quarta-feira, janeiro 25, 2006

Imagens com História V- cromos avulsos









Imagens com História IV- cromos avulsos










Imagens com História III - FCP 82/83











Imagens com história II - SCP 82/83











Imagens com história - SLB 82/83











Ora advinhem lá quem é e, mais importante, qual a sua profissão

Nascido em Vilar de Maçada, concelho de Alijó, distrito de Vila Real, em 6 de Setembro de 1957
Engenheiro Civil
Pós-graduado em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública
Militante do Partido Socialista desde 1981
Presidente da Federação Distrital de Castelo Branco entre 1986 e 1995
Membro do Secretariado Nacional do Partido Socialista desde 1991, e membro da Comissão Política do PS
Porta-voz do PS para a área do Ambiente a partir de 1991
Deputado à Assembleia da República de 1987 a 1995 e desde 2002 (V, VI, VII, VIII e IX Legislaturas), pelo círculo de Castelo Branco, tendo sido, na IX Legislatura, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS, membro da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República
Membro da Assembleia Municipal da Covilhã
Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território do XIV Governo Constitucional
Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro do XIII Governo Constitucional
Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente do XIII Governo Constitucional
Eleito Secretário Geral do Partido Socialista em Setembro de 2004

Obsceno

O Banco Comercial Português comprometeu-se ontem a chegar ao final de 2007 com resultados líquidos recorrentes superiores a 880 milhões de euros.
A nova meta resulta da revisão em alta dos objectivos de ganhos adicionais de rendibilidade a obter no médio prazo e inclui ainda o compromisso de aumentar o lucro por acção do grupo em 20% ao ano até ao final de 2008.

Se calhar é em sistema de Franchising

Potencialmente mais embaraçosos para os EUA, e em especial para a Administração Bush, já para não referir os governos europeus que eventualmente tenham cooperado com Washington, são ainda os dados já recolhidos pela comissão de inquérito, e que apontam para a forte probabilidade de os serviços de informações norte-americanos terem subcontratado serviços congéneres estrangeiros para procederem ao interrogatório dos suspeitos raptados pela CIA.
O que, formalmente, permitiria aos EUA declararem publicamente, como fez recentemente a sua secretária de Estado, que não recorriam à tortura para obter informações, omitindo, provavelmente, que "encomendavam" tal tarefa a terceiros.

A propósito do Paulo Bento

Postei, ontem, um artigo de opinião de um sportinguista sobre Paulo Bento.
Nem sempre o que publico corresponde á minha leitura, mas entendo que devo postar as mais diversas apreciações por forma não só a democratizar o blog como também a estimular a discussão.
Desde o advento Mourinho que o futebol portugues foi invadido por uma onda de técnicos de futebol com formação académica.
Os clubes num afã tresloucado procuram, a todo o custo, descobrir o "novo Mourinho", contratando treinadores, sem experiencia e sem resultados relevantes, mas com uma formação identica ao mago da bola que tudo ganha - "se não fosse para ganhar, não estaria aqui."
Treinador que não fale na verticalização, na basculação, no jogar entre linhas, não vista fato de bom corte, não aprume o visual, é excomungado do mundo do futebol luso.
São exemplos Manuel José, Manuel Cajuda, Vítor Manuel, Toni, Quinito, José Rachão, José Romão, João Alves, Vítor Oliveira, entre tantos outros.
Se será de louvar a busca por novos conhecimentos, novos métodos, novas valias, não me parece que seja de desprezar todo um capital de experiencia adquirido ao longo dos anos quer como praticante quer como treinador.
Serve isto para enaltecer a contratação do Paulo Bento.
Não é que o Paulo Bento esteja a demonstrar ser um treinador de excepção, longe disso, mas a sua entrada para técnico principal do Sporting representou uma inversão do paradigma reinante, podendo servir para restabelecer um equilibrio que julgo desejável.
Para mim, um bom treinador de futebol faz-se da reunião dos seguintes ingredientes - capacidade de liderança, capacidade de decisão, capacidade de leitura de jogo, capacidade de intervir no jogo a partir do banco, conhecimento do fenómeno nas vertentes de conhecimento do meio futebolístico em que se insere e do mercado de jogadores.
Quem melhor que um ex-praticante para fazer a síntese de tais predicados?
A base académica não é de descurar, mas a sua influencia maior reside no treino, não no jogo em si e enquanto tal.
No treino, no desenvolvimento das capacidades dos jogadores, físicas e técnicas, os conhecimentos adquiridos em estudos superiores são imprescindíveis. Mas esses mesmos conhecimentos não me parecem suficientes no que concerne aos restantes aspectos do jogo.
Exemplo vivo de tal é, desde logo, Carlos Queiroz.
Fortíssimo no planeamento e execução do treino, revela lacunas enormíssimas na capacidade de liderança, de decisão (quem não se lembra dos casos de indisciplina nos clubes e selecções por onde passou), de leitura de jogo, de capacidade de intervir no jogo a partir do banco (quem não se recorda da substituição ao intervalo de Paulo Torres por Capucho e da colocação, na sequencia, de Paulo Sousa como falso lateral esquerdo nos famosos 3-6 em Alvalade frente ao SLB, que abriu um autentica auto-estrada no corredor esquerdo, tendo sido por aí que o SLB construiu os seus 3 golos da segunda parte), de conhecimento do fenómeno nas suas vertentes de conhecimento do meio futebolístico em que insere e do mercado de jogadores (quem não se lembra das múltiplas contratações falhadas no SCP, de Ouattara a Vujacic, entre outros, as declarações ao serviço da selecção no final de um famoso Itália/Portugal de apuramento para o Mundial de 94, as declarações e contratações falhadas no Man.United).
Os grandes técnicos mundiais da actualidade, Capello, Lippi, Trappattoni, Ancelotti, Rijkaard, Mancini, Gullit, Van Basten, Klinsman, Matthaus, para não referir Cruyff, foram praticantes de excelencia. A excepção é Eriksson, mas também não há regra sem excepção.
Mourinho, para lá de ser uma personalidade única e de ainda assim ter feito parte do plantel do Rio Ave na primeira divisão, colmatou uma certa falta de formação prática, com o convívio desde pequeno com o mundo do fuebol através de seu pai, Félix Mourinho.
Por tudo isto, a chegada de Paulo Bento ao lugar de treinador principal do Sporting constitui uma saudável lufada de ar fresco, interrompendo uma certa "doutorização" do futebol portugues.
Nada me move contra os treinadores licenciados, mas penso que o seu endeusamento é manifestamente pernicioso para o futebol.
Prática e Teoria devem coabitar.
O equilíbrio entre os diversos saberes é desejável.

terça-feira, janeiro 24, 2006

O que alguns sportinguistas pensam de Paulo Bento por Pedro Boucherie Mendes

Post publicado por Pedro Boucherie Mendes, sportinguista assumido, no seu blog - aos 35.
O Acidental
Será que a vida nos escolhe?
Julgo que foi Montaigne quem constatou que há derrotas mais triunfantes que algumas vitórias, mas não me parece que Paulo Bento, o treinador do Sporting em ano de centenário, esteja interessado em se consolar nestas palavras do pensador francês.
Mais, nem sequer julgo que Paulo Bento as entenda alguma vez. Para ele, ganhar é ganhar e perder é perder.
Imagino que os dirigentes do Sporting, o clube dos viscondes e das elites, tenha dito ao plebeu Paulo Bento (curioso como plebeu é muito parecido com Paulo Bento dito muito depressa…), ‘caro amigo, faça o melhor que conseguir. E naturalmente seja campeão! Estamos cá é para isso. Se precisar de alguma coisa, disponha. Quando sair feche a porta, 'tá bem?’
O clube dos viscondes entregou assim o seu destino a um homem que usa risco ao meio no cabelo, fala como um português estranho e tem uma noção do que é o futebol própria dos anos 80.
Acresce que nem sequer tem qualificações ou preocupações com essa circunstância.
A deformação de anos e anos de convívio com o futebol são, do seu estrito ponto de vista, suficientes porque o futebol, apesar de ser ‘uma caixinha de surpresas’, não tem segredos.
Paulo Bento é um acidental e parecia ter noção disso.
No escuro, sem lanterna, sol ou bússola para se guiar, fechou os olhos e foi em frente, disciplinado os veteranos e cativando os jovens leõzinhos com entradas directas na equipa.
Os resultados são mistos. Nem tão bons que haja alguém que acredite que o SCP será campeão; nem tão maus que haja alguém que acredite que já não temos a menor possibilidade se ganhar o campeonato.
Como em todos os acidentais, Paulo Bento incorreu no pecado da soberba e não demorou muito a pensar que talvez (talvez...) seja um escolhido.
O espectro do super-herói José Mourinho lembra a qualquer treinador português que ele luta para ser ‘o segundo melhor treinador português da actualidade’, uma apreciação tão verdadeira e afiada que deve magoar só de se pensar nisso.
Mourinho não se cansa de Portugal e faz questão de nos lembrar que aqui ele também é o melhor. Quando escreve semanalmente na revista do Record, Mourinho está a dizer a missa, ensinando-nos o Pai Nosso e dando-nos comunhão.
Paulo Bento nem é acólito ainda.
De fato de mau corte e mãos nos bolsos, olha, incrédulo, a bola a rolar, indiferente àquilo que ele disse aos jogadores.
A bola teima em ser redonda e não faz o que ele disse aos jogadores que ia fazer. Que ele prometeu aos jogadores, que ia fazer.
PBM

Á consideração de todos e de cada um

Mão amiga fez-me chegar hoje, via e-mail, este texto. Leiam-no e comentem-no, se quiserem.

