segunda-feira, janeiro 23, 2006

Análise á Jornada

Em Barcelos, o SLB venceu o Gil Vicente sem grandes dificuldades.
Iniciando a partida a perder, após Nandinho ter convertido penalty bem assinalado por falta de Simão sobre Carlitos, a equipa encarnada remontou ainda na primeira parte.
Simão, na conversão de penalty, igualmente, bem assinalado e Geovanni, na conclusão da mais sublime jogada de futebol da Liga BetandWin até ao momento, fizeram os golos que deram verdade ao marcador.
No dealbar da segunda metade, o momento mais hilariante de sempre em campeonatos nacionais, Jorge Batista, ao procurar pontapear a bola, introduzia nas suas próprias redes. Atenuante foi o súbito ressalto que a bola sofreu no relvado no momento imediatamente anterior ao do pontapé.
Depois, foi controlar e criar oportunidades de golo suficientes para almejar um score tranquilizador mais cedo.
O Gil apenas por uma vez criou perigo num lance em que Carlos Carneiro enviou a bola ao posta esquerdo da baliza de Moretto.
Vitória sem contestação, na qual realço os momentos de bom futebol colectivo produzidos, o golaço de Geovanni e as exibições da defesa, Petit e Nuno Gomes.
No Dragão, o FCP derrotou uma inofensiva Naval, embora a sua exibição tenha roçado a mediocridade.
Um auto-golo de Fernando, na sequencia de um lance pouco mais do que inofensivo, foi bastante para o FCP de Adriaanse alcançar os tres pontos.
Adriaanse está, uma vez mais, a esticar a corda - introduziu alterações tácticas relevantes e alterou o eixo central da equipa.
A manter-se o esquema táctico apresentado frente á Naval, perspectivo a debacle do FCP. Nem todas as equipas da Liga apresentam os sofríveis níveis de qualidade da Naval... ou por outra nem todas as equipas tem a falta de qualidade de Naval e Penafiel.
As alterações na composição da equipa, irão, inevitavelmente, fragilizar a situação de Adriaanse no seio do grupo - procurar culpados nas derrotas, excomungá-los e não assumir culpas próprias, por via de regra, conduz ao abismo do despedimento.
Adriaanse não é um líder como bem provado ficou - substituir Baía por Helton, no jogo em que Baía se aprestava para completar 400 jogos no campeonato nacional, por um simples erro na partida anterior, demonstra a saciedade as dificuldades do técnico holandes.
Em Alvalade, o SCP empatou com o Marítimo.
O SCP voltou a revelar o principal pecadilho que anteriormente lhe apontámos - falta de liderança nos momentos emocionalmente mais delicados.
A vencer por 1-0, estando por cima no jogo, o SCP não logrou, como em situações anteriores, desferir a estocada final e, assim, fazer 0 2-0, matando o jogo.
Ao invés, entrou em ansiedade, falhou algumas situações claras de golo e numa ocasião em que o deficit de qualidade da defesa leonina ficou patente deixou-se empatar.
Na segunda parte, a ansiedade da equipa foi, ainda mais, visível, mostrando-se o SCP incapaz de construir jogadas de golo, com excepção do último quarto de hora em que em desespero e beneficiando do retraimento do Marítimo, conseguiu criar oportunidades de golo. Liedson, no terminus do jogo, fruto de hesitação comprometedora, desperdiçou flagrante ocasião, deixando a nu o estado de espirito do conjunto verde e branco.
A arbitragem foi duramente criticada pelos dirigentes leoninos, sem que se tenha percebido bem porque.
O penalty é bem assinalado, Sá Pinto, estupidamente, diga-se, empurra Kanu dentro da área. A penalidade tem tanto de idiota como de evidente.
No mais, parece-me que o Marítimo, esse sim, terá sido prejudicado - na primeira parte, por mão de Polga, ficou por assinalar um penalty a favor do Marítimo e na segunda metade, num corte de Van der Gagh, o árbitro, sem razão para tal, assinalou livre indirecto, por atraso.
Não vi, mas admito que esteja enganado, qualquer razão para os protestos do Presidente Soares Franco.
No AAC/Nacional, vi duas equipas que são espelho da sua posição classificativa.
A AAC nervosa, hesitante, ansiosa, incapaz de construir lances de futebol com princípio, meio e fim.
O Nacional organizado, confiante, trocando bem a bola entre os seus jogadores e apostando no contra-ataque.
Aliás, não fora a falta de audácia de Manuel Machado e estou convicto que a AAC terminaria o jogo vergada a uma derrota.
Ainda assim, fazendo uso do brio e da raça dos seus atletas, a AAC esteve perto do golo por diversas situações, não o tendo alcançado fruto da completa inépcia dos seus elementos mais avançados, especialmente Gélson.
Vingada, mais uma vez, demonstrou ser um treinador temeroso, tendo desperdiçado a oportunidade de aproveitar o empolgamento da Briosa no início da segunda parte ao retardar excessivamente a entrada de Joeano em jogo.
Por outro lado, cometeu um crime de lesa futebol ao fazer entrar Piloto na segunda parte para o substituir á passagem dos 75 minutos. Piloto estava a jogar bem e não se compreendeu qual a intenção que presidiu á substituição, até porque Danilo e Alcantara continuavam em campo...
Alcantara, diga-se em abono da verdade, voltou a realizar uma exibição paupérrima, tendo tido intervenção directa na criação ou potenciação dos lances mais perigosos do Nacional.
Por fim, referencia para outro erro táctico de Vingada - a colocação de Filipe Teixeira á esquerda, cerceando-lhe influencia no jogo da equipa.
Filipe Teixeira encostado ao lado esquerdo do ataque é desperdiçar a unidade mais criativa e valiosa da Briosa.
Ponta de lança, central e extremo esquerdo precisa-se com urgencia.
Nos restantes jogos, alusão á vitória do Setúbal em Paços de Ferreira, dando continuidade ao milagre que constitui a carreira do Vitória no presente campeonato, atenta a qualidade dos jogadores que compõem o seu plantel, ao empate do Guimarães em casa com o Rio Ave, dando continuidade ao péssimo trajecto da equipa victoriana na Liga, atenta a qualidade dos jogadores que compõem o seu plantel, e á vitória do Boavista sobre o Estrela, dando continuidade á vitória em Setúbal e interrompendo o ciclo vitorioso dos da Amadora.

Comentário aos resultados eleitorais

Antes de mais, devo dizer que falhei, em toda a linha, a minha previsão de resultados.
Com efeito, Cavaco ganhou logo á primeira volta e Alegre ultrapassou, por larga margem, Soares.
Se a vitória de Cavaco á primeira volta, não constitui qualquer surpresa, dado que a generalidade dos estudos de opinião assim o indicavam, já a reduzida margem pela qual a alcançou e o score eleitoral de Alegre assumem-se como notas relevantes.
Todas as sondagens realizadas apontavam para uma vitória folgada de Cavaco, sendo que, mesmo as menos optimistas, a situavam numa ordem de grandeza a rondar os 55% dos votos expressos.
A estratégia delineada por Cavaco, centrada num discurso bem elaborado, bem estruturado, economicista em todos os sentidos, evitando a todo o custo o confronto, apelando a uma ideia sebastianica de esperança, resultou em pleno.
O director de campanha de Cavaco foi, sem sombra de dúvidas, um dos grandes vencedores da noite.
Outro foi Alegre.
Assim se comprova que as motivações dos eleitores são, em larga medida, emocionais.
Alegre foi o candidato com pior prestação televisiva, apresentou um discurso pobre, assente em chavões e sem conteúdo relevante, demonstrando um desconhecimento para lá do superficial dos dossiers e sem lograr resolver as antinomias entre o seu discurso e a sua prática política parlamentar.
Mas a ideia de se assumir porta-voz de um movimento de cidadania, a sua bonomia, a sua figura aristocrata, os erros do PS, permitiram-lhe capitalizar toda uma onda de descontentamento face ao sistema partidário e, em particular, face á acção do governo.
Outro foi Jerónimo de Sousa.
Uma vez mais conseguiu fazer crescer eleitoralmente o seu partido, em relação ás últimas legislativas em cerca de 1%, bem como ganhou o seu mini-campeonato com Louçã.
Outro dos vencedores foi Ribeiro e Castro, pois que a vitória de Cavaco á primeira volta vem provar o ajuste da sua estratégia, acentuando o papel decisivo que a não apresentação de candidato próprio pelo PP teve naquela.
O maior dos derrotados foi Soares, com uma score eleitoral pouco mais do que humilhante.
Morreu o mito Soares muito por culpa do estigma dos seus 81 anos e dos erros de gestão do PS.
Soares sai pela porta pequena da cena política portuguesa, vergado ao peso de uma derrota pesadissíma.
Provou-se que o feitiço se vira sempre contra o feiticeiro - se em 85 foi Soares que capitalizou a seu favor o momento político de então para derrotar o até então seu amigo Salgado Zenha, em 2006 sucedeu precisamente o contrário.
Aliás, as disputas presidenciais de Soares dizem bem da sua voracidade pelo Poder - em ambas não olhou a meios para atingir os fins, olvidando valores e principios dos quais se diz perfilhar, mormente amizades profundas.
Todavia, nem sempre o crime compensa.
Outro dos derrotados foi Louçã.
Pela primeira vez, não se verificou um crescimento eleitoral do BE, quedando-se perto do limite legalmente estabelecido para beneficiar da subvenção estatal.
Louçã perdeu cerca de 1% dos votos que o BE houvera tido nas últimas legislativas, num quadro eleitoral que o favorecia, abrindo a discussão em torno da liderança.
Parece-me que os próximos meses trarão novidades.
Contados os votos, coloca-se a tão propalada discussão em torno da coabitação entre Sócrates e Cavaco.
Não me parece que iremos assistir a qualquer conflito institucional, nem perto disso.
Sempre afirmei que o candidato mais próximo de Sócrates era Cavaco quer ideologicamente quer em termos
de praxis política, pelo que não antevejo qualquer problema de relacionamento entre ambos.
Aliás, o eleitorado que deu a maioria absoluta a Sócrates foi exactamente o mesmo que a deu a Cavaco.
Por outro lado, fazendo jus áquilo que tem sido a prática política dos sucessivos Presidentes da República no exercício do seu primeiro mandato, Cavaco irá pautar a sua conduta pelo mínimo de exposição pública, quedando-se por aparições esporádicas e remetendo-se a declarações curtas, insufladas de esperança, procurando esvaziar qualquer polémica.
Não vislumbro Cavaco a lançar mão da arma do veto político ou a afrontar publicamente o Governo.
A cooperação estratégica ensaiada por Cavaco plasmar-se-á nas conversas de quinta-feira e numa ou outra conferencia em que seja ou faça por ser chamado a intervir.
Referencia final para a deselegancia da noite, demostrando o carácter irrascível e o mau perder do PM, quando Sócrates iniciou a sua conferencia de imprensa sem esperar que Alegre finalizasse a sua.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Outra coisa é que seria de estranhar

A Casa Branca recusa-se a "negociar com terroristas", em resposta à trégua oferecida pelo líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, aos EUA, numa gravação de voz ontem tornada pública e que já foi considerada como autêntica pelos serviços secretos norte-americanos, CIA.

O estado do Estado

As facturas da água, da luz ou do telefone deste mês já começaram a chegar aos tribunais. Mas não vão ser pagas.
O dinheiro que os secretários judiciais têm disponível não é suficiente para suportar as despesas mais básicas. Isto porque o Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça (IGFPJ) reduziu-lhes o orçamento. Nalguns casos, em quase 50 por cento relativamente ao ano passado.

Onze Ideal da Liga Betandwin - Primeira Volta

Já agora, cá vai.
Onze Ideal - Moretto, Nélson, Luisão, Andersson e Miguelito, Quaresma, Petit, Lucho e Simão, Nuno Gomes e Liedson.
Onze Alternativo - Diego Benaglio, Luís Filipe, Nunes, Zé Castro e Jorge Luiz, Paulo Assunção, Andrés Madrid, João Moutinho e Benachour, J.V.Pinto e Meyong.

Agora em relação ao Sporting, Porto e AAC

Procurando ensaiar igual exercício em relação a SCP, FCP e AAC, direi que o onze ideal do SCP desde que vejo futebol seria integrado por Vítor Damas, Gabriel, Luisinho, André Cruz e Dimas, Figo, Paulo Sousa, Duscher e Cristiano Ronaldo, Balakov e Liedson.
No que concerne ao FCP, Mlynarckzik, João Pinto, Geraldão, F.Couto e Branco, Jaime Magalhães, André, Deco e Futre, Madjer e Jardel.
No que tange á AAC, Pedro Roma, Bandeirinha, Mounir, Zé Castro e Dimas, V. Paneira, Camilo, Brum e João Pires, Nilson Dias e Eldon.
Deixo estas considerações desejando que outros participantes no blog se disponham a postar a sua perspectiva.

