adversários hiper-motivados, nos limites, quase descontrolados, procurando arrastá-lo para jogos de combate e nivelamentos por baixo.
Quase sempre, a força mental dos lisboetas sobrou para as encomendas, mas nos dois jogos mais complexos, em Braga e nas Antas, foi insuficiente.
O trabalho que espera Jorge Jesus nesta semana e no lançamento da próxima temporada, seguramente ainda mais assanhada pelo fanatismo emblemático, a raiar o racismo, que alastra perante a indiferença da Federação e da Liga, é precisamente o de preparar uma equipa (quase)campeã a saber gerir a sua superioridade.
A imagem confrangedora de adversários caindo a pique do pedestal da glória para comportamentos do mais rasteiro e miserável, servir-lhe-á de inspiração.
Pormenores, Pormaiores
"Jorge Jesus ficou irritado com o golo sofrido pelo Benfica diante do Vitória de Setúbal já perto do apito final, quando o resultado marcava 8-0 para os encarnados, e no balneário fez sentir esse facto aos jogadores. A explicação é simples, o treinador dos encarnados lançou um desafio aos seus atletas no que a golos sofridos diz respeito esta temporada na Liga portuguesa. Não traçou uma meta propriamente dita, mas "propôs" um limite máximo na ordem dos 20 golos."
Artigo de Opinião de António Magalhães
À alta competição estão associados muitos requisitos que implicam ter nervos de aço. Um atleta profissional deve estar preparado para uma prática desportiva intensa e exigente do ponto de vista físico e mental, uma vez que os desafios que lhe são colocados colocam à prova várias capacidades que não se limitam ao talento. Mas não é suposto que um jogador tenha que estar preparado para atuar num cenário de guerra. Foi porém esta atmosfera que se criou para o clássico.
Bolas de golfe, isqueiros, telemóveis. Estes são alguns objetos que ficam para recordação do FC Porto-Benfica. O diretor de comunicação dos encarnados, João Gabriel, levou consigo pelo menos uma bola de golfe, conforme fez questão, aliás, de mostrar na conferência de imprensa após o jogo. O restante material terá sido recolhido para memória futura ou qualquer outra utilidade cujos fins por enquanto se desconhecem.
O FC Porto não apreciou as denúncias benfiquistas (como se o país inteiro não tivesse visto e fosse preciso fazê-lo) e num comunicado ontem emitido recordou tragédias, dramas e agressões para envolver o seu rival. No fundo estava o túnel e as suas queixas de que o campeonato ficou ferido na sua verdade desportiva.
É altamente preocupante a escalada de violência - verbal e física – que envolve os jogos que opõem o FC Porto ao Benfica numa rivalidade que não se confina ao futebol e que há muito deixou de ser saudável. Cada vez que se defrontam, os dois clubes atuam em autênticos estádios de ódio que, afinal, apenas refletem o nível que atingiu a relação entre os dois emblemas e muito particularmente os dois presidentes.
Perante a incapacidade dos dirigentes dos clubes em contrariar a tendência desta espiral de violência e o contributo de certos comentadores que alimentam a fogueira com insinuações em nome dos interesses dos clubes que representam, só há uma saída: introduzir no regulamento disciplinar castigos pesados (e não meras multas) para atos de violência nos estádios. Talvez assim, todos aprendam.
Bolas de golfe, isqueiros, telemóveis. Estes são alguns objetos que ficam para recordação do FC Porto-Benfica. O diretor de comunicação dos encarnados, João Gabriel, levou consigo pelo menos uma bola de golfe, conforme fez questão, aliás, de mostrar na conferência de imprensa após o jogo. O restante material terá sido recolhido para memória futura ou qualquer outra utilidade cujos fins por enquanto se desconhecem.
O FC Porto não apreciou as denúncias benfiquistas (como se o país inteiro não tivesse visto e fosse preciso fazê-lo) e num comunicado ontem emitido recordou tragédias, dramas e agressões para envolver o seu rival. No fundo estava o túnel e as suas queixas de que o campeonato ficou ferido na sua verdade desportiva.
É altamente preocupante a escalada de violência - verbal e física – que envolve os jogos que opõem o FC Porto ao Benfica numa rivalidade que não se confina ao futebol e que há muito deixou de ser saudável. Cada vez que se defrontam, os dois clubes atuam em autênticos estádios de ódio que, afinal, apenas refletem o nível que atingiu a relação entre os dois emblemas e muito particularmente os dois presidentes.
