quarta-feira, junho 30, 2010

Equipamento Alternativo 2010/11


Sinal dos Bons Tempos

O Benfica é o sexto clube com mais jogadores presentes nos quartos-de-final do Mundial 2010.
O clube da Luz só é ultrapassado pelos colossos europeus do Barcelona, Bayern Munique, Real Madrid, Inter Milão e Liverpool.

Assim Espero e Desejo

"Vai ser um ano de magia e partimos com a convicção de que podemos ser bicampeões nacionais" - Jorge Jesus.

FC Porto e os Stewards: Flic-flac à retaguarda ! - Ricardo Gomes

No final de Março, o FC Porto reagiu em comunicado à decisão do CJ, que reduziu drasticamente as penas aos jogadores, revelando que a conduta dos dois jogadores integrava “a infracção disciplinar grave” punível «pelo art. 120º, j) do RC da LPFP com suspensão de 1 a 4 jogos e multa de 750 a 3750 Euros”, num artigo que prevê apenas penas nos casos de agressão a elementos do público. Recorde-se que a Comissão Disciplinar da Liga tinha penalizado ambos os jogadores ao abrigo do artigo 115º f), que enquadra as agressões a “delegados ou outros intervenientes no jogo com direito de acesso ou permanência no recinto desportivo”, uma infracção muito grave, que implica suspensão de três meses a seis anos.
Hulk fora então penalizado na altura com quatro meses de castigo e Sapunaru com seis.
Agora, os assistentes de recinto desporto vão passar a ser considerados, no regulamento disciplinar da Liga de Clubes, agentes desportivos.
Isto claro está se for aprovada, na primeira Assembleia Geral do mandato de Fernando Gomes, que se realiza hoje, a proposta de alteração ao regulamento apresentada imagine-se pelo próprio FC Porto, naquela que é uma mudança radical na forma como os portistas passam a encarar os stewards, depois de na temporada passada, durante o processo de Hulk e Sapunaru, os azuis e brancos defenderem precisamente o contrário. Surreal …

Entrar e sair com medo - Luís Avelãs

Estou desalentado com a eliminação de Portugal nos oitavos-de-final do Mundial da África do Sul. Mas, por outro lado, sinto que nada de estranho aconteceu. Basicamente, a Selecção Nacional perdeu com uma Espanha que, não só no “ranking”, mas essencialmente dentro do campo, provou que é melhor. Quer isso dizer que era impossível ganhar? Não, nada disso. Mesmo com a exibição cinzenta que protagonizámos – uma primeira parte à espera do erro contrário e uma segunda onde fomos completamente passivos, com a agravante de tudo se ter tornado pior a partir do golo, quando era obrigatório atacar -, a sorte podia ter sorrido às nossas cores. No entanto, sendo certo que gostava de ter assistido a uma jornada feliz para Portugal, tenho de admitir que o futebol é sempre mais “honesto” quando vence quem mais faz por isso, quem joga melhor, quem assume as despesas da partida, quem prefere ser “caçador” e não a “caça”.

Como deve suceder com quase todos os portugueses que gostam de futebol (cada cabeça sua sentença) se o seleccionador fosse eu... os meus 23 não teriam sido os que foram à África do Sul. E mesmo tendo em conta as opções de Queiroz, o onze para defrontar a Espanha também seria diferente daquele que foi escolhido. E não o digo por causa da derrota, apenas e só porque considero que é mais digno perder a jogar para a frente (embora sem descurar as tarefas defensivas, pois como o técnico diz, quando não há posse de bola, numa equipa de topo, devem defender os 11) do que para trás ou para o lado à espera de qualquer coisa. Aquilo que senti é que Portugal pretendia ganhar o Euromilhões quando apenas tinha feito uma chave para o efeito. Dá para ganhar assim? Dá, mas todos sabemos que as hipóteses aumentam se apostarmos em mais combinações (leia-se tácticas). Como o treinador referiu antes do encontro, a partir dos oitavos-de-final, deixa de ser possível jogar com os resultados alheios, é tudo para o vencedor e nada para o perdedor. Nessa linha, não vejo outra alternativa que não seja jogar para ganhar. E com todo o respeito que Queiroz me merece – tenho discordado de inúmeras opções, mas não embarco no facilitismo de pensar que com outro responsável teríamos forçosamente outro resultado -, não me parece que tenha sido feito tudo o que era possível para ajudar a que essas vitórias surgissem.

Portugal entrou no Mundial a jogar para não perder e saiu exactamente na mesma. Teve cautelas a mais. E quando isso sucede não uma, mas sim três vezes (a excepção foi o embate com a Coreia do Norte), fica claro que a equipa não apareceu na África do Sul com a cadência certa para sonhar com o título. Apenas para ir caminhando até esbarrar com uma formação com outra filosofia, indiscutivelmente mais ofensiva. E não vale a pena falar do Brasil. Contra a equipa das quinas, os brasileiros jogaram somente para o empate porque sabiam que isso era suficiente para ganhar a “poule”.

Quem vê actuar conjuntos como a Argentina, a Holanda, a Alemanha ou o Brasil (com a tal excepção num jogo diferente) percebe que é mais normal essas equipas ganharem do que perderem ou empatarem. E porquê? Jogam para vencer! Não ficam, antecipadamente, a fazer contas ao que pode correr mal. Preferem equacionar o que pode correr bem. São positivas na sua abordagem ao jogo. Vão todas sair a sorrir do Mundial? Não, porque só teremos um campeão e, porque nada nos garante que a tal estrelinha não possa sorrir a outro pretendente. Agora, se mantiverem a sua postura, de certeza que estarão mais perto da possibilidade de ganhar.

Portugal, diga-se em abono da verdade, não foi feliz em todo este processo. Não foi cabeça de série na prova e isso, tendo em conta o quarto lugar no Alemanha’2006 e o terceiro posto no “ranking”, é mais que questionável; apanhou com o Brasil no seu grupo quando – como facilmente pudemos observar – tinha outros nomes sonantes mais “a jeito” nesta altura; levou com a Costa do Marfim como potencial terceiro colocado do grupo que, claro, tornou logo a série como a mais forte da primeira fase; podia ter evitado a Espanha de forma indirecta se, na terceira jornada do Grupo H, a Suíça tivesse batido a débil Honduras ou se o Chile tivesse aproveitado as claras ocasiões de golo que teve diante da Espanha quando o resultado ainda estava em branco; viu-se privado de peças importantes como Bosingwa e principalmente Nani devido a lesão; não contou com Pepe e Deco em condições normais e, talvez o pior de tudo, apresentou como referência Cristiano Ronaldo e não um dos melhores futebolistas mundiais da actualidade que dá pelo mesmo nome.

Contudo, e porque é igualmente verdade, talvez pudéssemos estar agora a discutir a melhor maneira de passar às meias-finais se, na segunda parte do embate com a Costa do Marfim, a táctica utilizada fosse alterada no sentido de se tentar ganhar o jogo depois de perceber que os africanos dificilmente lá iriam. Ou, mais tarde, se se aproveitassem os derradeiros 15 minutos do compromisso com o Brasil – quando já se sabia que a Coreia do Norte não iria ser copiosamente derrotada pelos marfinenses o que, mesmo em caso de derrota nossa, nos colocava nos “oitavos” – para forçar o ataque, tentando ser primeiros do grupo.

Eu sei que, enquanto Portugal jogava as hipóteses de ser primeiro ou segundo, não se sabia como iria acabar o grupo da Espanha, o que equivale a dizer que, face às possíveis combinações de resultados, até poderíamos ter apanhado com os nosso vizinhos mesmo sendo primeiros da série. Mas não nos teria ficado nada mal tentar ganhar a “poule”. É que o Brasil também não sabia o que iria suceder com a Espanha e não o vi com intenção de ceder a liderança do nosso grupo...

Em resumo: a Selecção foi demasiado calculista com a Costa do Marfim, Brasil e Espanha e, mesmo tendo tido chances de marcar, acabou em branco esses três duelos. Digamos que foi um desfecho normal quando se pensa primeiro em não perder.

Notas de Mundial - Bernardo Ribeiro

3 David Villa. Ontem, se houve galáctico, foi o ponta-de-lança que o Barcelona foi contratar ao Valencia.. Não só marcou o golo que eliminou Portugal como criou perigo quase sempre que agarrou na bola. Uma exibição de sonho de um jogador que pode fazer o Mundial cair para nuestros hermanos.

2 Oscar Cardozo. Não consegue ganhar o estatuto de titular na seleção paraguaia, mas foi ele quem carimbou a passagem aos quartos-de-final do Mundial’2010. Um feito inédito na história do seu país e a que Tacuara fica ligado de forma indelével. Pode ajudar a mais uma venda milionária.

1 Cristiano Ronaldo. Exibição sem chama, talento ou glória e declarações e comportamento inaceitáveis para quem enverga a braçadeira de capitão da Seleção Nacional. Portugal esperava mais de quem já foi o melhor jogador do Mundo e ontem não foi mais do que uma sombra de si próprio.

0 Carlos Queiroz. Portugal sai do Mundial de África do Sul cumprindo os serviços mínimos. Uma vitória, dois empates e uma derrota. Casos com Nani e Deco, a que ontem se juntaram histórias mal explicadas com Hugo Almeida e Cristiano Ronaldo. O pior? Portugal deixou de jogar para ganhar.

Jogámos com 9 contra 11 - Alexandre Pais

O futebol é um jogo de equipa e estou de acordo com Daniel Oliveira: Carlos Queiroz construiu uma equipa. Ainda por cima, apanhou com os cacos que restaram da gestão de Scolari, pelo que fez o seu trabalho.

Mas o futebol é também um jogo de 11 contra 11 e aí Queiroz cometeu o seu pecado mortal quando ontem escalou apenas nove jogadores para defrontar os 11 espanhóis.

Como irá ele agora explicar aos portugueses – já de costas voltadas para o futebol e mais preocupados com o aumento de impostos, o desemprego, as portagens, as reformas ou o papão do FMI – o facto de ter deixado Cristiano Ronaldo e Simão no banco durante 90 minutos? Perguntem ao Queiroz! Sim, está bem, mas e ele vai desculpar-se como?

Se fosse eu, não hesitaria: tinha jogado com 11.

segunda-feira, junho 28, 2010

Javi Garcia: De casa ao treino...

Rui Costa e o Portugal - Espanha

Espanha não é imbatível - Luís Avelãs

Horas depois de empatar (0-0) com o Brasil, Portugal ficou a saber que o adversário dos "oitavos" será a Espanha. Desde o dia do sorteio da fase final do Mundial que se temia a possibilidade deste choque ibérico surgir tão cedo. Por isso, sem rodeios, há que dizer que a sorte voltou a não bafejar as cores lusas. Assim, depois de nos ter destinado um grupinho com o Brasil e uma perigosa Costa do Marfim, tratou de nos "encomendar" a campeã europeia logo para o primeiro duelo a eliminar. É dose...

Assumir que nos calhou o pior adversário possível (as outras opções seriam Chile, Suíça ou Honduras) não é alinhar pela famosa postura do desgraçadinho. É, apenas e só, ter noção que, em teoria, qualquer um dos restantes oponentes seria mais facilmente "quebrável" para a equipa de Carlos Queiroz. Mas, a Espanha, sendo um dos conjuntos mais fortes da actualidade, não é uma equipa imbatível. Se até a Suíça, já na África do Sul, foi capaz de de derrotar os "nuestros hermanos", não é exagero, nem excesso de patriotismo, considerar que Portugal tem reais hipóteses de seguir para os quartos-de-final. Percentagens? Não me parece correcto analisar a situação dessa forma mas, para os fanáticos dos números, penso que se deve falar precisamente em 50% para cada lado.

