quinta-feira, maio 25, 2006

Assim o espero e desejo

José Veiga, director-geral da Benfica, SAD, reuniu-se ontem, ao almoço, com Fernando Santos e restante equipa técnica no hotel Solplay, a fim de discutir mais alguns pormenores relativos à próxima temporada.
O treinador benfiquista terá aproveitado também o momento para observar o local onde a equipa estagia habitualmente quando joga no Estádio da Luz.
Fernando Santos chegou acompanhado de Jorge Rosário, Chalana, Bruno Moura, Ricardo Santos, Shéu e Lourenço Coelho.
Durante cerca de duas horas, José Veiga e Fernando Santos terão analisado questões logísticas da pré-temporada e outros temas da actualidade benfiquista, designadamente pormenores da estrutura do futebol profissional.
Isso mesmo deixou perceber o líder técnico do emblema da Luz, momentos antes da reunião. "Encontrei um clube muito bem estruturado. Neste momento, é muito fácil trabalhar no Benfica. Em termos de organização, tudo o que necessitamos tem sido acessível. Agora, não podemos fazer tudo a correr. Estamos a preparar a época com tranquilidade. Esta semana tudo ficará concluído em termos de programação. Podemos dizer que 90 por cento está feito."
Fernando Santos prometeu ainda não abrir mão de alguns dos mais importantes jogadores do Benfica, como, por exemplo, Simão e Petit: "Vamos manter todos os jogadores que queremos. No Benfica, que é um clube ganhador, os grandes jogadores dificilmente irão sair. Há um rigor muito grande nestas questões, e faremos um esforço em relação a estes jogadores e aos que possamos adquirir.No entanto, sabemos também que terá de haver um equilíbrio."
Nem mesmo perante a insistência dos jornalistas alterou o seu discurso. "Estou preparado para estruturar uma equipa ganhadora", advertiu, confirmando que já falou com alguns jogadores.

O regresso do Príncipe

Rui Costa é hoje apresentado como jogador do Benfica, confirmando-se como a primeira contratação da era Fernando Santos para a época de 2006/07.
O longo namoro entre o clube encarnado e o médio – que há 13 anos deixou a Luz, rumo ao futebol italiano – chega assim ao fim, confirmando-se o regresso do jogador a uma casa onde nunca deixou de ser acarinhado e desejado, tanto por dirigentes como por adeptos – sem esquecer os muitos jogadores que, ao longo dos últimos dias, manifestaram a vontade de jogar ao lado do "maestro".
Já desvinculado do AC Milan, clube com o qual ainda tinha um ano de contrato, Rui Costa irá encontrar-se hoje com os responsáveis da SAD do Benfica para acertar os últimos detalhes do contrato que o ligará ao clube, sendo certo que este será o último contrato profissional que assinará, pois a sua carreira será concluída ao serviço do emblema da Luz.
O regresso de Rui Costa ao Benfica começou a ser preparado ainda antes de a temporada ter chegado ao fim. Depois de alguns contactos exploratórios para aferir da disponibilidade do jogador para deixar o AC Milan e voltar à Luz, as negociações foram evoluindo.
Nos últimos dias, era já uma certeza que o médio iria voltar a vestir a camisola encarnada, faltando apenas acertar o dia da sua apresentação – que será o de hoje.
Rui Costa, embora esteja já no ocaso da sua carreira, ainda se encontra na plena posse das suas imensas faculdades futebolísticas.
Talvez lhe falte condição física, mas a qualidade está lá.
E está refinada com os anos passados em Itália.
Capacidade de leitura de jogo, capacidade de gerir os ritmos do jogo, capacidade de drible e penetração, capacidade de passe, capacidade de ser decisivo em lances de bola parada, são as mais valias que, certamente, irá aportar à equipa do Benfica.
Por outro lado, poderá constituir-se como o principal elo aglutinador do balneário, agregrando em seu redor o grupo. Será a voz de comando, a principal referência do grupo.
Anseio pelo regresso do seu futebol enleante e perfumado aos relvados nacionais.

quarta-feira, maio 24, 2006

Rivalidades!!!

Uma boa notícia para todos os sportinguistas

Ficou ontem acertada a renovação de contrato entre o Valência o técnico Quique Flores, situação que deixa a porta escancarada para que Marco Caneira possa… continuar em Alvalade e a vestir a camisola verde e branca.
É conhecida a pouca vontade de ambos em voltarem a trabalhar juntos, uma situação que acabou por ficar ontem esclarecida com nova aposta do clube "ché" no mesmo técnico. Assim, é de acreditar que não será difícil um acordo com os espanhóis para a cedência do jogador.
Nesta perspectiva, a situação mais provável para novo vínculo contratual com os verdes e brancos é mesmo o empréstimo.
Os dirigentes do Valência não escondem a admiração que têm por Caneira, não devendo, por isso, abrir mão definitivamente do polivalente defesa português.
Aliás, uma pretensão que vai ao encontro aos interesses dos sportinguistas, que pretendem a continuidade do jogador, de preferência sem grandes investimentos.

Até que enfim!

