terça-feira, outubro 10, 2006

Um olhar sobre a Briosa

Ao olhar a classificação actual da Briosa, não pude deixar de reflectir sobre a política desportiva que tem sido seguida nos últimos anos.
Designadamente na (des)orientação estratégica (leia-se directiva) para a área do futebol, que vem sendo seguida, desde que o actual presidente da Direcção, Eng.º José Eduardo Simões tem responsabilidades directivas no OAF da AAC, primeiro como Director Financeiro da Comissão de Gestão e do primeiro elenco eleito no «período pós-Campos Coroa», depois como Presidente interino dada a indisponibilidade de João Moreno por motivos de saúde, e, finalmente, como presidente da Direcção, de Direito e de facto, eleito pelos associados da Briosa.
Janeiro de 2003 (Época 2002-2003)
De facto, se há coisa que não pode negar-se é a ocorrência constante de revoluções quer no plantel, quer no corpo técnico desde que Simões chegou à Direcção da Briosa, a começar na já recuada época de 2002-2003, na qual a Briosa contratou, na reabertura de mercado em Janeiro, 7 atletas (Hilário, Vítor Vieira, Esquerdinha, Marcos António Manuel José, Carlos Martins, Pedro Oliveira), recorrendo à ajuda do FC Porto, cuja influência foi decisiva para que o trio técnico que então também seguiu para Coimbra (Artur Jorge, Raul Águas e Luís Matos, depois ainda reforçado com a contratação de João Carlos Pereira), aceitasse o desafio de rumar à Cidade de Mondego.
Recordo que apesar destas dez entradas em Janeiro, não logrou a Académica fazer melhor do que fugir à despromoção na derradeira jornada, com Paulo Adriano a tranquilizar os adeptos com um golaço, frente ao Braga, obtido quando o «Sérgio Conceição», cheiinho que nem um ovo, já sustinha a respiração.
Época 2003-2004
Na época seguinte foi ainda Artur Jorge que construiu o plantel e começou o campeonato, mas, volvidas três jornadas, deu lugar a Vítor Oliveira, a pretexto da vontade que tinha de voltar a ter tempo para ler e ir ao cinema.
Antes da sua saída justificada com tais actividades lúdicas, o poeta da bola dera o seu aval a 15 contratações (Fouhammi, Pedro Henriques, Paulo Costa, José António, Filipe Alvim, Rodolfo, Dionattan, Wilton, Akos Buszakis, Cédric Fiston, Pedro Fontes, Fábio Felício, Chano, Delmer e Ricardo «El Gato» Perez), às quais se juntaram mais cinco na reabertura de mercado em Janeiro (Paulo Sérgio, Alexandre Fávaro, Joeano, Flávio Dias e Káká), pouco antes da qual saíra Vítor Oliveira, devido a desinteligências com o presidente da Direcção, substituído pelo então seu adjunto, João Carlos Pereira que se fizera por sua vez acompanhar de novo adjunto, Francisco Simões.
No entanto, apesar dos três treinadores, três adjuntos e dos 20 novos jogadores de campo, voltou a Briosa a garantir a manutenção apenas na última jornada, depois de na antepenúltima ronda ter operado o milagre de, a cerca de dez minutos do final de uma contenda que poderia ter sido fatídica para os estudantes, virar um resultado adverso em casa, frente ao Paços de Ferreira.
O avançado da casa Marcelo apontara então o golo decisivo, passando de dispensado por Artur Jorge a verdadeiro herói e fazendo esquecer o reforço Káká, que apesar de rotulado de craque e dono de um contrato principesco (no qual, ao que se diz, vencia cerca de 4 mil contos mensais na moeda antiga, tendo ainda um bónus de 500 contos, também em escudos, por cada golo que apontasse), em cinco meses de estadia em Coimbra, não apontou qualquer golo!
Época 2004-2005
Na época seguinte (2004-2005), o Técnico João Carlos Pereira manteve-se e a Briosa fez nove contratações no início da época (Dani, Bruno Leite, Danilo, Vasco Faísca, William Soares, Ricardo Fernandes, Luciano, Rafael Gaúcho e Kenny Cooper).