A Espanha, é verdade, tem tido um comportamento mais eloquente nos últimos tempos, conforme se atesta pelo título europeu de 2008, bem como pela campanha dominadora realizada na qualificação para este Mundial. De resto, começando pelos atacantes Fernando Torres e David Villa, passando pelos médios Xavi, Iniesta e Fabregas, saltando para os defesas Puyol e Sérgio Ramos e acabando no guardião Casillas, possuem alguns dos melhores executantes mundiais do momento. Contudo, é preciso ter em conta que não vamos disputar um campeonato contra eles. Não se trata de, ao fim de determinado número de partidas, ver quem somou mais pontos. Isto vai ser uma "conversa" de hora e meia. Um pouco mais se o tempo regulamentar não desempatar a coisa. E nessas condições, se até as equipas pouco cotadas conseguem "enganar" os favoritos (como se tem visto várias vezes neste Mundial), era só o que faltava não acreditar que a Selecção Nacional pode vencer.

Portugal, com toda a certeza, vai ser obrigado a trabalhar muito, a sofrer em determinadas situações. Mas, num jogo a eliminar, e quando os pratos da balança não estão muito desnivelados, é sempre assim. Por outras palavras: agora é a hora do tudo ou nada. Já não se vai poder entrar em campo a pensar em empates, nos pontos necessários para seguir em frente ou na diferença entre golos marcados e sofridos. Isso acabou. A partir de agora "basta" eliminar o opositor. De preferência ao cabo de 90 minutos. Mas, se tiver de ser no prolongamento ou nos penáltis... que seja.

E para os menos esperançados uma ideia concreta: se nós tivemos azar ao apanhar com a Espanha, eles também não podem sorrir. É que Portugal, por estranho que possa parecer a alguns, é igualmente uma das melhores equipas no planeta. Diz o "ranking" da FIFA e, mais importante, vê-se em campo.

O Autismo de Blatter - Luís Avelãs

Sendo certo que nos primeiros jogos do Mundial sul-africano o desempenho das equipas de arbitragem foi claramente positivo, agora, quando chegámos aos embates a eliminar - o que equivale a dizer que as selecções eventualmente prejudicadas ficam sem espaço de manobra para poder recuperar -, a avaliação é bem distinta. Para pior, para muito pior. E o que faz ou diz a FIFA em relação a isso? Emite um comunicado absurdo em que, pela enésima vez, se percebe que Joseph Blatter e seus pares têm prazer em viver de forma autista. Tal diagnóstico não seria preocupante se essa maleita não acabasse por afectar a verdade desportiva do mais mediático desporto mundial.

Os graves erros nos embates Alemanha-Inglaterra e Argentina-México podiam facilmente ser evitados. Um qualquer sensor dentro das balizas ou na bola seria mais que suficiente para validar o golo de Frank Lampard, enquanto o recurso ao vídeo, em escassos segundos, serviria não só para fazer justiça ao pontapé do médio do Chelsea, como anularia o golo ilegal com que Tevez adiantou os sul-americanos no confronto com os mexicanos.

Mas a FIFA, perante o repúdio generalizado, opta por dizer que "não fará comentários sobre as decisões dos árbitros no terreno de jogo". Bom, bem vistas as coisas, de facto não é preciso comentar nada, pois todos sabemos que os juízes erraram e que, por não existirem meios de auxílio, nada há (ou havia) a fazer.
Curiosamente, no passado sábado, o secretário geral da FIFA (Jerome Valcke) anunciou que se está a estudar a introdução de dois novos auxiliares para o árbitro principal. Na mesma ocasião, contudo, descartou a utilização de vídeo.

As "cabeças pensantes" da FIFA até podem achar por bem destacar 12, 37 ou 55 árbitros para cada partida que continuarão a estar expostos ao erro, pois é por demais evidente que existem lances muito rápidos e onde é quase impossível ter a certeza do que aconteceu. O recurso ao vídeo, isso sim, pode ajudar a reparar muitos erros, conforme sucede na NBA, no râguebi, no hóquei em gelo, no futebol americano ou no ténis. Ou não é verdade?!

O Génio de Ramires!

Heróis improváveis - Fábio Coentrão

Dos cinco melhores jogadores de Portugal na fase de grupos, antes da competição só Raul Meireles reunia o consenso em torno do lugar que Carlos Queiroz lhe reservava entre os 23 eleitos.
Este Mundial tem mostrado alguma evidência de Ronaldo, mas não tem sido de Simão, Liedson ou Deco. Passados três jogos, muito da qualificação passou pela segurança de Eduardo, pela eficácia de Ricardo Carvalho, pelo voluntarismo de Fábio Coentrão, pela discrição de Tiago e pelo pulmão inesgotável de Raul Meireles.
Se, como disse o seleccionador, "o melhor de Portugal ainda está para vir", convém que nenhum dos improváveis heróis se canse.

Fábio Coentrão (Benfica) 270 m

Nasceu sportinguista e extremo, mas foi no Benfica e a defesa-esquerdo que se fez jogador de futebol. Este ano, celebrou o título de campeão e, no dia seguinte, casou-se em Vila do Conde, cidade de onde é natural.
Antes do final da festa soube que Carlos Queiroz o convocara para o Mundial de futebol.
No Benfica só à segunda tentativa conseguiu garantir o lugar no plantel.
Em 2007, acabou emprestado ao Rio Ave e ainda passou uma temporada no Saragoça antes de regressar ao estádio da Luz onde Jorge Jesus o converteu a lateral.
Na selecção, a história não podia ter sido diferente.
Estreou-se frente à Bósnia em Novembro no jogo que deu o acesso ao Mundial, foi titular no jogo de abertura do Grupo G e, ao fim de 270 minutos, conquistou o lugar. Nesta altura, como jogador que mais passes tentou - segundo as estatísticas da FIFA, 163 com uma taxa de sucesso de 80% - a influência de Fábio Coentrão sente-se em todos os sectores do campo. "É novo, rápido e chega a bolas que parecem perdidas. Tem estado muito bem", disse Ricardo Carvalho, depois de Coentrão ter sido o melhor dos portugueses frente ao Brasil.
"Não tenho medo de ninguém neste Mundial", garantiu o número 23. O próximo teste é já amanhã na Cidade do Cabo.

domingo, junho 27, 2010

Aqui há fantasmas - Ricardo Araújo Pereira

Há quem seja fanático quanto à política, quanto à religião, quanto à nacionalidade. Pessoal mente, prefiro guardar o facciosismo para aquilo que verdadeiramente interessa: o Benfica.
Os temas menores despertam em mim emoções apropriadas à sua dimensão. Talvez por isso tenha, sobre a Selecção Nacional, um olhar mais distanciado e neutro do que aqueles hooligans aos quais alguns chamam jornalistas.

Durante o Campeonato do Mundo, deixo o fanatismo suspenso. Os jornalistas desportivos fazem o contrário.
Passam quatro anos a praticar aquilo que eles tomam por isenção. Em foras-de-jogo escandalosos, talvez o árbitro mereça o benefício da dúvida. Perante o maior penalty do mundo, ficam com algumas dúvidas mas respeitam a decisão.
Assim que começa o Mundial, entregam a carteira de jornalista e mandam a imparcialidade às malvas. O código deontológico deixa de valer quando a Selecção joga. Por exemplo, quando Tiago caiu na área do Brasil, percebi logo que não tinha havido falta. Os jornalistas que faziam o relato na televisão começaram a gritar penalty ainda a bola não tinha passado do meio campo.
Foram necessárias duas repetições para reconhecerem, muito relutantemente, que ninguém tinha tocado no jogador português.
Quando Juan jogou a bola com a mão, os comentadores do jogo começaram a preencher um requerimento à FIFA com vista à irradiação do defesa brasileiro, e depois lamentaram que o árbitro tivesse aplicado as regras, mostrando apenas um amarelo. O único brasileiro a quem os nossos jornalistas não arreganharam o dente foi mesmo o Pepe. Curiosamente, também foi o único brasileiro que merecia, de facto, ter sido expulso. Nas entrevistas rápidas e conferências de imprensa, o modelo das perguntas é sempre o mesmo: trata-se de elogios com um ponto de interrogação no fim. Fulano de Tal, não é um enorme orgulho acabar a fase de grupos sem qualquer golo sofrido? Ninguém se lembra de perguntar, ainda que de passagem: Fulano de Tal, não é um bocadinho preocupante acabar a fase de grupos tendo conseguido marcar golos apenas à Coreia do Norte?

Entretanto, os meus compatriotas continuam divididos: scolaristas de um lado e queirozistas do outro.
Pela minha parte, nunca achei que Scolari e Queiroz fossem treinadores que merecessem clube de fãs.
É verdade que Scolari é o treinador mais bem sucedido de sempre da Selecção Nacional, mas talvez isso diga mais dos seleccionadores que temos tido do que dele. Quanto a Queiroz, parece assombrado pelo fantasma de Scolari.
E, por isso, aparentemente resolveu emular o treinador que mais retumbantemente venceu Scolari: Otto Rehhagel.
O ex-seleccionador da Grécia teria apreciado a equipa portuguesa que ontem empatou com o Brasil. Estavam em campo dois laterais esquerdos, quatro centrais, dois médios, um extremo e um Danny - cuja posição confesso que ainda não percebi exactamente qual é. A selecção portuguesa está, por tanto, assombrada por dois fantasmas: o de Scolari e o de Rehhagel.
Se algum médium conseguir convocar o fantasma de Mourinho, talvez Portugal seja campeão.

Há um limite para além do qual a rivalidade clubística deixa de fazer sentido. Uma coisa são saudáveis picardias, outra são altercações azedas.
A BOLA tem colunistas do Benfica, do Sporting e do Porto, e tanto benfiquistas como sportinguistas devem reconhecer, sem sectarismo, que se encontram em desvantagem. O Porto é o único que tem, entre os seus representantes neste jornal, um homem que além de colunista, é um escritor e dos bons. Um abraço para o Francisco José Viegas.

Fábio Coentrão: é assim tão surpreendente? - Luís Sobral

Fábio Coentrão tem sido o melhor jogador da selecção portuguesa, o que obviamente está a espantar a parte do mundo que segue com atenção o futebol que se joga na África do Sul. Mas não devia espantar-nos a nós, portugueses atentos.

Por duas ou três razões.

1. O salto que Coentrão tinha a dar já o deu. Sucedeu a meio da época passada. Quem joga como ele jogou na Liga portuguesa e na Liga Europa está preparado para actuar ao mais alto nível. Com Jorge Jesus, demonstrou capacidade para defender, inteligência para explorar o flanco e, talvez mais importante, maturidade para gerir os vários momentos de um jogo de futebol.

2. Na selecção não há ninguém particularmente bem. Uns por terem feito épocas intermitentes. Outros por não serem propriamente titulares. Alguns outros por andarem a contas com lesões. Os restantes por serem famosos de mais, o que convida os adversários a marcações implacáveis. Que reste espaço para Coentrão parece-me apenas normal.

3. Por último, a posição que Fábio Coentrão ocupa. As laterais são as últimas zonas livres num jogo de futebol. Com força, técnica e sabedoria pode-se partir dali para grandes coisas. Maicon é o melhor exemplo.

Robinho humilha Kaká...

quinta-feira, junho 24, 2010

Reinstale-se a angústia - Miguel Esteves Cardoso

Com os 7-0, os portugueses passaram do pessimismo fatal para a euforia, sempre uma transição agradável. Os ingleses também estão eufóricos, mas, coitados, sofreram muito mais do que nós para chegarem ao mesmo estado de espírito.

"Mas", como escreveu, com pontaria, António Tadeia n'O JOGO de ontem, "o meio-termo não é nem será nunca uma especialidade nacional. Veja-se a forma acabrunhada como a equipa ficou após o 0-0 inaugural e o modo confiante como sai da goleada à Coreia. O que vale é que, antes dos previsíveis oitavos-de-final, ainda aparecerá por aí o Brasil. Resta saber se para temperar ou agravar entusiasmos."