Chegou ontem ao fim – nove anos depois – o litígio entre Sá Pinto, Artur Jorge e Rui Águas.
Os três envolvidos no caso de agressões num estágio da Selecção Nacional acordaram ontem terminar o processo desistindo das queixas apresentadas na altura, nomeadamente de uma queixa de Artur Jorge e Rui Águas contra Sá Pinto e de outra do então jogador do Sporting contra Rui Águas – na altura adjunto do seleccionador nacional Artur Jorge.
As acusações de que eram alvo Sá Pinto e Rui Águas referiam-se a ofensas à integridade física simples, ou seja, crimes semi-públicos e, portanto, susceptíveis de desistência, o que se veio agora a concretizar-se.
Este era um desfecho esperado, dado que os advogados das partes, Lourenço Pinto e Magalhães Silva, já haviam concebido um documento para entregar na data de início do julgamento.
Sá Pinto, Artur Jorge e Rui Águas deram o seu aval ao documento, depois de o futebolista leonino ter proferido uma declaração onde lamentava o sucedido.

Uma boa solução

Ivanildo vai jogar no Leiria na próxima temporada, no seguimento de um pedido feito por Domingos, treinador que assumiu recentemente o comando dos leirienses, mas sobretudo porque Adriaanse decidiu que deve ser essa a próxima etapa no desenvolvimento do jogador.
Depois de lhe ter barrado a saída em Janeiro, altura em que o Belenenses requisitou o empréstimo e que o Saint-Étienne também perguntou por ele, o holandês entendeu que, agora, seria melhor ceder o extremo para que este pudesse evoluir.
Com o direito de preferência assegurado na transacção de João Paulo para o FC Porto, o Leiria assumiu o interesse no esquerdino, procurando reequilibrar o plantel nas alas.

Selecção Nacional - Onze titular

Tiago e Petit estão na linha da frente para a titularidade no embate de sábado, em Évora, diante de Cabo Verde. Ambos integraram as primeiras opções de Luiz Felipe Scolari no treino de ontem à tarde, sinal evidente que estão na "pole position" para o penúltimo encontro de preparação tendo em vista o Mundial.
O escasso ou nulo ritmo de jogo de Maniche, raramente utilizado por José Mourinho no Chelsea, e sobretudo de Costinha, que não joga há vários meses - oficialmente desde o final do campeonato russo da época passada -, teve a ver com a decisão do seleccionador, que colocou os antigos companheiros do Benfica juntos na zona central, com Tiago descaído um pouco para a direita e Petit no lado oposto, cenário propício para a "liberdade" de Deco, que jogou solto, fazendo a ligação entre os médios e os alas (Figo à direita e Cristiano Ronaldo à esquerda) e ainda Pauleta.
Na equipa que iniciou o treino, Paulo Ferreira jogou à direita e Nuno Valente à esquerda, com Fernando Meira e Ricardo Carvalho no eixo.
Neste particular, preferia a colocação de Miguel e Caneira como laterais.
No habitual exercício que antecede os encontros - jogadores a gizarem movimentos de ataque sem oposição, com trocas de bola sucessivas na procura de eventuais brechas para entrar - Scolari colocou ainda Cristiano Ronaldo numa posição no eixo, um pouco atrás do ponta-de-lança, viajando então Figo para a esquerda e Deco a encostar-se mais à direita.
Com o decorrer do exercício o seleccionador foi trocando as peças, com Miguel, Caneira, Ricardo Costa, Costinha e Simão a serem as primeiras alternativas para as posições de Paulo Ferreira, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Tiago e Figo, respectivamente.
E se Tiago e Petit parecem ser as primeiras soluções, o que não significa que já conquistaram a titularidade para o encontro de 11 de Junho, em Colónia, diante de Angola, Nuno Gomes e Boa Morte partem em desvantagem para a aventura portuguesa em terras alemãs; estão a treinar de forma condicionada, cenário que os impede de defrontar o conjunto de Cabo Verde.
Numa primeira análise e tentando "furar" o raciocínio de Scolari, é claro que Costinha e Maniche não estão ainda nos níveis físicos desejáveis, ou então estão a ser poupados para batalhas futuras.
Foi evidente a preocupação do seleccionador em colocar Cristiano Ronaldo como "playmaker", fazendo-o jogar próximo de Pauleta mesmo quando partia da linha.
O jogador do Manchester United é um impressionante driblador, mas também sabe finalizar e joga bem de cabeça.
Já na fase de apuramento Ronaldo funcionou algumas vezes como segundo ponta-de-lança.
Aliás, penso que esta é a posição em que as características de Ronaldo podem ser melhor potenciadas.
Para além do já habitual exercício de abordagem ao ataque, sem marcações, Scolari cuidou de aspectos pontuais, como envolvimentos ofensivos dos laterais, trabalho dos extremos e criação de lançamentos para os avançados, trabalho de passe e recepção, finalização e jogo de cabeça, quer dos centrais quer dos médios.

