domingo, abril 11, 2010

Parabéns, Urreta!

Um Grande Jogador nem sempre devidamente Valorizado

Artigo de Opinião de Luís Sobral

O Benfica saiu da Europa por números que se parecem mais com a equipa de outros tempos, recentes, do que com o perfil da equipa treinada por Jorge Jesus.

Não acho que os 4-1 de Liverpool sejam a exacta diferença entre as duas equipas. Assim como os 5-0 do Arsenal ao F.C. Porto não traduziram a distância.

Esta quinta-feira, simplesmente, o Benfica errou mais do que o costume. Sobretudo atrás. E o Liverpool, sem a pressão louca que os mais distraídos anteviam, aproveitou. Com frieza.

Depois de ver o Liverpool marcar como marcou, seria simples responsabilizar Jorge Jesus, que decidiu alterar 50 por cento da defesa numa partida decisiva.

Mas para isso seria preciso saber se os habituais titulares estão nas melhores condições. É provável que não estejam, assim como é provável que Fábio Coentrão não seja a melhor escolha para travar Kuijt.

Nunca saberemos se seria melhor manter a dupla habitual de centrais (e em princípio é sempre melhor manter do que alterar...). Sabemos, sim, que este Benfica assim foi goleado em Inglaterra e assinou um dos jogos menos equilibrados da temporada.

Isto não apaga, claro, o que o Benfica já fez de bom esta época. E, pensarão os benfiquistas, não significa que o Sporting de Braga está mais perto do que estava antes das 21:54, quando o árbitro apitou pela última vez em Anfield.

Significa apenas que ainda não foi desta que o Benfica regressou à Europa. Este ano não foi mau. Mas o clube continua distante do passado que lhe valeu a glória.

Para fazer boa figura na Liga dos Campeões, na próxima época, continua a ser preciso melhorar a equipa.

P.S.: Para muita gente, Di Maria terá sido a principal decepção em Liverpool. Para mim não. Continua a faltar muito ao argentino para ser de facto um jogador de classe mundial. Talvez possa lá chegar. Mas ainda não está perto.

sábado, abril 10, 2010

Artigo de Opinião de Ricardo Araújo Pereira

Para acabar de vez com as agressões em túneis

Passaram já mais de 15 dias sobre a final da Taça da Liga e não há ainda notícia de castigos para os jogadores do Benfica.
Conforme foi noticiado, os stewards contratados pela Liga de Clubes para, no entender da Comissão de Disciplina da Liga, zelarem pela segurança no estádio e, no entender do Conselho de Justiça da Federação, assistirem ao jogo a partir do túnel, pertenciam à empresa de segurança que patrocina o Braga.
Ora, um patrocinador tem um interesse objectivo em que a equipa que patrocina seja campeã, pelo que estavam reunidas condições para uma tenebrosa armadilha cujo resultado inevitável seria o castigo prolongado de futebolistas do Benfica que tivessem na manobra da equipa o peso equivalente ao de, por exemplo, Sapunaru no Porto. Um drama. Nesse caso, por que razão não foi organizada uma vigília antes da final? Por que motivo não houve ninguém, da parte do Benfica, que denunciasse a pérfida cilada?
Porque todos sabíamos que, mesmo que os jogadores do Benfica ouvissem provocações ultrajantes do calibre de um «vão lá para dentro», ou um ainda mais infame «voltem lá para cima», iriam adoptar uma estratégia — manhosa, admito — para não serem castigados.
Essa estratégia matreira é (e espero que os leitores mais sensíveis não fiquem chocados com a indignidade da marosca): não agredir stewards.
Trata-se de um comportamento que, beneficiando embora o clube de que sou adepto, não tenho quaisquer dúvidas em condenar — desde logo por ser indigno de um bom chefe de família.
Mas é assim, de astúcia vil em astúcia vil, que a equipa do Benfica se vai esquivando das punições.