Pois resta, pois resta. Se, amanhã à tarde, o Brasil nos temperar os entusiasmos, pode ser que fiquemos mais saborosos. Se ganharmos ao Brasil, a vitória será sempre desvalorizada pelos nossos concorrentes, alegando que o Brasil não se esforçou ou mesmo que preferiu perder para evitar (ou não) a Espanha. Nós também teremos essa defesa caso percamos - o de não querermos ser primeiros do Grupo G para não jogarmos contra os segundos do Grupo H.

Teremos de ser bruxos, claro, porque amanhã à tardinha é o Chile-Espanha. Se empatarem e a Suíça ganhar às Honduras, a Espanha é eliminada e fica o Chile em primeiro e a Suíça em segundo.

São estas contas todas que dão cabo da cabeça a qualquer mortal. Contra a Suíça, queremos certamente jogar. Mas quem sabe se nos corre melhor contra a Espanha ou o Chile?

Acabou-se o baile. Reinstale-se a angústia.

Tiago e Coentrão no topo do Mundo - Alexandre Pais

Sei que me vou repetir, mas mergulho de cabeça. É que estou impressionado com a inclusão dos portugueses Fábio Coentrão e Tiago na “equipa ideal” das primeiras jornadas do Mundial, segundo votação online do diário “Marca”, e na qual tinham participado, até ao início da noite de ontem, mais de 27 mil leitores.

Tiago dava-se ao luxo de bater mesmo um espanhol, Busquets, como melhor médio-centro, por quase 3 mil votos, enquanto Coentrão vencia a concorrência do mexicano Salcido: 50,9% “contra” 42,4%.

Em que me vou repetir então? Precisamente ao salientar o mérito da determinação e do trabalho de dois jogadores tantas vezes “emprestados” e que disso fizeram a força que os levou, para já, ao topo do futebol mundial. Fantástico.

A outra Beleza do Mundial

Capello...

Fabuloso Mata

quarta-feira, junho 23, 2010

Tributo aos campeões nacionais!

Seria possível algo semelhante em Portugal?

Jara e Gáitan apresentados na Luz

Fábio Coentrão na equipa ideal do Mundial

O benfiquista Fábio Coentrão faz parte do "onze ideal" do Mundial escolhido pelos leitores da Marca.com – mais de 27 mil votantes às 18 horas de hoje – já que recolheu 50,9% dos votos, contra 42,4% de Salcido (México) e de 6,7% do grego Torosidis, os outros dois nomeados pela redação do diário espanhol como melhores laterais-esquerdos do torneio, até à 2.ª jornada.

Outro português surge nessa "equipa ideal", Tiago, o melhor médio-centro, com 50,5% dos votos, à frente de Busquets (Espanha), com 40,3%, e de Vera (Paraguai), com 9,2%.

Portugal tem ainda mais dois nomeados: Ricardo Carvalho, como central-esquerdo, e Raul Meireles, como "media punta", mas ambos não conseguem integrar o "onze" eleito. O jogador do Chelsea é o menos votado, 11,8%, numa categoria em que Piqué (Espanha) lidera, com 75,5%. O portista "faz" ainda assim segundo, com 29%, atrás de Snejder (Holanda), que alcança 62,9%.

O espanhol David Vila, com 75,6% como melhor avançado, é o mais votado da "equipa ideal", deixando muito longe, na sua categoria, o brasileiro Luís Fabiano, com 18,8%, e o argentino Aguero, com 6,6%.

segunda-feira, junho 21, 2010

Quando a Opinião não está Engajada

"The left-back Coentrao, who has been a real threat going forward, beats Cha Jong Hyok drives a dangerous, deflected cross towards the near post where Almeida,

Ronaldo finds the overlapping Coentrao down the left and he drives his cross low towards the six-yard box

The excellent Fabio Coentrao burst into space down the left onto a lovely pass from Tiago and then swung back a perfect cross to Almeida

going forward Coentrao has been a revelation.

The marvellous Coentrao crossed from the left edge of the box ..."

The Guardian.

Não podia estar Mais de acordo

O técnico do Benfica, no comentário após o Portugal-Coreia do Norte (7-0), mostrou-se algo preocupado com a boa exibição registada por Fábio Coentrão, numa altura em que o lateral-esquerdo é muito cobiçado pelos principais clubes europeus.
Jorge Jesus não está à espera de perder Fábio Coentrão na equipa do Benfica, na próxima época, mas não deixou de se mostrar preocupado com a exibição do lateral-esquerdo, esta tarde, na goleada imposta por Portugal à Coreia do Norte (7-0), na 2ª Jornada do Grupo G do Mundial 2010.

"Espero bem que não", atirou o técnico do Benfica, em resposta à questão de se estaria com medo de perder o jogador. "Todos os dias têm saído notícias de que as melhores equipas do mundo estão interessados em grandes jogadores do Benfica devido à boa época do Benfica", prosseguiu.

"O Fábio vai jogar cada vez melhor a cada jogo que passar, porque tem características individuais para aquela posição que não há muito jogadores que as tenham. Se houvesse outro jogo a seguir, ele continuava a jogar ao mesmo ritmo", considerou.

Selecção: alguém explica? - Luís Sobral

Carlos Queiroz desmultiplicou-se esta semana em entrevistas. Tudo espremido, o seleccionador tinha pouco de novo para dizer, o que até se compreende porque desde antes do estágio na Covilhã que ele anda a falar.

Aparentemente, Carlos Queiroz sentiu que a mensagem não tinha passado e tentou resolver ele próprio o problema.

Má opção.

Por um lado, o principal problema da selecção tem estado dentro do campo. E esse não se resolve, lamentavelmente, com entrevistas. É preciso jogar. Sobretudo, é preciso fazer os portugueses vibrar. Com rigor, sem riscos parvos, sim, mas também com audácia.

Por outro lado, Carlos Queiroz está longe de ser um treinador bem-amado. Logo, o seu discurso não cativa. Acho que hoje em dia produz o efeito contrário.

Por fim, a selecção tem apresentado espantosas fragilidades na comunicação. A lista de casos mal geridos impressiona. A lesão de Nani. A chamada de Ruben Amorim. A partida de Nani. As palavras de Nani à chegada a Lisboa. A resposta azeda do seleccionador. As declarações de Deco. O pedido de desculpas de Deco. E agora a lesão de Deco.

Quando Nani decidiu deixar a África do Sul, o empresário do jogador falou e a Federação limitou-se a confirmar. Agora com a lesão de Deco sucedeu o mesmo. O assessor do futebolista antecipou-se, ao seleccionador restou o papel de dizer que sim com a cabeça.

Aprecio especialmente a qualidade profissional das pessoas que trabalham na área da comunicação da selecção nacional. Aliás, são bastante experientes nestas competições. O que só adensa o mistério: o que está a impedir a Federação de lidar bem com estes casos?

P.S.: Era só o que faltava se a selecção, hoje ao almoço, voltasse a jogar com medo. Logo ali, na Cidade do Cabo. Empatar, perder, ganhar, tudo isso é legítimo. Não ousar é ser incapaz de estar à altura do momento.

Selecção: Raul Meireles, Tiago e sobretudo a audácia - Luís Sobral

De repente, golos.

A selecção nacional encarou a partida com a Coreia do Norte da forma certa: arriscou. De mais, dir-se-á. Talvez, mas ao lançar o jogo numa base rápida e aberta, a selecção esperou que a qualidade fizesse a diferença.

A verdade é que antes do primeiro golo a diferença demorou a fazer-se notar. Foi preciso que Tiago e Raul Meireles se entendessem para que Carlos Queiroz respirasse.

Como sucedeu perante o Brasil, a Coreia ficou diferente depois da meia hora. Para pior. E o 2-0 poderia ter aparecido ainda antes do intervalo.

O descanso nada alterou. Raul Meireles continuou em grande, solto. Tiago também. Juntos, com o auxílio de Fábio Coentrão (que segunda parte!), a eficácia de Simão e Hugo Almeida e o bom jogo dos centrais, Portugal foi somando golos.

A goleada conseguida pode permitir até que Portugal perca com o Brasil e siga em frente. Mas essas são contas para sexta-feira. Deste jogo com a Coreia do Norte fica a certeza de que o medo não é bom conselheiro.

A Discussão de Evra com o Preparador Físico

Um cheirinho de Portugal - Luís Avelãs

Era preciso ganhar à Coreia do Norte e isso foi conseguido. Convinha marcar várias vezes, de forma a precaver um eventual desempate com a Costa do Marfim através da diferença entre golos marcados e sofridos, e isso também foi atingido. Só que, pelo meio, na Cidade do Cabo, a Selecção Nacional fez mais. E melhor. Com uma segunda parte histórica, Portugal voou para uma impensável goleada de 7-0 e, para além de se aproximar dos oitavos-de-final, mostrou-se ao Mundo.

Numa prova repleta de surpresas e onde muitos dos favoritos têm sido completamente ludibriados por conjuntos teoricamente mais débeis, a equipa de Carlos Queiroz fez questão de passar uma mensagem importante à concorrência, como que anunciando estar pronta para todas as eventualidades e apagando, de alguma forma, a prestação cinzenta, apática e medrosa da jornada inaugural.

Ainda assim, convém realçar (e recordar) que Portugal ganhou apenas uma partida. E frente à equipa com pior “ranking” entre as 32 que competem na África do Sul. Bater a Coreia do Norte não é nada de especial. Só que fazê-lo com uma goleada improvável, reduzindo o opositor à vulgaridade, é diferente. Ainda por cima, há dias, o todo-poderoso Brasil não conseguiu melhor que um sofrível 2-1.

É verdade que os norte-coreanos, a partir do 2-0, desistiram, deixaram de lutar com a disciplina férrea que se lhes reconhece. Contudo, mesmo não querendo cair no elogio exagerado – que facilmente aparece após um resultado tão gordo -, Portugal contribuiu imenso para o desnorte alheio. A forma célere e inteligente com que trocou a bola na segunda metade – fazendo um carrocel vistoso e eficiente – foi a chave do sucesso. Isso e a atitude dos jogadores que, desta vez, quiseram ganhar e, mesmo depois de garantidos os 3 pontos, procuraram jogar bem e marcar o maior número possível de golos.

Queiroz, para além da troca forçada de Deco por Tiago (que acabou por ser bastante benéfica para a equipa, já que o minhoto apresenta uma condição física bem superior à do luso-brasileiro que viveu uma época muito instável), teve a arte e a coragem de operar mais três alterações no onze. E acertou em cheio. Miguel, Simão e Hugo Almeida trouxeram maior dinâmica. O lateral, como sempre foi evidente, tem mais futebol que Paulo Ferreira, enquanto os companheiros – que mereceram a oportunidade face aos à escassa produção de Danny e Liedson na estreia – do ataque fizeram os golos que “mataram” a partida

Para a jornada de boa esperança ficar completa nem faltou o regresso aos golos de Cristiano Ronaldo e de Liedson. Por outras palavras, era difícil pedir mais e melhor. Ganhar, jogar bem, golear e ver uma série de futebolistas aumentar a respectiva confiança parece receita prescrita por toda uma nação que, por seu lado, também voltou a sorrir.

domingo, junho 20, 2010

Mais depressa se apanha um Miguel Sousa Tavares do que um coxo - José Diogo Quintela

Na terça-feira, Miguel Sousa Tavares aconselhou-me simpaticamente a preocupar-me com a próxima época do Sporting.
Agradeço o conselho, de facto estou apreensivo, mas, se me permite, antes de falar sobre as hipotéticas contratações do Sporting para 2010/2011, vou continuar a debruçar-me sobre as hipotéticas contratações do Porto em 2003/2004. Nomeadamente a de Augusto Duarte.

