quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Que vos Inspire!

Corria a época de 1990/1991 e, a 28 de Abril de 1991, disputou-se o então denominado "jogo do título".
Quando restavam apenas cinco jornadas, o Porto recebeu o Benfica, que se apresentava na condição de líder com um ponto de vantagem sobre os azuis e brancos.
As equipas alinharam, com arbitragem de Carlos Valente, com os seguintes onzes:
FC Porto - Vítor Baía; João Pinto, Fernando Couto, Aloísio, Paulo Pereira; André, Semedo, Jorge Couto, Vlk; Domingos e Kostadinov.
Benfica - Silvino; Wiliam, Paulo Madeira, Ricardo; Paneira, Paulo Sousa, Thern, Veloso; Valdo, Rui Águas, Pacheco.
O Porto era treinado por Artur Jorge e o Benfica por Eriksson.
A rodear o encontro um ambiente, no mínimo, intimadatório.
Uma intimidação que se estendeu desde o cheiro nauseabundo do balneário das Antas, que constrangeu os jogadores do Benfica a equiparem-se nos corredores entre o túnel de acesso ao relvado e os balneários, passando pelo habitual apedrejamento do autocarro benfiquista e que conheceu a sua faceta Ndrangheta com o aparecimento em cena de uma figura do bas-fond portuense, o tristemente famosos Guarda Abel.
Presença de espírito exigia-se e os jogadores, técnicos e dirigentes do Benfica tiveram-na!
Naquela tarde, Eriksson apresentou uma solução táctica inovadora (3x4x1x2) e manietou o Porto de Artur Jorge - 3 defesas (William-Paulo Madeira-Ricardo), laterais ofensivos (Paneira-Veloso), dois trincos (Paulo Sousa-Thern), um médio ofensivo (Valdo) e dois avançados (Rui Águas, ponta de lança e Pacheco, extremo).
Numa partida intensa e emotiva, o Porto dominou, mas o Benfica nunca perdeu o controlo do jogo.
A dez minutos do final, o Porto assumia a iniciativa do jogo e exercia uma intensa pressão sobre o Benfica, que se via na contingência de recuar as suas linhas.
Vendo o adiantamento do bloco portista, Eriksson lançou César Brito por forma não só a "esticar" a equipa, mas também a aproveitar a velocidade e o excelente jogo entre linhas do beirão.
No minuto seguinte, com um cabeceamento fulminante, César Gonçalves de Brito recompensou a aposta.
Quatro minutos depois, passe de Valdo e o segundo golo do Benfica e de César Brito.
Estava sentenciada a contenda e com 32 vitórias, 5 empates e apenas 1 derrota, o Benfica conquistaria o título de campeão nacional da temporada de 1990/1991.
Eu estive lá e vibrei com emoção desmedida!
Tão desmedida que vi a minha integridade física em perigo.
Afinal, assisti ao jogo na bancada central do Estádio das Antas...


20 comentários:

antes morto que vermelho disse...

esquecimento: referir que o arbitro, um tal de carlos qq, não marcou um (ou dois) penaltis a favor do fcp, nitidos.
outra coisa foi pena que o guarda abel não tenha ido á bancada, partir os dentes (de leite?) todos a bermelho...

JC disse...

Amigo Vermelho:
Como vão já longe esses tempos!
Imagino a tremenda alegria que deves ter sentido.
Sei do ambiente de intimidação que reinava no antigo Estádio das Antas porque em épocas anteriores a essa, em princípios dos anos 80, fui por 3 ou 4 vezes assistir aos jogos que o SCP ali disputou.
Infelizmente, dessas vezes, o melhor resultado que o SCP ali conseguiu foi um empate.
Recordo-me particularmente de um penaltie marcado contra o SCP em que todos os suplentes da equipa do FCP e mais meia dúzia de energumenos afectos ao FCP se colocaram atrás e à volta da baliza do SCP quase a entrarem no campo, a intimidarem o Guarda-Redes - que bem protestava mas o árbitro não quis saber e mesmo assim mandou marcar o penaltie.

antes morto que vermelho disse...

darcheville: a lagartada foi também vitima de um dos mais incriveis golos validados nas antas... numa noite de sábado, com algum nevoeiro, a bola entrou para a baliza da lagartada... pela rede lateral e o árbitro validou.

darcheville: tenho pena que quando foi ás antas o real macaco "e mais meia dúzia de energumenos" não lhe tenham "tratado da saúde"

Vermelho disse...

Amigo JC:
Vão longe, vão...
Tinha 17 anos...
Aquele abraço.

VermelhoNunca disse...

Macaco, eu estive nesse jogo do nevoeiro, nas Antas. Aliás tenho um longo historial de jogos nas Antas. Curiosamente nunca fui ao Dragão.