Há precisamente dez anos atrás, Aníbal Cavaco Silva não foi querido pelos portugueses. Perdeu na corrida presidencial contra Jorge Sampaio. Foi derrotado.
E por uma boa razão...as pessoas naquela altura tinham Cavaco Silva mais presente na memória do que agora.
Dez anos dá para passar muita água debaixo da ponte e uma manipulação do silêncio, algo que o Aníbal Silva faz bem (quem o conhece sabe bemque nem abre o bico nas reuniões internacionais), apaga muitas memórias. As memórias de há dez anos foram, parece, esquecidas em grande parte e a década que passou elevou Aníbal Silva nas mentes de muitos ao nível do sebastianismo,um fenómeno que ocorre em Portugal de vez em quando nas alturas de crise.
Vamos lembrar aos portugueses e à comunidade internacional a razão porque Aníbal Silva não foi eleito há dez anos.
Depois de uma década como Primeiro-ministro, numa altura em que o dinheiro da Comunidade Europeia jorrava pelas fronteiras dentro, o quê é que fez Aníbal Silva para deixar Portugal numa posição de destaque? Onde foi esse dinheiro, onde foi empregue e quais as estruturas que Aníbal Silva construiu ao longo de dez longos anos para assegurar o futuro crescimento de Portugal na Comunidade?
Foram tão bem empregues, esses biliões, que Portugal depressa deslizou para 12º lugar na Europa dos 12, 15º dos 15 e agora ocupa o 19º dos 25. E está acair a pique.
As reacções acontecem alguns anos depois das acções.
Longe de ser competente como economista, Aníbal Silva provou ser o pior estrategista na história do país.
A segunda razão porque Aníbal Silva não foi eleito há dez anos foi a falta de coerência na promessa de melhorar a vida dos portugueses.
Piorou, e bastante e destruiu o tecido social do país para o próximo futuro, minando o terreno para os anos seguintes, de maneira que Cavaco Silva pudesse ficar nos bastidores, metendo o nariz quando entendesse e dizendo "Eu disse- lhes que isso iria acontecer".
A venda tresloucada de propriedades e firmas do Estado criaram todas as condições para um colapso do mercado do trabalho.
Aníbal Silva representou a geração dos yuppies, arrogantes novos-ricos que aplicavam a política da linha do fundo, sem qualquer respeito pela condição humana.
Daí que António Guterres pudesse vencer as eleições em 1995 com a simples frase: "Os portugueses não são um negócio. São pessoas".
Talvez a jóia na coroa de Aníbal Silva foi a propositada destruição da única firma portuguesa com peso no exterior - o IPE - Investimentos e Participações do Estado, SA, uma holding que agiu como o braço direito do estado, salvando empregos, criando postos de trabalho e criando riqueza.
O que é que fez o Aníbal Silva? Desmembrou-o.
E as pessoas dizem que é competente? Aníbal Silva foi, pois, o pai do desemprego em grande escala em Portugal.
A terceira razão porque Aníbal Silva não foi eleito foi o seu estilo arrogante em lidar com as pessoas - por isso ele sabe que quanto menos fala e aparece, melhor, porque começa a abrir a boca e estraga tudo.
Passou dez anos a carregar contra os portugueses, nas fábricas de Marinha Grande, na Ponte 25 de Abril, em Setúbal, na Praça do Comércio.
Até tivemos um belo espectáculo para os turistas verem em pleno coração de Lisboa, quando dois corpos da polícia efectuaram uma luta feroz, a polícia de intervenção carregando à Cavaco contra a PSP que fazia uma greve pacífica. Uma Cavacada autêntica.
A violência foi tanta que até os transeuntes foram espancados, eu próprio assisti uma senhora de cerca setenta anos que tinha sido violentamente agredida na cabeça com um bastão. Uma senhora de setenta anos. Pelo amor de Deus !
Aníbal Silva foi tão competente, tão capaz, que até teve de fugir do seu próprio partido e deixar Fernando Nogueira na liderança.
Tão popular foi Aníbal Silva que teve de se distanciar daquilo que ele tinha criado.
Tão hábil foi ele em dirigir seu partido, que os parlamentares do PSD foram rotulados na imprensa da altura como Rottweilers. Aníbal Silva deixou o PSD odiado. E é competente?
Nem Aníbal Silva tem o perfil para ser Presidente. Quem o conhece, e quem conhece pessoas que o conhecem, sabe a verdade que ele tenta esconder.
É péssimo nas relações pessoais e nas reuniões internacionais, toda a gente sabe que ele entra mudo e sai calado. Até se comentava isso na altura: "Quem é aquele, que olha para os papéis e nunca diz nada? É Aníbal Silva". "Quem?" E isso é o perfil de um Presidente?
Um Presidente precisa de saber quantos cânticos tem os Lusíadas - e a Maria Silva é tão boa professora de português que nem o marido sabia esse facto elementar da cultura do seu país.
Um Presidente tem de saber estar à mesa. Tem de falar com a boca vazia. Não pode usar o garfo como uma pá e encher a goela até ao ponto de ruptura.
Não pode falar com a boca cheia a cuspir gafanhotos para todos à sua volta, como uma espécie de Jabba, the Hutt.
Votar em Aníbal Silva não vai ser sinónimo de votar por um D. Sebastião.
Não há ninguém menos preparado para ser o Presidente de Portugal.
Aníbal Silva é o único candidato que irá desprestigiar o país, aumentar as tensões sociais e entrar em guerrilha com o governo numa altura em que o país precisa de muito trabalho e estabilidade.
Essa figura ríspida não tem o perfil de um Presidente. Não se deixem enganar.
Lembrem-se das razões porque esse senhor não foi querido em 1995.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

A treta dos eco-pontos

Num sentido de pseudo-modernidade, de pseudo-europeísmo tão próprio da sociedade portuguesa, não há portugues que se preze que não faça a recolha selectiva do lixo.
Eu próprio.
Contudo, descobri que, embora me esforce por separar as embalagens, o papel, o cartão, o vidro do restante lixo doméstico e os colocar nos devidos eco-pontos, o camião de transporte é um só e sem divisórias.
Ou seja, o meu trabalho é em vão.
Dizem-me que depois é novamente separado.
Não consigo perceber - separa-se, junta-se e separa-se novamente.
Alguém anda a trabalhar para aquecer. Presumo que sejamos nós.
Será assim tão dificil criar ou adaptar um transporte existente para conduzir o lixo já separado?
Será preciso um choque tecnológico para tarefa tão hercúlea?
Como em quase tudo, vivemos num País de faz de conta.

Outros derrotados ou cobardias políticas

Tenho para mim que outro dos derrotados do pleito eleitoral de Domingo foi António Vitorino.
Em fase pré-eleitoral, o pequeno socialista apressou-se a afirmar não ser candidato a Belém.
Parece-me que o temor de um confronto com Cavaco terá sido o motivo maior de tal recusa.
Analisados os resultados, parece-me que se se tivesse candidatado teria vencido as eleições.
Ancoro esta pressuposição em duas ordens de razões - primeiro, Vitorino conseguiria agregar os votos do "centralão" e, como tal, evitar a vitória de Cavaco á primeira e segundo, pois me parece que, sem grandes dificuldades, seria capaz de promover a convergencia dos votos da esquerda numa segunda volta.
Vitorino avaliou mal o peso político-eleitoral de Cavaco, ao fiar-se nas sondagens que o situavam numa ordem de grandeza acima dos 60%.
Vitorino encolheu-se, acobardou-se e perdeu uma oportunidade, que não única.
Penso que em 2016 os comentadores televisivos da noite eleitoral de Domingo na RTP se irão defrontar enquanto candidatos a PR - António Vitorino e Marcelo Rebelo de Sousa.
Num patamar distinto, embora com alguma identidade de razões, Guterres foi outro dos fugitivos perdedores.
Apenas o curto espaço de tempo ainda decorrido sobre a sua governação, o diminuem relativamente aos predicados eleitorais de Vitorino.
Não existe, ainda, distanciamento suficiente para que a esquerda o pudesse apoiar sem tibiezas.
Todavia, a apresentar-se teria conseguido evitar a vitória de Cavaco á primeira e, depois, com diálogo e perseverança, penso que conseguiria alcandorar o apoio de Jerónimo e Louçã.
Ressalvo, apenas, que, apesar de conseguir reunir tais apoios, duvido que lograsse agregar os respectivos eleitorados, aí residindo o seu calcanhar de aquiles.
O cenário de 2016 que ensaiei poderá ser transformado com a entrada em cena de Guterres.
Nota final, para referir que Vitorino e Guterres são peritos em fugas estratégicas, sendo dos mais cobardes políticos portugueses, mas sempre sob uma capa de serviço aos interesses supremos do País.
Pira-te que vem aí borrasca...