Reviver o passado ou Histórias de Campeões

Respondendo ao repto lançado, decidi postar aquele que, a meu ver (pareço o Carlos Pinto Coelho), é o onze ideal do SLB desde que vejo futebol.
Assim, na baliza Michel Preudhomme.
Na lateral direita, Veloso.
No centro da defesa, Mozer e Ricardo Gomes.
Na lateral esquerda, Schwartz.
No centro do meio-campo, Paulo Sousa e Valdo.
Ala direito, Vítor Paneira.
Ala esquerdo, Fernando Chalana.
N.º 10, Rui Costa.
Ponta de Lança, Rui Águas.
No banco, onze alternativo, Silvino, Nélson, Luisão, Aldair e Álvaro, Thern, Shéu, Simão, Futre, J.V.Pinto e Mats Magnusson.
Regressando aos nossos dias, o meu onze ideal actual seria composto por Moretto, Alcides, Luisão, Andersson e Nélson, Petit e Manuel Fernandes, Simão, Laurent Robert, Nuno Gomes e Miccoli.
No banco, Moreira, Ricardo Rocha, Beto, Karagounis, Manduca, Giovanni e Marcel.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Ainda podemos descer mais, haja fé!

A República Checa ultrapassou Portugal na listagem do rendimento per capita da União Europeia.
Segundo dados ontem divulgados pelo Eurostat e citados pelo EUObserver, o rendimento bruto per capita dos checos atingiu, em 2005, 73 por cento da média dos Vinte e Cinco; o de Portugal é 71 por cento.

Já sei para que serve o aumento do subsídio de refeição dos funcionários públicos

As gasolineiras subiram esta madrugada os combustíveis em três cêntimos por litro devido ao aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) previsto no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).

Estórias da História

A tese de que os chineses foram os primeiros grandes descobridores do mundo entre os anos de 1405 e 1433 - destronando a importância das descobertas marítimas de Vasco da Gama, Colombo, Fernão de Magalhães, entre outros navegadores - regressou esta segunda-feira ao debate científico e... à especulação.
Tudo porque uma cópia do mapa original (de 1418) que se dizia existir, e que demonstrava as viagens do almirante chinês Zheng He em torno dos cinco continentes, foi apresentada em Pequim no princípio desta semana.
Quem fez esta prova foi um advogado chinês, Liu Gang, que afirma ter uma reprodução do referido mapa datada do ano de 1763.

Um pequeno pormenor

O ex-proprietário de uma panificadora da zona de Portimão exige 350 mil euros de indemnização numa acção judicial contra um ortopedista por alegada "negligência médica" com "danos morais e incapacidade para o trabalho".
O problema surgiu na sequência de uma intervenção cirúrgica ao ombro esquerdo, na qual terá ficado, por lapso, uma compressa, o que lhe causou infecção e obrigou a uma segunda operação, realizada por outro clínico.

Exercício de jornalismo tabelóide ou não...

A "arruada" de hoje de Cavaco Silva em Coimbra, uma das melhores de toda a campanha, foi marcada por um incidente, envolvendo jovens apoiantes e três manifestantes com uma faixa negra, chamando "fascistas" aos "cavaquistas".
O incidente foi registado já no final da iniciativa, durante o discurso de Cavaco Silva dirigido às centenas de pessoas concentradas numa das principais praças de Coimbra.
Na altura, começaram a ouvir-se assobios quando três jovens tentaram erguer uma faixa negra onde se lia: "Todos os porcos capitalistas votam Cavaco porque são fascistas".
Cavaco terá afirmado - "Coimbra é de facto muito especial, obrigado pela vossa ajuda".
Refira-se que esta frase foi proferida no final da sobredita acção de campanha, mas não a propósito do aludido incidente...

Exercício especulativo

A poucos dias das eleições Presidenciais, pensei fazer uma projecção pessoal das percentagens de votos de cada um dos candidatos, a partir da definição de intervalos de referencia.
Cavaco Silva entre 45 a 48,5% dos votos expressos.
Mário Soares entre 16 a 20% dos votos expressos.
Manuel Alegre entre 11 a 14% dos votos expressos.
Jerónimo de Sousa entre 5 a 9% dos votos expressos.
Francisco Louçã entre 3 a 7% dos votos expressos.
Garcia Pereira entre 0,5 a 1,5% dos votos expressos.
Lanço a todos quantos consultam este blog o desafio de realizarem igual exercício.

Centésima postagem

Na centésima postagem gostaria de agradecer a todos quantos fazem o favor de ler o que entendo escrever neste blog. A todos o meu sincero obrigado.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Deve ser dia 1 de Abril

Mais 12 cêntimos no subsídio de refeição é tudo quanto os funcionários públicos vão levar a mais do que o contido aumento salarial de 1,5%, que, na prática, representa uma perda de 0,8 pontos no poder de compra, face à inflação prevista para este ano.
Ontem, no final da terceira reunião entre a equipa das Finanças e os sindicatos da função pública - que encerrou o capítulo das negociações salariais para 2006 -, Teixeira dos Santos mostrou-se apenas flexível para aumentar o subsídio de refeição de 3,83 euros para 3,95 euros.

Não, que ideia!

O primeiro-ministro, José Sócrates, declarou hoje que o candidato presidencial Mário Soares "não foi porta-voz do Governo" ao transmitir aos trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo a posição do Executivo sobre o futuro da empresa.

Se fosse eu arrependia-me ou será que soube que o foi

Mário Soares afirmou ontem à noite que nunca se arrependerá de se ter candidatado a Presidente da República qualquer que seja o resultado das eleições, dizendo que ao longo da campanha já lançou uma "sementeira de ideias".

terça-feira, janeiro 17, 2006

Mercado

Foi, hoje, anunciada a contratação de Marcel pelo SLB.
Para além de enfatizar o fétiche de Vieira, Veiga e Koeman pela letra M - dos cinco reforços de Inverno apenas Laurent Robert apresenta nome não iniciado por aquela letra - cumpre tecer algumas considerações sobre a valia deste jogador.
Tal como muitos outros, entre eles o meu amigo Carlos, muitas foram as tardes em que vociferei nas bancadas do Cidade de Coimbra em direcção ao Marcel - tantos impropérios lhe lançamos, tantos e clamorosos golos ele falhou.
Vi jogar Marcel em muitos jogos e a imagem que dele guardo é de um jogador com capacidades físicas muito acima da média e dotado de um fortíssimo e bem direccionado pontapé.
Penso que as considerações acerca do valor de Marcel foram muito empoladas pelos media, sendo que a generalidade da opinião pública nelas foi acreditando, limitada que estava a visionar os resumos das partidas.
Marcel, enquanto jogador da Briosa, demonstrou ser um jogador lento, pesado, limitado nas suas movimentações, perdulário e com um jogo de cabeça limitado para a sua estatura.
Espero e desejo que Marcel, na flor dos seus 24 anos, evolua a ponto de se tornar um clone assemelhado a Adriano de quem se reivindica comparável.
Jogando num esquema de dois pontas de lança, mais fixo na área, com outra motivação, poderá entorpecer o seu deficit de mobilidade e potenciar o que de melhor o seu futebol tem para apresentar - presença física e potencia de remate.
Marcel terá que melhorar e muito o seu ratio de produtividade, pois que foram mais do muitos os jogos em que necessitou de várias oportunidades para concretizar.
O seu jogo de cabeça, verdade seja dita, foi pouco ou nada explorado ao serviço da Briosa, mas quando o foi não deixa saudades. Espero que seja só uma impressão... (não marcou qualquer golo de cabeça ao serviço da Briosa...).
Não se trata de um valor seguro, mas sim de uma aposta num jogador com escola de selecção brasileira e com predicados físicos e técnicos bastante aceitáveis.
Uma aposta de risco, concluo eu.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Outro dos verdadeiros deficit´s

Há 33 hospitais sem serviços próprios para crianças em Portugal. Dos 60 que os têm, apenas 43 possuem urgências. E desses, apenas 29 atendem todas as crianças, qualquer que seja a patologia.

Um dos verdadeiros deficit´s

Na Universidade de Coimbra, "62 por cento dos alunos que abandonaram o curso em 2003/04 não tinham feito uma única cadeira [ou seja, 1254 alunos] e 77 por cento tinham feito zero, uma ou duas disciplinas [1557 alunos]", garante o reitor desta Universidade. No ano lectivo de 2003/04, os números totais de abandono naquela instituição ascenderam a 2022 alunos. E no passado ano lectivo o número agravou-se 2372 alunos desistiram do seu curso.

Not again ou as tentações imperialistas

Senadores republicanos e democratas norte-americanos sugeriram ontem a eventualidade de um ataque militar para impedir o Irão de obter armas nucleares.

Tanta gente feliz

As buscas domiciliárias, as vigilâncias e as intercepções telefónicas deverão ser os serviços mais afectados pela greve às horas extraordinárias que os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) iniciaram hoje, segundo o sindicato.

Análise da Jornada

O facto mais relevante da jornada ancorou-se na derrota do FCP na Reboleira.
Com uma primeira parte de sonho, o Estrela desbaratou o FCP e alcançou uma vantagem de dois golos que, com maior ou menor facilidade, logrou conservar até final - a vantagem, pois o FCP ainda marcou um golito.
Manu, Semedo e Rui Borges com a sua velocidade colocaram a nu as fragilidades da defesa portista - problemas posicionais e dura de rins. Depois Baía fez o resto... com um frango que se fosse do Ricardo dava parangonas jornalísticas... um tem o outro não (boa imprensa).
Adriaanse, ao intervalo, quis dar um puxão de orelhas á equipa, procedendo a 3 substituições. Penso que começou aí a perder definitavamente o jogo.
É certo que mexeu com a equipa e com o jogo, mas, desde logo, manietou-se, ficando a ver a equipa a perder-se fisicamente e incapaz de imprimir outra dinamica. Concomitantemente, o efeito surpresa foi-se desvanecendo, o Estrela foi-se encaixando e o FCP foi-se acomodando, não mais criando ocasiões de perigo.
Sem Quaresma, o FCP vulgarizou-se e com excepção do lance que originou o golo de Lucho, nada mais fez do que despejar bolas para a área do Estrela.
Parece-me que aquele que seria o terceiro golo do Estrela da autoria de Semedo, foi mal anulado, sendo curioso que o árbitro auxiliar só assinala o fora-de-jogo muito depois da bola ter sido endossada para Semedo.
De igual forma, ficou um penalty por assinalar a favor do Estrela, na segunda parte, por falta sobre Coutinho de Ricardo Costa.
Uma última nota para Manu - quem tem sob contrato um jogador com a sua capacidade explosiva sobre os flancos, não pode contratar Marco Ferreira - é um crime de lesa futebol.
O SLB venceu a AAC, num jogo em que, uma vez mais, sem fazer uma exibição de encher o olho, manteve as suas redes invioláveis, controlou sempre o jogo e marcou por tres vezes.
A AAC apresentou-se muito encolhida, numa táctica tão ao gosto de Vingada - tudo lá atrás fechadinho e fé e esperança num contra-ataque milagroso.
É urgente contratar um médio organizador, um extremo esquerdo e um central de qualidade - Hugo Alcantara realizou mais uma exibição confrangedora, que culminou com o falhanço no segundo golo do SLB, no qual foi, infantilmente, ultrapassado por Luisão.
Quanto aos lances polémicos, parece-me que o penalty de Brum tem tanto de estúpido como de evidente, o lance que envolve Luisao é de bola na mão, atenta a distancia e a violencia com que o remate foi efectuado e, por fim, no lance do segundo golo do SLB ninguém pode afirmar ter a bola ultrapassado ou não a linha de fundo.
O SCP venceu facilmente um Belenenses pouco mais do que inofensivo.
Merce de um erro crasso de Marco Aurélio, o SCP marcou o golo que valeu 3 pontos, tendo controlado integralmente a partida.
Não obstante, um acto irreflectido, mais um, de Sá Pinto, poderia ter deitado tudo a perder, não fosse o disparate de Ruben Amorim.
Nota final para o Nacional/Paços de Ferreira, onde, pelo resumo, houve uma arbitragem pejada de erros, a roçar o anedótico.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Preocupações, inexactidões, imprecisões e outras coisas terminadas em ões

O procurador-geral da República afirmou hoje, à saída de uma audiência em Belém, que comunga das preocupações de Jorge Sampaio sobre as escutas de milhares de chamadas telefónicas do Presidente da República, do primeiro-ministro e dos presidentes da Assembleia da República, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas no âmbito do processo Casa Pia.