Espero que se confirme - Obrigado Galatasaray

Robert continua na Turquia a negociar com o Galatasaray.
O jogador benfiquista deve abandonar o clube e está a tentar encontrar uma solução para o seu futuro, sendo que este poderá passar pela equipa do antigo internacional belga Eric Gerets.
Ainda não há acordo entre as partes, porque Robert não está na disposição de baixar muito os seus honorários mensais. Este parece ser o principal entrave, nesta altura, à conclusão do negócio.
Gerets aprecia sobremaneira as qualidades do extremo encarnado, já terá dado o aval à Direcção do emblema de Istambul para avançar com o negócio, mas Robert parece intransigente em relação às questões de ordem financeira e, por essa razão, ainda não fechou as negociações com o Galatasaray.
O camisola 34 do Benfica encontra-se na capital turca com a sua mulher e aguarda tranquilamente por uma resposta do emblema turco.
As próximas horas serão decisivas para o desfecho das negociações, e a Imprensa da Turquia aponta mesmo o próximo fim-de-semana como data limite para a concretização da transferência.
Recorde-se que o Benfica não irá colocar qualquer entrave à saída do jogador, pois este não faz parte das contas de Fernando Santos para a temporada 2006/07.

Mau demais!

Portugal iniciou, ontem, a sua participação no Euro Sub-21.
E começou mal, muito mal.
Agostinho Oliveira apresentou o onze esperado, recheado de talentos emergentes do futebol nacional, mas a exibição foi paupérrima.
Portugal nunca foi uma equipa, mas sim uma mera soma de individualidades.
A França foi uma verdadeira equipa, polvilhada de individualidades que nunca descuraram o sentido colectivo do jogo.
Os jovens portugueses sucumbiram à pressão de ganhar.
A obrigação de ganhar toldou os espíritos lusos, cerceando a capacidade futebolística dos seus jogadores.
A acrescer a selecção nacional nunca demonstrou possuir fio de jogo, usando e abusando do jogo directo.
O meio-campo luso, o sector teoricamente mais forte da equipa, nunca foi capaz de assumir o jogo, sufocado que foi pela intensa pressão alta francesa.
Portugal foi sempre uma equipa pouco compacta, com pouco ligação entre sectores, com as linhas muito espaçadas entre si.
A França foi, exactamente, o contrário.
Por isso venceu.
Entrámos mal na partida e pior ficámos quando num lance, no mínimo, caricato a França alcançou aquele que viria a ser o golo da sua vitória.
Se os níveis de ansiedade já eram altos, por essa ocasião foram elevados à milésima potência.
A partir daí, Portugal se já estava a jogar mal, pior ficou.
Não ligou uma jogada de ataque que fosse, apenas fez dois remates à baliza (um de Nani e outro de Hugo Almeida) e revelou-se sempre incapaz de chegar com perigo à área francesa.
As substituições promovidas por Agostinho Oliveira partiram a equipa, desmembrando o já de si depauperado meio-campo português.
Como consequência óbvia e natural, os jogadores portugueses acentuaram o recurso ao jogo directo.
A incapacidade de organização do jogo ofensivo revelada pelo meio-campo de Portugal encaminhou a equipa para a miragem dos lançamentos longos a procurar o jogo de cabeça de Hugo Almeida.
Procurava Portugal utilizar Hugo Almeida como pivot, segurando ou amortecendo a bola para as entradas dos médios. Nunca resultou quer por incapacidade de Hugo Almeida em ganhar as bolas de cabeça, quer por incapacidade de uma vez ganhas as endossar em condições aos seus colegas, quer por falta de direcção nos lançamentos longos efectuados.
Com excepção dos lances de futebol directo, Portugal raras vezes conseguiu penetrar no último terço defensivo francês. Faltou organização e planeamento ao jogo ofensivo português.
Sinónimo, talvez, de falta de treino.
A França, que havia já controlado a partida na 1ª metade, acentuou tal domínio no segundo tempo.
Vitória inteiramente justa da melhor equipa em campo. Da melhor e da única.
Destaque para a exibição de Mavuba, sempre em ritmo elevado, cortando linhas de passe, cerceando espaços e lançando as transições rápidas.
Espero e desejo que tudo se altere para melhor no jogo com a Sérvia.

terça-feira, maio 23, 2006

Plantel do Sporting - Próxima Época

A certeza da participação do Sporting na Liga dos Campeões oferece a garantia do encaixe de cerca de cinco milhões de euros, mas "obriga" ao fortalecimento efectivo do plantel.
O reforço de todos os sectores está previsto, mas (também) serão os proveitos de potenciais transferências a determinar o enquadramento no mercado.
Defesa, meio-campo e ataque: a política de contratações da SAD leonina para 2006/07 é extensiva a todos os sectores.
Existem, contudo, uma série de ponderáveis a merecer definição antes de os leões avançarem de forma decidida para o reforço do plantel orientado por Paulo Bento, na época que marca o regresso do Sporting à Liga dos Campeões.
Da concretização de permanências e de saídas – e decorrentes receitas extraordinárias – se poderá determinar o verdadeiro potencial desportivo e capital financeiro passível de ser investido no fortalecimento efectivo do grupo comandado por Paulo Bento.
A renovação de Polga está iminente, mas ainda não passou ao papel; as perspectivas de o Valência viabilizar novo empréstimo de Caneira são boas, mas não foram ainda confirmadas; a eventualidade de Douala se transferir no defeso, proporcionando proveitos extras ao orçado pela SAD para a próxima época (na ordem dos 17 milhões de euros), afigura-se altamente provável, mas ainda não passou da condição de... eventual.
Há, assim, uma série de factores a determinar para a SAD leonina então apurar quem precisa de contratar – se apenas um central, se dois; se um lateral-esquerdo ou não (dependendo do sucesso por novo empréstimo de Caneira), por exemplo – e qual a margem de que dispõe para se movimentar no mercado.
As possibilidades de negócio são exploradas pelos responsáveis leoninos (Jorge Wagner, do Internacional de Porto Alegre, ou Maniche, do Dínamo de Moscovo, são alguns dos nomes de que se fala...), sendo certo que outros passos terão de ser dados antes de ser chegado o patamar das contratações.
A própria massa salarial terá de ser considerada nesta equação: Abel, Liedson e, previsivelmente, Polga verão melhoradas as suas condições financeiras, enquanto a SAD deixará de ter encargos com Sá Pinto, Nélson ou, ao que se estima, Hugo.
Ambição e rigor serão ponderados em sintonia, por um objectivo comum, na gestão desportiva e financeira: o equilíbrio.