Perante a incapacidade dos dirigentes dos clubes em contrariar a tendência desta espiral de violência e o contributo de certos comentadores que alimentam a fogueira com insinuações em nome dos interesses dos clubes que representam, só há uma saída: introduzir no regulamento disciplinar castigos pesados (e não meras multas) para atos de violência nos estádios. Talvez assim, todos aprendam.
Artigo de Opinião de Cruz dos Santos
Saltava à vista que o FC Porto-Benfica iria ser difícil para o árbitro (sobretudo), qualquer que ele fosse. E a Comissão de Arbitragem da Liga seguiu o caminho lógico, nomeando o trio seleccionado pela FIFA para a já bem próxima fase final do Campeonato do Mundo. Não foi feliz. Claro que não. E já lá vou. Mas, antes disso, pergunto: o Estádio do Dragão foi um campo de futebol ou um campo de batalha? Dentro e fora das quatro linhas, festejou-se cada golo com a saudável alegria de quem ganha a um rival ou com a raiva que só pode existir quando se odeia? Naquelas circunstâncias, teria sido possível arbitrar muito melhor? Faz sentido que um árbitro, em Portugal, para poder ser árbitro, precise de ser herói?
Em termos técnicos. Olegário Benquerença (bem auxiliado por Bertino Miranda e José Cardinal) não cometeu indiscutíveis erros de vulto. Talvez nada a ver, portanto, com o desfecho do jogo. Mas teve diversas falhas no âmbito disciplinar. E há quem diga que começou com rigor excessivo. Discordo. Os excessos estiveram nalguns jogadores (sobretudo, portistas) e não havia outra forma de os travar. Benquerença nem sempre conseguiu ser justo, mas reconheça-se que teve (então) tarefa muito complicada. E, quanto a mim, o seu maior erro veio depois, quando considerou os jogadores controlados e passou a permitir-lhes infracções passíveis de advertência que já teria de dar expulsão. Lesava o jogo, não defendia o espectáculo? Há quem o diga. E eu respondo: o que é isso? A defesa do espectáculo compete mais ao árbitro do que aos jogadores, que até são profissionais? Só o árbitro deve ter calma, ponderação e bom senso? Se houvesse três ou quatro expulsões para cada lado, de quem era a culpa? Do árbitro ou dos prevaricadores? Possivelmente, é o que vem fazendo falta no futebol português. Talvez, até, jogo que não chegue ao fim por falta de jogadores (mínimo de sete) numa das equipas ou em ambas. E o mesmo penso e digo em relação aos «penalties» por agarrões e empurrões dentro da grande área.
Falando de casos concretos, injustas as advertências a Di Maria e a Maxi Pereira e a expulsão de Fucile. Mas este devia ter sido expulso pouco antes, quando pontapeou e derrubou Di Maria. Não houve fora-de-jogo no segundo golo portista (Farias), mas é discutível que não tenha havido razão para «penalty» no livre cortado por Hulk com um braço e no lance em que Álvaro Pereira atingiu as pernas de Maxi Pereira (derrubando-o) antes de pontapear a bola. Correcto o facto de FC Porto e Benfica terem perdido um lançamento lateral (mérito de Bertino Miranda), pois Fucile e David Luiz executaram-nos levantando do solo um dos pés.
Caso curioso: mesmo perdendo no Dragão (com justiça indiscutível), o Benfica teria sido campeão nacional, anteontem, se fosse assinalado o fora-de-jogo existente no golo da tangencial vitória (1-0) do notável. Sp. Braga sobre o Paços de Ferreira.
