terça-feira, abril 18, 2006

Análise à Jornada

Após a pausa pascal, regresso às análises à jornada.
A jornada ficou marcada pelo advento do novo campeão nacional.
Com efeito, face aos resultados averbados por Porto e Sporting, os azuis e brancos alcançaram, a três jornadas do final da competição, o título de campeão.
No Dragão, o Porto, ainda que com uma exibição titubeante, logrou vencer um Leiria que pouco ou nada o importunou.
Partida fraca, sem grandes momentos de exaltação exibicional dos portistas, em que um singelo golo de Adriano lhes permitiu almejar o desiderato proposto.
Jorge Jesus havia prometido atrevimento, mas apenas apresentou consistência defensiva e nula capacidade ofensiva. O Leiria somente por uma vez e num remate a mais de 30 metros conseguiu importunar Helton.
O Porto controlou o jogo, impôs o ritmo que mais lhe convinha e soube gerir sempre as incidências da partida.
A qualidade futebolística da prestação portista situou-se num patamar mediano, sem que, todavia, a sua superioridade possa ou deva ser posta em causa.
Jogo típico de final de época entre uma equipa em dinâmica de vitória e outra já a salvo de sobressaltos.
Um Porto q.b. para um Leiria dócil.
Na Reboleira, por seu turno, vimos um jogo atípico na Liga, mas subsidiário do modelo de jogo leonino.
Na verdade, raro é vermos uma equipa pequena superiorizar-se a uma grande na maioria dos itens de apreciação de uma partida, quais sejam a posse de bola e o número de remates.
Tal resulta do modelo de jogo adoptado por Paulo Bento ancorado numa fortíssima consistência defensiva e no desferimento de ataques rápidos.
O modelo de expectativa seguido por Paulo Bento dá a iniciativa de jogo ao adversário, pelo que resulta natural que este, ao assumir as despesas da partida, acabe por ter mais posse de bola. E quando a posse de bola apresenta intencionalidade ofensiva, do mesmo modo, emerge óbvio que o número de remates sobe em conformidade.
Foi, talvez, o jogo menos conseguido do Sporting de Paulo Bento, pois que o Estrela se revelou, igualmente, consistente defensivamente, compacto, sem conceder os espaços necessários ao desenvolvimento de ataques rápidos e contra-ataques.
Sem espaços, sem erros adversários e perante a incapacidade leonina de armar jogadas ofensivas em ataque planeado, o futebol do Sporting cai num beco sem saída.
Não sofre, mas também não se mostra capaz de concretizar.
O Sporting apenas por duas ocasiões e ambas em lances de bola parada, logrou alvejar a baliza de Bruno Vale com perigo.
O Estrela, embora tenha rematado mais, também não o fez com a qualidade suficiente para desfazer o nulo.
Não sigo a opinião dominante segundo a qual o Sporting ao ver a sua série vitoriosa interrompida e o seu objectivo primeiro praticamente perdido, entrou em depressão.
Penso, isso sim, que a partida da Reboleira é, tão só, reflexo do modelo de jogo pelo qual Bento optou.
Umas vezes resulta, outras nem por isso.
Claro está que vitórias criam vitórias e quando se está em dinâmica de vitória tudo é mais fácil.
Por outro lado, quando se encerra um ciclo vitorioso e se entra num segmento de resultados negativos ou se inverte rapidamente a tendência ou a queda pode ser vertiginosa.
Tal como vitórias aportam vitórias, derrotas e empates criam ansiedade e intranquilidade, ou seja, condições para mais derrotas e empates.
O grande desafio de Paulo Bento é, agora, conseguir trabalhar mentalmente os seus jogadores por forma a restituir-lhes a confiança necessária ao regresso às vitórias.
No Bessa, o Benfica venceu, embora não tenha realizado uma exibição muito conseguida.
Essencialmente, soube ser pragmático.
O Benfica transmitiu sempre a sensação de controlar o jogo, as suas incidências e o seu ritmo.
A circunstância de ter jogado após o empate leonino foi decisiva para a vitória alcançada.
A motivação resultante do abrir de portas a um novo objectivo aportou à equipa benfiquista o querer necessário à obtenção dos 3 pontos.
Se tinhamos visto um Benfica amorfo, sem chama contra o Marítimo, no Bessa surgiu uma equipa empenhada, concentrada, imune às próprias adversidades da partida.
A saída de Léo e a sua inocuidade no rendimento da equipa é bem exemplo da forma como o Benfica encarou o jogo.
É evidente que o golo obtido no dealbar da segunda metade e nas circunstâncias em que o foi constituiu tónico importantíssimo para a vitória.
Se na primeira parte ambas as equipas poucas vezes se acercaram com perigo das áreas adversárias, pois que se encaixaram quase na perfeição, já na segunda parte com as alterações introduzidas por Koeman a dinâmica ofensiva benfiquista cresceu substancialmente.
Com a entrada de Geovanni e a saída de Karagounis (o seu rendimento não é definitivamente o mesmo quando entra no decorrer do jogo, provavelmente pela sua condição física deixar algo a desejar), o futebol benfiquista renovou-se, apresentando uma dinâmica até então não vista.
A colocação de Geovanni na direita e de Manduca nas costas de Miccoli, trouxe uma nova alma ao Benfica.
Libertou Miccoli e abriu o corredor direito à equipa.
A partir daí e com o golo obtido, o Benfica dominou por completo o jogo.
Pôs e dispôs da partida, acelerou quando quis e refreou o ímpeto quando se impôs.
Vitória natural, justa e merecida da melhor equipa em campo.
Nos restantes jogos, destaque para as vitórias de Gil Vicente e Académica.
A Briosa fez das fraquezas forças e goleou o Rio Ave.
Agora basta só mais uma vitória para alcançar a tão desejada permanência.
Espero e desejo que na próxima segunda-feira frente ao Braga.
Por falar em Braga que dizer do inenarrável segundo golo pacense?! terá sido por acaso que o senhor árbitro que o validou foi o mesmo que "viu" uma pretensa mão de Williams no Dragão e "não viu" um derrube claro sobre Léo contra a Naval?
Problemas de visão, certamente!