Por causa de um penálti inventado, o Braga conseguiu ficar temporariamente a três pontos do Benfica, que tinha dias depois uma deslocação difícil e vai jogar ainda contra Sporting e Porto.
Quem beneficiou com aquele penálti? O Braga? Claro que não.
Segundo já li e ouvi, o beneficiado foi o Benfica.
Quem beneficiou com os castigos de Vandinho e Mossoró? Os clubes que seguem atrás do Braga e dependem de terceiros para o ultrapassar? Claro que não.
Segundo li e ouvi durante meses, o beneficiado foi o Benfica.
Em resumo, quando o Braga é beneficiado, o Benfica beneficia; quando o Braga é prejudicado, o Benfica beneficia. Deve ser a isto que chamam o andor.

Quando Rentería se encontrou em Lisboa com um elemento da equipa técnica do Benfica para lhe pedir um favor, Domingos resolveu prevenir-se tirando a titularidade ao jogador.
As palavras exactas do treinador do Braga foram: «Antes do jogo tive de lhe comunicar que ele não ia jogar para o proteger, não fosse ele escorregar dentro da área e fazer um penálti, quando os colegas, umas horas antes do jogo, o viram junto de um elemento que toda a gente sabe quem é.»
Foi excesso de zelo. Na semana passada, Rentería escorregou dentro da área, fez um penálti e os colegas adoraram.

Raras vezes se terá colocado um dilema filosófico tão intrincado: quem se está a beneficiar quando se assinala um penálti inexistente sobre Rentería? O Braga, que é o clube em que ele joga? Ou o Porto, que é o clube a que pertence? Se o Rentería cair na floresta e não estiver lá ninguém para ouvir, fará barulho? Não sei, mas será penálti de certeza.
Tanta choradeira por causa das quedas de Aimar, Di María e Saviola e afinal o jogador que beneficiou do penálti mais escandaloso do campeonato joga no Braga e pertence ao Porto. A realidade prega partidas giras.

Envergonho-me de não ter acreditado em Jesus quando o contrataram. Fui como São Tomé: tive de ver as chagas para acreditar. Neste caso, as chagas que Jesus inflige nos adversários. Jorge Jesus já venceu a Taça da Liga, cilindrando Sporting e Porto, mas também ofereceu a sportinguistas e portistas a maior vitória que tiveram esta temporada: a derrota do Benfica por 4-1 com o Liverpool.
É um técnico que agrada a todos, portanto.
Eu, como é evidente, não gostei da derrota. Ao fim de cerca de 30 jogos sem perder, já não me lembrava de como era. Continua a ser desagradável. Mas Jesus continua a ser Jesus, e este Benfica continua a ser o Benfica mais parecido com o que o Benfica nunca devia ter deixado de ser.

sexta-feira, abril 09, 2010

Artigo de Opinião de Luís Avelãs

As tonturas de Júlio César

Jorge Jesus ficou desesperado por, a cerca de 10 minutos do final do jogo em Liverpool (e quando o Benfica precisava de um golo para chegar às meias-finais da Liga Europa), ter sido obrigado a queimar uma substituição com a troca de guarda-redes, alegadamente porque Júlio César estava com tonturas (sofreu um traumatismo craniano).

Compreendo o desespero do treinador encarnado, pois sendo certo que o Benfica já tinha estado nas "covas", naquela altura, depois do golo apontado por Cardozo, o cenário era diferente.
Com vários elementos em débil condição física, mas com o apuramento relativamente próximo, as águias davam sinais de ainda ter uma palavra a dizer. Assim sendo, quando a equação era adivinhar quais as melhores alterações para forçar o ataque, o técnico ficou com menos trunfos para utilizar. E logo quando se jogava uma "mão" decisiva.

