quarta-feira, dezembro 20, 2006

Baralhar e dar de novo

Notícia do Público relativa à transferência de João Pinto para o Sporting:

"Clube de Alvalade já fez chegar às autoridades um documento assinado em 2000 por João Pinto a suportar pagamento suplementar de quatro milhões de euros.
João Pinto, o jogador que actualmente defende as cores do Sporting de Braga e que entre 2000 e 2004 vestiu a camisola do Sporting, assinou dois contratos com o clube de Alvalade.
O primeiro era devido ao pagamento das quatro épocas e o segundo, um aditamento, pretendia justificar o recebimento de quatro milhões de euros a título de prémio de assinatura.
O Sporting já entregou cópia do mesmo às autoridades judiciárias e também João Pinto se prepara para o fazer.
Tal poderá representar um volte-face do processo que poderá ilibar José Veiga, ex-director-geral do Benfica.
Estes novos documentos demonstram então que João Pinto sempre soube da existência dos quatro milhões.
O dito contrato data então de 2 de Julho de 2000.
Naquele está justificada a saída da verba adicional, a título de "prémio de assinatura", uma justificação diferente da que consta da factura passada pelo Sporting.
O clube de Alvalade fez constar na mesma que se tratava do pagamento de direitos desportivos, feitos por intermédio de José Veiga, o que agora João Pinto se prepara para desmentir, quando for ouvido pelas autoridades.
Segundo o PÚBLICO apurou, a versão do ex-jogador verde e branco é substancialmente diferente da defendida por Filipe Soares Franco, na conferência de imprensa dada após a investigação policial ter sido conhecida.
João Pinto assume então ter recebido o dinheiro, mas argumenta que foi o Sporting a propor-lhe o pagamento em forma de direitos desportivos. Mesmo assim, e para que nunca perdesse o direito a aceder a tal verba, o jogador terá assinado o dito aditamento ao contrato, onde ficava claro que não havia qualquer quantia a pagar pela transferência, já que se tratava de um jogador livre.
João Pinto deverá ainda defender que a utilização da Goodstone foi apenas feita para que o clube de Alvalade não pagasse os devidos impostos no negócio.
Tratava-se então de uma sociedade de direito inglês onde José Veiga possuía procurações e que já havia sido utilizada por outros clubes para serem feitos pagamentos de verbas adicionais aos contratos.
O Sporting tem uma versão diferente.
Fontes oficiais contactadas pelo PÚBLICO confirmam que o aditamento ao contrato foi efectivamente feito, mas que aquele foi revogado por João Pinto. Que pediu que o pagamento se fizesse pela Goodstone, já que teria cedido os seus direitos de imagem àquela sociedade.
Diz então o clube de Alvalade que nesse momento o aditamento ao contrato deixou de vigorar, embora todas as partes tivessem ficado com cópias autenticadas.
O PÚBLICO sabe ainda que no passado dia 5 de Dezembro, o Sporting fez chegar às autoridades uma das muitas cópias. E num requerimento já enviado na qualidade de assistente, a SAD do Sporting apresentou tal versão (que o aditamento foi revogado), voltando a assegurar que João Pinto sempre soube da existência do dinheiro.
Para baralhar ainda mais este caso, há a posição actual de João Pinto.
O jogador, que o ano passado negou à PJ ter recebido os quatro milhões, quer agora ser ouvido pelas autoridades.
Castanheira Neves, o seu advogado, já o requereu formalmente, tendo pedido para que o seu cliente fosse inquirido por magistrados.
Não se percebe, porém, em que qualidade o fez, já que João Pinto não é arguido no processo e não pode constituir advogado. "

18 comentários:

JC disse...

Ora aqui está a notícia que os benfiquistas que tanto se regozijaram com a saída do Veiga do Benfica não queriam ouvir.
Afinal, Veiga está inocente.
Que má notícia.
Já não é o "cafageste" que sempre se pensou e vai, seguramente, regressar ao lube da luz.
Vão ter de o aturar por mais uns tempos.
O mau da fita em toda esta história, afinal, é o SCP.
O SCP é que congeminou toda esta tramóia, é que meteu dinheiro por baixo da mesa, é que se lembrou de mandar o dinheiro para a Godstone -com a qual, afinal, Veiga nada tem a ver.
Após ter recuperado o plasma e demais haveres que foram levado da sua casa não se sabe bem como - pois que, como o Advogado do Veiga disse, o Veiga não tinha dinheiro, sequer, para pagar a caução, além de que a casa onde mora não é sua, trabalha de borla no Benfica e o pouco que tinha foi levado de sua casa - Veiga sai também ileso do "Caso João Pinto".
Aliás, e quanto a este, Veiga consegue ainda tramar o SCP.
Com jeito, os dirigentes do SCP ainda vão passar a arguidos no processo do João Pinto e seguramente que vão levar com um processo por difamação.
Veiga sai em ombros.
Pior notícia não podia haver para os benfiquistas que sempre disseram que não gostavam do Veiga.