Plantel do FCPorto - Próxima Época

A lista de compras do campeão nacional não é extensa e privilegia apenas alguns sectores da equipa: o ataque aparece em destaque e a palavra ponta-de-lança surge sublinhada a carregado.
Adriaanse pretende um jogador que marque muitos golos e a SAD vai tentar satisfazê-lo.
A SAD do FC Porto já definiu a lista de prioridades nas contratações que vai efectuar tendo em vista a próxima época, na qual irá defender o título nacional e a Taça de Portugal, bem como tentar fazer uma Liga dos Campeões mais consentânea com os dois títulos europeus já conquistados. E a grande prioridade está no ataque.
Contratar um ponta-de-lança é o objectivo do FC Porto e o mercado já começou a ser vasculhado para se tentar arranjar a melhor solução.
Na longa entrevista que concedeu a O JOGO, Co Adriaanse falou sem rodeios da situação.
Um dos objectivos do holandês quando chegou ao FC Porto foi colocar a equipa a jogar um futebol ofensivo e que rendesse muitos golos.
O futebol ofensivo foi conseguido, mas apesar de ter sido a equipa mais concretizadora, esperavam-se mais golos.
E é exactamente para corrigir essa situação que Adriaanse quer um ponta-de-lança para juntar aos que já tem (se nenhum deles for vendido ou dispensado): McCarthy, Adriano, Hugo Almeida e Sokota.
Bruno Moraes, que não jogou esta época devido a lesão, também pode entrar nestas contas, tal como Lisandro, uma vez que Adriaanse aprecia o comportamento do argentino quando este joga no eixo do ataque, como segundo ponta-de-lança. Lisandro marcou sete golos.
O treinador portista pretende uma equipa mais eficaz no ataque e gostaria de ter um jogador que, só por si, fosse uma garantia de golos. O número de pontas-de-lança pode parecer excessivo, mas o estilo táctico de Adriaanse requer a utilização simultânea de dois, havendo ainda a considerar aspectos como lesões e castigos.
O FC Porto já tem jogadores referenciados e o mais provável é que actuem no estrangeiro.
Para se ter uma ideia de quanto pode custar um bom ponta-de-lança, basta dizer que o valor de mercado de Pauleta, melhor marcador de França com a camisola do PSG, é superior a cinco milhões de euros. Pelo menos é por esse valor que o Lyon está a tentar contratá-lo. E Pauleta não é propriamente um jovem.
A intenção de Pinto da Costa é não desfazer a equipa, apesar de ter dito que só há dois ou três jogadores inegociáveis.
McCarthy, Hugo Almeida, Quaresma, Lucho González e Bosingwa são alguns dos jogadores do actual plantel com mercado e eventuais transferências serviram para financiar a compra de um avançado consagrado.
De resto, os sete milhões de euros que o Werder Bremen vai depositar nos cofres portistas por ter levado Diego para a Alemanha já podem ser utilizados na negociação do tal ponta-de-lança.

Para que servem as conferências de imprensa dos jogadores da selecção nacional

Instalou-se o hábito de promover conferências de imprensa dos jogadores da selecção nacional.
Desde o Euro-2004, numa tentativa de aproximação entre Federação, Jogadores, Comunicação Social e Público, que os jogadores da selecção nacional são chamados a par para serem sujeitos às perguntas dos jornalistas quando em estágio.
Iniciativa louvável nos seus princípios, mas destituída de sentido na sua concretização.
As perguntas são invariavelmente as mesmas e o discurso é consistentemente redondo e sem conteúdo.
Se aos jornalistas falta imaginação, aos jogadores faltam conhecimentos e cultura.
Os jogadores foram e são rotinados a falar sem dizer nada.
Quase sempre limitam-se a reproduzir o mesmo discurso de disponibilidade, de ambição, de fé e de esperança.
Nada transmitem de novo.
Quando confrontados com questões mais incómodas, refugiam-se em lugares comuns ou nos constrangimentos a que estão sujeitos.
É impossível suscitar a reflexão dos jogadores sobre assuntos que vão para lá das expectativas com que encaram a competição vindoura.
Então, para que servem as conferências de imprensa?
Para nada, digo eu.
Para transmitir uma ideia de modernidade bacoca, desprovida de sentido útil.