O que tenho dificuldade em perceber é o que terá levado Jesus a confiar a titularidade ao guardião brasileiro que, já com a temporada em andamento, foi recrutado ao Belenenses.
Sei que Júlio César tinha sido o habitual titular na competição europeia, aceito que numa equipa ganham e perdem todos e até concordo que, em Inglaterra, não foi só o "keeper" a actuar bastante abaixo do rendimento exigido.
Contudo, numa "final" - ainda por cima num dos palcos mais míticos do futebol mundial -, Jesus podia e devia ter colocado na baliza Quim.
Justificação? Nos grandes jogos devem alinhar os melhores!
Júlio César é mais novo, tem menos experiência, possui um ritmo inferior e até a sua ligação com os membros do sector defensivo é, por razões óbvias, menos sólida.
Na final da Taça da Liga não foi Quim que jogou?

Como sempre referi, desde a sua contratação, não me parece que Júlio César seja guarda-redes para um clube grande.
Ou dito de outra forma: não entendo a pressão que Jesus fez para contratar um estrangeiro que, visivelmente, não é melhor que Quim e que, pessoalmente, também não mostra ser claramente superior a Moreira.

Foi na forma impensável como o guarda-redes sofreu o primeiro golo (a rábula da anulação e posterior validação não apaga o essencial) que o Benfica começou a despedir-se da eliminatória.
O próprio Júlio César ficou afectado com o erro infantil e, a comprová-lo, pouco depois, ficou sem saber quando Lucas se isolou. Hesitou, hesitou e quando se lembrou de se mexer já estava praticamente fora do lance. Foi tremideira (ou tonturas) a mais...

Em relação ao resto, deixo aqui algumas notas:

- o Liverpool passou aplicando um sempre esclarecedor 4-1. No entanto, os ingleses não foram (nem são) assim tão superiores aos portugueses.
- foi estranho ver as águias a ter mais bola, a dominar e os ingleses a aproveitar os contra-ataques para marcar.
- David Luiz não é lateral esquerdo, mas confirmou que é capaz de fazer a posição sem grandes sobressaltos. O brasileiro raramente joga mal e voltou a ser dos melhores, indiscutivelmente dos mais abnegados.
- a substituição de Carlos Martins foi outro dos equívocos de Jesus. Era "só" o médio mais dinâmico da equipa...
- sem Saviola e Weldon, deixar Nuno Gomes fora dos convocados é muito discutível.
- ao invés do que é normal, o discurso de Jesus no lançamento da partida foi pouco optimista, para não dizer que foi pessimista.
- o Benfica fez uma boa campanha na Liga Europa mas, objectivamente, deixou escapar uma óptima ocasião de voltar a ser grande no Velho Continente.

PS - O Benfica tem agora 5 jogos até ao final da época. São os 5 últimos embates da Liga, o grande objectivo da época. Com 6 pontos de vantagem, os encarnados têm todas as condições de segurar o primeiro lugar, mas convém relembrar que faltam duros testes.
Saber como é que física e mentalmente a equipa vai reagir à pesada derrota de Anfield é a grande questão para o duelo com os leões na terça-feira.
Tenho para mim que, em caso de vitória, o título ficará entregue. Mas, se os 3 pontos forem para Alvalade (desde que o Sp. Braga vença)... o esperado sucesso pode acabar em pesadelo.

quinta-feira, abril 08, 2010

Video de Opinião de Pedro Ribeiro

Hoje e Sempre!

Não podia estar mais de acordo!

«Sofremos dois golos na primeira parte. Até então éramos a melhor equipa em campo. A partir daí tivemos de ir à procura do resultado. Sofremos golos em situação de ataque rápido. Tivemos alguma dificuldade para acompanhar as saídas dos jogadores do Liverpool. Face ao resultado, e ao descanso que a equipa teve, sabia que íamos ter algumas dificuldades na segunda parte, se a intensidade fosse alta.»

«O resultado é exagerado, mas também reflecte que o Liverpool foi muito forte em alguns períodos, e é uma equipa mais experiente. Soube jogar com o resultado, e tirar partido de algumas situações. Sentíamos capacidade para discutir a eliminatória, mas houve jogadores que tiveram dificuldade para acompanhar a velocidade dos jogadores do Liverpool.»