Primeira inexactidão - não se trata de escutas, mas apenas de dados de tráfego telefónico relativos aos postos telefónicos pertença das personalidades supra citadas.
A lista que o 24 horas publica diz respeito ás chamadas telefónicas realizadas a partir dos postos telefónicos referidos, ou seja, trata-se de um registo do qual constam tão só a identificação do número chamador, do número receptador, a hora da chamada e a sua duração.
Inexiste qualquer conhecimento sobre o autor da ligação, bem como do conteúdo da conversação entabulada, apenas permitindo asseverar que alguém utilizando um determinado posto telefónico efectuou uma ligação telefónica para um outro posto telefónico, numa determinada hora e por um determinado período de tempo. Tudo o mais permanece desconhecido - autor e teor -.
Assim, fazer derivar a discussão para questões relativas a escutas telefónicas só pode ser por ignorancia ou por manifesta má fé ou por tentativa de aproveitamento político.
Primeira imprecisão - o MP não solicitado á PT o registo das chamadas realizadas a partir dos postos telefónicos fixos titularidade das personalidades constantes do rol apresentado pelo 24 horas, mas sim de determinados números de telefone, os quais se veio a apurar pertencerem ás personalidades supra mencionadas. Tal deflui, desde logo, da circunstancia d0 24 horas apenas ter logrado identificar cerca de 40% das pessoas a partir dos números de telefone existentes no processo.
Primeira preocupação - como obteve o MP os números de telefone cujos dados de tráfego foram solicitados á PT? terá decorrido das escutas anteriormente efectuadas, sendo números para os quais foram realizadas chamadas pelos escutados ou dos quais foram realizadas chamadas para os escutados? terá decorrido de alguma arbitrariedade?
Segunda preocupação - qual o propósito que presidiu á solicitação dos dados de tráfego? que factos a verter no libelo acusatório se pretenderiam provar com tais elementos? a eventual existencia de uma rede? não consigo alcançar e parece-me que um dos primeiros aspectos a esclarecer pelo PGR deveria ser, exactamente, esse - do ponto de vista da investigação a solicitação daqueles dados de tráfego serviu o propósito x, y ou z. Cumpre esclarecer, quanto antes, este ponto, por ser de crucial e decisiva importancia.
Não me parece que anunciar-se a instauração de um inquérito resolva a inquietação social suscitada, antes só contribuindo para a adensar.
Terceira preocupação - o PGR revelou, uma vez mais, ter olvidado o devido acompanhamento do processo, certamente por ter confiado cegamente na competencia e bom senso dos Magistrados a quem deferiu a investigação.
Quarta preocupação - esta revelação constituirá mais uma arma de arremesso contra o MP e a investigação do denominado processo Casa Pia, contribuindo para a sua descredibilização.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo ou talvez não

Segundo noticia do Correio da Manhã, o cidadão (porque foi nessa qualidade que foi esquiar para a Suiça) Sr. José Sócrates Carvalho Pinto Sousa, logo imediatamente quando chegou a Lisboa na sexta-feira passada fez uma ressonância magnética e foi submetido a uma artroscopia no Hospital da Força Aérea.
Segundo os dados conhecidos, não consta que o cidadão em causa tenha apresentado o seu cartão da ADSE, tenha marcado consulta e ficado a aguardar por uma data na agenda do médico, que tenha ido às seis da manhã para a fila de espera, nem outrossim que seja militar de carreira ou na reserva, para ter o privilégio de ser imediatamente consultado, operado e assistido no Hospital da Força Aérea, necessariamente com a alegre comparticipação de todos os cidadãos contribuintes portugueses.

Será Lapso ou Reflexo de uma determinada forma de pensar

O novo site do Ministério da Justiça já está disponível on-line.
Não traz particularmente nada novo nos seus conteúdos, mas é significativa a forma como elenca na sua relação de ligações os órgãos de soberania.
Para o Ministério da Justiça, os únicos órgãos de soberania em Portugal são o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo.
Os Tribunais - órgãos de soberania segundo a Constituição - não surgem no seu elenco e apenas aparecem na barra lateral esquerda das ligações após os Órgãos de Supervisão e Ministérios Nacionais e da Justiça da União Europeia.

O homem não pára ou o Zé das Rolhas

José Mourinho dá a cara pelas rolhas portuguesas.
Popularidade de Mourinho sempre em crescendo: o treinador é hoje uma figura global.
Já todos viram, certamente, José Mourinho a promover telemóveis, equipamentos desportivos e instituições bancárias... mas poucos imaginariam o técnico português a dar a cara por rolhas de cortiça.

Mas o que é certo é que isso vai ser uma realidade, já que a Campanha Internacional da Cortiça vai arrancar no próximo mês de Março, usando a imagem do actual treinador do Chelsea.
Esta iniciativa visa promover as rolhas de cortiça, sector que Portugal domina a nível mundial, na Grã-Bretanha, Estados Unidos e Austrália e partiu da parte do Governo luso e da APCOR – Associação Portuguesa de Cortiças – que, deste modo, usam a imagem do treinador para conquistar e reforçar mercados.

Preso por se ter cão e por não ter ou um exemplo de jornalismo tabelóide

Criança de 6 anos arrancada ao pai
Catarina foi com a roupa que tinha no corpo: um fato de treino. Deixou todos os bonecos.
Ana Catarina, de seis anos, lançou os braços ao pescoço do pai, Serafim, e perguntou-lhe ao ouvido: “Eu volto e tu esperas por mim, não esperas?”

Os dois despediram-se anteontem na esquadra da PSP de Almada, para onde a menina foi levada, em estado de grande agitação, antes de a entregarem à mãe, cumprindo a sentença do Tribunal de Família e Menores do Seixal.

Não há como negar

Vasco Gouveia, reformado, avança outro argumento para desvalorizar as mensagens dos oudoors "Já os conhecemos a todos há muito tempo..."

Da inconstitucionalidade ao alargamento das violações do segredo de justiça

Deputados apoiam conselho de fiscalização para as escutas

A ideia foi defendida, ontem, mais fervorosamente pelo deputado do Bloco de Esquerda (BE) Fernando Rosas. Mas também os deputados Osvaldo de Castro, do PS, e Nuno Magalhães, do CDS/PP, não descartaram a hipótese de criação de um conselho de fiscalização das escutas telefónicas feitas pela Polícia Judiciária.

Olhe que sim, olhe que sim ou de como PSL e PP queriam outro candidato - eles próprios

Mário Soares considerou hoje que as advertências de Pedro Santana Lopes sobre o risco de instabilidade com a eleição de Cavaco Silva são "uma prova" da falsa unanimidade da direita em torno do seu adversário.

Olhe que não, Olhe que não ou não será o PS?

Manuel Alegre acusou hoje o PSD de querer eleger Cavaco Silva Presidente da República para chegar ao Governo, mas acrescentou que isso não acontecerá porque será ele a vencer as eleições presidenciais.

A verdade da mentira

A CGTP acusou hoje os patrões das empresas portuguesas de subdeclararem os salários, desviando "milhões de euros" da Segurança Social, com "pesadas consequências" sobre o financiamento do sistema.
Em conferência de imprensa, o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, afirmou que - comparando as remunerações declaradas pelos trabalhadores por conta de outrem com os salários de base e os ganhos - verifica-se que "há um elevado volume de subdeclaração de salários".
Sublinhando que esta situação é admitida no relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social (anexo ao Orçamento de Estado para 2006), o responsável da CGTP afirmou que "o valor médio dos salários de base excede em um terço a remuneração declarada e o ganho médio mensal em 50 por cento", quando a remuneração declarada "deveria estar próxima do ganho".
"As remunerações que entram na Segurança Social correspondem a 66 por cento das que deviam entrar", afirmou Carvalho da Silva - in Público.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

É outro gajo não é

Em entrevista ao Diário Econonómico, o candidato presidencial Cavaco Silva considera que «foi mau passo partidarizar as nomeações no Estado».

Depois admiram-se II ou como fazer crescer o deficit

Os quatro maiores bancos privados têm mais pensionistas do que trabalhadores no activo.
No final de 2004, Banco Comercial Português, Banco Espírito Santo, Banco Santander Totta e Banco BPI tinham quase mais quatro mil reformados e beneficiários de pensões de sobrevivência do que trabalhadores activos - in DN.

Depois admiram-se

O Metro de Lisboa, presidido por Mineiro Aires, atribuiu uma obra sem concurso público a uma empresa, a Ferconsult, que por sua vez subcontratou uma sociedade da qual foi sócio, tendo cedido a sua quota em 2000, ou seja, dois anos antes de assumir a presidência da empresa pública.

Parece-me verdade

"A imagem que Cavaco tem vindo a compor com infinitos cuidados cirúrgicos estilhaçou-se no espelho da Madeira. O primeiro vencedor das presidenciais não é nenhum dos actuais concorrentes. Chama-se Alberto João Jardim."
Vicente Jorge Silva, "Diário de Notícias", 11-01-2006

Vem mesmo na sequencia

O presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), Carlos Anjos, alertou hoje que a Polícia Judiciária (PJ) corre o risco de parar em termos operacionais por falta de verbas.
"As remunerações dos funcionários da PJ estão garantidas até ao final do ano, mas as verbas para o funcionamento da instituição é que só chegam até Julho e estamos a ser muito optimistas quando falamos em Julho", disse o sindicalista.
De acordo com Carlos Anjos, são necessárias verbas "para coisas básicas como gasolina para os carros, comprar papel, pedir perícias, entre outras".
O presidente da ASFIC sublinhou ainda que, para as verbas chegarem até Julho, "não há margem para nenhum pequeno deslize ou para uma operação mais dispendiosa".
O sindicalista considera que cabe ao Governo encontrar meios para garantir o normal funcionamento da Polícia Judiciária."Se o Governo estiver interessado em que a PJ continue a funcionar, terá de encontrar uma fórmula para fazer chegar verbas à instituição", defendeu - in Público.

Pudera o contrário é que seria de estranhar - II ou amor com amor se paga

O ex-líder do PSD Pedro Santana Lopes admitiu ontem à noite um cenário de instabilidade e conflito com o Governo caso Cavaco Silva seja eleito Presidente da República no dia 22 de Janeiro - in Público.

Pudera o contrário é que seria de estranhar

Mário Soares defende o aumento da idade de reforma para além dos 65 anos com o objectivo de manter o actual modelo de protecção social e apoia o esforço do Governo de convergir os regimes de apoio social - in Público.

Uma vaga ideia ou talvez nem isso

O Ministro da Justiça Alberto Costa, anunciou que irá introduzir alterações legislativas em matéria penal por forma a evitar que situações como a verificada com a bébé de Viseu não voltem a suceder.
A este propóstio disse - “Vamos dar claros poderes ao Ministério Público para desencadear a acção penal”, esclarecendo que o crime de maus tratos deixará de depender de queixa, podendo o Ministério Público exercer, mal tenha conhecimento, a acção penal. “Esse foi um problema que temos vindo a detectar como sendo um bloqueio. E que pretendemos que seja claramente ultrapassado”.
Das duas uma - Ou o Código Penal foi, entretanto, alterado e eu ando distraído ou o Sr. Ministro ignora a natureza pública do crime de maus tratos.
Aliás, o crime de maus tratos a crianças assumia já carácter público antes da alteração legislativa introduzida pela Lei n.º 7/2000 de 27-5.
Mais um tiro no pé.
Não será de exigir a quem exerce responsabilidades governativas na área da justiça que conheça as matérias sobre as quais se pronuncia. Para que servem as dezenas, para não dizer centenas, de assessores e afins que inundam os nossos Ministérios.
Isto de manifestar intenções legiferantes na ressaca de acontecimentos de forte carga emocional nunca se revelou boa opção, redundando, na mais das vezes, na adopção de soluções ou contraditórias com outras normas ou com o sistema visto na sua globalidade ou incompletas ou imperfeitas ou insuscpetíveis de concretização prática.
Dias depois, o Sr. Ministro lançou mais uma pérola - a introdução das pulseiras electrónicas no cumprimento de penas de prisão.
Justificou o Sr. Ministro a medida com critérios de racionalidade económica e ressocialização.
Mas pergunto eu - os fins das penas terão, ainda, alguma, importancia? Deve a justiça reger-se por critérios economicistas? Que vantagens ressocializadoras podem advir de manter alguém em casa? Não seria tal medida estigmatizante, por relembrar á comunidade familiar e vicinal, de forma constante, o mal que lhe foi infligido? Serão os direitos das vítimas de ignorar e sacrificar? Serão de conceder prestações sociais aos condenados, mormente o rendimento social de inserção, para que possam sobreviver (assim se contribuindo para o agravamento do deficit da segurança social)? Entenderá a comunidade com um castigo adequado e proporcional a sujeição do condenado a pulseira electrónica?
Para quando uma ideia global e reformista da nossa justiça penal, que desbloqueie, efectivamente, o sistema e lhe confira mais e melhor celeridade?
Espero e desejo que seja para breve. Mas permitam-me que duvide seriamente.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Crise Financeira do Futebol Profissional Portugues