Em termos técnicos. Olegário Benquerença (bem auxiliado por Bertino Miranda e José Cardinal) não cometeu indiscutíveis erros de vulto. Talvez nada a ver, portanto, com o desfecho do jogo. Mas teve diversas falhas no âmbito disciplinar. E há quem diga que começou com rigor excessivo. Discordo. Os excessos estiveram nalguns jogadores (sobretudo, portistas) e não havia outra forma de os travar. Benquerença nem sempre conseguiu ser justo, mas reconheça-se que teve (então) tarefa muito complicada. E, quanto a mim, o seu maior erro veio depois, quando considerou os jogadores controlados e passou a permitir-lhes infracções passíveis de advertência que já teria de dar expulsão. Lesava o jogo, não defendia o espectáculo? Há quem o diga. E eu respondo: o que é isso? A defesa do espectáculo compete mais ao árbitro do que aos jogadores, que até são profissionais? Só o árbitro deve ter calma, ponderação e bom senso? Se houvesse três ou quatro expulsões para cada lado, de quem era a culpa? Do árbitro ou dos prevaricadores? Possivelmente, é o que vem fazendo falta no futebol português. Talvez, até, jogo que não chegue ao fim por falta de jogadores (mínimo de sete) numa das equipas ou em ambas. E o mesmo penso e digo em relação aos «penalties» por agarrões e empurrões dentro da grande área.
Falando de casos concretos, injustas as advertências a Di Maria e a Maxi Pereira e a expulsão de Fucile. Mas este devia ter sido expulso pouco antes, quando pontapeou e derrubou Di Maria. Não houve fora-de-jogo no segundo golo portista (Farias), mas é discutível que não tenha havido razão para «penalty» no livre cortado por Hulk com um braço e no lance em que Álvaro Pereira atingiu as pernas de Maxi Pereira (derrubando-o) antes de pontapear a bola. Correcto o facto de FC Porto e Benfica terem perdido um lançamento lateral (mérito de Bertino Miranda), pois Fucile e David Luiz executaram-nos levantando do solo um dos pés.
Caso curioso: mesmo perdendo no Dragão (com justiça indiscutível), o Benfica teria sido campeão nacional, anteontem, se fosse assinalado o fora-de-jogo existente no golo da tangencial vitória (1-0) do notável. Sp. Braga sobre o Paços de Ferreira.
Nova modalidade olímpica no Dragão: lançamento da bola de golfe - Artigo de Opinião de António Varela
A informação correu de blogue para blogue na semana que antecedeu o clássico FC Porto-Benfica: claques simpatizantes dos dragões tinham adquirido 3.500 bolas de golfe. Para quê? – perguntava-se. Uma vez que não havia notícia de uma corrida massiva à aquisição de tacos ou mesmo do aluguer de “sets” de iniciação, nem de inscrições em escolas da modalidade, a curiosidade cresceu, cresceu... até que muitas bolas de golfe começaram a andar de mão em mão, no Estádio do Dragão, até uma delas se ter transformado em estrela de conferência de imprensa.
Passe a tentativa de fazer ironia barata, pergunta-se: para que serve a lição do Euro’2004, qual a utilidade dos “stewards” que tudo ou quase tudo deixam passar nas revistas à entrada dos estádios? Quando alguém voltar a morrer, a polícia levará o assunto a sério. Até lá limitar-se-á a fingir operações de segurança.
Passe a tentativa de fazer ironia barata, pergunta-se: para que serve a lição do Euro’2004, qual a utilidade dos “stewards” que tudo ou quase tudo deixam passar nas revistas à entrada dos estádios? Quando alguém voltar a morrer, a polícia levará o assunto a sério. Até lá limitar-se-á a fingir operações de segurança.
Artigo de Opinião de Luís Avelãs
O Benfica perdeu no Porto e o Sp. Braga, em casa, levou de vencida o P. Ferreira. Em traços gerais isso significa que as águias continuam sem poder festejar o que há várias semanas parece óbvio, ao passo que a sensacional formação minhota - já com presença na "Champions" assegurada - não desiste de pensar no título. Quem diria que tal seria possível quando, há uns meses, a temporada arrancou? Provavelmente ninguém! E se alguém acrescentasse à previsão correcta que o FC Porto, a uma ronda do fim (mesmo derrotando os encarnados), já não passaria do terceiro posto e que o Sporting estaria quase a 30 pontos da liderança... então o melhor seria preencher um boletim do euromilhões.
No Dragão, o Benfica sofreu a segunda derrota da época na Liga. E perdeu bem. É verdade que até entrou disposto a lutar pela vitória, quando o empate chegava para garantir o 32.º campeonato da sua história, mas depois falhou, com a particularidade de ter sido completamente dominado quando jogava com um homem a mais. Lembro-me de ouvir Jesualdo Ferreira, então sentado noutro banco, dizer que, por vezes, era mais difícil jogar contra 10 do que contra 11. Foi o que aconteceu...