[sobre o lance do primeiro golo] «Alguém deu uma indicação. A primeira decisão foi anular o jogo, mas não vou por aí. O mais importante foi sentir que a equipa, na primeira meia hora, foi muito forte. Com o tempo fomos perdendo algum posicionamento e alguma velocidade. Tivemos alguma falta de andamento. Foi uma vitória de uma excelente equipa. O Benfica perdeu nos pormenores e na frescura física.»

[este resultado pode influenciar a equipa diante do Sporting] «Temos até terça-feira para preparar o jogo. Não há desculpa. Temos muito tempo para recuperar.»

Espaço Prof. Karamba

Benfica - Sporting
Leixões - P. Ferreira
V. Guimarães - Olhanense
Marítimo - Belenenses
Rio Ave - FC Porto
Naval - Nacional
V. Setúbal - Académica
U. Leiria - Sp. Braga

Liverpool 4 SLBenfica 1 De Erro em Erro até à Derrota Final

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão

Não sabem para que lado se devem virar…
Um portista a sério está-se nas tintas para a Liga dos Campeões desde que tenha o consolo de ver o Benfica perder o campeonato

Depois da viagem a Inglaterra, o Benfica volta já ao campeonato português na próxima terça-feira. O adversário é o Sporting. Nas últimas quatro temporadas estes encontros entre os rivais históricos nem sequer pertenciam ao campeonato português (no seu todo), diziam antes respeito a uma sub-espécie de sub-campeonato.

Com total objectividade, estes derbies lisboetas pertenciam única e exclusivamente ao campeonato da Segunda Circular que, para quem não conhece a Capital, é uma estrada com piso de alcatrão que une o aeroporto a Monsanto e passa, no seu traçado, à beira dos estádios dos dois emblemas em causa.

Factos são factos e, nestas últimas quatro temporadas, o Sporting foi sempre o vencedor do campeonato da Segunda Circular, tendo festejado rijamente os títulos conquistados sobre o rival do outro lado da rua. O caso não era para menos. Foram quatro segundos lugares de seguida para o Sporting, sempre atrás do FC Porto, o que não teve importância alguma, mas sempre, sempre à frente do Benfica, o que é um feito, uma alegria, enfim, um orgulho merecedor de todos os encómios.

E para provar que a ingratidão não é um sentimento de que se faça uso em público, foram muitos os altamente qualificados sportinguistas, presentes em tribunas de opinião, que se mostraram contristados com as campanhas que haveriam de levar à demissão Paulo Bento. E, com muita garra, não se coibiram de fazer lembrar aos seus desmemoriados consócios de Alvalade que fora o mesmo Paulo Bento o treinador do tão celebrado tetra-segundo-lugar. Mas não lhes valeu de nada.

Para variar, este ano não há campeonato da Segunda Circular. Foi-se tornando matematicamente difícil com o andar das respectivas carruagens. E, neste momento, quando apenas faltam cinco jornadas para o fim do campeonato português (no seu todo), a coisa tornou-se matematicamente impossível porque o Benfica tem 23 pontos de avanço sobre o Sporting que se vê, assim, impossibilitado de conquistar o penta da Segunda Circular, a tal estrada de alcatrão que une o aeroporto a Monsanto.

Ao contrário do Sporting, que ficou satisfeito com os segundos lugares à frente do Benfica nos últimos quatro campeonatos, o Benfica, pelo que se depreende, não ficará nada satisfeito se ficar classificado, neste campeonato, em segundo lugar à frente do Sporting e à frente do FC Porto. Com o devido respeito pelas ambições de cada qual, tratam-se, no fundo, de culturas diferentes.

