Assistência: 29.016 espectadores (lotação esgotada)
República Checa-Portugal, 1-3
Ao intervalo: 1-1
Marcadores:
0-1, Deco, 08 minutos
1-1, Liobor Sionko, 17
1-2, Cristiano Ronaldo, 63
1-3, Ricardo Quaresma, 91
Equipas
República Checa: Petr Cech, Zdenek Grygera, Tomas Ujfalusi, David Rozehnal, Marek Jankulovski, Tomas Galasek (Jan Koller, 73'), Jan Polak, Marek Matejovsky (Stanislav Vlcek, 68'), Liobor Sionko, Jaroslav Plasil (David Jarolim, 85') e Milan Baros
Portugal: Ricardo, Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Petit, João Moutinho (Fernando Meira, 75'), Deco, Cristiano Ronaldo, Simão (Ricardo Quaresma, 80') e Nuno Gomes (Hugo Almeida, 79')
Árbitro: Kyros Vassaras (Grécia)
Acção disciplinar: cartão amarelo para Jan Polak (23) e Bosingwa (31)

Portugal venceu por 3-1 a Rep. Checa e, beneficiando do triunfo turco sobre a Suíça,
alcançou, virtualmente, a 1ª posição no Grupo A e, assim, a qualificação para os 4ºs de final.
Ainda que a supremacia lusa não possa, nem deva ser colocada em crise, o certo é que o resultado final não transparece o equilíbrio por que se pautou a partida.
Numa exibição mediana, em que apenas sob a forma de lampejo o brilhantismo disse presente, Portugal fez valer as suas individualidades para almejar o êxito.
Tal como vem sucedendo desde o Mundial-2006, o colectivo português não funcionou.
Carente de identidade e da consolidação de um modelo e de um fio de jogo, Portugal executou quase sempre mal as transições ofensivas e defensivas.
Ofensivamente, raros foram os desequilíbrios que através de movimentações colectivas conseguiu criar e defensivamente escassos foram os momentos em que o equilíbrio reinou.
Face a estas insuficiências, apenas ancorado na superior qualidade técnica e criatividade das suas unidades diferenciadas – leia-se Deco e Ronaldo (ainda que a vontade de sobressair lhe esteja a toldar as capacidades e a ansiedade o conduza frequentemente para dribles inconsequentes) – Portugal logrou superar uma Rep. Checa somente cínica.
Numa partida excessivamente jogada a meio-campo, na qual o labor e o suor ditaram leis, a diferença entre as equipas resultou da distinta qualidade dos executantes de cada uma.
Portugal tem melhores jogadores e esta circunstância fez toda a diferença!
Scolari privilegiou e bem a auto-determinação, preferindo manter o onze que havia vencido a Turquia ao invés de moldar a sua equipa à selecção checa.
Rep. Checa que apenas surpreendeu no onze apresentado, mormente na troca de Koller por Baros, numa clara tentativa de encurtar espaços e juntar as suas linhas intermediária e avançada. No mais, manteve-se fiel quer ao sistema táctico, quer ao modelo de jogo que apresentara frente à Suiça – 4x3x3 que defensivamente se transformava num 4x5x1 e carradas de contenção e expectativa na busca de exploração do erro adversário.
Todavia, a esta postura muito próxima do Cattenaccio italiano faltaram dois elementos imprescindíveis ao sucesso – qualidade no último passe e capacidade de finalização.
Sem Nedved e Rosicky no meio-campo, com a veterania de Koller e com Baros em nítida crise concretizadora, esta Rep. Checa não passa de uma equipa pouco mais do que banal, desprovida dos predicados essenciais para alcandorar patamares de excelência.
Portugal entrou bem no jogo – alegre, dinâmico e imprimindo fluidez à transição ofensiva – e foi, sem surpresa, que logo aos 8 minutos agregou vantagem no marcador.
Com Deco a roçar a perfeição, qual metrónomo gerindo os ritmos e os espaços, Portugal assumiu o império da partida, subjugando uma Rep. Checa completamente atordoada.
Quando se pensava que nada, nem ninguém poderia desapossar Portugal do domínio e do controlo sobre as incidências do encontro, eis senão quando o elo mais fraco da selecção lusa revela as suas debilidades e a Rep. Checa, sem saber muito bem como, empata.
Sionko explorou o deficiente posicionamento de Paulo Ferreira e conquistou um canto, na sequência do qual viria a desferir uma fulminante cabeçada, restabelecendo a igualdade.
Ao longo de toda a partida, o corredor esquerdo da defensiva lusa constituiu uma autêntica via verde para os checos, os quais não se fizeram rogados e por aí construíram a esmagadora maioria dos seus lances de perigo.
Sem atinar com o posicionamento e mostrando-se incapaz de acompanhar a velocidade de Sionko, Paulo Ferreira foi como soi dizer-se um “autêntico passador”.
Portugal reagiu muito mal ao golo sofrido.
Um duro golpe numa equipa cuja supremacia não permitia sequer cogitar semelhante infortúnio.
Portugal não estava emocionalmente preparado para consentir um golo e, como por magia negra, desapareceu da partida.
Até ao intervalo, o jogo conheceu o seu pior período, com Portugal a carpir as suas mágoas e com os checos acomodados perante a realização do seu objectivo.
No início da 2ª metade, o jogo conservou idêntico cariz.
Portugal continuava a ser uma equipa abúlica e os checos uma equipa resignada às suas limitações.
Seguia desta forma o encontro pastoso, lento e sem grandes motivos de interesse, quando Deco decidiu dar asas à sua superior visão de jogo e descobrir Ronaldo para o 2º golo português.
Uma verdadeira pedrada no charco que teve o condão de despertar a selecção nacional.
Portugal regressou ao comando da partida e acaso não tivesse Scolari mexido de forma asnática na equipa assim teria continuado até final.
Sucede que, com a entrada de Koller, Scolari abdicou da auto-determinação em favor da hetero-determinação e fez entrar Meira para 3º central com o fito de marcar o gigante checo.
A equipa percebeu a mensagem e desceu o seu bloco, expondo-se ao jogo directo dos checos.
Os temores de Scolari eram tantos ou tão poucos, que, instantes depois, substituiu Nuno Gomes por Hugo Almeida por forma a precaver-se ainda mais nas bolas paradas defensivas.
Quando se exigia a entrada de homens rápidos, capazes de executar velozes transições ofensivas, por forma a explorar a subida do bloco checo, Scolari encolheu-se e a Rep. Checa assumiu, naturalmente, o domínio do jogo.
Neste período, Portugal sofreu a bom sofrer e não fora a inépcia checa na concretização e o empate podia ter surgido.
Não surgiu e Portugal, num momento de luz e inteligência de Deco e Ronaldo, logrou o 3-1, sentenciando o encontro.
Neste lance ficou evidente que, com espaço, a criatividade, a capacidade técnica e velocidade dos jogadores portugueses assumem-se como letais e guindam a nossa selecção ao panteão da excelência.
Alcançada a qualificação, é tempo de rotação, descansando os habituais titulares e concedendo visibilidade aos menos utilizados.