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Análise á Jornada

Em Barcelos, o SLB venceu o Gil Vicente sem grandes dificuldades.
Iniciando a partida a perder, após Nandinho ter convertido penalty bem assinalado por falta de Simão sobre Carlitos, a equipa encarnada remontou ainda na primeira parte.
Simão, na conversão de penalty, igualmente, bem assinalado e Geovanni, na conclusão da mais sublime jogada de futebol da Liga BetandWin até ao momento, fizeram os golos que deram verdade ao marcador.
No dealbar da segunda metade, o momento mais hilariante de sempre em campeonatos nacionais, Jorge Batista, ao procurar pontapear a bola, introduzia nas suas próprias redes. Atenuante foi o súbito ressalto que a bola sofreu no relvado no momento imediatamente anterior ao do pontapé.
Depois, foi controlar e criar oportunidades de golo suficientes para almejar um score tranquilizador mais cedo.
O Gil apenas por uma vez criou perigo num lance em que Carlos Carneiro enviou a bola ao posta esquerdo da baliza de Moretto.
Vitória sem contestação, na qual realço os momentos de bom futebol colectivo produzidos, o golaço de Geovanni e as exibições da defesa, Petit e Nuno Gomes.
No Dragão, o FCP derrotou uma inofensiva Naval, embora a sua exibição tenha roçado a mediocridade.
Um auto-golo de Fernando, na sequencia de um lance pouco mais do que inofensivo, foi bastante para o FCP de Adriaanse alcançar os tres pontos.
Adriaanse está, uma vez mais, a esticar a corda - introduziu alterações tácticas relevantes e alterou o eixo central da equipa.
A manter-se o esquema táctico apresentado frente á Naval, perspectivo a debacle do FCP. Nem todas as equipas da Liga apresentam os sofríveis níveis de qualidade da Naval... ou por outra nem todas as equipas tem a falta de qualidade de Naval e Penafiel.
As alterações na composição da equipa, irão, inevitavelmente, fragilizar a situação de Adriaanse no seio do grupo - procurar culpados nas derrotas, excomungá-los e não assumir culpas próprias, por via de regra, conduz ao abismo do despedimento.
Adriaanse não é um líder como bem provado ficou - substituir Baía por Helton, no jogo em que Baía se aprestava para completar 400 jogos no campeonato nacional, por um simples erro na partida anterior, demonstra a saciedade as dificuldades do técnico holandes.
Em Alvalade, o SCP empatou com o Marítimo.
O SCP voltou a revelar o principal pecadilho que anteriormente lhe apontámos - falta de liderança nos momentos emocionalmente mais delicados.
A vencer por 1-0, estando por cima no jogo, o SCP não logrou, como em situações anteriores, desferir a estocada final e, assim, fazer 0 2-0, matando o jogo.
Ao invés, entrou em ansiedade, falhou algumas situações claras de golo e numa ocasião em que o deficit de qualidade da defesa leonina ficou patente deixou-se empatar.
Na segunda parte, a ansiedade da equipa foi, ainda mais, visível, mostrando-se o SCP incapaz de construir jogadas de golo, com excepção do último quarto de hora em que em desespero e beneficiando do retraimento do Marítimo, conseguiu criar oportunidades de golo. Liedson, no terminus do jogo, fruto de hesitação comprometedora, desperdiçou flagrante ocasião, deixando a nu o estado de espirito do conjunto verde e branco.
A arbitragem foi duramente criticada pelos dirigentes leoninos, sem que se tenha percebido bem porque.
O penalty é bem assinalado, Sá Pinto, estupidamente, diga-se, empurra Kanu dentro da área. A penalidade tem tanto de idiota como de evidente.
No mais, parece-me que o Marítimo, esse sim, terá sido prejudicado - na primeira parte, por mão de Polga, ficou por assinalar um penalty a favor do Marítimo e na segunda metade, num corte de Van der Gagh, o árbitro, sem razão para tal, assinalou livre indirecto, por atraso.
Não vi, mas admito que esteja enganado, qualquer razão para os protestos do Presidente Soares Franco.
No AAC/Nacional, vi duas equipas que são espelho da sua posição classificativa.
A AAC nervosa, hesitante, ansiosa, incapaz de construir lances de futebol com princípio, meio e fim.
O Nacional organizado, confiante, trocando bem a bola entre os seus jogadores e apostando no contra-ataque.
Aliás, não fora a falta de audácia de Manuel Machado e estou convicto que a AAC terminaria o jogo vergada a uma derrota.
Ainda assim, fazendo uso do brio e da raça dos seus atletas, a AAC esteve perto do golo por diversas situações, não o tendo alcançado fruto da completa inépcia dos seus elementos mais avançados, especialmente Gélson.
Vingada, mais uma vez, demonstrou ser um treinador temeroso, tendo desperdiçado a oportunidade de aproveitar o empolgamento da Briosa no início da segunda parte ao retardar excessivamente a entrada de Joeano em jogo.
Por outro lado, cometeu um crime de lesa futebol ao fazer entrar Piloto na segunda parte para o substituir á passagem dos 75 minutos. Piloto estava a jogar bem e não se compreendeu qual a intenção que presidiu á substituição, até porque Danilo e Alcantara continuavam em campo...
Alcantara, diga-se em abono da verdade, voltou a realizar uma exibição paupérrima, tendo tido intervenção directa na criação ou potenciação dos lances mais perigosos do Nacional.
Por fim, referencia para outro erro táctico de Vingada - a colocação de Filipe Teixeira á esquerda, cerceando-lhe influencia no jogo da equipa.
Filipe Teixeira encostado ao lado esquerdo do ataque é desperdiçar a unidade mais criativa e valiosa da Briosa.
Ponta de lança, central e extremo esquerdo precisa-se com urgencia.
Nos restantes jogos, alusão á vitória do Setúbal em Paços de Ferreira, dando continuidade ao milagre que constitui a carreira do Vitória no presente campeonato, atenta a qualidade dos jogadores que compõem o seu plantel, ao empate do Guimarães em casa com o Rio Ave, dando continuidade ao péssimo trajecto da equipa victoriana na Liga, atenta a qualidade dos jogadores que compõem o seu plantel, e á vitória do Boavista sobre o Estrela, dando continuidade á vitória em Setúbal e interrompendo o ciclo vitorioso dos da Amadora.