As constantes notícias sobre salários em atraso e consequentes rescisoes dos contratos de trabalho desportivo, fizeram o País desportivo despertar para a dura realidade financeira dos clubes lusos.
Com efeito, nunca como na presente época desportiva se assistiu á denúncia de tantas situações de incumprimento contratual dos clubes portugueses - Setúbal, Maia, Marco, Estoril, entre tantos outros que permanecem na penumbra do anominato.
Este quadro se não era uma evidencia, era, pelo menos, previsível.
Quando em meados dos anos 90, uma crise semelhante se começou a desenhar, o Poder Político, através da Lei de Bases do Sistema Desportivo, institucionalizou as Sad´s por forma a propiciar aos clubes um fluxo de dinheiro capaz de os capitalizar.
As Sad´s ao "legalizarem" a entrada dos donativos camarários nos cofres dos clubes, através da participação das Camaras Municipais no capital social, permitiram que a saúde financeira dos clubes fosse mascarada, mas não constitui mais do que um paleativo.
Consumidos que foram os capitais assim entrados, regressou a crise num estado ainda mais agudo.
Aliás, muitos foram os que se entregaram nas mãos de investidores portugueses e estrangeiros, quais mecenas, e morreram - vide Farense e Académico de Viseu.
Então, as agremiações desportivas procuraram na antecipação de receitas a cura dos males financeiros de que padeciam, mormente através da alienação dos direitos televisivos.
Novo erro, pois apenas se adiou o inevitável e, concomitantemente, conferiu-se á inevitabilidade um sentido mais próximo e doloroso.
Depois, buscou-se o milagre do merchandising.
Se em Inglaterra, Itália e Espanha tal poderá constituir uma importante fonte de receita, quer pela dimensão do mercado, quer pelo nível de vida dos adeptos e simpatizantes, em Portugal, com excepção dos tres grandes, nenhum outro clube logrou obter receitas visíveis.
Com os clubes assim hipotecados, em finais de 90, a Liga alcandorou-se á condição de mecenas, realizando empréstimos aos clubes em situações mais gravosas.
A par da Liga, a Olivedesportos, vendo na depauperada situação dos clubes um maná a explorar, prosseguiu na sua política monopolista, adquirindo os direitos de transmissão televisiva das partidas a disputar em épocas vindouras a preços ridiculos.
Os clubes sufocados de dividas e sem receitas para lhes fazer face, viram-se na contingencia de antecipar a venda dos direitos televisivos e, como se não achavam em posição negocial de discutir o preço, fizeram-no por valores muito inferiores aos praticados no dealbar da década de 90.
Chegados ao inicio do século, a crise era uma realidade nua e crua, mas apenas discutida em surdina.
O advento do Euro-2004 surgiu, então, como mais uma tábua de salvação - modernizava-se o parque desportivo, garantiam-se mais e melhores condições de conforto para os espectadores, alienavam-se os terrenos nos quais se achavam edificados os antigos estádios, urbanizavam-se as parcelas remanescentes, edificavam-se superficies comerciais, criavam-se novas formas de receitas, a renumeração de sócios, os cativos, os lugares anuais, enfim, toda uma panóplia de novas formas de financiamento das tesourarias.
Todavia, ainda que tais receitas tenham sido reforços substanciais para os clubes "participantes" no Euro, certo é que todo o restante País desportivo permaneceu intocado, imóvel.
Por outro lado, continuou sem existir uma visão estratégica para o futebol portugues, que a Liga devia dinamizar.
A mediocridade dos nossos dirigentes desportivos mostra-se incapaz de pensar o futebol como negócio, conservando modelos de gestão herdados do passado, os quais redundaram na situação actual.
Veja-se o exemplo dos bilhetes - cada vez o seu preço é mais elevado e o número de vendas mais reduzido.
Não seria de pensar em campanhas promocionais que atraissem mais pessoas ao futebol, novos nichos de mercado. Por que não pensar em bilhetes família, a Pack´s de conjunto de jogos (um grande juntamente com dois ou tres pequenos). O investimento de hoje seria a rentabilidade de amanhã. Pensa-se curto e pequeno.
Aliás, esta é a imagem do empresariado portugues.
Discute-se muito o horário dos jogos como sendo, a par do preço dos bilhetes, uma das razões para a desertificação dos estádios nacionais.
Contudo, tal revela-se uma discussão estéril. Com os direitos televisivos já vendidos há muito, quem determina os horários dos jogos são os detentores de tais direitos. É virtualmente impossível impor outros horários. A ditadura das televisões condiciona os dias e horas das partidas. É a face mais mercantil do futebol.
Com as receitas dos direitos televisivos há muito utilizadas, com as receitas de bilheteira a serem cada vez mais insignificantes, com as receitas provenientes das quotizações a serem cada vez mais escassas, com a recessão económica do País, com o decrescimo das receitas dos bingos e das apostas mútuas, com os subsídios autárquicos a serem cada vez menores, o volume global dos proventos desceu consideravelmente.
Por outro lado, as despesas essas mantém-se ao nível de anos anteriores e em alguns casos situam-se mesmo num patamar superior.
Assim, tudo conflui para o agravar da crise financeira.
É urgente criar um sistema de licenciamento para participação nas Ligas profissionais, dotando-se a Liga de mecanismo rigorosos de sindicancia da verdade orçamental.
Obrigar os clubes a demonstrarem as receitas que suportam cada rubrica orçamental e exigir-lhes a prestação de uma garantia bancária no valor de 20 a 30% do orçamento, accionável em caso de incumprimento.
Quando no inicio da época se determinou o encurtamento das Ligas profissionais, que de tal só tem o nome, muitas foram as vozes que se ergueram repudiando tal medida.
Todavia, face ao panorama actual do futebol portugues o encurtamento será natural - decorrerá da extinção de um conjunto alargado de clubes. Quem demonstrar saúde financeira permanece, quem não o provar cingir-se-á ás competições não profissionais ou ás camadas jovens.
Assim será o destino Darwiniano do futebol portugues.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Análise da Jornada

Esta jornada ficou marcada pela derrota do SCP em Braga.
Na verdade, se as restantes equipas grandes venceram, sem muita dificuldade, o SCP perdeu e parece caminhar a passos largos para um precoce adeus ao título.
Em Braga, o SCP apresentou uma equipa sem chama, abúlica e que apenas em 20/25 minutos da segunda parte se revelou capaz de vencer a partida. Claramente insuficiente para quem aspira ao título.
Na primeira parte, um vendaval de futebol ofensivo varreu, por completo, um Sporting atónito e sem capacidade de resposta (veja-se que o SCP apenas fez um remate á baliza de Paulo Santos em toda a primeira parte).
Na segunda metade, o Braga acreditou ter o jogo ganho, baixou a pressao e os indices de concentração, emergindo, então, o SCP com nova atitude em busca da vitória.
Com o golo alcançado, o SCP acreditou, o Braga tremeu e a face do jogo transfigurou-se.
Todavia, uma vez mais, o SCP não foi capaz de desferir a estocada final no seu adversário e, quando o rumo da partida indiciava a obtenção de mais um golo pelo SCP, o Braga marcou e matou o jogo.
Aqui como antes os problemas no futebol aéreo da defesa leonina foram postos a nu.
Mais do que questões de qualidade ou falta dela, parece-me que o SCP necessita, essencialmente, de uma voz de comando suficientemente forte para aglutinar a equipa em seu torno nos momentos emocionalmente mais delicados de cada jogo.
A imprescindivel mescla de juventude e experiencia que cimenta as equipas campeãs, inexiste em Alvalade.
Falta um patrão do grupo, que Sá Pinto, pelo seu temperamento irrascivel, nunca será.
Peseiro, como lhe faltavam argumentos de liderança, excluiu do plantel os elementos mais experientes e carismáticos - Barbosa, Rui Jorge e Rochemback - procurando, assim, dividir para reinar.
Contudo, desta forma tornou o grupo orfão de um líder.
Na Luz, o SLB venceu facilmente um Paços que apenas incomodou nos primeiros minutos de jogo.
Koeman apostou em Moretto, dissipando, de uma vez por todas, qualquer tabu futuro.
Esta atitude profiláctica parece-me acertada, ainda que implique o indicar da porta de saída a Quim na próxima época (com a recuperação de Moreira e face ao que se viu esta época - Quim foi sempre suplente quer de Moreira, quer de Moretto - a posição de Quim será de terceiro guarda-redes o que não se mostra compatível com o seu estatuto).
O SLB não fez um grande jogo, mas jogou o quanto baste para ganhar de forma tranquila. Foi sempre senhor do jogo e nos primeiros vinte minutos da segunda parte apresentou um futebol de bom nível.
Com a chegada dos reforços e a recuperação de Simão, o plantel do SLB apresenta soluções plúrimas de qualidade para todas as posições - quantas equipas se podem dar ao luxo de remeter ao banco de suplentes seis internacionais pelos respectivos países (Quim, internacional portugues, Leo, internacional brasileiro, Manuel Fernandes, internacional portugues, Karagounis, internacional grego e campeão europeu em título, Laurent Robert, internacional frances, e Mantorras, internacional angolano).
Aliás, as individualidades desequilibradoras são mais do que muitas o que aliado a uma defesa de excepção fazem do Benfica uma equipa de nível europeu.
Analisando os reforços, direi que Moretto pouco mais fez do que recolher dois ou tres cruzamentos, sendo certo que, nos instantes finais do jogo, efectuou defesa vistosa. Robert demonstrou não estar, ainda, minimamente, adaptado á equipa e ao futebol praticado em Portugal e, por fim, Manduca revelou pormenores de boa qualidade.
No Dragão, o FCP venceu facilmente um Boavista pouco mais do que inofensivo, não sendo por acaso que é a única equipa, juntamente com o Penafiel, que ainda não venceu fora do seu reduto qualquer jogo.
O FCP não realizou um grande jogo, especialmente na segunda parte, mas o génio do ciganito resolveu o jogo.
Só na cabeça de Scolari, Quaresma não é um indiscutível da selecção, ainda para mais avizinhando-se uma competição como o Mundial, de curta duração e de grande exposição mediática, tão ao jeito de jogadores como Quaresma.
Destaque para a minha Briosa que na Madeira arrancou um precioso empate - tão mais precioso quanto o calendário traz Benfica e Nacional como adversários seguintes.
Destaque, ainda, para o empate do Setúbal na Madeira ante o Nacional, num jogo em que, embora a qualidade do seu futebol tenha deixado claramente a desejar, dispos das melhores oportunidades de golo.
Por fim, destaque negativo para o Guimarães que tarda em assumir uma posição na tabela condizente com o valor dos seus jogadores.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Análise ao Mercado - SLB e SCP

Findas as férias, o regresso.
No plano futebolístico, estamos em pleno mercado.
O SLB foi o clube que, até ao momento, mais aquisições realizou.
Primeiro foi Manduca, uma aposta segura, dados os valores envolvidos e o potencial do jogador.
Um reforço para a ala esquerda que muito deficitária estava, vivendo em orfandade nas ausencias de Simão.
Depois, Fonte - uma clara oportunidade de negócio e um valor a confirmar no futuro.
De seguida, chegou Moretto.
Envolto numa novela a roçar o mexicano, para a qual não há parrocha e em que o futebol portugues dos anos 80 e 90 foi fértil.
Embora a génese da situação criada radique noutras paragens, mais a norte, certo é que as cenas de quase pugilato e insulto no aeroporto não dignificam em nada o SLB e os seus dirigentes.
O estilo Farwest empregue desgosta-me. As causas não justificam, neste caso, as consequencias.
Descer ao nível do personagem Vítor Dinis não dignifica ninguém.
Excluindo as peripécias, parece-me uma boa contratação de um guarda-redes que apresenta argumentos físicos ímpares - estatura e agilidade assinaláveis.
Penso que poderá evoluir tecnicamente, já que não tem escola.
Marco Ferreira é o espelho de uma política desportiva que pensava já, definitavamente, erradicada do SLB.
Adquirir jogadores com outras perspectivas que não exclusivamente futebolísticas não me parece a melhor via. Veja-se o exemplo do FCP que tem desbaratado rios de dinheiro em aquisições de revanche.
Por fim, para já, Laurent Robert.
Jogador dotado de um pé esquerdo fabuloso, resta por saber da sua condição física e da sua constancia de rendimento.
Neste quadro parece-me que a saída de Simao irá ocorrer no decurso do presente período de transferencias.
O SCP também interveio no mercado - adquiriu Abel, Caneira e Romagnoli.
Abel é um bom lateral direito, com pulmão para fazer o corredor, mas que, estranhamente, chega a um grande na sua pior época desportiva. Revela, também, lacunas na execução de cruzamentos.
Caneira é, sem sombra de dúvidas, um belissimo jogador.
Todavia, não pode, a meu ver, jogar no centro da defesa, pois a sua baixa estatura não o permite.
Sempre defendi que um central terá que ter, pelo menos, 1,80 - Caneira fica-se pelo 1,78.
Aliás, estou curioso para ver como se comportará a defesa leonina que alinhará em Braga. Um quarteto formado por jogadores de reduzida estatura - Miguel Garcia, Tonel, Caneira e Tello - ao qual se junta um Ricardo com claros problemas no dominio do jogo aéreo, não augura nada de bom para os sportinguistas.
Se João Tomás jogar e o Braga explorar o seu bom jogo de cabeça, as perspectivas leoninas não são animadoras.
Romagnoli é um puro 10 argentino. O futebol argentino revela uma facilidade desconcertante na produção de jogadores com caracteristicas de organizador de jogo. E todos muito similares.
Romagnoli foi uma esperança, internacional nas camadas jovens, o seu percurso antecipava um futuro risonho.
Contudo, a sua estrela tem vindo a empalidecer, sendo a sua transferencia para o futebol mexicano exemplo vivo de tal.
Condições tem, se as conseguirá demonstrar não sei.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Férias

Entro amanhã de férias, pelo que só voltarei a postar em 2006.
Assim, desejo a todos quantos fazem o favor de ler aquilo que escrevo, um feliz Natal e boas entradas...