O que faz Scolari nos períodos entre jogos?

Soubemos, ontem, numa notável entrevista que Co Adriaanse concedeu ao jornal "O Jogo" que Scolari nunca falou ou demonstrou intenção de o fazer com o técnico holandês.
A este propósito assalta-me uma interrogação - então o que faz Scolari no período entre jogos?
Já sabíamos que não assistia, ao vivo, a jogos de futebol da Liga Portuguesa ou daquelas em que alinham jogadores portugueses.
Já sabíamos que não assistia a treinos de equipas portuguesas ou daquelas em que alinham jogadores portugueses.
Já sabíamos que não observava os adversários de Portugal.
Já sabíamos que não preparava logisticamente os estágios e deslocações ao estrangeiro.
Já sabíamos que não acompanhava os trabalhos da selecções mais jovens de Portugal.
Agora soubemos que nem sequer fala com os treinadores das principais equipas portuguesas.
Não percebo como consegue ocupar o seu tempo...
Assim se percebe como são chamados sempre os mesmos.
Se Scolari não conhece outros, como poderia diversificar as suas opções.
Não conhece, nem pode conhecer.
Não conhece as suas qualidades futebolísticas, mas também desconhece o seu temperamento, o seu carácter e o seu comportamento social.
Ao não comunicar, pelo menos, com os treinadores dos principais clubes portugueses, ao não observar em treino e em competição os possíveis seleccionados, só resta uma solução a Scolari convocar quem já consigo trabalhou.
Entramos num ciclo vicioso.
É inadmissível que o seleccionador nacional não procure entrar em contacto com o treinador de um dos principais clubes nacionais, por forma não só a trocarem experiências, mas também a aprofundar o seu conhecimento sobre os jogadores a seleccionar.
É imprescindível para um seleccionador criar sinergias com os treinadores dos principais clubes nacionais.

Europeu de sub-21 - A nossa selecção

Inicia-se, hoje, a disputa do campeonato europeu de sub-21.
Portugal, por ser o País anfitrião e pelo naipe de jogadores que apresenta, assume-se, naturalmente, como um dos favoritos.
A qualidade dos jogadores que compõem a nossa selecção é, efectivamente, de enaltecer.
Na baliza, Bruno Vale. Guarda-redes de estampa física invejável, demonstra, já, um nível que o coloca num patamar de qualidade assinalável.
Tapado por Helton e Baía no Porto, o seu futuro imediato pós-europeu deverá passar por um novo empréstimo.
Aliás, a sua afirmação plena no Porto está muito condicionada pela presença de Helton.
A maior ou menor longevidade de Helton ao serviço dos dragões será determinante para o alcançar da titularidade na defesa das redes azuis e brancas, mas também na selecção nacional.
Na defesa, Nélson constituiu uma das revelações da Liga na pretérita temporada.
Início pujante, pletórico de força, o síndroma pubalgico que o aponquentou, a par das múltiplas rotações posicionais a que foi sujeito, toldaram-lhe a consistência.
No seu melhor, é um dos melhores laterais direitos da Europa.
No centro da defesa, Rolando e Zé Castro constituem uma dupla de respeito.
Um mais em força (Rolando), outro mais em souplesse (Zé Castro) complementam-se.
Zé Castro, assim a sua afirmação no Atlético de Madrid seja uma realidade, será, por certo, um dos centrais titulares da selecção nacional no Mundial de 2010.
Na esquerda, a lacuna principal desta selecção.
Na ausência de um lateral esquerdo de raiz com qualidade (Valdir e Vítor Rodrigues provaram não o ser), Agostinho Oliveira irá recorrer a adaptações.
Num modelo mais defensivo, Nuno Morais procurará ser o Caneira dos sub-21.
Num modelo mais ofensivo, Diogo Valente será o eleito.
No meio-campo, Raúl Meireles, João Moutinho, Manuel Fernandes e Nani, são sinónimo de indiscutível valia.
Qualquer um deles já alcançou a titularidade do clube que representa, assumindo-se, inclusive, como uma das suas estrelas maiores.
Encontram-se num patamar ligeiramente acima dos seus restantes colegas (a par de Zé Castro e Quaresma), podendo a curto prazo guindar-se à titularidade da principal selecção portuguesa (mais Moutinho e Manuel Fernandes do que Meireles e Nani).
Na frente de ataque, Quaresma é, provavelmente, o maior talento mundial da sua geração.
Esta época conseguiu conjugar as suas qualidades inatas com a eficácia exigida em alta competição.
Tornou-se um jogador mais competitivo, um jogador mais colectivo, sem que tenha, concomitantemente, perdido a capacidade de criar desequilíbrios.
Pode decidir sozinho um jogo.
Hugo Almeida será o ponta de lança de serviço.
Dotado de condições físicas invulgares para a função, não demonstrou, ainda, saber fazer uso pleno das suas capacidades.
Falho de concentração e de confiança (mais ao nível do clube do que da selecção) não logrou potenciar as suas qualidades físicas.
Apresenta um ratio demasiado elevado entre oportunidades criadas e aproveitadas.
Começou tarde e isso nota-se, mormente ao nível da eficácia na finalização e do posicionamento.
Está num momento decisivo da carreira, na vertigem da afirmação plena ou da esperança eternamente adiada.
Tudo visto, direi que temos motivos para estarmos confiantes quanto à performance da nossa selecção de sub-21.
Nota final para destacar algumas figuras das restantes selecções participantes.
Aquilani pela Itália, Huntelaar pela Holanda, Flamini e Simana-Pongolle pela França, a par de Moutinho, Manuel Fernandes e Quaresma por Portugal, poderão ser as grandes figuras da competição.