Comentário aos resultados eleitorais

Antes de mais, devo dizer que falhei, em toda a linha, a minha previsão de resultados.
Com efeito, Cavaco ganhou logo á primeira volta e Alegre ultrapassou, por larga margem, Soares.
Se a vitória de Cavaco á primeira volta, não constitui qualquer surpresa, dado que a generalidade dos estudos de opinião assim o indicavam, já a reduzida margem pela qual a alcançou e o score eleitoral de Alegre assumem-se como notas relevantes.
Todas as sondagens realizadas apontavam para uma vitória folgada de Cavaco, sendo que, mesmo as menos optimistas, a situavam numa ordem de grandeza a rondar os 55% dos votos expressos.
A estratégia delineada por Cavaco, centrada num discurso bem elaborado, bem estruturado, economicista em todos os sentidos, evitando a todo o custo o confronto, apelando a uma ideia sebastianica de esperança, resultou em pleno.
O director de campanha de Cavaco foi, sem sombra de dúvidas, um dos grandes vencedores da noite.
Outro foi Alegre.
Assim se comprova que as motivações dos eleitores são, em larga medida, emocionais.
Alegre foi o candidato com pior prestação televisiva, apresentou um discurso pobre, assente em chavões e sem conteúdo relevante, demonstrando um desconhecimento para lá do superficial dos dossiers e sem lograr resolver as antinomias entre o seu discurso e a sua prática política parlamentar.
Mas a ideia de se assumir porta-voz de um movimento de cidadania, a sua bonomia, a sua figura aristocrata, os erros do PS, permitiram-lhe capitalizar toda uma onda de descontentamento face ao sistema partidário e, em particular, face á acção do governo.
Outro foi Jerónimo de Sousa.
Uma vez mais conseguiu fazer crescer eleitoralmente o seu partido, em relação ás últimas legislativas em cerca de 1%, bem como ganhou o seu mini-campeonato com Louçã.
Outro dos vencedores foi Ribeiro e Castro, pois que a vitória de Cavaco á primeira volta vem provar o ajuste da sua estratégia, acentuando o papel decisivo que a não apresentação de candidato próprio pelo PP teve naquela.
O maior dos derrotados foi Soares, com uma score eleitoral pouco mais do que humilhante.
Morreu o mito Soares muito por culpa do estigma dos seus 81 anos e dos erros de gestão do PS.
Soares sai pela porta pequena da cena política portuguesa, vergado ao peso de uma derrota pesadissíma.
Provou-se que o feitiço se vira sempre contra o feiticeiro - se em 85 foi Soares que capitalizou a seu favor o momento político de então para derrotar o até então seu amigo Salgado Zenha, em 2006 sucedeu precisamente o contrário.
Aliás, as disputas presidenciais de Soares dizem bem da sua voracidade pelo Poder - em ambas não olhou a meios para atingir os fins, olvidando valores e principios dos quais se diz perfilhar, mormente amizades profundas.
Todavia, nem sempre o crime compensa.
Outro dos derrotados foi Louçã.
Pela primeira vez, não se verificou um crescimento eleitoral do BE, quedando-se perto do limite legalmente estabelecido para beneficiar da subvenção estatal.
Louçã perdeu cerca de 1% dos votos que o BE houvera tido nas últimas legislativas, num quadro eleitoral que o favorecia, abrindo a discussão em torno da liderança.
Parece-me que os próximos meses trarão novidades.
Contados os votos, coloca-se a tão propalada discussão em torno da coabitação entre Sócrates e Cavaco.
Não me parece que iremos assistir a qualquer conflito institucional, nem perto disso.
Sempre afirmei que o candidato mais próximo de Sócrates era Cavaco quer ideologicamente quer em termos
de praxis política, pelo que não antevejo qualquer problema de relacionamento entre ambos.
Aliás, o eleitorado que deu a maioria absoluta a Sócrates foi exactamente o mesmo que a deu a Cavaco.
Por outro lado, fazendo jus áquilo que tem sido a prática política dos sucessivos Presidentes da República no exercício do seu primeiro mandato, Cavaco irá pautar a sua conduta pelo mínimo de exposição pública, quedando-se por aparições esporádicas e remetendo-se a declarações curtas, insufladas de esperança, procurando esvaziar qualquer polémica.
Não vislumbro Cavaco a lançar mão da arma do veto político ou a afrontar publicamente o Governo.
A cooperação estratégica ensaiada por Cavaco plasmar-se-á nas conversas de quinta-feira e numa ou outra conferencia em que seja ou faça por ser chamado a intervir.
Referencia final para a deselegancia da noite, demostrando o carácter irrascível e o mau perder do PM, quando Sócrates iniciou a sua conferencia de imprensa sem esperar que Alegre finalizasse a sua.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Outra coisa é que seria de estranhar

A Casa Branca recusa-se a "negociar com terroristas", em resposta à trégua oferecida pelo líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, aos EUA, numa gravação de voz ontem tornada pública e que já foi considerada como autêntica pelos serviços secretos norte-americanos, CIA.

O estado do Estado

As facturas da água, da luz ou do telefone deste mês já começaram a chegar aos tribunais. Mas não vão ser pagas.
O dinheiro que os secretários judiciais têm disponível não é suficiente para suportar as despesas mais básicas. Isto porque o Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça (IGFPJ) reduziu-lhes o orçamento. Nalguns casos, em quase 50 por cento relativamente ao ano passado.

Onze Ideal da Liga Betandwin - Primeira Volta

Já agora, cá vai.
Onze Ideal - Moretto, Nélson, Luisão, Andersson e Miguelito, Quaresma, Petit, Lucho e Simão, Nuno Gomes e Liedson.
Onze Alternativo - Diego Benaglio, Luís Filipe, Nunes, Zé Castro e Jorge Luiz, Paulo Assunção, Andrés Madrid, João Moutinho e Benachour, J.V.Pinto e Meyong.

Agora em relação ao Sporting, Porto e AAC

Procurando ensaiar igual exercício em relação a SCP, FCP e AAC, direi que o onze ideal do SCP desde que vejo futebol seria integrado por Vítor Damas, Gabriel, Luisinho, André Cruz e Dimas, Figo, Paulo Sousa, Duscher e Cristiano Ronaldo, Balakov e Liedson.
No que concerne ao FCP, Mlynarckzik, João Pinto, Geraldão, F.Couto e Branco, Jaime Magalhães, André, Deco e Futre, Madjer e Jardel.
No que tange á AAC, Pedro Roma, Bandeirinha, Mounir, Zé Castro e Dimas, V. Paneira, Camilo, Brum e João Pires, Nilson Dias e Eldon.
Deixo estas considerações desejando que outros participantes no blog se disponham a postar a sua perspectiva.

Reviver o passado ou Histórias de Campeões

Respondendo ao repto lançado, decidi postar aquele que, a meu ver (pareço o Carlos Pinto Coelho), é o onze ideal do SLB desde que vejo futebol.
Assim, na baliza Michel Preudhomme.
Na lateral direita, Veloso.
No centro da defesa, Mozer e Ricardo Gomes.
Na lateral esquerda, Schwartz.
No centro do meio-campo, Paulo Sousa e Valdo.
Ala direito, Vítor Paneira.
Ala esquerdo, Fernando Chalana.
N.º 10, Rui Costa.
Ponta de Lança, Rui Águas.
No banco, onze alternativo, Silvino, Nélson, Luisão, Aldair e Álvaro, Thern, Shéu, Simão, Futre, J.V.Pinto e Mats Magnusson.
Regressando aos nossos dias, o meu onze ideal actual seria composto por Moretto, Alcides, Luisão, Andersson e Nélson, Petit e Manuel Fernandes, Simão, Laurent Robert, Nuno Gomes e Miccoli.
No banco, Moreira, Ricardo Rocha, Beto, Karagounis, Manduca, Giovanni e Marcel.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Ainda podemos descer mais, haja fé!

A República Checa ultrapassou Portugal na listagem do rendimento per capita da União Europeia.
Segundo dados ontem divulgados pelo Eurostat e citados pelo EUObserver, o rendimento bruto per capita dos checos atingiu, em 2005, 73 por cento da média dos Vinte e Cinco; o de Portugal é 71 por cento.

Já sei para que serve o aumento do subsídio de refeição dos funcionários públicos

As gasolineiras subiram esta madrugada os combustíveis em três cêntimos por litro devido ao aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) previsto no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).

Estórias da História

A tese de que os chineses foram os primeiros grandes descobridores do mundo entre os anos de 1405 e 1433 - destronando a importância das descobertas marítimas de Vasco da Gama, Colombo, Fernão de Magalhães, entre outros navegadores - regressou esta segunda-feira ao debate científico e... à especulação.
Tudo porque uma cópia do mapa original (de 1418) que se dizia existir, e que demonstrava as viagens do almirante chinês Zheng He em torno dos cinco continentes, foi apresentada em Pequim no princípio desta semana.
Quem fez esta prova foi um advogado chinês, Liu Gang, que afirma ter uma reprodução do referido mapa datada do ano de 1763.

Um pequeno pormenor

O ex-proprietário de uma panificadora da zona de Portimão exige 350 mil euros de indemnização numa acção judicial contra um ortopedista por alegada "negligência médica" com "danos morais e incapacidade para o trabalho".
O problema surgiu na sequência de uma intervenção cirúrgica ao ombro esquerdo, na qual terá ficado, por lapso, uma compressa, o que lhe causou infecção e obrigou a uma segunda operação, realizada por outro clínico.

Exercício de jornalismo tabelóide ou não...

A "arruada" de hoje de Cavaco Silva em Coimbra, uma das melhores de toda a campanha, foi marcada por um incidente, envolvendo jovens apoiantes e três manifestantes com uma faixa negra, chamando "fascistas" aos "cavaquistas".
O incidente foi registado já no final da iniciativa, durante o discurso de Cavaco Silva dirigido às centenas de pessoas concentradas numa das principais praças de Coimbra.
Na altura, começaram a ouvir-se assobios quando três jovens tentaram erguer uma faixa negra onde se lia: "Todos os porcos capitalistas votam Cavaco porque são fascistas".
Cavaco terá afirmado - "Coimbra é de facto muito especial, obrigado pela vossa ajuda".
Refira-se que esta frase foi proferida no final da sobredita acção de campanha, mas não a propósito do aludido incidente...

Exercício especulativo

A poucos dias das eleições Presidenciais, pensei fazer uma projecção pessoal das percentagens de votos de cada um dos candidatos, a partir da definição de intervalos de referencia.
Cavaco Silva entre 45 a 48,5% dos votos expressos.
Mário Soares entre 16 a 20% dos votos expressos.
Manuel Alegre entre 11 a 14% dos votos expressos.
Jerónimo de Sousa entre 5 a 9% dos votos expressos.
Francisco Louçã entre 3 a 7% dos votos expressos.
Garcia Pereira entre 0,5 a 1,5% dos votos expressos.
Lanço a todos quantos consultam este blog o desafio de realizarem igual exercício.