Voltando a citar o verdugo nazi da sua predilecção, MST repisa que uma mentira repetida acaba por se transformar em verdade.
Eu acho que o MST usa outra técnica: inventar várias mentiras, a ver se alguma pega. Desta vez, MST diz: «Há anos que o José Diogo Quintela anda a repetir que um árbitro foi tomar um cafezinho a casa de Pinto da Costa, na véspera de apitar um jogo decisivo do FC Porto, em 2004. Tirando o facto de não ter sido assim que a coisa ficou provada em tribunal, o mais importante é que esse jogo (um Beira-Mar - FC Porto) não era decisivo, pois o Porto já tinha o campeonato no bolso - tanto que dispensou de apresentar vários titulares, que ficaram a descansar para a eminente final da Champions, em Geselkirchem [sic], que teve lugar daí a dias. O jogo terminou empatado, salvo erro 1-1 e, segundo o trio de analistas de arbitragem do Jogo, o árbitro do cafezinho cometeu, de facto, dois erros, um para cada lado e ambos com possível influência no resultado. Só que, azar, o primeiro erro foi contra o FC Porto - e o primeiro erro é sempre o mais importante.
Ah, e o treinador, que precisava que dessem cafezinhos aos árbitros para vencer um Beira-Mar, chamava-se José Mourinho e logo, logo, iria ser campeão europeu...»

Bom, vamos à habitual correcção. Numerada, para ser mais fácil de seguir.

Peta 1 - «Tirando o facto de não ter sido assim que a coisa ficou provada em tribunal». É falso. Ficou mesmo provado, nos pontos 21 a 24 do Acórdão, que um árbitro foi a casa de Pinto da Costa na véspera de apitar um jogo do FCP. E mais. Já lá vamos.

Peta 2 - MST diz que o jogo não era decisivo, «pois o Porto já tinha o campeonato no bolso». Falso outra vez. Antes dessa jornada, faltando disputar 12 pontos, o Sporting estava a 5. O campeonato não estava conquistado.
A não ser que MST use a expressão «no bolso» no sentido de estar combinado. Será? MST, veja lá se o Pinto da Costa não o processa.
Mais: este jogo era decisivo porque o FCP jogava para o campeonato e para a Champions e precisava descansar jogadores.
O empate contra o Nacional, quatro dias antes do jogo em Aveiro, retirou-lhe margem de manobra.
O que pode explicar a urgência que António Araújo tem em convencer Augusto Duarte a ir a casa de PC. (Curiosidade gira: supostamente, Augusto Duarte é que queria pedir a PC um favor relativo à amante do pai, mas nas escutas é PC que tem urgência em que o árbitro lá vá)
Entretanto o Sporting foi roubado no Bessa (por um árbitro que, este sim, não há provas de que tenha ido a casa de PC), facilitando a vida ao Porto.
Mesmo assim, era decisivo o Porto não perder com o Beira-Mar, senão, daí a duas jornadas, em Vila do Conde, não poderia descansar atletas antes da segunda mão da meia-final da Champions; as já estou a desvendar a galga n.º 3. Vamos a ela

Peta 3 – MST afiança que o FCP «se dispensou de apresentar vários titulares, que ficaram a descansar para a eminente final da Champions, em Geselkirchem [sic], que teve lugar daí a dias». Falso, também. A final da Champions (que é, de facto, eminente) não estava iminente.
Iminente estava a primeira mão da meia-final. E, sim é verdade que o FCP jogou sem habituais titulares.
Como é que tinha a garantia que o podia fazer? Se calhar já estava «no bolso». Porque o Beira-Mar, como se verá, não era uma equipa qualquer.
Por isso é que quando MST diz «Ah, e o treinador, que precisava que dessem cafezinhos aos árbitros para vencer um Beira-Mar, chamava-se José Mourinho e logo, logo, iria ser campeão europeu...», falha a ironia. O que não é grave, é só falta de jeito.
É que este «um Beira-Mar» que MST parece desprezar tinha sido, por acaso, a última equipa a ganhar em casa de Mourinho, no campeonato. Ainda é, até hoje.
A 23-02-2002 «um Beira-Mar» foi ganhar às Antas. Talvez porque, dessa vez, o árbitro expulsou mesmo os jogadores do FCP que mereceram, não sei.
O que sei é que, desde então, nem um Manchester United, um Arsenal, uma Juventus, um Milão ou um Liverpool conseguiram ganhar em casa de Mourinho, como conseguiu «um Beira-Mar».
Porque isto é futebol e às vezes o mais fraco ganha. Ah, e o treinador a quem o Poro ia ganhar facilmente chamava-se António Sousa, o último a ganhar em casa de Mourinho…

Peta 4 – Sobre a arbitragem, MST garante que «segundo o trio de analistas de arbitragem do Jogo, o árbitro do cafezinho cometeu, de facto, dois erros, um para cada lado e ambos com possível influência no resultado.
Só que, azar, o primeiro erro foi contra o FC Porto - e o primeiro erro é sempre o mais importante».
Espanta-me que MST, que se farta de exigir respeito pelas decisões da Justiça, achincalhe um Tribunal, mesmo que o do Jogo.
É que eu fui consultar a edição do Jogo de 19-04-2004 e, na pág.10, constatei que MST intruja no seguinte: i) não eram 3 os analistas, mas sim 4: Coroado, Rosa Santos, Garrido e Miranda de Sousa; ii) 2 deles acham que o árbitro cometeu 2 erros: o 1º aos 10 minutos, ao não expulsar Secretário, e o 2º aos 12, ao não amarelar Marco Ferreira; os outros 2 analistas acham que só cometeu o 2º erro; iii) assim, é redundante indicar que o primeiro erro não foi contra o FCP. Azar, sim, mas para MST que foi apanhado, noutra mentira. Não é a primeira. Será a mais importante? O leitor decidirá. Mas é interessante ver que, sobre a arbitragem, MST remete para o Tribunal do Jogo (ainda que falseando) em vez de para o tribunal que julgou o Caso do Envelope.
É que a conclusão a que a justiça chegou foi diferente: houve 4 erros, 3 a favor do Porto, sendo que o único grave foi a tal não expulsão. Porque é que MST escamoteia isto? É porque, embora a juíza não ache, quem vê futebol sabe que é difícil jogar com menos um durante 80 minutos.

Peta 5 – No fim, MST diz que tenho o «descaramento» de falar na viagem que o Porto pagou a Carlos Calheiros «já depois de reformado».
Sucede que essa viagem foi em Julho de 95 e bastou-me consultar jornais da época 95/96 para saber que a 27 de Agosto do mesmo ano Calheiros, ainda bronzeado, apitou o Sporting – Boavista.
Ora, das duas, uma: ou o reformado fez um biscate para ajudar a compor a reforma, ou MST está, mais uma vez, a aldrabar.
Descaradamente.
Atenção, não quero com isto afirmar que MST só mente. Também diz meias-verdades: o jogo acabou empatado, mas 0-0, não «salvo erro 1-1». E diz algumas verdades. Por exemplo, diz que se tratou de um jogo de futebol. E que Mourinho é treinador. Duas verdades. Não são muitas, nem particularmente relevantes, mas já não é mau. Salvo erro.
MST termina assim: «Se neste país houvesse uma cultura de responsabilidade, se cada um fosse responsabilizado pelo que diz e faz, não se continuaria a insistir em mentiras desmascaradas pela justiça».
Mais uma vez, discordo. Quero que em Portugal continue a ser possível que irresponsáveis repitam patranhas.
Reconforta-me saber que, quando me falta tema, posso sempre desmentir MST, um homem que tem uma relação curiosa com a verdade.
Como pode constatar numa entrevista recente:
- Foi acusado de ser brando com José Sócrates e implacável com Gonçalo Amaral. Revê-se em qual dos Miguel Sousa Tavares?
- O meu estilo de entrevista foi igual em todas, tirando o Gonçalo Amaral.
Confesso que houve uma coisa que não devia ter influenciado, mas que influenciou, que foi ele ter começado a entrevista com uma mentira. Isso deixou-me logo de pé atrás. MST, in Flash, 31-05-2010
Gostava de ver o MST que fica de pé atrás com uma mentira a entrevistar o MST que escreve estas crónicas.

Crónica de Ricardo Araújo Pereira - Cada um tem o Camões que Merece

Pouco Genial Presidente, Pouco Genial - Leonor Pinhão

Não conheço nenhum portista que não tivesse reagido com um «oh, que pena!» à notícia de A BOLA dando conta do assédio do FC Porto a Jorge Jesus no final desta época.
E conheço muitos que reagiram com um saudoso «ai, ai, nos seus bons velhos tempos o nosso presidente tinha-vos dado mesmo a golpada!» e outros, mais dados à teoria histórica, que logo recordaram com um «ah, era lindo, um bocado parecido com aquela vez que fomos buscar o Rui Águas quando ele era o vosso ídolo e símbolo».
Na verdade, nada mais dentro do reportório de Pinto da Costa do que tentar fazer um número com Jorge Jesus que, em termos de apego ao Benfica, tem bem menos responsabilidades do que tinha Rui Águas desde que nasceu e, especialmente, no ano de 1988.
Mas, desta vez, o número falhou. Há artistas que, com o tempo, perdem qualidades.
E o silêncio oficial sobre o assunto é tão eloquente…
Pouco genial, presidente, pouco genial.

Em Junho de 2001, Pinto da Costa estava aborrecido com Domingos Paciência, em final de carreira, e Domingos estava aborrecido com Pinto da Costa, que, pelas nossas contas, já tinha passado o meio da carreira, e que criticava o ex-menino de ouro nestes termos: «Não venham agora com choradinhos de simbologias quando os jogadores são eminentemente profissionais e quando têm oportunidade de sair não abdicam de as aproveitar». Tudo isto a propósito de uma experiencia pouco empolgante do mesmo Domingos no Tenerife e do seu regresso, também pouco empolgante, ao Estádio das Antas, pois era assim que se chamava na altura o recinto do FC Porto.
O episódio já se passou há muito tempo e não é o simpático e distante Tenerife que o traz à baila. É antes o exemplo que Pinto da Costa deu do atleta que, segundo ele, mais e melhor significava a pureza do desinteresse material e do amor à camisola. «Só conheço um jogador que, desde que calçou umas botas ou sapatilhas para jogar futebol, só vestiu a camisola do FC Porto. Esse jogador foi Rodolfo Reis. Todos os outros aproveitaram quando tiveram oportunidade de ir para melhor».
Pois bem, resta-nos dizer que, face a acontecimentos bem mais recentes, Rodolfo Reis está completamente tramado.
Se na apresentação de André Villas-Boas, o presidente do FC Porto afirmou peremptoriamente que não conhecia, no universo portista, nenhum «céptico» quando ao bom juízo da sua escolha, imagine-se só que, no mesmo dia, veio Rodolfo Reis não só desalinhar como também desmentir Pinto da Costa em declarações públicas em tudo contrárias ao discurso presidencial sobre a unanimidade em torno do novo treinador: «Não sei o que dizer e acho que é a opinião de milhares de pessoas do universo portista. André Villas-Boas foi o técnico da Académica e lá fez um trabalho banal, apenas. É um risco total».
E Rodolfo Reis é mesmo um símbolo do FC Porto.

Pronto, lá estragaram as férias ao nosso Rúben Amorim. E, ainda por cima, que merecidas férias para quem tanto labutou e jogou um ano inteiro. Lamentavelmente, Rúben Amorim vai viajar para a África do Sul porque Nani, que prometia estar em grande, se lesionou num ombro ainda em Portugal.
Curiosamente, o comunicado da FPF a anunciar a indisponibilidade do jogador não especifica as circunstâncias em que Nani se magoou. Terá sido a jogar ping-pong com Cristiano Ronaldo? Ou terá sido a comemorar o seu bonito golo aos Camarões com uma sequência de cambalhotas? Em Manchester, Sir Alex Ferguson passa-se com os saltos mortais do português e alguma razão terá.