Até o Sporting de Braga, o inesperado contendor de 2009/2010, não ficará totalmente satisfeito se chegar ao fim da prova em segundo lugar à frente do Sporting e do FC Porto. É certo que receberá um bónus apetitoso: a possibilidade de discutir a entrada na Liga dos Campeões mas, só isso, é pouco para quem protagonizou, com mérito, um arranque de campeonato absolutamente feroz e que, mais tarde na competição, foi visto e acarinhado pelos outros concorrentes históricos (mas pouco inspirados) como uma possível tábua de salvação alheia para as agruras dos próprios.

Curiosamente, a coisa ficou agora fora de controlo. O Sporting de Braga já não joga aquilo que jogou no início do campeonato, está mesmo muito longe desses primeiros fulgores, foi até banalizado por um FC Porto que tem sido pouco mais do que banal, mas continua vibrante a discutir o título com o Benfica e a discutir a Liga dos Campeões com o FC Porto e é esta, precisamente, a parte que não constava do programa.

O FC Porto para ir buscar o dinheiro da Liga dos Campeões precisa que o Sporting de Braga perca pontos mas se o Braga perder pontos o Benfica caminhará para o título de campeão. Que ninguém duvide de que esta situação se apresenta extraordinariamente confusa. E tem tido reflexos práticos noutros agentes do futebol como, por exemplo, os árbitros que, por serem humanos, também são sujeitos a estados de confusão. É que, literalmente, não sabem para que lado se devem virar…

A altamente confusa arbitragem de Artur Soares Dias, do Porto, no último Sporting de Braga-Vitória de Guimarães, é disso mesmo o exemplo mais fulgurante.

Para se manter na luta directa com o Benfica, o Sporting de Braga usufruiu de uns empurrõezinhos simpáticos que lhe caíram do céu. Golos marcados com a bola fora das quatro linhas, decisões nada hostis nos dois jogos com o Benfica mas o que sucedeu no último derby minhoto, realmente, nunca tinha sido visto em Portugal.

Presume-se que continue a dar que falar até que o campeonato esteja matematicamente resolvido esta tendência em ziguezague que tanto beneficia os que não suportam a ideia de ver o Benfica campeão como, logo no ziguezague seguinte, beneficia os que, mal por mal, preferem ver o Braga campeão ao FC Porto na Liga dos Campeões.

O professor Jesualdo Ferreira, por exemplo, falou logo no assunto assim que acabou o jogo do FC Porto com o Marítimo.

No entanto, Jesualdo Ferreira, por muito que se tenha esforçado — e como se esforçou! — para ser um portista à séria, na verdade não é nem nunca foi semelhante coisa. E só esse facto explica os protestos do actual treinador do FC Porto contra a arbitragem de Artur Soares Dias em Braga.

Porque um portista a sério, de gema, nascido bem lá no cimo, no sótão da Torre dos Clérigos está-se perfeitamente nas tintas para a Liga dos Campeões de 2010/2011 desde que tenha o consolo de ver o Benfica perder o campeonato.

Compreende-se. Se fosse ao contrário era exactamente a mesma coisa. Os adeptos pouco ligam às finanças dos seus clubes, estão mais interessados em futebol. Os verdadeiros adeptos de qualquer clube não querem saber de passivos, de activos, de balancetes, de cálculos de gestão porque essas coisas do dinheiro não lhes interessam minimamente. Estão ali por amor, não por interesse.

Há sempre, no entanto, adeptos especiais. Picuinhas que parecem mais interessados nas contas dos euros do que nas contas dos pontos com que se ganham e perdem campeonatos. Alexandre Magalhães, o antigo vice-presidente do FC Porto, actualmente desavindo com o presidente do clube, é um desses adeptos típicos que tantos incómodos dão às direcções dos clubes e das SAD.

Imagine-se só que Alexandre Magalhães em vez de andar a falar sobre túneis, como compete a um bom adepto, desatou a falar sobre coisas completamente diferentes. E, ontem mesmo, atreveu-se a ir a Tribunal para declarar que, pelas suas contas, o presidente do FC Porto auferiu, em 2004/2005, um rendimento mensal entre os 33 mil e os 52 mil euros.