Quando Luisão, a pouco mais de meia-hora do final, fez o 1-1, tudo indiciava que as águias estariam mesmo em condições de alcançar o objectivo. Contudo, o que se passou depois foi surpreendente. O Benfica quase não teve tempo de respirar empatado, pois num lance em que foram várias as oportunidades de recuperar (ou pelo menos afastar) a bola, sofreu o golo de Farias e voltou a ficar em desvantagem.
Depois, quando a superioridade numérica mandava os pupilos de Jorge Jesus voltar a pressionar em busca do 2-2, a equipa só uma vez (por Aimar, proporcionando óptima defesa a Beto) esteve perto de marcar. Bom, podia ter acertado mais uma vez na baliza, mas o juiz (mal) iria invalidar o lance em que Weldon foi protagonista. De resto, basicamente, só deu FC Porto que, com total justiça, fez o 3-1 (um golaço) e "matou" o jogo. Mas não o Campeonato. E evitou a primeira festa benfiquista em solo azul e branco.
Agora, ao Benfica resta a derradeira jornada para poder carimbar a conquista do título. Jogando em casa com o Rio Ave, as águias só precisam de fazer o que sempre têm conseguido esta temporada nos embates na Luz (13 vitórias e 1 empate) para, independentemente do resultado do Sp. Braga na Choupana, rematar o Campeonato. Contudo, aquilo que noutro contexto pareceria uma situação mais que favorável, surge agora algo complicada face à ansiedade que a equipa e os adeptos revelam já há 15 dias.
Domingo, na Luz, teremos, garantidamente, uma grande festa ou, ao invés, uma enorme desilusão.
PS - Não gostei do trabalho de Olegário Benquerença no Dragão. Os erros foram vários, assim como as interpretações dúbias. E se olhar para a questão disciplinar... foi demasiado mau.
No Dragão, o Benfica sofreu a segunda derrota da época na Liga. E perdeu bem. É verdade que até entrou disposto a lutar pela vitória, quando o empate chegava para garantir o 32.º campeonato da sua história, mas depois falhou, com a particularidade de ter sido completamente dominado quando jogava com um homem a mais. Lembro-me de ouvir Jesualdo Ferreira, então sentado noutro banco, dizer que, por vezes, era mais difícil jogar contra 10 do que contra 11. Foi o que aconteceu...
Quando Luisão, a pouco mais de meia-hora do final, fez o 1-1, tudo indiciava que as águias estariam mesmo em condições de alcançar o objectivo. Contudo, o que se passou depois foi surpreendente. O Benfica quase não teve tempo de respirar empatado, pois num lance em que foram várias as oportunidades de recuperar (ou pelo menos afastar) a bola, sofreu o golo de Farias e voltou a ficar em desvantagem.
Depois, quando a superioridade numérica mandava os pupilos de Jorge Jesus voltar a pressionar em busca do 2-2, a equipa só uma vez (por Aimar, proporcionando óptima defesa a Beto) esteve perto de marcar. Bom, podia ter acertado mais uma vez na baliza, mas o juiz (mal) iria invalidar o lance em que Weldon foi protagonista. De resto, basicamente, só deu FC Porto que, com total justiça, fez o 3-1 (um golaço) e "matou" o jogo. Mas não o Campeonato. E evitou a primeira festa benfiquista em solo azul e branco.
Agora, ao Benfica resta a derradeira jornada para poder carimbar a conquista do título. Jogando em casa com o Rio Ave, as águias só precisam de fazer o que sempre têm conseguido esta temporada nos embates na Luz (13 vitórias e 1 empate) para, independentemente do resultado do Sp. Braga na Choupana, rematar o Campeonato. Contudo, aquilo que noutro contexto pareceria uma situação mais que favorável, surge agora algo complicada face à ansiedade que a equipa e os adeptos revelam já há 15 dias.
Domingo, na Luz, teremos, garantidamente, uma grande festa ou, ao invés, uma enorme desilusão.