Centésima postagem

Na centésima postagem gostaria de agradecer a todos quantos fazem o favor de ler o que entendo escrever neste blog. A todos o meu sincero obrigado.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Deve ser dia 1 de Abril

Mais 12 cêntimos no subsídio de refeição é tudo quanto os funcionários públicos vão levar a mais do que o contido aumento salarial de 1,5%, que, na prática, representa uma perda de 0,8 pontos no poder de compra, face à inflação prevista para este ano.
Ontem, no final da terceira reunião entre a equipa das Finanças e os sindicatos da função pública - que encerrou o capítulo das negociações salariais para 2006 -, Teixeira dos Santos mostrou-se apenas flexível para aumentar o subsídio de refeição de 3,83 euros para 3,95 euros.

Não, que ideia!

O primeiro-ministro, José Sócrates, declarou hoje que o candidato presidencial Mário Soares "não foi porta-voz do Governo" ao transmitir aos trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo a posição do Executivo sobre o futuro da empresa.

Se fosse eu arrependia-me ou será que soube que o foi

Mário Soares afirmou ontem à noite que nunca se arrependerá de se ter candidatado a Presidente da República qualquer que seja o resultado das eleições, dizendo que ao longo da campanha já lançou uma "sementeira de ideias".

terça-feira, janeiro 17, 2006

Mercado

Foi, hoje, anunciada a contratação de Marcel pelo SLB.
Para além de enfatizar o fétiche de Vieira, Veiga e Koeman pela letra M - dos cinco reforços de Inverno apenas Laurent Robert apresenta nome não iniciado por aquela letra - cumpre tecer algumas considerações sobre a valia deste jogador.
Tal como muitos outros, entre eles o meu amigo Carlos, muitas foram as tardes em que vociferei nas bancadas do Cidade de Coimbra em direcção ao Marcel - tantos impropérios lhe lançamos, tantos e clamorosos golos ele falhou.
Vi jogar Marcel em muitos jogos e a imagem que dele guardo é de um jogador com capacidades físicas muito acima da média e dotado de um fortíssimo e bem direccionado pontapé.
Penso que as considerações acerca do valor de Marcel foram muito empoladas pelos media, sendo que a generalidade da opinião pública nelas foi acreditando, limitada que estava a visionar os resumos das partidas.
Marcel, enquanto jogador da Briosa, demonstrou ser um jogador lento, pesado, limitado nas suas movimentações, perdulário e com um jogo de cabeça limitado para a sua estatura.
Espero e desejo que Marcel, na flor dos seus 24 anos, evolua a ponto de se tornar um clone assemelhado a Adriano de quem se reivindica comparável.
Jogando num esquema de dois pontas de lança, mais fixo na área, com outra motivação, poderá entorpecer o seu deficit de mobilidade e potenciar o que de melhor o seu futebol tem para apresentar - presença física e potencia de remate.
Marcel terá que melhorar e muito o seu ratio de produtividade, pois que foram mais do muitos os jogos em que necessitou de várias oportunidades para concretizar.
O seu jogo de cabeça, verdade seja dita, foi pouco ou nada explorado ao serviço da Briosa, mas quando o foi não deixa saudades. Espero que seja só uma impressão... (não marcou qualquer golo de cabeça ao serviço da Briosa...).
Não se trata de um valor seguro, mas sim de uma aposta num jogador com escola de selecção brasileira e com predicados físicos e técnicos bastante aceitáveis.
Uma aposta de risco, concluo eu.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Outro dos verdadeiros deficit´s

Há 33 hospitais sem serviços próprios para crianças em Portugal. Dos 60 que os têm, apenas 43 possuem urgências. E desses, apenas 29 atendem todas as crianças, qualquer que seja a patologia.

Um dos verdadeiros deficit´s

Na Universidade de Coimbra, "62 por cento dos alunos que abandonaram o curso em 2003/04 não tinham feito uma única cadeira [ou seja, 1254 alunos] e 77 por cento tinham feito zero, uma ou duas disciplinas [1557 alunos]", garante o reitor desta Universidade. No ano lectivo de 2003/04, os números totais de abandono naquela instituição ascenderam a 2022 alunos. E no passado ano lectivo o número agravou-se 2372 alunos desistiram do seu curso.

Not again ou as tentações imperialistas

Senadores republicanos e democratas norte-americanos sugeriram ontem a eventualidade de um ataque militar para impedir o Irão de obter armas nucleares.

Tanta gente feliz

As buscas domiciliárias, as vigilâncias e as intercepções telefónicas deverão ser os serviços mais afectados pela greve às horas extraordinárias que os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) iniciaram hoje, segundo o sindicato.

Análise da Jornada

O facto mais relevante da jornada ancorou-se na derrota do FCP na Reboleira.
Com uma primeira parte de sonho, o Estrela desbaratou o FCP e alcançou uma vantagem de dois golos que, com maior ou menor facilidade, logrou conservar até final - a vantagem, pois o FCP ainda marcou um golito.
Manu, Semedo e Rui Borges com a sua velocidade colocaram a nu as fragilidades da defesa portista - problemas posicionais e dura de rins. Depois Baía fez o resto... com um frango que se fosse do Ricardo dava parangonas jornalísticas... um tem o outro não (boa imprensa).
Adriaanse, ao intervalo, quis dar um puxão de orelhas á equipa, procedendo a 3 substituições. Penso que começou aí a perder definitavamente o jogo.
É certo que mexeu com a equipa e com o jogo, mas, desde logo, manietou-se, ficando a ver a equipa a perder-se fisicamente e incapaz de imprimir outra dinamica. Concomitantemente, o efeito surpresa foi-se desvanecendo, o Estrela foi-se encaixando e o FCP foi-se acomodando, não mais criando ocasiões de perigo.
Sem Quaresma, o FCP vulgarizou-se e com excepção do lance que originou o golo de Lucho, nada mais fez do que despejar bolas para a área do Estrela.
Parece-me que aquele que seria o terceiro golo do Estrela da autoria de Semedo, foi mal anulado, sendo curioso que o árbitro auxiliar só assinala o fora-de-jogo muito depois da bola ter sido endossada para Semedo.
De igual forma, ficou um penalty por assinalar a favor do Estrela, na segunda parte, por falta sobre Coutinho de Ricardo Costa.
Uma última nota para Manu - quem tem sob contrato um jogador com a sua capacidade explosiva sobre os flancos, não pode contratar Marco Ferreira - é um crime de lesa futebol.
O SLB venceu a AAC, num jogo em que, uma vez mais, sem fazer uma exibição de encher o olho, manteve as suas redes invioláveis, controlou sempre o jogo e marcou por tres vezes.
A AAC apresentou-se muito encolhida, numa táctica tão ao gosto de Vingada - tudo lá atrás fechadinho e fé e esperança num contra-ataque milagroso.
É urgente contratar um médio organizador, um extremo esquerdo e um central de qualidade - Hugo Alcantara realizou mais uma exibição confrangedora, que culminou com o falhanço no segundo golo do SLB, no qual foi, infantilmente, ultrapassado por Luisão.
Quanto aos lances polémicos, parece-me que o penalty de Brum tem tanto de estúpido como de evidente, o lance que envolve Luisao é de bola na mão, atenta a distancia e a violencia com que o remate foi efectuado e, por fim, no lance do segundo golo do SLB ninguém pode afirmar ter a bola ultrapassado ou não a linha de fundo.
O SCP venceu facilmente um Belenenses pouco mais do que inofensivo.
Merce de um erro crasso de Marco Aurélio, o SCP marcou o golo que valeu 3 pontos, tendo controlado integralmente a partida.
Não obstante, um acto irreflectido, mais um, de Sá Pinto, poderia ter deitado tudo a perder, não fosse o disparate de Ruben Amorim.
Nota final para o Nacional/Paços de Ferreira, onde, pelo resumo, houve uma arbitragem pejada de erros, a roçar o anedótico.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Preocupações, inexactidões, imprecisões e outras coisas terminadas em ões

O procurador-geral da República afirmou hoje, à saída de uma audiência em Belém, que comunga das preocupações de Jorge Sampaio sobre as escutas de milhares de chamadas telefónicas do Presidente da República, do primeiro-ministro e dos presidentes da Assembleia da República, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas no âmbito do processo Casa Pia.