17 comentários:

cavungi disse...

Será que o Leão já sente o bafo quente no pescoço?

Costa disse...

O Regresso do Funcionário Público.
Até a segunda-feira aproveitou...
Fantástico.
A vida está é para alguns...
Como já passou muito tempo esqueceu-se da arbitragem vergonhosa a que se assistiu no Bessa.
Mais uma vez pensam que vão atingir um objectivo e vão falhar.
Maquiavélico o plano de Paulo Bento.
Voc~es estão como o Liverpool, pensavam que eram campeões europeus (sendo certo que o Liverpool o é) mas ainda vão ter que disputar a pré-eliminatória para lá chegar, se chegarem...

carlos disse...

Por acaso alguém sabe dizer o que se passa no Benfica que todos querem sair?

VermelhoNunca disse...

Regressado de férias faço um breve comentário à jornada:
FCPorto ganhou justamente, jogando o suficiente para tal;
Sporting jogou mal, especialmente na 1ª parte, o resultado final é justo;
Benfica jogou pouco e ganhou com ajuda de terceiros, mas o porteiro pelos vistos não observou a penalidade por marcar contra o seu clube. Boavista merecia empatar.

Francisco Lázaro disse...

caros amigos:
parece-me que o amigo costa tem algo contra os funcionários públicos!
Eu não sou funcionário público. Trabalho numa multi-nacional do sector das novas tecnologias, mas também tive férias. Basta marcá-las.
Por enquanto ainda vamos tendo direito a férias e os funcionários públicos que tão mal tratados têm sido ainda mantêm esse direito.
Por enquanto...
não se apoquente amigo costa que não tarda também esse direito lhes será retirado.
Quanto à jornada, não vi os jogos, mas li algumas coisas.
No Dragão, o Porto embalado ganhou e é campeão.
Na Porcalhota, o Sporting não jogou nada e empatou.
No Bessa, o Benfica jogou pouquinho e ganhou.
Quanto à arbitragem do jogo do Benfica, pelo que li nos jornais, no tal lance do Nélson as opiniões dividem-se.
Assim, na dúvida procedeu bem o árbitro.
Ao invés, existe unanimidade no apontar de dois erros do árbitro penalizantes do Benfica - duas expulsões perdoadas a Paulo Sousa e Tiago.
Parece que na Amadora também ficou uma expulsão por acontecer, a de Marco Caneira.
Quanto a todos quererem sair do Benfica, não se preocupe amigo Carlos.
Certamente que na próxima época o Benfica conseguirá reunir os jogadores suficientes para participar na Liga e quem sabe na Champions.
Os que sairem estou certo sê-lo-ão a troco de boas compensações financeiras.
Saudações cordiais e de estima.