Soares e Scolari

É inadmissível aquilo que Soares e Scolari, em planos distintos, disseram sobre Cavaco, João Pinto e Baía.
Soares disse, no debate de ontem, que muitos chefes de Governo seus amigos lhe haviam falado das intervenções de Cavaco nos Conselhos Europeus. Depois, quando chamado a revelar o que lhe tinham dito, disse, simplesmente, que nunca o faria.
Scolari disse, em entrevista, que não convocava João Pinto e Baía por razões técnicas e de balneário que nunca revelaria.
Um e outro caso situam-se ao nível da cobardia, da insinuação, da calúnia e da insídia.
É intolerável o que Soares e Scolari procuraram fazer numa e noutra situação - criar a convicção na opinião pública da verificação de factos perniciosos e desfavoráveis para aqueles que visaram, sem que, por falta de concretização, disponham aqueles de possibilidade de ripostarem.
Soares pos em causa a capacidade política de Cavaco, coarctando-lhe, simultaneamente, a possibilidade de contrapor o que quer que fosse, pois Soares não se dignou a concretizar a acusação.
Soares resvalou para a baixa política, revelando baixeza de carácter.
Scolari pos em causa a dignidade, o profissionalismo e o carácter de JVP e Baía, procurando alijar as suas responsabilidades.
Scolari, como em outras ocasiões, revelou o seu carácter cobarde e a sua personalidade mal formada.

Soares/Cavaco

As previsões confirmaram-se.
Soares ao ataque, disparando para todo o lado e Cavaco á defesa, procurando refugiar-se em generalidades.
Ontem, Soares regressou aos velhos tempos, logrando encostar Cavaco ás cordas.
Ao contrário dos outros candidatos, mormente Jerónimo e Louçã, Soares optou por visar a personalidade e o carácter de Cavaco em detrimento da tentativa de desmontar o seu discurso político.
Soares enveredou por uma estratégia de clara confrontação, procurando por a nu as características da personalidade de Cavaco que, em seu entender, o desaconselham para o desempenho do cargo de PR.
Penso que Soares abriu um novo ciclo na campanha presidencial, deixando antever a realização de uma segunda volta, por duas ordens de razões fundamentais.
Pela positiva, porque deu de si uma imagem mais aproximada do Soares de há 30 anos, revelando uma saúde física e mental surpreendentes, demarcando-se do rótulo de " velhinho de 81 anos esclerosado".
Pela negativa, porque destruiu, de certo modo, o mito Cavaco ao apontar as fragilidades do perfil pessoal e político de Cavaco.
Soares mostrou-se hábil ao acentuar que o discurso de Cavaco é exclusivamente económico e que patenteia fragilidades em matérias sociais e políticas.
Cavaco deixou-se conduzir por Soares, o que, ainda mais, o debilitou.
Aliás, Cavaco foi de encontro ás críticas de Soares, pois sempre que interveio fe-lo colocando a tónica do seu discurso em aspectos económicos.
Resumindo, direi que foi um debate interessante, embora longe dos bons e velhos debates televisivos de outrora.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Balanço e Antevisão

Antes das férias natalícias, urge realizar um portfolio de breves esquiços do que tem sido a pré-campanha das eleições presidenciais.
O balanço geral mostra-se fraco.
Ao nível do esclarecimento, a pré-campanha tem sido, aliás como as demais, sofrível.
Os candidatos ou descentralizam a questão e discutem programas de governo, ignorando o papel consitucional do PR, ou apresentam declarações genéricas de intenções, vagas e/ou vazias de conteúdo, ou escudam-se em silencios mais ou menos comprometedores, sendo neste ponto o candidato Cavaco Silva o mais eloquente.
Nesta pré-campanha marcada, inevitavelmente, pela crise do País, os candidatos, embora sabedores que pouco poderão influenciar a governação, tem-se visto forçados a corresponder ás expectativas geradas na opinião pública e cada um à sua medida e imagem, procura capitalizar o sentimento de insatisfação reinante, discorrendo sobre as soluções para vencer os problemas.
Ora, não sendo esse o papel constitucional do PR, a discussão resulta, inexoravelmente, inquinada.
Ainda assim, a perfomance dos candidatos apresenta cambiantes curiosas.
Cavaco na sua postura de homem providencial, tem alternado entre o silencio, o enfatizar do divisionismo á esquerda e o acentuar da preocupação dos restantes candidatos consigo.
Cavaco, com o seu conceito de cooperação estratégica, tem sido aquele que confere uma visão mais presidencialista ao nosso modelo constitucional. Cavaco, na busca de arrebatar a desilusão social, promete ser mais do que um mero árbitro, apresentando-se como um verdadeiro chefe de governo que irá conduzir os destinos do País do alto do seu magistério presidencial.
Soares é Soares, hoje mais do que nunca o "bochechas".
A sua bonomia, a sua afabilidade, a facilidade de contacto mediático, ainda fazem de Soares um animal político.
No discurso, todavia, já se notam os efeitos da idade.
Alegre é, quanto a mim, a maior desilusão da pré-campanha.
Surgiu pujante na apresentação da sua candidatura, mas assim que começou a falar, revelou toda a pobreza do seu discurso e das suas ideias.
Alegre desperdiçou parte substancial do capital de simpatia que havia granjeado e caminha, a passos largos, para o definhamento final da sua candidatura.
Aliás, as suas últimas intervenções, vitimizando-se, só contribuem, ainda mais, para tal destino.
Prevejo que terá, inclusive, dificuldades em atingir os votos necessários para obter a subvenção estatal.
Jerónimo tem procurado o aggiornamento do discurso e denota uma preocupação de estadista moderado surpreendente.
Louçã é Louçã, o Portas da esquerda.
Por fim, quanto ao debate de hoje, antevejo um Soares a quebrar todas as regras estabelecidas, interrompendo Cavaco a cada oportunidade, por forma a procurar embaraçar e desmontar o discurso mecanico de Cavaco. Soares vai recordar os tempos de governação cavaquista e a coabitação dificil que com ele teve, acentuar as fragilidades culturais e sociais de Cavaco, para concluir pela ausencia de perfil para desempenhar as funções de PR.
Cavavo estará fiel a si próprio, reservado, calculista e tentando dizer o mínimo possível.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Rescisões no Setúbal

Depois de Dembelé ter rescindido por salários em atraso, hoje foi a vez do guarda-redes Fabien, do defesa José Fonte, do médio Diakité e do avançado Tchomogo avançarem para a rescisão de contrato, pelo que o Vitória de Setúbal conta agora com menos cinco jogadores para a recepção ao Benfica.

O presidente do Sindicato dos jogadores, João Evangelista, em declarações à Antena1, confirmou a rescisão dos jogadores em questão: «Rescindiram mais quatro jogadores para além de Dembelé, ou seja, Fonte, Tchomogo, Diakité e Fabien.»
João Evangelista assegura ainda que agora já não podem voltar a trás: «Estas rescisões são irreversíveis, porque a partir do momento em que o jogador cessa o contrato de trabalho não é possível voltar a trás. A partir daqui o que se vai decidir é quem tem razão.»

O primeiro jogador a rescindir contrato com o V. Setúbal já encontrou novo clube. O médio Dembelé assinou contrato válido por ano e meio, com mais um de opção, com o Standard de Liège.

A restante Jornada

Vitória normal do FCP perante aquela que será, na minha opinião, a pior equipa do campeonato.
O Penafiel, ainda por cima amputado da sua maior estrela N´Doye, revelou ser uma equipa de uma debilidade confrangedora- centrais como Wellington e Odaír já não se usam, só para citar os exemplos mais gritantes.
Na Figueira, num jogo fraco, fraquinho mesmo, o SCP venceu a Naval, provavelmente a segunda pior equipa da Liga.
Sem precisar de forçar muito, o SCP conseguiu uma vitória fácil perante uma Naval pouco mais do que inofensiva.
Em Braga, a minha Briosa foi, claramente, prejudicada por uma arbitragem miserável de Pedro Proença.
Se certo será que Pedro Proença é um bom árbitro, igualmente certo me parece que sucumbe á mínima pressão que sobre si é exercida.
Na semana que antecedeu o jogo, na sequencia de um processo crime instaurado por Pedro Proença, tres jogadores do Braga foram constituídos arguidos. O Braga, muito justamente, requereu a substituição do árbitro. A comissão de arbitragem da Liga não deferiu o peticionado, mantendo a nomeação.
Resultado - péssima arbitragem de Pedro Proença incapaz de resistir á pressão.
Tal como quando arbitra o SLB, de quem se disse adepto, Proença, incapaz de lidar com tal facto, na busca de uma suposta imparcialidade, acumula erros, atrás de erros, resvalando para patamares sofríveis.
São já mais do que muitos os equívocos de Luís Guilherme, impondo-se a sua demissão de imediato.
No restante, uma referencia para a esperada demissão de Norton de Matos, atento o insustentável clima que se gerou entre si e o Presidente, bem como para a nítida subida de produção do Guimaraes com Vítor Pontes ao leme.
Aliás, o Vitória será, quanto a mim, a surpresa da segunda volta, ainda estando a tempo de se guindar aos lugares europeus.

SLB/Nacional

Julgo que os meus fiéis leitores estarão, no mínimo curiosos, para ler a minha apreciação do jogo SLB/Nacional.
Direi que se tratou de uma partida típica da Liga entre uma equipa grande que recebe no seu reduto uma equipa de menor dimensão.
A equipa grande em ataque continuado, com supremacia na posse de bola e a equipa pequena acantonada no seu meio-campo, espreitando o contra-ataque.
Foi este o desenho do jogo.
O jogo dealbou com o SLB em 15 minutos de excelente nível, a que se seguiu meia hora de equilíbrio.
Na segunda parte, o Nacional arriscou um pouco mais, vindo a ter uma magnífica oportunidade de golo que culminou com um remate á barra de Nuno Viveiros.
Logo após, o caso do jogo.
A generalidade da crítica mostra-se unanime na afirmação da existencia de falta no lance do golo do SLB.
Embora aceite que essa seja a mais imediata reacção á visualização do lance, não concordo.
Passo a ensaiar a explicação - me parece que, não obstante a existencia de contacto entre Diego Benaglio e Luisão, terá sido promovido pelo guardião nacionalista e não o contrário.
Quando se verifica o contacto, já Luisão se elevou e conquistou o espaço aéreo indo Diego ao seu encontro e, dessa forma, se dando o choque entre os dois.
Aliás, Diego só não consegue socar a bola, exactamente, por ter procurado o contacto com Luisão, olvidando a trajectória daquela.
O contacto é evidente, mas, no meu entender, foi promovido pelo guarda-redes do Nacional, assim, inexistindo falta a sancionar.
Muito mais clara foi a falta verificada na área nacionalista sobre Luisão, por carga de Ávalos.
Nessa ocasiao, Ávalos não procura jogar a bola e encavalita-se sobre Luisão, derrubando-o. Penalty claro que ficou impune.
Por outro lado, o critério disciplinar de Jorge Sousa deixou muito a desejar.
Expulsou Alcides que fez, apenas, duas faltas, curiosamente ambas a merecer a exibição de cartao amarelo.
De igual bitola não usou o árbitro sobre Chainho e André Pinto.
Chainho, depois de ter já visto um cartão amarelo, puxa, agarra e derruba Mantorras, impedindo o desenvolvimento de um ataque rápido do SLB - lance para cartão amarelo, que sendo o segundo acarretaria expulsão.
André Pinto em disputa de bola com Petit, esbofeteia-o - lance para cartão vermelho directo.
Tudo visto, me parece que a vitória do SLB foi justa.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Sorteio da Champions

Benfica-Liverpool nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões
O Benfica vai defrontar o Liverpool, actual detentor do título, nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões de futebol, segundo ditou o sorteio efectuado hoje na sede da UEFA em Nyon, Suíça. A equipa portuguesa realiza o jogo da primeira «mão» no Estádio da Luz a 21 ou 22 de Fevereiro.