De certeza que Alexandre Magalhães faz parte daquela imensa maioria de portistas anónimos, convictos e desinteressados em coisas materiais que até prefere que o FC Porto não vá à Liga dos Campeões, desde que o Benfica não seja campeão.

Mas também haverá, pois com certeza, quem pense de maneira diferente.

quarta-feira, abril 07, 2010

A Receita para a Vitória em Liverpool...

Artigo de Opinião de João Rui Rodrigues

Weldon é o mais recente herói na Luz depois dos 2 golos apontados à Naval, após longa ausência do lote de opções de Jorge Jesus.
O brasileiro é um caso estranho no Benfica e não apenas por eclipses súbitos no onze encarnado, mas sobretudo porque se trata do jogador mais barato contratado no consulado de Luís Filipe Vieira como presidente, onde se tem gastos milhões e milhões em reforços para o clube da Luz.
Weldon custou apenas 200 mil euros e consegue sair mais barato que alguns flops como Halliche e Binya (300 mil), Miguelito (1 milhão), Beto (250 mil) ou Carlitos (500 mil).
Tão barato como o avançado que Jesus pediu esta época só mesmo Armando Sá que em 2002/03 custou a mesma quantia aos cofres dos encarnados.
A isto Weldon junta ainda o importante facto de ser um dos elementos com ordenado mais baixo no plantel. Com os 3 golos apontados na Liga (Marítimo e Naval) que valeram outros tantos pontos ao Benfica, o brasileiro está praticamente pago.
Um tiro certeiro no meio de muitos falhanços de mercado nos últimos anos.

Artigo de Opinião de Domingos Amaral

From: Domingos Amaral
To: Pinto da Costa


Caro Pinto da Costa


- Hulk agrediu um segurança na Luz. Nem o FC Porto, na defesa que entregou, nega o facto.


- O jogador foi expulso, e por isso suspenso preventivamente, enquanto o processo decorria. A maioria dos jogos que falhou deve-se a esta norma, que foi proposta pelo... FC Porto.


- O castigo, quando chegou, vinha agravado por Hulk ser reincidente, já tendo sido expulso e insultado um árbitro.


- Na Taça da Liga, sem Hulk, o FC Porto conseguiu chegar à final. Na Taça de Portugal, sem Hulk, venceu os jogos, e está próximo da final.


- Na Liga Sagres, com Hulk, o FC Porto sofreu 3 derrotas (Sp. Braga, Marítimo e Benfica), e 2 empates. Perdeu 13 pontos.


- Sem Hulk, o FC Porto apenas sofreu uma derrota, (Sporting) e 3 empates. Perdeu 9 pontos. Portanto, perdeu menos pontos sem Hulk.


- Contudo, na Champions, onde Hulk jogou, o FC Porto venceu o Arsenal no Dragão, à conta de um frango patético e de um livre espertalhão, e foi goleado em Londres por 5-0, onde Hulk fez mais umas das suas exibições medíocres.


Estes são os factos. Por culpa do jogador e do clube, Hulk ficou fora dos relvados. Contudo, o clube nada perdeu e até jogou melhor sem ele. Importa-se de repetir porque é o FC Porto ou Hulk têm direito a uma indemnização? E já agora: reparou que os seus amigos do Sp. Braga ganharam 4 pontos em casa em dois jogos onde foram beneficiados pelos árbitros (Marítimo e Guimarães)? Não se deu conta que isso o pode afastar da Champions? E não protesta? Olhe que são muitos milhões perdidos...

terça-feira, abril 06, 2010

Artigo de Opinião de Fernando Guerra

Tão amigos que eles eram...

