Árbitro: Ivan Bebek (Croácia)
NUREMBERGA - Blazek; Reinhardt, Wolf, Glauber e Pinola; Saenko, Galasek, Mnari (Abardonado, 86 m) e Engelhardt; Charisteas e Koller.
Suplentes não utilizados: Klewer, Beauchamp, Mintal, Kristiansen, Adler e Spiranovic.
BENFICA - Quim; Luís Filipe, Luisão, Edcarlos (Cardozo, 70 m) e Léo; Petit e Katsouranis; Maxi Pereira (Sepsi, 70 m), Rui Costa e Nuno Assis (Di Maria, 80 m); Makukula.
Suplentes não utilizados: Butt, Nélson, Adu e Mantorras.
Disciplina: cartão amarelo a Léo (9 m), Maxi Pereira (45 m), Luís Filipe (55 m), Makukula (66 m), Petit (76 m) e Pinola (88 m).
Marcador: 1-0 por Charisteas (58 m); 2-0 por Saenko (65 m); 2-1 por Cardozo (88 m); 2-2 por Di Maria (90+1 m).

Indigência!
Não me ocorre melhor qualificativo para a exibição do Benfica e, muito especialmente, para a prestação do seu treinador!
Camacho acumulou decisões asnáticas que se espraiaram desde o onze inicial às substituições que operou, passando pelo timing das alterações introduzidas.
Camacho falhou em toda a linha!
Tacticamente, estruturou a sua equipa num incompreensível 4x5x1, numa clara tentativa de segurar o escasso 1-0 obtido na 1ª mão.
Demonstrou um temor reverencial pelo 15º classificado da Bundesliga verdadeiramente inexplicável!
Exigia-se um mínimo de audácia e ambição, até porque as lacunas defensivas dos germânicos haviam já emergido na Luz (o último quarto de hora demonstrou-as à saciedade).
Em vantagem mas apenas por uma margem muito ténue, urgia que Camacho não apostasse tudo na conservação da ligeira supremacia trazida de Lisboa.
Contenção e mais contenção, disciplina táctica e mais disciplina táctica foi a matriz essencial do modelo de jogo pensado por Camacho.
Hoje por hoje, os jogadores do Benfica entram em desassossego quando se desposicionam!
Defensivamente é importante guardar o posicionamento previamente definido, mas fundamentalismos neste particular conduzem as equipas para o abismo da previsibilidade.
É o que sucede com o Benfica de Camacho.
Se tacticamente Camacho pareceu não ter preparado o jogo, o que dizer da distribuição dos jogadores em campo?!
Absurda ou, pelo menos, intrigante!
Não me parece que seja necessário ser treinador de futebol para perceber que Nuno Assis e Maxi Pereira não são, nunca foram, nem algum dia serão extremos.
Não me parece que seja necessário ser treinador de futebol para perceber que a actual condição física de Katsouranis não lhe permite actuar como médio de contenção.
Não me parece que seja necessário ser treinador de futebol para perceber que Rui Costa não domina já as rotinas e as dinâmicas da posição 10.
Mas, Camacho foi mais longe e mesmo na escolha dos jogadores pecou.
O último jogo de EdCarlos havia sido frente ao Paços, partida essa em que foi substituído à passagem da meia-hora depois de ter acumulado um chorrilho de asneiras.
Certamente que a sua auto-estima não saiu valorizada dessa partida!
Alguém me sabe identificar a razão pela qual reaparece num jogo em que, previsivelmente, a tranquilidade e a serenidade se assumiriam como determinantes do desempenho?!
Resultado: naufragou num mar de erros, ajudando a abrir lamentáveis brechas na estrutura defensiva do Benfica, das quais o 2º golo alemão é exemplo paradigmático.
Léo tem uma excelente imprensa que se desfaz em encómios vários às suas prestações.
Todavia, os seus melhores anos há muito que passaram - a atacar ainda disfarça, mas a defender é uma desgraça!
Hoje, foi uma vez mais assim!
Fez três "assistências" para golo - para os dois golos alemães e para o último do Benfica.
Morreu para o futebol de alta competição, mas ainda ninguém lho disse a si ou a Camacho.
Spesi entrou muito bem em jogo - desenvolto, não se inibiu e conferiu uma profundidade à ala esquerda até então desconhecida.
Quando se sabe que Léo irá sair do Benfica no final da época e quando se assiste a desempenhos meritórios do seu concorrente directo pelo lugar de defesa esquerdo não se alcança a razão da sua titularidade.
E o que dizer de Luís Filipe?!
No Braga, a par de Bosingwa, terá sido o melhor lateral direito da Liga Bwin na época 2006-2007.
No Benfica, caminha lesto para o obscurantismo.
Porquê?
Simplesmente, porque lhe falta convicção no seu valor.
Aumentou a exigência e, após dois falhanços em situações similares, desconfiou das suas qualidades.
Acossado por plúrimos fantasmas e pelas suas próprias fragilidades, Luís Filipe não consegue evidenciar um desempenho, minimamente, capaz.
Petit está num deplorável momento de forma, navegando entre lesões sem atingir a condição física necessária para se exibir num plano aceitável.
Maxi Pereira é mais vítima do que réu, mas mesmo assim a sua falta de poder de explosão e agilidade desaconselham a sua utilização quando se pede dinamismo e vitalidade.
Tal como Maxi, Nuno Assis é mais vítima do que réu.
É um jogador esforçado, rotativo e voluntarioso, que pode ser útil em determinados momentos do jogo, mas só.
Por fim, as substituições.
Por que carga de água Léo e Luís Filipe terminaram o jogo?!
Por que carga de água, perante o definhamento ofensivo da equipa, não entraram, mais cedo, Di Maria e Cardozo?!
Perante este oceano de equívocos, o que esperar?
Pouco, muito pouco, ainda para mais quando se constata que a equipa não tem uma ideia colectiva de jogo.
O Benfica vive dos impulsos individuais dos seus jogadores!
Hoje, o fado repetiu-se.
Lá surgiram dois fogachos e tudo se resolveu!
Não há nem sequer um arremedo de coesão sectorial.
Os diferentes sectores posicionam-se muito distantes uns dos outros e, assim, qualquer pretensão unificadora da equipa cai por terra.
Não há comunicabilidade, prevalecendo a auto-gestão.
E como não há jogadores que consigam jogar entre-linhas, o fosso acentua-se ao ponto de comprometer as transições.
Face a estes constrangimentos ter saído de Nuremberga com a qualificação roçou o sobrenatural!