Primeira inexactidão - não se trata de escutas, mas apenas de dados de tráfego telefónico relativos aos postos telefónicos pertença das personalidades supra citadas.
A lista que o 24 horas publica diz respeito ás chamadas telefónicas realizadas a partir dos postos telefónicos referidos, ou seja, trata-se de um registo do qual constam tão só a identificação do número chamador, do número receptador, a hora da chamada e a sua duração.
Inexiste qualquer conhecimento sobre o autor da ligação, bem como do conteúdo da conversação entabulada, apenas permitindo asseverar que alguém utilizando um determinado posto telefónico efectuou uma ligação telefónica para um outro posto telefónico, numa determinada hora e por um determinado período de tempo. Tudo o mais permanece desconhecido - autor e teor -.
Assim, fazer derivar a discussão para questões relativas a escutas telefónicas só pode ser por ignorancia ou por manifesta má fé ou por tentativa de aproveitamento político.
Primeira imprecisão - o MP não solicitado á PT o registo das chamadas realizadas a partir dos postos telefónicos fixos titularidade das personalidades constantes do rol apresentado pelo 24 horas, mas sim de determinados números de telefone, os quais se veio a apurar pertencerem ás personalidades supra mencionadas. Tal deflui, desde logo, da circunstancia d0 24 horas apenas ter logrado identificar cerca de 40% das pessoas a partir dos números de telefone existentes no processo.
Primeira preocupação - como obteve o MP os números de telefone cujos dados de tráfego foram solicitados á PT? terá decorrido das escutas anteriormente efectuadas, sendo números para os quais foram realizadas chamadas pelos escutados ou dos quais foram realizadas chamadas para os escutados? terá decorrido de alguma arbitrariedade?
Segunda preocupação - qual o propósito que presidiu á solicitação dos dados de tráfego? que factos a verter no libelo acusatório se pretenderiam provar com tais elementos? a eventual existencia de uma rede? não consigo alcançar e parece-me que um dos primeiros aspectos a esclarecer pelo PGR deveria ser, exactamente, esse - do ponto de vista da investigação a solicitação daqueles dados de tráfego serviu o propósito x, y ou z. Cumpre esclarecer, quanto antes, este ponto, por ser de crucial e decisiva importancia.
Não me parece que anunciar-se a instauração de um inquérito resolva a inquietação social suscitada, antes só contribuindo para a adensar.
Terceira preocupação - o PGR revelou, uma vez mais, ter olvidado o devido acompanhamento do processo, certamente por ter confiado cegamente na competencia e bom senso dos Magistrados a quem deferiu a investigação.
Quarta preocupação - esta revelação constituirá mais uma arma de arremesso contra o MP e a investigação do denominado processo Casa Pia, contribuindo para a sua descredibilização.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo ou talvez não

Segundo noticia do Correio da Manhã, o cidadão (porque foi nessa qualidade que foi esquiar para a Suiça) Sr. José Sócrates Carvalho Pinto Sousa, logo imediatamente quando chegou a Lisboa na sexta-feira passada fez uma ressonância magnética e foi submetido a uma artroscopia no Hospital da Força Aérea.
Segundo os dados conhecidos, não consta que o cidadão em causa tenha apresentado o seu cartão da ADSE, tenha marcado consulta e ficado a aguardar por uma data na agenda do médico, que tenha ido às seis da manhã para a fila de espera, nem outrossim que seja militar de carreira ou na reserva, para ter o privilégio de ser imediatamente consultado, operado e assistido no Hospital da Força Aérea, necessariamente com a alegre comparticipação de todos os cidadãos contribuintes portugueses.

Será Lapso ou Reflexo de uma determinada forma de pensar

O novo site do Ministério da Justiça já está disponível on-line.
Não traz particularmente nada novo nos seus conteúdos, mas é significativa a forma como elenca na sua relação de ligações os órgãos de soberania.
Para o Ministério da Justiça, os únicos órgãos de soberania em Portugal são o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo.
Os Tribunais - órgãos de soberania segundo a Constituição - não surgem no seu elenco e apenas aparecem na barra lateral esquerda das ligações após os Órgãos de Supervisão e Ministérios Nacionais e da Justiça da União Europeia.

O homem não pára ou o Zé das Rolhas

José Mourinho dá a cara pelas rolhas portuguesas.
Popularidade de Mourinho sempre em crescendo: o treinador é hoje uma figura global.
Já todos viram, certamente, José Mourinho a promover telemóveis, equipamentos desportivos e instituições bancárias... mas poucos imaginariam o técnico português a dar a cara por rolhas de cortiça.

Mas o que é certo é que isso vai ser uma realidade, já que a Campanha Internacional da Cortiça vai arrancar no próximo mês de Março, usando a imagem do actual treinador do Chelsea.
Esta iniciativa visa promover as rolhas de cortiça, sector que Portugal domina a nível mundial, na Grã-Bretanha, Estados Unidos e Austrália e partiu da parte do Governo luso e da APCOR – Associação Portuguesa de Cortiças – que, deste modo, usam a imagem do treinador para conquistar e reforçar mercados.

Preso por se ter cão e por não ter ou um exemplo de jornalismo tabelóide

Criança de 6 anos arrancada ao pai
Catarina foi com a roupa que tinha no corpo: um fato de treino. Deixou todos os bonecos.
Ana Catarina, de seis anos, lançou os braços ao pescoço do pai, Serafim, e perguntou-lhe ao ouvido: “Eu volto e tu esperas por mim, não esperas?”

Os dois despediram-se anteontem na esquadra da PSP de Almada, para onde a menina foi levada, em estado de grande agitação, antes de a entregarem à mãe, cumprindo a sentença do Tribunal de Família e Menores do Seixal.

Não há como negar

Vasco Gouveia, reformado, avança outro argumento para desvalorizar as mensagens dos oudoors "Já os conhecemos a todos há muito tempo..."

Da inconstitucionalidade ao alargamento das violações do segredo de justiça

Deputados apoiam conselho de fiscalização para as escutas

A ideia foi defendida, ontem, mais fervorosamente pelo deputado do Bloco de Esquerda (BE) Fernando Rosas. Mas também os deputados Osvaldo de Castro, do PS, e Nuno Magalhães, do CDS/PP, não descartaram a hipótese de criação de um conselho de fiscalização das escutas telefónicas feitas pela Polícia Judiciária.

Olhe que sim, olhe que sim ou de como PSL e PP queriam outro candidato - eles próprios

Mário Soares considerou hoje que as advertências de Pedro Santana Lopes sobre o risco de instabilidade com a eleição de Cavaco Silva são "uma prova" da falsa unanimidade da direita em torno do seu adversário.

Olhe que não, Olhe que não ou não será o PS?

Manuel Alegre acusou hoje o PSD de querer eleger Cavaco Silva Presidente da República para chegar ao Governo, mas acrescentou que isso não acontecerá porque será ele a vencer as eleições presidenciais.

A verdade da mentira

A CGTP acusou hoje os patrões das empresas portuguesas de subdeclararem os salários, desviando "milhões de euros" da Segurança Social, com "pesadas consequências" sobre o financiamento do sistema.
Em conferência de imprensa, o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, afirmou que - comparando as remunerações declaradas pelos trabalhadores por conta de outrem com os salários de base e os ganhos - verifica-se que "há um elevado volume de subdeclaração de salários".
Sublinhando que esta situação é admitida no relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social (anexo ao Orçamento de Estado para 2006), o responsável da CGTP afirmou que "o valor médio dos salários de base excede em um terço a remuneração declarada e o ganho médio mensal em 50 por cento", quando a remuneração declarada "deveria estar próxima do ganho".
"As remunerações que entram na Segurança Social correspondem a 66 por cento das que deviam entrar", afirmou Carvalho da Silva - in Público.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

É outro gajo não é

Em entrevista ao Diário Econonómico, o candidato presidencial Cavaco Silva considera que «foi mau passo partidarizar as nomeações no Estado».

Depois admiram-se II ou como fazer crescer o deficit

Os quatro maiores bancos privados têm mais pensionistas do que trabalhadores no activo.
No final de 2004, Banco Comercial Português, Banco Espírito Santo, Banco Santander Totta e Banco BPI tinham quase mais quatro mil reformados e beneficiários de pensões de sobrevivência do que trabalhadores activos - in DN.

Depois admiram-se

O Metro de Lisboa, presidido por Mineiro Aires, atribuiu uma obra sem concurso público a uma empresa, a Ferconsult, que por sua vez subcontratou uma sociedade da qual foi sócio, tendo cedido a sua quota em 2000, ou seja, dois anos antes de assumir a presidência da empresa pública.

Parece-me verdade

"A imagem que Cavaco tem vindo a compor com infinitos cuidados cirúrgicos estilhaçou-se no espelho da Madeira. O primeiro vencedor das presidenciais não é nenhum dos actuais concorrentes. Chama-se Alberto João Jardim."
Vicente Jorge Silva, "Diário de Notícias", 11-01-2006

Vem mesmo na sequencia

O presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), Carlos Anjos, alertou hoje que a Polícia Judiciária (PJ) corre o risco de parar em termos operacionais por falta de verbas.
"As remunerações dos funcionários da PJ estão garantidas até ao final do ano, mas as verbas para o funcionamento da instituição é que só chegam até Julho e estamos a ser muito optimistas quando falamos em Julho", disse o sindicalista.
De acordo com Carlos Anjos, são necessárias verbas "para coisas básicas como gasolina para os carros, comprar papel, pedir perícias, entre outras".
O presidente da ASFIC sublinhou ainda que, para as verbas chegarem até Julho, "não há margem para nenhum pequeno deslize ou para uma operação mais dispendiosa".
O sindicalista considera que cabe ao Governo encontrar meios para garantir o normal funcionamento da Polícia Judiciária."Se o Governo estiver interessado em que a PJ continue a funcionar, terá de encontrar uma fórmula para fazer chegar verbas à instituição", defendeu - in Público.