PS - Não gostei do trabalho de Olegário Benquerença no Dragão. Os erros foram vários, assim como as interpretações dúbias. E se olhar para a questão disciplinar... foi demasiado mau.
segunda-feira, maio 03, 2010
Preparem-se
FC Porto e Sporting de Braga ponderam denunciar à Comissão Disciplinar da Liga o comportamento de Luisão, ontem no Estádio do Dragão, quando regressava ao balneário após o apito final da primeira parte. Se o fizerem, poderá ser proposta instauração de um processo sumaríssimo.
Esta notícia é apenas mal intencionada!
Apenas pretende introduzir mais ruído e perturbação!
Imaginemos que a participação aparecia.
Imaginemos que a CD da Liga a analisava e propunha, por exemplo, uma pena de 2 jogos.
De certeza que mesmo o Paulo Gonçalves não deixaria de expressar a não aceitação da sanção pelo SLBenfica.
Apenas uma consequência daqui resultaria - a decisão final da CD da Liga sucederia após o terminus do campeonato.
Uma primeira amostra do que será a semana!
Provocações, notícias fantasiosas e descargas de bílis, ódio e rancor em doses nunca antes vistas.
Tudo culminará com a nomeação de Jorge Sousa, o Super Dragão!
E tudo com um só propósito - impedir-nos de conquistar o 32º título de campeão nacional de futebol.
Hoje, como ontem, todos seremos poucos para denunciar e combater todas estas manobras pífias de escroques vis, abjectos e desprezíveis!
Esta notícia é apenas mal intencionada!
Apenas pretende introduzir mais ruído e perturbação!
Imaginemos que a participação aparecia.
Imaginemos que a CD da Liga a analisava e propunha, por exemplo, uma pena de 2 jogos.
De certeza que mesmo o Paulo Gonçalves não deixaria de expressar a não aceitação da sanção pelo SLBenfica.
Apenas uma consequência daqui resultaria - a decisão final da CD da Liga sucederia após o terminus do campeonato.
Uma primeira amostra do que será a semana!
Provocações, notícias fantasiosas e descargas de bílis, ódio e rancor em doses nunca antes vistas.
Tudo culminará com a nomeação de Jorge Sousa, o Super Dragão!
E tudo com um só propósito - impedir-nos de conquistar o 32º título de campeão nacional de futebol.
Hoje, como ontem, todos seremos poucos para denunciar e combater todas estas manobras pífias de escroques vis, abjectos e desprezíveis!
domingo, maio 02, 2010
Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral
1º Lugar: Vermelho Sempre - 770 pontos
2º Lugar: Jimmy Jump - 765 pontos
2º Lugar: Jimmy Jump - 765 pontos
3º Lugar: JC - 690 pontos
4º Lugar: Kaiserlicheagle - 685 pontos
5º Lugar: Vermelho - 635 pontos
6º Lugar: Fura-Redes - 520 pontos
7º Lugar: Sócio e Cuto - 515 pontos
8º Lugar: J. Lobo - 490 pontos
9º Lugar: Gui - 485 pontos
10º Lugar: Samsalameh - 405 pontos
11º Lugar: Chico - 245 pontos
12º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos
13º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
14º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos
15º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
16º Lugar: Pachulico - 35 pontos
4º Lugar: Kaiserlicheagle - 685 pontos
5º Lugar: Vermelho - 635 pontos
6º Lugar: Fura-Redes - 520 pontos
7º Lugar: Sócio e Cuto - 515 pontos
8º Lugar: J. Lobo - 490 pontos
9º Lugar: Gui - 485 pontos
10º Lugar: Samsalameh - 405 pontos
11º Lugar: Chico - 245 pontos
12º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos
13º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos
14º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos
15º Lugar: Lion Heart - 50 pontos
16º Lugar: Pachulico - 35 pontos
sábado, maio 01, 2010
Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira
Uma errata da choradeira
ONDE se lia «o pobre injustiçado Hulk» deve agora ler-se «o pobre injustiçado Falcao».
Onde se lia «o maléfico Ricardo Costa» deve agora ler-se «o maléfico Pedro Henriques».
Onde se lia «o inocente Hulk espancou mesmo o steward mas não merecia o castigo» deve agora ler-se «o inocente Falcao acertou mesmo com a mão na cara do adversário mas não merecia o castigo».
No mais, a choradeira mantém-se igual. Compreende-se.
