segunda-feira, agosto 27, 2007

Análise à 2ª Jornada da Liga Bwin

FC Porto 1 – 0 Sporting

Estádio: Estádio do Dragão Espect.: 49709
Árbitros: Pedro Proença, Aux - Ricardo Santos,Tiago Trigo

FC Porto: Helton; Bosingwa, Bruno Alves, Pedro Emanuel e Fucile; Lucho, Paulo Assunção e Raul Meireles; Tarik, Lisandro e Quaresma.

Suplentes: Nuno, Stepanov, Cech, Bolatti, Leandro Lima, Mariano Gonzalez e Postiga.

Substituições
46' Tarik Sektioui por Hélder Postiga
66' Raul Meireles por Mariano Gonzalez
85' Lisandro Lopez por Bolatti

Sporting: Stojkovic; Abel, Tonel, Polga e Ronny; João Moutinho, Miguel Veloso, Romagnoli e Izmailov; Derlei e Liedson.

Suplentes: Tiago, Gladstone, Had, Farnerud, Pereirinha, Vukcevic e Yannick.

Substituições
63' Izmailov por Simon Vukcevic
76' Ronny por Bruno Pereirinha
76' Abel por Yannick Djaló



Eficácia.
Assim se resume a justeza de uma vitória.
Numa partida quase sempre pautada pelos equilíbrios, um erro e o seu subsequente aproveitamento ditaram o vencedor.
Jesualdo estruturou a sua equipa no habitual 4x3x3, sendo certo, todavia, que lhe introduziu uma nuance, que em muito determinou o desenvolvimento do processo ofensivo azul e branco.
Abdicou de um ponta de lança nato em detrimento da colocação de Lisandro nessa posição.
Mais uma vez, Jesualdo preferiu a hetero-determinação.
Através da colocação de Lisandro na zona central na cobertura zonal a Miguel Veloso, Jesualdo condicionou o primeiro momento de construção ofensiva leonina, reduzindo-o a uma expressão quase insignificante, mas, concomitantemente, perdeu profundidade atacante.
Com excepção de um ou outro lance de pura inspiração individual (vide lance de Tarik) e de uma ou outra situação de bola parada (vide lance de Quaresma), o Porto não conseguiu ligar o seu processo ofensivo.
A falta de uma referência central, esterilizou o momento atacante portista.
Paulo Bento manteve-se fiel ao seu esquema táctico de eleição, 4x4x2 em losango.
Se noutras ocasiões o Sporting logrou alcançar predomínio claro sobre o Porto na zona intermediária, fruto das basculações dos médios interiores e da liberdade de movimentos concedida ao pivot defensivo, neste jogo tal não sucedeu.
Não aconteceu, desde logo, porque Miguel Veloso viu a sua acção cerceada por Lisandro.
Depois, porque Abel e Ronny nunca deram profundidade ofensiva pelo flanco, assoberbados que estavam com a cobertura aos extremos portistas.
Por fim, porque Izmailov nunca se assumiu como um verdadeiro interior (procurou sempre a ala e nunca o espaço interior) para além da sua colocação à direita ter implicado a derivação de Moutinho para o vértice esquerdo do losango.
No vértice esquerdo, Moutinho não consegue expressar as suas melhores qualidades na interpretação do modelo táctico idealizado por Paulo Bento.
Uma das mais valias de Moutinho, quiçá a tacticamente mais relevante, são os seus movimentos laterais para as alas, os quais, pura e simplesmente, não aparecem à esquerda.
Izmailov é um ala e falha nos movimentos interiores que o losango exige.
Descaracterizou o losango e permitiu ao Porto equilibrar o jogo na zona central (3 unidades para igual número por parte do Sporting).
Assim, sem profundidade pelas alas e sem dinâmica por banda dos médios interiores, o Sporting não existiu ofensivamente.
Incapaz de emprestar velocidade à transição ofensiva, o Sporting nunca se acercou com perigo da baliza de Helton na primeira parte.