VermelhoNunca disse...

Recordo-me de vários ambientes de grande intimidação, onde a palavra de ordem dentro das Antas era: Morte aos Mouros. Tudo o que tivesse cor verde era sovado.
Uma vitória para a Taça de Portugal nas Antas, com golo de Mário, em que a saída do estádio foi uma aventura. Quem quer que fosse que não tivesse sotaque do Porto, era pura e simplesmente agredido.

JC disse...

AMV:
Nessa ocasião, o "macaco" devia andar ainda de fraldas... Dificilmente me trataria da saúde.

Fui ao Dragão recentemente- tendo ficado numa bancada num dos topos, por cima, exactamente, dos Super-Dragões, onde pontificava o dito macaco, e pude verificar que o ambiente mudou muito...

antes morto que vermelho disse...

darcheville: o real macaco até um livro escreveu(?)
a primeira vez que fui ás antas, foi num sabado de uma chuva torrencial, fui para o velhinho peão, e o jogo era contra a lagartada. ganhámos 2-0, os nossos golos foram marcados pelo "grande" Lima Pereira e o outro pelo Sousa, e esse jogo ficou marcado pela estreia de madjer "o calcanhar de alá"

Jimmy Jump disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jimmy Jump disse...

Amigos Vermelho e JC, está visto que o tal estádio das Antas era de mau agoiro.
Da única vez que lá estive presenciei um Portugal(2)-Brasil(1), jogo que marcou a estreia de dois brasileiros (Deco e Luisão) por cada uma das selecções respectivamente. Chovia torrencialmente directamente para cima das nossas cabeças.
Entrei naquele estádio com uma constipaçãozita e de lá saí com uma gripe épica.
Tive inclusivamente que me deslocar ao hospital a meio da noite.

Amigo Vermelho, oxalá encorpassemos o espírito tomateiro de 91.

JC disse...

Das 4 ou cinco vezes que fui às Antas assistir a jogos do SCP, levei sempre com chuvas torrenciais.

Da única vez que fui ao Dragão - jogo para a Taça de Portugal da expulsão do Caneira, que o FCP ganhou nos penalties após 1-1 no fim do prolongamento - chovia também intensamente.

AMV diz que também chovia torrencialmente da primeira vez que foi às Antas.

E Jimmy também apanhou uma chuva torrencial da única vez que ali marcou presença!

Chove como o raio no Porto!
Pelo menos, nos dias de futebol!

JorgeMínimo disse...

Cavalheiros:

Fui uma vez ao Estádio das Antas ver um FC Porto-Sp. Braga e fui uma vez ao Estádio do Dragão ver um FC Porto-Estrela da Amadora, em duas épocas seguidas, em Agosto...
e não choveu.

Vermelho disse...

Amigo JC:
Belas casquinadas soltei com o teu comentário!
E posso confirmar que, pelo menos, em dias de futebol chove como o caraças!
Sempre que lá fui, choveu.
Neste dia de 91, não foi excepção.
Aquele abraço.

Mestrecavungi disse...

Temo que mais uma vez saiamos do Dragão vergados com o peso de mais 1 derrota!
7 meses depois de inciar o seu "trabalho" Quique ainda não conseguiu fazer uma equipa de futebol.
Mas haja fé!
Que chova no domingo!
E que o Vermelho lá esteja.
È bom sinal!

antes morto que vermelho disse...

ainda fui, mais, 2 vezes ás antas: fcp-0 espanhol-0 chovia como o caraças; fcp-2 estrela vermelha-0 chovia como o caraças, desse jogo guardo gratas recordações na medida em que fomos campeões europeus nessa época, e comprei um cachecol do fcp.
ao dragão só fui ver o portugal-1 grécia-2, foi á tarde e não chovia, mas o melhor foram as fartas refeições que um dos patrocinadores do euro nos ofereceu.

antes morto que vermelho disse...

tueba: já foste ao dragão? e ás antas? e entregaste o meu recado na 5 feira?

Mestrecavungi disse...

Não Macaco!
Nunca fui ás antas nem ao dragão!
Nem tenciona lá ir!
Cheira mal!
Cheira a esgoto!

VermelhoNunca disse...

Cavungi não passa de adepto de sofá, mas este ano armou-se em forte e comprou bilhete de época no curral. Escolheu bem o ano.

antes morto que vermelho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
antes morto que vermelho disse...

tueba eu já fui ao curral, ver o portugal-2 russia-0... aproveitei, kaguei sem puxar o autoclismo e mijei para fora do urinol.
na cadeira onde estive, peidei-me furiosamente ao longo do jogo, no final arranquei a chapa com o nome do boi, dono do lugar, além de ter escarrado a cadeira toda.