vermelho disse...
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vermelho disse...

amigo jc:
o teu comentário é assaz inteligente, mas autista!
encarar a situação como o fazes é fácil e confortável para um sportinguista.
ignorar os crimes que segundo esta notícia foram praticados por dirigentes do sporting, é uma opção.
Para mim, estes comportamentos são sempre de verberar.
sejam eles provenientes de dirigentes do meu clube ou de outro.
aliás, sempre o fiz neste blog.
quem quiser enfiar a cabeça na areia como a avestruz que o faça, eu nunca o farei.
abraço.

vermelho disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
JC disse...

Amigo Vermelho:
Não me vou por a comentar crimes que segundo a notícia foram cometidos pelo SCP, quando a notícia foi encomendada pelo Veiga.
Perante factos concretos me pronunciarei.

vermelho disse...

amigo jc:
não sei como podes afirmar isso, mas está bem.
as notícias contrárias foram encomendadas por quem?
as notícias relativas ao ladrão de paquidermes também não terão sido encomendadas?
tu não as comentaste?
abraço.

vermelho disse...

Comunicado do Sporting relativo a esta questão:
"«O Conselho de Administração da Sporting, SAD, perante a divulgação na comunicação social da existência de um documento que consubstancia um Prémio de Assinatura a pagar aquando da contratação do Jogador João Vieira Pinto vem esclarecer o seguinte:

1. O documento em causa foi de facto proposto ao jogador e ao seu empresário como forma de liquidação dos direitos desportivos, a título de prémio de assinatura.

2. Uma vez assinada a minuta do Contrato por dois administradores, o jogador e o seu empresário informaram a Sporting, SAD de que a titular dos direitos desportivos do jogador João Pinto era a sociedade de direito inglês Goodstone Limited, representada pelo Senhor José Veiga e que seria esta a emitir a factura respectiva conforme é já público.

3. Esta alteração do acordo que a Sporting, SAD propôs ao Jogador, justificou que o documento então assinado pela administração não viesse sequer a ser registado nos arquivos da Sporting, SAD, dado que o Prémio de Assinatura se tornou imediatamente ineficaz "ab initio" e destituído de qualquer efeito.

4. A Sporting, SAD reitera que se torna crucial para o apuramento da verdade que todas as partes deste processo se disponham a colaborar com as autoridades, consentindo expressamente e por escrito na abertura das contas bancárias nas quais foram depositadas as verbas em causa, concretamente no Dexia ¿ Banque International do Luxemburgo e no Barclays Bank de Londres a exemplo e nos mesmos moldes que o fizeram os antigos e actuais dirigentes desta Sociedade.»

VermelhoNunca disse...

AMigo JC, deixe-os piar.

cavungi disse...

A verdade é que os excelentissimos srs virtudes são, ao fim e ao cabo iguais aos outros.São "primus inter pares"

VermelhoNunca disse...

Amigo Cavungi, não se se é defeito ou feitio, mas o amigo fala, invariávelmente, fora de tempo. Tenha calma, deixe o caso ser analisado e depois emita a sua opinião. Onde é que extrai, no artigo, que o Sporting é culpado de alguma coisa?

vernnelho disse...

A constituição de José Veiga como arguido, no âmbito da investigação da transferência de João Vieira Pinto para o Sporting, em Julho de 2000, é uma história longe de se encontrar totalmente esclarecida.

No entanto, pela reacção dos vários protagonistas envolvidos, há alguns pontos que merecem reflexão:

1- José Veiga parece ter sido surpreendido pelos acontecimentos e, ainda atordoado pela “paulada”, começou a disparar em direcção do Sporting e dos seus dirigentes. Provavelmente errou o alvo - aproveitando para agravar mais a sua situação - ao não conseguiu identificar o autor do “ataque”.

2- Isto leva-me a uma segunda questão: quem foi o autor do “ataque”? Dizem os analistas que, falando-se de um crime de burla agravada, a iniciativa - que, neste caso, teve a forma de carta anónima - só pode ter origem no(s) prejudicado(s). Então, quem pode ter saído prejudicado desta situação?

Podemos excluir o Sporting que, em comunicado oficial, já disse que todas as importânias pagas decorriam das obrigações contratuais assumidas, tendo as mesmas sido efectuadas no cumprimento exacto do contrato.