Rumores

Ontem, em conversa com um empresário de futebol da nossa praça, soube que o Sporting se encontra em negociações com o Dínamo de Moscovo para o empréstimo de Maniche.
Disse-me aquele agente FIFA que Costinha, também, está nas cogitações dos leões.
Como não me foi pedida reserva, aqui vos deixo estas notícias.

segunda-feira, maio 22, 2006

Estudo da Deloitte (época 2004/2005) - alguns apontamentos

Receitas e Custos:
A liga Inglesa é a mais rentável liga de futebol profissional.
O seu volume de receitas é 1.976 milhões de euros. A liga Portuguesa representa 14% da liga Inglesa. O PIB Português é de 8,3% do PIB Inglês;
Os 3 grandes em Portugal representam 73% do total de receitas da Superliga;
Os 3 grandes representam 65% do total dos custos da Superliga;
Os custos com pessoal representam 83% das receitas do mercado tradicional, mas se adicionarmos a esses custos com pessoal, as amortizações do plantel, então o valor ascende aos 113% das receitas tradicionais;
70% dos sócios pagantes são do Benfica, Porto e Sporting;

Quadro comparativo das Receitas -

Ligas Europeias

Inglaterra - 1.976 milhões €
Itália - 1.153 milhoes €
Alemanha - 1.058 milhões €
Espanha - 953 milhões €
França - 655 milhões €
Portugal - 278 milhões €

As principal fonte de receitas das principais ligas Europeias e da Portuguesa provém dos direitos cedidos às televisões para as respectivas transmissões. Em Itália, o valor percentual chega mesmo a ultrapassar os 50%, em Portugal esse valor situa-se nos 41%.
Se considerarmos para as receitas dos principais clubes europeus (Real Madrid, Manchester United, AC Milan, Bayern e Lyon) os seguintes vectores Comercial, TV, Bilheteira e Outros, constata-se que os grandes clubes conseguem a grande fatia das suas receitas com a vertente comercial e televisão.
Comparando-os com a realidade nacional, e nomeadamente com o FC Porto, mais de metade vem da rubrica Outros, onde podemos incluir por exemplo as transferências de jogadores.
Se analisarmos o ratio PIB per capita/preço médio para um jogo com a capacidade económica para adquirir lugares nos estádios versus os lugares vendidos por mil habitantes, percebe-se que os Franceses são os que maior capacidade têm para assistir aos jogos de futebol do escalão principal e os ingleses são os que têm menos.
Os ingleseses, espanhóis e portugueses são os 3 que têm menor capacidade.
Nas receitas "market pool" (distribuídas pelos países conforme importância de mercado televisivo) as 5 prinicipais ligas europeias absorverm 84%.
Portugal registou um valor perto de 1%, resultante da participação do FC Porto na Liga dos Campeões.

Curiosidades sobre o Mundial

Participam neste mundial 32 equipas, cada com 23 jogadores, o que perfaz um total de 736 jogadores.
De acordo com a Fifa, 47 % dos jogadores actuam nos campeonatos, Inglês, Espanhol, Francês, Italiano e Alemão.
102 jogadores, que participam no mundial jogam na Premiership inglesa.
7 jogadores participam num mundial pela 4 vez, Claudio Reyna, Kasey Keller dos Estados Unidos, Oliver Kahn da Alemanha, Mohammed Al-Deayea e Sami Al-Jaber da Arabia Saudita, e Cafu e Ronaldo do Brasil.
Keller, é o único jogador que participou no Mundial de 1990. Falhou o de 1994.
Só Cafu, Al-Deayea e Al-Jaber jogaram os últimos 3 torneios.
O avançado inglês Theo Walcott, de 17 anos é o jogador mais novo a participar neste mundial, e poderá ser o mais novo de sempre a marcar se conseguir achar as redes na Alemanha.
O guarda redes da Tunísia, Ali Boumnijel de 40 anos é o quinto jogador mais velho a participar num mundial, logo atrás de Roger Milla dos Camarões, Pat Jennings da Irlanda do Norte, Peter Shilton de Inglaterra e Dino Zoff de Itália.