Ao que dizem o SLBenfica está interessado em James Rodríguez



Os efeitos do Mundial nas relações

sexta-feira, junho 18, 2010

Crónicas de Aimar - Argentina sempre foi candidata

Sudáfrica 2010 - "Argentina no sacó chapa de candidato hoy, siempre lo fue"

"La selección empezó muy fuerte, igual que ante Nigeria. Sufrió un poco cuando cuando descontaron los coreanos pero siempre fue muy superior", consideró. Sobre Higuaín, evaluó que "es un goleador con técnica y con buena lectura del juego" "Argentina se da el lujo de dejar a Milito en el banco y ahora nadie podría discutir esa decisión", sostuvo.

Pablo Aimar, columnista especial de TD Digital en el Mundial, manifestó tras el triunfo de la selección por 4 a 1 ante Corea del Sur que "Argentina no sacó chapa de candidato hoy, siempre lo fue"
"La selección empezó muy fuerte, igual que ante Nigeria. Sufrió un poco cuando cuando descontaron los coreanos por la falla defensiva pero siempre fue muy superior. Solo Demichelis sabrá si no pudo escuchar que venía un delantero. El estaba mirando para donde venía pelota y el ruido de las tribunas pudo haber molestado", consideró.
Aimar destacó que, "de la forma en que está jugando Argentina un error no debería implicar la eliminación porque hay argumentos para dar vuelta un resultado"
"En 90 minutos no hay ningún sistema infalible, no hay ningún equipo que no vaya a sufrir desacoples ó pueda padecer situaciones de gol. Defensivamente el equipo jugó bien, aún con la lesión de Samuel", afirmó.
Para el volante del Benfica, Carlos Tevez "estuvo mucho más claro con la pelota y es uno de los jugadores que levanta el nivel en los partidos decisivos".
"Es una muy buena decisión de Maradona que jueguen los tres juntos, con Messi e Higuaín. Lionel se tiró más atrás y no se notó la ausencia de Verón. De todos modos, en otros partidos la bruja será clave dentro y fuera de la cancha", manifestó.
Aimar aseguró "no es una preocupación que Messi no convierta porque crea situaciones y eso es lo importante"
Sobre Higuaín, evaluó que "es un goleador con técnica y con buena lectura del juego"
"Argentina se da el lujo de dejar a Milito en el banco y ahora nadie podría discutir esa decisión", sostuvo.
La selección deberá medirse en el próximo cotejo con Grecia y Aimar cree que "no debería relajarse porque todavía no está clasificada"
"Sería bueno mantener el juego desplegado hasta ahora y después se verá. Ni México ni Uruguay quieren enfrentarse con la Argentina. Entre los dos prefiero enfrentar a los mexicanos porque los uruguayos juegan el doble contra nosotros", expresó.

España

Tras la derrota de España, el gran candidato del torneo, Pablo Aimar señaló que la roja "jugó todo el partido con la pelota como es habitual pero no encontró el gol"
"Suiza hizo lo que debía hacer y se llevó el triunfo. No creo que España tenga problemas para ganarle a Honduras y con Chile no se sabe que puede pasar. En este grupo puede quedar afuera un equipo con seis puntos por lo que va a ser muy difícil", sentenció.

quinta-feira, junho 17, 2010

Arrepiante - Obrigado Saviola

"Ao longo da carreira encontrei vários tipos de adeptos. Dos fanáticos de Sevilha, aos low profile do Mónaco. Mas como também já referi, não encontrei nenhuns com a genuína paixão dos benfiquistas. É quase inexplicável. Sente-se olhando fundo nos olhos das pessoas. Sente-se nas manifestações espontâneas nas ruas, nos restaurantes, no estádio. Sente-se nas cartas que recebemos (...)

"Quem já passou pelas mesmas situações - em países diferentes, com clubes diferentes e adeptos diferentes - sabe distinguir claramente os sentimentos. Aqui é distinto. Garanto!."

"O Benfica é um clube muito especial. Não digo isto para ser politicamente correcto ou conquistar o coração de quem quer que seja. Aliás, antes de vir para Portugal, posso confessar que desconhecia em absoluto esta grandeza."

"O Benfica foi-me conquistando e convencendo com factos. É daqueles clubes que te surpreende dia após dia."

"Quando conto isto a alguns colegas de outros clubes eles estranham. Como é que alguém passou pelo Real Madrid ou Barcelona se pode surpreender? A explicação é simples. O Real ou o Barça são como teatros gigantescos e nós, os jogadores, somos os actores principais de uma grandiosa encenação. No Benfica é outra coisa, mais ligada ao sentimento, ao povo, à paixão.Vem das raízes, é genuíno..."

"Os adeptos conseguem transmitir-nos exactamente o que lhes vai na alma. Sentimos essa força na pele. (...)Cheguei a dizer ao Jorge Jesus: "Mister, isto nem no Madrid!"

"O mesmo já tinha acontecido no estágio da Suíça. No meio das montanhas, num local quem nem vem no mapa, havia centenas de benfiquistas a apoiar-nos."
"Após o primeiro treino liguei à minha mãe e disse: Mãezita, este clube é impressionante!"

Saviola

O Último Golo de Pelé

Argentina Goleia

Ao que dizem será jogador do SLBenfica na próxima época - Rodrigo

quarta-feira, junho 16, 2010

As crónicas de Aimar: os Candidatos

Sudáfrica 2010, los candidatos - "Me gustó Alemania pero no creo que se repitan muchas goleadas"

Alemania ofreció un esquema agresivo con cuatro jugadores que son delanteros en sus equipos y espero que esa propuesta se repita en el resto de los cotejos. En relación al último campeón, no debemos engañarnos. Italia hace un recorrido similar en cada mundial. Parece que no está pero termina jugando los partidos decisivos.

Los primeros partidos de la Copa del Mundo ratificaron a los candidatos y no hubo grandes sorpresas. Me gustó Alemania en su debut ante Australia, aunque no creo que se repitan muchas goleadas como la que le propinó el equipo germano.
El planteo ofensivo fue una buena noticia para el mundial. Defensivamente no se pueden hacer mediciones porque Australia solo atacó en los primeros minutos.
Alemania ofreció un esquema agresivo con cuatro jugadores que son delanteros en sus equipos y espero que esa propuesta se repita en el resto de los cotejos.
Conocía de la jerarquía de Ozil y Muller, quienes ratificaron su categoría. Es una grata sorpresa que hayan jugado juntos.
En relación al último campeón, Italia, considero que no fue una sorpresa el empate con Paraguay. Son equipos parecidos, sustentados en el trabajo físico.
Creo que el empate fue justo pero no debemos engañarnos. Italia hace un recorrido similar en cada mundial. Parece que no está pero termina jugando los partidos decisivos. En Alemania no hizo una gran primera ronda y, sin embargo, fue campeón.
El debut de Portugal tuvo la difícil medida de Costa de Marfil. A los dos les quedan Brasil y Corea del Norte y ninguno quiso perder el partido. Portugal tuvo una situación muy clara con Cristiano Ronaldo cuando desde una distancia de 35 metros estrelló la pelota en el palo. No hubo mucho volumen de juego, es cierto, pero no es fácil obtener juego colectivo en un mundial. La igualdad fue para Portugal y Costa de Marfil un buen negocio.
Otro de los candidatos que ya mostró su cara es Holanda. Tiene figuras en los mejores equipos del mundo y en su debut le ganó al rival más duro. Dinamarca concluyó en el primer lugar por encima de Portugal durante las eliminatorias.
La naranja mecánica siempre es candidata aunque no haya ganado mundiales y aparezca en la segunda línea de las preferencias. Ante los daneses no jugó Robben y su regreso le dará aún más cualidades al equipo.
Inglaterra es otro de los grandes protagonistas. Fue más que Estados Unidos pero no pudo ganar. Sin embargo, tiene un plantel de estrellas y un técnico muy ganador que los va a llevar a hacer un muy buen mundial. Fabio Capello ha dirigido a los equipos grandes de Europa y fue campeón de Champions. Tiene un plantel muy rico y sabrá como aprovecharlo.
España y Brasil son los dos postulantes al trono que llegan con el elogio unánime. Igualmente lo deberán refrendar en la cancha.
Estamos en el inicio de la primera fase y queda mucho por ver. No será un mundial de amplias diferencias, pero los candidatos ratifican las expectativas previas.

Fábio Coentrão foi o melhor - Paulo Renato Soares

A FIFA escolheu Cristiano Ronaldo como "Man of the Match" no Portugal - Costa do Marfim.

Escolheu, está escolhido. O jogador que, segundo o guru da internet em Portugal, abria uma conta no Twitter (o quê? o Tweetty? ), seja lá o que isso for, abria uma conta, dizia, ao mesmo tempo que rematava ao poste da baliza de Barry. É a internet estúpido! Jogas, rematas e ao mesmo tempo...twittas. Ainda por cima naquele que é um local visualmente morto na net. Apenas moda e cheio de código para pretensos iluminados. Que parolice, Santo Deus!

Pois a FIFA escolheu Ronaldo e aqui neste blog a escolha recai em Fábio Coentrão. Foi ele o homem do jogo de Portugal. Houve menos presença atacante, mas isso era expectável. Houve concentração e iniciativa. E ritmo. Pedir mais é difícil. Já o mesmo não pode dizer-se de outros "navegadores". Adiante.

O sr. seleccionador de Portugal (1,35 milhões de euros/ano), em registo intelectual pouco honesto, veio com a conversa/teoria que houve uma equipa (Portugal) a querer ganhar e assumir o jogo e outra (Costa do Marfim) a defender e a apostar no erro alheio. Não foi assim. Com a bola, Portugal não soube jogar, não utilizou a velocidade, nem os flancos. Mastigou, jogou para os lados e para trás, com o clássico Bruno Alves-Paulo Ferreira-Pedro Mendes-Bruno Alves e... chuto para frente. Sem a bola, portanto quando a Costa do Marfim atacou (e foi muito mais do que o sr. seleccionador de Portugal quis fazer crer), a selecção nacional defendeu assim-assim e não soube sair em velocidade, não soube ligar lances de contra-ataque. Portanto, nem com bola, nem sem ela.

Segundo as contas da Football Finance, a Costa do Marfim vale 180 milhões de euros. Portugal vale 340 milhões. Demasiado para a brutal jogada de Cristiano que daria o golo deste Mundial. Não deu.

Deco armou-se em treinador no final do jogo. Tipo este blog ou todos os especialistas que já botaram discurso. Fez mal. A azia da substituição não pode ser visível em público. Principalmente quando lhe falta ritmo e qualidade no passe. O essencial, afinal.

Danny ou Simão? Mais um erro de Queiroz. O senador devia ter entrado de início. Se não "desse", então avançava Danny, com outra motivação.

E agora? Bom, o próximo jogo é com a Coreia do Norte que, segundo a Footbal Finance, vale... 15 milhões de euros. E um golo ao Brasil. Se o sr. seleccionador está à espera de um adversário a "assumir" o jogo, então o melhor perder mais tempo a pensar em protecções de braço, pulseiras e não sei quê. Pode ser que no final de mais um empate consiga dizer que Portugal jogou com uma equipa de um país que tem uma ditadura e tal.

Ah! É verdade: Está tudo em aberto! (como eu gosto de clichés). Melhor só mesmo a iliteracia de quem gizou a campanha publicitária da Trident: "DISFRUTA" , não sei quê. Disfruta? Mas estão a falar com quem? Fruta! Está dito.

