sexta-feira, maio 05, 2006

Rescaldo da temporada I - Avaliação das Contratações do Sporting

O Sporting, no conjunto da época, contratou 8 jogadores, a saber Caneira, Abel, Luís Loureiro, Romagnoli, João Alves, Wender, Koke e Deivid.
Caneira chegou a Alvalade proveniente de Valência num contrato de empréstimo por 6 meses.
Jogador dotado de uma cultura táctica assinalável, constituiu a melhor aquisição da temporada leonina.
Polivalente, sendo central de origem, actuou preferencialmente sobre a lateral esquerda da defensiva.
Aportou equilíbrio e experiência, contribuindo decisivamente para a estabilização defensiva do conjunto leonino.
Jogador de propensão mais defensiva, a forma como fecha ao centro dobrando ou auxiliando os centrais é admirável.
Não sendo um portento de técnica ou de velocidade, ainda assim cumpre bem estes como outros itens necessários aos lugares de defesa.
Não sendo muito alto, apresenta bom jogo de cabeça, fruto do seu excelente sentido posicional.
Poucas vezes se incorpora nas acções ofensivas, fazendo-o, contudo, com a propósito e com critério.
Tudo o que faz, faz com racionalidade, critério e qualidade.
Um jogador de equipa.
Numa avaliação quantitativa do acerto da contratação direi que, numa escala de 0 a 10, se situa no patamar 9.
Emprestado pelo Braga num negócio sui generis, Abel demonstrou em Alvalade os predicados de que vinha rotulado.
Força, pulmão e técnica.
Melhor ofensivamente do que defensivamente, beneficiou da presença de Caneira do lado contrário da defesa para que as suas lacunas de cobertura não se evidenciassem por aí além.
A circunstância de Caneira fechar ao centro permitiu movimentos de basculação defensivos no sentido do seu flanco, assim protegendo as suas costas.
Nos seis meses em Alvalade, provou ser uma mais valia num plantel carente de um lateral com boa técnica e capaz de fazer todo o corredor.
Falta-lhe alguma técnica de cruzamento, sendo este o seu maior defeito.
Todavia, está por confirmar se conseguirá manter o mesmo rendimento no conjunto de uma época, principalmente devido a algumas intermitências que viveu.
Contratação no patamar 6.
Luís Loureiro foi adquirido ao Dínamo de Moscovo no negócio que envolveu a cedência de Enakharire.
Inicialmente titular, lesões e opções condicionaram a sua prestação ao longo da época.
Preterido por Custódio teve poucas oportunidades para evidenciar a qualidade demonstrada em Braga.
Sentido posicional, capacidade de cobertura de espaços e capacidade de leitura de jogo são os seus principais atributos.
Internacional, está por asseverar a sua capacidade para se impor num grande clube. Falhou em Moscovo e está a falhar em Alvalade.
A próxima época será decisiva.
Contratação no patamar 4.
Romagnoli foi um flop.
Esperança do futebol argentino, havia já sido infeliz na aventura mexicana e em Portugal voltou a ser infeliz.
Por inadaptação táctica ou ao futebol praticado em Portugal, o certo é que nunca foi o n.º 10 que se esperava.
Ídolo precoce no seu país, não confirmou o rótulo de craque que trazia.
Abúlico, apático, pouca dinâmica carreou para o futebol dos leões.
Titular logo após a sua chegada, a sua estrela foi empalidecendo ao ponto de não ser convocado em algumas partidas.
Em Alvalade por empréstimo, é improvável que o Sporting exerça a opção de compra.
Contratação no patamar 4.
João Alves chegou a Alvalade após insistência de Peseiro e a troco de 2.500,00€.
Revelação do campeonato de 2004/05 ao serviço do Braga, as expectativas em seu redor eram mais do que muitas.
Médio de excelente toque de bola e de excelente visão de jogo, esperava-se que se assumisse como um médio “box to box” de grande categoria, um pouco à imagem de Tiago, hoje no Lyon.
As promessas iniciais cedo se desvaneceram e João Alves pouco ou nada exibiu das credenciais que trazia.
Com excepção de um golão ao Penafiel, João Alves não foi em Alvalade o médio com critério de passe, com facilidade em aparecer em zona de finalização que havia sido em Braga.
Não soube lidar com a pressão própria de jogar num grande.
Pode e deve fazer melhor. Veremos se, na próxima época, mais adaptado a uma realidade distinta conseguirá apresentar o seu futebol.
Contratação no patamar 3.
Wender chegou a Alvalade juntamente com João Alves, mas da mesma forma inesperada como o fez, saiu.
Jogador rompedor, com características de ala, não se encaixou nos sistemas de Peseiro e Paulo Bento, os quais privilegiam a não utilização de extremos clássicos.
Inadaptado, raras vezes constituiu opção e, deste modo, não se conseguiu impor.
Mais tarde regressaria a Braga no negócio de Abel e, ironia das ironias, para marcar dois golos na vitória bracarense sobre os leões.
Um claro erro de casting
Contratação no patamar 0.
Koke veio do Marselha por empréstimo e com excepção dos golos que marcou ao Gil Vicente na sua partida de estreia, pouco mais mostrou.
Entusiasmou, mas depressa desapareceu.
Nunca foi aposta segura de Paulo Bento e não se afirmou.
A opção de compra não deverá ser exercida.
Contratação no patamar 3.
Deivid foi a mais cara contratação do defeso leonino.
Não se impôs de forma indiscutível.
Balançou entre a titularidade e o banco, o que ajudou ao seu magro pecúlio final de golos.
Havia já falhado na sua experiência em Bordéus e quando assim é, raro é o caso do jogador que, regressado a Europa, consegue triunfar.
Não é mau jogador, mas a inconstância do seu rendimento prejudica a sua afirmação.
Esconde-se um pouco do jogo e não é um matador.
Possui boa técnica e sabe ocupar os espaços junto da área, mas falta-lhe agressividade. Por vezes, parece pouco motivado.
Veremos se na próxima época apresenta outra “cara”.
Contratação no patamar 5.
No balanço global direi que Caneira foi aposta claramente ganha, Abel, Deivid e João Alves são valores a confirmar e Luís Loureiro, Romagnoli, Wender e Koke apostas falhadas.

2 comentários:

carlos disse...

Concordo com a brilhante análise sobre o valor das contratações do SCP esta época aqui dada à estampa pelo Snr. Administrador.
Terá, porventura, esquecido uma outra "brilhante" contratação do SCP esta época, a do defesa esquerdo Edson, vindo do Leiria todo roto, e que foi despachado nem sei para onde.

vermelho disse...

amigo Carlos:
tens razão, o homem teve uma passagem tão meteórica pelo Sporting que me esqueci.
Pela omissão me penitencio.
Desde já, faço a adenda.
Edson foi um meteorito que passou por Alvalade.
Chegou portador de diversas maleitas musculares e cedo partiu para a Polónia.
Não confirmou os créditos que trazia de Leiria.
O seu forte pontapé nunca se viu em Alvalade.
Contratação no patamar 0.
Abraço.