O encontro da segunda «mão», agendado para Liverpool, realiza-se a 7 ou 8 de Março.O grande embate destes oitavos-de-final, por efeito do sorteio, vai ser derimido entre as duas maiores potências do actual futebol europeu, Chelsea e Barcelona.
Os jogos:
Chelsea (ING)-Barcelona (ESP)Real Madrid (ESP)-Arsenal (ING)Werder Bremen (ALE)-Juventus (ITA)Bayern de Munique (ALE)-AC Milan (ITA)PSV Eindhoven (HOL)-Lyon (FRA)Ajax (HOL)-Inter de Milão (ITA)BENFICA (POR)-Liverpool (ING)

5º e 6º Debates

O debate entre Soares e Alegre redundou numa vitória retumbante do primeiro.
Na verdade, não obstante Soares não seja o mesmo de há vinte anos, certo é que o actual Soares chegou e sobrou para colocar a nu todas as fragilidades já apontadas á candidatura de Alegre.
Soares subjugou Alegre, chegando a ser confrangedor assistir ás intervenções de Alegre.
Aliás, o desnorte de Alegre atingiu ponto tal que afirmou dissolver a assembleia caso fosse aprovada a privatização das águas, quando, na sua veste de deputado, votou favoravelmente a Lei-Quadro da água que, expressamente, preve essa possibilidade.
Soares está gasto, mas não perdeu todas as suas faculdades e as que tem são mais do que suficientes para embaraçar um Alegre, claramente, impreparado.
No debate Jerónimo/Louçã, assistiu-se a um namoro surpreendente.
Não raro assistiu-se a mútuos acenares de cabeça concordantes e ao apontar de caminhos convergentes de actuação.
Sabendo-se da tradicional acrimónia entre PCP e BE não deixa de ser deveras relevante.
Jerónimo, uma vez mais, acentuou os predicados já antes explanados.
Jerónimo, aquando da sua investidura como secretário-geral do PCP, surgia como o ortodoxo entre os ortodoxos. Volvido que está mais de um ano, Jerónimo aparece como o renovador dos renovadores comunistas.
Sintomática foi a intervençao em que se dirigiu ao empresariado.
Curiosas foram as intervenções finais de ambos os candidatos - Jerónimo dirigiu-se a um eleitorado mais próximo do BE e Louçã aos votantes comunistas.
Em síntese, direi que, no momento actual da pré-campanha, Soares ultrapassou, inexoravelmente, Alegre,
Jerónimo e Louçã discutem taco a taco o 4º lugar, sendo certo que, atento o declínio acentuado de Alegre, poderão, talvez, aspirar a algo mais.
A realização de uma segunda volta parece-me, de igual forma, uma realidade.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Árbitros para a próxima jornada

Coincidência ou não, três árbitros do Porto foram nomeados pela Comissão de Arbitragem da Liga para dirigir os jogos dos grandes da próxima jornada.
Um internacional e dois não internacionais, embora um deles, Jorge Sousa, esteja perto de receber as insígnias da FIFA (em princípio, no final deste mês).
A abrir a jornada, na sexta-feira, na Figueira da Foz, estará Paulo Paraty. O internacional portuense apitará pela segunda vez cada um dos intervenientes. Na sétima jornada esteve no Sporting-Académica e na terceira tinha apitado a Naval na Amadora. Lesionado até princípios de Novembro, Jorge Sousa dirige, na Luz, o segundo jogo da Liga principal, duas semanas depois de ter estado no Guimarães-Leiria.
No segundo ano de primeira categoria, Artur Soares Dias foi escolhido pela primeira vez para dirigir um encontro de um grande. O "baptismo" do árbitro portuense está marcado para este sábado, no Dragão, para arbitrar o FC Porto-Penafiel.
Das nomeações para a ronda deste fim-de-semana merece destaque a escolha do algarvio Nuno Almeida para um sempre escaldante Boavista-Guimarães e a estreia do lisboeta Nuno Afonso em jogos da Liga: vai apitar o Rio Ave-Gil Vicente.

5º Debate

Já se vai tornando repetitivo, mas tenho de o dizer - o debate de ontem foi mais do mesmo.
No entanto, algumas notas se impõe referir.
Desde logo, a postura de Cavaco Silva - num modelo em que as suas debilidades ao nível da retórica argumentativa surgem mais esbatidas, Cavaco tem vindo a aparecer mais solto, procurando dar de si uma imagem mais arejada, menos tecnocrática.
Ontem, Cavaco demonstrou que, em matéria de economia, se sente como peixe na água. Este é o seu habitat natural e aí o Professor revela conhecimentos profundos.
Assim, como o debate se centrou, na sua esmagadora maioria, em questões económicas, Cavaco não teve dificuldades de maior em abordá-lo.
Apenas num segmento económico Cavaco foi surpreendido pelo seu oponente, qual seja as privatizações.
Nesse particular, Cavaco viu-se forçado a reconhecer que a sua posição não era mais do que meramente retórica, mostrando-se impossível de concretizar a primeira das premissas que enunciou em relação ás privatizações - a manutenção das empresas em mãos nacionais.
Se, por um lado, normas europeias a isso obstam, por outro a experiencia anterior, mormente dos seus governos, demonstrou precisamente o contrário - ainda que, num primeiro momento, se tenha conseguido alienar empresas públicas a privado nacionais, em pouco tempo estes venderam-nas a estrangeiros.
No que concerne ás privatizações, restou por saber o essencial - se Cavaco dará o seu aval à alienação de empresas públicas de sectores estratégicos do Estado e da economia, designadamente das águas e das energias.
Aliás, esta constatação parece-me sintomática do paradigma de abordagem dos debates por parte de Cavaco - refugiar-se em generalidades, pouco aprofundando as matérias para, deste modo, se colocar a salvo de ataques dos seus adversários e, consequentemente, conservar a margem de distancia de que dispõe.
Não obstante, Cavaco procurou conquistar votos á esquerda - focalizou o seu discurso em preocupações sociais, não tendo sido dispiciendas as duas referencias que fez a Setúbal.
Quando o debate navegou em matérias não económicas, Cavaco, uma vez mais, revelou uma incomodidade gritante.
No momento em que se falou da legalização da prostituição e dos direitos das mulheres, Cavaco tremeu, apenas tendo conseguido balbuciar algumas palavras sobre a matéria.
Aqui, o recurso ao exemplo familiar demonstrou bem a sua impreparação e inabilidade para abordar tais assuntos.
Jerónimo, continuou na senda do debate anterior, se bem que não tenha conseguido atingir o seu principal desiderato - desmontar o discurso de Cavaco.
Jerónimo surpreendeu ao mostrar-se favorável ao TGV, ao choque tecnológico e ao investimento privado estrangeiro, revelando o seu esforço de aggiornamento do seu pensamento e do seu discurso políticos.
Jerónimo preocupou-se em apresentar uma postura de Estado, própria de um candidato a PR, que se lhe permite capitalizar votos e granjear simpatias, de igual forma o agrilhoa, impossibilitando o confronto directo com os seus oponentes.
Foi visível a sua tentativa de não hostilizar deliberadamente Cavaco, fugindo do estilo sindicalista e adoptando uma postura de regime.
Diga-se que tal ficou bem patente quando chamado a pronunciar-se sobre a "verdade" do discurso social de Cavaco se socorreu de uma citação filosófica que serviu, plenamente, os objectivos que se propunha atingir - a verdade da mentira - sem que tenha tido necessidade de recorrer a um discurso de comício ou de plenário de trabalhadores.
Contudo, dessa forma, auto-coarctou as suas possibilidades de embaraçar e desmontar o discurso de Cavaco de forma mais evidente e eficaz.
No computo geral, Jerónimo apenas nas privatizações e no enfatizar do discurso omissivo de Cavaco em relação aos direitos das mulheres logrou, verdadeiramente, perturbar Cavaco.
Referencia final para a péssima prestação de Rodrigo Guedes de Carvalho - não pareceu estar lá, tendo distorcido uma intervenção de Cavaco - pelo menos reconheceu a má interpretação - e atribuído uma posição política a Jerónimo sobre a legalização da prostituição diametralmente oposta à do candidato - a favor quando se sabe que é contra.

terça-feira, dezembro 13, 2005

4º Debate

Já começa a ser repetitivo, mas a César o que é de César - o debate de ontem foi mais do mesmo.
O modelo masturbatório, na metáfora do amigo Carlos, redunda em conferencias de imprensa paralelas dos candidatos presentes.
Passemos á análise possível.
De forma singela, o debate de ontem pode ser designado como o debate "sound byte".
Na verdade, Alegre e Louçã limitaram-se a apresentar frases choque sobre os assuntos em discussão.
Todavia, se Alegre á míngua de retórica argumentativa por aí se fica, demonstrando uma total inabilidade para discorrer sobre as questões colocadas, já Louçã, senhor de outros predicados, envereda por tiradas demagógicas e populistas.
Exemplo maior terá sido a vontade expressa de dissolver o parlamento regional madeirense e, assim, demitir Alberto João.
Encontro-me nos antípodas do discurso e da prática política do líder madeirense, mas daí até ter por legitima a subversão do sistema democrático vai uma grande distancia.
Dissolver um parlamento democraticamente eleito, por discordar politicamente das suas decisões, não me parece próprio das regras democráticas e do sistema constitucional instituído.
O desenho constitucional da figura do PR não lhe permite tomar decisões ancoradas no seu livre arbítrio político, antes supõe e exige a sua fundamentação jurídico-constitucional.
Dizer-se que Alberto João Jardim põe em causa o regular funcionamento das instituições democráticas é argumento que não colhe, desde logo, porque as urnas o desmentem.
Mal ou bem o exercício de cargos governativos em Portugal acha-se condicionado por regras democráticas electivas, as quais não podem ser postergadas por uma pseudo superior consciencia libertária.
Comparar a dissolução do Parlamento promovida por Sampaio a tal decisão é, para além de demagógico, falacioso.
Ainda que existisse uma maioria parlamentar, o Primeiro-Ministro de então não tinha sido sufragado e o clima instalado na sociedade portuguesa fazia, de facto, perigar o normal andamento do País.
Nessa ocasião, a dissolução teve por base uma fundamentação jurídico-constitucional.
Louçã, mais uma vez, arvorou-se na consciencia moral do regime, assumindo-se como a esquerda da esquerda. Homem impoluto de uma candura de valores e princípios acima do comum dos mortais.
Arnaldo de Matos assumiu-se, após o 25 de Abril, como o educador da classe operária, Louçã será, hoje, o educador moral da Nação, o vingador das injustiças (aqui se aproximando de Paulo Portas).
Voltando a Alegre, direi que a sua candidatura dá mostras de empalidecimento, de se estar a desmoronar.
A aura inicial de candidatura de protesto, exterior ás lógicas partidárias, perdeu fulgor com a entrada em cena do candidato.
Enquanto Alegre não foi Alegre, mas sim o ser corporizante do descontentamento social face ao Governo e á forma de fazer política, arrebatou apoios e os votos virtuais das sondagens.
Quando Alegre saiu da penumbra e teve de assumir o discurso político, entrou numa tendencia inexorável de queda.
Para mim, é claro hoje que, a existir segunda volta, será entre Soares e Cavaco.
Alegre não soube capitalizar a simpatia que granjeou, precisamente pelas antinomias da sua candidatura.
Para lá das debilidades dialecticas de Alegre, certo é que Alegre não estava em condições de corporizar os desafios postos por uma candidatura tida por diferente e diferenciada.
Alguém que sempre obedeceu ás lógicas partidárias, que sempre foi um homem do aparelho, que sustentou as diferentes soluções políticas dos sucessivos governos PS, nunca poderia encetar a ruptura suposta pela imagem construída em torno da sua candidatura - seria a quadratura do círculo.
Alegre está num beco do qual não dispõe nem de passado, nem de élan ou estofo políticos para sair.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Mercado

Segundo o site italiano Calciomercato, Inter e Milan estão interessados em Nélson.
Ainda segundo aquele site, Nélson tem contrato até 2010 e clausula de rescisão de 25 milhões de euros.
Calciomercato noticia, igualmente, o interesse do Valencia em Lisandro Lopez e Pisculicchi, tido por certo no Sporting, é pretendido pelo Cádiz.

Mercado

Saint-Étienne oficializa empréstimo de Hélder Postiga
Hélder Postiga vai representar o Saint-Étienne até final da presente temporada, por empréstimo do FC Porto, de acordo com o anunciado, esta manhã, pelo clube que milita na primeira divisão francesa.

O site oficial do Saint-Étienne informa que o internacional português é esperado em França «a meio desta semana», a fim de realizar os habituais exames médicos que antecedem a assinatura do contrato. Se tudo correr conforme o previsto, o avançado deverá juntar-se aos seus novos companheiros após a pausa de Inverno, começando a treinar a 27 de Dezembro.

Presidenciais - Nota

Não farei hoje o habitual comentário ao debate de sexta-feira entre Louçã e Cavaco, dado que ao mesmo não assisti.

Mais um favor do Costa

A próxima jornada preve um FC Porto/Penafiel.
Como em outras situações esta época, por forma a prevenir eventuais "problemas", o Sr. António Costa tratou de acautelar os interesses do FC Porto.
No jogo de ontem entre Penafiel e Vitória, num lance a meio-campo em que N´Doye tenta controlar a bola com o peito acaba por tocá-la com a mão. Vai daí, Costa, expedito, ve no lance a oportunidade ideal de cumprir o serviço - exibe o segundo amarelo e consequente vermelho.
Para quem não viu, faça o favor de ver - é ridículo, quiçá indecoroso.
O desgraçado do N´Doye nem queria acreditar em tamanha injustiça.
Pagou o preço de ser o melhor e mais perigoso jogador do Penafiel.
Lá está a paridade...

Singularidades Lusas ou talvez mais...

No ínicio da época, os clubes, reunidos em Assembleia Geral, aprovaram alterações aos regulamentos das competições da Liga, nomeadamente no que se refere á utilização de jogadores emprestados.
Consignou-se que os clubes cedentes não podiam inserir nos contratos de cedencia temporária de futebolistas qualquer cláusula de proibição de utilização dos jogadores a emprestar nas partidas que disputassem com os clubes beneficiários do empréstimo.
Procurou-se maior verdade desportiva e concorrencia mais leal.
Todavia, este fim de semana, Maciel jogador emprestado pelo FC Porto ao Leiria, sem que se achasse lesionado ou castigado, não foi utilizado pelos leirienses.
Seria sempre possível argumentar ter sido por opção técnica.
Contudo, durante a semana, foram mais do que muitas as notícias em torno da utilização de Maciel, dando nota das diligencias encetadas por João Bartolomeu junto de Pinto da Costa no sentido de este permitir a utilização do jogador.
Do que se apurou através dos media, existiria um acordo de cavalheiros entre Leiria e Porto no sentido da proibição da utilização de Maciel.
Parece-me inacreditável e atentatório da verdade da competição.
Este é o nível do dirigismo desportivo em Portugal.
Para que legislar, pergunto eu?!
A paridade regulamentar é realidade desconhecida de J.N.Pinto da Costa ou não fosse disso exemplo o processo apito dourado.