Ao intervalo, o 0-0 era o espelho fiel de uma partida pautada pela rigidez táctica e pelo “resultadismo”.
Para a 2ª parte, Jesualdo fez entrar Postiga para o lugar de Tarik.
Prescindiu de jogar em função do adversário e assumiu vontade de triunfar.
Contudo, esticou a manta e destapou os pés.
Com Miguel Veloso livre de marcação, o Sporting ganhou ascendente na partida.
Se na 1ª parte, o Sporting havia sido um zero ofensivamente, no dealbar da 2ª começou a aparecer com perigo na área portista e a dominar e controlar o jogo.
Seguia assim a partida sob o comando leonino, quando Stojkovic incorre num erro de principiante.
Atraso de Polga e o guarda-redes sérvio segura a bola com as mãos, concedendo um livre indirecto na sua área a favor do Porto.
No livre, o golo portista (realce para a rápida e brilhante decisão de Lucho ao optar por colocar a bola em Meireles).
Este erro de Stojkovic foi, aliás, reflexo de uma prestação claramente menos conseguida.
Sucessivas hesitações a jogar com os pés e péssimo controlo aéreo da sua área, nunca transmitindo segurança à equipa.
Em vantagem, o Porto optou por um recuo estratégico – desceu as suas linhas e entregou, em definitivo, a iniciativa de jogo ao Sporting.
Em desvantagem, Bento mexeu na equipa, introduzindo Pereirinha e Djalló para os lugares de Abel e Ronny.
Alterou o sistema táctico, passando a actuar num 3x5x2, em vista de uma maior agressividade ofensiva.
Tonel, Polga e Veloso, passaram a compor o trio defensivo, Moutinho, Pereirinha e Romagnoli o centro do meio-campo, Vukcevic (que antes havia substituído Izmailov) e Derlei as alas, ao passo que Liedson e Djalló se postaram no centro do ataque.
Contudo, o Sporting apenas logrou construir uma clara oportunidade de golo e mesmo esta fruto de uma fífia monumental de Helton (remate de Derlei à figura do brasileiro e que este deixou fugir para as suas costas).
É usual dizer-se em futebolês que este tipo de jogos se decide nos pormenores e este confirmou esse postulado.
Um erro, aproveitamento e vitória.
No Porto, destaque, acima de tudo, para o colectivo, ainda que Fucile tenha sobressaído um pouco dos demais pela constância do seu rendimento.
Uma nota para Quaresma, no sentido de enfatizar a sua importância no momento ofensivo portista, mas também para referir que denota uma certa regressão no seu processo de crescimento futebolístico iniciado com Adriaanse.
Demasiado individualista, perdeu-se no seu próprio reportório técnico, esquecendo a dimensão colectiva que deve presidir às suas acções.
No Sporting, realce para Ronny, uma verdadeira surpresa o equilíbrio defensivo da sua exibição.
Notas negativas para Stojkovic, Polga, estranhamente intranquilo e acumulando erros pouco habituais, e para Liedson, principalmente pela simulação em que incorreu.
Com a equipa a perder, Liedson simulou ter sido agredido e não satisfeito permaneceu no chão o tempo suficiente para que Abel fosse forçado a atirar a bola fora para que lhe fosse prestada a supostamente necessária assistência médica.
Veremos como procede a Comissão Disciplinar da Liga!
Quanto ao trabalho de Pedro Proença, dizer que se ajuizou correctamente a esmagadora maioria dos lances, mormente aquele que resultou no livre indirecto a favor do Porto, falhou no capítulo disciplinar.
Quaresma por entrada sobre Miguel Veloso e Pedro Emanuel por agressão a Derlei deveriam ter sido expulsos.
Por outro lado, Derlei, por acumulação de amarelos, deveria, igualmente, ter recebido ordem de exclusão.