Caiu o biombo que desde o dia 31 de Outubro do ano passado escondia despudorado clima de hipocrisia feito de uma amizade de conveniência que outro alcance não teve senão o de juntar interesses e reunir forças contra adversário comum, o Benfica. À entrada para a folclórica jornada do túnel, bracarenses e benfiquistas dividiam o primeiro lugar, com o dragão a três pontos e a perceber já, sem necessidade de explicações adicionais, que a capacidade competitiva da equipa de Jorge Jesus era imensa e reconhecidamente superior à de Jesualdo Ferreira, colocando em risco muito sério o objectivo supremo do segundo 'penta', mas à saída, apesar de toda aquela trapalhada e da vitória bracarense, a verdade é que não foram capazes os portistas de retirar grandes dividendos do trambolhão da águia pelofacto de, por coincidência dos diabos, terem fraquejado em casa, diante do simplório Belenenses. Em termos práticos, significava que o FC Porto se mantinha na terceira posição, agora a cinco pontos do líder (Braga) e a dois do segundo (Benfica).

Foi aqui que luminosa ideia adquiriu forma. Resignados os patrões do dragão por não possuírem plantel com cabedal suficiente para, sem ajudas, ter sucesso desportivo na luta com a águia, a solução que mais lhes agradou apontou para descarado namoro com o Sporting de Braga, encarado como figura decorativa na corrida do título, mas interessante do ponto de vista estratégico, para morder os calcanhares ao Benfica, incomodá-lo, travá-lo, de maneira a dar tempo à reorganização portista. Previram tais mentes de inteligência à prova de bala o colapso bracarense, a desaceleração encarnada e a recuperação portista a horas de inverter a situação, segurar a hegemonia recente e... disparar para o 'penta'. O problema é que o Braga não caiu, o Benfica não fraquejou e... o Porto não se levantou.

O clube presidido por António Salvador tem-se revelado em todas as ocasiões fiel escudeiro. Até na reacção ao indeferimento do recurso apresentado por causa do castigo a Vandinho, a culpa não pertenceu ao Conselho de Justiça da FPF, que o confirmou, mas sim à Comissão Disciplinar da Liga, que o aplicou. Se for para agradar ao FC Porto, que mal tem atirar a culpa para cima das costas de Ricardo Costa? É para isso que servem os aliados... De aí confessar o meu espanto com as mais recentes declarações do treinador portista, ao agitar uma vaga de poeira sobre o êxito bracarense no jogo de domingo diante do Guimarães. Disse ele, imagine-se, que o Braga ganhou 'um desafio muito complicado, com situações não muito claras'. Falou ainda de terceiros e de quartos e deixou no ar outras insinuações de interpretação duvidosa. Afinal, o que se passa? Tão amigos que eles eram e... zangaram-se de repente. Quem quis Jesualdo atingir?

1-O árbitro? Lembro que foi o mesmo que na primeira jornada se esqueceu de marcar um penalty a favor do Benfica, precisamente no dia em que ao Paços, lembram-se?, Xistra descortinou falso fora-de-jogo em lance de golo iminente. Escrevi (A BOLA de 18 de Agosto) que a Liga estava armadilhada e que numa classificação adaptada (pelos árbitros) o FC Porto partia com mais um ponto e o Benfica com menos dois.

2- O Renteria, por ter simulado o penalty que determinou a vitória do Braga? Mas esse foi o Porto que o emprestou no mercado de Janeiro para reforçar a equipa de Domingos Paciência (não foi utilizado no Dragão, mas jogou na Luz, com certeza...).

Confusões... Só não entendo por que razão Jesualdo continua a aceitar papéis que o comprometem e escapam à sua área de intervenção. Devia limitar-se às questões técnicas, até para se proteger. No resto, outros que se mostrem. Aliás, na estrutura profissional portista existe a figura de um director-geral (Antero Henrique) que faz lembrar o Pedro Barbosa do Sporting... Nunca dá a cara.

Que Grande Frango!

Palhaçada...

segunda-feira, abril 05, 2010

Artigo de Opinião de António Magalhães

Saber ter e ser mais um

Jesus foi honesto quando reconheceu no final do Benfica-Liverpool que a expulsão de Babel condicionou os acontecimentos. Disse ele, e muito bem, que entre duas grandes equipas a diferença entre ter mais um ou menos um jogador pode ser determinante.