Análise da Jornada

O SLB com mais uma exibição de raça e querer venceu com inteira justeza o Boavista.
Neste jogo, o SLB acrescentou aos predicados evidenciados anteriormente, uma qualidade de jogo apreciável.
Demonstrando uma saúde física invejável, o SLB dominou todo o jogo, reduzindo o Boavista a papel de mero figurante.
Pressionando a todo o campo, evidenciou uma organização defensiva exemplar que constituiu a mola impulsionadora de uma ataque massivo á área do Boavista.
Com Nuno Gomes no papel de pivot da manobra ofensiva e com Geovanni no papel de ponta de lança, a qualidade do futebol de ataque do SLB merecia números mais expressivos no marcador.
Realço pela negativa os assobios a João Pinto, os quais não subscrevo minimamente, pois foi sempre um jogador que, ao serviço do SLB, deu tudo de si em prol do clube, tendo sido escorraçado de forma vil por Vale e Azevedo.
Em Leiria, o FC Porto acabou por ser feliz.
Ainda que o Leiria tenha sempre demonstrado falta de critério e qualidade no passe, especialmente no último terço do terreno, o FC Porto beneficiou de dois golos de rajada para dar a volta ao marcador e, assim, tranquilizar-se.
Tais golos foram mais consentidos do que mérito de acções ofensivas dos Dragões, sendo o primeiro um auto-golo e o segundo um frango de Costinha (aliás habitual em jogos em que defronta o FCP).
Em Alvalade, assistiu-se a um daqueles jogos em que a equipa da casa podia estar dez anos a tentar marcar que nunca chegaria ao golo.
O Estrela teve a sorte do jogo, certo sendo que neste género de encontros, em que a disparidade de valores entre as equipas é incomensurável, tal constitui a única forma de um pequeno ganhar a um grande.
No duelo de treinadores de risco ao meio, Toni saiu vencedor face a um Paulo Bento que sofreu um duplo revés - a derrota e o penalty desperdiçado por Liedson.
A AAC com um exibição confrangedora, mormente na primeira parte, conseguiu arrancar um empate frente ao Rio Ave.
Quando se pensava que a subida na tabela poderia permitir terminar com a intraquilidade da equipa, emergindo um futebol de outra qualidade, a AAC, uma vez mais, patenteou um futebol sem nexo, sem chama que, apenas, a ingenuidade de Niquinha no Penalty possibilitou evitar a derrota.
É urgente que Nelo Vingada reveja as suas opções do onze inicial ás substituições, tendo permanecido para todos quantos assistiram á partida um mistério a saída de Brum e a manutenção em campo de Zada (uma nulidade ao longo de todo o jogo).
Nos restantes jogo, realce para as vitórias de Nacional e Vitória e para a derrota do Braga.
No que concerne ao Braga espero e desejo que continue na senda dos maus resultados, na meida em que recebe a Briosa no próximo sábado (embora não partilha da opinião que se encontra em queda inexorável na tabela, pois a qualidade do plantel é por demais evidente).

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Chicotada

Aí está a sexta «chicotada psicológica» da temporada. Jaime Pacheco deixou de ser treinador do Vitória de Guimarães, após reunião, realizada na passada madrugada, com o presidente do clube.

ASF Os maus resultados averbados pelos vimaranenses no campeonato, onde ocupam a penúltima posição da tabela classificativa, revelaram-se «fatais» para Jaime Pacheco, que também não foi feliz na fase de grupos da Taça UEFA (duas derrotas e um empate).Com Jaime Pacheco saem também os «adjuntos» Vítor Nóvoa e António Natal, cabendo a Basílio Marques, antigo jogador do clube, orientar a equipa no jogo do próximo domingo frente ao Penafiel.Está, assim, consumada a sexta «chicotada psicológica» no campeonato, depois de Rui Rodrigues (Marítimo), José Gomes (U. Leiria), José Peseiro (Sporting), Carlos Carvalhal (Belenenses) e Manuel Cajuda (Naval).

O 2º Debate

Ainda que se tenham mostrado inalterados os pecadilhos apontados á organica dos debates, o segundo dos debates televisivos sempre foi mais dialéctico e vivo.
Soares apareceu no seu estilo de sempre, procurando emprestar dinamica e vivacidade ao confronto.
Todavia, os anos não perdoam e Soares não é mais o animal político de outrora.
Na verdade, Soares é, hoje, uma pálida imagem do homo politicus que foi, deixando a nu as mazelas da idade.
As constantes pausas no discurso, os enganos e a necessidade de, no final, recorrer á cabula não correspondem ao Soares de sempre, mas apenas ao da actualidade.
Mantém vivas algumas características que o alcandoraram á categoria de mito em debates televisivos, como a bonomia, a perspicácia, a verbe e a inteligencia.
Contudo, tais características emergem empobercidas pelo passar dos anos e suas inevitáveis consequencias.
Soares revelou-se, acima de tudo, inteligente - piscou, claramente, o olho ao eleitorado comunista para uma, por si, muito desejada segunda volta, ao mesmo tempo que apresentou uma postura de estadista experiente muito do agrado do eleitorado moderado do centro.
Aliás, Soares parece querer inverter o rumo da sua campanha, substituindo o discurso de crítica constante a Cavaco por um discurso empático de garante da estabilidade e de prevenção da conflitualidade social.
Para o homem providencial, responde Soares com o homem estabilidade.
A declaração final de Soares, ainda que pobre, foi reveladora das suas intenções futuras.
Pormenor curioso e sintomático repousou na frase inicial da sua declaração final - "Sou um Presidente (...)".
Jerónimo de Sousa, depois da afonia no debate das legislativas, superou-se.
Apareceu com um discurso coerente, bem estruturado, bem pensado, defendendo o seu modelo social.
Jerónimo mostrou-se um aluno com o trabalho de casa muito bem feito - conhecimento consistente dos dossiers e discurso conforme. A tónica constitucional do seu discurso parece-me virtuosa, pois permite-lhe marcar as suas posições sem ter de atacar, de forma explícita, os restantes candidatos de esquerda.
Jerónimo deixa, deste modo, em aberto um lastro de entendimentos á esquerda que, do ponto de vista dos propósitos da sua candidatura, não são dispiciendos.
Jerónimo é um case study na política portuguesa.
Se há um ano transparecia uma imagem austera, uma linguagem pobre, muito marcada por clichés do PREC (a famosa cassete), hoje irradia simpatia e o seu discurso político evoluiu e muito no sentido do seu aggiornamento.
Jerónimo não dispensa o fato, o cabelo aprumadinho e preocupa-se com a saliva no canto da boca, demonstrando que o PCP fez um notável trabalho de Marketing Político com repercussões eleitorais.
Aliás, o capital de simpatia que Jerónimo cativou no eleitorado a tal muito se deve.
As diferenças para Carvalhas são colossais - se este apenas balbuciava, e mal, algumas palavras sobre as questoes que lhe colocavam, Jerónimo é firme na defesa das suas posições, revelando já um discurso com alguma desenvoltura.
Jerónimo não hostilizou Soares, pouco o criticou, procurando lançar a ponte para um futuro apoio que, assim, surgirá aos olhos do seu eleitorado como menos doloroso.
Não foi um debate por aí além, mas foi, sem sombra de dúvida, muito melhor que o anterior.

Sublime

Inolvidável, inesquecível, memorável.
Na última quarta-feira, revivi as emoções das grandes noites europeias do SLB.
Depois da Final da UEFA em 82, das duas Finais da Taça dos Campeões Europeus contra PSV e Milan, o jogo contra o Manchester ficará gravado a letras de oiro na história do SLB.
Como aqui tinha deixado expresso, o sonho era possível e tornou-se realidade.
O SLB demonstrou uma indomável vontade de vencer e de superação, as quais redundaram numa vitória inteiramente justa, merecida e incontestável.
Só uma equipa com forte espírito de corpo seria capaz de remontar um golo sofrido a frio e alcandorar-se a patamares de excelencia como os observado na quarta-feira.
Uma defesa de betao, com Luisão e Anderson em plano de supremo destaque, anulando completamente Rooney e Nistelroy, um meio-campo todo-o-terreno, com Petit e Beto insuperáveis na entrega, no querer e na raça, um ataque inspirado, com Nuno Gomes magnífico a catalisar a manobra ofensiva da equipa, com Nélson virtuoso a assinar assistencias para os companheiros e com Geovanni letal a desbaratar a defesa do Manchester e a facturar.
Como nos filmes, deu-se a redenção dos patinhos feios - Beto e Geovanni -.
Confirmaram-se, em absoluto, os considerandos expostos na antevisão da partida.
Agora, é tempo de não embandeirar em arco e manter os pés no chão.
O jogo de Domingo será o mais difícil da temporada porque será inevitavelmente marcado pela onda de euforia que se vive.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Árbitros para a próxima jornada da Liga

Sporting CP E. Amadora
João Vilas Boas
Nacional Maritimo
Carlos Xistra
U. Leiria FC Porto
Pedro Henriques
Académica Rio Ave
Rui Costa
Gil Vicente Naval
Artur Soares Dias
Penafiel V.Guimarães
António Costa
P.Ferreira Braga
Hélio Santos
SL Benfica Boavista
Lucílio Baptista
V.Setubal Belenenses
Paulo Baptista

Humor

Dias Ferreira a propósito dos penalties por assinalar no clássico no Dragão proferiu esta verdadeira péola linguística - " isso é vice-versa ao contrário."

Champions - Encontro de Diabos Vermelhos

Espero e desejo que o SLB vença e, assim, se qualifique para a próxima ronda da Champions.
Tenho um feeling secreto que tal acontecerá, porque perguntam voces.
Porque o SLB vai jogar desfalcado das suas principais figuras, respondo eu paradoxalmente.
Embora contraditória a afirmação é justificada - passo a tentar explicar.
Não jogando as principais figuras, as expectativas são diminutas e, como tal, diminiu a pressão.
Não jogando as principais figuras, jogam segundos planos ávidos de reconhecimento.
Não jogando as principais figuras, o favoritismo é todo do Manchester e, como tal, a pressão aumenta.
Não jogando as principais figuras, a ansiedade dos adeptos pelo golo será menor e, como tal, mais pacientes estarão e, logo, mais receptivos a aceitar o erro.
Não jogando as principais figuras, os adeptos reconhecerão ser o seu incondicional e incessante apoio imprescindível.
A isto acrescem as debilidades da defesa do Manchester - lenta e dura de rins - e um meio-campo tenrinho.
Tudo somado, são factores não dispiciendos a considerar e que me fazem acreditar.
Agora, existe o reverso da medalha -
Não jogando as principais figuras, a probabilidade de marcar e, como tal, de ganhar desce consideravelmente.
Não jogando as principais figuras, jogarão atletas menos capazes, menos experientes e, porventura, mais sujeitos á pressão inerente a estes jogos.
Não jogando as principais figuras, a susceptibilidade de errar é maior.
A isto acresce a inegável qualidade ofensiva do Manchester.
Força SLB.

Paulo Pedroso

Paulo Pedroso, segundo notícias na imprensa, prepara-se para accionar judicialmente o Estado Portugues.
Tal pleito judicial reporta-se á situação de prisão preventiva que viveu.
Me parece que não lhe assiste, de todo em todo, razão.
Pedroso foi não pronunciado pela prática de crimes de abuso sexual de crianças internadas na Casa Pia, decisão, entretanto, confirmada pelo Tribunal da Relação de Lisboa.
Quer o despacho de não pronúncia, quer o Acórdão da Relação mostram-se conformes na afirmação da inexistencia de indicios da prática dos aludidos crimes.
Todavia, tal não significa que nao tenha cometido tais crimes, apenas significa que, de um ponto de vista processual, no entender dos Magistrados chamados a decidir em sede de instrução e de recurso não foram recolhidos indícios tidos por suficientes de que o tenha feito.
No sistema processual penal portugues o que torna um facto provado é a convicção do julgador (entendido este na sua acepção mais lata). Claro está que se postula a imprescindibilidade de fundamentação de tal convicção.
A Juiz de Instrução e os Desembargadores entenderam que os depoimentos das alegadas vítimas não mostravam força probatória suficiente para que se afirmasse a existencia de indícios suficientes, quer por apresentarem incongruencias e contradições, quer por o conjunto dos elementos probatórios recolhidos os contrariarem.
Os Magistrados do MP e o Juiz de Instrução Rui Teixeira entenderam que os depoimentos das vítimas apresentavam coerencia e credibilidade suficientes para que Pedroso fosse sujeito a Julgamento.
Por outras palavras, conferiram relevo probatório diferenciado a uma mesma realidade daí decorrendo soluções jurídicas, obviamente, distintas.
Esta será a crua análise da situação perspectivada de um simples paradigma jurído-processual.
Contudo, a questão não é tão singela.
Por que razão se desprezaram os depoimentos das vítimas que, simultaneamente, serviram para sustentar a pronúncia de outros arguidos - os depoimentos e as personalidades de quem os produzem não nos parecem assim tão facilmente cindíveis.
Ou bem que são dotados de credibilidade ou não - dizer-se que este segmento é credível e aquele não é parece-me difícil. Em nome de quem e do que resvalou a credibilidade da vítima - da cabala responderá Pedroso.
Mas qual cabala, pergunto eu.
A teoria da cabala parece-me, ainda mais, fantasiosa que a teoria da bala mágica que perfurou por diversas vezes o corpo de Kenedy.
Quem era Pedroso?! - ex-secretário de Estado e Ministro e número 2 do PS.
Será que seria um personagem de tal modo perigoso para os seus adversários que motivasse a criação de uma maquinação tão vil - julgo que não.
Seria para atingir Ferro e o PS - julgo que não.
A liderança de Ferro nunca foi de molde a causar temor aos seus adversários e, na ocasião, existia uma maioria estável no Governo que o PS não acossava de forma alguma.
Mas admitindo que sim, quem seria a mente pérfida capaz de instrumentalizar um conjunto de jovens, os quais, ainda hoje, talvez em nome da cabala que se não fazia sentido ontem, hoje muito menos fará, continuam a apontar o dedo a Pedroso como abusador.
Chiça que o homem é poderoso - mesmo politicamente morto, ainda é suficientemente incómodo para que a cabala permaneça activa.
Quem se lembraria de ver no processo Casa Pia a oportunidade perfeita para aniquilar esses monstros políticos Ferro e Pedroso? a quem interessaria tal?
Intentar uma acção por prisão ilegal ou manifestamente injustificada quando, ainda hoje, se é referido como abusador pelas vítimas, parece-me, no mínimo, temerário.
É que o Tribunal que será chamado a pronunciar-se sobre tal acção terá, necessariamente, que reanalisar a prova produzida e poderá chegar a conclusões diversas...