O estranho silêncio de João Vieira Pinto, aliado à demora em interpor a acção, parece afastar a possibilidade de ser JVP o lesado. Para além disso, não teria muita lógica que, sentindo-se lesado, JVP apresentasse a denúncia por carta anónima.

José Veiga - que , tal como JVP, nunca se queixou de não ter recebido o dinheiro do SCP - é, por enquanto, o único arguido no processo, parecendo afastado do lote de possíveis lesados.

Então, quem é (são) o(s) lesado(s)? Talvez a explicação esteja na vida pessoal de JVP. Com um divórcio litigioso em curso, as questões patrimoniais são sempre escrutinadas. É aqui que entra em cena Carla, ex-mulher de João Pinto. Terá sido ela a autora da carta anónima? Sentir-se-á ela lesada no negócio em causa? Se sim, porquê?

3- Imaginemos este cenário: na realização do negócio, para evitar pagamento de impostos, JVP solicita (através do seu representante, JV) o recebimento do prémio de assinatura através de uma empresa com sede fora do território português. Desta forma, JVP recebe o seu dinheiro, possivelmente paga a comissão que caberia a JV e seguem as respectivas vidas. A vida pessoal de JVP sofre alguns contratempos, envolve-se num divórcio litigioso e a ex-mulher, descontente com a compensação patrimonial que lhe cabe, “levanta a lebre”: onde para o dinheiro desta transferência? Tudo isto são suposições. No entanto, explicavam o silêncio de JVP e a denúncia anónima.

4- Quanto às suspeitas que JV lança sobre os dirigentes do SCP, provavelmente não passam de uma fuga em frente. Porém, apesar de confiar como sportinguista nos dirigentes eleitos do meu clube, não sou adepto de “seguidismos” que, não raras vezes, nos toldam a razão. Por isso, que se investigue e se encontre todos os culpados, se os houver. Se algum dos seus dirigentes estiver envolvido em negócios menos claros, o Sporting só tem a ganhar com o apuramento de toda a verdade.

5- Por último, uma questão: porque é que a Justiça só actua depois dos envolvidos deixarem de ser dirigentes dos clubes? Será só coincidência?

VermelhoNunca disse...

Análise ponderada e correcta do novo condómino, que usando o nick de Vernnelho, poderá mesmo assim, lançar a confusão de nicks.
Totalmente de acordo consigo.

vermelho disse...

amigo vernnelho:
aquilo que diz, torna o sporting co-autor de um crime de fraude fiscal.
uma última nota para registar o facto de não ter confiado no anterior Presidente do Sporting, Dias da Cunha, uma vez que afirma: "apesar de confiar como sportinguista nos dirigentes eleitos do meu clube"
abraço.

VermelhoNunca disse...

O comunicado do Sporting indicia um crime fiscal, amigo administrador? Ou o artigo do Público? Ou o post do novo condómino?

Anónimo disse...

Senhor Vermelhonunca, concordo consigo quando diz que se está a criar grande confusão com esta nova moda de copiar nicks. Apelo a todos que se deixem disto e que cada um tenha o seu próprio nome bem distinto. Abraços.

vermelho disse...

amigo nunca:
todos os que refere.
o Sporting admite-o ao afirmar que celebrou dois contratos.
A única nuance reside na circustância de o Sporting afirmar "Esta alteração do acordo que a Sporting, SAD propôs ao Jogador, justificou que o documento então assinado pela administração não viesse sequer a ser registado nos arquivos da Sporting, SAD, dado que o Prémio de Assinatura se tornou imediatamente ineficaz "ab initio" e destituído de qualquer efeito."
Todavia, ao dizer que fez um pagamento não declarado, confessa a prática do assinalado crime.
abraço.

VermelhoNunca disse...

Essa nuance é significante?

vernnelho disse...

A criação de empresas no estrangeiro e em paraísos fiscais para facturar as comissões de transferências de jogadores de futebol era uma prática corrente do empresário José Veiga.

O caso do negócio da ida de João Pinto para o Sporting é um exemplo entre muitos outros.
A Administração Fiscal, numa auditoria às contas de 1997 a 1999 de uma empresa de Veiga, a Superfute, já tinha detectado a forma de actuação do empresário.

O objectivo era claro, segundo o Fisco: «desviar proveitos gerados e obtidos em Portugal para o exterior com o propósito de evitar a liquidação do respectivo imposto em Portugal»

Mas o que é isso interessa ?

A explicação do complexo mundo dos offshores, onde se lavam fortunas ?

Queremos saber aonde param os dos tais 3,292 milhões de euros.

Carla Pinto, já adiantou que quer metade, isto se foi o actual jogador do Sporting de Braga a ficar com o dinheiro.