Jesus foi também justo nos elogios que fez à sua equipa, nomeadamente ao realçar a capacidade de organização táctica que praticamente não conheceu brechas durante o jogo. Só através dessa atitude e competência é que uma equipa poderia beneficiar da vantagem de ter mais um jogador que o adversário. O Benfica, pela forma como está trabalhado em termos tácticos, soube tirar partido dessa circunstância.

O Benfica soube, pois, manietar o Liverpool, estrangulando-o na sua ação e movimentos. Essa foi a grande arma que permitiu conquistar o resto sem, desta vez, ter arrancado uma nota artística muito alta.

Apesar da honestidade da análise de Jesus, é bom que fique claro uma coisa: a expulsão de Babel transformou o jogo, mas não fez o resultado. O Benfica teve poder para encaixar o golo que sofreu cedo – justificado por uma entrada muito forte do Liverpool no jogo – e mesmo antes daquele momento fatídico para os ingleses, já a equipa de Jesus dava sinais de um crescimento que poderia levá-la a um resultado diferente.

Foi com dois penáltis – até houve mais um – de Cardozo que este Benfica se transformou no mais vitorioso e goleador Benfica europeu. São números impressionantes, ainda que devam ser interpretados à luz de um tempo muito diferente e, como tal, como mera estatística que não pode beliscar minimamente os nomes sagrados da história do clube da Luz. Esses, como escrevo, são sagrados e por muitos golos que outros marquem terão sempre o seu lugar no “olimpo encarnado”.

Se no relvado a equipa soube tirar partido de ter mais um jogador, os adeptos do Benfica – que enchem o estádio da Luz e vivem estes momentos gloriosos – também têm sabido ser mais um jogador. Na Luz, a equipa de Jesus tem sentido o apoio do 12º jogador. Mas a essa multidão exige-se também que, nalguns momentos, saiba pôr em sentido a meia dúzia de energúmenos que não sabem estar num estádio de futebol e que colocam em risco a integridade física de alguns (até protagonistas do jogo) e afetam a grandeza do_Benfica e podem mesmo limitar o êxito da própria equipa.

Espaço Prof. Karamba - Classificação Geral

1º Lugar: Jimmy Jump e Vermelho Sempre - 655 pontos

2º Lugar: Kaiserlicheagle - 605 pontos

3º Lugar: JC - 575 pontos

4º Lugar: Vermelho - 570 pontos

5º Lugar: Fura-Redes - 520 pontos

6º Lugar: J. Lobo - 490 pontos

7º Lugar: Sócio, Gui e Cuto - 425 pontos

8º Lugar: Samsalameh - 405 pontos

9º Lugar: Chico - 245 pontos

10º Lugar: Vermelho Nunca - 225 pontos

11º Lugar: Agarredinhos e Filipe - 70 pontos

12º Lugar: Luís Rosário - 55 pontos

13º Lugar: Lion Heart - 50 pontos

14º Lugar: Pachulico - 35 pontos

Artigo de Opinião de João Rui Rodrigues

O investimento feito pelo Benfica na aquisição de José Antonio Reyes, na última temporada, promete vir a ter retorno em breve.
Apesar do extremo espanhol ter regressado ao Atlético de Madrid, os encarnados continuam a deter 25% do passe do jogador que poderão utilizar num negócio futuro com os colchoneros, onde Reyes se tem destacado esta época, ressurgindo ao nível que o notabilizou e o levou a representar clubes como Arsenal e Real Madrid.
Com a valorização do internacional espanhol, o Benfica ganha ainda mais margem de manobra para realizar um encaixe financeiro em caso de transferência do jogador ou para amortizar numa transacção com o Atlético de Madrid.
E o regresso de Simão ao Benfica continua a ser um sonho bem vivo na Luz...