VermelhoNunca disse...

190.000 Euros/mês, isso é que é uma boa compensação financeira, mas para o bolso de Robert!

samsalameh disse...

Alguém viu o segundo golo do Paços de Ferreira???
É verdade que que faltou ao Boavista ser-lhe assinalada uma grande penalidade quando o Nélson "Cabeleireiro" se atirou para cima de um avançado do Boavista. Porém, nessa altura, caso o árbitro fosse mesmo justo, o Boavista já estaria a jogar com 8 jogadores...A 1ª parte foi uma coisa impressionante de perdas de tempo em que os jogadores do Boavista são bons, aí sim, eles são grandes "teatreiros"!!! O Benfica ganhou bem e o Koeman mais uma vez não conseguiu queimar o Mantorras!!!
Mudando de assunto, julgo que os lagartos não irão ganhar mais nenhum jogo até ao final do campeonato. Jogaram mal, o Paulo "Bentolas de Risco ao Meio" está a ficar nervoso, e já se sabe, quando as coisas começam a apertar o SCP não tem tomates para aguentar a pressão. Veja-se o que aconteceu no ano passado e há dois anos...
Quanto aos camaradas adeptos do FCP aqui deixo os meus sinceros parabéns!!! Contra factos não há argumentos!!

cavungi disse...

"Agora já não acredito tanto no titulo"
Paulo Bento 15/04/06.Já não acredita tanto?E no segundo lugar ainda acreditará?

cavungi disse...

Sr Nunca.
Por acaso, parte desses 190.000 euros mensais (sem sentido e injustificados)são pagos por sí ou pela seu clube?
Qual a sua preocupação em relação aos ordenados pagos na instituição SL Benfica?
Há clubes que nem com "tectos falsos", pagaram o mês de Março...

VermelhoNunca disse...

E qual a sua preocupação em relação aos ordenados do meu clube, se estão em atraso ou não. A questão é que eu "pago" o ordenado do seu jogador, pois com as ajudas que o seu clube recebe do Estado, todos somos penalizados. Pergunte a alguém informado porque é que a EPUL não se pode apresentar a nenhum concurso actualmente.

VermelhoNunca disse...

E não fale do que lê na "Bola", pois sabe perfeitamente que essa informação tem objectivos concretos. Os ordenados do meu clube não estão em atraso, mesmo que ainda não tenha sido pago o mês de Março. Em atraso está o prémio de campeão nacional ao jogador Miguel, esse sim. Assim como dividas a Feher, por exemplo...

Jorge Mínimo disse...

Camarada Cavungi:
Noto com simpatia, que o camarada já anda bem disposto, agora que o meu clube não pode ser campeão. Mas, não se esqueça que ainda lhe faltam 3 pontos para nos passar à frente.
Saudações comunas, Jorge Mínimo.

SoaresFranco disse...

Se a Volumetria do Edificio Visconde de Alvalade estiver acima do permitido pelo PDM: Demito-me!

cavungi disse...

Sr Nunca!
No meu post,que podia ter lido com mais atenção sr. Nunca, eu não disse que o Reboque CP não pagou o mês de Março.Isso é uma afirmação sua.
Logo se há ordenados em atraso no SCP isso eu não sei, nem me interessa.
Quanto á EPUL é melhor não entrar por aí.Sabe, é que eu "estive" lá dentro.....

Jorge Mínimo disse...

Caro Senhora da Limpeza do Condomínio:
Todos sabemos que foi assalariado da EPUL nalgumas obras em Lisboa, juntamente com o Naifas, o Mad Nigger e o Tretas.

Jorge Mínimo disse...

... o Andreej, o Kostov, o Marcelinho e o Matos.

berbigão disse...

...e o Francis Obikuwelu...