Deco gastou 71 cêntimos de gasóleo

Jorge Jesus introduziu a análise economicista do jogo, nos comentários feitos ao Costa do Marfim-Portugal, na RR. Era um dos ângulos de análise que faltava explorar e, mais uma vez, o treinador do Benfica inovou. Vamos, portanto, a factos.

Se na direção do meio-campo da Seleção Nacional Deco "carbura" a gasóleo, há que fazer contas, embora tenhamos de formular uma suposição, pois Jesus não forneceu as especificações do "motor" usado no "modelo luso-brasileiro".

Sabendo que Deco já tem algumas "folgas" e foi equipado com tecnologia ultrapassada, nunca poderá anunciar um daqueles consumos mirabolantes de 3,5 l aos 100 kms. Longe disso.

Mas também é verdade que o estado de conservação é bastante razoável e não deixa de ser notório que as revisões têm sido realizadas a tempo, segundo consta no livro rubricado pelos mecânicos, oops!, médicos dos clubes e da própria Seleção. Logo, o consumo estará controlado. Deco, aos 100, não gastará mais de 7,5 litros.

Atendendo a que o preço do gasóleo (sem aditivos) praticado na bomba da Galp (Estádio Nacional) - verificado hoje in loco, cerca das 11.30 - é de 1,199 euros; atendendo a que, segundo medição efectuada pela FIFA, devidamente publicitada no site, Deco percorreu 8 quilómetros frente à Costa do Marfim... como diria o outro, é só fazer as contas.

E as contas dão um valor extremamente baixo: 71 cêntimos! Nem mais. Chega para ajudar a ganhar um jogo do Mundial? Não! Mas é evidente que não se pode pedir mais a um modelo destes, tão usado e ainda tão económico.

Roberto Jiménez • HD •

Queiroz entre Deco e a parede - Luís Óscar

Pior do que o nulo com a Costa do Marfim, as declarações de Deco no final do encontro do Nelson Madela Bay abriram uma brecha dificilmente reparável na nau dos Navegadores.

Depois do que disse o luso-brasileiro, Carlos Queiroz está entre a espada e a parede: encosta o único verdadeiro n.º 10 que tem ao dispor ou engole o elefante e mantém-no no onze?

Mais um bico de obra, que surgiu de onde menos se esperava, tanto por aquilo que Deco "deve" a Queiroz - por estar no Mundial sem ter justificado em campo (se bem que as alternativas não fossem muitas...) - como pela experiência do distribuidor de jogo mais importante da Seleção nos últimos anos e um dos protagonistas dos bons resultados internacionais de Portugal.

Depois do que se viu de Portugal e da Coreia do Norte nas estreias, este problema adicional vai potenciar as dificuldades de Queiroz, decida o que decidir o selecionador. Oxalá não comprometa de forma irremediável...

Uma Vuvuzela Aceitável

As Figuras do Mundial - Crónica de Pablo Aimar

Sudáfrica 2010, las figuras - "Ronaldo ratificó una pegada mortal que puede ser decisiva"

Aimar análisis a las figuras que dejó el mundial en las primeras jornadas del mundial. "Mesut Ozil, el delantero alemán, tiene una zurda impecable. Rompe el libreto de la imagen estructurada de los alemanes. Tiene técnica y frescura, un crack..."

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Todavía es prematuro para sacar conclusiones definitivas sobre las figuras del mundial. Las selecciones que avancen en la Copa permitirán dar más brillo a la tarea de sus jugadores, aunque en los primeros cotejos hubo agradables confirmaciones.
Mesut Ozil, el delantero alemán, tiene una zurda impecable. Es un jugador de calidad que dio dos asistencias de mucho peligro ante Australia y una de ellas terminó en el gol de Podolski. Ozil rompe el libreto de la imagen estructurada de los alemanes. Tiene técnica y frescura, un crack.
El debut en el mundial de Cristiano Ronaldo ratificó una de sus mejores armas, tiene una pegada mortal que puede ser decisiva. Ante Costa de Marfil sacó un tiro de 35 metros que pegó en el palo y que podría haber definido el cotejo. Portugal depende mucho de su talento y calidad.
Otro que me gustó del equipo luso, es Fabio Contrao, mi compañero en el Benfica. Aunque su puesto natural es de volante por izquierda se ha adaptado sin inconvenientes a su nuevo lugar. Marca muy bien y se proyecta con peligro. Tiene un juego muy similar al de Angel Di María.
Entre todas las figuras, me quedo con Lionel Messi, quien puede ser clave para que la Argentina llegue muy lejos en el mundial.
Todavía no concluyó la primera ronda y se necesita tiempo para ser categórico sobre algunos desempeños. Creo que Rooney en los partidos decisivos la va a romper y cómo él habrá otras estrellas que todavía no explotaron en su real magnitud.

El mejor

Entre los directores técnicos, hago una especial referencia a Marcelo Bielsa, a quien le tengo un gran aprecio. Es el mejor entrenador que tuve y espero que le vaya bien en Chile, Noruega ó el equipo que le toque dirigir.
Con la clasificación al mundial consiguió algo importantísimo para el fútbol chileno. Creo que va a pasar de ronda y espero que haga un buen torneo.
Los partidos que vi de Chile ratificaron el estilo de Marcelo: la roja siempre salió a ganar.

terça-feira, junho 15, 2010

Os Jogos que Convenceram Jesus

Jorge Jesus, em declarações à Rádio Renascença, assumiu que o guarda-redes Roberto «foi uma das grandes prioridades» do Benfica para a próxima temporada. O guarda-redes, de 24 anos, está vinculado ao At. Madrid, mas na temporada passada vestiu a camisola do Saragoça a título de empréstimo. O treinador fala do novo reforço como se estivesse assegurado, mas lembra que o jogador ainda não assinou.

«Conheço-o bem, não vem para o Benfica por acaso.Foi um jogador que observámos durante o campeonato. Chamou a minha atenção principalmente nos jogos Saragoça-Barcelona e Real Madrid-Saragoça. A partir daí tivemo-lo sempre debaixo de vista, analisando as suas prestações», destacou o treinador que esteve a comentar o jogo Portugal-Costa do Marfim na Renascença.

O treinador do Benfica fala do guarda-redes como reforço assegurado, embora falte ainda definir o acordo com o próprio jogador que é esperado em Lisboa nos próximos dias. «Felizmente, o presidente [Luís Filipe Vieira] e o Rui Costa conseguiram trazê-lo...penso que conseguiram. Só está certo quando se assina e ele ainda não assinou, mas foi uma das nossas grandes prioridades», acrescentou.



Sorteio da Liga

O sorteio da Liga e Liga de Honra realiza-se a 05 de Julho, às 17:00, no Centro de Congressos do Hotel Porto Palácio, no Porto.

Grandes Momentos de Futebol

Resumo e comentário de Rui Santos ao empate de Portugal

Portugal não pode ter medo - Luís Avelãs

Já se sabia que a estreia num Mundial é sempre complicada. E também não foi novidade para ninguém ver uma Costa do Marfim fechada, a pensar muito mais em defender que atacar (situação agravada com a utilização condicionada de Drogba), mas sempre a espreitar a hipótese de tentar algo em lances em que a estrutura lusa estivesse algo descompensada. Mas, independentemente disso, era preciso Portugal ser tão passivo durante largos períodos e, no final, acabar encostado às cordas com receio de sofrer um golo que, pura e simplesmente, poderia ser fatal para as contas da "poule"? Não me parece.

A partida entre portugueses e costa-marfinenses não fugiu muito à regra destes primeiros jogos na África do Sul: demasiados cuidados defensivos, escassa predisposição ofensiva, rígido rigor táctico e pouco espectáculo. Tudo somado, era improvável que o desfecho não fosse o nulo.

Queiroz agiu dentro da lógica do momento ao escalar Coentrão e Danny como titulares. Sendo certo que Duda e Simão estão mais rotinados no conjunto, a verdade é que durante a preparação foram os outros quem mais e melhor jogou. No entanto, se no caso do benfiquista a aposta saiu bem (foi perfeito a defender, mostrou enorme atitude e só foi pena que, por culpa do desenho táctico, raramente tenha subido no terreno), o mesmo já não se pode dizer em relação ao futebolista do Zenit. Danny esteve numa tarde desastrosa, acusando a responsabilidade de, pela primeira vez, se ver com papel de destaque na Selecção. Falhou largo e, ou muito me engano, ou perderá o lugar para Simão diante da Coreia do Norte.

Mas, infelizmente, não foi só Danny a actuar abaixo das suas potencialidades. Liedson manteve o registo sofrível dos últimos meses; Deco evidenciou a falta de ritmo própria de quem esteve muito tempo parado esta temporada; Paulo Ferreira (pese a voluntariedade de sempre) foi passado vezes sem conta no seu corredor; Raul Meireles não apareceu muito em zona de finalização; Pedro Mendes limitou-se a auxiliar o sector recuado e, o mais importante de tudo, Cristiano Ronaldo continua sem marcar ao serviço da Selecção. Se o "tiro" ao poste tivesse entrado... Mas não entrou e o período de "seca" com as cores nacionais não pára de aumentar.

Com o passar dos minutos, ia-se percebendo que os africanos, orientados por um Eriksson que conhece bem a forma de jogar (e pensar) dos portugueses, estavam cada vez mais acomodados ao empate. Perante isto, à Selecção restavam dois caminhos: alinhar na "proposta" contrária e, salvo algum imponderável, assegurar o 0-0 ou arriscar, assumir decisivamente o controlo do encontro, forçando a procura dos 3 pontos, mas abrindo espaços que, com azar, poderiam custar o tal pontinho. Portugal optou pela primeira hipótese. Não fiquei surpreendido. Apenas desiludido, pois esta postura fez-me recordar o 0-0 na Suécia, na fase de qualificação. Na altura, o nulo pareceu interessante ao seleccionador, mas a verdade é que quase ficámos fora da prova porque não fomos tentar agarrar um jogo que, de forma evidente, estava disponível.

Não sei se Portugal teria conseguido chegar ao golo se, de facto, o buscasse com intensidade, mas rejeito concordar com uma política de tanto receio num mini-campeonato com apenas 3 jogos. Isso até teria feito sentido se o opositor fosse o Brasil. Contudo, assumir o empate com o mais directo adversário, sabendo que ainda teremos o escrete pela frente... pode ser complicado.

Mas, vejamos de outra forma: este empate, não nos ajudando a colocar, desde já, um pé nos "oitavos", também não nos empurra para fora. Continuamos a depender só de nós para seguir em frente, embora seja de grande utilidade que o Brasil derrote a Costa do Marfim. Se isso se verificar - e dando de barato que somaremos 3 pontos com a Coreia do Norte -, poderemos jogar para o 0-0 com os sul-americanos. Tal cenário, contudo, terá como consequência provável o apanhar com a Espanha na fase seguinte. Mas, naturalmente, isso são contas lá mais para a frente.

Toni - Luís Sobral

Fazer um «sobe» ao treinador Toni porque ele vai funcionar como observador da Costa do Marfim no Mundial 2010 é provavelmente uma coisa idiota.

Mesmo assim arrisco.

Este «sobe» é a minha forma de manifestar incómodo por alguns comentários maldosos sobre Toni, nos últimos dias.

Para quem não sabe, Eriksson, treinador de futebol, convidou Toni, treinador de futebol, para fazer parte da equipa de observadores técnicos durante o Mundial.

Esta função é simples, embora relevante. Consiste em ver jogos dos adversários e produzir relatórios.

É um trabalho que um treinador pode executar. Por isso Toni recebeu o convite de alguém que conhece há muitos anos e resolveu aceitá-lo.

O facto de a Costa do Marfim fazer parte do grupo de Portugal originou comentários absurdos. Toda a gente tem direito à sua opinião, claro. Mas isso não impede que eu pense de forma exactamente contrária e ache que evocar o patriotismo num casos destes é desajustado.

