Vitória Setúbal - Sporting, 1-0.
Ao intervalo: 1-0.
Marcador:
1-0, Filipe Gonçalves, 31 minutos.
Vitória Setúbal: Eduardo, Janício, Robson, Auri, Adalto, Sandro, Filipe Gonçalves (Leandro, 75), Elias, Ricardo Chaves, Pitbull (Jorginho, 81) e Matheus (Edinho, 65).
(Suplentes: Milojevic, Hugo, Bruno Gama, Paulinho, Jorginho, Leandro e Edinho).
Sporting: Stojkovic, Abel, Tonel, Polga, Marian Had, Izmailov (Miguel Veloso, 46), Bruno Pereirinha (Romagnoli, 35), João Moutinho, Vukcevic, Liedson e Purovic (Luís Paez, 40).
(Suplentes: Tiago, Adrien, Farnerud, Miguel Veloso, Gladstone, Romagnoli e Luís Paez).
Árbitro: Pedro Henriques (Lisboa).
Acção disciplinar: cartão amarelo para Leandro (78), Polga (68), Vukcevic (90).
Assistência: 7.500 espectadores.

A crise agudiza-se!
Um golo solitário de Filipe Gonçalves, aos 31 minutos, após cruzamento de Pitbull, mostrou-se suficiente para o Setúbal garantir o triunfo sobre o Sporting, manter a invencibilidade caseira na presente temporada e impôr o segundo desaire consecutivo em 2008 aos leões.
Um sucesso justíssimo, adjuve-se.
Não que a exibição vitoriana haja alcançado patamar de particular brilhantismo, mas a constância e a competência que alardeou revelaram-se bastantes para asseverar a equidade do resultado.
Então por comparação com o desempenho leonino não há dúvida que reste sobre a rectidão do desfecho.
O estado depressivo do Sporting emergiu a nú no Bonfim.
A falta de confiança e de auto-estima dos jogadores leoninos foi assaz evidente e conduziu a equipa a uma exibição a roçar o paupérrimo, particularmente na primeira metade da partida.
Neste período, chegou a ser confrangedor verificar a incapacidade do Sporting para fazer face ao Setúbal.
O Vitória, com uma facilidade imensa, encostou o Sporting às cordas e dominou a seu bel-prazer.
A subjugação leonina atingiu a angústia!
O Setúbal demonstrou maior aptidão em todos os capítulos do jogo e exerceu um domínio avassalador.
Estruturado no habitual 4x3x3 de bloco médio/baixo, o Vitória fez da determinação, da raça, do querer, da confiança, da vontade, da velocidade e da forte pressão que os seus jogadores colocaram em campo os seus principais predicados.
Como disse e bem Paulo Bento, hoje por hoje, o Setúbal é a equipa que melhor executa a transição ofensiva em Portugal.
Com Pitbull exímio a jogar entre linhas, acolitado por Matheus e Filipe Gonçalves, o Setúbal construiu oportunidades em catadupa, sem que o Sporting esboçasse a mínima reacção.
Carvalhal leu muito bem o esquema defensivo leonino e ao colocar Filipe Gonçalves numa posição híbrida e em permanente permuta com Pitbull, dinamitou-o.
A mobilidade e a dinâmica do tridente ofensivo fizeram o resto.
Assim foi sem surpresa que, aos 31 minutos, Pitbull surgiu na direita, com espaço e tempo para cruzar para a entrada fulgurante de Filipe Gonçalves que, em antecipação a Tonel, desviou de cabeça para o segundo poste.
A desvantagem fragilizou ainda mais o já de si precário estado emocional do Sporting e não se vislumbrou sequer um esquiço de resposta.
Ao invés, foi mesmo o Setúbal que podia ter ampliado a vantagem.
Incapazes de ligarem dois passes, os jogadores leoninos sucumbiam docilmente à constante pressão dos setubalenses.
Para agravar a situação, também Paulo Bento deu nota da intranquilidade que se vive em Alvalade.
Numa clara demonstração de precipitação e de impaciência, Paulo Bento substituiu Pereirinha por Romagnoli logo após o tento sadino.
Acaso Pereirinha se estivesse a exibir em plano muito inferior ao dos seus colegas ou se a alteração visasse uma qualquer modificação estrutural, seria compreensível.
Agora nada disso sucedeu.
Aliás, esta insensatez viria a ter consequências posteriores, já que tendo sido forçado a retirar Purovic e Izmailov por lesão na primeira metade do jogo, Paulo Bento viu-se cerceado na sua acção, incapaz que ficou de intervir sobre o curso da partida.
Na segunda parte, em vantagem, o Setúbal desceu ainda mais o seu bloco e ofereceu a iniciativa do jogo ao Sporting.
Ainda assim, pouco ou nada se alterou.
É certo que o Sporting assumiu o domínio territorial, mas não é menos verdade que o Setúbal nunca perdeu o controlo do encontro.
Nem mesmo a chamada de Miguel Veloso aportou qualidade extra à equipa, tal a lentidão e falta de mobilidade que revelou.
Sou mesmo tentado a pensar que o jogador que alinhou no Bonfim se trata de um sósia, tal a pobreza do seu desempenho, mormente ao nível do passe (impressionante o número de passes curtos errados).
Claro está que este resultado não hipoteca as pretensões leoninas na competição, até porque recebe Beira-Mar e Penafiel, mas a sua importância não pode ser negada.
A sustentabilidade de Paulo Bento passa, agora, por Coimbra.