Pudera o contrário é que seria de estranhar - II ou amor com amor se paga

O ex-líder do PSD Pedro Santana Lopes admitiu ontem à noite um cenário de instabilidade e conflito com o Governo caso Cavaco Silva seja eleito Presidente da República no dia 22 de Janeiro - in Público.

Pudera o contrário é que seria de estranhar

Mário Soares defende o aumento da idade de reforma para além dos 65 anos com o objectivo de manter o actual modelo de protecção social e apoia o esforço do Governo de convergir os regimes de apoio social - in Público.

Uma vaga ideia ou talvez nem isso

O Ministro da Justiça Alberto Costa, anunciou que irá introduzir alterações legislativas em matéria penal por forma a evitar que situações como a verificada com a bébé de Viseu não voltem a suceder.
A este propóstio disse - “Vamos dar claros poderes ao Ministério Público para desencadear a acção penal”, esclarecendo que o crime de maus tratos deixará de depender de queixa, podendo o Ministério Público exercer, mal tenha conhecimento, a acção penal. “Esse foi um problema que temos vindo a detectar como sendo um bloqueio. E que pretendemos que seja claramente ultrapassado”.
Das duas uma - Ou o Código Penal foi, entretanto, alterado e eu ando distraído ou o Sr. Ministro ignora a natureza pública do crime de maus tratos.
Aliás, o crime de maus tratos a crianças assumia já carácter público antes da alteração legislativa introduzida pela Lei n.º 7/2000 de 27-5.
Mais um tiro no pé.
Não será de exigir a quem exerce responsabilidades governativas na área da justiça que conheça as matérias sobre as quais se pronuncia. Para que servem as dezenas, para não dizer centenas, de assessores e afins que inundam os nossos Ministérios.
Isto de manifestar intenções legiferantes na ressaca de acontecimentos de forte carga emocional nunca se revelou boa opção, redundando, na mais das vezes, na adopção de soluções ou contraditórias com outras normas ou com o sistema visto na sua globalidade ou incompletas ou imperfeitas ou insuscpetíveis de concretização prática.
Dias depois, o Sr. Ministro lançou mais uma pérola - a introdução das pulseiras electrónicas no cumprimento de penas de prisão.
Justificou o Sr. Ministro a medida com critérios de racionalidade económica e ressocialização.
Mas pergunto eu - os fins das penas terão, ainda, alguma, importancia? Deve a justiça reger-se por critérios economicistas? Que vantagens ressocializadoras podem advir de manter alguém em casa? Não seria tal medida estigmatizante, por relembrar á comunidade familiar e vicinal, de forma constante, o mal que lhe foi infligido? Serão os direitos das vítimas de ignorar e sacrificar? Serão de conceder prestações sociais aos condenados, mormente o rendimento social de inserção, para que possam sobreviver (assim se contribuindo para o agravamento do deficit da segurança social)? Entenderá a comunidade com um castigo adequado e proporcional a sujeição do condenado a pulseira electrónica?
Para quando uma ideia global e reformista da nossa justiça penal, que desbloqueie, efectivamente, o sistema e lhe confira mais e melhor celeridade?
Espero e desejo que seja para breve. Mas permitam-me que duvide seriamente.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Crise Financeira do Futebol Profissional Portugues

As constantes notícias sobre salários em atraso e consequentes rescisoes dos contratos de trabalho desportivo, fizeram o País desportivo despertar para a dura realidade financeira dos clubes lusos.
Com efeito, nunca como na presente época desportiva se assistiu á denúncia de tantas situações de incumprimento contratual dos clubes portugueses - Setúbal, Maia, Marco, Estoril, entre tantos outros que permanecem na penumbra do anominato.
Este quadro se não era uma evidencia, era, pelo menos, previsível.
Quando em meados dos anos 90, uma crise semelhante se começou a desenhar, o Poder Político, através da Lei de Bases do Sistema Desportivo, institucionalizou as Sad´s por forma a propiciar aos clubes um fluxo de dinheiro capaz de os capitalizar.
As Sad´s ao "legalizarem" a entrada dos donativos camarários nos cofres dos clubes, através da participação das Camaras Municipais no capital social, permitiram que a saúde financeira dos clubes fosse mascarada, mas não constitui mais do que um paleativo.
Consumidos que foram os capitais assim entrados, regressou a crise num estado ainda mais agudo.
Aliás, muitos foram os que se entregaram nas mãos de investidores portugueses e estrangeiros, quais mecenas, e morreram - vide Farense e Académico de Viseu.
Então, as agremiações desportivas procuraram na antecipação de receitas a cura dos males financeiros de que padeciam, mormente através da alienação dos direitos televisivos.
Novo erro, pois apenas se adiou o inevitável e, concomitantemente, conferiu-se á inevitabilidade um sentido mais próximo e doloroso.
Depois, buscou-se o milagre do merchandising.
Se em Inglaterra, Itália e Espanha tal poderá constituir uma importante fonte de receita, quer pela dimensão do mercado, quer pelo nível de vida dos adeptos e simpatizantes, em Portugal, com excepção dos tres grandes, nenhum outro clube logrou obter receitas visíveis.
Com os clubes assim hipotecados, em finais de 90, a Liga alcandorou-se á condição de mecenas, realizando empréstimos aos clubes em situações mais gravosas.
A par da Liga, a Olivedesportos, vendo na depauperada situação dos clubes um maná a explorar, prosseguiu na sua política monopolista, adquirindo os direitos de transmissão televisiva das partidas a disputar em épocas vindouras a preços ridiculos.
Os clubes sufocados de dividas e sem receitas para lhes fazer face, viram-se na contingencia de antecipar a venda dos direitos televisivos e, como se não achavam em posição negocial de discutir o preço, fizeram-no por valores muito inferiores aos praticados no dealbar da década de 90.
Chegados ao inicio do século, a crise era uma realidade nua e crua, mas apenas discutida em surdina.
O advento do Euro-2004 surgiu, então, como mais uma tábua de salvação - modernizava-se o parque desportivo, garantiam-se mais e melhores condições de conforto para os espectadores, alienavam-se os terrenos nos quais se achavam edificados os antigos estádios, urbanizavam-se as parcelas remanescentes, edificavam-se superficies comerciais, criavam-se novas formas de receitas, a renumeração de sócios, os cativos, os lugares anuais, enfim, toda uma panóplia de novas formas de financiamento das tesourarias.
Todavia, ainda que tais receitas tenham sido reforços substanciais para os clubes "participantes" no Euro, certo é que todo o restante País desportivo permaneceu intocado, imóvel.
Por outro lado, continuou sem existir uma visão estratégica para o futebol portugues, que a Liga devia dinamizar.
A mediocridade dos nossos dirigentes desportivos mostra-se incapaz de pensar o futebol como negócio, conservando modelos de gestão herdados do passado, os quais redundaram na situação actual.
Veja-se o exemplo dos bilhetes - cada vez o seu preço é mais elevado e o número de vendas mais reduzido.
Não seria de pensar em campanhas promocionais que atraissem mais pessoas ao futebol, novos nichos de mercado. Por que não pensar em bilhetes família, a Pack´s de conjunto de jogos (um grande juntamente com dois ou tres pequenos). O investimento de hoje seria a rentabilidade de amanhã. Pensa-se curto e pequeno.
Aliás, esta é a imagem do empresariado portugues.
Discute-se muito o horário dos jogos como sendo, a par do preço dos bilhetes, uma das razões para a desertificação dos estádios nacionais.
Contudo, tal revela-se uma discussão estéril. Com os direitos televisivos já vendidos há muito, quem determina os horários dos jogos são os detentores de tais direitos. É virtualmente impossível impor outros horários. A ditadura das televisões condiciona os dias e horas das partidas. É a face mais mercantil do futebol.
Com as receitas dos direitos televisivos há muito utilizadas, com as receitas de bilheteira a serem cada vez mais insignificantes, com as receitas provenientes das quotizações a serem cada vez mais escassas, com a recessão económica do País, com o decrescimo das receitas dos bingos e das apostas mútuas, com os subsídios autárquicos a serem cada vez menores, o volume global dos proventos desceu consideravelmente.
Por outro lado, as despesas essas mantém-se ao nível de anos anteriores e em alguns casos situam-se mesmo num patamar superior.
Assim, tudo conflui para o agravar da crise financeira.
É urgente criar um sistema de licenciamento para participação nas Ligas profissionais, dotando-se a Liga de mecanismo rigorosos de sindicancia da verdade orçamental.
Obrigar os clubes a demonstrarem as receitas que suportam cada rubrica orçamental e exigir-lhes a prestação de uma garantia bancária no valor de 20 a 30% do orçamento, accionável em caso de incumprimento.
Quando no inicio da época se determinou o encurtamento das Ligas profissionais, que de tal só tem o nome, muitas foram as vozes que se ergueram repudiando tal medida.
Todavia, face ao panorama actual do futebol portugues o encurtamento será natural - decorrerá da extinção de um conjunto alargado de clubes. Quem demonstrar saúde financeira permanece, quem não o provar cingir-se-á ás competições não profissionais ou ás camadas jovens.
Assim será o destino Darwiniano do futebol portugues.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Análise da Jornada