Um esforço de contenção de aplaudir

Os responsáveis da SAD do Sporting já estabeleceram a projecção orçamental para a próxima temporada: a empresa do futebol vai dispor de 17 milhões de euros para "atacar" os ambiciosos objectivos desportivos – recorde-se que, pela primeira vez desde 2001/02, o emblema de Alvalade vai disputar a fase de grupos da Liga dos Campeões.
Apesar de muito inferior ao dos rivais de sempre, o novo orçamento dos leões fica marcado por uma alteração significativa da política seguida nos últimos anos: ao contrário do que sucede desde 2002, o investimento no futebol não vai ser reduzido.
Termina assim um esforço de adequação das despesas à capacidade de gerar receitas.
Obedecendo a um princípio estratégico e às recomendações dos parceiros financeiros, o Sporting cumpriu o programa de contenção de despesas, mas, hoje, perante os novos desafios, terá atingido o limite inferior numa actividade em que a competitividade – desportiva e comercial – é extrema.
Assim, a SAD contará com um orçamento da ordem dos 17 milhões de euros, ou seja, sensivelmente o mesmo que resultará do exercício em curso – a previsão era de 18 milhões de euros, mas não deverá ir muito além dos citados 17, mesmo com os prémios resultantes do apuramento directo para a "Champions".
Ao fixar a fasquia nos 17 milhões de euros, a SAD leonina assume ser este o limite mínimo para assegurar a competitividade da equipa de futebol profissional, mas concretiza os objectivos a que, num passado recente, se propôs.
Num espaço de apenas quatro anos, os custos do futebol leonino foram reduzidos em cerca de dez milhões de euros, num ciclo de contenção de despesas digno de nota. Se, em 2002/03, a principal actividade do clube registou despesas de 28 milhões de euros, esse valor desceu para 23 em 2003/04, para 20 em 2004/05 e, na época agora finda, deverá ficar pouco acima dos 17 milhões de euros (face aos cerca de 18 milhões previstos).

Uma excelente notícia para contrabalançar

A reunião foi longa, mas produziu os efeitos desejados.
Depois de uma conversa com os líderes do AC Milan – encabeçados pelo director-executivo, Adriano Galliani – que se prolongou por várias horas, Rui Costa chegou a acordo com o colosso transalpino e rescindiu amigavelmente o contrato que ainda o vinculava aos "rossoneri" por mais uma época.
O caminho para o regresso do "maestro" à Luz está, desta forma, livre, pelo que o antigo internacional português deverá voltar brevemente a Portugal para formalizar um acordo, já alcançado verbalmente, com os responsáveis encarnados.
Desde o início do mês que Luís Filipe Vieira e José Veiga encetaram conversações para garantir o retorno do médio, mas faltava ainda a Rui Costa desvincular-se do emblema italiano.
Pouco utilizado por Carlo Ancelotti, o camisola 10 do AC Milan poderá agora voltar a correr de águia ao peito, cumprindo um desejo que sempre manifestou ao longo da sua carreira em Itália.
Está assim confirmado o retorno de um dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos benfiquistas, que volta à "Catedral" para envergar o mesmo número que tinha quando deixou a Luz há 12 anos.
A camisola 10 poderá, assim, deixar de ser pertença do internacional grego Karagounis, na mesma medida em que Simão – ao que tudo indica, o avançado está de saída – passará também um testemunho, cedendo a braçadeira de capitão ao "maestro".