terça-feira, dezembro 06, 2005

Convocados para Champions

Os 18 convocados são:
Guarda-redes: Quim e Nereu
Defesas: Anderson, Luisão, Léo, Alcides, Dos Santos, Nelson, João Pereira e Ricardo Rocha
Médios: Petit, Bruno Aguiar, Nuno Assis, Beto, Geovanni, Hélio Roque
Avançados: Nuno Gomes e Mantorras;

Auto Europa

Parece-me vergonhoso e acintoso o que a Volkswagen se encontra a fazer aos trabalhadores da Auto-Europa.
Estamos a falar da fábrica com maior produtividade do grupo, mas, ainda assim, numa demonstração despudorada de voracidade capitalista, não pretendem aumentar os salários mais do que 2,5%.
Convém lembrar que, em nome do interesse estratégico de tal investimento para Portugal e procurando garantir a subsistencia do seu posto de trabalho, os trabalhadores abdicaram de qualquer aumento nos últimos 2 anos.
O lucro gerado na Auto-Europa ascende a muitos milhares de Euros. Os incentivos fiscais do Governo Portugues foram mais que muitos. Qual o bolso que alberga todo esse capital?! O dos alemães, claro está.
Espero e desejo que haja um minimo de bom senso e a adminstração acabe de uma vez por todas com a chantagem que tem feito a Portugal e aos trabalhadores.
Será que existe Ministro da Economia? se sim, então que apareça e se empenhe na resolução do problema.
Portugal e os trabalhadores da Auto-Europa merecem respeito.

O 1º Debate

Ponto Prévio - Estes debates higienizados que agora inventaram são pão sem sal.
Esta coisa do falas tu, depois falo eu, sem qualquer interrupção, tira-me do sério.
Isto não são debates, mas sim declarações políticas alternadas dos dois pseudo-contendores.
Que saudades do mítico debate Soares/Cunhal do célebre "olhe que não, olhe que não", com o Joaquim Letria e o Mensurado (ao que julgo) a moderar e a fumar (não sou assim tão velho, mas revi na RTP Memória).
As diferenças para esse tempo são colossais - lembro-me do Letria iniciar o debate a proclamar que teria a duração previsível de 2 horas, mas que podia demorar o tempo que os intervenientes quisessem.
Voltando ao impropriamente designado debate, direi que foi mais do mesmo - muito tacticismo, pouca vivacidade e nenhuma novidade.
Cavaco e Alegre lideram os respectivos espectros políticos - Cavaco lidera no global e não tem adversário à direita - e nao estavam dispostos a cometer erros que poderiam revelar-se fatais, fazendo-os perder o capital de simpatia que já alcançaram.
Assim, tudo á defesa, sem rasgos, medindo as palavras e o seu sentido possível.
Cavaco no seu estilo austero que dói só de olhar, afirmou-se, uma vez mais, como Presidente Interventivo, ou seja, no desenvolvimento do seu conceito de cooperação estratégica com o Governo, revelou que pretende comandar o País como bem enfatizou Alegre no seu momento mais positivo do debate.
O grande Timoneiro, o homem do leme, o homem providencial, o D. Sebastião assim será Cavaco.
Aquilo que Cavaco apresenta e diz é um programa de Governo, quiçá procurando corresponder e capitalizar a imagem de homem salvador.
Todavia, tal extravasa e muito os poderes do PR. Cavaco joga com a crise e a necessidade bem lusa do surgimento do tutor providencial que tudo fará e tudo resolverá.
Não o fará, nem o pode, sequer, constitucionalmente fazer.
Alegre continua a ser um poeta de excepção.
O seu discurso é mais sentimental do que político. Aliás, no discurso político Alegre é fraco e titubeante.
Alegre tem, apenas, uma vaga ideia dos dossiers e apregoa generalidades quanto á resolução dos problemas.
Tem um discurso simpático e uma figura de Avo da Heidi que cativa. Depois junta a isto a Marinha Grande que o PS lhe proporcionou (Marinha Grande constituiu para Soares a mola decisiva para passar á segunda volta em 86 - foi agredido) - retirou-lhe o apoio quando antes o havia incentivado a apresentar-se como candidato.
Este parece-me o grande trunfo de Alegre - passar a imagem que corre por fora das máquinas partidárias e do sistema.
O debate não foi ganho por ninguém - ninguém o queria ganhar, ambos, apenas, não o queriam perder. Mas, Cavaco retirou mais dividendos. A forma como os debates estão construídos favorece-o.
Sem confronto directo, Cavaco refugia-se, pouco diz e ganha ou por outra não perde votos.
Alegre não percebeu ou não quis perceber isso - limitou-se a gerir, não afrontou Cavaco e procurou demonstrar sentido de Estado para ganhar votos ao Centro.
A única intervenção de Alegre marcadamente ideológica centrou-se na Guerra do Iraque e por aí se ficou.
Aliás, espelho fiel de tal radicou na circunstancia de as diferenças entre esquerda e direita não terem emergido.
Tudo como dantes, Quartel-General em Abrantes.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Árbitro para Champions

Cabe a um grego, de seu nome Kyros Vassaras, árbitro bem conhecido da «alta roda» do futebol europeu, dirigir o decisivo encontro entre o Benfica e Manchester United, esta quarta-feira à noite, para a fase de grupos da Liga dos Campeões.

Chicotada

Manuel Cajuda já não é treinador da Naval 1.º de Maio. A notícia foi-nos confirmada pelo próprio técnico que não tem sido feliz à frente do plantel da Figueira da Foz.

O treino desta manhã já foi dirigido por dois dos adjuntos de Cajuda, José Carlos e Fernando Mira, notando-se a ausência de Manuel Cajuda, Rui Nascimento e Simão Freitas (preparador físico).«O meu trabalho acabou. Já não sou treinador da Naval», foram estas as palavras que, através do telefone, nos foram proferidas pelo ex-técnico do clube da Figueira, o algarvio Manuel Cajuda.Sabemos que Cajuda se encontrava até há pouco no seu gabinete de trabalho, decerto a arrumar os cacifos antes de provavelmente se reunir com dirigentes do clube podendo eventualmente depois falar em conferência de imprensa.Lembre-se a Naval está há seis jornadas sem vencer e é actualmente o 15.º classificado da Liga.

Camarate

Dúvidas não tenho ou poucas terei que o falecimento dos então primeiro-ministro e ministro da defesa em Camarate tenha sido obra de atentado.
Não alcanço é a querela judiciária da matéria.
Mal ou bem os Tribunais pronunciaram-se pela inexistencia de índicios de crime e decorridos que estão 25 anos tal decisão, fruto de regras processuais, mostra-se inalterável.
Sá Fernandes defende a tese do homicídio, mas certo é que , ainda que lograsse vencimento judicial da sua tese, restava um "pequeno" problema por resolver - o agente do crime.
Ao que sei existe um arguido constituído, em relação ao qual parece não existir prova, mas mesmo que existisse o procedimento criminal acha-se extinto, por prescrição.
Deste modo, é estéril discutir seja o que for em sede judicial.
As sucessivas comissões parlamentares de inquérito chegaram a conclusões tão diversas, que o valor das teses aí afirmadas é, no mínimo, duvidoso. Restará para sempre a dúvida.
O aproveitamento político da memória de Sá Carneiro é vergonhoso e, por vezes, mesmo obsceno.
Assim, passados que estão 25 anos paz aos mortos - R.I.P.

Norton de Matos ou o Rehagell Portugues

Tal como Otto Rehagell com a selecção grega, Norton de Matos analisou os jogadores que tinha á sua disposição e traçou um modelo de jogo.
Ciente das limitações do plantel, Norton assumiu um estilo de jogo em tudo identico ao grego.
Solidez defensiva, com centrais altos e laterais contidos, meio-campo muito forte fisicamente, sempre disposto á lutar pela posse da bola e a cortar as linhas de passe do adversário, alas rápidos a possibilitar o desenvolvimento de ataques surpresa e ponta de lança matador com inegável faro de golo.
Norton como Rehagell joga com o erro adversário, única forma de chegar ao golo numa equipa incapaz de construir lances de ataque organizado. A primeira preocupação é fechar os caminhos da baliza ao adversário, depois virá o golo se e quando o oponente o permitir, ou por outra, o consentir.
Por fim, uma palavra muito especial para o meu amigo João de Deus no sentido de lhe endereçar os maiores encómios pelo trabalho desenvolvido, pois os indíces físicos do Vitória não podem ser obra do acaso.

Vitória nos Barreiros ou o Regresso de Trap

Sangue, Suor e Lágrimas... de Felicidade, assim foi a vitória do SLB na Madeira.
O SLB demonstrando enorme espírito de grupo e de conquista, fez das fraquezas forças e ganhou.
Foi uma vitória à Trapattoni, no sentido de ter sido alicerçada numa forte estrutura defensiva, coesão do meio-campo e denodo na frente de ataque.
Finalmente, Koeman percebeu que só apelando á garra e ao espirito de corpo dos jogadores, esta equipa do SLB, desfalcada das suas pedras nucleares, poderá ganhar jogos.
Só Karayaka não entendeu a mensagem, por isso foi sempre peixe fora de água, tendo sido bem substituído por um Mantorras de regresso á fortuna.
Aliás, a substituição de Karayaka adivinhava-se ao quarto de hora da primeira parte de forma tão flagrante como acertar no euromilhões á segunda-feira.
Mantorras merece referencia especial, porque no seu estilo desengonçado representa a alegria ingénua do menino que gosta de jogar á bola.
O árbitro não se equivocou como os seus parceiros em outras jornadas e, assim, o SLB venceu.

Comentário ao Clássico

Jogo globalmente fraco, com duas equipas temerosas uma da outra.
O SCP apresentou-se no Dragao com uma equipa alegadamente ofensiva.
Todavia, Paulo Bento amarrou os criativos - Moutinho e Carlos Martins - ás alas, cerceando-lhes a capacidade ofensiva no que redundou na existencia de grandes espaços entre linhas, nomeadamente entre meio-campo e o ataque.
É para mim incompreensível a opçao por Moutinho na cobertura a Quaresma, vulgarizando um jogador de talento.
Com a saída de Carlos Martins, o SCP perdeu a pouca intencionalidade ofensiva que tinha, tendo Wender revelado um total desconhecimento do que devia fazer em campo.
A opçao de deixar Liedson em Alvalade, faz-me recordar o episódio Baía quando Mourinho chegou ao FCP - em ambas as situações os treinadores procuraram aglutinar o grupo, fazendo de jogadores emblemáticos bandeiras de pseudo-disciplina.
Quanto ao FCP, Adriaanse continua a desperdiçar o plantel rico em opções de que dispõe.
Obstinado com o sistema de jogo que perconiza não rentabiliza os jogadores, antes tenta encaixá-los em esquemas tácticos pré-definidos.
Assim, Jorginho, Lucho e Lisandro surgem em posições que, claramente, nao são as suas, com evidentes prejuízos.
O árbitro substituto cometeu dois erros claros, a saber duas grandes penalidades não assinaladas.
Polga e Peixoto levaram a mão á bola.
No que concerne aos golos anulados, o do SCP parece-me óbvio o fora de jogo assinalado, já em relação ao do FCP fiquei com dúvidas - parece-me que, acima de tudo, o árbitro apitou para se defender. A existir falta ela não é visível.
No lance de Nani com Pepe, ficou-me a ideia de não ter existido falta, sendo certo que o árbitro apita antes do remate o que, desde logo, inviabiliza a formulação de um juízo de golo anulado, uma vez que os jogadores do FCP pararam de imediato, mormente Vítor Baía.
Salvou-se o resultado, na óptica de um Benfiquista.