Esta jornada ficou marcada pela derrota do SCP em Braga.
Na verdade, se as restantes equipas grandes venceram, sem muita dificuldade, o SCP perdeu e parece caminhar a passos largos para um precoce adeus ao título.
Em Braga, o SCP apresentou uma equipa sem chama, abúlica e que apenas em 20/25 minutos da segunda parte se revelou capaz de vencer a partida. Claramente insuficiente para quem aspira ao título.
Na primeira parte, um vendaval de futebol ofensivo varreu, por completo, um Sporting atónito e sem capacidade de resposta (veja-se que o SCP apenas fez um remate á baliza de Paulo Santos em toda a primeira parte).
Na segunda metade, o Braga acreditou ter o jogo ganho, baixou a pressao e os indices de concentração, emergindo, então, o SCP com nova atitude em busca da vitória.
Com o golo alcançado, o SCP acreditou, o Braga tremeu e a face do jogo transfigurou-se.
Todavia, uma vez mais, o SCP não foi capaz de desferir a estocada final no seu adversário e, quando o rumo da partida indiciava a obtenção de mais um golo pelo SCP, o Braga marcou e matou o jogo.
Aqui como antes os problemas no futebol aéreo da defesa leonina foram postos a nu.
Mais do que questões de qualidade ou falta dela, parece-me que o SCP necessita, essencialmente, de uma voz de comando suficientemente forte para aglutinar a equipa em seu torno nos momentos emocionalmente mais delicados de cada jogo.
A imprescindivel mescla de juventude e experiencia que cimenta as equipas campeãs, inexiste em Alvalade.
Falta um patrão do grupo, que Sá Pinto, pelo seu temperamento irrascivel, nunca será.
Peseiro, como lhe faltavam argumentos de liderança, excluiu do plantel os elementos mais experientes e carismáticos - Barbosa, Rui Jorge e Rochemback - procurando, assim, dividir para reinar.
Contudo, desta forma tornou o grupo orfão de um líder.
Na Luz, o SLB venceu facilmente um Paços que apenas incomodou nos primeiros minutos de jogo.
Koeman apostou em Moretto, dissipando, de uma vez por todas, qualquer tabu futuro.
Esta atitude profiláctica parece-me acertada, ainda que implique o indicar da porta de saída a Quim na próxima época (com a recuperação de Moreira e face ao que se viu esta época - Quim foi sempre suplente quer de Moreira, quer de Moretto - a posição de Quim será de terceiro guarda-redes o que não se mostra compatível com o seu estatuto).
O SLB não fez um grande jogo, mas jogou o quanto baste para ganhar de forma tranquila. Foi sempre senhor do jogo e nos primeiros vinte minutos da segunda parte apresentou um futebol de bom nível.
Com a chegada dos reforços e a recuperação de Simão, o plantel do SLB apresenta soluções plúrimas de qualidade para todas as posições - quantas equipas se podem dar ao luxo de remeter ao banco de suplentes seis internacionais pelos respectivos países (Quim, internacional portugues, Leo, internacional brasileiro, Manuel Fernandes, internacional portugues, Karagounis, internacional grego e campeão europeu em título, Laurent Robert, internacional frances, e Mantorras, internacional angolano).
Aliás, as individualidades desequilibradoras são mais do que muitas o que aliado a uma defesa de excepção fazem do Benfica uma equipa de nível europeu.
Analisando os reforços, direi que Moretto pouco mais fez do que recolher dois ou tres cruzamentos, sendo certo que, nos instantes finais do jogo, efectuou defesa vistosa. Robert demonstrou não estar, ainda, minimamente, adaptado á equipa e ao futebol praticado em Portugal e, por fim, Manduca revelou pormenores de boa qualidade.
No Dragão, o FCP venceu facilmente um Boavista pouco mais do que inofensivo, não sendo por acaso que é a única equipa, juntamente com o Penafiel, que ainda não venceu fora do seu reduto qualquer jogo.
O FCP não realizou um grande jogo, especialmente na segunda parte, mas o génio do ciganito resolveu o jogo.
Só na cabeça de Scolari, Quaresma não é um indiscutível da selecção, ainda para mais avizinhando-se uma competição como o Mundial, de curta duração e de grande exposição mediática, tão ao jeito de jogadores como Quaresma.
Destaque para a minha Briosa que na Madeira arrancou um precioso empate - tão mais precioso quanto o calendário traz Benfica e Nacional como adversários seguintes.
Destaque, ainda, para o empate do Setúbal na Madeira ante o Nacional, num jogo em que, embora a qualidade do seu futebol tenha deixado claramente a desejar, dispos das melhores oportunidades de golo.
Por fim, destaque negativo para o Guimarães que tarda em assumir uma posição na tabela condizente com o valor dos seus jogadores.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Análise ao Mercado - SLB e SCP

Findas as férias, o regresso.
No plano futebolístico, estamos em pleno mercado.
O SLB foi o clube que, até ao momento, mais aquisições realizou.
Primeiro foi Manduca, uma aposta segura, dados os valores envolvidos e o potencial do jogador.
Um reforço para a ala esquerda que muito deficitária estava, vivendo em orfandade nas ausencias de Simão.
Depois, Fonte - uma clara oportunidade de negócio e um valor a confirmar no futuro.
De seguida, chegou Moretto.
Envolto numa novela a roçar o mexicano, para a qual não há parrocha e em que o futebol portugues dos anos 80 e 90 foi fértil.
Embora a génese da situação criada radique noutras paragens, mais a norte, certo é que as cenas de quase pugilato e insulto no aeroporto não dignificam em nada o SLB e os seus dirigentes.
O estilo Farwest empregue desgosta-me. As causas não justificam, neste caso, as consequencias.
Descer ao nível do personagem Vítor Dinis não dignifica ninguém.
Excluindo as peripécias, parece-me uma boa contratação de um guarda-redes que apresenta argumentos físicos ímpares - estatura e agilidade assinaláveis.
Penso que poderá evoluir tecnicamente, já que não tem escola.
Marco Ferreira é o espelho de uma política desportiva que pensava já, definitavamente, erradicada do SLB.
Adquirir jogadores com outras perspectivas que não exclusivamente futebolísticas não me parece a melhor via. Veja-se o exemplo do FCP que tem desbaratado rios de dinheiro em aquisições de revanche.
Por fim, para já, Laurent Robert.
Jogador dotado de um pé esquerdo fabuloso, resta por saber da sua condição física e da sua constancia de rendimento.
Neste quadro parece-me que a saída de Simao irá ocorrer no decurso do presente período de transferencias.
O SCP também interveio no mercado - adquiriu Abel, Caneira e Romagnoli.
Abel é um bom lateral direito, com pulmão para fazer o corredor, mas que, estranhamente, chega a um grande na sua pior época desportiva. Revela, também, lacunas na execução de cruzamentos.
Caneira é, sem sombra de dúvidas, um belissimo jogador.
Todavia, não pode, a meu ver, jogar no centro da defesa, pois a sua baixa estatura não o permite.
Sempre defendi que um central terá que ter, pelo menos, 1,80 - Caneira fica-se pelo 1,78.
Aliás, estou curioso para ver como se comportará a defesa leonina que alinhará em Braga. Um quarteto formado por jogadores de reduzida estatura - Miguel Garcia, Tonel, Caneira e Tello - ao qual se junta um Ricardo com claros problemas no dominio do jogo aéreo, não augura nada de bom para os sportinguistas.
Se João Tomás jogar e o Braga explorar o seu bom jogo de cabeça, as perspectivas leoninas não são animadoras.
Romagnoli é um puro 10 argentino. O futebol argentino revela uma facilidade desconcertante na produção de jogadores com caracteristicas de organizador de jogo. E todos muito similares.
Romagnoli foi uma esperança, internacional nas camadas jovens, o seu percurso antecipava um futuro risonho.
Contudo, a sua estrela tem vindo a empalidecer, sendo a sua transferencia para o futebol mexicano exemplo vivo de tal.
Condições tem, se as conseguirá demonstrar não sei.