Benfica 0-0 V. Guimarães

Estádio da Luz Espect.: 52464
Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal)

Benfica

Quim; Nélson, Katsouranis, Miguel Vítor e Léo; Petit, Nuno Assis, Rui Costa e Fábio Coentrão; Nuno Gomes e Cardozo

Suplentes: Butt, Luís Filipe, Miguelito, Andrés Díaz, Romeu Ribeiro, Bergessio e Adu

Substituições
70' Nuno Gomes por Romeu Ribeiro
72' Fábio Coentrão por Luís Filipe
81' Cardozo por Bergessio

V. Guimarães

Nilson; Sereno, Danilo, Geromel e Andrezinho; Flávio Meireles, João Alves e Fajardo; Carlitos, Mrdakovic e Alan

Suplentes: Nuno Santos, Luciano Amaral, Radanovic, Moreno, Desmarets, Ghilas e Felipe

Substituições

56' Alan por Ghilas
64' Carlitos por Desmarets
75' Danilo por Moreno

Na Luz, Camacho não logrou “Salir a gañar”.
José António Camacho, pelo seu carisma e personalidade, apresenta um estilo de liderança forte, decidido e afirmativo.
Camacho é, sobretudo, um homem pragmático, firme e objectivo, que cedo conseguiu criar empatia com os adeptos do Benfica.
Santos deixou uma herança pesada – uma equipa destroçada emocionalmente, com reduzidos níveis de auto-estima, fisicamente despedaçada e com um plantel condicionado ao 4x4x2 em losango.
O primeiro dos trabalhos de Camacho passa pela recuperação dos níveis de confiança dos seus jogadores.
Ontem, os jogadores do Benfica jogaram sobre brasas, sem um pingo de confiança (vide lance de Coentrão em que não assume o remate).
Ontem, ainda não se viram resultados visíveis da sua acção neste particular, mas estou certo que, em breve, tal sucederá, até porque se há campo em que Camacho é forte é, precisamente, o psicológico.
O segundo dos trabalhos de Camacho assenta na reabilitação física da equipa.
A paragem do campeonato motivada pelos compromissos da selecção nacional será o momento ideal para que tal aconteça.
Ontem, o Benfica foi sempre uma equipa “pesada” ou, como se diz em futebolês, uma equipa que “não andou”.
A partir dos 30 minutos iniciais, a equipa denotou sinais claros de falta de frescura física.
Last but not least, cabe a Camacho reconstruir o plantel.
Camacho é bastante tradicionalista em termos tácticos (e pouco brilhante, diga-se) – geralmente oscila entre o 4x2x3x1, o 4x3x3 ou o 4x4x2.
Ou seja, modelos que contemplam dois extremos, ao contrário do que sucedia com o sistema preconizado por Santos.
Ontem, à míngua de alternativas válidas, teve que recorrer a Coentrão e Assis!!!
Há que reconstruir o plantel, dotando-o de jogadores capazes de interpretar o esquema táctico ao gosto do treinador.
Ontem, o Benfica não ganhou ao Vitória, mas, pelo menos, já vivi uma alegria que Santos nunca seria capaz de me proporcionar – a aposta em Miguel Vítor e Romeu Ribeiro.
Também por isto, uns criam empatia e outros antipatia.

13 comentários:

Antes morto que vermelho disse...

boa vitória do fcp e justa. é de reparar que o helton, além de um peru que ia dando, não fez nenhuma defesa digna desse nome.
Individualmente gostaria de destacar pela positiva o paulo assunção (não falha passes, corta quando deve, lança o contra ataque rapidamente, excelente!) e o postiga pela constante luta (e alguma fruta) que dá. Pelo sporting não posso deixar de destacar o m. veloso (muito bom).

Pela negativa destaco o dorminhoco do ismalov (não faz nada) o numero 10 da lagartagem que entrou (não faz nada) e o tonel... péssimo, só sabe "dar no osso" e mandar "gasosas" (um grande competidor do carlos paredes).

No que diz respeito á lampionagem: excelente!! não vi o jogo mas parece que o melhor em campo foi o nulo, ao seu melhor.


Fica Dumbo-Orelhudo, que estás a estragar tanto como o vale e Azevedo já tinha estragado!!

JorgeMínimo disse...

Caros Condóminos:
"Deus escreve direito por linhas tortas", devia ser o título da análise do nosso estimado administrador.
Vitória justa do FCP, especialmente pelo que fez na 1ª parte. Não concordo, em absoluto, com o nosso blogger quando diz que o livre é bem assinalado. Não-se trata de um atraso do Polga, mas sim de um corte que foi agarrado pelo Stojkovic. Não havia razão para ser marcada uma infracção técnica.
No sábado, mais uma exibição fraca do Benfica perante um abnegado Guimarães. O resultado parece-me justo, apesar da equipa da Luz ter tido maior vontade de ganhar.

JC disse...

Retornei de férias.
Antes de mais, quero desejar um bom ano para todos.
Saliento também a medalha de ouro conquistada pelo Nélson Évora nos camponatos do Mundo de Atletismo.

Quanto ao FCP-SCP, parece-me que a vitória não assenta mal ao FCP, pelo que produziu na 1ª parte.
Mas o resultado mais justo creio que seria o empate.
Principalmente porque na minha opinião, o livre do qual resultou o golo foi manifestamente mal assinalado.
O lance do Polga nunca pode ser visto como um atraso ao guarda-redes, por duas razões: pelas circunstâncias em que foi efectuado (corte da bola por detrás do jogador do FCP, com ambos os jogadores a correrem, a uma distância considerável da área) e pelo facto de entra a bola e o guarda redes se encontrar o Tonel, que se desviou para a bola passar.
O àrbitro assim não entendeu e contribuiu, decisivamente, para a derrota do SCP.

Quanto ao Benfica, espanta-me o que se está a passar com a formação da equipa.
São tantos os jogadores a entrar e a sair que já nem sei quem faz parte da equipa.
Num dia o Benfica tem a melhor formação dos últimos 20 anos, no dia seguinte contratam mais 3 ou 4 jogadores para compensar as carências da equipa.
E, no final, quem dá nas vistas e é mais falado são o juniores promovidos por razões de força maior.
Por último, o meu agrado por se ter deixado de falar no Berardo.

