quarta-feira, maio 24, 2006

Mau demais!

Portugal iniciou, ontem, a sua participação no Euro Sub-21.
E começou mal, muito mal.
Agostinho Oliveira apresentou o onze esperado, recheado de talentos emergentes do futebol nacional, mas a exibição foi paupérrima.
Portugal nunca foi uma equipa, mas sim uma mera soma de individualidades.
A França foi uma verdadeira equipa, polvilhada de individualidades que nunca descuraram o sentido colectivo do jogo.
Os jovens portugueses sucumbiram à pressão de ganhar.
A obrigação de ganhar toldou os espíritos lusos, cerceando a capacidade futebolística dos seus jogadores.
A acrescer a selecção nacional nunca demonstrou possuir fio de jogo, usando e abusando do jogo directo.
O meio-campo luso, o sector teoricamente mais forte da equipa, nunca foi capaz de assumir o jogo, sufocado que foi pela intensa pressão alta francesa.
Portugal foi sempre uma equipa pouco compacta, com pouco ligação entre sectores, com as linhas muito espaçadas entre si.
A França foi, exactamente, o contrário.
Por isso venceu.
Entrámos mal na partida e pior ficámos quando num lance, no mínimo, caricato a França alcançou aquele que viria a ser o golo da sua vitória.
Se os níveis de ansiedade já eram altos, por essa ocasião foram elevados à milésima potência.
A partir daí, Portugal se já estava a jogar mal, pior ficou.
Não ligou uma jogada de ataque que fosse, apenas fez dois remates à baliza (um de Nani e outro de Hugo Almeida) e revelou-se sempre incapaz de chegar com perigo à área francesa.
As substituições promovidas por Agostinho Oliveira partiram a equipa, desmembrando o já de si depauperado meio-campo português.
Como consequência óbvia e natural, os jogadores portugueses acentuaram o recurso ao jogo directo.
A incapacidade de organização do jogo ofensivo revelada pelo meio-campo de Portugal encaminhou a equipa para a miragem dos lançamentos longos a procurar o jogo de cabeça de Hugo Almeida.
Procurava Portugal utilizar Hugo Almeida como pivot, segurando ou amortecendo a bola para as entradas dos médios. Nunca resultou quer por incapacidade de Hugo Almeida em ganhar as bolas de cabeça, quer por incapacidade de uma vez ganhas as endossar em condições aos seus colegas, quer por falta de direcção nos lançamentos longos efectuados.
Com excepção dos lances de futebol directo, Portugal raras vezes conseguiu penetrar no último terço defensivo francês. Faltou organização e planeamento ao jogo ofensivo português.
Sinónimo, talvez, de falta de treino.
A França, que havia já controlado a partida na 1ª metade, acentuou tal domínio no segundo tempo.
Vitória inteiramente justa da melhor equipa em campo. Da melhor e da única.
Destaque para a exibição de Mavuba, sempre em ritmo elevado, cortando linhas de passe, cerceando espaços e lançando as transições rápidas.
Espero e desejo que tudo se altere para melhor no jogo com a Sérvia.

10 comentários:

VermelhoNunca disse...

No local onde vi o jogo não me foi possível analisar com cuidado o o jogo. Aliás nem sequer vi a constituição da equipa, pois estava num local público, e distante da televisão. Pode o amigo vermelho esclarecer-me quem jogou a defesa direito? Esse elemento, para mim, foi um autêntico cancro. Fez asneiras atrás de asneiras. Ao ler a sua análise, verifico que mestre Agostinho também meteu água. Aguardemos pelo outro jogo.

vermelho disse...

amigo vermelho nunca:
foi o Nélson.
Abraço

VermelhoNunca disse...

Agradeço a sua pronta informação. Após leitura dos jornais verifico que o adaptado lateral esquerdo, também meteu água em toda a linha. É uma selecção com grandes potencialidades, mas os jogadores têm de perder a mania que são os maiores, pois , como ontem se provou, não o são.

carlos disse...

È por estas e por outras parecidas que apoio o trabalho de Scolari na selecção.
Com o Scolari, esta treta das vedetas não dura muito, e quem chegue à selecção para se armar em estrela da companhia é de imediato colocado na prateleira.
Scolari dá prevalência ao colectivo sobre o individual e prefere um conjunto consistente, sem individualidades, do que uma equipa cheia de estrelas mas que depois não funciona no conjunto.

O que se passou ontem em Braga, com a nossa selecção, foi mau de mais, e o corolário previsível de todo o vedetismo que vinha transparecendo dos jogadores- devidamente alimentado por uma imprensa fanática, que pouco percebe de futebol e que julga que os jogos se ganham com uma trivela do Quaresma, um pontapé de bicicleta do Hugo Almeida ou com uma cueca do Nani.
E preocupam-me as declarações do AGOSTINHO OLIVEIRA, que em vez de assumir que jogámos mal demais veio defender que o jogo se decidiu num lance infeliz de bola parada - quando, na 1ª parte, levámos um banho de futebol e podiamos ter chegado ao intervalo a perder por 3-0.

vermelho disse...

