quinta-feira, novembro 16, 2006

Selecção e Clubes

Ontem, fui com a família ver o Portugal/Casaquistão.
Vencemos com extrema facilidade, a qualidade do jogo foi fraquinha, mas o que mais me impressionou foi a quantidade de mulheres e crianças que se encontravam nas bancadas.
Um verdadeiro caso de estudo.
Inclusivé, arrisco dizer que se verificava paridade entre homens e mulheres.
A selecção tornou-se, definitivamente, um espaço diferenciado no contexto do futebol português. Longe da rivalidade clubística e do clima de conflitualidade latente que perpassa pela generalidade dos jogos da Liga Bwin, a selecção é um oásis.
Enquanto que nas partidas da Liga as bancadas apresentam um aspecto desolador, nos jogos da selecção, por regra, os estádios enchem.
E enchem porque os bilhetes são baratos e a animação constante.
As mulheres e as crianças deslocam-se aos estádios porque querem participar da festa em que se tornaram os jogos da selecção.
Há um sentimento de pertença e de partilha que potencia a afluência de público.
A ideia de selecção enquanto desígnio nacional, também, contribui e muito para a adesão em massa dos espectadores.
O clima de segurança, tranquilidade e comunhão arrasta os espectadores para o estádio.
Tudo o que falta na Liga Bwin.
Os clubes cristalizaram-se na gestão do produto que comercializam.
Na generalidade dos casos, os bilhetes são caros, inexiste qualquer tipo de animação que preencha os tempos mortos e vive-se um clima de conflitualidade latente que contribui para a guetização do futebol no seu mercado tradicional.
Se a isto juntarmos a qualidade do espectáculos que, por regra, não ultrapassa o sofrível, então percebemos a razão pela qual os nossos estádios estão cada vez mais vazios.
Vender futebol não é mais vender apenas o jogo.
Ignorar a necessidade de introduzir novas formas de divertimento e de atracção do público é contribuir para matar o futebol nos estádios.
Olvidar que as declarações bélicas antes e depois dos jogos produzem efeitos sobre potenciais nichos de mercado a explorar é contribuir para matar o futebol nos estádios.
Esquecer que lançar suspeitas sobre a transparência das competições e anátemas sobre os agentes desportivos descredibiliza o produto é contribuir para matar o futebol nos estádios.
E isso é, precisamente, o que os clubes mais têm feito.

15 comentários:

VermelhoNunca disse...

De acordo no essencial, mas convido-o a visitar Alvalade em dia de jogo, e verá que além de muitas mulheres, temos mulheres muito bonitas no estádio. Pode mesmo comprovar isso com o nosso condómino camionista, e assim terá a certeza que esta minha opinião nada tem a ver com clubismos.

VermelhoNunca disse...

Quero também exprimir a minha opinião no sentido que deve ser dificil a Scolari jogar com 10 jogadores. A exibição de Nuno que Homenageia o Bi-Bota, foi uma autêntica vergonha.

JC disse...

O entusiasmo pelos jogos da selecção começou com o Euro 2004.
Penso terem sido vários os factores determinantes de tal entusiasmo.
Em primeiro lugar, foi o facto de termos os jogos do europeu à "porta de casa", o que permitiu a muita gente afastada do futebol, nomeadamente as mulheres, aperceberem-se da festa que é o futebol e facilmente entraram em tal euforia.
Depois, tivémos o factor Scolari.
Quer se goste dele ou não, há que admitir que ele cativa as pessoas pela linguagem simples e directa que utiliza.
E soube, de facto, cativar os portugueses (e portuguesas) para o apoio à Selecção, exultando os sentimentos de patriotismo que há muito não se viam.
Em terceiro lugar, os bons resultados obtidos pela Selecção, quer no euro quer no Mundial, contribuiram também decisiavamente para captar esta multidão de apoiantes da Selecção.
Creio que se os resultados tivessem sido outros haveria um afastamento dos adeptos da selecção.
E por fim, realço também o conjunto de bons jogadores que a selecção tem.
E outros que, não sendo tão bons jogadores assim, são falados, têm notoriedade, aparecem nos media são conhecidos mesmo por quem não liga ao futebol.
Ronaldo, Figo, Quaresma, Deco, Maniche, Pauleta, Nuno Gomes, Ricardo passaram a entrar diariamente em nossas casas não só pelo futebol mas também pela publicidade, tornaram-se conhecidos.
Muita gente- principalmente mulheres - vão aos jogos da selecção para verem aqueles jogadores que conhecem da televisão.
É uma espécie de fenómeno tipo Big Brother: os protagonistas são uns emplastros mas porque apareceram na televisão todos os querem ver ao vivo.
Estas, em minha opinião, as razões que levaram a que os jogos da selecção passassem a ter agora grandes assistências, mesmo quando o adversário é um desconhecido Cazaquistão.
Aliás, creio mesmo que uma grande percentagem das mulheres que ontem foram assisitr ao jogo nem sabiam o nome da equipa adversária.

Braguilha disse...