Em Dezembro, o técnico já era contudo Nelo Vingada, que manteve a equipa técnica até final do campeonato, reforçando o quadro de jogadores na reabertura de mercado com mais cinco caras novas, (a saber Roberto Brum, Andrade, Kennedy, Hugo Leal e Marcel).
Depois de uma excelente recuperação, a Briosa assegurou a manutenção a duas jornadas do final do campeonato, com um empate a 0-0 em casa do Beira-Mar, formação que nesse ano viria a descer à honra.
Época 2005-2006
Em 2005-2006, Vingada manteve-se ao leme da equipa técnica (que entretanto se compôs com a entrada de Orlando Costa, ex-preparador físico da equipa de Hóquei do Riba d’Ave, para o lugar do experimentado Mário Monteiro, então há seis temporadas consecutivas no clube), tornando-se no único técnico que começou e acabou uma época desde que José Eduardo Simões tem responsabilidades directivas no clube.
Na pretérita temporada foram contratados inicialmente 9 atletas (Eduardo, Lira, Ezequias, Hugo Alcântara, Filipe Teixeira, Fernando, Zada, Rui Miguel e Gélson), para em Dezembro serem acrescentados ao grupo mais dois atletas (Serjão e N’Doye).
Fazendo juz a uma espécie de praxe académica que se vinha consolidando e que só fora quebrada na temporada anterior, a Briosa alcançaria a manutenção pelo pé de Joeano, que com a despromoção à vista salvava a Briosa do inferno, nos derradeiros minutos do último jogo, frente ao Marítimo, convertendo um penalty providencial para os de negro, quando já se chorava a possível descida.
Presente temporada
Finalmente, a presente época, com nova revolução:Um novo treinador (Manuel Machado), dois novos adjuntos (José Augusto e José Nando), um novo técnico de guarda-redes (Zivanovic) e, para já, 15 novos atletas (Douglas, Sonkaya, Lino, Litos, Medeiros, Kaká, Paulo Sérgio, Pavlovic, Alexandre, Hélder Barbosa, Miguel Pedro, Raul Estevez, Dame N’Doye, Nestor Alvarez e Gyano).
Actualmente a Briosa está na 14.ª posição da tabela classificativa, num total de 16 equipas, somando 3 pontos em quinze possíveis.
Por mais que queira rebater-se a frieza dos números apresentados, a realidade global é a que se segue, desde que José Eduardo Simões chegou à Briosa e num (curto) período de 4 épocas e meia:
- 68 Novos jogadores contratados, a uma média de 15 novos jogadores por ano.
- 12 Novos técnicos contratados (13, se contarmos com a promoção de João Carlos Pereira), entre treinadores principais, adjuntos, preparadores físicos e técnicos de guarda-redes, a uma média de quase 3 técnicos por cada nova época desportiva.
- 43 Novos atletas estrangeiros, a uma média de 10 novos estrangeiros por temporada, 30 dos quais de nacionalidade brasileira, a uma média de cerca de 7 novos jogadores oriundos do Brasil em cada época.
Pois é…A frieza dos números dispensa mesmo qualquer comentário extra, explicando com clareza, quer as razões da ausência de bons resultados desportivos, (principalmente em comparação com clubes de dimensão e recursos bem inferiores, como por exemplo a Naval), quer ainda os motivos do significativo agravamento do passivo que se vem verificando, desde que José Eduardo Simões assumiu responsabilidades no elenco directivo da Briosa…

1 comentário:

cavungi disse...

Se bem me lembro, os inicios de campeonato do Prof Manuel machado tem sido péssimos.Desde os tempos de Moreira de Conegos passando por Guimarães e pela Madeira, que assim é.O que se passa na Académica é o normal para o Prof Manuel Machado.Depois nas segundas voltas costuma arrasar.Belos finais de campeonato fez sempre o Moreirense. O Vitória e o Nacional qualificaram-se para a Uefa.Por isso amigo Vermelho não te preocupes porque talvez ainda vais á UEFA.