O Benfica vai à frente no campeonato, o que é muito estranho: o presidente do clube não convidou qualquer árbitro para sua casa na véspera de um jogo, não foi escutado a oferecer fruta e rebuçadinhos ao telefone, não pagou facturas de viagens ao Brasil, não prometeu quinhentinhos a ninguém.
Além disso, parece consensual que o Benfica joga o melhor futebol. Quem não suspeitaria deste primeiro lugar?
Há cerca de três semanas, Maxi Pereira viu o quinto cartão amarelo por ter jogado a bola com a mão depois de, na verdade, não ter jogado a bola com a mão.
Falhou o jogo com o Sporting. Não se verteu uma lágrima.
Na última jornada, Falcao viu o quinto cartão amarelo por ter acertado com a mão na cara de um adversário depois de ter, de facto, acertado com a mão na cara de um adversário. Vai falhar o jogo com o Benfica.
As carpideiras decretaram três dias de luto e ainda não pararam de chorar.
Não admira: esta época, Falcao já jogou duas vezes com o Benfica e, ao longo desses 180 minutos, marcou um impressionante total de 0 (zero) golos. Mas era agora. Era agora!
E, no entanto, segundo a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, a decisão do árbitro deve ser respeitada porque ninguém pode saber se o chapadão foi propositado ou acidental.
Mais: segundo o especialista, trata-se de uma decisão bem mais defensável do que a opção de não assinalar os dois penalties contra o Porto. Mas o clamor da berraria raramente deixa ouvir a voz do bom senso.
A grande sorte do Benfica na jornada passada não foi o castigo do Falcao, foi a circunstância de o Braga ter ganho.
Se o Benfica fosse jogar ao Porto na qualidade de campeão, os jogadores podiam ter a tentação de entrar em campo com o cabelo pintado de vermelho, o que dificultaria a percepção do sangue a jorrar das cabeças.
Se os jogadores do Porto entrassem em campo com a mesma disposição com que entraram na final da Taça da Liga, as mais que prováveis lesões passariam despercebidas. Há males que vêm por bem.
NÃO me custa reconhecer que talvez me tenha precipitado quando, na semana passada, evidenciei aqui, com o auxílio de divertidas citações, a euforia injustificada de pré-época manifestada pelos fiscais da euforia injustificada de pré-época.
Afirmei que o Porto estava definitivamente afastado do título, mas posso ter-me enganado.
De facto, neste momento o Porto segue no terceiro lugar, mas tenho a certeza de que, se recorrer para o Conselho de Justiça (CJ) da Federação, pode ainda vencer o campeonato.
É uma pena que o CJ não tenha poderes nas competições da UEFA, caso contrário acredito que teria reduzido o castigo que o Arsenal aplicou ao Porto.
Em vez de 5-0, reduzia para 2-0, por exemplo.
A fundamentação seria a do costume: naquele jogo, os jogadores do Porto não tinham sido agentes desportivos mas espectadores.
De facto, estiveram uma boa hora e meia a ver o Arsenal jogar.
P.S.: O vigilante Rui Moreira (e uso aqui a palavra «vigilante» na dupla acepção de «pessoa atenta» e de «cidadão que participa em vigílias») resolveu assinalar o erro que cometi quando disse que o Benfica nunca tinha perdido uma final com o Porto, mesmo sabendo que, logo no dia seguinte, A BOLA publicou, a meu pedido, a frase que tinha saído truncada por lapso: «O Benfica, que tirando uma solitária vez em 1958 nunca perdeu uma final com o Porto…» Mas enfim, com o Porto no terceiro lugar, é normal que até os lapsos já corrigidos mereçam destaque.
Quanto às Supertaças, como é evidente, foram propositadamente deixadas de fora desta contabilidade.
Talvez eu devesse ter sido mais claro mas, quando me referi a finais, curiosamente estava mesmo a falar de finais, que são aqueles jogos que ocorrem no fim de uma competição a eliminar, tipicamente após umas meias-finais. Não é o caso do jogo da Supertaça.
Fica a nota para o futuro: as rectificações têm bastante mais credibilidade quando rectificam.
ONDE se lia «o pobre injustiçado Hulk» deve agora ler-se «o pobre injustiçado Falcao».
Onde se lia «o maléfico Ricardo Costa» deve agora ler-se «o maléfico Pedro Henriques».