amigo Carlos:
O que dizer, então, do regresso do Figo à selecção?!
O sr. Luís Figo não estava para se cansar na fase de qualificação, pois queria ter disponibilidade física para jogar no seu clube e, então, abdicou.
Quando viu Portugal apurado, já "sentia" forças para regressar e o sr. Scolari placidamente concordou.
Privilegiou o conjunto?
Quando Ronaldo teve a atitude que teve no Estádio da Luz, o que disse ou fez Scolari?
Afastou-o por alguns jogos? Repreendeu-o? ou continuou a "dar-lhe palmadinhas nas costas"?
Como qualificar estes comportamentos?!
Será privilegiar o conjunto convocar atletas sem competição, suplentes ou nem isso nos seus clubes?
Será privilegiar o conjunto dar a titularidade a esses jogadores?
Como se sentirão aqueles que tiveram uma performance consistente ao longo da época se forem preteridos em favor daqueles?
Será bom para o grupo?
Concordo que se endeusou a selecção de sub-21, mas a imprensa também o está a fazer com a selecção principal.
É necessário fazer descer os "meninos" à terra e aí Agostinho Oliveira falhou.
Falhou, igualmente, nas declarações no final do jogo.
Todavia, os erros de um (Agostinho) não servem para justificar os erros do outro (Scolari).
Abraço.

zás disse...

Concordo em absoluto com o seu post Vermelho, todavia, acrescento que, dizendo como Scolari, como diz, que ele é que manda em todos os escalões, acaba também por ser um dos responsáveis por aquilo (que de bom ou de mau) acontecer, ou não é assim?

vermelho disse...

amigo Zás:
Seja bem-vindo.
Para estreia está deveras activo.
Óptimo, continue.
Partilho da sua opinião.
Depois de se ter assumido "chefe" dos sub-21, Scolari terá de arcar com os méritos e deméritos dessa selecção.
Abraço.

Zex disse...

Não entendo o comentário do sr. vermelho, relativamente ao Cristiano Ronaldo. Então o Escolar deveria castigar o jogador por ele ter mandado todos os bfiquistas para o trabalho ? Porquê ?
O que tem uma coisa a ver com a outra ? Como sabem, eu odeio-o, mas não consigo inventar tanto, ao ponto do sr. vermelho !
Quanto ao jogo de ontem, à semelhança do sr. Vlhunca, gostaria de destacar, pela negativa, o Nélson. Que exibição desastrada ! Fez tudo mal ! Descabido ! Segundo os jornais, em tempos, ele estava ser seguido pelo Milan e Inter. Cuidado Cafu, Stam e Zanetti !
Por outro lado, gostaria de endereçar o prémio da "gasosa" ao Zé Castro. Um "gasoseiro" de primeira água, fez cerca de dez balões seguidos para a frente, só na 2ª parte. O Atlético de Madrid deve ter gostado muito...
Quaresma, Hugo Almeida, Moutinho e Raúl Meireles estiveram mal.
Só o Nani se safou !
Exibição colectiva lamentável !
O resultado é injusto.
A França deveria ter marcado mais golos !

vermelho disse...

amigo zex:
A um jogador de futebol, como a qualquer outra pessoa, que tenha visibilidade pública exige-se um determinado padrão de comportamento.
Ronaldo não soube comportar-se.
O seu comportamento não se coadunou com a representação externa de Portugal.
Assim, o seleccionador nacional no intuito de o corrigir deveria ter, publicamente, verberado o seu comportamento ou optado por exclui-lo da convocatória seguinte por forma a dar-lhe a conhecer o seu desagrado.
Por outro lado, quanto ao Nélson,o que emerge do teu comentário é, tão só, o teu profundo ódio ao Benfica.
Não jogou nada, como não jogaram todos os outros.
Não foi nem melhor, nem pior que os outros.
Aliás, quem mais "enterrou" foi, precisamente, um jogador do Porto -Bruno Vale, pois que, para além de ter perdido a noção do seu posicionamento e da trajectória da bola no lance do golo, foi a sua intervenção que fez a bola entrar na baliza.
Não fôra esse lance e, apesar do domínio gaulês, Portugal teria empatado.
Quanto ao Zé Castro, a tua tristeza por não ter ido para o Porto toldou-te o pensamento.
Fez vários lançamentos longos, mas fê-los por imposição colectiva da equipa.
Perante a ausência de linhas de passe e face à incapacidade de transposição defesa/ataque do meio-campo nacional, viu-se forçado a recorrer ao futebol directo.
A defender só cometeu um erro.
De todos, ainda assim, foi um dos menos maus.
Abraço.

Zex disse...

sr. vermelho:
"Lançamentos longos" ? "Charutos", quer dizer V. Exa.
Até o João Pinto mencionou essa situação. Portugal jogava à charutada e o grande municiador de "habanos" foi, sem dúvida o Zé Castro.
Quanto à circunstância de ele não ter ido para o FCPorto, engana-se, sr. vermelho. Eu borrifo-me para isso, pois nunca leu qualquer comentário a elogiar a sua qualidade futebolística. Não o queria lá. Acho-o um jogador bem banal e, no FCPorto, já há muitos, não são precisos mais.
Bem sei que V. Exa. gosta muito dele.
Gosto muito é das suas (dele) orelhas ! Nem o Dumbo as tem maiores !