Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria)
ACADÉMICA – Ricardo; Nuno Piloto, Litos, Kaká e Pedro Costa; Paulo Sérgio e Pavlovic (Hélder Barbosa, 88 m); Lito, N´Doye e Ivanildo (Miguel Pedro, 46 m); Vouho (Joeano, 59 m).
BENFICA – Quim; Luís Filipe, Luisão, David Luiz e Léo; Katsouranis (Petit, 60 m) e Binya; Nuno Assis (Cardozo, 10 m), Rui Costa e Di Maria; Nuno Gomes (Freddy Adu, 62 m).
Ao intervalo: 1-1
Golos: 1-0, Lito (24 m); 1-1, Rui Costa (33 m); 1-2, Luisão (85 m); 1-3, Freddy Adu (90 m).
Resultado final: 1-3
Cartão amarelo a Katsouranis, Vouho, Luisão, Paulo Sérgio, N´Doye e Ricardo.

Salvou-se o resultado!
Um resultado profundamente enganador!
Nem a Académica merecia perder, nem o Benfica merecia vencer!
Um triunfo abençoado pela comummente designada "estrelinha"!
Quinta vitória consecutiva do Benfica e terceira partida da Briosa a sofrer 3 golos!
Péssima exibição do Benfica!
Privado de Nuno Assis aos 5 minutos, Camacho não soube equilibrar a equipa.
Introduziu Cardozo, passou a jogar com dois homens na frente e colocou Rui Costa sobre a direita.
Se Rui Costa nunca foi um jogador de linha, muito menos o é com 35 anos.
Sem um organizador de jogo, o processo ofensivo do Benfica foi de uma esterilidade atroz.
Sem profundidade pela ala direita, fruto da indolência de Luís Filipe, e sem clarividência ou criatividade pela zona central, o momento atacante dos encarnados vivia em exclusivo dos repentismos de Di Maria na esquerda.
E como este só apareceu a espaços...
Domingos apresentou o modelo esperado, mas com duas enormes surpresas no onze - Ricardo no lugar de Pedro Roma e Vouho em substituição de Joeano.
Fazer alinhar um guarda-redes que nunca jogou na presente época apenas porque rubricou uma excelente exibição numa partida contra o Benfica na temporada passada, é uma estultice!
Domingos procurou potenciar a vertente emocional, olvidando a pressão que colocava sobre Ricardo.
A ansiedade do ex-varzinista viria a emergir na fase final do encontro e com consequências catastróficas para a Briosa.
Desprezar a experiência de Pedro Roma num encontro em que a serenidade desempenha um papel decisivo é quase imbecil!
Percebo a aposta em Vouho como uma tentativa de lançar um jogador desconhecido, carente de oportunidades, com a motivação em alta e que quanto mais não fosse seria sempre protagonista de uma tarefa de desgaste de forma a propiciar a entrada subsequente de Joeano.
Já a escolha de Ricardo só se compreende com base na premissa que supra enunciei e que é evidentemente falaciosa (e foi-o com custos elevadíssimos).
O jogo foi quase sempre equilibrado,sem que ninguém tenha feito muito para marcar.
Aliás, os golos nasceram de lances tudo menos ortodoxos e fora do contexto e da lógica da partida.
Primeiro, a Académica adiantou-se no marcador.
Se o tento academista se pode entender como prémio à sua atitude ousada, não é menos verdade que surgiu num momento em que a produção da Briosa não o justificava.
Na execução de um livre à entrada da área, NDoye rematou contra a barreira e no ressalto a bola sobrou para os pés de Luís Filipe que ao "aliviá-la" de forma defeituosa, colocou-a à disposição de Lito que, num remate cruzado, bateu Quim.
O Benfica demorou a responder e quanto mais o relógio avançava mais se acentuava o equívoco de Camacho.
No meio, Binya e Katsouranis eram de menos para organizar e manter Rui Costa na ala era um crime de lesa-futebol.
Sem zona central e sem ala direita, a solução chegou de uma rápida transição protagonizada por Di Maria.
O argentino, que minutos antes tinha rematado à barra, explorou a fragilidade de Nuno Piloto e à entrada da área foi travado em falta.
No livre, Rui Costa restabeleceu a igualdade.
Ao intervalo, o marcador cifrava-se em 1-1 e percebia-se a obrigatoriedade de Camacho mexer na equipa, procurando dotá-la do equilíbrio que a saída de Nuno Assis lhe havia cerceado.
Todavia, Camacho manteve-se impávido e sereno.
E o Benfica reiniciou o encontro tal qual o havia terminado - sem rematar.
Até que aos 61 e 63 minutos, Camacho decidiu colocar Petit e, mais do que tudo, trocar Nuno Gomes por Adu.
Finalmente a equipa voltava a ter um extremo sobre a direita e um meio-campo organizado.
O Benfica melhorou de imediato, mas sem criar oportunidades.
A partida encaminhava-se pastosamente para o seu final e parecia que nada poderia mudar o seu curso.
Puro engano!
Num lançamento de linha lateral de Binya, Ricardo falhou a intercepção e Luisão finalizou de calcanhar. Ricardo ainda chegou à bola antes da linha de golo, mas interveio de uma forma que só conseguiu empurrá-la mais depressa para o fundo das suas redes.
Estavam decorridos 87 minutos de jogo e a Académica entregou-se.
A Académica rendeu-se e o Benfica aproveitou para marcar uma vez mais.
Na sequência de um contra-ataque, Adu (ou novo Mantorras), também com responsabilidades para Ricardo, fez o 1-3.
O Benfica chegava definitivamente à vitória e construía um resultado que não reflecte o equilíbrio registado ao longo da partida e que apenas premeia a sua tardia vontade de triunfar.
A Académica não merecia "castigo" tão pesado, mas dois "frangos" de Ricardo, nos últimos minutos, deitaram tudo a perder.
Como disse Domingos no final: "Quando se comentem erros individuais isso acaba por decidir o jogo".
Como não tive ocasião de assistir de forma integral aos jogos de Sporting e Porto, não me pronunciarei nesta sede sobre os mesmos.