Onde se lia «o inocente Hulk espancou mesmo o steward mas não merecia o castigo» deve agora ler-se «o inocente Falcao acertou mesmo com a mão na cara do adversário mas não merecia o castigo».
No mais, a choradeira mantém-se igual. Compreende-se.
O Benfica vai à frente no campeonato, o que é muito estranho: o presidente do clube não convidou qualquer árbitro para sua casa na véspera de um jogo, não foi escutado a oferecer fruta e rebuçadinhos ao telefone, não pagou facturas de viagens ao Brasil, não prometeu quinhentinhos a ninguém.
Além disso, parece consensual que o Benfica joga o melhor futebol. Quem não suspeitaria deste primeiro lugar?
Há cerca de três semanas, Maxi Pereira viu o quinto cartão amarelo por ter jogado a bola com a mão depois de, na verdade, não ter jogado a bola com a mão.
Falhou o jogo com o Sporting. Não se verteu uma lágrima.
Na última jornada, Falcao viu o quinto cartão amarelo por ter acertado com a mão na cara de um adversário depois de ter, de facto, acertado com a mão na cara de um adversário. Vai falhar o jogo com o Benfica.
As carpideiras decretaram três dias de luto e ainda não pararam de chorar.
Não admira: esta época, Falcao já jogou duas vezes com o Benfica e, ao longo desses 180 minutos, marcou um impressionante total de 0 (zero) golos. Mas era agora. Era agora!
E, no entanto, segundo a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, a decisão do árbitro deve ser respeitada porque ninguém pode saber se o chapadão foi propositado ou acidental.
Mais: segundo o especialista, trata-se de uma decisão bem mais defensável do que a opção de não assinalar os dois penalties contra o Porto. Mas o clamor da berraria raramente deixa ouvir a voz do bom senso.
A grande sorte do Benfica na jornada passada não foi o castigo do Falcao, foi a circunstância de o Braga ter ganho.
Se o Benfica fosse jogar ao Porto na qualidade de campeão, os jogadores podiam ter a tentação de entrar em campo com o cabelo pintado de vermelho, o que dificultaria a percepção do sangue a jorrar das cabeças.
Se os jogadores do Porto entrassem em campo com a mesma disposição com que entraram na final da Taça da Liga, as mais que prováveis lesões passariam despercebidas. Há males que vêm por bem.
NÃO me custa reconhecer que talvez me tenha precipitado quando, na semana passada, evidenciei aqui, com o auxílio de divertidas citações, a euforia injustificada de pré-época manifestada pelos fiscais da euforia injustificada de pré-época.
Afirmei que o Porto estava definitivamente afastado do título, mas posso ter-me enganado.
De facto, neste momento o Porto segue no terceiro lugar, mas tenho a certeza de que, se recorrer para o Conselho de Justiça (CJ) da Federação, pode ainda vencer o campeonato.
É uma pena que o CJ não tenha poderes nas competições da UEFA, caso contrário acredito que teria reduzido o castigo que o Arsenal aplicou ao Porto.
Em vez de 5-0, reduzia para 2-0, por exemplo.
A fundamentação seria a do costume: naquele jogo, os jogadores do Porto não tinham sido agentes desportivos mas espectadores.
De facto, estiveram uma boa hora e meia a ver o Arsenal jogar.
P.S.: O vigilante Rui Moreira (e uso aqui a palavra «vigilante» na dupla acepção de «pessoa atenta» e de «cidadão que participa em vigílias») resolveu assinalar o erro que cometi quando disse que o Benfica nunca tinha perdido uma final com o Porto, mesmo sabendo que, logo no dia seguinte, A BOLA publicou, a meu pedido, a frase que tinha saído truncada por lapso: «O Benfica, que tirando uma solitária vez em 1958 nunca perdeu uma final com o Porto…» Mas enfim, com o Porto no terceiro lugar, é normal que até os lapsos já corrigidos mereçam destaque.
Quanto às Supertaças, como é evidente, foram propositadamente deixadas de fora desta contabilidade.
Talvez eu devesse ter sido mais claro mas, quando me referi a finais, curiosamente estava mesmo a falar de finais, que são aqueles jogos que ocorrem no fim de uma competição a eliminar, tipicamente após umas meias-finais. Não é o caso do jogo da Supertaça.
Fica a nota para o futuro: as rectificações têm bastante mais credibilidade quando rectificam.
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