Treinador do SLB - Realmente uma surpresa, mas desagradável

No passado Sábado foi apresentado o novo treinador do SLB - Fernando Santos.
Para mim uma surpresa.
Uma desagradável surpresa.
Escrevi que o novel treinador benfiquista, provavelmente, não sairia do lote dos putativos eleitos pelos media.
Enganei-me.
Não me satisfaz a escolha.
A escolha não pode ter assentado em razões de competência técnica, científica ou académica.
Nem sequer no seu currículum desportivo.
Fernando Santos é um símbolo de uma geração de treinadores portugueses, pré-Mourinho, cuja base de conhecimentos é tributária da sua experiência enquanto praticantes.
Mas, mesmo aí, Fernando Santos perde para os demais treinadores da sua geração.
Não foi um futebolista de eleição, longe disso.
Engenheiro de formação, enveredou pela carreira de treinador, a full-time, apenas nos finais da década de 80, princípios da década de 90.
Conheceu relativo sucesso no Estoril e no Estrela, sendo que o seu percurso neste clube o catapultou para o FCPorto.
Aí, foi campeão, conquistando o 5º título consecutivo do clube nortenho, o que lhe valeu o epíteto de "Engenheiro do Penta".
Duas Taças de Portugal e duas Supertaças depois, saiu para a aventura grega.
Na Grécia, num clube de mediana dimensão, o seu trabalho foi merecedor dos mais rasgados encómios, ao ponto de ter sido contratado pelo todo poderoso Panathinaikos.
Quatro jornadas apenas bastaram para o despedimento.
Ano quase sabático e eis que se torna treinador principal do Sporting.
Êxitos zero, terceiro lugar no campeonato e despedimento.
Regresso à Grécia e ao AEK.
Num clube em reconstrução, no qual a fasquia das expectativas era nula, trabalho meritório com o alcançar de um lugar na Champions.
Se citei o percurso profissional de Fernando Santos foi, por um lado, para demonstrar a sua mediania ao nível das conquistas e, por outro, para enfatizar que os seus maiores sucessos aconteceram quando ao serviço de clubes de pequena e média dimensão.
E esta circunstância permite perceber o que é Fernando Santos enquanto treinador.
Fernando Santos, tal como a generalidade dos treinadores da sua geração, procura jogar em função do adversário, explanando tacticamente a sua equipa por forma a neutralizar as mais valias do oponente.
É temeroso, conservador e pouco ambicioso.
Ou seja, pensa e age como treinador de equipas de menor dimensão.
Não é de estranhar se olharmos ao seu percurso profissional enquanto jogador e treinador.
Fernando Santos é "filho" de uma determinada forma de pensar o jogo própria dos treinadores portugueses da sua geração e do seu percurso profissional.
O sucesso ou relativo sucesso (pois que sempre em função da dimensão dos emblemas que orientou) que conheceu ao serviço do Estoril, Estrela e AEK decorre, exactamente, do modo como encara o jogo.
Nessas equipas, a sua forma de ver o jogo, assente na expectativa, nas transições rápidas, na marcação cerrada, casa bem.
Em equipas de outra dimensão, é complicado.
Fernando Santos não tem cultura de vitória, não tem cultura do risco, não sabe armar tacticamente as equipas que orienta para assumirem o comando do jogo.
Não tem e não sabe, mas dificilmente poderia ter.
E aqui voltamos ao seu percurso profissional.
Por outro lado, como supra disse, Fernando Santos não tem background académico.
Como já escrevi em outras ocasiões, um treinador deve comportar uma mescla de conhecimentos académicos e práticos.
Ao nível do treino e é aqui que as capacidades adquiridas em estudos superiores se revelam realmente importantes, Fernando Santos é pobre.
Reproduz os exactos mesmos métodos de há vinte anos.
É manifestamente curto.
Esta lacuna poderia ser suprida pela contratação de um treinador adjunto de base universitária.
Nem isso acontece - Chalana e Rosário são tudo menos isso.
Sou partidário de equipas técnicas multi-disciplinares, constituídas por profissionais de diferentes proveniências e com saberes distintos e complementares.
A equipa técnica do Benfica é mais do mesmo.
Ao nível das cúpulas, os três elementos são tributários do mesmo saber de experiência feito.
Quando supra me alonguei sobre o percurso profissional de Fernando Santos, aparentemente olvidei a referência ao título de campeão nacional conquistado ao serviço do FCPorto.
Foi propositado, pois que penso que foi um acaso fruto de circunstâncias excepcionais.
Mário Wilson disse um dia que quem treinasse o Benfica arriscava-se a ser campeão nacional.
Era, precisamente, isso que acontecia naqueles tempos no FCPorto.
Foi Fernando Santos como poderia ter sido o Zé dos Anzóis.
A única virtude de Fernando Santos ao serviço do FCPorto foi não ter inventado, não ter mexido na estrutura que acabara de conquistar 4 títulos consecutivos.
Depois começou a mexer e foi o que se viu (culminando com a eliminação da Taça face ao Torreense).
Aliás, os seus despedimentos de Sporting e Panathinaikos, dos quais saiu sem honra, nem glória, dizem bem do acaso que constitui o penta.
Mas, então por que raio foi escolhido Fernando Santos??
Primeiro, não foi escolhido!
Os constrangimentos orçamentais e a urgência na decisão "impuseram-no".
Mostrava-se necessário encontrar um sucessor e rapidamente, as diferentes alternativas foram-se esfumando na penumbra das dificuldades financeiras e Fernando Santos emergiu como a única alternativa.
Eriksson, Zaccheroni e Queirós são demasidado caros.
A fasquia de um treinador com currículum de campeão exigia Fernando Santos.
Não havia outro disponível a baixo custo.
Depois, sempre se podia esgrimir com o título conquistado no FCPorto e com o puro benfiquismo desde o berço de Fernando Santos.
Á míngua de argumentos de competência, sobram sempre os sentimentais.
Então, toca a puxar do benfiquismo do homem que as massas vão, pelo menos, dar-lhe o benefício da dúvida.
A emoção tende a toldar a razão.
Por fim, Fernando Santos apresenta uma vantagem inegável do ponto de vista de José Veiga - é um "yes man".
Com ele não existirão conflitos quanto às contratações, dando roda livre a Veiga para pôr e dispôr da composição do plantel, não reivindicará jogadores de gabarito internacional e não exigirá condições de treino e logísticas.
Aceitará o que lhe derem, tão agradecido que está de se terem lembrado dele.
Um treinador de tarimba internacional, por certo, que exigiria este ou aquele jogador, o centro de estágios e formação a funcionar e, acima de tudo, exigiria ser ouvido antes da tomada de decisões.
Veiga não conviveria com tal realidade. Por isso, Camacho ou Eriksson nunca poderiam ser treinadores do Benfica com Veiga ao serviço do clube.
Caso o Benfica consiga o apuramento para a fase de grupos da Champions e não conheça o sabor amargo da derrota nas primeiras jornadas do campeonato, os ânimos irão serenar e o capital de confiança de Fernando Santos subirá.
Caso suceda o contrário, então tudo se complicará e a porta de saída será inevitável.
É o que dá contratar treinadores fragilizados à partida.
Espero e desejo que me engane, mas lá que o panorama não é animador, não é.