Apesar de discordar, respeito quem tem opinião diferente. Já não posso respeitar quem publicamente tem um discurso e em privado diz exactamente o contrário. Toni é um profissional de futebol que aceitou um trabalho. Para pessoas bem resolvidas, sem fantasmas, isto seria simples.

Só espero que se o jogo com a Costa do Marfim sair mal a Portugal não apareçam ilustres figuras a dizer que a responsabilidade é do antigo treinador do Benfica.

P.S.: Conheço Toni há 20 anos, sempre o admirei. Nunca o vi ter um comportamento que prejudicasse outras pessoas. Se isto influencia o que escrevo, paciência.

segunda-feira, junho 14, 2010

Na senda de Preud'homme? - António Pires

Michel Preud'homme - com o devido respeito a Bento - foi na minha opinião o melhor guarda-redes que alguma vez vestiu a camisola das águias.
Apesar de ter chegado à Luz em final de carreira - com 35 anos - foi durante cinco épocas um verdadeiro herói na baliza e só não ganhou um lugar de maior destaque na história dos encarnados porque teve o azar de jogar no Benfica num período negro da sua história.
E mesmo tendo conquistado apenas uma Taça de Portugal na sua passagem pela Luz, certamente que os adeptos com memória recordam as muitas vitórias e empates que lhe devem, já para não falar em goleadas que evitou.
Desde a sua saída, nenhum outro guardião - e foram muitos como Enke, Moreira, Bossio, Quim e Moretto, por exemplo - conseguiu ser titular muito tempo sem contestação. Talvez por isso, apesar de ter feito provavelmente a sua melhor época na Luz, Quim foi sacrificado e vai sair, para Jorge Jesus ver satisfeito o desejo de ter um guarda-redes que, nas suas palavras, ganhe pontos.
Roberto é o eleito, veremos se está à altura do desafio.

Ao que dizem será jogador do SLBenfica na próxima época - Roberto



O Novo Reforço do SLBenfica - Jan Oblak

Calendário de Pré-Época

GRONINGEN
17 JULHO
TORNEIO GUIMARÃES

GUIMARÃES
18 JULHO
TORNEIO GUIMARÃES

MÓNACO
24 JULHO
APRESENTAÇÃO AOS SÓCIOS

SUNDERLAND
27 JULHO
ALBUFEIRA CUP

FEYENOORD
31 JULHO
TORNEIO GUADIANA

ASTON VILLA
1 AGOSTO
TORNEIO GUADIANA

TOTTENHAM
3 AGOSTO
EUSÉBIO CUP

domingo, junho 13, 2010

Estranho ou Talvez não

O internacional português Nani, chegou durante a tarde a Lisboa depois de decidir deixar a Selecção na África do Sul. E teve um curioso e questionável desabafo "numa semana já estou bom".

MA-MA-MA-RADONA - Eugénio Queirós

Com um (inesperado) fato de ir à madrinha, Diego Maradona estreou-se no Mundial 2010 com um triunfo curto mas indiscutível. Deu para perceber a empatia entre o marado Maradona e a sua equipa. Algo ainda mais terrível de verificar, na perspectiva dos seus adversários, que o poderia colectivo e individual da equipa argentina.

A Nigéria teve de consolar-se com a derrota pela diferença mínima (outros provavelmente não lograrão tão pouco).

Maradona, todos sabemos, é persona non grata para a FIFA do suíço Blatter que acaba de conseguir lucros escandalosos. Mas a FIFA mais uma vez vai ter de levar com o MAIOR JOGADOR DE FUTEBOL DA HISTÓRIA DO FUTEBOL, hoje investido na qualidade de treinador.

Ao contrário de outros, não acredito que Diego Maradona queira ser também o Armando que outros todos os dias fazem questão de querer ser. Basta-lhe a faceta mais pura do futebol (e não só do futebol), tudo aquilo que aprendeu no bairro pobre dos subúrbios de Buenos Aires onde cresceu.

Quando olho para Maradona consigo sempre ver o menino que Diego foi. Por isso, quando olho para os outros fico sempre nauseado. Provavelmente Diego é o único que está nesta corrida por prazer. Por querer. Por saber. Por crer.

É certo e verdadeiro: outra coisa não seria de esperar de Deus.

Toni foi à sua vida - António Varela

Toni embarcou ontem para a África do Sul, onde vai trabalhar para a Costa do Marfim, integrado na equipa técnica chefiada por Eriksson, na qualidade de “observador dos adversários”. Na prática, o antigo adjunto do treinador sueco no Benfica vai fornecer informação qualificada sobre o modo de jogar da Seleção portuguesa. E daí? Qual é o problema, se é que há problema? Na verdade, entre o Portugal que vende modernidade, não existe qualquer problema em ter um nacional (não confundir com nacionalista) a trabalhar para o adversário (não confundir com o inimigo). Questionado sobre o assunto, o próprio selecionador Carlos Queiroz não deixou dúvidas: “Trata-se de um profissional a desempenhar as suas funções. Quem sou eu para comentar isso, que já trabalhei para três seleções – Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e África do Sul?” Que mais poderia ter respondido um homem do seu tempo?

De resto, Portugal não teve complexos quando se tratou de buscar competência e, na ausência de um “playmaker”, naturalizou Deco; atrapalhado com a falta de centrais (duvidosa necessidade de Scolari) incorporou Pepe e, finalmente, face à secular crise de pontas de lança estendeu a passadeira vermelha a Liedson, que não foi mal agradecido e marcou 1 golo providencial na Dinamarca, fundamental para manter a Seleção nos carris do apuramento.

Este pormenor, este facto, este não-se-sabe-bem-o-quê só ganha relevo na exata medida em que foi exposto na arena pública com um cheiro bafiento ao antigamente, com Toni a ser embrulhado na personagem do “traidor à Pátria”. Até depois do jogo com a Costa do Marfim, o treinador que também já trabalhou na Seleção Nacional está condenado a ir esturricando naquele lume brando caraterístico da inveja nacional.

Mas há mais. Para a peça estar completa falta perceber por que é que foram os serviços profissionais de uma agência de comunicação a passar para alguns jornalistas a informação de que Toni estava a trabalhar para a Costa do Marfim, como se fosse um perigoso infiltrado, um agente a soldo do inimigo.

Sabe-se agora que durante algumas semanas essa informação foi trabalhada de modo a garantir que a Seleção portuguesa precisava de criar defesas que a salvaguardassem de mais um perigoso obstáculo, precisamente o Toni que passava informações. Até Carlos Queiroz ter posto um ponto final na conspiração, respondendo da única maneira que era possível.

De resto, viu-se ontem, no jogo com Moçambique, que Portugal não precisa de mobilização proporcionada por parvoíces laterais para se opor aos seus adversários mundialistas. Basta à Seleção Nacional convencer-se de que na África do Sul só vencerá o bom futebol e nunca o futebol dos complexos que tenta beliscar um dos seus como fosse criminoso. Basta à Seleção Nacional meter um bocadinho mais de velocidade e não ficar à espera que o adversário possa controlar o jogo.

Só quem não percebe os tempos que vivemos, de profunda crise, de desemprego acentuado, de nível de vida em decréscimo, pode criticar um dos seus por ter ido tratar da vidinha no estrangeiro, como aconteceu no passado, quando não havia esperança em Portugal e não havia luz, mas apenas trevas e pouca gente a querer enganar muita gente. Para esse país já muita gente deu. Passou.

Di Maria - João Rui Rodrigues

Ao segundo dia do Mundial’2010 é incontornável destacar o jogador que mais agitou o mercado de transferências desde que acabaram os campeonatos.
Angel Di Maria terá hoje todos os olhos em cima dele. Os de Mourinho, os dos adeptos do Real Madrid, os dos adeptos do Benfica e de todos os outros no Mundo que querem ver (se é que ainda não conhecem) o miúdo que vai levar o melhor treinador do universo e um dos clubes mais poderosos a gastar uma pequena fortuna de aproximadamente 40 milhões este ano.
Os dirigentes merengues tentaram nas últimas horas fechar definitivamente o acordo com o Benfica, com medo que a exibição de hoje com a Nigéria fizesse disparar (ainda mais) a cotação de mercado.
Di Maria é um prodígio em que Maradona deposita enormes esperanças para levar a Argentina ao título e vai bater todos os recordes de transferências em Portugal.
Dele, José Antonio Camacho disse um dia aos dirigentes do Benfica que nunca iria vingar num grande e o comentador televisivo Eduardo Barroso que era um jogador de futsal.
Há alturas em que o melhor é estar calado.

Quem Sabe Nunca Esquece

terça-feira, junho 08, 2010

Verdades Inconvenientes

"Sinceramente não percebi como é que se lesionou. Fez exames, mas depois viajou connosco, esteve a treinar, nunca pensei que isto pudesse acontecer." - Pedro Mendes

Sinceramente, não acredito na verdade oficial de lesão!
E não lhe dou crédito na medida em que, na conferência de imprensa de ontem, Carlos Queirós nada disse sobre o assunto, nenhum jogador a assinalou, nenhum jornalista a relatou e o comunicado da FPF, ao contrário do habitual, é elucidativamente lacónico na descrição da lesão e da sua gravidade.
Acredito, isso sim, em indisciplina ou numa adição comprometedora!
Para terminar com as especulações, necessário seria esclarecer, detalhadamente, a natureza, a extensão e a gravidade da lesão e, bem assim, onde, quando e como se lesionou Nani.
Infelizmente, talvez, não seja possível...

Com a Serenidade da Impunidade

A 07 de Janeiro de 2010, escrevi:

"Ao que revelou, ontem, o Presidente do Valladolid Sereno será jogador do Porto na próxima época.
Segundo os regulamentos em vigor, um jogador só pode ser contactado directamente por um clube a seis meses do terminus do seu contrato de trabalho desportivo.
Ou o Porto foi excepcionalmente rápido a celebrar contrato com o jogador ou impõe-se que a CD da Liga instaure, de imediato, um processo de averiguações."

A 08 de Junho de 2010, a generalidade da imprensa deu nota de que Sereno é reforço do F.C. Porto para as próximas quatro temporadas.

Estou em crer que, uma vez mais, mais uma fraude à lei passará alegremente sem punição!!!

A memória de Fernando Gomes - Luís Avelãs

Sem oposição – Rui Alves assumiu vontade de ir a jogo mas, pelos vistos, fez mal as contas ou esperava apoios que nunca apareceram ou, a meio do processo, desapareceram -, Fernando Gomes foi eleito novo presidente da Liga de Clubes. Não sei se isso é uma boa ou má notícia para a modalidade. Contudo, a avaliar pelo significativo voto de confiança que recebeu da maioria dos emblemas que competem nas duas divisões profissionais do futebol nacional, parece que há muita gente a acreditar no seu desempenho. Vamos esperar para ver.

No discurso de tomada de posse – para além de ter tido o mérito de rejeitar a conversa do desgraçadinho que está a sacrificar a vida para ocupar o cargo - o economista disse algumas coisas interessantes. Destaco o facto de ter assumido que o futebol precisa (como praticamente tudo neste país) de ser repensado, de maneira a que os clubes não continuem, aparentemente sem grandes preocupações dos seus dirigentes, a caminhar para o abismo. Com efeito, só loucos, desonestos, distraídos ou optimistas obsessivos é que podem considerar normal ver os emblemas nacionais gastar, ano após ano, muito mais do que angariam em receitas várias. Por outras palavras, urge encontrar maneira de fazer aumentar as receitas. Como é que eu não sei. Fernando Gomes, tenho a certeza, deve ter umas ideias mas, fazendo fé nas contas do FC Porto (clube que serviu durante largos anos na área financeira), a missão não será fácil. Ou melhor: será virtualmente impossível, pois se até os grandes – mesmo com receitas avultadas – vivem com a “corda no pescoço”, imagino o que se passa na casa dos mais pequenos...