Antes morto que vermelho disse...

lá está o Dumbo-Orelhudo a mandar areia para as cornaduras dos 6 Milhões:
"O espanhol Roberto Soldado, inserido no Real Madrid após boa época ao serviço do Osasuna, poderá ser o avançado pretendido por José Antonio Camacho para fechar o plantel do Benfica. O diário espanhol Marca noticia hoje que os «encarnados» apresentaram proposta a rondar os 15 milhões de euros."

Dass é impressionante, e os 6 milhões engolem, e engolem, e engolem...

Antes morto que vermelho disse...

... e o novo recruta da lampionagem: o paraguaio "cebola"?

Zex disse...

De facto, a lagartada nunca tem culpa de qualquer derrota. A responsabilidade é sempre de terceiros. Na Supertaça roubaram infamemente com um penalty do tonel que ficou no bolso do paixão e nada disseram. Tudo foi como se nada se passase.
Agora, não admitem um erro grosseiro do sem dentes ! De certeza que o labreca disparava um tiro para a bancada ou para o Liedson !
De facto, o Paulo Bento é um homem diferente e bem decente e tem declarações com que os sportinguistas deviam aprender. Após o jogo, disse que foi cometido um erro pela sua equipa e que o árbitro não teve influência no resultado. Parabéns !
Vá lá que o blogger, estranhamente, concorda com o livre assinalado.
Esse Izmailov então é um barrete enorme! Remata bem, mas é um jogador a menos na mior parte do tempo. Neste jogo, não fez rigorosamnente nada !
Muita conversa sobre o suposto domínio do Sporting na segunda parte e quantas oportunidades perigosas ? Uma, duas ?
Vão a 3 e outros vão a 4 !

JorgeMínimo disse...

Caro Holtreman:
Por caridade volta a fazer uma petição, mas desta vez, deixa o Primata de fora, que não tem culpa nenhuma.

JC disse...

Não compreendo como se pode ver no corte do Polga um atraso ao guarda redes se entre a bola e o guarda redes - e na linha da bola - se encontra um outro jogador, no caso, Tonel.
Porque não entender-se que o atraso - a ser atraso - era para o Tonel?
Aliás, este abriu as pernas para a bola passar para o guarda-redes.
Acho, pois, que o livre foi mal assinalado, independentemente de considerar - como considero - que o FCP foi superior ao SCP.

Antes morto que vermelho disse...

minimo: mais um lagarto que tem sempre uma justificação para o insucesso!.
A lagartagem não pode perder porque jogou mal... tem que haver sempre alguma coisa que justifique a derrota, ou o árbitro, ou o penalty mal assinalado, ou o liedson que não enganou como devia, ou o tonel que não arreou como devia ou o pintelho que apareceu na boca do sem-dentes e que o impediu de pensar, há sempre alguma coisa.
O minimo deve ser um triste... sempre na senda de justificar os erros, será que é humano?

Antes morto que vermelho disse...

minimo: continue a banhos na ETAR de Sernacelhe, que esse seu raciocinio está deveras toldado!

JC disse...

Amigo Vermelho:
Não sei se o estado físico do Benfica no jogo com o Guimarães deva ser imputado ao Imbecil.
Vários jogadores do Benfica têm "razões" para o estado físico em que se encontram:
Katsouranis e Nuno Gomes tiveram compromissos pelas respectivas selecções a meio da semana, sendo que o estado físico do Nuno Gomes não deve ser o melhor, porque veio, como sabes, de uma lesão que tarda em sarar;
Cardozo não teve férias devido aos compromissos da sua selecção, o mesmo sucedendo com Fábio Coentrão.
Rui Costa tem 35 anos e não é exemplo de frescura física.
Nuno Assis esteve um ano sem jogar o que se reflecte no ritmo e na forma física.
É mais de meia-equipa com "razões" para não se apresentar fresca fisicamente, razões essas que nada têm a ver com o Imbecil.
O Imbecil era mau e, infelizmente, foi embora, mas não é, creio, o responsável por tudo o que está mal no SLB.

JorgeMínimo disse...

Caro Holtreman:
Afinal inclui o patético Primata na petição, que não estou para aturar os seus jogos de fezes.

vermelho disse...

amigo JC:
faz o favor de ler o artigo que publiquei como análise à 1ª Jornada da Liga, no qual tentou dissecar o momento do Benfica, suas razões e consequências.
Verás que não imputa toda a responsabilidade ao Imbecil.
abraço.

p.s. desculpa o atraso na resposta, mas o turno não me permitiu visitar o blog durante a tarde.