Caros condóminos

Continuo num computador emprestado e por isso só poderei comentar agora.
Não gosto de Adriaanse nem do seu estilo general, mas este pequeno ditador deu ao futebol português algumas ideias que deveriam ter sido aprendidas por quem nele vive. A primeira ideia é o futebol espectáculo, a segunda, entre outras que poderia referir, vem no seguimento da primeira que é filosofia do futebol ofensivo. Ora o grande imbecil não aprendeu nem uma nem outra: qual a ideia de retirar ao espectáculo os homens que mais o tornam espectacular? É poupá-los para os clubes? São as lesões? É para dar a vez a outros? Ou será para segurar o resultado? São predestinados como Deco, C. Ronaldo ou Quaresma que enchem os estádios. Porquê não dar vez aos artistas? Porquê transformar um agradável espectáculo de futebol num arrastar dolente?

O segundo aspecto que gostaria de salientar tem a ver com a disposição táctica. Não haverá nenhum imbecil na equipa técnica que faça a observação aos adversários? Dois centrais contra um bando de gajos simpáticos que se dizem "os leopardos das neves"? Se eles são tão terríveis assim, o que seremos nós? Os linces da Malcata? Um homem com características mais ofensivas não teria proporcionado um melhor espectáculo?

Mais do que vencer esta selecção precisa de convencer. Conseguiu a primeira, falhou a segunda ( na 2ª parte do jogo). E mais: a selecção não é um clube de 26 jogadores. Terá seguramente 260 para escolher. Não haverá melhor lateral esquerdo em Portugal que o P. Ferreira? Uma péssima exibição, devia estar com medo dos leopardos. Não subiu no terreno com receio, centros nenhum em condições. Uma nódoa...

Gostaria de ficar aqui mais tempo mas por hoje não dá para mais.

Saudações

vermelhosempre disse...

Só por curiosidade, eu no FM2007 joguei contra o Cazaquistão joguei num 2-4-4 (não 4-4-2) e ganhei por 11-0. Não quer dizer que Portugal ontem conseguiria ganhar pelo msm resultado, mas seguindo a linha (correcta) de raciocinio do Braguilha, o Escolari devia e deveria ter colocado em campo uma formação muito mais ofensiva.
Saudações

VermelhoNunca disse...

Especialmente sem o Nuno Homenagem ao Bi-Bota, pois jogar com ele é jogar com 10!

VermelhoNunca disse...

Curiosa a data desta entrevista...
"Sp. Braga afasta Marcel da recepção ao Benfica
Marcel foi afastado pela administração do Sp. Braga do jogo com o Benfica. A medida surge na sequência das declarações do avançado brasileiro à imprensa do seu país em que revelou o desejo de rumar ao Cruzeiro, alegando que Rogério Gonçalves não conta com ele para a equipa titular.



ASF
O novo director-executivo da SAD bracarense, Eládio Paramés, esclareceu que o jogador «vai sofrer as consequências» pela sua intervenção, enfrentando um processo disciplinar."

Zex disse...

Sr. Munca,
Se ele se chamasse Maciel em vez de Marcel, a coisa mudaria de figura.
E se fosse doutro clube que não dominasse a imprensa, também a conversa seria outra.
Até com perda de pontos se argumentaria...

vermelho disse...

amigo zex:
leia as notícias relativas a Hélder Barbosa e depois fale.
a entrevista de Marcel foi dada a um órgão de comunicação social brasileiro a pedido deste.
não me digas que as cabalas assumem agora dimensões internacionais.
aliás, desde que assumiu o comando técnico do braga, rogério gonçalves, em todos os treinos que promoveu, nunca chamou marcel à equipa dos presumíveis titulares.
abraço.

VermelhoNunca disse...

O amigo Vermelho até os treinos de Braga acompanha..

cavungi disse...

Caros amigos,
Alguém será capaz de me explicar porque razão quando Postiga era suplente do Tothenham era utilizado SEMPRE na selecção, e que agora que até está a jogar benzinho e a marcar golos, fica no banco?
Porque não entrou par o lugar do atabalhoado Tonel?
carvalho não seria capaz de tomar conta dos jovens leopardos sózinho?
É como diz braguilha: O Grande Imbecil.

cavungi disse...

Amigo Nunca,
Quando Marcel jogava no SLB dizia dele o que Maomé não diz do toucinho.
Agora que ele não vai jogar com o Benfica, já é um grande jogador.Faz alguma falta ao Braga?
Que grande coerência a sua.

VermelhoNunca disse...

caro Cavungi : alguém disse bem do Marcel? Onde leu isso?

VermelhoNunca disse...

E mesmo assim, o facto de ser mau no Benfica não significa que o seja no Braga. Vejo por exemplo aquele jogador que dava cambalhotas no Boavista. Quantas deu no Benfica? Veja o exemplo de Nuno Homenageia Bi-Bota, que para si deve ser um grande jogador no seu clube e que depois faz uma exibição completamente vergonhosa na selecção!
Tonel? Foi de facto muito atabalhoada a sua exibição. Claro que você não deve ter visto o jogo, porque não liga à selecção.

VermelhoNunca disse...

Mais uma boa notícia:
"O vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa acusou hoje a EPUL de ter pago indevidamente cerca de oito milhões de euros ao Benfica para construção dos ramais de ligação às infra-estruturas do novo estádio. “É uma situação de gravidade extrema”, afirmou à Agência Lusa o vereador bloquista José Sá Fernandes, que apresentou hoje em conferência de imprensa os dados relativos ao pagamento para a construção dos ramais, fiscalização e consultadoria da obra"