Gomes disse também que “se não tivermos memória não conhecemos a nossa essência”. É uma frase bonita que, curiosamente, até ganha maior relevo porque, na intervenção, afirmou igualmente que “numa Associação Patronal como é a Liga, o cumprimento de regras que a todos obriga é essencial à sua dinâmica de respeito na sociedade e uma condição vital para a sua própria existência enquanto tal”. Espero que, nos próximos 4 anos, o dirigente revele memória suficiente para ter sempre presente esta conduta de rigor. Promessas do género não têm faltado, ao longo dos tempos, no futebol e em outras modalidades cá do burgo. Quanto a cumpri-las é que tem sido mais difícil.

PS – A história do futebol português está recheada de episódios atípicos. São tantos que, naturalmente, nem vou apontar exemplos. No entanto, nesta altura, não deixa de ser intrigante ver Benfica e Sporting (aparentemente mais os encarnados) ao lado de Fernando Gomes quando o seu FC Porto se “esqueceu” de o apoiar, como nem se dignou a aparecer no acto eleitoral. Um dia, quem sabe, talvez Pinto da Costa explique esta opção. Ou não...

O Maravilhoso Mundo da Publicidade - Parte II

Excelente Momento de Humor

segunda-feira, junho 07, 2010

Ai que Saudades, ai, ai

Golaços de Ramires

O guarda-redes que Jesus quer - João Rui Rodrigues

O Benfica está no mercado à procura de um guarda-redes de valor indiscutível mas a tarefa dos encarnados não está fácil.
Isto porque entre aquilo que Jorge Jesus quer e aquilo que Luís Filipe Vieira está disposto a dar (e a gastar) vai uma diferença significativa. O técnico benfiquista quer um guardião de elevado porte atlético, já que na sua concepção um guarda-redes tem que ter uma postura intimidatória e basta lembrar as críticas de JJ ao agora portista Beto por não ser um jogador alto.
Uma das primeiras opções foi Eduardo mas o facto de António Salvador não baixar a fasquia dos 4 milhões levou o Benfica a desistir e a desmentir qualquer interesse. Victor, do Grémio, foi outra opção mas a exclusão do lote de eleitos de Dunga para o Mundial’2010 “rebentou” psicologicamente com o goleiro canarinho que queria ganhar 1,5 milhões limpos por ano.
Romero interessa e Jesus gosta mas a SAD encarnada recusa gastar 6 milhões num guarda-redes mesmo que este dê pontos como é intenção do treinador.
Com tudo isto, há quem diga nos corredores da Luz que o tão desejado guarda-redes ainda por muito bem ser... Quim.
Apenas uma brincadeira pelo menos no entender de Jesus que não quer ver o veterano guarda-redes continuar nem "pintado" de reforço.

domingo, junho 06, 2010

From Africa to posterity: How Eusébio lit up the World Cup

Last summer Africa's first great footballer was invited by his friend and boyhood idol, Alfredo Di Stefáno, to the unveiling of Cristiano Ronaldo by Real Madrid at the Santiago Bernabéu stadium. An €80m purchase from Manchester United, Ronaldo was Portugal's new global star. Di Stefáno nudged Eusébio and said: "That would have been you."

Long before George Weah, Didier Drogba, Michael Essien or Samuel Eto'o there was Eusébio da Silva Ferreira, who wears a symbolic lustre no footballer can match as Africa's first World Cup approaches. Eusébio affirmed his immortality in the era of Pelé, George Best, Bobby Charlton and Johan Cruyff. Though his 64 international caps were acquired with Portugal – and all his deeds at club level achieved with Benfica, from 1961-75 – Mozambique and Africa can cite him as proof that their continent bred one of the game's all-time top 10 players not in the present age of Drogba and Eto'o, but 68 years ago.

So the "Black Panther" or "Black Pearl", as he was known, dubiously, must sense he is a figurehead for this tournament? "I do, I feel very proud. I don't feel a weight of expectation, but a lot of people are looking to me, with the first World Cup in Africa," he says. "It's something for the whole continent to be proud of, not just South Africa. For anyone born in Africa, any footballer, the biggest party in football is going down there for the first time."

The bare outline is that the first great footballer to leave Africa to pursue European recognition spent 13 seasons at Benfica, where he won seven championships, was Portugal's leading scorer from 1964-68 and helped bring the 1962 European Cup back to the Estádio da Luz, where he is immortalised in statue form and is still an ambassador for Lisbon's biggest club.

Eusébio scored 727 times in 715 appearances for Benfica and won the Golden Boot with his nine goals for Portugal in the 1966 World Cup. Four of those came in a 5-3 quarter-final win against North Korea. Forty-one goals in 64 outings for his adopted country is a record that lasted until 2005, when it was surpassed by Pauleta, a journeyman compared to this son of a railway mechanic, who played for nothing grander than a Coca-Cola and a sandwich until a conversation in a Portuguese barbershop shaped his fate.

The first talker was a coach from São Paulo, the Brazilian side who were touring Portugal after a trip to Mozambique (then Portuguese East Africa). The unidentified scout eulogised a young striker he had seen with a provincial club with ties to Sporting Lisbon. Listening was Bela Guttman, the Benfica coach, who flew within a week to Lourenço Marques (now Maputo). Eusébio could run the 100m in 11 seconds. Guttman outraged Sporting by buying the 18-year-old inside-left for £7,500 (Eusébio now says it was for €2,000, or its equivalent). Two weeks later he was playing for Portugal.

So far, so romantic, but the rancour between the two Lisbon clubs has endured. Even now Eusébio is irritated by the suggestion that Sporting were entitled to his signature. "I used to play in Sporting's feeder club in Mozambique. Benfica wanted to pay me in a contract to go while Sporting wanted to take me as a junior player for the experience with no monetary reward," he says.

"Benfica made a nice approach. They went to speak to my mum, my brother, and offered €1,000 for three years. My brother asked for double and they paid it. They signed the contract with my mother and she got the money. She put it in a bank in Mozambique, with a clause on it, saying that if her son didn't go to Portugal and become a great footballer she would pay the money back, because she had a good heart.

"There was a newspaper picture of her with all the money on the table with her arms round it. I had never seen such money in my life. Sporting tried to spread the story that I'd stitched them up, but it was the other way round, because they tried to take me for free while Benfica were willing to pay." To escape the kerfuffle, Benfica hid him in a house on the Algarve until Sporting had calmed down. At €2,000, or £7,500, whichever is the true figure, Eusébio was to become Portugal's finest player. Ronaldo is unlikely to have left Manchester for less than £200,000 a week.

The world Eusébio left was one of European colonies and lasting exploitation. Portugal's leading clubs farmed the country's overseas "possessions" for African talent. Portugal's imperialism in Africa can be traced to Vasco da Gama landing there in the 15th century on his way to India. Eusébio's pathfinders to Europe were Hilário, Matateu and Mário Coluna, who joined Benfica in 1954. The new star's salary – piffling, by today's standards – was twice the previous highest paid to an African footballer.

The day of his leaving remains in the foreground of his memory. And an anniversary approaches. He says: "Eighteen years old, 17 December 1960. In December of this year I will have been 50 years in Portugal. Always Benfica, it's a family to me. I'm an ambassador for them and the national team. I'm with them all the time."

Like most products of that gilded age, Eusébio describes the deprivations of his early years with pride, rather than regret, perhaps to amplify his achievements to the young and ignorant. "I was already a good footballer, I just wasn't a professional. We played with socks or newspaper rolled into a ball."

He is in London to support the Fifa-backed 1GOAL campaign, which has a target of ensuring 72 million African children can receive an education by 2015. This is no light ambassadorial duty for Eusébio, who has launched numerous charitable programmes in Mozambique and still holds dual nationality. "I have family there, fewer of them with time, and I have my friends. A lot of my family have passed over to the other side but I still have six relatives there," he says. He will be there for a fifth visit this year when he flies in this week.

"Every time I go back it gets a little bit better. You go to Africa now and there are a lot more football pitches and a better infrastructure, but it also depends on how it's managed after the World Cup."

Watching him rise from a table with his bow legs and impossibly tender knees, you see the high physical cost of 20 years in the game in a more brutal era. After Benfica, in 1975, he toured the North American Soccer League, turning out for Boston Minutemen and Las Vegas Quicksilvers among others. In the 1960s, Real Madrid's interest in him ceased when they saw how bad his weaker right knee was (six operations, in the same spot, have left a kind of ruin). His ambition was to emulate Sir Stanley Matthews and play on towards his 50s, but chronic knee pain forced him to stop at the age of 39.

As he tells that story about the Ronaldo unveiling, the question of envy creeps into the interviewer's mind. But he is straight on to it, like a loose ball in the box: "There is no jealousy. The generation I played with was the best generation ever. You don't have that now and I wouldn't change it for the money. It was all heart and that's why there were so many great players. Portugal, England, Brazil, Argentina: so many. That's why I'm so happy with what I had, to have been a great player. I'm happy to have been part of that era.

"Football nowadays is just commercial. Television commands the times of the games. The players are very good, obviously. I'm happy for the modern-day player who signs his contract and makes lots of money. The players of my era helped make that possible.

"I respect the football of today but the football of my time was better. Football hasn't got better, it has just evolved, from the ball to the boots to the shirts to the training methods – everything around them. Pelé, George Best, Cruyff, Garrincha would have been amazing players today.

"When we played Real Madrid and won 5-3 [in the 1962 European Cup final – Eusébio scored two] it was soaking wet and the ball ended up weighing a kilo. It didn't have a brand. That's why Pelé or Garrincha, if they played now, would be so wonderful. Consider their boots. There was no personalised footwear from Adidas. We'd have one pair for all surfaces, and the kitman would change the studs according to the conditions. Sometimes they'd do it in a rush and a nail would still be in there. You'd take your boot off and there would be blood from where the nail had penetrated your foot. Back then we made money, but we played for the love, it was all heart."

In this fraternal spirit he urges Africa's World Cup contenders to assume a strong group mentality: "The problem is that the players are quite individual. I wish the players would get together and work together. If that happened African football would take another leap forward." And he chafes when asked why Portugal have failed to convert talent into international trophies: "What a lot of people don't know is that Portugal have won tournaments, just not at senior level. Their juniors have always been very strong in World Cups and European Championships.

"The problem is that when people think of Portugal and these great players they forget it's a very small country. It's not easy. Portuguese clubs have won European trophies, but it's a very fine line between success and failure at international level and it's a very small country. Compare Brazil to Portugal and it's David and Goliath. The colonies in Africa – Angola and Mozambique – had four players in the Portugal side in 1966 and that's gone now because these countries have their own national sides. You've lost that stream of players."

Of Ronaldo he says: "I know him very well, he's a very good professional, a hard worker. At Real Madrid when all the players leave training he stays there and takes free-kicks, takes penalties, takes the ball on his own, dribbles. His work ethic is very good, without the coach asking him to do it. When my colleagues were back at home eating I'd still be practising and Ronaldo is the same, a real hard worker. I'm not a Barcelona fan but I very much admire Lionel Messi. I haven't seen him train. I know Ronaldo a lot better. Currently, Messi is the best player in the world. He writes his name all over the pitch."

To summon the spirit of his era – the 60s and early 70s – just ask whether Ronaldo might surpass him as Portugal's nonpareil. "I'm a footballer, not a pundit," he says. "Seven-times best footballer [in Portugal], top scorer at the World Cup, voted into the all-time Fifa top 10. Those are just the facts. I'm not sure whether anyone can surpass that. It's up to you guys to decide. I'm proud to say I've done something for the good of football. I don't compare myself to anyone."

He points to Carlos Alberto – Brazil's 1970 World Cup-winning captain, who is with him in London, and who scored arguably the greatest of all World Cup goals. "There are things you can't forget, moments in history like that."